Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]



Em Limburgo, a Viver Maastricht...

por Robinson Kanes, em 22.02.19

IMG_4406.jpgImagens: Robinson Kanes

 

Antes de voltar à Bélgica, especialmente a Antuérpia e Leuven, e depois de bons passeios por Ghent, Brugge e Bruxelas, façamos uma entrada na Holanda.

O meu primeiro contacto com a Holanda deu-se, era eu ainda um miúdo, por intermédio de um grupo holandês que me fez sentir como um adulto. O puto português, agarrado ao seu instrumento musical, visitou a casa de uns companheiros belgas em Herent (Bélgica) e rapidamente foi colocado em destaque, a par dos demais numa oportunidade única de partilhar o palco. A noite acabou naquela localidade entre comida belga e holandesa sem esquecer  o continuar da festa onde se tocaram, cantaram e dançaram músicas populares daqueles dois países, e obviamente, de Portugal. Deve ter sido das primeiras vezes em que senti a apreciação do mérito!

IMG_4404.jpg

Mais tarde entraria na Holanda por Roterdão, Amesterdão e Arnhem, a cidade onde se encontra a famosa ponte de uma das batalhas mais dramáticas da 2ª Guerra Mundial - foi aqui que a operação "Market Garden" conheceu o seu falhanço... Mas uma outra cidade holandesa merece, apesar de bastante pacata a minha atenção: Maastricht!

IMG_4410.jpg

Maastricht é uma cidade de sossego absoluto, mesmo quando deambulamos pela "Praça  Vrijthof" - a mais famosa da cidade - com os seus cafés e a "Basiliek van St. Servaas/Basílica de São Servácio" - uma basílica onde a mistura de estilos românico, barroco e gótico é evidente e onde se encontra o túmulo do patrono que lhe dá o nome. 

IMG_4417.jpg

É por esta praça que podemos começar a conhecer esta pequena cidade! Nada como uma passagem pela "Onze-Lieve-Vrouwebasiliek/Basílica de Nossa Senhora" e depois seguir a rede subterrânea que serviu ao longo de séculos para a defesa da cidade, e mais "recentemente", como abrigo durante 2ª Guerra Mundial. O ideal é juntar a esta experiência a visita as "Cavernas" e o "Forte de São Pedro".

IMG_4418.jpg

No entanto, ir a Maastricht e não dar um passeio junto ao Mosa é uma verdadeiro sacrilégio que São Servácio não apreciaria. É a oportunidade perfeita para apreciar um pouco de natureza, a pouca movida e atravessar mais uma romântica (e românica) ponte, a "Sint Servasbrug".

IMG_4411.jpg

Esta é, aparentemente, a ponte mais antiga dos Países Baixos. Junto ao rio podemos sempre entrar nos arredores da cidade e aproveitar para correr ou andar de bicicleta nos inúmeros parques, aliar o exercício físico a uma viagem é sempre importante.

IMG_4407.jpg

Finalmente, e porque já é um hábito: o piquenique! Com tantos parques é impossível não o fazer, sobretudo se os ingredientes forem comprados nos mercados da cidade, pois... a comida holandesa não é propriamente a mais apetecível do mundo, pelo menos para mim.

 Ik wens u een prettig weekend!

Autoria e outros dados (tags, etc)

Brugge... Entre Canais e História...

por Robinson Kanes, em 28.11.18

IMG_4116.JPG

Imagens: Robinson Kanes

 

A primeira viagem que fiz de avião foi numa aeronave da Sabena, portanto, já há alguns anos. Nesse dia chuvoso, partia de Lisboa para Bruxelas, mais precisamente para Leuven. Essa primeira viagem, e embora não sendo o melhor apreciador dos países que compõem o Benelux, marcou-me, e claro está, fez com que tivesse um carinho especial por aquele país. Entre as várias viagens que fiz à Bélgica entretanto, parecia-me injusto não lhe dar o devido destaque neste espaço, até porque também tive os meus namoricos belgas, conheci muito boa gente belga, recuso-me a pagar €15 ou mais euros por meia-dúzia de mexilhões, não acho a Stella Artois nada de especial (embora até tenha conhecido a fábrica) e por aí adiante...

