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Playlist porque não me consigo desligar...

por Robinson Kanes, em 01.07.20

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Imagem: Robinson Kanes

 

Por aqui vou andando... Não há forma de fugir destas terras que me sugam e às quais me entrego com o maior prazer. Esta semana, apesar das memórias e de uma apaixonante fotografia que me chegou da fronteira com a República Democrática do Congo, foi a música que, mais uma vez me levou a sentir o sabor das terras para lá do Adriático, para lá do Trieste. Talvez, por isso, enquanto o "Vallado Tinto de 2014" teima em saltar do copo, me deixe levar pelas longas caminhadas do oriente... Daquele oriente que não consigo deixar...

 

Começo por Tigran Hamasyan, que já foi presença por aqui e cujo último concerto na Gulbenkian deixou o público completamente rendido à humildade e qualidade artística de um dos melhores músicos do nosso tempo. Fica "Lilac" para ouvir enquanto os nossos ouvidos descansam dos sons das montanhas arménias. Invejo Tigran Hamasyan pelo facto de viver em Yerevan com vista para o Ararate.

Falei do concerto de Novembro de 2019 na Gulbenkian e também só posso recordar Norayr Kartashyan, um homem que domina o duduk e não só. Sempre envolvido em vários projectos foi uma fantástica descoberta... Deixo-me levar por "Hayr Komitasin", é simplesmente genial e só me recorda longas caminhadas com o pó na cara, um pó especial que, ao chegar a bom porto, não queremos que nos saia do rosto...

Aram Movsisyan poderá não dizer muito a uma grande maioria de quem me lê mas na Arménia é um Senhor. A sua voz faz-nos amar ainda mais este país único. Deixo que o tinto descanse enquanto fecho os olhos e escuto esta música tradicional arménia, "Havun Havun",acabo por recuar ao século X.

Não podia deixar a fronteira arménia sem ouvir Lévon Minassian, um dos mais conhecidos e mais famosos intérpretes da "flauta mágia arménia". Da banda sonora do filme "Bab'azis: Le prince ici fils contemplait âme" é uma das suas interpretações de excelência e uma das mais conhecidas (a composição coube a Armand Amar)... Não importa rebuscar muito quando a nossa cabeça pisa terras que nos engolem pela história e quando são artistas deste calibre a comprarem-nos o bilhete para as mesmas. O gosto pela música e pela banda sonora fez-me ver o filme, como não poderia deixar de ser... Genial! Retiro o meu chapéu a Nacer Khemir.

Na música electrónica, as sonoridades árabes são sempre uma das coisas que me fazem apreciar o género... Não sendo daquelas bandas, os Acid Arab são sem dúvida um fenómeno onde o moderno e o tradicional, de facto, quando se juntam, podem dar um excelente resultado! Juntem uma discoteca em Budapeste ou uma travessia pelo Qatar ao volante de um Mitsubishi Pajero e esta música no rádio e... Enfim, existem coisas que não se contam... "Zhar"!

Não podia deixar escapar o Irão, e por isso, também não posso deixar de trazer dois exemplos da música contemporânea do Irão e que preservam as raízes em cada nota e em cada acorde. No Irão ainda não é permitido o consumo de bebidas alcoólicas, caso contrário, era com todo o gosto que beberia num qualquer café em Isfahan um copo com estes senhores: Shahram Nazeri e Hafez Nazeri com "The Passion of Rumi".

Uma das vozes iranianas que mais aprecio... A curiosidade e a partilha de conhecimentos levou-me até Shiraz para descobrir Sara Naeini. Aprecio uma grande maioria das músicas deste intérprete, mas na escolha de uma, difícil... Fico-me por "Del Yar" embora reconheça que a versão de "Jane Maryam" está qualquer coisa! Inspiradora, simplesmente inspiradora e como é bom pisar Shiraz mais uma vez...

Prometo deixar o Irão, mas não posso deixar esta terra sem voltar ao filme "Bab'Azis" e encontrar a bela actriz Ghazal Shakeri que também canta e foi nessa banda sonora que descobri uma das muitas pérolas desta senhora: "Song of the Red Dervish". Existem coisas que se gostam e não sabemos explicar...

De um filme que me apaixonou, ficou-me, à semelhança de tantos outros a banda sonora... "Istambul Kirmizi" ou também conhecido como "Rosso Istambul" trouxe-me uma experiência cinematográfica inesquecível e uma banda sonora de Giulian Taviani e Carmelo Travia, mas como diria a personagem do Tele Rural Sabino Rui, não foi isso que me trouxe aqui. Destaco a conhecida (pelo menos na Turquia) Gaye Su Akyol com "Kırmızı Rüyalar". Para nos deixarmos envolver e dançarmos na sala... Adoro esta "miúda". Com tempo, escutem também "Cehennem Meyhanesi".

