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Essas Malditas Mulheres!

por Robinson Kanes, em 08.03.19

 

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Créditos: https://tenor.com/view/white-woman-dancing-gif-11348861

 

Agora que o "Dia da Mulher" já aí está... Agora que a hashtag está esgotada e o número de visualizações não cessa de aumentar; agora que muitos daqueles que levantam a voz contra a violência doméstica já se vão acalmando e engolindo em seco o facto de falarem muito nas redes sociais mas não terem coragem de testemunharem num tribunal, é altura de fazer uma pequena análise às primeiras horas do dia 08 de Março.

 

Começo pelas conclusões: o maior inimigo da mulher... é a mulher! Ou melhor, algumas mulheres... 

 

Quando muitas mulheres de bem com a vida se preparam para celebrar o dia 08 com um sorriso, com uma flor e com uma grande jantarada que até poderia envolver uns indivíduos desnudos, eis que surjem os novos libertadores, aqueles que defendem o bem de todos e a Democracia como nunca se viu.

 

E o que diziam estas mentes esclarecidas que lutam pelos nossos direitos? Que o "Dia da Mulher" não é um dia de festa mas um dia de luto!

 

De facto! Malditas mulheres que ao invés de ficarem a chorar no quarto depois de cozinharem para o marido, ou então de desenrascarem uns cereais enquanto choram sozinhas no sofá, optaram por ir para a festa? Malditas mulheres que ao invés de irem tomar conta dos filhos hipotecam a feliz vida de mães por uma festa! Malditas mulheres que ao invés de ficarem a destilar textos feitos e imagens de péssimo gosto nas redes sociais foram para a farra! Malditas mulheres que deveriam ter ficado a ver programas de televisão de 5ª categoria para depois poderem comentar os mesmos nas redes sociais e nos blogues como se fosse a coisa mais imporante do mundo - isto enquanto outras mulheres sofrem! Malditas mulheres que têm a vida em risco porque testemunharam a favor de uma outra mulher em tribunal mas mesmo assim arriscam sair para uma noitada ao invés de ficarem armadas em juízes de sofá!

 

Deviam ter ficado em casa vestidas de preto e a chorar! A chorar por aquelas que morreram...Maldição esta das pessoas que não opinam no "show mediático" e vão viver a vida! Gente fria que não se interessa pelos factos! Gente fria que defende as mulheres e não alinha com aqueles que na segunda-feira já vão ver se conseguem prejudicar a colega de trabalho que está em vias de ser promovida!

 

Ai essas malditas mulheres que só querem ser mulheres e também não estão muito interessadas em ser rotuladas e entrarem no jogo da "velhinha que não queria atravessar".

 

A essas que hoje vão partir a louça toda, divirtam-se... E divirtam-se muito!

 

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A Partilhar a Caneca...

por Robinson Kanes, em 14.02.19

Caneca de Letras_ Um Ano Depois - Caneca de Letras

Créditos: Filipe Vaz Correia

 

Hoje sentei-me à mesa com o Filipe Vaz Correia e decidimos entre uma caneca de cappuccino carregada de letras, descarregar um pouco do "Não é que não Houvesse" por aquelas bandas.

Resta-me agradecer o convite deste amigo bem como toda a atenção e dedicação ao meu artigo.

Não deixem de passar por lá hoje e todos os dias, é um espaço bastante eclético e com interessantes temáticas, por vezes, bastante surpreendentes e... Onde ainda se cozinha e não se debitam apenas ingredientes e nomes estranhos para a comida.

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Da "Instamum" à "Depressedmum"...

por Robinson Kanes, em 22.03.17

smartmag-featured-image-tammy-mom.jpg

 Fonte da Imagem: http://www.shapefit.com/wp-content/uploads/2014/12/smartmag-featured-image-tammy-mom.jpg

 

Estar grávida está na moda, mas quem quiser ser trendy, além da gravidez tem ainda de contar com o facto de os gémeos serem a opção mais in.

 

Mas... vamos focar-nos nas senhoras, porque afinal também existem os pais.