IMG_4106.JPG

Retomo a Brugge... Não é uma cidade fascinante, no entanto, faz-nos pensar em como é que num local tão pequeno a vibração cultural é tão grande. Faz-nos pensar em como é que se sente o peso da história e entre os pequenos canais podemos passar alguns momentos bem agradáveis. A parte nova, é a imagem típica de cidade flamenga "moderna", mas no centro histórico, podemos encontrar algum património bem interessante que pode ser conhecido a pé ou através dos passeios nos canais. Já não recomendo os passeios de carruagem, ninguém que goste de cavalos pode tolerar tal sofrimento inútil.

IMG_4115.jpgO ideal é começar o dia no "Books & Brunch", nada como um pitéu num local rodeado de livros para iniciar uma visita e assim compensar o tempo que poderemos não ter para almoçar. Seguidamente, nada como apimentar esta sedução intelectual com uma visita ao "Groeningemuseum", um local ideal e a não perder para quem adora pintura flamenga, aliás, Jan van Eyck (que até tem por lá a sua estátua - morreu nesta cidade em 1441) e Van den Berghe estão por lá. 

IMG_4131.JPG

A pintura e a escultura também estão patentes numa visita obrigatória à "Igreja de Nossa Senhora" e ao seu museu, o "Onze-Lieve-Vrouwekerk" oferece, entre muitas obras, a oportunidade de admirar "A Virgem com o Menino" de Miguel Ângelo.

IMG_4109.JPG

Brugge, para um turista, é um local bastante económico - é nas ruas e caminhando por entre os canais que conhecemos a cidade, entrando nas Igrejas e até o famoso carrilhão.

IMG_4128.JPGEstamos numa cidade, contudo, com uma imensa oferta cultural e que para amantes de teatro, música clássica e tantas outras artes, pode ser, sem dúvida uma mais-valia, aliás, é para mim o grande ponto alto de uma visita à cidade, um pouco como Hamburgo na Alemanha, que não sendo uma cidade bonita e atraente, é bastante apetecível em termos de acontecimentos culturais.

IMG_4130.JPG

Finalmente uma nota para as importantes questões ambientais. Na última visita a esta cidade, fica a memória de que um destes dias, podemos assistir a uma baleia como a da imagem acima a invadir os nossos mares... Não pensamos muito nisto, mas um dia vamos mesmo ter de fazê-lo, e não é quando a vida destes e de outros animais estiver em risco, no nosso egoísmo incorrigível, vai ser mesmo no dia em que a nós próprios estivermos em risco.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

IMG_6891.JPGFonte das Imagens: Própria.

 

Ontem falei do Outono e... Falar do Outono sem falar em Trás-os-Montes e mais especificamente em Pitões das Júnias é um autêntica falta de sensibilidade para com esta estação.

 

Pitões das Júnias, no concelho de Montalegre, não está na moda, por isso não confundamos as coisas. Aliás, se alguma vez esteve na moda foi no âmbito da etnologia e da antropologia sobretudo no estudo e na abordagem às aldeias comunitárias.  Sobre uma delas debrucei-me em tempos, Tourém.O próprio nome da aldeia ainda hoje é alvo de um grande debate, pois não é fácil perceber a sua origem.

IMG_6887.JPG

Pitões das Júnias é a aldeia mais alta do Barroso e encontra-se no Parque Natural da Peneda-Gerês. Apesar da proximidade com Espanha, não deixa de ser uma aldeia perdida do interior, uma aldeia esquecida e que tem, graças ao turismo, conseguido manter-se de forma a que não se torne apenas mais uma recordação do passado. A abordagem a Pitões também não pode ficar circunscrita só a um artigo (cá voltaremos), apesar da dimensão da aldeia e da sua população de pouco mais de 150 habitantes. Pitões é mais que uma aldeia, e quando chegamos a Pitões é fácil sentir essa diferença. Pitões é a história de um povo que numa região inóspita lutou contra as adversidades de um clima rigoroso e contra a distância dos grandes centros e isso reconhece-se ainda hoje nos rostos daquelas gentes - gente forte, dura mas de uma humildade e carinho singulares. A própria génesa das aldeias comunitárias nasce dessa necessidade de união e partilha face aos diferentes desafios.

