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Ribadesella e uma Praia Asturiana...

por Robinson Kanes, em 19.08.19

ribadesella_asturias.jpgImagens: Robinson Kanes

 

A vida é feita, bem o sabemos, de pequenos nadas que é o que mais conta para o nada que somos no fácil e correntio.

Vergílio Ferreira, in "Conta-Corrente III"

 

As montanhas estão cada vez mais perto, aliás, em Llanes já se mostravam na sua supremacia terrestre suprema mas, e embora uma paixão pela altitude e pelos mistérios dos montes, custa-nos deixar o mar... E é por isso que seguimos o "Sella" até Ribadesella!

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Custa-nos deixar o forte aroma que vem do Cantábrico e talvez por isso fiquemos presos a Ribadesella, mais um pequeno porto, mais um pequeno estuário, mais um encontro entre os pálidos rios da montanha e o mar em toda a sua força - até "esquecemos" o Património da Humanidade, a "Cueva de Tito Bustillo" e nos deixamos encantar por um passeio na marginal junto ao rio (o "Sella"). Caminhamos até onde este beija o mar, uma caminhada na areia ("Playa de Santa Marina") onde também partilhamos um beijo celebrando esse encontro e onde o vento faz convidado.

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Ribadesella é aquele local de veraneio com cariz de norte da Europa, afinal os Picos da Europa estão mesmo ali, Cangas de Onis (uma das portas de entrada) é bem perto... As casas demonstram um apetite das famílias pelo local e também da própria aristocracia, afinal estamos num Principado onde a comunhão de um povo de forte e nobre raça se une a uma aristocracia secular.

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Mais uma sidra? Ainda é cedo e a tortilla de Llanes ainda faz "estragos" no estômago. Contemplemos o mar e aproveitemos para percorrer a cidade, junto às docas, cheira a peixe fresco que trocou as caixas de madeira pela esferovite...

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Despedimo-nos de Ribadesella com um até já, até porque temos curiosidade com o pôr-do-sol. Mais uns quilómetros, mais uma alteração de planos, se é que os mesmos existem... Não resistimos, contudo, e queremos terminar a manhã junto ao mar... Acabamos junto a uma praia, uma praia asturiana com uma "Estrella Galicia" na mão e um sorriso a cada gole enquanto alguém, ao longe... tal como nós, conversa com o mar e deste recebe em troca toda a sua venustidade. Recordo Michael Nyman, aliás, Michael Nyman pelas mãos de Valentina Lisitsa com "Time Lapse" - banda sonora do filme "A Zed & Two Noughts". Porquê? Não sei... 

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Playlist para um dia de Verão Pós-Laboral...

por Robinson Kanes, em 06.08.19

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Imagem: Robinson Kanes

 

 

Já lá vão uns tempos que não partilho um pouco de mim... Por norma, um pouco através da música e daquilo que nos transporta para outras dimensões do pensamento... Sem sair da realidade...

Um fim de tarde de Agosto... A varanda... Uma cadeira e a vista para lá, entre as duas árvores que sombreiam os melros no solo e acolhem o rouxinol que simplesmente fez um contrato com alguma editora e nos dá música o dia inteiro. 

Mas o que se ouve enquanto o copo com vinho branco já perde a sua frescura e pede um gole rápido para voltar a receber a frescura de um néctar alentejano?

 

Começo com a Andrew Bird, a noite ainda não chegou, talvez seja uma ótima transição para a azáfama de um dia que parecia não ter fim... Com esta música ficamos com a sensação de que o mesmo tende a não terminar, efectivamente... Mas terminamos numa paz onde a esperança reina, sobretudo em tempos conturbados. Se puderem, visitem a letra desta música, "Bloodless".

"Há o desejo, que não tem limite, e há o que se alcança, que o tem. A felicidade consiste em fazer coincidir os dois", quem o disse foi Vergílio Ferreira na "sua" "Conta Corrente IV"... Michael Kiwanuka com "Love and Hate"

Começo a perceber que o fim de tarde não será de grandes saltos... Será do vinho? Fresco, mas tranquilo na forma como nos acalma... "I Go to Sleep" dos "The Pretenders". Ainda é cedo para recolher a Morfeu mas nunca é cedo para ouvir esta música, nunca é cedo para nos deixarmos adormecer e acordar na manhã seguinte... Escutem a letra...

