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O Estuário do Tejo...

por Robinson Kanes, em 09.08.19

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Imagens: Robinson Kanes

 

O Estuário do Tejo... A Reserva Natural do Estuário do Tejo, esse espaço em vias de extinção, uma extinção há muito anunciada, ou não fosse o estado de abandono da mesma por parte das autoridades nacionais. Tanto se fala da preocupação com o ambiente, mas é mesmo às portas da (e na própria) capital que se assiste ao apagar de um património que, depois de destruído, será irrecuperável. O "senhor Ryanair" é que já deve estar muito satisfeito e a preparar a sua espingarda para começar a caçada aos pássaros.

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Mas o que está em risco? O que é que podemos perder com o novo aeroporto e a construção desmedida que está a tomar conta desta zona que, supostamente, deveria ser protegida? Onde estão os ambientalistas? Onde estão os partidos da natureza? Onde está a promessa de cuidar do ambiente e do nosso património único? Já deixaram que os incêndios destruissem o nosso país, permitiram que industriais sem escrúpulos destruissem os nossos rios, só falta acabarem com este estuário!

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Quem toma conta desta espécie que, por sinal, é protegida - a Garça Real (Ardea cinerea)?

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E esta "passarada"? Vamos destruir umas das principais rotas migratórias do Mundo? Este é um espectáculo singular na Primavera e no Outuno que vai deixar de existir!

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E o corvo-marinho (Phalacrocorax carbo), o terror do peixe na maré baixa. Quando em bando é um espectáculo digno de ser ver nas margens do Tejo. Um autêntico ataque aéreo digno de registo!

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E os flamingos do Tejo (Phoenicopterus roseus) os autóctenes e os migratórios? Andamos todos vestidos à flamingos, com bóias e vestidos pirosos mas ignoramos a sua destruição? Mas que apropriação é esta ou já encaramos os mesmos como mera peça de decoração?

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Será que uns voos mais baratos valem a destruição de todo este espaço? Valem a construção de mais uma infraestrutura gigante, de mais uma ponte e de todo um desastre ambiental sem precedentes? E quem estamos a satisfazer a pretexto do desenvolvimento do país? Os interesses da AHRESP? Dos novos empresários do turismo que desconhecem o conceito de turismo sustentável? De políticos que nunca responderam por estes crimes? Temos um aeroporto em Beja a apanhar pó! 

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Já percebemos que o Governo actual (e muitos dos anteriores) falharam em toda a medida na defesa dos interesses do cidadão comum e do país... Por quanto tempo mais vamos deixar que estes crimes continuem sem pelo menos lutarmos por aquilo que é nosso para sempre e não somente por legislaturas de 4 anos? E porque não estamos também a ter em conta a subida no nível dos mares e os impactes que isso terá numa zona como aquela onde querem localizar o novo aeroporto?

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Defendam o pouco que ainda resta de bom no vosso país! 

 

P.S.: há pouco mais dois dias, um avião da United aterrou de emergência devido ao embate com uma ave. A situação ocorreu no Aeroporto Francisco Sá Carneiro. Imaginem no Montijo (que não é só Montijo, é o Seixal, Barreiro, Almada, Lisboa, Loures, Vila Franca de Xira, Palmela, Moita, Benavente, Alcochete - e isto são apenas sedes de concelho).

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No Estuário do Tejo com os Flamingos

por Robinson Kanes, em 05.05.17

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Fonte das Imagens: Própria. 

 

Um dos locais mais aprazíveis e mais tranquilos para um bom passeio e, sem ir para muito longe, é o Estuário do Tejo...  sobretudo quando a maioria dos residentes em Lisboa e na margem sul do rio Tejo não sabem que existe a Reserva Natural do Estuário do Tejo. Este estuário é, aliás, uma das maiores Zonas Húmidas da Europa mas continuamos a insistir na sua destruição!

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Confesso que uma das minhas grandes paixões são as Aves de Presa e como tal, também é nesta zona que já tive oportunidade de apreciar verdadeiros momentos National Geographic de ataques sem piedade. Não me julguem sanguinário, aí é a natureza a desempenhar o seu papel, eu sou um mero espectador que não intervém.

 

Mas existem mais que aves de presa no Estuário do Tejo, existe também o Flamingo (Phoenicopterus roseus). O Estuário do Tejo é um verdadeiro Santuário, à semelhança do Estuário do Sado, Ria Formosa e Reserva Natural de Castro Marim e algumas zonas do Alentejo. Apesar de serem avistáveis praticamente todo o ano os flamingos não se reproduzem em Portugal e não é de todo incomum que se encontrem alguns com anilhas espanholas. Aliás, o maior santuário mediterrânico desta espécie  fica bem perto, nomeadamente na Reserva Natural da  Laguna de Fuente de Piedra em Málaga. Vale bem a visita... sobretudo se já trouxerem o Parque Nacional de Doñana na memória (património UNESCO).

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Quantos fins de tarde ou piqueniques não são feitos na companhia destes senhores de pernas longas e com uma cor peculiar que dão cor a pequenas lagoas ou aos céus daquela região. Não é de todo anormal vermos um bando destes senhores a atravessar os campos e o Tejo à procura de alimento ou simplesmente em busca de abrigo. Um fim de tarde pode ser verdadeiramente a tela perfeita, quando as cores alaranjadas de fim de dia, se juntam ainda com o azul do céu e com o branco e rosa destas aves. Juntem-lhe uma manta aos quadrados verdes e brancos, um cesto com um lanche, uma máquina fotográfica e claro uma boa companhia para, com a devida distância, terem talvez um dos momentos mais agradáveis e memoráveis das vossas vidas!

