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No Dia da Tolerância: o Ruanda e o Hoje

por Robinson Kanes, em 16.11.20

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Créditos:http://it.cubadebate.cu/notizie/2019/06/07/come-i-mezzi-privati-possono-incitare-al-genocidio/

 

If we cannot end now our differences, at least we can help make the world safe for diversity

John F. Kennedy (Discurso proferido a 10 de Junho de 1963 na American University)

 

Hoje é o Dia Internacional para a Tolerância... Como muitos outros, passa sem darmos por ele, embora (e ainda bem), abordemos a ideia (e a maioria é só isso, a ideia) ao longo do ano. Não me vou debater nesse conceito mas em algo que nos poderá fazer reflectir, pelo menos neste dia.

 

Escolhi Félicien Kabuga! Muitos não saberão quem é este cavalheiro, temo que os mais novos, entre tantos outros não o escutem nas aulas de cidadania ou até de História. Félicien Kabuga foi um dos estrategas e financiador (dinheiro não lhe falta) do genocídio do Ruanda. De uma forma sumária, a tentativa de eliminação da face da terra da minoria tutsi (mais ligada à elite e ao convívio com os colonialistas) pela maioria hutu (85%). Muitos hutus também não escaparam por serem simplesmente contra o genocídio e qualquer forma de violência sobre os seus compatriotas, amigos e família. 

 

Um genocídio não tem início no dia em que se dispara o primeiro projéctil, como nos díria Vergílio Ferreira, é forçosa a existência de uma ideia para dar ao gatilho. E é aqui que me foco. Félicien Kabuga e tantos outros, durante anos incutiram via media, especialmente através da Radio Télévision Libre des Mille Collines (RTLM) o ódio às baratas (como eram denominados os tutsis durante as emissões). Esse ódio extravasaria as ondas da rádio e da mente de muitos hutus a 7 de Abril 1994 depois do atentado contra o avião que transportava Juvenal Habyarimana e Cyprien Ntaryamira, presidentes do Ruanda e do Burundi, respectivamente. Era o início do massacre que vitimou cerca de 800 000 mil pessoas em apenas 100 dias.

 

Kabuga e muitos outros, onde se destaca também Valérie Bemeriki (detida em 1999 e condenada a prisão perpétua), moldaram as mentes de todos aqueles que tinham na RTLM a sua companhia diária e a sua fonte de informação. O Mundo, pela primeira vez, assistia a imagens de cidadãos comuns a deceparem em plena rua e com total impunidade os seus irmãos, algo que a mim me remete para o longínquo século XVI de Zimler e do "O Último Cabalista de Lisboa". A lavagem cerebral resultou na perfeição sendo que, para a história ficará como a primeira guerra civil em que numa das mãos se empunhava um rádio e na outra a catana ou até uma arma de fogo (aparentemente cedidas pelo exército e financiadas por Kabuga). 

 

Em pleno banho de sangue, e qual filme alucinado, era por esta rádio que se debitavam os nomes... Idealizem que vão no carro a ouvir a vossa rádio preferida, estão a viver os primeiros momentos de um genocídio e ainda nem estão bem a aceitar a decisão, e o vosso nome e talvez os nomes dos vossos familiares saem qual roda da sorte na rádio - a partir daqui, preparem-se para morrer à catanada!

 

O Mundo, e passo a expressão, assobiou para o lado: a Bélgica e ONU viram 10 soldados morrer e todo o sangue literalmente a escorrer pelas ruas mas não tiveram consentimento para intervir e até retiraram. Não obstante, os Estados Unidos, não queriam uma repetição de Mogadíscio em Kigali. Aparentemente, o Governo francês, aliado dos hutus, enviou tropas para a área mas limitou-se a proteger interesses franceses - aliás, essa questão ainda hoje é um foco de tensão entre França e Ruanda e uma mancha da governação de Mitterrand. A 3 de Julho de 2020, ainda em histeria pandémica, o Tribunal da Relação de Paris arquivou o caso em que 9 alegados ruandeses próximos de Paul Kagame, por sinal, o actual presidente no terceiro mandato de 7 anos, eram acusados das mortes de Habyarimana e Ntaryamira, . Ainda também em plena pandemia, cerca de um mês antes, os arquivos de Mitterrand sobre o Ruanda foram colocados à disposição de François Graner, um especialista que mesmo assim terá de conciliar a liberdade de investigação com os segredos de Estado. Macron parece empenhado em resolver esta questão, veremos se será uma realidade...

 

No Dia Internacional para a Tolerância, algumas lições retirei deste genocídio: a importância de cimentarmos relações profundas e de tolerância entre povos ou questões passadas e mal resolvidas; encarar o poder dos media (e incluo as redes sociais e quem as gere) como pilar fundamental da Democracia e da Liberdade mas também uma arma que pode destruir ambas -exemplos recentes não faltam, além de que tivemos ao dispor infinitas social experiments durante o período da pandemia e das eleições norte-americanas (para o bem e para o mal) - e finalmente exigir a verdade, sempre a verdade, porque por muito crua que possa ser também ele permite criar pontes que permitam essa tolerância. Aliás, ainda dentro do contexto do genocídio, a  Frente Patriótica Ruandesa (RPF), criada por rebeldes tutsi que fugiram do país e activa numa guerra civil desde 1990, ao entrar em Kigali, consta que terá assassinado dois milhões de hutus como gesto de vingança. Uma outra lição histórica e actual: os supostos libertadores nem sempre são melhores que os agressores.

