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Ցտեսություն Aznavour...

por Robinson Kanes, em 03.10.18

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Imagem: Robinson Kanes 

 

 

E acerca do grande "Formidable", não preciso de dizer mais nada!

 

շնորհակալություն Charles...

 

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Playlist para se Sobreviver 24 Horas!

por Robinson Kanes, em 25.09.18

Mais uma vez, quem está atrás de um espaço destes pode ser descoberto pelas músicas que escuta. Hoje optei por algumas músicas que escuto no dia-a-dia, que me fazem deixar para trás aquilo que não interessa e focar-me naquilo que realmente faz andar a minha vida, a minha empresa, o meu mundo... O resto é small talk. Atenção que isto é música para Homens e Mulheres, os outros, como dizia o anúncio, ainda vão ter que esperar... Prometo que hoje não coloco Bruce Springsteen, Billy Idol e outros de quem tenho falado sempre...

 

A versão original é dos Beatles... De facto, transformações a posteriori não costumam resultar, no entanto, Gary Clark Jr.  conseguiu algo de fantástico, mesmo que tenha sido para a banda sonora de um filme que deixa muito a desejar. "Come Together" é daquelas malhas que se escutam enquanto se sobe uma montanha, enquanto os pés queimam no pedal e quando só a terra, o pó e a pedra são a única coisa que nos faz sentir a verdadeira natureza. Música, contudo, não aconselhada para a condução automóvel!

Existem aquelas músicas que não podem estar na nossa cabeça sob pena de perdermos o controlo e desatarmos à "batatada" ao primeiro inútil que nos aparece à frente ou, quando confrontados com alguma injustiça, somos obrigados a agir. Em tempos colocava esta música bem alto em trabalhos que as equipas estavam em stress e, convenhamos, as coisas nem sempre acabavam bem, mas que o trabalho ficava bem feito, lá isso ficava... Ram Jam com "Black Betty"... Apesar de tudo, para ouvir todos os dias...

Ainda pensei no "Pour Some Sugar On Me", mas não podia deixar passar, dos Def Leppard, "Love Bites"... É bom para acalmar quando o ritmo já vai mais avançado e se a seguir se está a pensar em colocar The Who. É um pouco "Oceano Pacífico" ou até "Cidade by Night", mas vale a pena.

Cheguei aos The Who pelos ouvidos do Pereira. Com 14 ano a malta já sabia apreciar a boa música que os velhos nos deixaram e, quando a série CSI estreou e fez renascer esta malta para o grande público, foi o júbilo! Os wild boys que partia os instrumentos a renascer...Optei, entre tantos, pelo grande clássico "Baba O'Rilley". Não! Vai mesmo "Won't Get Fooled Again"!

Eric Clapton! Um dos melhores concertos a que assisti na vida foi em Maio de 2015 no Royal Albert Hall e quem era? Eric Clapton! Uma das lendas vivas do rock! Pode parecer demasiado rebelde a minha escolha mas fico com "Cocaine", afinal sempre podia ter chamado os Beatles com "Lucy In The Sky With Diamonds". Para dançar, para sobreviver ao quotidiano, simplesmente para relaxar, também dá para isso, sem cocaina... Mas com um bom moscatel de Setúbal!

Sobreviver a gente parva e idiota, aqui se inclui também a minha pessoa, requer uma boa dose de Led Zeppelin e muito "Whole Lotta Love"! Poucas palavras, simplesmente escutem o clássico mais actual que nunca!

Cresci a ouvir esta música,já ultrapassada à época e mesmo que o meu pai me dissesse que não era música mas simplesmente ruído... "Entre dos Tierras" dos Héroes del Silencio colocou uma criação espanhola como um dos grandes hits do rock! Devo assumir que foi uma companhia importante nos tempos da primeira faculdade e nas viagens à Sexta-Feira e ao Domingo que, por vários motivos, nem sempre eram cheias de entusiasmo. Obrigatória em qualquer momento, mesmo quando temos de ficar presos na cadeira... Bem presos sob pena de pegar numa régua a simular uma guitarra eléctrics e sair por aí a dançar!

Chegar vivo ao final do dia requer sempre uma pequena injecção de Lenny Kravitz! É preciso a força deste músico para nos dar uma pequena injecção de adrenalina que nos conseguer manter de pé desde as 5 da manhã até às 24 ou mais! "Are You Gonna Go My Way" é daqueles sons que nunca se esquecem e nos obrigam a bater o pé com tanta força que até incomodamos aqueles que se encontram à nossa volta, não raras vezes com cara de atum!

Não podia deixar uma lista destas sem uma das bandas que marcou uma fase mais ousada, se é que já tive oportunidade de deixar a mesma. "Firestarter" dos Prodigy, não só pelo nome que pode ser sugestivo do ponto de vista metafórico, mas também pela sonoridade. Ainda hoje é uma banda que passa bastante no carro, em casa com auscultadores, afinal não é o tipo de som para se ouvir muito alto em casa... E se por acaso existir perto um underground onde estes senhores estejam, eu por lá andarei.