 

Actualmente as mães são umas verdadeiras instamums (Instamães), ou pintemums (pintmães) ou até facemums (facemães). E o que é isto? Mães que são o último grito da gravidez e até do pós-parto, sobretudo nas redes sociais. A pressão social e mediática é tal, que o ideal é aparecer grávida mas com um look de quem passa os dias no ginásio. Uma grávida elegante, sorridente e de bem com a vida. Uma gravidez perfeita sem os percalços habituais é coisa do passado. Estar grávida é cool! Partilhá-lo nas redes sociais ainda é mais cool... desde que não se esteja gorda, flácida ou pouco atraente.

 

Onde é que isto começa? Nas “celebridades”, nas “bloggers” e naquelas amigas que ficam grávidas mas que têm aparência de monitora de aulas de fitness. Daqui às partilhas de corpos elegantes e “photoshopados” (photoshopados? Oh Robinson...) vai um passo, e daqui à pressão para se ser uma instamum vai outro passo, e daqui para chegar à depressão e desejar nunca vir a engravidar novamente vai outro.

 

Mas as coisas até começam bem... aquela “celebridade” com barriga lisa antes e depois do parto surge como a inspiração... o problema surge é quando passamos o nosso tempo a olhar a inspiração - que virtualmente continua inspiradora - e a nossa forma física continua deplorável, aos olhos da instamum. Aos olhos da instamum, porque aos olhos de um indivíduo normal é um físico... normal?

E há instamum que goste de se sentir gorda, sem poder partilhar as fotos da boa forma no facebook, quando a cunhada de cinco em cinco minutos mostra aquele corpo invejável e só pariu há uma semana?

 

A verdade é que existem casos em que a depressão é tal que as senhoras se esquecem do que é uma gravidez e do que é real e não é! Existem situações em que as depressões arrasam o casamento. Deixar que as redes sociais, as opiniões dos grupos de pseudo-amigos contagiem o bem-estar das mães é um passo atrás, inclusive no ser mãe e no ser mulher! Mesmo os pseudo-detentores de opinião não são "ninguém", quando muito... são um canal para ajudar ao nosso pensamento e, ter tempo para pensar, é fundamental. Caso contrário, entraremos na desculpa da falta de tempo, mas aí faço minhas as palavras de Steinbeck quando dizia que a ausência de tempo para pensar era o equivalente ao não ter vontade de pensar.

 

Sejam mães e não queiram ser estrelas, se eu pudesse escolher, era o que eu fazia... e provavelmente não seria o meu filho que faria de mim uma estrela. Deixem de passar horas a fazer scrolling (o típico sobe e desce com as páginas de internet) às outras mães no computador, no tablet ou smartphone e sejam mães!

 

E porque não escolher não querer engravidar? É um direito, e honestamente louvável, tendo em conta que existe gente a mais neste mundo! Digam que sou egoísta mas... analisem os números e veremos quem está a ser mais egoísta na equação.

 

A gravidez é uma escolha, é uma fase e uma das coisas mais normais no reino animal. Estar grávida é a coisa mais normal do mundo! Estar gorda por causa da gravidez, cheia de estrias, flácida, desesperada, cansada, irritada é a coisa mais normal do mundo! Comer doces e milhões de porcarias que nunca se comeriam antes é a coisa mais normal do mundo (se tivermos dinheiro para tal)! E não minhas senhoras, quem já teve filhos não é a única pessoa a saber tudo sobre crianças como também o vosso bebé quando nasce não é lindo. Não é... é feio, cor-de-rosa, a maioria das vezes, mas fica bem dizer “ai que bonito bebé sai ao pai”! Um dia ainda me terão de explicar como é que olham para um bebé com horas e dizem estas coisas! E não, ninguém é perfeito, só serão perfeitas se pagarem a alguém para espalhar que vocês são perfeitas.

 

Em conclusão, minhas senhoras se existir quem não goste das vossas estrias, das vossas peles, da vossa irritação, do vosso mau-humor, honestamente... fizeram um erro de cálculo na escolha do pai e daqueles que vos rodeiam.