 

Numa sociedade em constante polarização, podemos e devemos até questionar os limites da tolerância, não vivemos num mundo perfeito e seria utópico que isso não acontecesse, e os olhos de Bemeriki, numa recente entrevista à Al Jazeera, isso nos mostram. Não obstante, é nas bases deste valor nos seus múltiplos tentáculos que devemos inicar o diálogo e a discussão, sob pena de não termos uma repetição da História, sendo que, é essa mesma História que nos diz que quanto mais evoluímos, mais sangrentos vão sendo os conflitos.

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Porquê? Ainda sobre as "fake news"...

por Robinson Kanes, em 25.03.20

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Fonte: https://www.americangrit.com/2018/07/25/challenges-wed-like-see-internet/

 

 

Um cérebro pode servir para fins bastante diferentes e a conquista do mundo é mais desejável que a sua ordem.

André Malraux, in "A Tentação do Ocidente".

 

Todos falam de "fake news", é tema corrente, mas à boa portuguesa (e não só) quando é altura de fazer alguma coisa continuam as vozes mas os braços tendem a não aparecer... Ou a serem cortados.

 

Foi preciso um indivíduo português estar em Inglaterra e acompanhar as notícias da sua pátria para denunciar uma das maiores escandaleiras dos media em Portugal. A história da liberdade de imprensa, que agora vai sendo chamada de liberdade de comunicação, vai-nos mostrando que "alguém" continua a ter mais liberdade que os demais. Até quem nos governa tem limites, inclusive num cenário de "Estado de Emergência", já alguns media... Um dia ainda vamos ver uma guerra a ter início por causa de um "jornalista" de trazer por casa se lembrar que afinal não estudou para relatar factos mas emitir opiniões e até criar esses mesmos factos, mas espera aí, isso até já...

 

Referi aqui também alguns exemplos de como se pisa o risco e não se recolhem as consequências, no entanto, uma estação de televisão (SIC) foi mais longe e mostrou uma Londres envolvida no caos por causa do "vírus chinês", como já é apelidado.

 

Ao vídeo, bastante actual (2011) atribuiu-se uma história rocambolesca e que não desculpabiliza a jornalista que o fez sair para a rua mas também não pode desculpabilizar um director de informação e todos aqueles que também são responsáveis pela informação do canal, inclusive o "pivot" que "lançou" a notícia como se de um filme de terror se tratasse. Podemos errar no vídeo, mas não  podemos errar na montagem que é feita em torno do mesmo, isso é ir longe, demasiado longe.

 

Também foi preciso que um indivíduo em Inglaterra, sim, em Inglaterra, viesse mostrar a falsidade desta notícia! Em Portugal passava, como passavam tantas outras e ninguém dava por nada. A prova de que bebemos tudo aquilo que nos colocam à frente sem sequer questionar ou pensar é assustadora e enquanto andamos todos galantemente a achar-nos muito esclarecidos e letrados, não passamos de um bando de ovelhas que procura a sua relva sem olhar ao essencial. Reclamamos e achamo-nos demasiado espertos quando uma chefia nos pede para fazer alguma coisa, por exemplo, mas digerimos tudo o resto com uma facilidade tremenda, daí serem sempre os mesmos com as mesmas mãos cheias de nada... Daí sermos um paraíso para que o "chico-espertismo" continue a vingar.

 

Finalmente, a SIC é também o tentáculo televisivo do "Polígrafo", será que essa notícia foi ao polígrafo? É que este polígrafo tende a diferenciar-se do polígrafo electrónico pela forma como é tendencioso e erra nas análises que faz, ou não fosse o seu fundador/editor, um indivíduo que esteve envolvido num escândalo por, alegadamente, ser sócio de uma empresa que promovia publicamente determinados indivíduos (alguns com o nome bem manchado) - algo incompatível com a profissão de jornalista.

 

O que aconteceu este fim-de-semana e tem vindo a acontecer nos últimos anos é grave, é muito grave, e a liberdade de informação não deve servir de desculpa para que se cometam as maiores atrocidades, já dizia Platão que "é do cúmulo da liberdade que surge a mais completa e mais selvagem das escravaturas". Esperemos também que estes dias, sirvam para podermos pensar um pouco e desligar a televisão e algumas publicações electrónicas de vez... É altura de seleccionar aquilo que vemos e aquilo que queremos ser - e continuar a ser uma seresma, também é uma opção, a escolha final é de cada um.

