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Menos "influencers" e mais "brand advocates"...

por Robinson Kanes, em 12.10.20

5cb6185323982.jpegCréditos: https://www.memedroid.com/memes/tag/influencer

 

Advocacy is vouching for something because you believe in it. Advocacy is earned by cultivating relationships, reputations, and trust.

Lisa Grimm

 

Influencer... Há uns tempos seria impensável que este tipo de prática (ainda é discutível se é uma profissão) faria muita gente ganhar dinheiro e visibilidade. Actualmente, é um instrumento de marketing "poderoso" e tem impactes nas vendas de forma séria. Não obstante, e como apreciamos tanto falar de sustentabilidade, do ser genuíno, temo que estejamos a caminhar na direcção errada, até porque muitos dos influencers pagam para também terem a respectiva promoção: uma espécie de investimento inicial para a visibilidade se assim quisermos. Não é preciso ir longe para termos muitos exemplos, desses e dos demais cuja visibilidade mediática (não raras vezes paga ou impingida) também acaba por ser uma mais-valia para esta prática. Não afirmo isto em tom de ataque mas sim como uma constatação de factos, pois com o investimento certo ou para quem não quiser investir, com o empurrão certo, facilmente se transforma uma anormalidade num caso de sucesso. São factos e alguns dos que fazem este trabalho (agências, por exemplo) fazem-no de uma assombrosamente profissional.

 

Esta introdução surge a propósito do recente caso de um restaurante que foi abordado pelos "pedintes do costume". Segundo o mesmo, e fazendo fé na veracidade desta história, estes indivíduos ofereciam publicidade a troco de uma jantarada grátis pelo que, a gerência decidiu mostrar que não se identificava com esta prática e sugeriu que os influencers pagassem pelas refeições, revertendo o valor das mesmas para instituições de caridade. Em meu entender, a ideia foi excepcional... Mas não para os influencers que, segundo o mesmo restaurante, não aderiram, nem um... O "anti-influencer" acabou aqui por ser favorável ao estabelecimento que vê agora o número de pedidos aumentar, colocando a descoberto que nem sempre um bom influencer significa muitas vendas. Aliás, e a título pessoal, muita gritaria ou determinadas personagens, já fizeram com que deixasse de comprar determinadas marcas ou escolher determinados serviços.

 

É então neste contexto que surge outro instrumento de marketing e outra prática bem mais genuína, infelizmente, ainda colocada de parte por muitas marcas que preferem ouvir e oferecer brindes a um número altamente restrito de indivíduos ao invés de escutarem os seus clientes, especialmente os seus melhores clientes. Falo do conceito de brand advocate. De forma clara, o conceito é isso mesmo, "o advogado da marca". O brand advocate é o cliente (ou até um parceiro ou colaborador) que - normalmente - adquire um produto ou um serviço, o experimenta e não raras vezes dá retorno e até apresenta ideias para eventuais afinações. Enquanto uns promovem apenas porque sim e porque lhes é oferecido, este indivíduo ou grupo de indivíduos paga pelo produto ou deseja-o, elogia o mesmo (nas redes sociais, por exemplo) e ainda apresenta ideias e sugestões - e também apresenta criticas negativas. No entanto, uma boa gestão dos brand advocates leva a que também, em momentos infelizes para a marca, estes entendam as falhas e até (ao contrário de alguns influencers) defendam a mesmas quando são alvo de hostilidades.

 

Imaginem que faço um ataque feroz a uma marca... Experimentem que seja o influencer a defender a mesma. São muitos os contextos em que não tem o talento para esse papel como também não mostra interesse devido à "imagem" que tem de defender - aliás, pontualmente até se descarta da marca e toma partido pelo lado mais forte. Porém, imaginem que face ao meu ataque, um sem número de desconhecidos diz que as coisas não são como eu as interpreto... Quem nos dará melhores resultados?

 

Idealizem do mesmo modo, quantas marcas já não enfrentaram dissabores provocados pelo simples facto do seu(s) influencer(s) ficar(em) envolvido(s) em escândalos ou com uma imagem menos boa no mercado... Um brand advocate mal comportado não terá um efeito tão nefasto, é um cliente e a marca nada tem de relação comercial com o mesmo em termos de imagem e até identificação.