Continuo perdido em décadas distantes, mas o sol, a preparar o seu caminho até desaparecer faz-nos lembrar que, de facto, "Always the Sun" é que nos torna melhores... Não o astro, mas talvez aquele sol que podemos ter em cada um de nós. Fica o tema maior dos "The Stranglers".

O meio da lista deverá ser uma transição e a escolha passa por uma daquelas músicas que associo sempre a um fim de tarde na praia, antes de recolher e deixar que a noite se prolongue enquanto, sentados, entre amigos, vamos deixando que a espuma do mar, mesmo ali à frente da esplanada seja testemunha de momentos que, por certo, um dia vamos recordar certamente... Kings of Convenience com "Misread". Sabe bem dançar esta música, mesmo com os pés cravejados de bagos de areia.

O Verão, vida... Paixões e saudades, mesmo que os pés estejam sempre lá. Sons de Espanha, de Barcelona... E música para apreciar o vinho a rodar no copo numa dança frenética com o vidro!  Jarabe de Palo, com "La Flaca"...

Por un beso de la flaca daría lo que fuera
Por un beso de ella, aunque sólo uno fuera
Por un beso de la flaca daría lo que fuera
Por un beso de ella aunque sólo uno fuera
Aunque sólo uno fuera

"Seremos amanhã uma grande noite. E numa noite espessa é mais visível um fósforo aceso que um grande monumento às escuras". Novamente Vergílio Ferreira e "a" Conta Corrente IV... Obrigatórios até porque estão em cima da mesa, lá atrás... O mote para esta música e para continuar em Espanha com os Vetusta Morla e "Golpe Maestro".

De regresso à língua inglesa, trago para junto dos ouvidos os James. "Born of Frustration" é talvez uma das músicas mais conhecidas de uma banda que apaixona e sobreviveu a um certo hype que abundou há alguns anos e onde só algumas bandas conseguiram perpetuar a sua música. O copo abanou, é certo... Por pouco não se entornou o precioso néctar!

Para que não digam que não escolho música portuguesa e porque a noite mostra agora todo o seu negro contrastante com as estrelas e as luzes da cidade, "Nightfalls" dos "Best Youth"... Eu sei, eles não cantam em português, mas devo admitir que não é uma língua que me apaixone em termos de música. Os Best Youth são talvez uma das melhores bandas da actualidade e que poderiam estar noutros caminhos, bem mais altos...

Tenho de fazer isto acabar em grande... Talvez acabe com a banda que me acompanhou ontem durante uma boa parte da manhã . e assim ficamos com o mote para ainda aproveitar esta noite que promete ser quente... Tame Impala com um dos seus grandes hits, "Let it Happen". Move that body e dia 09 deste mês lá estaremos em Helsínquia no "Flow Festival"...

Apreciem o fim do dia...

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Imagens: Robinson Kanes

 

 

O nosso carácter é formado, não apenas pelas nossas liberdades, mas também pelas forças da memória e da história.

Orhan Pamuk, in "A Mulher de Cabelo Ruivo"

 

A verdade é que a onda anda por aqui, e sabendo que existem tantos seguidores do grande Bryan Ferry, esta semana deixo o best off dos Roxy Music - foi muito importante esta semana na medida em que me acompanhou todos os dias e admito que já não lhe pegava há uns tempo. Fez bastante companhia a um outro albúm, "Flesh and Blood". Deu bem para pensar, amar e abanar o "carolo". De facto, existem bandas intemporais e esta é uma delas, embora só o Bryan ande pelos caminhos da fama. Deixo-vos, do primeiro albúm, "All I Want is You" - se o albúm "Country Life" tivesse aquela capa hoje... Muitos dos que o compraram naquela época... Hoje, por "politicamente correcto", não o fariam. E eu em 1974 nem sequer era imaginado! Do segundo, malhar com "Eight Miles High".

Já falei de Pamuk por aqui e agora volto, depois de "Uma Estranheza em Mim" e de uma passagem por Istambul, ao autor que nos faz apaixonar pelas personagens de uma forma que temos uma certa ânsia de que as mesmas sejam reais para as podermos abraçar e consolar. Pamuk é exímio a criar essa ternura... Partilho "A Mulher de Cabelo Ruivo", como habitualmente, não vou explorar o livro, mas posso dizer que o final é uma grande surpresa, algo a que Pamuk já nos habituou... Gosto da Turquia, gosto de Istambul, admiro Orhan Pamuk.