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Ter COVID 19 também pode ser "fancy".

por Robinson Kanes, em 20.03.20

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Fonte: LinkedIn

 

Que o diga um indivíduo de Águeda que não tem olhado a meios para ser um dos grandes embaixadores da "covidomania". Este indivíduo, que dá pelo nome de Pedro Xavier Simões (três nomes como manda a regra actual), foi sendo impingido pelo Sapo e por outros meios, sobretudo através do amigo "jornalista" Nuno Noronha. Se é para fazer furos "jornalísticos", nada como começar pelos amigos, sempre assim foi, até aí não é novidade...

 

Neste furo, falava-se do indivíduo que padecia desgraçadamente nos Hospitais Universitários de Coimbra (HUC) posando qual instagramer de sucesso para a foto. Até o cabelo, apesar das limitações em aplicar mais cera, foi tendo o cuidado devido. Enquanto criticava o Serviço Nacional de Saúde, dava como porta-voz do seu estado de saúde, o presidente da Câmara Municipal de Águeda, um especialista de saúde como nunca se viu até hoje - aliás, este indivíduo que veio de Itália e não se lembrou de fazer isolamento voluntário e alargou a infecção a colegas de trabalho, é o primeiro a alertar de que isto vai ficar muito pior e que não estamos preparados. Daqui à saída em grande estilo dos HUC foi um passo onde nem a garrafinha de água foi deixada para trás, sem esquecer a montagem com uns óculos, um livro e tudo aquilo que dá jeito para criar uma imagem pessoal. Covid 19 é uma terra de oportunidades...

 

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E pronto, temos um herói pouco acidental, promotor da irresponsabilidade e especialista em vírus. 

 

Mas a história não fica por aqui, afinal enquanto muitos "famosos" (bem entre aspas) se mostram muito preocupados com a humanidade enquanto partilham as coisas boas da vida, mesmo que em casa, temos o Pedro Simões (reduzido apenas a dois nomes), muito preocupado no seu LinkedIn com a fotografia que o Diário de Coimbra, ou como é conhecido na cidade, o "Calinas" (porque é que será...), partilhou num artigo sobre si depois deste abandonar os HUC. E pensar que o Sobral Cid não fica assim tão longe...

 

Todos devemos sentir uma certa pena por este indivíduo, mas por certo, não é obviamente por ter contraído COVID 19 mas sim por gostar de usar camisas à Tom Cruise no filme "Cocktail", laço à empregado de mesa da "Versailles" e capa (ou casaco) à Harry Potter. Idealmente e enquanto os mortos não são aos magotes, o melhor é também que aqueles que podem estar em vias de empaviar, tenham alguma coisa que os ligue a algo ou alguém famoso... Não importa o vosso nome, mas de quem são conhecidos ou algo do género.

 

Entretanto, estou já a criar um movimento de partilha de fotografias de todos aqueles que morreram e vão morrer de COVID 19 para seleccionarmos a melhor, especialmente aquelas onde a malta surge assim com melhor aspecto, de copo na mão e tal ou então com uma imagem das últimas férias em Torremolinos. Enviem-me as vossas, eu já escolhi a minha para a CMTV: estou de peito à mostra a beber uma Sagres na praia de Paço de Arcos. Admito que se me acontecer algo, vou ficar furioso se aparecer uma daquelas em que estava... Normal?

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COVID 19: A Pouca Vergonha Mediática

por Robinson Kanes, em 16.03.20

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Créditos: https://www.facebook.com/soundsofmediapanic/

 

Tenho andado ausente, tenho pensado em reter as palavras, sobretudo numa altura como esta. Tenho opiniões muito próprias acerca da forma como a crise do COVID 19 está a ser gerida, mas vou guardar para mim. Acredito que cada Governo está a fazer o que pode e entendo perfeitamente o não querer fechar fronteiras. Quem quiser uma União Europeia e uma Europa forte e unida vai perceber o porquê - se não perceber, umas aulas de história contemporânea e da própria União, não farão mal a ninguém.

 

Continuo a trabalhar, não me fecho em casa, além disso não posso deixar parceiros, clientes e as minhas equipas sem apoio. Não está fácil, e provavelmente todos sabemos qual o final, mas enquanto houver esperança, chorar e lamentar não é permitido, a orquestra irá continuar a tocar e os homens não abandonarão o leme, aliás, em muitos, apenas um o quis fazer e a opção foi respeitada. Enquanto existir um cliente a precisar de nós, lá estaremos, até ao último homem! Se o Governo precisar de nós e das nossas infraestruturas, lá estaremos!

 

Deixei de ler jornais e afins. Sigo as recomendações da Direcção Geral de Saúde (DGS) e recuso-me a pactuar com práticas que me deixam boquiaberto e me fazem pensar se o ideal, ao invés de fechar fronteiras, não é fechar jornais, algumas publicações online até televisivas.

 

Ver publicações de referência (será?) a partilharem testemunhos de indivíduos (amigos) que posam para o instagram enquanto criticam o Serviço Nacional de Saúde e passam a imagem de que é cool estar internado mesmo tendo arriscado sabendo que podia ser portador do vírus, deixa-me a pensar se a estupidificação colectiva atingiu o seu momento 2.0. Ter o vírus ou ter estado com alguém que, já me torna um especialista! Lamento, mas não, por isso, nestes tempos, o ideal é propagar as fotos pelo instagram e fechar a boca. O cunhismo e o compadrio também se perpetuam em tempos de crise, afinal muitos dos actores incompetentes são os mesmos que existiam antes desta crise!

