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Então não se vê que é um Atum!

por Robinson Kanes, em 21.08.20

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Imagens: Robinson Kanes

 

Recordo-me de um sketch para trazer mais um desastre na cozinha. Desta feita, aproveitei o facto da matéria-prima ter chegado directamente dos Açores durante a madrugada e consequentemente me ter destruído a carteira. Mas tendo em conta que não passaram 24 horas entre a captura, o transporte de avião e a mesa cá de casa, não nos podemos queixar.

 

Um formoso atum, não tão bom como o senhor Genuíno no Faial ou da "Casa do Rei nas Flores", mas o suficiente para nos encher as medidas. Coisa simples, basta acompanhar com o puré da praxe, o saboroso molho (nem ver sal) e está feito. Esta foi para o Pedro e para a Alice. Por falar nisso, amanhã a Alice será a convidada semanal do SardinhasSemLata.

 

As melhores coisas do mundo são assim, simples. Recordo a experiência maravilhosa que foi também um bonito da Cantábria comprado em Santander. 

 

Todavia, estas coisas nunca podem ser degustadas a seco, e não seguindo a tentação de escolher um vinho do Pico, particularmente não aprecio, fiquei-me por um "Vallado" - um tinto do Douro de 2014. Esta foi para o José e para a Maria. Bem... E para o outro José e para o Folhas... Só não é para este porque é mais apreciador de bebidas brancas.

 

O resto é história e demasiado... pessoal para contar. No entanto, tanto a confecção, como a degustação, não dispensaram uma bela música... Ermal Meta foi o artista deste jantar e destaco uma das suas melhores: "A parte te".

O que é que atum tem a ver com música italiana? Nada! Mas por aqui tem tudo... Além disso estou com umas ganas de percorrer o "Parco Nazionale del Cilento" e gravar mais umas boas caminhadas para trocar com o Pedro!

 

Bom fim de semana,

 

P.S.: esta semana não houve o habitual espaço "O que aprendi nos últimos seis meses". Tal deveu-se a um motivo de força maior e inultrapassável: esqueci-me completamente e não convidei ninguém.

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Imagens: Robinson Kanes

 

 

Faz-me favas com chouriço... O meu prato favorito... Quando chego para jantar... Quase nem acredito! Poderia ser a música de José Cid, mas não. Desta feita o Robinson foi à fava e sacou um belo entrecosto com favas, mentira, foi mesmo a alemã. A carne de porco não é uma das presenças mais habituais cá em casa, não obstante, um belo entrecosto bem temperado e uma favas, quem resiste? A receita também não é das mais complexas e acompanhada, mais uma vez, por uma Moretti, é de chorar por mais... Aprecio bastante a Nastro Azurro é mais difícil de encontrar por cá, embora em Santa Maria da Feira exista um distribuidor.

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Para os que defendem que beber cerveja é coisa que não vai bem que um petisco destes, junto um pouco de atitude e nobreza ao prato e carrego com um "Pacheca". Um tinto de 2017 a trazer-nos de volta ao Douro. E o Douro, o que dizer...

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E agora entro em mais um momento old school e sendo um apaixonado pelo Mediterrâneo e por Espanha, não posso deixar de me recordar de um dos maiores êxitos de Joan Manuel Serrat, "Mediterráneo". É música de velho, mas tendo em conta o que se ouve hoje. A propósito, Lena D'Água é a artista feminina do ano... Pronto, lá se vai o entrecosto pela goela acima. Como é que é possível que... Em Portugal o "choradinho", a família e os amigos nos locais certos fazem milagres. E convenhamos, um milagre de todo o tamanho, acho que nem Nossa Senhora foi capaz de atingir tão elevado grau de complexidade.

E antes que um cavalheiro me venha chamar burguês, passem num cinema e vejam o novo filme do sempre brilhante Elia Sulleiman "It Must be Heaven" ou como é conhecido por cá, "O Paraíso, provavelmente". Confesso que adorei este filme premiado em Cannes e onde me ri e fiquei a pensar... Em como lá, como cá, ficamos a pensar no que realmente muda. Top! Será o mundo realmente uma Palestina como disse o realizador?

Finalmente um livro... "A Lã e a Neve" de Ferreira de Castro. Os recentes incêndios na Covilhã despertaram-me para a memória deste livro. Tendo uma mãe beirã, entendo o que significa e  amargura-me ver como a serra vai ardendo... Tempos difíceis os relatados no livro onde a esperança alterna com o desencanto.