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Agora é altura de "voltar" muito atrás, ao início dos anos 60 do século XX e lembrar "La Notte", o primeiro Urso de Ouro italiano e um filme brilhante realizado pelo grande Michaelangelo Antonioni. Com Marcello Mastroiani (eu sei, falo muito deste senhor, eu sei) e a saudosa (falecida recentemente em 2017), Jeanne Moreau. A deterioração da relação entre o casal, a infidelidade e todo o definhar daquilo que entendemos como estar a dois... Basicamente, os finais não têm de ser todos perfeitos. 

E porque já percebi que andam aqui muitos "bebedolas", nada como acompanhar uma música, um livro ou um filme com um tinto... Uma surpresa, "Conde de Arraiolos Reserva", a Herdade das Mouras brinda-nos com um vinho elegante e sem entrar em grandes loucuras no que concerne a gastos! É de Arraiolos, só podia ser bom!

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Finalmente, se estiverem de férias ou fim-de-semana e a abraçar os vossos filhos ou até simplesmente a pensar como é que vão pagar 150 euros por umas sapatilhas para que eles não fiquem "atrás" dos colegas em Setembro, podem sempre pensar que neste nosso mundo, metade dos 1.3 biliões de pessoas "multidimensionalmente" pobres, são crianças/jovens abaixo dos 18 anos de idade sendo que um terço tem menos de 10 anos...

 

Bom fim-de-semana,

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bryan_ferry_eleni_karaindrou_eternity_and_a_day.jpImagens: Robinson Kanes

 

Dizem que o fim-de-semana se avizinha chuvoso... É, portanto, uma óptima oportunidade para ir à praia sem andar aos encontrões. Ou então... Ou então, sempre podemos ouvir alguma coisa para nos animar alma. Esta semana partilho um dos meus intérpretes de eleição, o senhor que andava de fato quando todos os outros usavam calças de ganga e cabedal: Bryan Ferry! Destaco o albúm "Let's Sitck Together" e o single que lhe dá o nome - uma malha daquelas, já para não falar em "Shame, Shame, Shame" ou "The Price of Love". Ferry consegue sempre juntar a total libertação com músicas verdadeiramente apaixonantes, gosto disso...Vai ser um gosto voltar a encontrar-te em Setembro, Bryan! 

Para outros ambientes, faço um dois em um com o filme  "Eternity and a Day" de Theo Angelopoulos e vencedor da Palma de Ouro em 1998! É um filme interessante, adaptado aos dias de hoje - o escritor perto da morte enfrenta a vida e as emoções que não viveu... Ir mais longe já é desvendar o filme. Gostei especialmente da interpretação de Bruno Ganz no papel de Alexander, vão perceber porquê. Uma nota para quem não conhece o estilo de Angelopoulos... Não se assustem, no final vão adorar.

E é neste dois em um que destaco a banda sonora de Eleni Karaindrou, de quem já falei aquando do tema  "To Vals Tou Gamou". A banda sonora é simplesmente encantadora e transporta-nos, mesmo sem se conhecer o filme, para pensamentos que muito provavelmente não serão diferentes daquilo que passava pela cabeça de Alexander. É o mote para viajarmos dentro de nós... 

Finalmente, e como prometido aqui, partilho uma das leituras mais interessantes e carregadas de humanidade que podemos ter, sobretudo quando estamos a falar de doentes terminais. Marie de Hennezel é um uma referência para todos aqueles que trabalham nesta área ou se interessam pela mesma, sobretudo se com trabalho desenvolvido em áreas como a psicologia clínica, psiquiatria ou até serviço social. Não excluo com isto, pois mencionei psiquiatria, outras especialidades médicas que também têm muito a beber do trabalho de Hennezel. "Diálogo com a Morte" pode ser um livro pesado, sobretudo para os mais sensíveis, mas demonstra-nos como é possível "morrer bem" e de como é possível conseguir encontrar humanidade e serenidade na morte. Ficamos também com uma clara ideia do trabalho de Hennezel nesta área e das suas conquistas em França onde a vontade desta senhora chegou ao mais alto nível da governação acabando numa grande amizade com o François Miterrand - quem também acompanhou nos seus últimos dias de vida. Um livro com emoções mas com a realidade bem presente.