 

Ver publicações de referência a partilharem testemunhos anónimos (sempre anónimos faz-me pensar se não serão epifanias de quem não tem nada que escrever) de que em Madrid, há duas semanas "parecia uma Guerra", estou a citar. Eu estive há duas semanas em Madrid (data da notícia) e a última coisa que se via era um clima de guerra, as prateleiras estavam cheias, as farmácias "vazias" e não havia caos nas ruas! Nem em Madrid nem nos arredores, e os arredores, no meu caso foram Getafe, Alcobendas e Alcalá de Hénares. Ainda esta semana saiu o relato do "inferno", estou a citar, na Noruega! Qual a publicação? Visão!

 

A semana passada, também lia numa publicação (Jornal I) que se focava no facto da baixa de Lisboa estar deserta e toda a gente andar de máscara! Falso! Só a partir de sexta-feira se sentiu uma quebra muito maior e mesmo no dia de hoje, são muitas as pessoas que andam sem máscara. O home office nas redacções deve estar a dar nisto! Se querem dar notícias verdadeiras, o melhor é saírem mesmo de casa, caso contrário, abstenham-se de falar do que não sabem.

 

Chega de instalar o medo! Basta! Liberdade de Imprensa não é o cultivo de ódios e do medo, e mesmo isso, deverá ser revisto no pós-crise COVID 19 - alguém tem de começar a ser punido! Não é com discursos destes que fazemos serviço público e muito menos estaremos do lado de quem nos quer proteger! 

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A Bófia Existe para Levar no Lombo!

por Robinson Kanes, em 10.07.19

EPRIs2.jpgCréditos: Polícia de Segurança Pública.

 

O que vou escrever hoje não é novo, já por aqui falei de tropas especiais, como os Comandos - e de ser estranho que a negligência em mortes de recrutas seja sempre nesta força e nunca nas outras, pelo menos para os media - e da Polícia de Segurança Pública (PSP), nomeadamente, aqui e também neste artigo. Tomo sempre o cuidado de ser realista e não embarcar no discurso corrente e que dá trunfos, sobretudo aos comentadores de bancada que gostam do políticamente correcto, mesmo que estejam a cometer um erro crasso e com consequências no longo prazo. Por isso, se sou populista, pois bem, que o seja quem defende um Estado de Direito e não um estado de hipocrisia e selfies.

 

Na verdade, vão sendo mais recorrentes os casos em que agentes da PSP são recebidos à paulada, à pedrada e à pistolada em bairros problemáticos e não só. Se por um lado, um agente da PSP algema à força um indivíduo, passa a ser tema neste país e com pedidos de execução pública no pelourinho. Por outro lado, quando um agente da PSP é agredido, ou as notícias não existem, ou então ficam lá naquele cantinho bem escondido enquanto os comentadores acima mencionados, e perdoem-me a expressão, nem piam! 

 

Um deles é o comentador-mor do reino, que desautoriza a polícia (e confirma com a sua atitude a acusação de racismo contra esta) , troca abraços e tira selfies com criminosos - se eu apedrejar um polícia sou um criminoso, a não ser que existam leis diferentes para mim e para os outros - mas que não se vê a tomar uma atitude de apoio ao trabalho dos polícias! Importa recordar que são elementos da PSP que garantem a segurança do Presidente, nomeadamente, agentes do Corpo de Guarda Pessoal (CGP) integrado na Unidade Especial de Polícia (UEP).

 

Reconheço também, que podem existir abusos por parte das forças de segurança, no entanto, esta desautorização constante e esta falta de reconhecimento começa a ser escandalosa, sobretudo por parte dos habituais defensores dos coitadinhos mas que moram na Lapa e nos bairros mais ricos de Oeiras e Cascais - os mesmos que jamais tolerariam morar em locais como a Quinta da Princesa ou Cova da Moura. É fácil defender as "minorias" nas páginas dos jornais, nas televisões, na assembleia da república e nas redes sociais, ser activista no sofá e nas lentes das câmeras...

 

Mas... No meio de tudo isto, onde ficam aqueles que arriscam a vida por um salário miserável? Aqueles que muitas vezes também habitam nestes bairros e que garantem a nossa segurança. Onde está o reconhecimento da sociedade pelos nossos agentes e como pode ele existir se os mais altos cargos da nação simplesmente desrespeitam o seu papel? Onde está a discussão pública acerca da elevada taxa de suicídios, sobretudo na PSP? Os mortos não dão votos! Muitos dos polícias também não pululam nas redes sociais como tal, e por isso, não são influencers na caça ao voto e no mediatismo.

 

É fácil falar mal da polícia e quase defender um Estado onde a polícia é tratada como lixo, sobretudo quando se tem tempo de antena (tantas vezes inexplicável) nos media... Mesmo quando a grande maioria dos portugueses defende exactamente o contrário - e é isso que é preocupante! À semelhança de tantos temas, cada vez menos, o que se vê e lê por aí não é o pensamento do país real... E no longo prazo, tende a ser perigoso. 