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Mulheres…Mas Pouco...

por Robinson Kanes, em 09.03.17

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José Clemente Orozco,  O Martírio de Santo Estevão (Museus do Vaticano)

 

 

A maior parte dos reis que a História celebra nunca foram educados para reinar.

Jean-Jacques Rousseau, in o Contrato Social

 

Estive ontem, como convidado, numa actividade de recursos humanos centrada no "Dia da Mulher".

 

Estaria tudo bem, até aproximar-se de nós uma senhora que reclamava pelo simples facto dos responsáveis da respectiva organização estarem a sortear algumas prendas e não oferecerem um presente a cada uma das colaboradoras. Nada transcendente, no entanto, e confesso que até tenho uma grande simpatia pela organização (uma multinacional) em causa, entendo que as organizações têm as suas limitações pelo que, mais vale pouco que nada. E reforço, continuo a ter uma grande simpatia pela mesma organização, inclusive pelo CEO, mas não em Portugal.

 

O problema surge quando a “queixa” avançou, até porque se estava num clima que se pode apelidar de “boa onda” e a pobre da senhora afirmou: “somos mulheres, somos iguais”. Do ponto de vista da retórica e da afirmação de um direito a mesma passou com distinção... todavia, do ponto de vista da humanidade, alguém iria a cometer um verdadeiro genocídio... e já vão perceber o porquê do uso deste conceito.

 

Considero-me uma pessoa pragmática e com uma frieza germânica quando toca a tomar decisões difíceis... tive uma fase da vida em que cheguei a questionar alguma dessa frieza, mas nada me preparou para o que ainda vou vendo e ouvindo por parte de indivíduos que se dizem civilizados, que são portugueses, que são ilustrados e em modo Sociedade 9.0 e afins... o típico somos todos muito para a frente no Facebook e nas publicações que escrevem por nós, mas...

 

Face ao argumento da senhora em causa, a resposta da “Responsável” de Recursos Humanos (com um cargo de manager, portanto nem estamos a falar de directores) foi um “calma lá, não somos iguais que eu sou directora e você trabalha nas operações, não somos nada iguais, se alguém merece alguma coisa mais até sou eu”.

 

Pior? Só estamos em Dachau, já vamos a Treblinka. Na mesma celebração, fui abordado por uma pessoa com um cargo na mesma organização que me informou que alguém (manager) se havia recusado a integrar uma acção de formação como formanda porque não tinha nada que aprender com ninguém e muito menos com uma pessoa que acabou de chegar à organização. Nessa acção de formação, o Director para Portugal e dois membros do Conselho Executivo (fora do país) foram os primeiros a aceitar. Em jeito formal, acrescento: "mais se informa que as duas senhoras não têm sequer know-how na área em que desenvolvem trabalho".

 

Foram duas situações a mais para um só dia... lamentavelmente, pessoas jovens, mas com mais de 20 anos de casa, que sempre trabalharam no mesmo local e sem quaisquer qualificações para a tarefa... assumirem esta atitude narcisista e totalmente desumana com outros colaboradores (não sirvas a quem serviu, não peças a quem pediu, já diz o Povo) é deplorável e seria motivo de despedimento em todas as organizações por onde já passei. Para mim a resposta é simples: insegurança. Todavia, a insegurança não pode, nem deve, ser o bode expiatório para as maiores atrocidades e para o perpetuar de um sentimento de impunidade.

 

Nestas alturas, é-me fácil perceber como é que crianças judias (não só na Alemanha) de um dia para o outro viram os seus amigos de sempre a arremessarem pedras na sua direcção. É-me muito fácil perceber como é que Hutus foram capazes de matar familiares e amigos Tutsis de uma hora para a outra. É-me fácil perceber como é que Sérvios, Croatas e Bósnios deixaram de se abraçar num dia e se começaram a matar no outro.