Para o fim, talvez uma das melhores dos anos 90 e já com o cheiro a novo século... Uma das músicas que me acompanha desde 1999, do albúm "The Science of Things" dos Bush - "The Chemicals Between Us". É uma das companhias sempre que viajo, seja de carro, de avião ou até de navio... Dos tempos do body board só lamentava não poder utilizar auscultadores na água para ouvir esta música. De bicicleta é um perigo, tendo a entusiasmar-me e pode não ser boa ideia... Não poderia fechar da melhor forma!

 

 

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Nascido nos anos 80, não tive oportunidade de sentir aquilo que muitos dizem ter sentido e outros que efectivamente sentiram, sobretudo em relação à música. Todavia, quando temos uma irmã que poderia ser nossa mãe, aliás, duas irmãs que o poderiam ser - tenho uma sobrinha bem mais velha que eu - não é descabido que nos fique algo de ambas - e na música não foi excepção com claras influências no bom e no mau gosto musical que daí adveio.

 

Falo sobretudo da minha irmã mais nova (sendo que é mais velha que eu) e que acabou por ser também um pouco minha mãe. Na verdade, os gostos musicais desta acabaram também por me acompanhar, e nesse campo fiquei completamente marcado com os anos 80 pois cresci a ouvir muitas das músicas que foram um autêntico sucesso. Hoje, acabo por ter em mim um pouco desses sons e que também escuto não raras vezes.

 

Existe a capa de um vinyl (com Laura Braningan encostada a uma rocha) que ainda hoje tenho na cabeça e já nem falo da música. Estava sempre na linha da frente do gira-discos lá de casa, pelo menos no gira-discos da minha irmã, qual teenager rebelde. Hoje, quando passa "Self Control" de Laura Braningan, não resisto a dançar aquele estilo slow 80's. Esta música levou a que desde a infância lá solte um "oh-oh-oh oh-oh-ho" de vez em quando e sem perceber muito bem a que propósito.

Outra das músicas que me persegue e por culpa da minha irmã já vem dos anos 70 - época onde eu ainda não era sequer pensado. "Goodbye Yellow Brick Road" é um clássico de Elton John que não me é indiferente. Porquê? Pela melodia, pela entrega à música e também pela letra, foi uma das que preservei e me recorda um estilo que já não se ouve por aí... Sim, a minha irmã chegou a ter o disco do Elton com a música "Nikita" (não contem a ninguém).

Se gosto de Bruce Springsteen e venero o senhor no meio musical e não só, devo-o à paixão que também a minha irmã tinha por este senhor e que dava direito a um poster na parte interior da porta do guarda-fatos. "Dancing in the Dark" foi das que mais ouvi e é das que mais gosto... No entanto, para quem como eu adora o Bruce, não faltam bons exemplos de grandes malhas... Mais um daqueles que, cada vez que abre a boca para cantar arrasta multidões!

Outro indivíduo que não parava de tocar lá por casa era o incontornável David Bowie. "Heroes" foi uma das músicas que me acompanha desde então e que é indespensável que me apetece ouvir este senhor. Com "Ashes to Ashes" ou até "This is not America" é o complemente perfeito para um óptimo momento em que um sofá e uma boa música fazem toda a diferença na vida de cada um de nós.

Outra das boas heranças musicais que tenho da minha irmã é outro senhor que já não está entre nós: George Michael. Penso que a adolescente que foi não dispensaria algumas das suas melhores músicas. Desses tempos, pois muitas fui descobrindo, guardo sobretudo uma que ecoava bastante lá por casa, e mais tarde, acabou por dar azo a grandes conversas e dissertações: "One More Try". Nessa altura a minha irmã era uma romântica, enfim, que fazer... Hoje não é e... Não sei se isso é bom ou mau... De bom, pelo menos ficou este senhor!

Uma banda pura dos anos 80 e com letras adequadas ainda a uma época de inquietação mas de alguma esperança. Os Tears for Fears são outra daquelas bandas que muito estimo, algo ao nível dos Spandau Ballet, Duran Duran, The Clash e tantas outras que poderia enumerar. Ainda me lembrei dos Roxy Music e especialmente de Bryan Ferry, mas isso já é outro planeta. Lembro-me de ouvir sem perceber uma palavra de inglês "Sowing the Seeds of Love". Poderiam ser tantas outras, como "Everybody Wants to Rule the World", "Watch me Bleed", "Pale Shelters" ou até "Swords and Knives".

Outro mestre que não faltava lá por casa era o tio Phil. Falo de Phil Collins, não tanto na sua era Genesis, que aprendi a gostar mais tarde, mas já num Phil a solo. Lembro-me de "I Don't Care Anymore"... Não porque fosse uma música ouvida pela minha irmã, mas porque foi o mote para gostar tanto do baterista genial que também é um cantor fantástico... 

E não poderia faltar Sting... Muitas das músicas que aprecio e que fazem parte da carreira deste senhor encontram-se nos anos 90, no entanto, "Englishman in New York" ficou nos anos 80 como uma das grandes músicas do século. Foi com esta música que conheci Sting e contribuí para preservar mais um vynil da minha minha irmã na colecção lá de casa. Mais uma daquelas vozes cujo paralelo teima em aparecer. Uma música para verdadeiros cavalheiros...