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De "saca patrocínios" a "anti-patrocínios"!

por Robinson Kanes, em 21.03.19

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Créditos: https://www.neworld.com/newsblog/2018/three-reasons-why-brands-should-partner-with-social-media-influencers/

 

Houve tempos em que a corrida atrás das marcas, no sentido de conseguir que estas patrocinassem blogues ou enviassem produtos, era tal que se tornou uma tendência. De facto, não foram as marcas que procuraram os "bloggers", pelo menos numa fase inicial, mas o contrário. Na verdade, acabou por suceder que muitos espaços ficaram, digamos, famosos e as marcas acabaram elas próprias por também serem proactivas na procura de "influencers".

 

Sinto-me também à vontade para falar deste tema pois é política, que este espaço não tenha quaisquer apoios, patrocínios ou mecenas, no entanto, não é de todo impossível que tal venha a suceder. A importância é deixar claro o que é uma parceria, por exemplo, e um artigo sem parceria. O importante é que um artigo não seja uma venda do princípio ao fim e muitas vezes realizada de forma medíocre por pessoas que de marketing percebem pouco - o que até não abona a favor da marca. Imaginem que as coisas correm mal, quem faz a gestão da crise?

 

Todavia, tenho assistido a uma tendência, na comunidade SAPO e não só, de anti-patrocínios. Nomeadamente, por parte daqueles que queriam apoios e não os têm (basta aferir o conteúdo de alguns artigos e claramente se percebe o objectivo) ou então de outros que tentam explorar um novo conceito - ser "anti-parcerias blogueiras", apelidemos as coisas desta forma.

 

O ser "cool" agora, passa por ser anti-parcerias! Nada como explorar a temática e dizer que as marcas são umas "marotas" que andam a enganar as pessoas - pior que isso, trazer isso a público, revelando o mau carácter e a falta de ética e profissionalismo dos "bloggers".

 

Também existem aqueles que se vangloriam de recusar parcerias mas nem um pedido recebem - faz parte do mundo da ilusão e do "like". Também aqui as marcas pecam, pois nem sempre analisam um mercado que, mais do que procurar profissionalmente desenvolver um negócio, tem motivações que por vezes não são garante de que se possa confiar nas qualidades de quem "vende" a marca - além disso não estão "protegidos" por códigos de conduta, havendo apenas uma dependência do carácter do blogger - e no mundo real e sobretudo na internet, sabemos como é facilmente moldável e mutável. 

 

Em todo este ruído, fica uma total ausência de explicação face ao modo como funcionam estas estratégias de marketing, o rigor no sentido de escrever sobre produtos de forma imparcial e acima de tudo de ser um verdadeiro "brand advocate", esse sim um real valor para o consumidor e para a marca. O que ficamos é com um sem número de textos vazios, por vezes até com bastantes leituras e comentários. Todavia, somente de uma pequena comunidade que em nada representa, criando uma ilusão que em nada vai ao encontro da realidade, até porque, conseguir o "like" é fácil, o problema está na confiança...

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É Carnaval... Ninguém Leva a Mal...

por Robinson Kanes, em 12.02.18

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Fonte da Imagem: https://www.vice.com/da/article/av9za8/why-i-hate-notting-hill-carnival-876

 

 

É Carnaval, ninguém leva a mal... Até já coloquei uma música lá em baixo para acompanhar este artigo... "Hey, hey Amigo Charlie Brown, dir kann keiner trau'n"... Cantem todos!

 

É Carnaval...

 

Ninguém leva a mal que Mário Centeno siga as pisadas de Rocha Andrade, João Vasconcelos e Costa Oliveira e prejudique o erário público a troco de uns bilhetes para a bola...

 

Ninguém leva a mal que exista corrupção desde que a mesma tenha sempre um clube de futebol por trás... Queime-se um ex-Primeiro Ministro, mas nunca o presidente de um clube!

 

Ninguém leva a mal que a segurança do Estado seja posta em causa como foi em Tancos e venha um Chefe de Estado Maior dizer que o assunto está encerrado após meia-dúzia de "desgraçados" terem sido proibidos de sair dos quartéis durante meia dúzia de dias...

 

Ninguém leva a mal que se diga mal do Banco Alimentar Contra a Fome (e eu sou um dos que diz) mas se for "ReFood" já é mais porreiro e sempre abre portas para dinamizar o networking e passar a imagem do solidário... Além disso, o nome é mais pomposo...

 

Ninguém leva a mal que os sindicatos com ligações a partidos, ditos de tabalhadores, estejam a destruir a Autoeuropa...

 

Ninguém leva a mal que em Portugal as concessionários de pontes e auto-estradas façam o que bem entendam e ainda tenhamos de pagar um extra se os lucros não forem os esperados... Mesmo que as estradas e respectivas manutenções estejam mais que pagas...

 

Ninguém leva a mal que Ricardo Araújo Pereira (outro Papa nacional) receba cerca de €15 000 por uma hora em que debita uma mão cheia de nada - inclusive com o público a nem alinhar muito na coisa - mas critique (inclusive Araújo Pereira) o desgraçado do empresário que consegue tirar €2000 por mês, ou então aquele que até ganha milhões mas suporta toda uma economia...