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Acredito que tudo isto num fim-de-semana cria uma espécie de up & down de emoções, mas afinal, o mundo também não se transforma em linha recta.

 

E porque é importante pensarmos, se a chuva entretanto der lugar ao sol e formos à praia, que cerca de um milhão de espécies se encontra em risco de extinção e o planeta enfrenta, muito provavelmente, a sexta extinção em massa da sua história.

 

P.S.: este fim-de-semana termina o FMM!

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Imagens: Robinson Kanes

 

Já reservaram a casa no Algarve? Já preparam as latas de sardinhas e os douradinhos para levar? Levaram a máquina fotográfica para fotografar a única refeição que vão fazer fora de casa porque os douradinhos e as sardinhas não causam inveja? Pediram factura daquela semana cuja casa vos vai custar mais que 10 noites num hotel na Sardenha? Já convidaram os pais? Pode ser que paguem a despesa enquanto vocês colocam as fotos da semana espectacular na "vossa" casa de praia... Não fizeram nada disso porque vão estar em casa ou a trabalhar no fim-de-semana?

 

Então porque é que não pensam num livro? Querem "cascar" nos cristãos? Que tal um livro bem escrito e sustentado em factos... Catherine Nixey e "A Chegada das Trevas - Como os Cristãos Destruíram o Mundo Clássico". Ao ler este livro ficamos com a sensação que a Al-Qaeda é uma brincadeira de putos... Ficamos também com a sensação (como se isso fosse novo) que muito do atraso civilizacional actual se deve à malta da cruz... Claro que podemos sempre colocar algumas questões, mas que está bem escrito, está... Acredito é que depois sintam vontade de empurrar um padre do palco abaixo, como fez a outra ao Marcelo Rossi!

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Em termos musicais, esta semana partilho três coisas distintas... A primeira é a banda sonora que me acompanhau durante metade da semana, sobretudo de manhã enquanto conduzia: a "Sinfonia nº 8 em Dó Menor" de Anton Bruckner - uma coisa simplesmente espectacular! Se acharem que fica muito longo e a paciência é pouca, escutem só o "Adagio - Feierlich langsam, doch nicht schleppend", uma maravilha. Fica uma interpretação pela Orquestra Sinfónica da Galiza, aqui bem perto...

Existe uma "miúda" em Itália que eu gosto. Desta vez não é a Giorgia nem todas as outras de quem já falei...É mesmo a "Noemi". Uma versão mais leve da Nanini, mas gosto... Gosto... Deixo uma das minhas paixões, "La Borsa di una Donna"... Dedico às senhoras que seguem este espaço.

A terceira... Estamos em semana de Festival Músicas do Mundo (FMM) e por isso a sugestão vai para alguém que eu nunca pensei que viesse a Portugal... Uma surpresa, só é pena que já tenha actuado ontem e por motivos profissionais não a tenha podido aplaudir: Sona Jobarteh com "Gambia" - uma música que celebra a independência desse país! Uma senhora com formação musical e que nos apaixona desde o primeiro acorde. É com tristeza por não ter estado ontem em Sines que partilho este som... Vão ao FMM! E ninguém me pagou para dizer isto, é mesmo um brand advocate do festival que o diz!

Talvez inspirado por algumas boas conversas que tive esta semana com esta senhora, a minha sugestão de cinema vai para "One Flew Over the Cuckoo's Nest" mais conhecido por "Voando Sobre um Ninho de Cucos". Um dos filmes obrigatórios para quem ainda não morreu e que muitos já devem conhecer - a obra-prima de Milos Forman! Jack Nicholson no seu melhor e um excelente trabalho para a saúde mental! Simplesmente genial e uma obra-prima do cinema - em Hollywood, não é qualquer filme que leva para casa os óscares de melhor filme, melhor realizador, melhor actor principal, melhor actriz secundária e melhor argumento adaptado! Tomem lá o trailler - escolher só uma cena é impossível! 

 

Em jeito de conclusão, lembrem-se que só entre 11 e 20 de Junho deste ano, a Gronelândia viu o seu gelo derreter numa extensão de 700 000 km2 (cerca de 80 biliões de toneladas), estabelecendo um novo recorde para esta época do ano. 80 biliões de toneladas... Imaginem o padrão e os efeitos nos mares...

 

Bom fim-de-semana...