Mas nem só de coisas boas foram feitos esses tempos - cresci traumatizado pela paixão parola que a minha irmã tinha por um dos vocalistas dos "Modern Talking" - o senhor moreno de cabelos compridos. Com direito a poster, um pouco contra a vontade do meu pai, lá tive de olhar para aqueles discos todos e crescer ao som de "You're my Heart, You're my Soul". Pior não poderia ser e, além do hit anterior, sei de cor músicas como "Brother Louie", "Cheri Cheri Lady" e até algumas partes de "Lady Lai"... Sim... A minha irmã é parola e contagiou-me com os Modern Talking, fantástico não é? Não...

Esquecendo um pouco a vergonha que já passei, termino com algum bastante melhor: INXS. É claro que a minha irmã só aparolou a sério a partir dos 28, ou seja, até lá teve muitas coisas mais... Cool? "Mistify" foi uma delas. Mais uma daquelas músicas para se ouvir enquanto se conduz, quando apetece bater em alguém ou então simplesmente quando nos apetece ser rebeldes lá por casa...

Poderia falar de mais, e talvez volte a falar, mas para já estas dez músicas já mostram um pouco do que ía, e de certo modo, ainda lá vai por casa.

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Playlist para uma Noite de Verão...

por Robinson Kanes, em 13.07.18

A caipirinha está pousada na mesa. Hora de repousar depois de mais um dia de trabalho que acabou com o pilão a triturar as limas que irão apimentar ainda mais a bravia cachaça. Não estamos em Manaus, não é uma daquelas noites húmidas em que ouvimos toda a floresta a pronunciar-se... Desta varanda, surgem talvez mais algumas músicas que me marcam e que, mais uma vez, talvez digam um pouco de quem se esconde por detrás de meia dúzia de teclas.

Começo por uma das minhas cantoras preferidas, uma surpresa "recente" que é companhia não só em noites de verão mas também durante o trabalho. É impossível não ficar bem disposto com esta voz, com estas letras... É impossível não nos deixarmos contagiar por Natalie Lafourcade! Esta senhora mereceria só um artigo, quiçá o venha a ter. Se tenho de escolher uma música, pois que para esta noite de Verão na varanda ou até para uma óptima festa entre amigos ou num lugar desconhecido, só poderei destacar "Tú Sí Sabes Quererme". Uma das músicas que mais bem disposto me deixa e, acima de tudo, faz mexer os pés de chumbo. Adoro Natalie Lafourcade!

Lembro-me agora dos Beirut. O fim da faculdade serviu de mote para conhecer esta banda. Desde aí nunca mais os deixei... Tudo começou com "Elephant Gun" e desde então têm merecido destaque na prateleira de CD cá por casa. É sem dúvida uma das mais conhecidas, mas não poderia deixar escapar. A sonoridade eslava misturada com os balcãs produz uma melodia única. Num ritmo único, devemos deixar que nos acompanhe numa noite de verão ou numa longa viagem... Uma viagem pelas nossas vísceras, pelo nosso ser, pelas nossas emoções.

 Talvez não seja a melodia mais animada de todas e muito menos seja o ideal para uma noite de Verão - mas Julho tem o dom de ser também um mês maldito. Existem recordações que não se podem varrer para debaixo do tapete e existem músicas que nos acompanham nessa dor que por vezes teima em ocupar um espaço de tranquilidade e felicidade, afinal também não será ela parte dessa mesma felicidade? Tenho em "Porz Goret" de Yann Tiersen uma dessas companhias para esses momentos. Gosto do lado mais intimista de Yann Tiersen, longe daquela mescla pseudo-contemporânea que defrauda os amantes de "Amélie". Gosto deste Yann Tiersen, grande músico e compositor.

E o calor só me consegue lembrar aquelas noites quentes andaluzas ou a temporada passada em Barcelona. Para isso nada melhor que "Noches de Andalucia" de Govi. Por incrível que pareça, não é andaluz e muito menos espanhol, é mesmo alemão. Se é bom recordar as noites quentes do sul de Espanha, então esta será uma das melhores escolhas.

Uma noite quente de verão não pode descurar o calor do sul de França e da bela cidade portuária de Marselha! O mediterrâneo moderno, juntando o calor de África e a paixão europeia fazem surgir Soha que nos convida para o "Cafe Bleu". Se falamos de recordações, pois bem, deixemos que Marselha surja também nos meus pensamentos.

Entra a alemã de copo na mão e diz a brincar que parecemos dois bêbados tal é o consumo lá por casa, subentenda-se um copo de caipirinha cada um. E aqui as coisas animam, muda a música e entra um dos senhores venerados cá de casa, Billy Idol e o "Dancing with Myself". Não está nada mal... Deixo ficar e começo a mexer-me.

E agora as coisas mudam e o ânimo vai sendo uma constante. Com a alemã ao leme entra um daqueles senhores que nos faz assistir a todos os seus concertos de norte a sul do país: Lloyd Cole. E claro, não poderia deixar de ser "Jennifer She Said". Recordamos os concertos e como este senhor é em palco desde os tempos dos "The Commotions". Palavras para quê... Se eventualmente o indivíduo que me assaltou o carro estiver a ler, devolva-me um dos CD do Lloyd Cole que teve a gentileza de tirar do meu porta-luvas naquele fatídico dia.