 

Ninguém leva a mal que um povo hospitaleiro e amigo se junte todo e aplauda quando se faz uma critica a alguém, mas quando se faz um elogio ou um reconhecimento sincero desapareça ou faça de conta que nem ouviu...

 

E porque afinal é Carnaval, neste país tropical do sul da Europa, também não se leva a mal que em temas estruturais para o desenvolvimento do país, os partídos não cheguem a acordo, mas quando o tema é o Financiamento dos mesmos, já o consenso é quase total... Sobretudo entre aqueles que criticam o próprio regime...

 

E porque é Carnaval, nunca percebi porque é que um furto de duas laranjas dá prisão e um roubo/desvio/favorecimento de milhões dá termo de identidade e residência, quando dá...

 

E porque é Carnaval, porque é que ninguém sabe explicar bem o perdão fiscal de 125 milhões à Brisa? Isso é que seria um baile carnavalesco...

 

Ninguém leva a mal que o presidente que vai a todas... Afinal... Só vai a quase todas... Existem algumas que foge como o diabo da cruz... Por falar em "diabo", foi preciso Passos Coelho abandonar a presidência do PSD para Marcelo elogiar a obra deste? Sempre é menos arriscado para a propaganda presidencial... Isto é para onde vão os ventos e sempre existe mais uma vitória no futebol para acalmar os ânimos e passar entre os pingos da chuva.

 

Ninguém leva a mal que seja Carnaval e este artigo só sirva para dizer mal... Mesmo que a falar verdade...

 

Bom Carnaval...

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Programas de Televisão, Tragédias e o Presidente!

por Robinson Kanes, em 22.01.18

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 Fonte da Imagem: https://www.reddit.com/r/startrek/comments/1cry2q/finally_an_hd_picard_facepalm_image_from_the_tng/

 

 

Pois é... Chego sempre atrasado a tudo, e aqui só me posso basear no que fui ouvindo aqui e acolá e durante escassas olhadelas para os monitores do ginásio.

 

Marcelo Rebelo de Sousa não deve estar nada contente com a SIC, depois da tragédia de um certo Sábado em Tondela, onde mais uma vez, o mais importante não foram a tragédia nem as vítimas, mas sim o Presidente da República - os momentos de glória de Marcelo junto dos media sofreram um revés. Marcelo a acordar para ir a Tondela... Marcelo a tomar o pequeno-almoço antes de ir a Tondela... Marcelo decerto já sabe o que provocou o incêndio em Tondela... Marcelo a abastecer o carro da presidência na área de serviço de Aveiras... Marcelo dentro do carro presidencial a sorrir... Marcelo dentro do carro presidencial a escabichar os dentes, depois de ter comido um pão com carne assada, e enquanto pensa nas vítimas de Tondela. Marcelo no WC a aproveitar para ler mesmo quando se desloca a cenários de catástrofe... Tinhamos tema para uma semana, no entanto...

 

Quando este, no seu lado de "pseudo-papi da nação" já julgava ser tema para mais umas semanas a explorar uma tragédia, eis que a SIC decide lançar um programa importado dos Estados Unidos e que nos remete uma coisa para a qual os portugueses não perdoam: os filhos! Quantos não conhecemos que são capazes de dizimar a população inteira do planeta só para que o filho realize o desejo de ir à Eurodisney? Ou então, quantos não conhecemos que são capazes de manter um prédio anos a fio em guerra só para que o filho grite, corra e seja mal educado? Quantos não conhecemos que utilizam os filhos, com o discurso do "ai são as crianças" para camuflarem outras vontades mais egoístas?

 

A grande revolta dos portugueses a seguir à interrupção do jogo entre o Estoril e o Futebol Clube do Porto e às guerras futebolísticas, focou-se agora num programa de televisão, altamente montado para as audiências e com muito que se lhe diga em termos de fidedignidade. Incêndios? Quedas de árvores que matam às dúzias? Corrupção? Financiamento dos partidos? Tancos? Mais corrupção? Reformas estruturais da administração pública? Não! Um programa de televisão! Voltando a Marcelo, começo a chegar à conclusão que, a televisão que o criou um presidente é a mesma que ainda vai apagar um presidente - ainda vamos ver um concorrente de algum reality show chegar a presidente... Não é difícil, basta achar que tem opinião de tudo, não se comprometer com nada, dizer que lê muito e que aos Domingos até vai à Igreja.

 

Com tantos maus-tratos a crianças, com tantos crimes de sangue contra crianças, contra tantas crianças com fome, com tantos pais que não hesitam em destruir e desrepeitar quem os rodeia e tanto silêncio nesta matéria, acabo por estranhar como é que de repente a ira nacional se voltou para estas bandas... 

 

Soubesse o que sabe hoje, aquando dos incêndios, por certo António Costa tinha tratado de garantir que ainda teríamos um programa cuja temática seria a educação de árbitros e presidentes de clubes futebol em termos de português e economia paralela - era sucesso garantido e ninguém tinha falado no caos que se abateu em Portugal.

