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Córdoba: O Quartel General Cristão.

por Robinson Kanes, em 09.02.17

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Com o centro das operações em Antequera e também em Córdoba, os cristão, sob o comando dos Reis Católicos e com o auxílio de tantos outros cavaleiros, especialmente o Marquês de Cádiz, continuavam a semear o pânico em território Mouro.

 

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Foi de Antequera que, em 1484 (já os portugueses andavam por África há muito), saiu uma enorme força com vista à conquista de territórios mouros. A curiosidade assenta no facto de que , nesta campanha de 40 dias, a rainha Católica ordenou a criação de uma espécie de hospital de campanha que ficou conhecido como “Hospital de la Reina”. Esta fora a primeira vez que se levara “camas” para a frente de batalha para ajudar os feridos... uma tremenda inovação. No final, esta incursão acabaria por ser um preparativo para a tomada de Ronda, à qual já fiz uma pequena descrição.

 

Mas se Antequera era uma espécie de posto de comando avançado, Córdoba era o quartel-general. Em Córdoba, desfilavam os cavaleiros faustosamente ornamentados, era o local onde se encontravam os reis católicos (embora Fernando II sempre estivesse presente nas operações) e no fundo, onde a mais alta elite da cavalaria, corte e Igreja  se pavoneava. Foi em Córdoba, também, que se vieram juntar os cavaleiros ingleses que ajudariam na tomada de Málaga, comandados por Lord Scales, Conde de Rivers e irmão da rainha de Inglaterra, mulher de Henrique VII.

 

Se nos lembrarmos que Córdoba já fora entregue pelos mouros em 1236, será interessante assistir a esta como palco dos planos para a conquista de Granada. Será interessante esperar pela passagem dos cavaleiros cristãos pela fabulosa ponte romana através da Puerta del Puente (Puerta de Algeciras durante a Reconquista), em direcção a terras mouras, e contemplar os rostos que celebram garra mas também escondem temor pelo que se avizinha.

 

Córdoba conserva tudo o que é Árabe e é um verdadeiro fascínio para os olhos... as muralhas, o Alcazár (ainda descendente da ocupação romana), as estreitas ruas e os próprios habitantes da cidade que, apesar de espanhóis, ainda hoje, conservam o sorriso e muito do comportamento que podemos encontrar nos povos árabes.

 

IMG_4277.jpgConfesso que gosto de cidades, vilas ou aldeias, onde o “mix” de culturas é grande. À cultura árabe, visigoda, múdejar e romana, em Córdoba, junta-se também a judaica (a sinagoga é a única de Andaluzia e a terceira mais bem conservada de Espanha).

 

Gente boa a de Córdoba... foi lá que fiquei “a conhecer” Ronda e tive uma verdadeira lição de História de Andaluzia. Foi com aquele cordovês, de quem já falei num artigo anterior sobre Ronda, que tive oportunidade de muito aprender. De ser estimulado a decorar todas as províncias de Espanha e, sobretudo, de admirar a Catedral (permitam-me os católicos, mas será sempre uma Mesquita). Usufruir de mais de uma hora de partilha e conversa no pátio com laranjeiras que se encontra em frente à fachada é aglo que nunca esquecerei.

 

A paixão dos mouros por extensos jardins e árvores de fruto, remete-nos para a época em que naquele pátio desfilavam belas mouriscas e os turbantes se amontoavam para as orações. Aliás, Córdoba é conhecida pelos seus pátios e pelo festival que aí tem lugar. Córdoba, capital do Califado Muçulmano que governou uma grande parte da Península Ibérica e que, até ao século X, foi a maior cidade do Mundo... quem diria, também, que ainda sob domínio de Roma, aqui havia nascido Séneca! Também foi aqui que nasceu Averroes (grande filósofo muçulmano ou não estivesse ele também representado na Escola de Atenas de Rafael).

 

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Em Córdoba é fácil ser um membro da plebe que tenta escapar ao desfile dos cavaleiros e infantes que preparam as suas armas para uma nova etapa da guerra. Facilmente vemos a Rainha Católica a chegar com a sua guarda e com os seus conselheiros para a celebração da eucarística naquela Catedral, que por mais que tente esconder, será sempre uma Mesquita e onde os seus arcos – em contraste com o altar e o coro - são uma verdadeira demonstração de que todas as culturas podem conviver, independentemente das diferenças culturais, religiosas, sociais e até políticas.

 

Comamos um torrão acabado de fazer num pote de ferro e, entre os cavalos arreados e luxuosamente ornamentados, esperemos o cortejo real... que toquem os sinos que ecoarão pelos vales de Marchena, passando por Carmona até se encontrarem com os seus semelhantes da Giralda em Sevilha, ou então, em sentido contrário... com os sinos da Catedral de Jaén. 

 

Outras peripécias da Crónica da "Conquista de Granada":

http://naoequenaohouvesse.blogs.sapo.pt/aben-hacen-e-zahara-17518

http://naoequenaohouvesse.blogs.sapo.pt/el-zegri-e-ronda-18287

http://naoequenaohouvesse.blogs.sapo.pt/salobrena-e-a-morte-de-aben-hacen-19240

 

Fonte das Imagens: Própria

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