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E para pensarmos... Sobretudo tendo em conta os tempos actuais e um episódio em particular relacionado com bancos, uma frase de Manuel Vilas, um dos melhores da Espanha actual, que pode ser lida na sua obra "Ordesa": E quem é o Estado? É uma sobreposição amarelecida de vontades cansadas, que já não pensam, que pensaram há muitas décadas,  e que a preguiça,  que é a mãe da inteligência , perpetua.

 

Bom fim-de-semana,

 

P.S.: as mulheres de Braga "têêm" charme, aproveitem e levem uma às "Frigideiras do Cantinho"... Apesar da simpatia, pago-as sempre pelo que, a sugestão é baseada apenas no meu bom gosto, vá... Mesmo congeladas e depois aquecidas, ui...

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Ainda ontem se andou por Braga... Mas admito que hoje ainda subi mais, até às Astúrias, e tive de ir à procura das lentilhas negras ou belugas. Das Astúrias porque foi lá que comprei a última embalagem desta iguaria, mais precisamente em Cangas de Onís. Com uns camarões e uns chocos, temos o jantar perfeito para uma noite bem animada e proteica. A receita é simples e segue por email para os mais interessados...

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E como este autêntico caviar, aliás, bem melhor que caviar (abomino caviar), não pode ser ingerido a seco e a água não abona ao paladar de tal iguaria, vou ceder a um afordable  "Castelo do Sulco Tinto 2016" da Quinta do Gradil.  Bom preço e não fica nada mal... Como os vinhos desta região mudaram e se tornaram tão apreciáveis.

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Para acompanhar todo este cerimonial, nada como ter uma música de fundo que acaba por nos acompanhar ao longo do fim-de-semana, e nos transporta para as Astúrias e até para estes novos tempos, a "Sinfonia nº 9" do compositor  checo  Antonín Dvořák, mais conhecida como "Sinfonia do Novo Mundo". É  uma das mais belas obras do compositor e que foi a minha banda sonora aquando da visita à última morada do mesmo, em Vyšehrad. 

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E como estamos por Praga, nada como encontrar Kafka e começar o fim-de-semana com uma leitura de "Amerika", bem ao estilo que Kafka nos habituou mas com a ligeira diferença, imprevisível ao início, em que finalmente temos uma personagem principal que... de forma simplista, consegue dar a volta.

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E como não falta embalagem e também há sempre tempo para bom cinema, uma sugestão do Cazaquistão, o filme de Sergay Dvortsevoy, "Tulpan". É impossível ficarmos indiferentes e apaixonados pela personagem de Tulpan e o enredo em torno do seu futuro, onde o casamento se revestirá como "obstáculo" principal os desafios do mesmo. 

Bom fim-de-semana,

*Imagens: Robinson Kanes

 

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José Malhoa -  "Retrato de D. Luís Filipe" (Museu José Malhoa)

 

 

A busca de originalidade, que é tão característica da Modernidade, manifesta-se no facto de procurar modelos que são apenas aparentes, que ela destrói, para se afirmar contra eles; os verdadeiros, contudo, dos quais está dependente, ficam assim tanto mais bem escondidos. Este processo pode ser inconsciente; muitas vezes, é consciente e mendaz.

Elias Canetti, in "A Consciência das Palavras"

 

Por Braga, e depois de uma dia onde a Tourigalo bem podia fazer os seus grelhados no alcatrão, admito que me deu para pensar o Mundo. Seria mais fácil antecipar e subir ao Bom Jesus num aquecimento para o dia de amanhã, mas o ar pesado dos fogos de hoje e o calor não o recomendam, nem mesmo à noite... Noite de quinta-feira em que ainda nem sei bem o que vai sair nas linhas de baixo.

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Mas o Mundo hoje é outra coisa, hoje é somente um peixe-galo, ou melhor, uns filetes de peixe-galo com as ovas do proprietário da ementa. Como não poderia deixar de ser, uma paixão do Ribatejo, uma daquelas paixões que não consigo deixar para trás tal é a qualidade que se sente de ano para ano: um "Quinta da Alorna Arinto Chardonnay Reserva". Um branco, é Verão e na cidade dos 3 P está um calor que não se pode, encontro de astros fatal. Adeptos do tinto que me perdoem, mais uma vez, mas nem os franceses resistem aos brancos no nosso Verão. Em relação aos três P, não vou responder a questões, quem é de Braga sabe...