Deixo uma surpresa para último. Também por intermédio do cinema, descobri uma actriz que tem uma voz especial: Demet Evgar. Não é uma pop star mas gosto da voz... Ficou-me e partilho uma das peculiares músicas que fui encontrando da mesma, aqui com Kemal Hamamcıoğlu. Sentemo-nos numa árvore e escutemos "Mak Mek Mok".

Sinto saudade... Sento-me perto Anadolu Hisarı e contemplo o Bósforo seguindo as suas águas até ao Mar Negro, até um novo Mundo, até uma nova paixão...

 

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Playlist bem regada...

Para um fim-de-semana de Maio...

por Robinson Kanes, em 09.05.20

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Créditos: https://altovineyards.net/wine-and-music/

 

 

A maioria dos homens não tem destino.

Manuel Vilas, in "Ordesa".

 

O primeiro fim de semana onde já muitos sentem a ordem de soltura, para outros com ordem de soltura diária, talvez, uma noite de final de semana mais pacata... Entre um Porta de Santa Catarina Tinto de 2015 e um que recorda o Pico nos idos de Maio, a música em épocas de complexidade, terá outra entoação mais forte. Caríssima, este também marcha bem e nada como aproveitar uma ida a Estremoz e trazer uma caixa de branco e outra de tinto. E usted tome lá mais um... Ainda estou à espera de um prometido petisco...

 

Hoje enquanto conduzia, uma pérola na SBSR, Lou Reed com "Perfect Day", bem a propósito, depois de ouvir o pessimismo disfarçado com optimismo bacoco, realmente nada como um néctar musical destes.

Ainda numa onda de pensamento, nada como navegar com uma voz conhecida dos Kings of Convenience, Erlend Oye & La Comitiva com "Paradiso". Uma voz nórdica com requintes de mediterrâneo, ideal para a noite quente e para ouvir de copo na mão... Música suave, para embalar a alma tranquilamente entre o cheiro do rio e o sabor do luar.

Já me perguntaram o que é que eu tenho contra a música portuguesa. Pouco, só não gosto da nossa língua em modo cantado, parece uma língua eslava e mesmo assim existem línguas eslavas que se bebem melhor que a nossa. Depois temos a qualidade que não abunda... Talvez duas das poucas excepções se possam encontrar na letra e música de José Mário Branco, "Inquietação". Camané e os Dead Combo numa versão simplesmente espectacular... Finalmente em português e com todas as inquietações que nos percorrem actualmente.

Uma letra interessante com o que de bom ainda se fez nos anos 90, onde a boa música (salvo a dos grandes) já começava a declinar. Manic Street Preachers, com "Motorcycle Emptiness". Actual, sempre actual, feliz ou infelizmente.

Pensar onde é que é a nossa casa... Será que tem de ser onde vivemos. Será que é esta a nossa casa. Onde é que é o nosso país? Tem de ser aquele que nos viu nascer? Podemos pensar nisso enquanto os Kaiser Chiefs interpretam "Coming Home".

Falou-se em casa... Talvez esta música aqui não se relacione muito com a playlist que hoje trago, mas quem me conhece sabe perfeitamente o que significa "El aire de la calle". Já me faz falta esse ar temperado com a fritura, com o aroma da Cruzcampo ou até com uma Alhambra que me diz menos. Um eterno delinquente mental a ouvir "Los Delinqüentes"... Esta malta de Jerez de la Frontera já está crescida...

Surge aqui, mas poderá ser efectivamente a última música, para o último copo e para a última fatia de queijo... Não encaixa, não tem de encaixar, mas a noite não pode acabar de outra forma e por isso mesmo o argentino Federico Aubele deixa-nos os seus "Postales".

Peter Gabriel, porquê? Porque sim, é Peter Gabriel... Escolhi "Darkness" mas a lista seria longa.

Já por aqui passaram, não podia deixar que o "Silence" da noite não fosse quebrado pelos "Manchester Orchestra". Há ruídos baixinhos que provocam grande tumulto...

Fecho com uma banda que me tem acompanhado há muito, não que prossiga com novos discos mas tem sido uma presença constante desde 2010, os "Oi va Voi". Também hoje pensamos em "Yesterday's Mistakes", espero que possamos aprender com os mesmos... Tenho dúvidas, mas basta que uma meia-dúzia já o consiga fazer para que o mundo seja um lugar bem melhor.

Bom fim de semana,

P.S.: Para não dizerem que sou do contra... Partilho aqui uma ideia do Rui Melo, do Henrique Dias e do Sérgio Graciano. Terminemos assim em grande com um musicaaaaaaaaaaaaaaaaaaal! 

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prague_czech_republic.jpgImagens: Robinson Kanes

 

 

É Natal e com o mau tempo os portugueses lidam mal... É natural num país onde uma grande parte das infraestruturas são castelos de papel.

 

E não seja por isso, já que o fim-de-semana com cheiro a Natal vem aí! Sim, afinal algum dia tinha de ser e na época apropriada. Quando o Natal já não é tema é que eu venho falar do mesmo, apesar do esgotamento a que foi sujeito, desde Outubro, por estas bandas e não só. Acho estranho ainda ninguém ter falado do Carnaval ou até da Páscoa, já vai sendo hora.