IMG_6893.JPG 

Entre o rio, a "Pala da Vaca" e os "Cornos de Pitões" (Cornos da Fonte Fria), como são chamadas pelos locais as elevações que "protegem" a aldeia e que contribuem para uma imagem pitoresca sobretudo ao amanhecer e durante o crespúsculo. A vista da aldeia a partir do cemitério é algo que fica para sempre na nossa memória. Daí podemos rever o nosso circuito dentro da aldeia e imaginarmo-nos nós também como parte da mesma. O forno comunitário/Ecomuseu, as fontes com uma água cristalina, a Igreja e as diferentes casas são de uma beleza indescritível e não faltam relatos desta riqueza em livros e também na web, sobretudo daqueles que lá vivem, e não daqueles que, como eu, só lá vão de vez em quando.

 

Também não é incomum encontrarmo-nos com amigos de 4 patas, sejam bois ou enormes cães que nos abordam com um olhar inquiridor mas rapidamente se deixam contagiar pelas nossas festas.

 

Entre os "Prados do Lima", os "cornos" e os ribeiros podemos encontrar verdadeiros dias de descanso, considero até que é um dos locais perfeitos para fugir do mundo e reflectir. Contudo não nos deixemos enganar, pois não perdemos a ligação com a vida e com as pessoas, a outra grande riqueza desta aldeia. Em Pitões apodemos perder a carteira com algum dinheiro e rapidamente toda uma aldeia se mobiliza para encontrar o proprietário da mesma, mesmo que este já se encontre em Lisboa com a memória da "Cascata" ainda bem presente nos seus pensamentos.

IMG_6811.JPG

Mas voltaremos a Pitões para descobrir mais um dos segredos deste nosso país. Por agora repousemos entre um clareira rodeada de carvalhos e estudemos este interessante percurso recomendado pelo ICNF. Depois, abramos os nosso cesto de piquenique porque a fome já aperta. Ao que sei está rechedado de enchidos e licores da região...

 

Finalmente, e como Pitões se encontra num Parque Natural, nada como recordar o Código de Conduta e Boas Práticas que deve ser interiorizado por todos os visitantes das áreas protegidas.

 

Bom fim-de-semana...

IMG_6805.JPG

Autoria e outros dados (tags, etc)

Há Festa no Panteão! E Mais Houvesse!

por Robinson Kanes, em 13.11.17

IMG_8151.jpg

 Fonte da Imagem: Própria

 

E mais uma vez, a ditadura das redes sociais ditou que um não-tema se tornasse num dos mais comentados. O segredo para se conseguir algo do Governo, da Justiça ou seja lá do que for é colocando o mesmo nas redes sociais pois são estas bem mais importantes que a palavra ou a acção dos cidadãos. Liderarmos com base no que dizem as redes sociais vai-nos levar por um caminho perigoso...


Festas e outros eventos sempre existiram em monumentos nacionais! Fossem religiosos ou não, este tipo de eventos sempre existiu ou os jantares e as festas privadas de uns iluminados deste país nos Jerónimos (que rapidamente são abafadas quando se descobrem) são o quê? E outras tantas festas que acontecem em conventos e igrejas, são o quê? 

 

Será que os portugueses se revoltariam tanto se soubessem quanto custam aqueles jantares de Estado em Queluz, Mafra ou mesmo na Ajuda. Será que os portugueses se revoltariam com os luxos que pagam às autarquias, poder central, outras tantas instituições do Estado e subsidiodependentes de toda esta máquina? 

 

Não entendo a revolta com um jantar de gala num espaço que tem um custo de aluguer de €3.000.00! São os que criticam esses jantares que se revoltam por pagar para entrar nesses espaços! No entanto, se o Panteão estiver a cair aos bocados já nos revoltamos porque ninguém o repara ou fica em estado de choque quando vê o valor dos seus impostos reflectido no funcionamento dos mesmos! Quem me dera que todos os dias existisse um jantar no Panteão e outros monumentos nacionais, desde que salvaguardando o património.

 

Vamos proibir as visitas turísticas, porque são entretenimento, vamos proibir os espectáculos musicais porque são entretenimento, até o artigo que escrevi em tempos sobre o Panteão é uma devassa do espaço e deve ser proibido! Não sugiro que se façam "raves" no Panteão, todavia um jantar de gala é um evento nobre, protocolar! Só num país onde as pessoas estão habituadas a ter tudo de mão beijada se pode colocar esta questão, não admira por isso que as contas públicas sejam o que são.

 

Eu ficaria do lado dos contestatários se estes perguntassem porque é que algumas figuras lá estão sepultadas e outras não... Se são estes os nossos heróis, diria que alguém não estudou história. Sobre isso não vejo ninguém a colocar questões. Destes contestatários, quantos já foram ao Panteão? Quantos sabem quais as figuras que lá estão sepultadas? De repente os comentadores de tudo e de nada tornaram-se patriotas porque sempre dá mais uns "likes".