Uma playlist por aqui não poderia deixar de contar com uma música italiana, talvez uma das melhores da nova geração: Annalisa com "Scintille". Uma música que me deixa a levitar e uma óptima companhia para trabalho e claro está, para aquelas noites de verão na companhia da bendita caipirinha ou então do mero copo de água, pois o calor pode ser tanto que a água é mesmo a melhor escolha. Annalisa é das vozes mais belas e genuínas do cenário musical italiano... Ainda longe de Giorgia, mas uma "concorrente" interessante.

 E noites de calor não podem deixar de me chamar ao continente mãe, aquele continente aqui tão perto e que é África. Apesar de nascida em Londres, é impossível não ver o rosto de África na voz de Sona Jobarteh. Escolhi uma das músicas que mais gosto e que dá nome também às origens desta intérprete: "Gambia". Uma música que nos transporta para as ruas das cidades de muitos países africanos e retrata as verdadeiras origens musicais sem importações baratas que acabam por fazer sucesso em países... Como o nosso?

Finalmente, a fechar esta playlist, e não sendo propriamente um motivo de orgulho, nenhuma noite de verão pode ficar sem Barry Manilow... Não só porque é uma daquelas músicas "à velho" que não abona muito a favor de quem tinha idade para ser filho ou neto do mesmo mas também porque nos leva a "Copacabana" e nos recorda também aquele verão carioca de 2017 onde a caipirinha eram bem melhores que a minha...

 Bom fim de semana,

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"Playlist" para uma Madrugada...

por Robinson Kanes, em 05.06.18

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Fonte Imagem: GC 

 

 

Ultimamente a condução noctura e madrugadora tem feito parte da minha vida... As saídas tardias atiram-me para uma necessidade de escape mesmo que entre o asfalto e o conforto dos estofos. Tenho aproveitado, sobretudo, para ouvir algumas músicas que vão compondo a minha playlist ao longo dos anos e assim podendo também partilhar um pouco do que vou sendo por aqui, posto que não é propriamente a minha imagem de marca... 

 

Este Sábado, e já passava das três da manhã, uma marginal junto ao mar e a Lisa Ekdahl a adivinhar o início de um novo dia com o seu "Daybreak". É uma música de amor, mas tem o seu quê de boa disposição, que nos faz mexer no banco do carro, na cadeira ou até de pé no escritório ou seja lá onde for, além disso... Música simples, mas apaixonante e que nos carrega baterias na madrugada rumo a um novo dia ou a um novo beijo ou abraço.

E como estamos numa onda de vozes femininas que podem preencher os bons momentos de uma madrugada não poderia deixar uma descoberta já com o seu tempo... Falo de Sophie Milman e "Something in the Air Between Us". É impossível resistir ao amor e ao romance, mas afinal, é isso que nos pode esperar quando a cacimba nos afronta o vidro do carro e nos obriga a um esforço extra de condução até um destino em que o ar está recheado de sentimentos de paixão.

Uma das minhas músicas de eleição dentro do registo "Oceano Pacífico" teria de ter destaque numa madrugada ao volante: Cutting Crew e "I've Been in Love Before". Não vivi propriamente os anos 80 como o viveram muitos, até porque nasci em meados dessa década, no entanto, tenho de reconhecer que acabaram por fazer parte da minha vida. Foi uma espécie de últimos anos de boa música - a prova disso é o impacte que ainda hoje têm face a "êxitos" actuais que são facilmente esquecidos. No entanto, quando temos irmãs que têm idade para serem nossas mães, acontece que possamos ser muito influenciados pelos gostos das mesmas. Não conheci esta música nos anos 80 e muito menos nos anos 90, no entanto é uma daquelas que nos faz dançar na sala, entre um Rosso e um Bianco ou então enquanto preparamos o jantar com quem gostamos. Presença obrigatória cá por casa.

Outra das músicas que obrigatoriamente devem preencher uma madrugada é "My Valentine" de Paul McCartney. Ouvi esta música pela primeira vez ainda não tinha saído, ouvi-a por acaso perto de Bath e nunca mais me largou e obrigou à compra de um brilhante disco de McCartney, "Kisses on the Bottom". Quando pensamos que este senhor já não nos pode surpreender aí está mais uma grande música! Tenho uma tendência para descobrir sempre os novos lançamentos de McCartney fora do país, um dos últimos foi em Berlim. Mais uma que não deixa de tocar por estas bandas... Influências do amor, quiçá...

Uma madrugada ou até uma noite tranquila, ou onde os pensamentos dominam o nosso espírito, ou onde até um bom momento com quem amamos tem lugar não pode ficar completa sem "Hold On My Heart" dos Genesis! Do albúm "We Can't Dance" é sem dúvida um dos hinos à música! É a sonoridade ideal para acompanhar a luz dos faróis entre curvas e rectas até ao destino que nos acolhe. De deitar na cama ou até de sentar no sofá após o regresso e permitir, ainda com a melodia nos ouvidos, que possamos deixar que a nossa mente ande por aí a vaguear num turbilhão de emoções e pensamentos enquanto o corpo relaxa.

Diana Krall e "The Look of Love", mais um albúm que habita cá em casa. A música, a voz de Diana Krall e tudo o resto dispensam palavras... Desde sempre uma presença obrigatória no carro, em casa e onde quer que esteja! Palavras para quê, simplesmente brilhante.

