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Não Me Apetece...

por Robinson Kanes, em 29.03.17

IMG_1168.JPG

Francisco de Goya, Três de Maio de 1808 (Original no Museu do Prado, esta cópia está cá em casa a decorar a sala)

Fonte da Imagem: Própria (ver nota)

 

 

"Muitos anos depois, diante do pelotão de fuzilamento, o coronel Aureliano Buendía haveria de recordar"...

 Gabriel García Márquez, in Cem Anos de Solidão

 

Talvez seja esse sentimento de Aureliano Buendía que não me traz vontade absolutamente nenhuma de escrever. Talvez seja a vontade de recordar, talvez seja o pelotão de fuzilamento e o cheiro a pólvora de todos os cartuchos anteriormente disparados e cujo odor me faz, apesar de tudo, ficar tranquilo. Talvez... uma alternativa à prisão que pode ser bem mais penosa, o halo protector do chumbo que no seu pesado estalido traz tranquilidade. Talvez... Talvez... Talvez... e porquê talvez? Não sei...

 

Nota: no Prado não deixam tirar fotografias, deveria ser crime.

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Limpeza de Casa e da Mente com o Ennio.

por Robinson Kanes, em 03.02.17

IMG_7059.JPG

 

Horácio dizia algo como isto - “minuentur atrae carmine curae” - ou seja, a “música ajuda as mentes perturbadas”. Só descobri isto quando o meu professor de latim me confrontou com tal frase e, desde então, tem-me acompanhado, sobretudo, quando a mente anda mais em turbilhão. 

 

Hoje, em casa, num dia menos bom, lembrei-me de Horácio e de como seria importante fazer uma arrumação na minha mente. Confesso que não é fácil, por isso acabo de decidir arrumar a casa. A casa... como o nosso pequeno ovo e a sua respectiva arrumação, nos ajudam a arrumar também o que nos vai na cabeça!  É óbvio que também permite eliminar alguns maus cheiros, limpar o pó e fazer com que um Pastor Alemão gigante enfrente o aspirador como se, o último, de um larápio se tratasse.

 

Aqui, sentado, ainda a escrever, já escolhi a banda sonora para esta arrumação, pelo menos a de casa: encontrei, em Ennio Morricone, a minha salvação. Escuto Morricone desde que me recordo de ter capacidade de escolha nas minhas paixões e honestamente... nunca mais larguei o velho maestro e compositor. Só me arrependo de nunca ter assistido a um concerto ao vivo e, com a idade do senhor, temo que isso não venha a suceder.

 

Sinto que, para hoje, entre um fim e uma necessidade de recomeço vou-me ficar pela “Cera Una Volta Il West”, composição a que o filme de 1968, “Once Upon a Time in the West/Era Uma Vez no Oeste”, dá o nome.

 

Para situar quem possa não conhecer, é  mais um daqueles filmes a que se convencionou chamar spaghetti western na senda dos western italianos que tinham a assinatura de Sergio Leone. Confesso que, quando o vi pela primeira vez, nunca consegui perceber o sofrimento da Sra. McBain (Claudia Cardinale) e aquele olhar sempre muito peculiar de Harmonica (Charles Bronson). No fim, é impossível não simpatizar com o Sr. Bronson (apesar do seu mau feitio) porque lá conseguiu acabar com a maldade de Frank (Henry Fonda). Não falta informação sobre o mesmo na internet.

 

A Sra. Mcbain é a mãe que perde tudo, que é violada (marido e três filhos assassinados) e necessita de recomeçar algo de novo com uma dor imensa. No entanto, à sua volta, o que não falta são vilões (mal ela sabe que alguns deles os seus melhores companheiros). Harmonica e sobretudo Cheyenne (Jason Robards) são quem lhe vai dar algum auxílio, e sim, são uns vilões com melhor coração. No fim, é a luta pelas terras para a construção do caminho de ferro e a “vingança” de Harmonica que dominam o filme e... a difícil mudança de vida encetada pela Sra. Mcbain.

 

E com isto, começo a pensar que devo ter nascido fora do meu tempo (tenho de reflectir sobre isto).

 

Mas a música! Essa coloca-nos perante alguma tristeza mas também nos dá alguma força para chegar ao fim com a casa arrumada e, quem sabe, com a vassoura e a pá em frente à porta da nossa mente. E aí, posto que as limpezas levam tempo, escuto, ainda em registo Ennio, “Speranze di Libertà”. Esta é uma banda sonora penosa, de outro filme - “Sacco and Vanzetti” - de Giuliano Montaldo e que data de 1971. Aqui, conta-se a história e julgamento, com pena de morte, de dois imigrantes anarquistas italianos nos Estados Unidos dos anos 20. Muito a propósito, após algumas políticas recentemente adoptadas no outro lado do Atlântico.

 

Deixo-vos as duas composições e, porque não, os votos de um bom fim de semana...

 

...e já agora...

 

...se vos for possível, saiam para a chuva!

 

Fonta da Imagem: Própria

 

Ennio Morricone - Cera Una Volta Il West

 

 

Ennio Morricone, Speranza di Libertà

 

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