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Lembram-se de lá em cima ter dito que não sabia o  que vinha por aí abaixo? Estou a fazer aquilo que se chama "encher chouriços" e a seguinte tentativa será colocar a foto de um gatinho ou um vídeo com bebés.. Não... Mas posso pensar numa leitura, afinal dá aquele ar de intelectual (o que é um intelectual?) que lê cinco livros por dia. Só me resta colocar a minha foto ou fazer uma entrevista com uma estante repleta livros atrás de mim. Escolho, e por aqui já não é novidade, a minha última aquisição na Lello: "A Consciência das Palavras". Elias Canetti, como sempre nos habituou, aqui pelo ensaio, é mais um daqueles autores que nos faz sempre pensar em como as suas palavras são sempre tão actuais... Em como, apesar de tanta mudança, só o Humano parece teimar em não acompanhar o ritmo frenético do globo - parece que acompanha, mas... Ah! E a Lello não me pagou pela hiperligação e o vinho fui eu que o paguei, mas são malta simpática e por isso...

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Já a caminho do fim, a parca inspiração tende a desaparecer e já nem o "encher chouriços" me vale, sai um tema para este fim-de-semana. Pensei em Bach, agora que olho alguns discos do mesmo e que só me trazem à memória o Natal de Berlim de 2013. Dava aquele ar intelectual à coisa, de facto... Mas não... Klingdale e uma noite inteira a dançar isto...

Siga que a Heineken ainda aquece nas mãos... Vinho branco e cerveja holandesa, e a noite ainda agora começou. Ainda vou ter os adeptos do politicamente correcto a pedirem-me que beba sumo de beterraba e a lançarem um boicote a este artigo. A imagem de Sua Majestade Fidelíssima, o Rei D. Luís, "o Popular" é só para dar um ar pedante à coisa e... até aposto que era indivíduo para me acompanhar numa noite de dança e alta rave nos claustros do Mosteiro de Landim...

 

Dance people! Nem que seja em modo confinamento, mas dancem e bebam até ser dia!

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Playlist porque não me consigo desligar...

por Robinson Kanes, em 01.07.20

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Imagem: Robinson Kanes

 

Por aqui vou andando... Não há forma de fugir destas terras que me sugam e às quais me entrego com o maior prazer. Esta semana, apesar das memórias e de uma apaixonante fotografia que me chegou da fronteira com a República Democrática do Congo, foi a música que, mais uma vez me levou a sentir o sabor das terras para lá do Adriático, para lá do Trieste. Talvez, por isso, enquanto o "Vallado Tinto de 2014" teima em saltar do copo, me deixe levar pelas longas caminhadas do oriente... Daquele oriente que não consigo deixar...

 

Começo por Tigran Hamasyan, que já foi presença por aqui e cujo último concerto na Gulbenkian deixou o público completamente rendido à humildade e qualidade artística de um dos melhores músicos do nosso tempo. Fica "Lilac" para ouvir enquanto os nossos ouvidos descansam dos sons das montanhas arménias. Invejo Tigran Hamasyan pelo facto de viver em Yerevan com vista para o Ararate.

Falei do concerto de Novembro de 2019 na Gulbenkian e também só posso recordar Norayr Kartashyan, um homem que domina o duduk e não só. Sempre envolvido em vários projectos foi uma fantástica descoberta... Deixo-me levar por "Hayr Komitasin", é simplesmente genial e só me recorda longas caminhadas com o pó na cara, um pó especial que, ao chegar a bom porto, não queremos que nos saia do rosto...

Aram Movsisyan poderá não dizer muito a uma grande maioria de quem me lê mas na Arménia é um Senhor. A sua voz faz-nos amar ainda mais este país único. Deixo que o tinto descanse enquanto fecho os olhos e escuto esta música tradicional arménia, "Havun Havun",acabo por recuar ao século X.

Não podia deixar a fronteira arménia sem ouvir Lévon Minassian, um dos mais conhecidos e mais famosos intérpretes da "flauta mágia arménia". Da banda sonora do filme "Bab'azis: Le prince ici fils contemplait âme" é uma das suas interpretações de excelência e uma das mais conhecidas (a composição coube a Armand Amar)... Não importa rebuscar muito quando a nossa cabeça pisa terras que nos engolem pela história e quando são artistas deste calibre a comprarem-nos o bilhete para as mesmas. O gosto pela música e pela banda sonora fez-me ver o filme, como não poderia deixar de ser... Genial! Retiro o meu chapéu a Nacer Khemir.