Regresso aos anos 80 para mais um albúm que tem presença cá em casa, sobretudo com a música "Everybody Wants to Rule The World". Conhecida sobretudo pelo seu ritmo e sonoridade, a letra desta música dos Tears For Fears permite-nos retirar um pouco mais de sumo daquilo que nos é apresentado.

It's my own desire
It's my own remorse
Help me to decide
Help me make the most Of freedom and of pleasure
Nothing ever lasts forever
Everybody wants to rule the world

É uma daquelas músicas que nos atira para a frente, que nos fazer erguer a cabeça e nos acompanha em qualquer viagem... Seja nesta madrugada ao volante ou então nessa viagem bem mais curta... Sim, bem mais curta que é a vida.

Outro dos meus cantores e músicos preferidos, aliás, com todos os albúns presentes na sala, é Peter Cincotti. Devo esta descoberta à "alemã" que trouxe até mim este senhor. Foi sem dúvida uma das melhores descobertas no mundo da música, pelo menos para mim. Optei por escolher uma que também me acompanhou esta madrugada, embora possa enumerar um sem número de músicas que me apaixonam - "Madeline" do albúm "Metropolis". Poucos hoje em dia conseguem conjugar a autoria, composição, interpretação instrumental e vocal como Cincotti. Sem dúvida um músico a acompanhar.

Não sou propriamente o maior simpatizante dos The Cult, mas não me é permitido não gostar de "Painted On My Heart". Foi banda sonora do filme "Gone in 60 Seconds" e embora o filme não seja propriamente brilhante, a música é qualquer coisa. Mais uma daquelas que se gosta e, talvez nesta madrugada, apesar da cacimba, convidasse a apertar um pouco mais o acelerador. Eu sei que não é o melhor conselho, mas quem nunca prevaricou que atire a primeira pedra...

Finalmente, e já com o lar bem perto, seleccionei Dave Matthews Band. É talvez daquelas bandas que é giro gostar-se, no entanto existem aqueles que, como eu, e perdoem-me a sobranceria, gostam, apaixonam-se e não mais conseguem largar este contágio. Conheci a banda com a música que apresento aqui: "The Space Between". Dave Matthews Band surgiu numa fase algo estranha da minha vida - não posso dizer que foi boa ou má, foi estranha e não terá sido no mau sentido, deduzo... São épocas em que conhecemos tantas pessoas, sobretudo mais velhas que nós, e que aprendemos tanto que chega a ser complexo fazer uma gestão de toda essa carga de vida que existe à nossa volta... Uma espécie de retalhos de diferentes vidas que observamos - quando ainda nós não temos a nossa vida propriamente definida, se é que algum dia a temos. Chamem-lhe maturidade, vivência, experiência ou simplesmente palermice... Mas é assim...

 

 

 

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Entre Notas e Folhas...

por Robinson Kanes, em 22.05.18

 

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 Fonte: Própria

 

 

De costas ou de frente, duas das minhas grandes companheiras de momentos mais calmos ou mais tensos - nem sempre a paz é sinónimo de tranquilidade - são duas árvores que tenho em frente de casa... Escondem os caixotes da reciclagem, a vizinhança, e acima de tudo, a par do relvado, trazem o verde da natureza e o chilrear dos pássaros até mim. Foi neste sentido, que volto a uma espécie playlist", pois diz-se que as músicas que ouvimos, os livros que lemos e as pessoas com quem confraternizamos dizem muito de nós...

 

Entre notas e folhas, não poderia deixar de ter em mim uma música e um compositor que me atormenta, que me desperta um sem número de emoções boas e más e que tão apaixonadamente tenho vindo a falar. Ficou conhecido do grande público com a banda sonora do filme "The Intouchables", no entanto já era uma presença assídua cá por casa. Escolhi, de Ludovico Einaudi, uma das mais conhecidas: "Time Lapse" - do albúm "In a Time Lapse" e que me permitiu vibrar num dos concertos que assisti deste compositor e músico brilhante. Por sinal, a capa do albúm "In a Time Lapse" é uma árvore.

Talvez porque as folhas se agitam em diferentes movimentos ao som do seu maior maestro, o vento, diria que hoje esse actor se lembrou de uma valsa. Não poderia deixar de escutar o grego "Yorgos Kazantzis - Waltz of Utopia". Além de ser uma composição que me faz andar para trás na idade, transmite-me a impressão de ser o único ainda a acreditar em utopias num mundo onde todos já em nada acreditam. Gosto dessa sensação, apesar de tudo... Talvez o único com visão num mundo ao estilo de "Ensaio Sobre a Cegueira". É como me sinto ao som desta valsa, sem bicos de pés.

E se é de valsas que falamos, continuo na música instrumental e num compositor que me surgiu aquando da visualização do filme "Old Boy". Um filme coreano que só conheci em 2007 e cuja banda sonora me encantou - o responsável foi outra presença interessante na discografia cá de casa:  Jo Yeong-wook. Desse filme surpreendente ficou-me a composição "The Last Waltz". Existem músicas que nos apaixonam sem sabermos porquê, mas apaixonam mesmo. Esta é uma delas e acaba por ser uma das melhores companhias em trabalho, em casa ou quando o estado de espírito pede algo...