 

Todos os dias existem eventos em Portugal e não são só aqueles que surgem nas televisões. Todos os dias somos visitados por grupos de empresas que realizam imensos eventos e usufruem também destes espaços, pagando pelos mesmos e garantido a conservação e funcionamento destes. Até naquilo que é de todos queremos ter a nossa "quintinha"? Ainda criticamos o orgulhosamente sós que um estadista em tempos proferiu. 

 

Surpreende-me também que o próprio Primeiro-Ministro tenha apelidado esta iniciativa de indigna aproveitando a mesma para, políticamente, criticar o Governo anterior, esquecendo que bem antes do mesmo já haviam lá sido realizados eventos com a chancela do seu partido e até do próprio António Costa, quem diria! Então não estarão lá potenciais investidores na economia do país? Não estamos a trabalhar pelo desenvolvimento de Portugal? Até porque alguns dos que lá estão sepultados ao invés de darem algo ao país, sempre viveram foi à sombra do dinheiro deste país. Uma nota de destaque para Paddy Cosgrave que rapidamente veio a público pedir desculpas. Reconheço que foi um acto de nobreza, mas não o deveria ter feito - solicitou um serviço que lhe foi prestado. Também Marcelo Rebelo de Sousa, na sua já habitual atitude de cata-vento da nação criticou o jantar, tudo a bem das sondagens e depois de perceber a reacção popular. Eu criticaria as feiras do livro (comerciais) em Belém... Sobretudo quando este tem um histórico de promover livros na televisão, maioria dos quais nunca leu... É sempre mais confortável seguir a linha da popularidade, sempre nos dá um destaque...

 

Mas finalmente falemos de mercantilização - se para os partidos e senhores deputados deste país o Panteão não deve ser mecantilizado, então deixemos de financiar também os partidos que devem ser independentes na sua acção a favor do país! Deixemos também de mercantilizar as almas de muitos deputados, sindicatos e funcionários deste país a bem da sobrevivência do mesmo! Será que se não fosse a mercantilização dos reais interesses da nação muitos destes senhores optariam pelo caminho político? Não me parece!

 

O dinheiro não cai do céu, embora por cá todos tenhamos a ideia de que podemos gastar o que temos e o que não temos que depois alguém paga a conta... Não é assim! As coisas têm custos e esses custos têm de ser pagos e se for através do encaixe que advém pela dinamização e divulgação destes espaços, porque não?

 

Quem se quiser revoltar, revolte-se com isto: em tempos tive de organizar um evento num monumento nacional, um dos mais importantes deste país! Pagámos o espaço e alguns serviços adjudicados em exclusividade (que o mesmo espaço obrigava a contratar) e no final, aquando da recepção das diferentes facturas, temos um recibo ("recibo-verde") da pessoa que acompanhou o processo (receber-nos e enviar os custos somente). Questionámos e foi-nos dito pela mesma que era assim! Estranhámos a situação e indagámos junto de entidades que já haviam passado pelo mesmo e que nos aconselharam a não falar muito e pagar sob pena da respectiva pessoa nos dificultar a vida ao máximo e quase embargar o evento! Estamos somente a falar de uma técnica que trabalhava naquele espaço! Mas mais uma vez, criticar uma festa é mais cómodo do que criticar corrupção, porque aí pode algo pode explodir bem perto de nós e ninguém quer levar com estilhaços!

 

Que bom seria, se todos os dias existisse um jantar no Panteão e que toda esta raiva por parte de muitos cidadãos e políticos tivesse sido demonstrada quando mais de 100 heróis nacionais perderam a vida há menos de 6 meses! Que esta raiva se unisse contra os grandes problemas estruturais deste país e deixássemos os afectos e os aspectos decorativos para depois...

Autoria e outros dados (tags, etc)

IMG_3448.jpg

Fonte das Imagens: Própria. 

 

Desde a passagem pela Cordoama que esta temática andava adormecida, pelo que, nada como 15km a caminhar ou a pedalar até ao Cabo de São Vicente (desde a Cordoama), sem esquecer a praia da Ponta Ruiva. Também é possível seguir por estrada, via Vila do Bispo (EM1265 e EN268).