Na música electrónica, as sonoridades árabes são sempre uma das coisas que me fazem apreciar o género... Não sendo daquelas bandas, os Acid Arab são sem dúvida um fenómeno onde o moderno e o tradicional, de facto, quando se juntam, podem dar um excelente resultado! Juntem uma discoteca em Budapeste ou uma travessia pelo Qatar ao volante de um Mitsubishi Pajero e esta música no rádio e... Enfim, existem coisas que não se contam... "Zhar"!

Não podia deixar escapar o Irão, e por isso, também não posso deixar de trazer dois exemplos da música contemporânea do Irão e que preservam as raízes em cada nota e em cada acorde. No Irão ainda não é permitido o consumo de bebidas alcoólicas, caso contrário, era com todo o gosto que beberia num qualquer café em Isfahan um copo com estes senhores: Shahram Nazeri e Hafez Nazeri com "The Passion of Rumi".

Uma das vozes iranianas que mais aprecio... A curiosidade e a partilha de conhecimentos levou-me até Shiraz para descobrir Sara Naeini. Aprecio uma grande maioria das músicas deste intérprete, mas na escolha de uma, difícil... Fico-me por "Del Yar" embora reconheça que a versão de "Jane Maryam" está qualquer coisa! Inspiradora, simplesmente inspiradora e como é bom pisar Shiraz mais uma vez...

Prometo deixar o Irão, mas não posso deixar esta terra sem voltar ao filme "Bab'Azis" e encontrar a bela actriz Ghazal Shakeri que também canta e foi nessa banda sonora que descobri uma das muitas pérolas desta senhora: "Song of the Red Dervish". Existem coisas que se gostam e não sabemos explicar...

De um filme que me apaixonou, ficou-me, à semelhança de tantos outros a banda sonora... "Istambul Kirmizi" ou também conhecido como "Rosso Istambul" trouxe-me uma experiência cinematográfica inesquecível e uma banda sonora de Giulian Taviani e Carmelo Travia, mas como diria a personagem do Tele Rural Sabino Rui, não foi isso que me trouxe aqui. Destaco a conhecida (pelo menos na Turquia) Gaye Su Akyol com "Kırmızı Rüyalar". Para nos deixarmos envolver e dançarmos na sala... Adoro esta "miúda". Com tempo, escutem também "Cehennem Meyhanesi".

Deixo uma surpresa para último. Também por intermédio do cinema, descobri uma actriz que tem uma voz especial: Demet Evgar. Não é uma pop star mas gosto da voz... Ficou-me e partilho uma das peculiares músicas que fui encontrando da mesma, aqui com Kemal Hamamcıoğlu. Sentemo-nos numa árvore e escutemos "Mak Mek Mok".

Sinto saudade... Sento-me perto Anadolu Hisarı e contemplo o Bósforo seguindo as suas águas até ao Mar Negro, até um novo Mundo, até uma nova paixão...

 

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Playlist bem regada...

Para um fim-de-semana de Maio...

por Robinson Kanes, em 09.05.20

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Créditos: https://altovineyards.net/wine-and-music/

 

 

A maioria dos homens não tem destino.

Manuel Vilas, in "Ordesa".

 

O primeiro fim de semana onde já muitos sentem a ordem de soltura, para outros com ordem de soltura diária, talvez, uma noite de final de semana mais pacata... Entre um Porta de Santa Catarina Tinto de 2015 e um que recorda o Pico nos idos de Maio, a música em épocas de complexidade, terá outra entoação mais forte. Caríssima, este também marcha bem e nada como aproveitar uma ida a Estremoz e trazer uma caixa de branco e outra de tinto. E usted tome lá mais um... Ainda estou à espera de um prometido petisco...

 

Hoje enquanto conduzia, uma pérola na SBSR, Lou Reed com "Perfect Day", bem a propósito, depois de ouvir o pessimismo disfarçado com optimismo bacoco, realmente nada como um néctar musical destes.

Ainda numa onda de pensamento, nada como navegar com uma voz conhecida dos Kings of Convenience, Erlend Oye & La Comitiva com "Paradiso". Uma voz nórdica com requintes de mediterrâneo, ideal para a noite quente e para ouvir de copo na mão... Música suave, para embalar a alma tranquilamente entre o cheiro do rio e o sabor do luar.

Já me perguntaram o que é que eu tenho contra a música portuguesa. Pouco, só não gosto da nossa língua em modo cantado, parece uma língua eslava e mesmo assim existem línguas eslavas que se bebem melhor que a nossa. Depois temos a qualidade que não abunda... Talvez duas das poucas excepções se possam encontrar na letra e música de José Mário Branco, "Inquietação". Camané e os Dead Combo numa versão simplesmente espectacular... Finalmente em português e com todas as inquietações que nos percorrem actualmente.