Devia chicotear-me do porquê de ainda não ter falado de Michael Nyman, esta é uma das paixões comuns cá de casa e se me perguntarem agora, enquanto os meus olhos deixam o monitor do laptop e olham o dia quente lá fora, só me posso lembrar de "Memorial for Large Ensemble", mas poderiam ser tantas. Ver Nyman ao vivo é também acreditar que ainda existem verdadeiros cavalheiros no mundo da música...

Uma outra música adveio de uma peculiar história. Conheci Craig Armstrong através de um CD que alguém não quis e abandonou. Foi uma surpresa singular e que ainda hoje preenche muitos serões e manhãs! Aqui, a escolha óbvia é "This Love" - não poderia ser outra... Uma companhia interessante também para a condução quando a noite já é manhã... Mais uma daqueles músicas que se gosta e pronto... Sem grandes histórias, simplesmente agradável e apaixonante.

Com a lista a meio, não poderia deixar passar uma ária - "Vesti la Giubba" da ópera "Il Pagliaci" de Ruggero Leoncavallo. A ópera maldita para o compositor que, talvez de tão boa que foi, jamais conseguiu ser igualada e colocou Leoncavallo no campo dos mais injustamente excluídos da época. Além desta ópera de um único acto ser uma interessante lição de vida, a ária em si é também uma inspiração para mim... Sobretudo nos momentos difíceis em que temos de nos levantar e rir, mesmo quando as emoções estão a um nível de destruição que só nos apetece levar tudo à frente ou cair na agonia. "Vesti la Giubba" reúne todo este contexto e atira-nos para o papel do infeliz Canio e coloca-nos a rir da nossa dor.

 

Ridi, Pagliaccio,
sul tuo amore infranto!
Ridi del duol, che t'avvelena il cor!

 

Escolhi talvez, o melhor intérprete desta ária para exemplo...

Regresso a uma das músicas que tem sido uma presença ao longo dos anos na minha vida, talvez pelo compositor, talvez pela melodia, talvez pelo carácter disruptivo desse mesmo compositor, talvez porque é uma obra-prima e... Talvez porque surgiu numa altura da vida em que também eu passei pelo mesmo sentimento de Astor Piazzolla e pude, com o compositor, partilhar essa dor... "Adiós Nonino"...

Faltam três músicas e tantas vou esquecer, mas talvez uma das escolhas óbvias seja, mais uma vez, "Il Postino", de Luis Bacalov. Já falei do filme e da música por aqui, mas penso nunca ter falado de uma das minhas interpretações preferidas e que tive oportunidade de conhecer quando adquiri o albúm "In Cerca Di Cibo" de Gianluigi Trovesi e Gianni Coscia. Gosto deste duo, gosto da dinâmica entre o clarinete de Trovesi e o acordeão de Coscia. Dispensam-se mais palavras... Embora exista uma outra versão verdadeiramente arrebatadora - um dia falarei dela.

A oitava música... Talvez uma daquelas que faz parte da vida de quem já teve oportunidade de escutar Ryuichi Sakamoto. Presença habitual por Portugal, Sakamoto tem um estilo próprio que me prende, embora não seja apaixonado por compositores do género - e sim, sei que já falei de um lá para cima. Recordo-me, e vou até colocar o CD, nesta passagem... "Energy Flow".  Gostar de Sakamoto é ser pseudo-intelectual, mas enfim... Nem todos somos brilhantes...

E já que estamos por aqui, vou continuar por Sakamoto e uma das músicas que anda pelo top cá de casa, não só pelo filme onde marcou presença ("Babel") mas também pelo encanto e mistura de emoções que também provoca. Não é propriamente alegre, mas sem dúvida marcou uma certa fase da minha vida, seria injusto deixá-la para trás. Proibido não ouvir, pelo menos por estas bandas... O vento está a ficar mais forte, é preciso contrariar o movimento das folhas com a suavidade das notas...

 

Boa semana...

 

P.S: Falar de "Babel" e não falar de Gustavo Santaollalla não deveria ser permitido, mas um dia terá o seu merecido destaque.

 

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"Playlist" para um Martini Rosso...

por Robinson Kanes, em 02.05.18

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Fonte da Imagem: https://www.gutekueche.at/cynar-martini-rosso-rezept-23200

 

 

Um copo de Martini Rosso pode durar uns segundos... Pode durar minutos... Pode durar uma hora... Um copo de martini on the rocks acompanhado pela música ideal pode durar uma noite... É com este copo de Martini que respondo a um desafio colocado por email, como forma de partilhar um pouco de mim, embora noutros moldes, e vos deixo a minha playlist para esse momento... Para essa noite, onde algumas nuvens escondem as estrelas e o silêncio daquela varanda deixa que cada acorde se funda entre a laranja e a mistura alcoólica.

 

"The Cinematic Orchestra - Arrival of The Birds & Transformation" - Do documentário "The Crimson Wing: Mystery of the Flamingos". Com a Reserva Natural do Estuário do Tejo tão perto, a banda sonora deste documentário leva-me para perto daqueles seres que vejo todos os dias palmilhando as salinas em busca de alimento ou efectuando um dos voos mais coloridos e belos do mundo. A melodia é fascinante e já foi aproveitada também para anúncios televisivos.

