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Pelo Nariz do Mundo...

por Robinson Kanes, em 06.08.20

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Imagens: Robinson Kanes

 

 

Estamos em Moscoso, o distrito de Braga despede-se e ao longe já quase se avista o distrito de Vila Real e consequentemente Trás-os-Montes. A diferença paisagística é nula e não são raros os habitantes de Cabeceiras de Basto que já se sentem mais transmontanos que minhotos.

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Ficando a aldeia para trás, e também a conhecida Adega Regional, é hora de seguir caminho, um percurso clássico e com as clássicas Timberland - não são à prova de água, são mais pesadas, mas é outra atitude, é outra história e por estas terras os caminhos a isso se prestam.

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As barrosãs fazem parte da paisagem, seja pelos campos seja inclusive pelas estreitas estradas que percorrem aquela zona do concelho ou a principal que é a Estrada Municipal 1700 e que mais tarde nos guiará até à UZ seguindo-se umas bebidas bem frescas em Cavez. Cavez, conhecida por uma personagem da "Liga dos Últimos", mas também é  um ponto de paragem obrigatório antes de nos despedirmos de Cabeceiras de Basto e entrrarmos em Ribeira de Pena.

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Antes de deixarmos os trilhos, vamos apreciando as aves de presa até entrarmos no denso mato, e pode ser aqui que as coisas mais se podem complicar. Não há um caminho, pelo menos desta vez, e é aqui que o calçado "old school" ganha pontos ao mais moderno.

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Por estas bandas, como por outras paisagens, ou está frio de gelar ou um calor de  derreter, sofremos do segundo. Por sorte, a água ainda desce pelas serras, permite-nos lavar o rosto e até, em último caso, abastecer o cantil. Paramos, ouvir a água a percorrer os altos enquanto a passarada não cessa no seu chinfrim habitual, isto enquanto uma ave de presa voa pelos céus e assusta quem voa mais baixo. Não conseguimos identificar, está longe mas já se faz ouvir.

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A Serra da Cabreira é encantadora, a alemã é por ela apaixonada e por ela se deixa levar. Queremos chegar a uma posição onde podemos ver a cascata e o Monte Farinha, mais conhecido pela Senhora da Graça. Um pico enorme num vale rodeado de grandes montanhas e com o Alvão a mostrar o melhor de si. Está longe de ser um dos pontos mais altos de Portugal, mas a sua localização, a sua elevação, tornam-no num monumento natural único no nosso país.

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Ficamos por aí, com a cascata lá em baixo, com a Senhora da Graça ao longe e deixamo-nos farejar por esse nariz, esse grande nariz que é do mundo não sem antes receber em troca os aromas da Cabreira. Percebo também porque é que pontualmente me custa tanto correr os dez quilómetros de ida e volta que me levam de Leiradas a Cavez. É sempre a subir... Será que é a alma do bruxo que me dá força?

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Olhamos tudo à nossa volta e percebemos que talvez estejamos no centro do Mundo, rodeados pelo Gerês e pelo Alvão. Sente-se o cheiro do verde de Amarante a chegar do lado de Mondim, bem servido numa caneca e muito fresco e já se começam a pensar nos 100 quilómetros (ida e volta) que ligam a Estação do Arco de Baúlhe à Estação de Amarante...

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Terras do Baixo-Tâmega a chamarem por nós, terras únicas que já absorvem os ares do Douro, terras de boa gente, terras onde facilmente nos apaixonamos...

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De Braga ao Sameiro - Pela Falperra...

por Robinson Kanes, em 24.07.20

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Imagens: Robinson Kanes

 

 

O sentimento estético da vida não é uma distracção ou prazer, nem afirma bem a qualidade do Mundo que nos foi dado a habitar: é a qualidade do que nesse mundo é a vida, é a sua exaltação, e portanto invenção plena da beleza. O sentimento estético da vida não é um museu de estátuas, e de telas, e de ficções literárias: é a dimensão de uma vivência profunda, o reconhecimento do que supera o imediato, lhe descobre a harmonia obscura, mas permite uma inteira comunhão.

Vergílio Ferreira, in "Carta ao Futuro"

 

 

Depois da subida por Tenões, nada como a subida pela famosa "rampa da Falperra", esta um pouco mais dura. Os primeiros metros são os mais espinhosos. Subidas acentuadas e as curvas, embora, ara quem corre, as últimas façam pouca mossa. Não deixa de ser recomendável já chegar bem quente. A manhã abafada não ajuda, desde a Makro que a camisola já está encharcada e é necessário controlar bem a respiração.

 

No início da subida, já se vislumbra bem cedo uma mãe com os dois filhos. Voltarei a encontrá-los mais acima, existe um atalho entre os eucaliptos que acelera a chegada ao Sameiro. Novos, velhos, famílias inteiras usam-no para chegar ao santuário. Escolho o asfalto, mais longo, mais lento... Mais apetecível. 

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Passam já alguns carros por mim, a eucaristia começa bem cedo. Antes da chegada ao Hotel da Falperra, numa belíssima propriedade, já se sente um pouco de fresco, os hóspedes ainda dormem e a neblina dá um encanto especial a toda aquela área. Não existe melhor escopo que este para acelerar a passada e esquecer as recordações do ruído dos automóveis em velocidade nas provas automobilísticas que ali têm lugar. O tempo agora é para escutar a nossa respiração e o despertar da natureza.

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Braga vai ficando lá para baixo e com a chegada ao topo, ficamos com a sensação de ter chegado ao céu... Não propriamente porque poderia parar para descansar, mas porque é preciso voltar antes de arrefecer. Para os que ficam, nada como um bom piquenique depois de uma corrida ou até de uma saudável caminhada, além de que, podem sempre descer por Tenões e parar para um espresso no Bom Jesus. Poucas manhãs tão perfeitas poderão existir por aquelas bandas... 

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É hora de descer, lá em baixo, a cidade já aquece, mas os croissants, a simpatia e o  ambiente da São Brás, na Avenida Dr. António Palha, são o mote perfeito para acelerar o passo. E com isto, passa pouco das oito da manhã, está na hora de começar o dia...

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Paisagens de Portugal: Cambeses

por Robinson Kanes, em 14.12.19

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Imagem: Robinson Kanes

Imagina, se pudéssemos recordar exactamente os perfurmes e os beijos! Como seria fatigante a realidade deles!

Aldous Huxley, in  "Sem Olhos em Gaza".

 

Depois de Cambeses, já com vista sobre Asnela e ainda com a esperança de terminar o dia na Uz. Ao longe a Senhora da Graça repousa como dona do horizonte como imperatriz das montanhas minhotas de um lado e transmontanas do outro.

 

Avistamos um caminho ao longe, queremos percorrer e avistar as montanhas a sudoeste ainda mais de perto... Não hesitamos, mesmo que a noite possa cair entretanto. Somos parte do território, somos também parte dessa seiva, um por direito natural, outro por empréstimo.

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