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 Fonte da Imagem: Própria.

 

Foi a partir deste espaço que o incêndio foi comandado e em que se viveram os difíceis momentos da gestão de informação referente às fatalidades. Foi igualmente neste espaço que foi recebido o Senhor Presidente da República, para além de outras entidades que visitaram o PCO na noite do dia 17 e madrugada do dia 18 de junho.

Das audições efetuadas por esta CTI foi unânime a opinião, manifestada por operacionais, autarcas, agentes de proteção civil entre outros testemunhos, de que o PCO estava permanentemente superlotado, desorganizado, desorientado, descoordenado, com autoridades políticas a intervirem também nas decisões operacionais. A comunicação social estava em peso e muito próxima do PCO. O comando e coordenação da operação era obrigado a intervalar o seu trabalho para realizar briefings às diferentes autoridades e entidades que ali se deslocaram. E as comunicações não fluíam, atendendo também à localização do PCO e às falhas detetadas no SIRESP (...) O comando de uma operação de socorro não pode ser prejudicado por estas circunstâncias, como parece ter acontecido em vários momentos.

(pág. 130)

 

E o circo das "selfies" e dos coletes pomposos instalado e a interferirem nas operações prejudicando o trabalho dos especialistas, tudo a favor da popularidade. Neste âmbito a comunicação é fundamental mas foi severamente condicionada pelo folclore mediático...

 

É, contudo, excecional que tenha havido uma decisão do COS, 2.o CONAC Albino Tavares às 04h56 de 18 de junho, ordenando ao Chefe Sala do CDOS de Leiria que os operadores de telecomunicações não deveriam registar mais informações na fita de tempo no SADO acerca dos alertas que ali recebiam. A partir daquela hora todos os alertas deveriam ser comunicados ao PCO por telefone, e só após validação do mesmo, seriam ou não inseridos na fita do tempo do SADO. O 2.o CONAC, no decorrer da sua audição junto desta CTI, justificou a sua decisão com o excesso de informação que era produzida a partir do CDOS de Leiria.

Este procedimento contraria o SGO, bem como toda a doutrina instituída relacionada com o funcionamento do SADO, que impõe que as todas as situações críticas devem, até de forma intempestiva, ficar registadas no sistema, independentemente da determinação operacional associada. Esta determinação do COS pode subtrair à fita do tempo do SADO informações que poderiam ser importantes para a compreensão dos acontecimentos na noite de 17 para 18. Pode até admitir-se que, para além das falhas de comunicação provocados pela rede SIRESP, pudessem ter havido pedidos de ajuda veiculadas através de chamadas efetuadas para o PCO mas que não teriam sido registadas.

Por este motivo, as informações registadas podem ter impedido que se conheça completamente o que se passou naquele período de tempo, introduzindo uma exceção no procedimento de que deveria ter sido executado de forma inquestionável. (pág. 132)

 

Porque se manda "desligar" a "caixa negra" das operações? Partiu do operacional nomeado ou partiu de outrem? Estamos perante algo que pode ser considerado um crime que visa ocultar provas.

 

Vale a pena referir que, no decorrer da operação de combate, houve Comandantes de sector que referiram nunca terem sido contactados pelo PCO. A dimensão do incêndio, as dificuldades de comunicação, os resultados dramáticos em termos de vidas humanas e o ambiente gerado pelo congestionamento nas instalações do PCO permitem talvez justificar aqueles comportamentos, embora se entenda que sem coordenação e sem orientação não é possível executar a ação de comando. (pág. 132)

 

Sem comentários...

 

Importa referir ainda que, como órgão diretor no âmbito de uma operação de socorro, o PCO tem a obrigação de dar nota pública do ponto de situação da ocorrência de forma regular. Constatou- se que a autoridade operacional não o fez nas primeiras 30 horas da ocorrência. A autoridade política assumiu, em parte, essa função. Esta, no seu âmbito, desempenha naturalmente o seu papel, mas não menos importante nestes acontecimentos, é o papel da autoridade operacional, que deve conduzir a gestão da informação operacional de emergência nos diversos escalões, com o objetivo de fornecer, proactivamente, informação técnica e operacional, oportuna e precisa, aos órgãos de comunicação social e aos cidadãos.

 

Idem

 

Constata-se assim que num intervalo de 3 horas, entre as 19h30 e as 22h30, o incêndio teve três COS, o que por si só não traduz uma decisão errada. Mas a questão é que estes ajustamentos coincidiram com a fase mais crítica da operação de socorro, pelo que não é garantido que nestas passagens de comando, ainda que cara a cara, alguma informação mais critica não tenha sido desvalorizada ou perdida. (pág. 137)

Esperava-se que a estrutura do Comando Nacional, recentemente reforçada, daria garantias de acompanhamento e funcionamento do CNOS para o número de ocorrências que se verificavam no país. Sublinhe-se que mais de 95% das ocorrências foram acompanhadas e resolvidas pelos respetivos Comandos Distritais. A presença ativa do Comandante Nacional teria todo o sentido pelo facto de se estar perante uma das piores catástrofes com que o País alguma vez foi confrontado. (pág. 138)

 

Casa onde todos mandam... 