 

 

Optei por sair, há situações com as quais recuso pactuar, mesmo como convidado. Chegado a casa, escutando uma Cantata de Bach, respondi a uma SMS recebida entretanto e afirmei que não era o ambiente no qual queria estar, pedindo as minhas desculpas e sugerindo passeios ao ar-livre, formações e psicólogos para que os envolvidos pudessem tomar consciência daquilo que tinham dito, mas pior que isso, daquilo que pensavam e pensam. Daqui aos exemplos que dei atrás, é um pequeníssimo passo, pois a diferença entre um indivíduo destes e um Rudolf Hess ou um Radovan Karadzic é que estes últimos tinham autoridade “legal” para o fazer.

 

Prometo que amanhã falo de coisas boas, mas não poderia deixar passar esta em claro, porque é falando dos erros que também aprendemos e não a construir frondosos palácios sob bases de papel, além de que, é estudando a fundo o problema que encontramos a solução. E afinal... era o "Dia da Mulher"...

 

Fonta da Imagem: Própria.

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Não Vou Falar de Mulheres!

por Robinson Kanes, em 08.03.17

IMG_7881.jpg

 Cartaz Alusivo à Mobilização na Segunda Guerra Mundial, London Imperial War Museum

Fonte da Imagem: Própria

Não vou falar de mulheres! 

 

Mas como não falar de mulheres? Na verdade, mais de metade dos meus seguidores são... mulheres.

 

Hoje é um dia especial para as senhoras e poupem-me aqueles jantares e euforias de emancipação em que vale tudo desde andar aos gritos num restaurante até apanhar uma valente "carraspana" só... porque é "Dia da Mulher". Tal não é celebrar a mulher, quando muito é celebrar a parvoíce que é comum a homens e mulheres.

 

Anda por aí o mote de uma greve, confesso que não acompanhei esse assunto, mas... greve de? Porque se é mulher? Eu diria que é mais uma espécie de jantar com comida, vinho e gritaria à mistura e com poucos efeitos práticos.

 

Não posso falar sobre o que é o "ser mulher", não o sou, quando muito sou um espectador. Lembro-me agora de uma iniciativa que está a ser feita numa fábrica deste país, em que uma mulher, contra o status quo do oferecer flores e afins, desenvolveu um projecto, baseado numa iniciativa das Nações Unidas, que visa a mobilização de todas as mulheres tendo em vista a melhoria da fábrica e para isso avançou com um conjunto de iniciativas que vão desde o debate de ideias até implementação das mesmas. E o foco, não assenta somente em cargos de chefia, mas em linhas de montagem, segurança e limpeza. Infelizmente, ou felizmente, essa mulher não é uma networker nem se expõe em redes sociais, diz a mesma que, o seu lugar  é com as suas pessoas e não tem tempo para trocar o trabalho e a responsabilidade por uma passerelle vazia de conteúdo. Aqui lhe deixo a minha homenagem!

 

Por fim, uma nota a propósito do "Dia da Mulher": tenho assistido a anúncios de iniciativas que visam a valorização e homenagem à mulher, no entanto, numa óptica de que as únicas mulheres de valor são aquelas que ocupam cargos de relevância, muitos deles atingidos sem qualquer mérito. Entre muitos casos, infelizmente, destaco o de um folheto de uma Câmara Municipal, a do Montijo, em que serão homenageadas somente as mulheres com cargos de direcção na respectiva instituição e também com cargos de coordenação em agrupamentos escolares... isto é pensar nas mulheres do concelho. 

 

Se é para homeagear, vamos homenagear todas as mulheres, desde a senhora da  limpeza que limpa a lama que as rodas da minha bicicleta deixa no chão - e ainda me sorri - até à senhora que lidera uma grande organização. No fundo... lá bem no fundo... as diferenças até são poucas. Pode ser que, no "Dia da Mulher", mulheres e homens, mais que seres distintos no sexo (sim, género é para palavras) sejam mais iguais no respeito, humanidade, trabalho e educação. Nós homens, sem elas, nesse campo, também não seremos nada.

 

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