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Uma boa leitura para o Natal... Para aqueles que dizem que a poesia não tem grande interesse para mim, hoje até lhes faço a vontade e atiro-lhes com o "Coração do Dia Mar de Setembro" de Eugénio Andrade. O senhor já morreu há algum tempo, por isso nem estou a aproveitar uma onda de falar que se gosta ou se aprecia um escritor recém-falecido. Tomem e embrulhem com um momento pedante...

 

Variações em Tom Menor

 

Para jardim te queria

Te queria para gume

ou o frio das espadas.

Te queria para lume

Para orvalho te queria

sobre as horas transtornadas.

 

Para a boca te queria.

Te queria para entrar

e partir pela cintura.

Para barco te queria.

Te queria para ser

Canção breve, chama pura.

 

Eugénio de Andrade, in "Coração do Dia - Mar de Setembro"

 

Vou já ao teatro, e aproveito para comprar uns bilhetes para "Ricardo III", encenado por Thomas Ostermeier e texto do grande Shakespeare e em alemão (com tradução). Ideal para a passagem de ano, pois há espectáculo dia 31 também! Podem saber mais sobre esta peça no Teatro Nacional D. Maria II.

 

Para escutar... Música de Natal, admito que já irrita. Por isso, o melhor do Natal pode ser passado com Johann Sebastian Bach e uma bela de uma Kantate. Tomem lá a Cantata BW 142 - Uns ist ein Kind geboren que dizem ser de Bach. Digo-vos que é do bufo, ou não as tivesse todas por cá...

E como existe algo ainda pior que música de Natal, nada como um filme para esta época e bem católico, Forušande, do realizador Asghar Farhadi. Filme iraniano, não podia ser mais adequado ao Natal. A vida e o teatro e o teatro da vida... Enfim, é isto e o filme é muito porreiro! Libertem-se das amarras do menino nas palhas estendido (ou será deitado?) e mergulhem na realidade. Os iraninanos são dos melhores neste mundo a fazer filmes e este é um exemplo supremo!

E finalmente porque é Natal, aproveitem para dizer àquela pessoa que gostam realmente dela, isto se tiverem tempo enquanto dão umas moedinhas ao pobrezinho no momento em que tiram uma selfie... ou no espectáculo de abertura das prendas que em algumas casas chega a ser repugnante, sobretudo quando são tantas que, no caso dos miúdos, nem se apercebem do que estão a abrir e parecem autênticas bestas perdidas no meio de tanta oferta...

 

Feliz Natal...

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Becket e Lorca encontram-se e ouvem ODO Ensemble.

por Robinson Kanes, em 13.12.19

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Imagens: Robinson Kanes

 

Sexta-feira, não é em Albufeira mas podia ser... Ou talvez não. Não sei!

 

Com o Natal a aproximar-se, cada vez são mais as mensagens que aqui vão chegando. Não são as melhores e fazem-nos questionar se é este Natal que queremos. Mas falemos de coisas boas e nada como entrar a matar com música boa, não de Natal, que é de fugir.

 

Um ensemble que descobri por mero acaso enquanto procurava sons que completassem a minha paixão pelas sonoridades arménias. O ODO Ensemble não é Arménio, até tem origens em Cluny, no entanto, as suas sonoridades medievais e de world music são deslumbrandes.Então quando os sons têm origem naas arábias nos balcãs... Simplesmente genial! Este agrupamento que, e que tem o seu suporte como associação que encontra na música a sua fonte de pesquisa e descoberta, merece uma escuta atenta, e porque não com "Ir Me Kero Madre". Isto é trabalho, isto é ser músico...

Para ler... Não vou muito longe e partilho o livro que estou a ler actualmente: "Molloy" de Samuel Beckett. Um dos romances da trilogia "francesa" do autor, "Malone Dies" e "Unnamable" são os outros dois. Viajar na mente e no comportamento de "Molloy" e "Moran" (sem esquecer a presença da mãe do primeiro, é entrar no mundo de Beckett de uma forma surpreendente. Vai ser interessante perceber o modo como se cruzam os dois primeiros ou se serão só...  (Recomendo a leitura em inglês).

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E já agora, ide a Oeiras ao Auditório Municipal Eunice Munõz e entreguem-se a Garcia Lorca... Ainda se vai falar muito dele por aqui! Tem um espaço muito especial cá por casa, sobretudo no que depende da alemã... Pois, a peça: "A Casa de Bernarda Alba".

 

Finalmente, porque o cinema também é importante, "La Classe Operaia va in Paradiso" de Elio Petri. Mais um vencedor em Cannes, corria o ano de 1972! Um filme interessante e que acabou por ser até um case study. Mais cinema política italiano e que interessa quer a um lado quer ao outro da barricada. A actuação de Gian Maria Volonté é brilhante!