 

 

"Ennio Morricone - Deborah's Theme" - Outra banda sonora - do filme "Once Upon a Time in America" que conto falar aqui e uma obra-prima de Hollywood. Enriquece uma qualquer noite, um qualquer espírito. Não poderia deixar Morricone de fora, para mim, o grande do século XX! É preciso ver o filme e deixar que a noite na varanda, de Martini Rosso como companhia tenha uma pequena aragem... Suave... O suficiente para conter algumas emoções que poderemos não controlar.

 

 

Em continuação pelos italianos, não poderia deixar escapar "Ludovico Einaudi - I Giorni". Talvez porque representa tudo aquilo que a música de Einaudi nos dá. Cá por casa não faltam discos do compositor que já tive oportunidade de ver ao vivo. Paz, reflexão, pensamento, espaço para muitos dos artigos que escrevo...

 

 

"Sergei Rachmaninoff  - Concerto para Piano nº 2" - É entrar nos clássicos, no entanto, não poderia ficar de fora um dos meus compositores de eleição. A pureza da música é qualquer coisa de maravilhoso, a doce serenidade com que Rachmaninoff nos contagia, mesmo quando os acordes se tornam mais violentos e dolorosos é algo ao alcance de poucos compositores! Tem o seu lugar de honra cá em casa, sem qualquer dúvida... E também no porta-luvas do carro, quando nos entregamos a algumas paragens técnicas para... respirar... O "Concerto para Piano nº 2" porque foi uma das primeiras obras que ouvi do mesmo e a sinto tão actual... Uma curiosidade, vão reconhecer o "All by Myself" em algumas passagens.

 

 

"Ennio Morricone - Malena" - Malena é uma daquelas músicas apaixonantes, sobretudo se conhecermos o filme e os locais onde o mesmo foi gravado. É, para mim, regressar à Sicília, sentar-me na "Scala dei Turchi" e atirar as "folhas" deste blog ao mar. É regressar a Siracusa, é percorrer a Sicília e viver uma história de amor e encanto. É ouvir e sentir aquelas sensações que só Morricone nos consegue trazer. É uma certa nostalgia de quem não tem idade para ter nostalgia... Uma das melhores músicas de sempre.

 

 

"Sting - Shape of my Heart" - A fugir ao padrão, numa noite em que se contempla o céu, esta é uma daquelas músicas que não pode faltar. Vale o que vale e dispensa palavras, nem tudo tem de ter uma explicação.

 

 

"Eleni Karaindrou - To Vals Tou Gamou" - Outra das minhas paixões, Eleni Karaindrou. Conheci-a com a banda sonora do filme "Eternity and a Day" e desde então nunca mais a larguei. A sonoridade grega e turca, um passado pouco longínquo e uma riqueza ímpar tornam a suas músicas património da Humanidade! "To Vals Tou Gamou" é sem dúvida uma obra singular e que merece um trago especial deste Martini.

 

 

"Bruce Springsteen - Streets of Philadelphia" - Na varanda, com as ruas lá fora, com uma certa paz reinante, não poderia deixar passar esta música do rei! Uma música fantástica, uma melodia única de um dos poucos que ainda vai fazendo verdadeira música por esse mundo fora, sobretudo numa vertente mais "comercial". Um hino e uma das músicas que marcou a minha infância, mesmo quando nem eu próprio percebia bem o que a mesma queria dizer.

 

 

Faltam duas para as 10 músicas? Pois continuarei a fazer render o copo... Outra composição que não poderia deixar sem passar, e voltando a Itália é "Pietro Mascagni - Intermezzo/Cavalleria Rusticana". É uma das mais belas melodias alguma vez criadas! Retirada a obra com apenas um acto "Cavalleria Rusticana" é um hino ao amor e à paixão, embora no contexto da obra surja após Santuzza revelar a Alfio a traição de Lola! É um outro regresso à Sicilia, mas também uma apaixonante e reconfortante melodia para contemplar enquanto as nuvens vão deixando espaço para as estrelas... Sublime!

 

 

 E finalmente, porque a noite já vai longa e só a rodela de laranja dá cor ao copo, só resta espaço e força para a versão de "Peter Gabriel - The Book of Love". Talvez uma das músicas mais românticas e que, com a voz de Peter Gabriel, se transforma definitivamente em algo de divino! Peter Gabriel tem esse poder, de transformar a música e de a tornar em algo tão complexo que fascina pelo modo como depois a encontramos tão simples e tão facilmente audível.

 

 

 Uns bons momentos para todos...

 

 

 

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"Amarcord"

por Robinson Kanes, em 01.05.18

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Fonte da Imagem: https://www.moma.org/calendar/events/1506

 

 

Talvez de que somos, o somos por efeito do que se é e não do que se acumula sobre isso. O que se acumula apenas coordena o que já se é ao nível a que se vai ser.

Vergílio Ferreira, in "Conta Corrente IV"

 

 

A minha paixão por filmes italianos não é novidade, sobretudo se caminharmos alguns bons anos para trás, anos em que nem eu era sonhado!

 

No entanto, juntar num só filme Frederico Fellini e Nino Rota, o resultado só pode resultar num Oscar de Melhor Filme Estrangeiro - "Amarcord" é um desses exemplos! A banda sonora nunca mais nos sairá dos ouvidos!