 

há relatos testemunhais que referem a existência de uma fila de trânsito que se terá formado na EN 236-1, no troço entre o nó com o IC 8 e o cruzamento para Várzea/Vila Facaia, em momento não determinado mas não muito tempo depois das 20h00, coincidindo com a fuga a partir das aldeias a leste da EN 236-1. Este congestionamento terá dificultado a progressão do trânsito para sul e tido eventualmente consequências fatais para algumas das pessoas que se encontravam na EN 236-1 a tentar fugir às chamas, e que acabaram por tomar o sentido inverso na direção de Castanheira de Pera. A este respeito o relatório da GNR é completamente omisso, apesar de terem sido ouvidas várias testemunhas civis no âmbito do inquérito. (pág. 143)

 

Porque não estão esses testemunhos no relatório da GNR?

 

Muito embora a atuação da GNR pareça, de acordo com as informações recolhidas, ter sido a correta, dentro de todos os condicionalismos, nomeadamente de comunicações, e tendo em conta a excecionalidade da situação, fica por apurar até que ponto o corte do acesso ao IC 8, terá tido alguma influência no relatado congestionamento de trânsito na EN 236-1 entre o cruzamento com estrada Várzea/Vila Facaia e o nó com o IC 8. Fica também por apurar a aparente contradição sobre o relato de não haver trânsito naquela via entre as 20h00 e as 20h15, e os relatos que referem a existência de um congestionamento de trânsito. Finalmente fica por apurar porque razão, perante a rápida aproximação da frente de fogo, não foi feito o corte da EN 236-1 na direção Figueiró dos Vinhos – Castanheira de Pera. A justificação de não haver ordens do COS nesse sentido, contrasta com a descrição de que os cortes de estrada foram essencialmente tomados por livre iniciativa dos militares da GNR, de acordo com a sua perceção do risco para a circulação do trânsito. (pág. 144)

 

Este parágrafo levanta imensas questões e contrariedades sobre as quais uma investigação criminal se deveria debruçar. Demasiadas pontas soltas que não podem ficar sem resposta, pois foi aqui que se deu uma tragédia de grandes proporções e que levou à morte de muitos cidadãos.

 

Mais para diante, estão as propostas, com toda a certeza um tema futuro... De Pedrogão e de outras ocorrências ficam as mortes pelo desleixo, sobretudo de quem comanda, pelo folclore político e por uma enorme falta de competência e sentimento de impunidade que teimam em grassar, sobretudo no sector público. A todos aqueles que combateram com o que sabiam e podiam, sobretudo os que não estiveram em posições de comando, uma grande agradecimento...

 

 

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 Fonte da Imagem: Bruce Beattie - Daytona Beach News Journal

 

O tema não é novo, mas repete-se... E como se repete continua tão actual como aquando da primeira polémica espoletada acerca do mesmo.

 

Sempre que estamos perante um atentado terrorista assistimos à divulgação de imagens (quantas vezes não são as mesmas repetidas atá à exaustão) de pessoas feridas, mortas, em pânico, completamente aterrorizadas e, em alguns casos, até à divulgação do próprio atentado a ter lugar (Charlie Hebdo foi um dos melhores exemplos). Se a sede de vendas aqui ainda encontra uma "descupabilização", o que dizer quando os perpetradores do terror fazem um balanço do ataque e promovem a causa?

 

Pretendo com isto dizer, e em Barcelona a cena repetiu-se, que um dos grandes cúmplices do terrorismo - porque espalhar o medo é terrorismo, não é só pressionar um gatilho - poderão ser os media. O alegado vídeo do Daesh a reinvindicar o ataque foi repetido mil e uma vezes por esse mundo fora e Portugal não foi excepção. Será que não basta "uma" notícia a informar que o Daesh (ou outro movimento) reinvindicou o ataque e voltou a ameaçar? E será que estes vídeos são muitas vezes confirmados, sobretudo do ponto de vista da origem? Não me é de todo difícil colocar um vídeo igual a muitos outros do Daesh a circular na internet.

 

É aqui que também pretendo chegar... Ainda me recordo de ver os vídeos da ETA, do Hezbollah, do IRA e de outros tantos movimentos, onde o foco do mesmo passava por indivíduos que difundiam uma mensagem; mas hoje os videos são mais elaborados e coloridos com imagens que são retiradas dos próprios media. Não só estamos a alimentar a propaganda com conteúdos mas também a divulgar a mesma. Se eu sair à rua com uma suástica no braço arriscarei, por certo, algumas consequências menos boas, contudo, divulgar o ódio e o terror continua a ser um crime que passa impune sob a capa da liberdade de informação - seja de forma propositada ou negligente. 

 

Finalmente, uma nota para o actual Presidente da República Portuguesa e que me ficou retida aquando dos atentados de Barcelona: dizer que nunca morreu tanta gente, nem existiram tantos atentados terroristas como hoje, sobretudo na Europa, revela um desconhecimento da História, sobretudo a mais recente.

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