E do Uganda, uma mensagem para o mundo: não é preciso uma eternidade e muita coisa para fazer a diferença, para alguns, basta um dia... (e nós por cá, devemos andar mesmo a dormir).

Obrigado John!

 

Bom fim-de-semana,

 

 

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Playlist para a chuva e para o vento...

por Robinson Kanes, em 03.12.19

Tenho andado alheado da realidade nacional. Terei perdido o interesse no país que me viu nascer? Terei perdido a esperança? A aproximação (mais uma) a outras culturas, a outras formas de estar tem-me levado a esse distanciamento e a focar-me naquilo/naqueles que realmente importa/importam? Quiçá... É com esse pensamento que, mais uma vez, recolho uma playlist que também é um pouco de mim e que aconchega nestes dias de chuva e vento no regresso a casa ou enquanto vou pensando o mundo, mesmo que na minha cabeça, nas minhas paredes, na minha pequena particula de existência.

 

Num estilo de Portishead, Zero 7 e claro, de Massive Attack, os Groove Armada sempre mereceram a minha preferência. Para um dia de chuva e vento enquanto contemplo as paisagens da Irlanda do Norte, oscilo entre "Inside My Mind" e "Think Twice". Penso duas vezes e vou pela segunda escolha... Deixo-me levar pela minha zona de conforto da paixão...

Com Londres a pouco mais de uma hora de avião, penso que não posso esquecer a cidade que vive a 100, que nos preenche e que nos abre ao mundo. Acrescento por isso uma das minhas bandas "recentes" mais apetecíveis do panorama musical britânico, os "London Grammar" e como não poderia deixar de ser "Wasting My Young Years" é a minha escolha! Porque será?

Vou buscar um dos velhos para me acompanhar enquanto, ao longe, os prados parecem ficar mais verdes e esta chuva que nem é chuva nem é borriço vai descendo pelos vidros: Tom Waits. Não sou o maior adepto do músico, mas tenho de reconhecer que "All the World is Green" é uma peça daquelas! Para me acompanhar à medida da chuva...

Estou melancólico?... Ou estarei a apreciar autênticos monumentos musicais? Talvez nostálgico por um mundo que não foi o meu mas que, por certo, foi daqueles que amei. Led Zeppelin e "Stairway to Heaven", uma música que nos eleva, de facto, ao céu... Que nos eleva e traz saudades daqueles que partiram. Se existir um céu, se existir um mundo para lá da vida, pois que a minha subida seja feita ao som desta música!

Continuo pelos velhos e não posso deixar também passar esta estada sem olhar a Belfast. Nessa homenagem não vou aos U2, mas uma música bem mais bela e profunda, não tão trágica mas intensa... A primeira vez que a ouvi foi uma sensação incrível, por isso, partilho uma das grandes dos Simple Minds: "Belfast Child".

Desço ao mediterrâneo e vou a Itália onde encontro a senhora Veronica Scopelliti, mais conhecida por Noemi. Deixo a alma vaguear entre palavras escritas, faladas e imaginadas... "Sono solo Parole", porque talvez sejam isso mesmo, só palavras.

Ainda pelo sul, antes de voltar a subir, escuto os Vetusta Morla e "Cuarteles de Invierno". Uma das minhas bandas espanholas preferidas e com grande sucesso no país vizinho. Recordei o título e pensei em como é bom ouvir esta música num dia como este, lamentando-me de ainda não ter partilhado a mesma por aqui. Que o vento de invierno a leve até vós.

Manchester Orchestra é daquelas bandas que nunca me lembro de disparar quando falo das minhas preferência. É daquelas bandas que ouvimos por mero acaso mas que insistem em lá estar e acompanhar-nos ao longo da nossa vida e até em momentos especiais. Talvez por isso, e estando também perto de Manchester (embora a banda seja americana) escute um dos mais recentes hits: "I Know How To Speak".

E para terminar uma tarde onde chuva e vento disputam o palco, despeço-me com dois toques mais clássicos. Um deles é um "contemporâneo clássico" e é por aí que começo: Philip Glass é daqueles compositores que não conseguimos deixar de ouvir, seja com as suas bandas sonoras seja com as composições que só aqueles que o amam na sua especial forma de compor conhecem. Do albúm "Solo Piano", inspirado no livro de "Metamorfose" de Kafka, partilho "Metamorphosis Two", a segunda de 5. Philip Glass é simplesmente brilhante e eclético!

Finalmente, o homem que os espectadores da Gulbenkian, no passado dia 18 de Novembro, não queriam deixar ir embora: Tigran Hamasyan! Um concerto espectacular de  um jovem prodigío arménio que ainda consegue surpreender a cada concerto. Um pianista e compositor que se entrega e vive de tal forma a música que só percebo que é terrestre na sua humildade e partilha com o público. Banda sonora ideal para o dia de hoje, e primeira música do concerto que deu em Portugal, "Fides Tua" é uma das muitas e grandes obras deste músico - em Portugal ou fora do país, se ele estiver por perto, a nossa presença é garantida.