Uma letra interessante com o que de bom ainda se fez nos anos 90, onde a boa música (salvo a dos grandes) já começava a declinar. Manic Street Preachers, com "Motorcycle Emptiness". Actual, sempre actual, feliz ou infelizmente.

Pensar onde é que é a nossa casa... Será que tem de ser onde vivemos. Será que é esta a nossa casa. Onde é que é o nosso país? Tem de ser aquele que nos viu nascer? Podemos pensar nisso enquanto os Kaiser Chiefs interpretam "Coming Home".

Falou-se em casa... Talvez esta música aqui não se relacione muito com a playlist que hoje trago, mas quem me conhece sabe perfeitamente o que significa "El aire de la calle". Já me faz falta esse ar temperado com a fritura, com o aroma da Cruzcampo ou até com uma Alhambra que me diz menos. Um eterno delinquente mental a ouvir "Los Delinqüentes"... Esta malta de Jerez de la Frontera já está crescida...

Surge aqui, mas poderá ser efectivamente a última música, para o último copo e para a última fatia de queijo... Não encaixa, não tem de encaixar, mas a noite não pode acabar de outra forma e por isso mesmo o argentino Federico Aubele deixa-nos os seus "Postales".

Peter Gabriel, porquê? Porque sim, é Peter Gabriel... Escolhi "Darkness" mas a lista seria longa.

Já por aqui passaram, não podia deixar que o "Silence" da noite não fosse quebrado pelos "Manchester Orchestra". Há ruídos baixinhos que provocam grande tumulto...

Fecho com uma banda que me tem acompanhado há muito, não que prossiga com novos discos mas tem sido uma presença constante desde 2010, os "Oi va Voi". Também hoje pensamos em "Yesterday's Mistakes", espero que possamos aprender com os mesmos... Tenho dúvidas, mas basta que uma meia-dúzia já o consiga fazer para que o mundo seja um lugar bem melhor.

Bom fim de semana,

P.S.: Para não dizerem que sou do contra... Partilho aqui uma ideia do Rui Melo, do Henrique Dias e do Sérgio Graciano. Terminemos assim em grande com um musicaaaaaaaaaaaaaaaaaaal! 

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prague_czech_republic.jpgImagens: Robinson Kanes

 

 

É Natal e com o mau tempo os portugueses lidam mal... É natural num país onde uma grande parte das infraestruturas são castelos de papel.

 

E não seja por isso, já que o fim-de-semana com cheiro a Natal vem aí! Sim, afinal algum dia tinha de ser e na época apropriada. Quando o Natal já não é tema é que eu venho falar do mesmo, apesar do esgotamento a que foi sujeito, desde Outubro, por estas bandas e não só. Acho estranho ainda ninguém ter falado do Carnaval ou até da Páscoa, já vai sendo hora.

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Uma boa leitura para o Natal... Para aqueles que dizem que a poesia não tem grande interesse para mim, hoje até lhes faço a vontade e atiro-lhes com o "Coração do Dia Mar de Setembro" de Eugénio Andrade. O senhor já morreu há algum tempo, por isso nem estou a aproveitar uma onda de falar que se gosta ou se aprecia um escritor recém-falecido. Tomem e embrulhem com um momento pedante...

 

Variações em Tom Menor

 

Para jardim te queria

Te queria para gume

ou o frio das espadas.

Te queria para lume

Para orvalho te queria

sobre as horas transtornadas.

 

Para a boca te queria.

Te queria para entrar

e partir pela cintura.

Para barco te queria.

Te queria para ser

Canção breve, chama pura.

 

Eugénio de Andrade, in "Coração do Dia - Mar de Setembro"

 

Vou já ao teatro, e aproveito para comprar uns bilhetes para "Ricardo III", encenado por Thomas Ostermeier e texto do grande Shakespeare e em alemão (com tradução). Ideal para a passagem de ano, pois há espectáculo dia 31 também! Podem saber mais sobre esta peça no Teatro Nacional D. Maria II.

 

Para escutar... Música de Natal, admito que já irrita. Por isso, o melhor do Natal pode ser passado com Johann Sebastian Bach e uma bela de uma Kantate. Tomem lá a Cantata BW 142 - Uns ist ein Kind geboren que dizem ser de Bach. Digo-vos que é do bufo, ou não as tivesse todas por cá...