 

Em resumo, ambas as metodologias, se assim quisermos entender, são viáveis, mas é incostestável que começa a fazer mais sentido um maior investimento, não só conhecer melhor os nossos clientes em termos de comportamento mas também criar relações duradouras - gerindo estas de uma forma muito mais próxima e com consideráveis ganhos, sem artificialismos, sem despesas desnecessárias e desenvolvendo dentro daquilo que é o customer engagement uma forte componente de interacção com os brand advocates. No final, são esses que escolhem e são esses que fazem o sucesso da marca e alavancam o seu crescimento e como nos diria Dave Kerpen, "os nossos brand advocates são mais valiosos que qualquer campanha publicitária que alguma vez possamos vir a lançar", além de que nunca, como hoje, as marcas tiveram a oportunidade de estar tão perto dos seus clientes 24/7 sem ignorar que o tão eficaz word of mouth continua tão forte como antes.

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De "saca patrocínios" a "anti-patrocínios"!

por Robinson Kanes, em 21.03.19

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Créditos: https://www.neworld.com/newsblog/2018/three-reasons-why-brands-should-partner-with-social-media-influencers/

 

Houve tempos em que a corrida atrás das marcas, no sentido de conseguir que estas patrocinassem blogues ou enviassem produtos, era tal que se tornou uma tendência. De facto, não foram as marcas que procuraram os "bloggers", pelo menos numa fase inicial, mas o contrário. Na verdade, acabou por suceder que muitos espaços ficaram, digamos, famosos e as marcas acabaram elas próprias por também serem proactivas na procura de "influencers".

 

Sinto-me também à vontade para falar deste tema pois é política, que este espaço não tenha quaisquer apoios, patrocínios ou mecenas, no entanto, não é de todo impossível que tal venha a suceder. A importância é deixar claro o que é uma parceria, por exemplo, e um artigo sem parceria. O importante é que um artigo não seja uma venda do princípio ao fim e muitas vezes realizada de forma medíocre por pessoas que de marketing percebem pouco - o que até não abona a favor da marca. Imaginem que as coisas correm mal, quem faz a gestão da crise?

 

Todavia, tenho assistido a uma tendência, na comunidade SAPO e não só, de anti-patrocínios. Nomeadamente, por parte daqueles que queriam apoios e não os têm (basta aferir o conteúdo de alguns artigos e claramente se percebe o objectivo) ou então de outros que tentam explorar um novo conceito - ser "anti-parcerias blogueiras", apelidemos as coisas desta forma.

 

O ser "cool" agora, passa por ser anti-parcerias! Nada como explorar a temática e dizer que as marcas são umas "marotas" que andam a enganar as pessoas - pior que isso, trazer isso a público, revelando o mau carácter e a falta de ética e profissionalismo dos "bloggers".

 

Também existem aqueles que se vangloriam de recusar parcerias mas nem um pedido recebem - faz parte do mundo da ilusão e do "like". Também aqui as marcas pecam, pois nem sempre analisam um mercado que, mais do que procurar profissionalmente desenvolver um negócio, tem motivações que por vezes não são garante de que se possa confiar nas qualidades de quem "vende" a marca - além disso não estão "protegidos" por códigos de conduta, havendo apenas uma dependência do carácter do blogger - e no mundo real e sobretudo na internet, sabemos como é facilmente moldável e mutável. 

 

Em todo este ruído, fica uma total ausência de explicação face ao modo como funcionam estas estratégias de marketing, o rigor no sentido de escrever sobre produtos de forma imparcial e acima de tudo de ser um verdadeiro "brand advocate", esse sim um real valor para o consumidor e para a marca. O que ficamos é com um sem número de textos vazios, por vezes até com bastantes leituras e comentários. Todavia, somente de uma pequena comunidade que em nada representa, criando uma ilusão que em nada vai ao encontro da realidade, até porque, conseguir o "like" é fácil, o problema está na confiança...