Boa semana,

 

P.S.: "hoje" o cosmos terá mais uma estrela a transmitir-lhe a melhor música: Mariss Jansons.

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O Vergílio e o Sapolsky bebem Moscatel e comem Pistácios.

Entretanto vão ao teatro, ouvem Rachmaninov pelas mãos de Ashkenazy e assistem ao Bloody Sundae...

por Robinson Kanes, em 08.11.19

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Imagens: Robinson Kanes

 

 

Que poderia sobrar de um homem, em face de um irmão assassinado? os mortos cantavam a promessa, o sangue tingia a madrugada. E um deus que revivesse poderia ter anunciado a recriação do mundo, porque tudo o prometia em perfeição.

Vergílio Ferreira, in "Cântico Final"

 

 

Para este fim-de-semana, mais do que uma partilha de sentido único, decidi "convidar" alguns seguidores habituais para me ajudarem. De certo modo não foram convidados mas os gostos cruzaram-se e assim é também em espécie de dedicatória aos mesmos nesta iniciativa que já vai tendo lugar semanalmente.

 

Para uma leitura de fim-de-semana, não serão os livros ideais, mas poderão acompanhar, sem dúvida, muitos de vós durante dias e até semanas. Falo de "Cântico Final", de Vergílio Ferreira, livro que sei estar a ser lido pelo nosso amigo "Folhas de Luar". Vergílio Ferreira já é presença habitual neste espaço, por isso, nada melhor do que acompanhar Mário numa reflexão sobre arte, sobre vida e morte. Um livro forte, de 1960, e bem ao estilo que Vergílio Ferreira nos habituou.

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Também sei que o nosso amigo Vorph Valknut está a ler uma bíblia, o livro "Comportamento" de Robert Sapolsky. Sem ser indecifrável mas com um rigor extremo, já o disse, é um livro de leitura obrigatória! Tornar-nos-ía melhores seres-humanos, aliás, ajudar-nos-ía a conhecermo-nos como tal ao nível do nosso comportamento. Genial!

 

É óptimo se o nosso córtex frontal nos levar a evitar tentações. Mas geralmente é mais eficaz quando fazê-lo se tornou tão automático que já não é difícil. E em geral é mais fácil evitar tentações com o uso de distinção e reavaliação do que com força de vontade.

Robert Sapolsky, in "Comportamento"

 

Para ver? Depois da polémica da McDonald's, nada como perceber o que foi o verdadeiro Bloddy Sunday, um massacre que ainda hoje envergonha Inglaterra. A 30 de Janeiro de 1972, o IRA ficou mais reforçado na sua acção sobretudo depois do saldo se ter cifrado nos 14 mortos... 14 inocentes que se manifestavam e que viram o exército indiscriminadamente disparar sobre estes. A verdade é que apesar de tudo, a tensão, ainda hoje é latente apesar de alguma acalmia e procura de chegar a uma paz permanente. Não critiquei a campanha, mas simplesmente a hipótese do facto ter passado por tanta gente "competente" e ninguém ter percebido do que estávamos a falar... Grande e premiada obra de Paul Greengrass e que encontram no Youtube - é história e uma lição de que a liderança (hoje tão badalada) é uma coisa muito complicada. Só com David Cameron as desculpas chegaram, uma vitória tardia da justiça!

Passem também pelo São Luiz e assistam ao texto de Mário Benedetti encenado por Marta Carreiras e Romeu Costa, "Pedro e o Capitão". Ivo Canelas e Pedro Gil em altas! 

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Finalmente, algo para descontrair, uma música... Mantenho-me pelos clássicos: Rachmaninov pelas mãos de Vladimir Ashkenazy! Fica aqui um pequeno aperitivo de "Morceaux de salon, op.10"... O piano é mágico mas com notas de Rachmaninov e Ashkenazy torna-se em algo... Escutem o CD e o vosso fim-de-semana será bem diferente.

Finalmente, e para pensarmos... No país da "Web Summit", no país evoluído e da alta tecnologia, será que ninguém ainda percebeu (e já nem falo dos impactos na natureza, muito repetidos por aqui) que a subida do nível dos mares é uma realidade e portanto o novo aeroporto do Montijo tem uma duração mais do que limitada? Também no país da tecnologia é preciso que na televisão se fale de um bebé num caixote do lixo para de repente termos tanta sensibilidade quando o que não faltam são bebés para adopção mas esses estão melhor dentro de muros? Quanto vale uma "selfie" nos dias de hoje se for no momento certo, com as pessoas certas e com o circo mediático certo? E por fim... No país da tecnologia, como se esperava, e no espaço de menos de 3 meses, escuto (com muita apreensão e receio) o discurso de que combater a corrupção não traz assim grande coisa... A Universidade de Coimbra (ou parte dela) no seu eterno bafio...