E como existe algo ainda pior que música de Natal, nada como um filme para esta época e bem católico, Forušande, do realizador Asghar Farhadi. Filme iraniano, não podia ser mais adequado ao Natal. A vida e o teatro e o teatro da vida... Enfim, é isto e o filme é muito porreiro! Libertem-se das amarras do menino nas palhas estendido (ou será deitado?) e mergulhem na realidade. Os iraninanos são dos melhores neste mundo a fazer filmes e este é um exemplo supremo!

E finalmente porque é Natal, aproveitem para dizer àquela pessoa que gostam realmente dela, isto se tiverem tempo enquanto dão umas moedinhas ao pobrezinho no momento em que tiram uma selfie... ou no espectáculo de abertura das prendas que em algumas casas chega a ser repugnante, sobretudo quando são tantas que, no caso dos miúdos, nem se apercebem do que estão a abrir e parecem autênticas bestas perdidas no meio de tanta oferta...

 

Feliz Natal...

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Becket e Lorca encontram-se e ouvem ODO Ensemble.

por Robinson Kanes, em 13.12.19

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Imagens: Robinson Kanes

 

Sexta-feira, não é em Albufeira mas podia ser... Ou talvez não. Não sei!

 

Com o Natal a aproximar-se, cada vez são mais as mensagens que aqui vão chegando. Não são as melhores e fazem-nos questionar se é este Natal que queremos. Mas falemos de coisas boas e nada como entrar a matar com música boa, não de Natal, que é de fugir.

 

Um ensemble que descobri por mero acaso enquanto procurava sons que completassem a minha paixão pelas sonoridades arménias. O ODO Ensemble não é Arménio, até tem origens em Cluny, no entanto, as suas sonoridades medievais e de world music são deslumbrandes.Então quando os sons têm origem naas arábias nos balcãs... Simplesmente genial! Este agrupamento que, e que tem o seu suporte como associação que encontra na música a sua fonte de pesquisa e descoberta, merece uma escuta atenta, e porque não com "Ir Me Kero Madre". Isto é trabalho, isto é ser músico...

Para ler... Não vou muito longe e partilho o livro que estou a ler actualmente: "Molloy" de Samuel Beckett. Um dos romances da trilogia "francesa" do autor, "Malone Dies" e "Unnamable" são os outros dois. Viajar na mente e no comportamento de "Molloy" e "Moran" (sem esquecer a presença da mãe do primeiro, é entrar no mundo de Beckett de uma forma surpreendente. Vai ser interessante perceber o modo como se cruzam os dois primeiros ou se serão só...  (Recomendo a leitura em inglês).

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E já agora, ide a Oeiras ao Auditório Municipal Eunice Munõz e entreguem-se a Garcia Lorca... Ainda se vai falar muito dele por aqui! Tem um espaço muito especial cá por casa, sobretudo no que depende da alemã... Pois, a peça: "A Casa de Bernarda Alba".

 

Finalmente, porque o cinema também é importante, "La Classe Operaia va in Paradiso" de Elio Petri. Mais um vencedor em Cannes, corria o ano de 1972! Um filme interessante e que acabou por ser até um case study. Mais cinema política italiano e que interessa quer a um lado quer ao outro da barricada. A actuação de Gian Maria Volonté é brilhante!

E do Uganda, uma mensagem para o mundo: não é preciso uma eternidade e muita coisa para fazer a diferença, para alguns, basta um dia... (e nós por cá, devemos andar mesmo a dormir).

Obrigado John!

 

Bom fim-de-semana,

 

 

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Playlist para a chuva e para o vento...

por Robinson Kanes, em 03.12.19

Tenho andado alheado da realidade nacional. Terei perdido o interesse no país que me viu nascer? Terei perdido a esperança? A aproximação (mais uma) a outras culturas, a outras formas de estar tem-me levado a esse distanciamento e a focar-me naquilo/naqueles que realmente importa/importam? Quiçá... É com esse pensamento que, mais uma vez, recolho uma playlist que também é um pouco de mim e que aconchega nestes dias de chuva e vento no regresso a casa ou enquanto vou pensando o mundo, mesmo que na minha cabeça, nas minhas paredes, na minha pequena particula de existência.

 

Num estilo de Portishead, Zero 7 e claro, de Massive Attack, os Groove Armada sempre mereceram a minha preferência. Para um dia de chuva e vento enquanto contemplo as paisagens da Irlanda do Norte, oscilo entre "Inside My Mind" e "Think Twice". Penso duas vezes e vou pela segunda escolha... Deixo-me levar pela minha zona de conforto da paixão...