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Imagens: Robinson Kanes

 

"Happy Friday", meus senhores e minhas senhoras! "Happy Friday" também para aqueles que vão passar o fim-de-semana a trabalhar! (Nunca me esqueço, até porque, não raras vezes, também sou um deles).

 

Ontem estava deitado e dei comigo a pensar que esta semana carreguei demasiado no pedal. Quem deve estar contente com isso é o Pedro, aqui do SAPO. 

 

E sexta, pontualmente, tende a ser um dia em que partilho também algumas das minhas paixões ou preferências - sugerir acho pesado, embora utilize o termo, afinal... Quem sou eu para sugerir o que quer que seja? Começo pela música, e esta semana com duas recomendações. Uma delas porque foi a minha banda sonora no carro e como é bom uma das viaturas lá de casa ainda trazer leitor de CD - aliás, todas trazem, embora a mais recente tenha sido uma grande surpresa! Obrigado à malta da DS por se ter lembrado de quem também ainda utiliza CD!  Sting, fui à prateleira e não resisti ao "Symphonicities" gravado com a Royal Philharmonic Orchestra (RPO). Se as músicas de Sting (e não gosto dos "Police") já são qualquer coisa, com a RPO é um delírio para quem gosta muito do artista e de música clássica! E não se sintam amedrontados se podem achar que é pseudo; ao ouvirem a primeira faixa e a versão de "Next to You" irão perceber de imediato o que quero dizer:

Depois de Sting, o fim-de-semana pode ser preenchido com algo mais particular, Yann Tiersen! Recordo-me também do tempo dos CD e de "La Valse des Monstres", o primeiro do compositor e que além de outras composições para filmes, inclui já dois temas que acabaríamos por encontrar no sucesso de Jean-Pierre Jeunet, "Amélie". Deixo aquela que dá o título ao disco - "La Valse des Monstres" - e uma que reconhecerão de imediato, "Le Banquet" - e como é bom ouvir algo que também sabemos interpretar.

Para ler, não posso deixar de me recordar da MJP que, em tempos, me perguntou de onde conhecia Marie de Hennezel! Marie de Hennezel, é uma psicóloga clínica e terapeuta que, em França (e não só), transformou o modo como encaramos a morte e também como vivemos os nossos últimos dias, especialmente quando sabemos que tudo está perdido! Foi sobretudo a partir da Unidade de Cuidados Paliativos para doentes terminais de Paris que o Mundo pôde conhecer o trabalho desta senhora, essa sim, uma verdadeira heroína quer em termos de humanidade quer em termos profissionais! Deixo "O Coração não Envelhece"... E não se deixem levar pela capa - de romance "barato" tem pouco. Tem um peso extraordinário e acredito que a muitos pode ajudar. Apesar da carga espiritual, é algo completamente exposto com ciência e com um conhecimento único! Imaginem um "De Senectute" dos séculos XX e XXI mas com uma visão mais cientifica. Ou não imaginem... Sobretudo se tiveram que ler a obra de Cicero em latim... O livro lê-se com uma facilidade tremenda e gera emoções que não vos vão deixar com a mesma visão da velhice dos tempos modernos!

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E para que este cavalheiro venha para aqui dizer que peco por excesso, nada como deixar "Mia Madre" de Nanni Moretti, realizador de quem já falei aqui. A história de uma mulher que entre os desafios profissionais, o fim de uma relação e a adolescência da filha ainda tem de pensar na sua mãe doente - é um filme de Moretti, não é fácil de digerir, mas é sempre uma valente dose do que é ser humano, algo que não vemos em todos as produções cinematográficas.

E é isto... Se não estiverem interessados em conversas sobre a proibição de piropos, falsas acusações de racismo e gente fanática disfarçada de bons moralistas e defensores de grandes causas, sempre podem dar uma vista de olhos por isto...

Bom fim-de-semana,

 

P.S.: Caro "X", não me esqueci da Cantábria... Para a semana está prometido, mas tenho de estar em sintonia para me recordar de todas as emoções e vasculhar todos os meus apontamentos. Caro Folhas, o Tejo também não está esquecido.

 

 

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Imagens: Robinson Kanes

 

 

Sexta-feira, não raras vezes, é um dia que se aproveita o casebre para apontar algumas ideias mais... "bonancibles"? Eu admito que tento relaxar na pressão dos temas mas nem sempre consigo, pelo que, vamos lá ver se tiro algum peso "à coisa"...