 

Passado no Borgo San Giuliano perto da Rimini dos anos 30, acabou por ser uma inspiriração de Fellini, baseada na infância do mesmo, até porque "Amarcord" vem do dialecto romagnol e quer dizer algo como "eu lembro-me".  Estamos perante um número de personagens (a adolescente e a sua família, o acordeonista, a bonitona da cidade, os defensores dos bons costumes...) que é afectado nas suas vidas pela itália fascista dos anos 30. É um filme que nos mostra um pouco a realidade da época, quer do ponto de vista do indivíduo quer da própria presença do mesmo na comunidade.

 

 

Não é um filme com uma história fascinante mas que vale pelo que é - deixo-me portanto - de grandes divagações.

 

Deixem-se envolver por uma Itália de outros tempos e pela música de Rota, já será o suficiente para apreciar uns minutos mágicos...

 

Bom feriado...

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"Hold On"...

por Robinson Kanes, em 01.02.18

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Fonte da Imagem: Própria.

 

Estava agora a ouvir umas músicas no laptop (computador, mas laptop é fancy assim para o cool style, vintage a apelar ao fashion) enquanto terminava um projecto, e dou comigo a ouvir e a recordar uma música... Ainda por cima daquelas que tenho guardadas na pasta onde se encontram alguns dos meus maiores segredos (maus).

 

Esta era uma daquelas músicas que imperativamente constavam na pasta do nosso grupo de amigos lá de casa, aquando do meu primeiro curso... E sim, tenho de confessar que esta se encontrava numa pasta partilhada em rede que era o "Best of ir ao... frango ainda jovem".

 

Sim, já estou a dar cabo da reputação ao dizer que sei de cor o refrão...

 

"Hold on to me.
Yeah, and I said, hold on.
Ev'rything's gonna be alright,
Just hold on to me tonight."

 

De facto, era daquelas músicas que lá passavam por casa e punham o João a pensar na namorada que estava longe, ou então que me davam uma certa vontade de sair e conhecer a mulher dos meus sonhos numa noite estudantil recheada de copos, cheia de podridão e pouca vergonha... A mulher dos meus sonhos que iria aparecer com uma valente carraspana e desejar-me para sempre...  Não...

 

De facto, como tantas outras músicas, eram estas que ouvíamos quando já não queríamos saber se tinhamos aquele ar de reguilas ou nos orgulhávamos do Honda do João me ter ultrapassado a 220km/h quando eu já ía no 206 a 160km/h e a fazer voar os plásticos do pára-choques, os faróis e tudo o resto - mas sempre com uma sinfonia de Beethoven como fundo - há que ser mauzão mas com classe. Naquele momento éramos românticos... Apaixonados até... Era o momento em que o João até falava em casar... E casou! Sim, casou... Agora fiquei com vontade de ouvir John Williams e a banda sonora da Lista de Schindler.

 

E é com o Jamie Walters que me preparo para desligar o computador (laptop tem qualquer coisa, não tem?)...

 

 

 

P.S: se alguém descobrir a minha identidade, aviso já que negarei a autoria deste artigo e ainda irei alegar que me piratearam a conta no SAPO.

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A Tunísia de Brahem...

por Robinson Kanes, em 12.01.18

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 Fonte da Imagem: Própria

 

A Tunísia, um país lindíssimo, está de novo num turbilhão interno de contestação. Podemos invocar muitas razões de um lado e de outro. Num país como este, nem sempre é fácil trazer algumas das linhas orientadoras do ocidente no que toca à gestão económica e política. Esta estabilização nunca foi fácil, até porque o aumento de preços e outras medidas que exigem sacrifícios a uma população, já por si pobre, tem consequências... Consequências maiores, sobretudo quando a corrupção volta a ser um dos actores principais – é interessante ver os tunisinos na rua a pedirem o fim da corrupção e nós por cá a acolher a mesma de braços abertos...

 

Aguardemos pelo futuro, até porque ainda temos bem presentes os reflexos da “Revolução de Jasmim” e dos ecos que a mesma teve, mais tarde, em países como Egipto ou Síria.

 

 

Mas é sexta-feira, vésperas de fim-de-semana. Da Tunísia - além das belas paisagens, património e da Medina de Tunes - recordo Anouar Brahem e os sons do seu “oud” que não deixam ninguém indiferente a uma cultura poderosa, antiga e forte.

 

Mais uma vez, este ano, talvez tenha oportunidade de voltar a ouvir tão envolventes sons, quiçá em em Abril, na Fundação Calouste Gulbenkian.

 

Por isso vos sugiro... Atravessem o Mediterrâneo, lentamente... Sem pressa... Para que os sons vos cheguem embalados pelas ondas que chegam e balançam num, nem sempre amigável, choque de culturas.

 

O “oud” de Brahem é mágico, e entre muitos que poderia recomendar, escolho o álbum de 2006, “Le Voyage de Sahar” que ainda esta semana voltei a colocar na leitor e a ouvir, deixando-me navegar, calmamente, entre os gritos da contestação de um povo, mas também da sua força e da sua cultura, tal como Sahar...

 

 

Façam esta viagem... E se tiverem que escolher... “Sur le Fleuve”, “L'Aube”, ou porque não, “Les “Jardins de Ziryab”.

 

Bom fim-de-semana,

 

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