Com Londres a pouco mais de uma hora de avião, penso que não posso esquecer a cidade que vive a 100, que nos preenche e que nos abre ao mundo. Acrescento por isso uma das minhas bandas "recentes" mais apetecíveis do panorama musical britânico, os "London Grammar" e como não poderia deixar de ser "Wasting My Young Years" é a minha escolha! Porque será?

Vou buscar um dos velhos para me acompanhar enquanto, ao longe, os prados parecem ficar mais verdes e esta chuva que nem é chuva nem é borriço vai descendo pelos vidros: Tom Waits. Não sou o maior adepto do músico, mas tenho de reconhecer que "All the World is Green" é uma peça daquelas! Para me acompanhar à medida da chuva...

Estou melancólico?... Ou estarei a apreciar autênticos monumentos musicais? Talvez nostálgico por um mundo que não foi o meu mas que, por certo, foi daqueles que amei. Led Zeppelin e "Stairway to Heaven", uma música que nos eleva, de facto, ao céu... Que nos eleva e traz saudades daqueles que partiram. Se existir um céu, se existir um mundo para lá da vida, pois que a minha subida seja feita ao som desta música!

Continuo pelos velhos e não posso deixar também passar esta estada sem olhar a Belfast. Nessa homenagem não vou aos U2, mas uma música bem mais bela e profunda, não tão trágica mas intensa... A primeira vez que a ouvi foi uma sensação incrível, por isso, partilho uma das grandes dos Simple Minds: "Belfast Child".

Desço ao mediterrâneo e vou a Itália onde encontro a senhora Veronica Scopelliti, mais conhecida por Noemi. Deixo a alma vaguear entre palavras escritas, faladas e imaginadas... "Sono solo Parole", porque talvez sejam isso mesmo, só palavras.

Ainda pelo sul, antes de voltar a subir, escuto os Vetusta Morla e "Cuarteles de Invierno". Uma das minhas bandas espanholas preferidas e com grande sucesso no país vizinho. Recordei o título e pensei em como é bom ouvir esta música num dia como este, lamentando-me de ainda não ter partilhado a mesma por aqui. Que o vento de invierno a leve até vós.

Manchester Orchestra é daquelas bandas que nunca me lembro de disparar quando falo das minhas preferência. É daquelas bandas que ouvimos por mero acaso mas que insistem em lá estar e acompanhar-nos ao longo da nossa vida e até em momentos especiais. Talvez por isso, e estando também perto de Manchester (embora a banda seja americana) escute um dos mais recentes hits: "I Know How To Speak".

E para terminar uma tarde onde chuva e vento disputam o palco, despeço-me com dois toques mais clássicos. Um deles é um "contemporâneo clássico" e é por aí que começo: Philip Glass é daqueles compositores que não conseguimos deixar de ouvir, seja com as suas bandas sonoras seja com as composições que só aqueles que o amam na sua especial forma de compor conhecem. Do albúm "Solo Piano", inspirado no livro de "Metamorfose" de Kafka, partilho "Metamorphosis Two", a segunda de 5. Philip Glass é simplesmente brilhante e eclético!

Finalmente, o homem que os espectadores da Gulbenkian, no passado dia 18 de Novembro, não queriam deixar ir embora: Tigran Hamasyan! Um concerto espectacular de  um jovem prodigío arménio que ainda consegue surpreender a cada concerto. Um pianista e compositor que se entrega e vive de tal forma a música que só percebo que é terrestre na sua humildade e partilha com o público. Banda sonora ideal para o dia de hoje, e primeira música do concerto que deu em Portugal, "Fides Tua" é uma das muitas e grandes obras deste músico - em Portugal ou fora do país, se ele estiver por perto, a nossa presença é garantida.

Boa semana,

 

P.S.: "hoje" o cosmos terá mais uma estrela a transmitir-lhe a melhor música: Mariss Jansons.

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O Vergílio e o Sapolsky bebem Moscatel e comem Pistácios.

Entretanto vão ao teatro, ouvem Rachmaninov pelas mãos de Ashkenazy e assistem ao Bloody Sundae...

por Robinson Kanes, em 08.11.19

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Imagens: Robinson Kanes

 

 

Que poderia sobrar de um homem, em face de um irmão assassinado? os mortos cantavam a promessa, o sangue tingia a madrugada. E um deus que revivesse poderia ter anunciado a recriação do mundo, porque tudo o prometia em perfeição.