 

Bom fim-de-semana.

 

Esperem! Não se vão embora... Agora é a minha vez de, com a Alice, partilhar um Moscatel SIVIPA Roxo de 2013 (ai aquele sabor de caramelo) e uns pistácios com açafrão do Irão. Agora sim, com estas iguarias podemos ir de fim-de-semana...

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Head On com um Lobo em Time Lapse...

por Robinson Kanes, em 25.10.19

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Imagens: Robinson Kanes

 

 

Fechar a semana com a ideia de que talvez tenhamos feito justiça, de que talvez possamos ter contribuído para que o país tenha menos fantochada, menos corrosão... Ou talvez não... Talvez tenha sido apenas uma espécie de utopia que alguns lobos solitários teimam em criar, apesar do seu pragmatismo lhes dizer o contrário... Talvez por isso, para o fim de semana que se aproxima (e para a semana, pois nem todos gozam o Sábado e o Domingo) pense em Hermann Hess e no seu "O Lobo das Estepes". Talvez pense como o país seria um local melhor para se trabalhar, viver e desenvolver se levássemos esta frase a sério:

 

Imagine-se um jardim com centenas de variedades de árvores, milhares de variedades de flores, centenas de variedades de frutos, centenas de variedades de ervas. Se o jardineiro deste jardim não conhecer nenhuma outra classificação botânica para além da distinção entre "comestível" e "ruim", não saberá o que fazer com nove décimos do seu jardim, arrancará as mais encantadoras flores, cortará as mais nobres árvores ou então vai odiá-las e olhá-las com desconfiança.

Hermann Hess, in "O Lobo das Estepes"

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Para se escutar, uma série de autênticos "poemas" outonais. Talvez me sinta sempre defraudado quando assisto aos concertos de Ludovico Einaudi - é o meu egoísmo! Quero sempre que Einaudi toque só para mim, sem o aparato da banda que traz consigo. Só eu, a alemã (que abriu as portas de Hermann Hess a este indivíduo que aqui se chama Robinson) e Einaudi - preferencialmente com um Steinway & Sons. Do mestre italiano, o albúm "Time Lapse", ideal para acompanhar ou ajudar a digerir a leitura de Hess e do mundo... Uma nota para o facto de em composições como "Orbits", "Experience" e "Underwood" contar com o excelente violinista Daniel Hope. 

Um filme? Um alemão com contornos turcos, também do realizador nascido na Alemanha mas filho de pais turcos Fatih Akin. Um filme que a critica cinematográfica portuguesa não gostou muito... Não atinge patamares de intelectualidade que só os criticos percebem e como também não foi propriamente alvo de grande divulgação é normal que assim seja por terras lusas onde se alterna entre a estratosfera e a moda - sempre é mais confortável. Eu gostei... Violento, amargo, duro e pouco romântico - a vida tende a ser assim muitas vezes, como em "Gegen die Wand" mais conhecido por "Head on - A Esposa Turca". O romantismo fica sempre bem nos livros...

E porque o fim de semana também ajuda a pensar, talvez seja uma boa altura para questionarmos a nossa abordagem, sobretudo em termos de comunicação, face às alterações climáticas - a verdade é que quanto mais ruído provocamos menos eficientes estamos a ser, ou seja, o excesso de informação que vemos em tantos canais de media e não só, estão apenas a alimentar criadores de conteúdos ultrapassados e a não produzir o engagement esperado. A este propósito, e é apenas um entre muitos, nada como investirem alguns euros no website da American Psychological Association (APA) e na leitura de Susanne Moser:

Moser, S. C. (2007). More bad news: The risk of neglecting emotional responses to climate change information. In S. C. Moser & L. Dilling (Eds.), Creating a climate for change: Communicating climate change and facilitating social change (pp. 64-80). New York, NY, US: Cambridge University Press.

 

Bom fim de semana

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Um Martha's, Tawny, engarrafado em 2016 e pistácios do Irão... Dos melhores, segundo o vendedor que perto do bazar de Tajrish os vendia, mesmo ao lado da Mesquita de Imamzadeh Saleh. O toque de açafrão associado a menos sal, de facto, faz milagres.

 

Tal remete-me para algumas músicas que habitualmente fazem parte do "cancioneiro" cá de casa, ou até mesmo do trabalho. Presenças habituais numa vida que não seria a mesma sem música. A luz outunal ajuda a que experiência seja quase perfeita.

 

Épico, deslumbrante e com concertos espectaculares que não deixam ninguém indiferente. Woodkid é daqueles que não tem talvez lugar nas rádios mais ouvidas por um simples motivo - é demasiado grande. De 2011, recordo "Iron", um som poderoso e ao qual é impossível ser indiferente.

Hozier, mais uma vez. Esta é talvez uma das mais conhecidas... A música ideal para acompanhar um Porto, uma viagem, uma noite de amor quiçá - "Take me to Church". Decidam o que fazer com ela.