 

O Cabo de São Vicente, além de uma viagem ao nosso passado de navegadores e conquistadores, é também o local onde podemos apreciar um dos melhores crepúsculos da Europa ou despedirmo-nos do farol guardião em direcção ao atlântico profundo. Em tempos, no século IV, foi também um local de peregrinação dos cristãos que visitavam aqui o túmulo de São Vicente (até ser destruído pelos muçulmanos no século XII), daí o nome Cabo de São Vicente. Aliás, S. Vicente e a sua lenda terão grande impacte também na história de Lisboa e justificam o porquê dos Corvos no brasão da cidade, mas isso será outra matéria.

IMG_3453.jpg 

Convido a que nos abriguemos na fortaleza, não a original mandada erguer por D. João III e terminada por D. Sebastião, mas sim naquela de planta poligonal que foi erguida por D. Filipe III de Espanha, após a anterior ter sido arrasada pelo célebre Francis Drake, um dos mais famosos corsários ingleses que espalhou o terror também no Algarve. Com poucos turistas ao fim do dia, é algo único, sobretudo para aqueles que já trazem o cansaço e o encanto de um passeio pela Costa Vicentina ou pelo Barlavento Algarvio.

 

Uma das atracções deste local, além do sem número de visitantes que aqui acorre em épocas mais turísticas, é sem dúvida a presença de várias aves. Destaco algumas, nomeadamente a Cagarra (calonectris diomedea), o Ganso-Patola (Morus Bassanus) que infelizmente ainda não consegui apreciar,  e a minha paixão, nomeadamente algumas aves de rapina como o Bútio-Vespeiro (pernis apivorus), a Águia-Calçada (aquila pennata), a Águia Cobreira (circaetus gallicus) e os Grifos (gyps fulvus). Devido a número de pessoas que por ali deambulam, nem sempre é fácil observar estes reis dos céus pelo que é necessária alguma cautela a quem ousar procurar locais mais recônditos e potencialmente mais perigosos.

IMG_3455.jpg

Mas não é só no Cabo de São Vicente que podemos ter um óptimo final de tarde. Nada como continuar a caminhar e seguir em direcção à Praia do Beliche (ou Belixe) e apreciar daí também o espectáculo crepuscular e com os pés na água, na areia ou então abrigados na sua gruta que atrai imensos visitantes. Em época baixa, ou já com a noite a aproximar-se, é um espectáculo singular! Aproveitem com conta peso e medida e cedam à tentação da massificação... O segredo deste pôr do sol está na paz que se sente e no sentimento de isolamento.

 

Do Cabo de São Vicente a esta praia são somente 3,5km a caminhar, praticamente o mesmo que por estrada, pelo que poderão fazer uma pausa a meio e recuperar forças na Fortaleza do Beliche (ou Belixe) e olhar o promontório que já se começa a perder de braço dado com o oceano. Esta fortaleza, de origem ainda desconhecida, tem um percurso semelhante à Fortaleza de São Vicente, ou seja, também foi atacada por Francis Drake e posteriormente reconstruída por Filipe III de Espanha. Para quem aprecia arquitectura militar de defesa de costa vai apreciar este local e tentar imaginar as "batarias" a disparar rajadas de projectéis acompanhadas pelo fogo da Fortaleza de São Vicente contra as frotas de piratas e corsários. Em dias de sol parece impossível que em águas daquelas, tão duros combates se tenham travado, um pouco à semelhança do que sentimos em Barbate, Cádiz.  Neste monumento existe também uma pequena capela, a Capela de Santa Catarina, embora seja dedicada a Santo António.

IMG_3470.jpg 

E chegados aqui, sigamos então para a praia, estendamos a toalha, tiremos uns refrescos e umas sandes da mochila e esperemos que o sol se despeça e o cheiro do mar nos traga uma das melhores experiências do mundo... E tudo isto, todo este glamour, a um preço fantástico de zero euros. E sendo que o mesmo é grátis, colaborem reduzindo a vossa pegada ecológica ao máximo.

 

IMG_3457.jpg 

 Algumas notas:

 

 

  • Sugestões bibliográficas sobre a temática, porque aqui citamos as fontes:

Coutinho, Valdemar (1997), Castelos, fortalezas e torres da região do Algarve, Faro, Algarve em Foco Editora.