Vergílio Ferreira, in "Cântico Final"

 

 

Para este fim-de-semana, mais do que uma partilha de sentido único, decidi "convidar" alguns seguidores habituais para me ajudarem. De certo modo não foram convidados mas os gostos cruzaram-se e assim é também em espécie de dedicatória aos mesmos nesta iniciativa que já vai tendo lugar semanalmente.

 

Para uma leitura de fim-de-semana, não serão os livros ideais, mas poderão acompanhar, sem dúvida, muitos de vós durante dias e até semanas. Falo de "Cântico Final", de Vergílio Ferreira, livro que sei estar a ser lido pelo nosso amigo "Folhas de Luar". Vergílio Ferreira já é presença habitual neste espaço, por isso, nada melhor do que acompanhar Mário numa reflexão sobre arte, sobre vida e morte. Um livro forte, de 1960, e bem ao estilo que Vergílio Ferreira nos habituou.

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Também sei que o nosso amigo Vorph Valknut está a ler uma bíblia, o livro "Comportamento" de Robert Sapolsky. Sem ser indecifrável mas com um rigor extremo, já o disse, é um livro de leitura obrigatória! Tornar-nos-ía melhores seres-humanos, aliás, ajudar-nos-ía a conhecermo-nos como tal ao nível do nosso comportamento. Genial!

 

É óptimo se o nosso córtex frontal nos levar a evitar tentações. Mas geralmente é mais eficaz quando fazê-lo se tornou tão automático que já não é difícil. E em geral é mais fácil evitar tentações com o uso de distinção e reavaliação do que com força de vontade.

Robert Sapolsky, in "Comportamento"

 

Para ver? Depois da polémica da McDonald's, nada como perceber o que foi o verdadeiro Bloddy Sunday, um massacre que ainda hoje envergonha Inglaterra. A 30 de Janeiro de 1972, o IRA ficou mais reforçado na sua acção sobretudo depois do saldo se ter cifrado nos 14 mortos... 14 inocentes que se manifestavam e que viram o exército indiscriminadamente disparar sobre estes. A verdade é que apesar de tudo, a tensão, ainda hoje é latente apesar de alguma acalmia e procura de chegar a uma paz permanente. Não critiquei a campanha, mas simplesmente a hipótese do facto ter passado por tanta gente "competente" e ninguém ter percebido do que estávamos a falar... Grande e premiada obra de Paul Greengrass e que encontram no Youtube - é história e uma lição de que a liderança (hoje tão badalada) é uma coisa muito complicada. Só com David Cameron as desculpas chegaram, uma vitória tardia da justiça!

Passem também pelo São Luiz e assistam ao texto de Mário Benedetti encenado por Marta Carreiras e Romeu Costa, "Pedro e o Capitão". Ivo Canelas e Pedro Gil em altas! 

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Finalmente, algo para descontrair, uma música... Mantenho-me pelos clássicos: Rachmaninov pelas mãos de Vladimir Ashkenazy! Fica aqui um pequeno aperitivo de "Morceaux de salon, op.10"... O piano é mágico mas com notas de Rachmaninov e Ashkenazy torna-se em algo... Escutem o CD e o vosso fim-de-semana será bem diferente.

Finalmente, e para pensarmos... No país da "Web Summit", no país evoluído e da alta tecnologia, será que ninguém ainda percebeu (e já nem falo dos impactos na natureza, muito repetidos por aqui) que a subida do nível dos mares é uma realidade e portanto o novo aeroporto do Montijo tem uma duração mais do que limitada? Também no país da tecnologia é preciso que na televisão se fale de um bebé num caixote do lixo para de repente termos tanta sensibilidade quando o que não faltam são bebés para adopção mas esses estão melhor dentro de muros? Quanto vale uma "selfie" nos dias de hoje se for no momento certo, com as pessoas certas e com o circo mediático certo? E por fim... No país da tecnologia, como se esperava, e no espaço de menos de 3 meses, escuto (com muita apreensão e receio) o discurso de que combater a corrupção não traz assim grande coisa... A Universidade de Coimbra (ou parte dela) no seu eterno bafio...

 

Bom fim-de-semana.

 

Esperem! Não se vão embora... Agora é a minha vez de, com a Alice, partilhar um Moscatel SIVIPA Roxo de 2013 (ai aquele sabor de caramelo) e uns pistácios com açafrão do Irão. Agora sim, com estas iguarias podemos ir de fim-de-semana...

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