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Política Autárquica de "Selfie"...

por Robinson Kanes, em 23.08.17

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 Fonte das Imagens: Própria

 

Depois da grande reportagem da Trafaria TV, da autoria da Maria (sim, simplesmente Maria), acerca de cartazes das autárquicas e do seu conteúdo lascivo, a Robinson TV decidiu também ir à procura de alguns exemplos. A reportagem da Trafaria TV pode ser vista aqui.

 

Os nossos correspondentes encontraram em Ponte de Sor uma equipa jovem, tartarizada (aumentem a imagem, mas não se  choquem) e acima de tudo corajosa, ou alguns dos seus membros não vestissem um blazer azul com quadrados pequenos ou então de estilo liso mas em azul-choque - o bolso no peito também é uma realidade. Escapa o candidato a presidente que apenas se esqueceu de fazer a barba no dia em que tirou a foto para o cartaz de campanha. Neste, surge com um semblante de personagem de um qualquer livro de catequese.

 

"Juntos no rumo certo" é o lema, no entanto, confesso que uma selfie tirada com um telemóvel em tons de dourado me deixa sempre apreensivo, sobretudo quando se apela ao voto popular e se vai viver do erário público.

 

Uma nota: será que é boa ideia votar em candidatos que dizem estar empenhados em satisfazer as necessidades do concelho mas depois adoptam o comportamento humano de estarem auto-centrados a tirar uma foto a si próprios? Acabo por ficar com a sensação de que a modernidade não está no facto de se tirar uma fotografia com um smartphone mas sim no reforço do "eu". Só a definição de selfie já responde a muitas perguntas...

 

Finalmente, pois não sei se é a fotografia que é tratada, se é o brilho do telemóvel, sugiro que o indivíduo de casaco ofuscante consulte o médico, pois aquelas mãos amarelas não auguram nada de bom.

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E se em Ponte de Sor a moda da selfie parece estar a resultar, em Alcochete também já seguem a mesma estratégia, até o verde-água sai da arca de naftalina e vem para a ribalta. Mas Alcochete é terra de gente rija, onde se arregaçam as mangas e enquanto os "busca-tacho" estão mais interessados na fotografia, o candidato a presidente surge de cinzento a olhar para o povo com um olhar que transmite a sua mensagem:  "se pudesse candidatava-me sozinho, mas tenho de levar sempre a caravana atrás". E somos ou não somos um país com uma luz única? Olhem para os olhos deles, que mal se abrem, parecem estar todos a olhar para o mais brilhante lingote de ouro do mundo... Talvez até estejam, pelo menos é essa a expectativa no início de Outubro...

 

 

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Numa organização empresarial é comum, senão directiva, assumir que todos os colaboradores, todos sem excepção, são a face e a imagem da organização. O dress code é um dos exemplos mais comuns, ou então a postura perante as redes sociais de não comentar factos que não abonem a favor da organização. No entanto, ainda são algumas as violações, não só da imagem da organização mas também dos valores, ética e compromisso para com esta, o que por norma se reflecte em resultados de vendas.

 

Neste âmbito, e posto que poderia ser alargado a outras áreas dentro das organizações, esta abordagem assenta na actuação dos departamentos/responsáveis de recursos humanos. É imperial reconhecer que os colaboradores desta área devem ser dos mais motivados e esclarecidos dentro de qualquer entidade, afinal são eles a porta de entrada na mesma.

 

Podemos recorrer a vídeos brilhantes com o intuito de captar talentos e com isso projectar a imagem de que acolhemos os melhores e lhes proporcionamos condições que fazem de nós um exemplo de boas práticas. A todo este trabalho não serão subtraídas outras repercussões nomeadamente ao nível da Responsabilidade Social Corporativa (esta deve começar sempre dentro das empresas).

 

Em suma, todo este caminho para chegarmos à conclusão de que não faz sentido algum, por exemplo, ter alguém a fazer Screening ou Recruitment e que se encontra pouco preparado ou até aborrecido com o seu local de trabalho sob pena de termos falhas gravíssimas que se podem perpetuar por meses ou até anos. Permitam-me, neste sentido, o choque quando vejo juniores (sem acompanhamento) ou até seniors com anos de experiência mas pouca preparação e fraca sensibilidade a gerirem processos de recrutamento, não só de cargos de responsabilidade mas também com grande exigência ao nível da especialização. Serão muitos aqueles que apontarão custos e alguma arrogância da minha parte, no entanto responderei como Camus na Queda: “meu caro amigo, não lhes dêmos pretexto para nos julgarem, por pouco que seja, senão ficamos em frangalhos”.