"Ederlezi", é um clássico, aliás... é uma música tradicional romena conhecida pelo mundo inteiro e especialmente nos balcãs. Gosto de ouvir, recorda-me amigos e momentos inesquecíveis - escolho uma banda que também vem de uma terra onde as boas recordações são mais que muitas e onde os últimos dias têm sido vividos a ferro e fogo... De Barcelona ( tantas vezes deles já falei), a Gipsy Balkan Orchestra e a brilhante voz de Sandra Sangiao.

Vou ficando perdido entre pensamentos e sonhos e lembro-me de "Matilda". Não que conheça propriamente uma Matilda, no entanto, conheço os Alt-J o suficiente para fazerem parte do meu dia-a-dia. Troquem o nome, até lhe podem dar o nome de alguém que gostam e cantem-na!

Outonal e profunda quanto baste, A Fine Frenzy é uma daqueles vozes que não se apagam, que até podem chegar por moda mas que se distinguem de todas as outras. Devo à "Alemã" ter conhecido tão brilhante intérprete - nunca mais a larguei, uma e outra. E não, não é uma espécie de "Almost Lover"...

Não me posso esquecer do que se faz em Portugal, afinal também estou a beber um Porto. Keep Razors Sharp, uma banda daquelas que perguntamos sempre se são realmente portugueses. Mais uma daquelas bandas que merecia muito mais! "Overcome" é a minha escolha para hoje.

Tantas vezes aqui falei dele, tanto o escuto e nunca lhe dei a oportunidade de cantar. Peter Gabriel, é daqueles compositores que ninguém consegue não gostar. Em Peter Gabriel existe sempre qualquer coisa que nos encata e que nos surpreende. Neste outono em que muitas fronteiras estão a ser ultrapassadas, em que muitos conceitos resvalam num caos de blocos, "Games Without Frontiers". Para ouvir e estar atento à letra.

Não consigo fugir aos italianos e aos espanhóis... Ainda a semana passada falei de Javier Limón e desta música. É hora de escutar a mesma quando Outubro se despede e mais uma viagem se avizinha - mais aprendizagem, desta vez é para isso, para mais mundo. Para uma abertura de horizontes profissionais e técnicos que nem sempre têm o impacte desejado. Fica "Agua Misteriosa" pela brilhante voz de La Shica.

Uma das músicas que paralisa, seja o que se estiver a fazer em casa. São também uma presença assídua, mas "In a Manner of Speaking" tem uma força e uma envolvência que só bandas ao nível de "Nouvelle Vague" conseguem provocar. Paralisem-se e deixem-se contagiar pelo ritmo e pela letra.

Como fechar isto... Até porque ainda há vinho no copo e pistácios no prato. Música do Irão a condizer com os pistácios, Marjan Farsad com "Khooneye Ma".

 

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Liberdade, Dor e Glória e o Wine & Music Valley...

por Robinson Kanes, em 13.09.19

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Peter Paul Rubens - O Conselho dos Deuses (Museu do Louvre)

Imagem: Robinson Kanes

 

E que tal começarmos com um sugestão de leitura e já agora, uma espécie de "Follow Friday"? Pois é, hoje a MJ lembrou-se de colocar um texto meu no seu espaço - o "Liberdade aos 42", haja paciência, mas como é algo que a mesma tem, se quiserem sempre lá podem dar uma vista de olhos. O tema é a liberdade, por isso, quem quiser perder tempo ou simplesmente não tiver nada mais interessante para fazer pode sempre aceder aqui... Aproveitem também o espaço, são interessantes os temas levantados e as discussões que se geram... Espaços com conteúdo, algo que faz falta...

 

Pela música, volto a Bryan Ferry... O Wine & Music Valley está aí! E sem conhecer o cartaz, sabendo que o mestre estava por aí, não hesitei. Este fim-de-semana, sem dúvida, o melhor incentivo para ir a Lamego - não digo ao Douro porque nada supera a época das vindimas. Deixo "The Right Stuff" para recordar o gentleman dos anos 80 e não só.

Nada também como bom cinema... E desta vez, com algo bem recente: "Dolor y Gloria" (Dor e Glória) de Pedro Almodóvar é um dos melhores filmes dos últimos anos! Finalmente, um bom filme a entrar em 2019, sobretudo depois do flop de Tarantino. Dor e Glória é tudo... É a mescla de temas que está sempre presente nos filmes de Almodóvar e, ao contrário do que li na critica, pouco tem a ver com a preocupação da personagem principal com a velhice, aliás, acredito que esse tema é bastante forçado e só para encher colunas de opinião. Muitas emoções, muitas memórias e mais não posso dizer - afinal, nada como ver o filme e um Banderas irrepreensível (talvez o grande filme do actor) ao lado de excelentes actores. Se existe filme perfeito, este não anda longe e estando ausente dos cinemas pela falta de qualidade cinematográfica, devo admitir, que há muito tempo que não via um filme assim nas salas de cinema. TOP! TOP! TOP!