Almeida, João de (1948), Roteiro dos Monumentos Militares Portugueses Volume 3, Lisboa, Edição de Autor.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Lisboa: O Museu Nacional de Arqueologia.

por Robinson Kanes, em 14.06.17

 

IMG_8558.JPG

Fonte das Imagens: Própria. 

 

Por aqui continua-se a falar de Lisboa...

 

Depois da azáfama da festa e das peripécias com taxistas, parece-me interessante focar um espaço que, apesar de se encontrar numa localização singular, é ainda ignorado por muitos: o Museu Nacional de Arqueologia.

 

O Museu Nacional de Arqueologia fica localizado no Mosteiro dos Jerónimos, uma pequena porta entre a Igreja dos Jerónimos e o Museu de Marinha. Não é um museu grande, sobretudo para quem já esteve em museus do género por esse mundo fora, no entanto, é o nosso Museu Nacional de Arqueologia e que conta já com mais de um século de existência. Este museu, fundado em 1893 por José Leite de Vasconcelos, se não é maior, é pela dificuldade do espaço, mas também pela dispersão dos artefactos arqueológicos e, não negarei, por um lento reconhecimento dos achados arqueológicos em Portugal. 

 

IMG_8559.JPG 

Imaginem que podem começar a vossa viagem pelo Paleolítico, passando pelo Mesolítico (destaque para o “Esqueleto Humano de S. Romão”), Neolítico (destaque para o “Enterramento Colectivo do Escoural”), Calcolítico, Idade do Bronze, Idade do Ferro (destaque para a “Necrópole do Olival do Senhor dos Mártires”), Civilização Romana, Período Visigótico, Período Islâmico e terminar na Idade Média (destaque para a “Cabeceira de Sepultura”)... Imaginem como podem percorrer milhares de anos num pequeno espaço mas com uma riqueza sem igual! Mesmo os menos entusiastas vão gostar porque não obriga a grandes horas encerrados num museu. 

 

Finalmente, uma nota particular para as "Antiguidades Egípcias"! Regressem aos séculos daquela civilização e apreciem o “Barco Votivo”, as “Máscaras Funerárias” e, como não poderia deixar de ser, os dois Sarcófagos (“Sarcógafo de Irtieru” e “Sarcófago Pabasa”). Sinto que ainda são muitos os que se fascinam com a arte inerente aos sarcófagos mas se sentem tristes por nunca ter visto nenhum, pensando que só nos grandes museus da Europa ou no Egipto se encontram estas peças! Pois aqui, podem matar a vossa curiosidade, merece bem a pena!

 

IMG_8550.JPG

Além do serviço educativo, este museu conta também com uma forte componente de investigação que o torna um dos mais importantes no contexto internacional.

 

Este é dos museus que mais surpreende, não só pelo desconhecimento de alguns, pois ao estar entre a Igreja dos Jerónimos e o Museu de Marinha não é fácil sobressair, mas também pela riqueza e lição de história que ali se encontra. No entanto, estar localizado no Mosteiro dos Jerónimos também tem uma sua mais-valia, na medida em que tem a honra de ter a sua casa numa espaço único no mundo!

 

É a ideia perfeita para uma manhã! Podem começar com um pequeno almoço em Belém - e há mais pastelarias para além dos tradicionais “Pastéis de Belém” – caminhar um pouco junto ao rio e ao Padrão dos Descobrimentos, aproveitar a feira de antiguidades nos jardins de Belém (1º Domingo de cada mês e com algumas relíquias interessantes, sobretudo literárias) e terminar com a visita ao museu.

 

IMG_8549.JPG

Aproveitem, até porque dia 21 de Junho inaugura  a exposição “LOULÉ. Territórios, Memórias, Identidades”. Estão ainda a decorrer as exposições “Religiões da Lusitânia. Loquuntur saxa”, “Lusitânia dos Flávios. A propósito de Estácio e das Silvas” e “Um Museu, tantas coleções ! Testemunhos da Escravatura. Memória Africana”. Genial, não?

 

Podem saber mais sobre estas exposições, sobre a colecção permanente, contactos, preços, horários e dias de entrada livre no website do museu em   http://www.museuarqueologia.pt

Autoria e outros dados (tags, etc)


Mais sobre mim

foto do autor



Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.


Mensagens

Arquivo

  1. 2019
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2018
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2017
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2016
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D

Pesquisar

  Pesquisar no Blog






Copyrighted.com Registered & Protected 
CRD7-BFJD-IWHB-ZXDB