 

Quem não estiver muito interessado nesse momento, pode sempre ir a Alcochete, onde gente simpática e boa comida a bom preço (preço muito simpático, verdadeiramente) fazem a delícia dos mais gulosos. Nada como um pulo à Taberna D. Manuel I, bem perto do rio, com um atendimento que parece ser feito pela nossa mãe e com uma comida de sabor verdadeiramente caseiro. Entre carne e peixe é difícil de escolher, mas pode ser que ainda encontrem a Açorda de Sável com o respectivo Sável frito, ou então o Pregado Grelhado e o Robalo no ponto. Nas carnes, a carne de porco, tem aí um sabor especial. Na companhia da D. Zézinha e do Sr. Manuel vão ver que se vão sentir em casa. Cuidado é com a D. Zézinha, que fala demais na sua pureza de quem não vê mal em nada.

 

Podem também experimentar carne de touro ou iguarias de terras africanas no Restaurante Alternativa, na praça central da vila. À semelhança da sugestão anterior, o atendimento tem as falhas devidas de quem atende sem protocolo, mas com a mais-valia de um atendimento genuíno e de uma comida saborosa, sem adereços ou elementos distractores do paladar. A Espetada de Touro Bravo ou os fabulosos Mimos de Touro Bravo são delícia. Dos pratos africanos, cá voltarei um dia, pois a cozinheira de S. Tomé e Príncipe é uma verdadeira "MasterChef". (publicidade não paga, porque acredito que as melhores sugestões não se compram). 

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E não se esqueçam! Mantenham distância e sigam as recomendações, só assim poderemos apreciar estes amigos em segurança, garantindo que o bem-estar dos mesmos não é afectado. Resistam à tentação das aproximações! Até porque não terão muita sorte.

 

Têm aqui o Código de Conduta que deverão seguir: http://www.icnf.pt/portal/turnatur/resource/docs/ap/codigos/codig-condut

 

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Tiro aos Pássaros no Estuário do Tejo...

por Robinson Kanes, em 27.02.17

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Recentemente, e perante o alerta de alguns colegas, dei comigo a ler os comentários do Presidente da Ryanair, o Sr. Michael O’Leary, acerca dos "pássaros" e da rota migratória dos mesmos na questão do novo Aeroporto de Lisboa.

 

Vejamos... mesmo que não se perceba muito de fauna, antes de tecermos comentários, deveríamos estar na posse de alguma informação importante, e aqui o aviso vai também para o nosso Primeiro Ministro e outros comentadores e decisores iluminados: pássaros, ou melhor, passeriformes, não são a mesma coisa que aves! Estamos a falar da rota migratória de aves e não de pássaros.

 

Sendo de aves que falamos, o Sr. O’Leary tem uma solução fantástica: ao invés de estudos, vamos mas é resolver o problema com uma shotgun e tiro na passarada. O Sr. O’Leary, que disse que não achava bem as low-cost no Montijo e até ameaçava cancelar a operação da Ryanair em Lisboa vem agora defender esta opção e a rapidez na sua implementação. Será que se o Sr. O’Leary tivesse proferido estas palavras na Irlanda ou no país vizinho, Reino Unido, as mesmas não teriam tido outras consequências? Acredito que sim, sobretudo no modo em como estes países preservam a vida selvagem e nem por isso são menos desenvolvidos que Portugal, bem pelo contrário.

 

Uma outra questão prende-se com o facto de que o Sr. O’Leary, e que coisa feia para um profissional da área de aviação, não conseguir perceber a diferença entre um pardal e uma águia-calçada. A isto soma-se o facto dos conhecimentos de caça do Sr. O’Leary serem muito fracos, e ainda bem, pois já se viu que seria um caçador daqueles que nem as crias de perdiz escapariam. Por outro lado, enquanto este senhor andar à caça de aves com uma shotgun as mesmas não têm que temer, esperemos que este nunca se lembre de usar uma caçadeira.

 

Será que os aviões da Ryanair que passam perto das casas de muitas pessoas também deveriam ter o mesmo tratamento? “Um RPG (espécie de "lança-rockets") e o problema da poluição sonora, e não só, resolve-se”!

 

Em Portugal existem leis, algumas delas por imposição de instituições internacionais. Nas aves e nos estudos ambientais também existem leis e não é porque alguém acha que o homem controla a natureza que as mesmas se vão alterar.

 

Além da importância extrema desta rota migratória, também é nesta área que está a maior colónia de flamingos da Europa. O Estuário do Tejo consta, aliás, na lista das Zonas Húmidas de Importância Internacional. Saberá o Sr. O’Leary disso ou tem passado demasiado tempo a voar?

 

E... porque será que, ainda sem decisões tomadas, já existe uma corrida às aquisições de casas e terrenos no Montijo, bem como uma forte especilação imobiliária? Porque será que o interesse em ter um aeroporto no Montijo é tal e não se teve o mesmo interesse no urbanismo de uma cidade que mais parece um banlieue devoluto? Vale tudo para ganhar mais um mandato como presidente da câmara, mas não vale tudo para colocar em causa o equilíbrio social, económico, urbanístico e paisagístico de uma região. Espero que os habitantes sejam inteligentes e saibam como agir.

 

Concluindo... onde é que estão os contestatários da Padaria Portuguesa a boicotar a Ryanair? Será porque comer um pão não dá visibilidade no Facebook mas uma viagem low-cost, numa companhia aérea que não é das melhores a pagar e se está borrifando para o ambiente em Portugal, sempre permite pensar que se tenha algum pseudo-status, logo não importa falar muito disso?

 

Fonte da Imagem: Própria.

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