Também não posso deixar escapar a banda sonora ou, à semelhança do que acontece em muitos dos filmes de Almodóvar, não fosse do compositor basco, Alberto Iglesias! É um dos compositores contemporâneos mais apreciados cá por casa e por isso deixo "Salvador Sumergido", facilmente reconhecível quando começarem a ver o filme. Adoro Alberto Iglesias!

 

E finalmente, para que esta paragem de dois dias possa ter algo de muito bom para todos, é importante lembrar que em Portugal já se roubam ambulâncias em serviço enquanto os tripulantes prestam socorro à vítima. Populismo ou não, ultimamente têm acontecido situações que, pensava eu, só em filmes... Estes casos não seraão de admirar, afinal existem esquadras a fechar durante alguns períodos do dia por falta de efectivos e má gestão... E para fechar, também vivemos no país onde alguém sem qualificações para um cargo no Estado, nomeadamente no Ministério da Administração Interna, permanece no mesmo sem contestação. Para camuflar a coisa antes que se saiba, abre-se um concurso, normalmente feito à medida para o indivíduo em questão passar, o mesmo chumba, mas continua no cargo a aguardar novo concurso e com o total apoio do Ministro da Administração Interna. E tudo isto é normal - provavelmente a maioria de nós também já fez o mesmo.

 

Bom fim de semana,

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historia_da_morte_ocidente.jpgImagem: Robinson Kanes

 

A última coisa que vem à cabeça de alguém que está prestes a ir de fim de semana é a morte! No entanto, o prometido é devido (promessa à MJP) e assim sendo começa de forma bastante célere o artigo de hoje como uma sugestão do diabo: Philippe Ariès e o seu trabalho "Sobre a História da Morte no Ocidente". Arìes foi um historiador, no entanto, foi um pioneiro a desmistificar a morte, sobretudo numa óptica mais sociológica e até antropológica.

 

Arìes faz-nos uma demonstração de como a temática da morte, a Ocidente, foi evoluindo ao longo dos séculos  bem como dos seus avanços e recuos na forma como lidamos com a mesma. Arìes vai ao homem medieval que se preparava para a morte e chega ao homem moderno com descobertas muito interessantes como a evolução da própria localização do cemitério. Esta é uma das obras que mais gostei de ler e de facto é fascinante, levando-me a aferir de que em muitas situações relacionadas com o tema da morte, estamos mesmo lá para trás. Em muitas situações o homem medieval estava bastante mais à frente que nós, sobretudo na preparação para a morte - é um facto que a religião ajudava, a fé em algo superior também.

 

Em termos musicais, o último fim de semana de Agosto traz-me algumas memórias e uma certa nostalgia... Sinto que tenho de ouvir "The Last Waltz" do compositor sul-coreano Jo Yeong-wook. Transporta-nos efectivamente para essa nostalgia, para esses passos alegres num passado distante alternando entre as memórias longínquas e os sorrisos presentes. Este tema faz parte da banda sonora do filme "Old Boy", prémio do júri, em 2014, no Festival de Cannes - não associo a música ao filme, mas tenho de admitir que a banda sonora e o filme merecem uma visita.

Um fim de semana sem um filme não é um digno desse nome... Não sei porquê, de repente recordei-me do filme "Merry Christmas Mr. Lawrence", indicado para uma palma de ouro em Cannes e que até contou com David Bowie como actor. É um filme de 1983 e que baseia nos livros e experiências de Laurens van der Post como prisioneiro de guerra no Japão durante a Segunda Guerra Mundial. Talvez me tenha deixado influenciar por "Old Boy" ou talvez não...

 

Afinal, a banda sonora tem esta obra-prima de Ryuichi Sakamoto - "Merry Christmas Mr. Lawrece" para escutar e ver. Acho que ainda anda algures por aqui! Sakamoto (que participou no filme) anda de certeza em CD, mas será tema para outro artigo...

E porque as boas notícias são para ser dadas e sempre fica algo para se pensar: Angola também está a arder... Muitos países em África também estão a arder... A Sibéria arde há meses... Em Moçambique continuam a morrer milhares de pessoas devido às cheias, mas ninguém quer saber... Desta vez não há folclore e por isso também não existem likes. Quando o tecto vos cair em cima, os vossos corpos forem carbonizados ou descobrirem qual a sensação de morrerem afogados, lembrem-se que também só serão lembrados se as vossas mortes derem likes.

 

Um apontamente final: em Hong Kong também se cancelou uma manifestação pela Democracia e por não ser possível acautelar a integridade física dos participantes. Na Rússia a história repete-se, mas aqueles que andaram calados nos incêndios de Pedrogão (PAN, BE, PCP, PS, Quercus e demais suspeitos do costume) criticam Portugal por não tomar uma posição em relação à Amazónia e até se esquecem do nosso papel em Timor e nos 20 anos do referendo para a independência - algo que tem sido celebrado ao longo da semana...

 

Bom fim de semana...

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