 

Aquando de um processo de recrutamento, e no fundo é aqui que assenta o problema deste artigo, a face comercial, a face de toda uma organização é representada pelo departamento ou colaboradores da área de recursos humanos.

 

Tudo começa no anúncio, quando se publica a oferta, que não é raro apresentar um copy-paste de outros anúncios sem olhar às especificidades do perfil pretendido ou então, ainda mais calamitoso, a presença de erros crassos de ortografia. É a partir daqui que a venda da imagem da nossa organização já está a ser mal concretizada, sobretudo em termos de qualidade e rigor. Acresce ainda que os filtros em relação ao perfil não irão ter qualquer efeito.

 

Mas, imaginemos, o nosso candidato remete a sua candidatura e o que surge não é mais que um email automático (o que já não é mau) ou uma total inexistência de retorno por parte do recrutador. Peguemos na segunda hipótese: “não há tempo nem disponibilidade para responder a tantos candidatos”; “já tenho o que preciso, não preciso de me preocupar com aquilo que não me trará nada de novo”; “não temos recursos para tanto” e por aí adiante. A oferta de desculpas é vasta, basta optar por uma. São estas as respostas mais comuns, no entanto aceitaríamos as mesmas se as utilizássemos face a um potencial cliente que nos abordasse com o intuito de contratar um dos nossos produtos ou serviços?

 

Contudo, voltemos ao nosso candidato que até foi convocado para uma entrevista, que fez um enorme jogo de cintura para estar presente na mesma, até porque se encontra a trabalhar. Nessa fase depara-se com uma postura arrogante e por vezes até agressiva (não confundir com rigorosa ou exigente). Acresce o facto de ter tido a divina honra de avançar no processo de selecção e sentir na pele tudo o que isso acarreta quer profissionalmente quer emocionalmente. No entanto, eis que.... silêncio, ausência de resposta ou algo totalmente inócuo.

 

“Compreendo como, não compreendo porquê” diria Orwell. Não compreendo porquê, mas deixámos o nosso cliente à espera e completamente ao abandono. O que fazer? Esperar que este se deixe levar pela narrativa das publicações que nos dizem que é preciso ter paciência e ai daquele que provoque a “Real Entidade Empregadora”? Acreditar que se abrirmos um novo processo este voltará? Afinal tendemos a encarar que o mercado de trabalho é assim mesmo. Atenção, mais do que nunca, muitos são os candidatos que identificam estas red flags.

 

Mas na realidade é que, chegados a este patamar, já fomos contra todos os valores, ética e cuidado que as pessoas/clientes nos merecem. Ali estão potenciais clientes, potenciais divulgadores da nossa marca. É crescente o número de indivíduos que tende a deixar de adquirir produtos ou serviços de determinada organização somente porque tiveram uma má experiência num processo de recrutamento, isto sem olvidar aqueles que carregarão uma má publicidade e não hesitarão em espalhá-la por todos os recantos da "cidade". E mais que clientes, não estaremos a descurar futuros parceiros da nossa organização que poderão um dia estar numa outra entidade com a qual possamos ter interesses comerciais? Quem nos garante que, no futuro, não possamos vir a ter necessidade desses preciosos perfis? “Perfis há muitos” diria o actor, mas atenção, bons perfis escasseiam.

 

De facto, a necessidade, para muitos, de um emprego a qualquer custo é uma realidade, mas não podemos esquecer que os candidatos também são nossos clientes e por isso devem ser tratados como tal, até porque não conseguimos medir com precisão o impacte da sua “não procura” em relação aos nossos serviços/produtos.

 

Para muitos departamentos, responsáveis e demais colaboradores da áreas de recursos humanos, uma atitude mais comercial passaria pela excelência no serviço, tal como numa boa venda e consequente satisfação por parte do cliente.

 

Podemos ir até mais longe e acreditar que, para muitas organizações, estas práticas seriam simples e agradáveis formas de Responsabilidade Social Corporativa.

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