 

Se há coisa que um português gosta é de uma boa esplanada, de preferência sobre o mar! E eis que me lembrei (fazendo vénias) do "meu" Vergílio Ferreira! Dirão "lá vem este com aquela conversa e com os livros do Vergílio", mas este é leve, aliás, tão leve que é uma espécie de conto e que até encontrarão pela internet... "Uma Esplanada Sobre o Mar".

 

Não há nada mais igual do que o mar ou o lume ou uma flor. Ou um pássaro. E a gente
não se cansa de os ver ou ouvir. Só é preciso que se esteja disposto para achar diferença nessa
igualdade. Posso olhar o mar e não reparar nele, porque já o vi. Mas posso estar horas a olhar e
não me cansar da sua monotonia.

Vergílio Ferreira, in "Uma Esplanada sobre o Mar"

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Sim, de facto não consigo manter a leveza da coisa... E se agora tanto se fala de demografia (ou se evita ao não apontar os factos reais e aproveitando o refúgio no politicamente correcto) nada como ir aos "primórdios" do excesso de população e pensar em Thomas Malthus! É uma visão que já precisa dos seus ajustes mas que em determinadas passagens está mais actual e é mais necessária que nunca! Para quem conhece a teoria de Malthus, saberá que este nos dizia (de uma forma bastante sucinta) que a população cresce em progressão geométrica e a produção de alimentos de forma aritmética, logo levava à fome! A isto junta-se a questão ambiental e de sustentabilidade cuja fragilidade aumenta com a eliminação dos predadores e das doenças, entre outros factores.  "Ensaio sobre o Princípio da População"... 

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Uma música... Uma música para um fim-de-semana ou um momento em que estamos perfeitamente em altas (ou em baixas) depende do contexto mas não perdendo o foco no positivo! Para tirar peso à coisa e para se celebrar o amor (seja lá o que isso for... até já há quem use (mal) a ciência para dizer a anormalidade de que este só dura 5 anos), nada como regressar a Tiziano Ferro, agora com Carmen Consoli. "Il Conforto" é um hino à paixão e pelos vistos não fui eu só a achar isso em 2016/2017, quando esta música foi lançada! Tiziano Ferro morreu há muito em Portugal mas em Itália é um senhor! Esta está sempre na lista...

 

Per pesare il cuore con entrambe le mani 
Ci vuole coraggio 
E occhi bendati su un cielo girato di spalle 
La pazienza a casa nostra il coraggio il tuo conforto 
Ha a che fare con me 
È qualcosa che ha a che fare con me

 

E um filme? De facto, quem sou eu para estar aqui com sugestões? Enfim... Porque é que não me dão as vossas também? Trocamos? Afinal, quem sugere é mais do que quem segue? Negativo! Às vezes, bem pelo contrário... Chutem! Deixo "Istanbul Kirmizisi" ou "Rosso Istambul" de Ferzan Ozpetek. Ver este filme é percorrer Istambul , é recordar... E muito que há para recordar! A banda sonora é interessante e embora não sendo um filme perfeito, a história em torno da personagem do escritor Orhan Şahin merece a pena...

Caríssimos... E é isto! Se tiverem tempo, nada como dar uma espreitadela a este artigo que nos fala do ameaçado "Mouchão da Póvoa" em pleno estuário do Tejo! Estou em dívida com o autor, pois contamos iniciar uma série de textos (e talvez, não só) no sentido de alertar para os perigos que o nosso "Tejo" enfrenta.

 

Bom fim-de-semana e... Não se esqueçam que os 10% de assalariados (assalariados, reforço) mais pobres do Mundo têm de trabalhar três séculos (portanto... 300 anos!) para auferir o rendimento anual (365 dias, 1 ano) dos 10% mais ricos.

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Rod Stewart: O cota ainda está em grande!

por Robinson Kanes, em 03.07.19

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Imagem: GC 

 

Não é comum, mas "volta e meia" (cão deitado), acabo por falar de uma ou outra experiência que acaba por ter algum impacte em mim.

 

Rod Stewart esteve anteontem na Altice Arena em Lisboa, e mais do que vir debitar as músicas, é importante mencionar que o senhor esteve em grande. Quem conhece os concertos de Stewart, sobretudo nos últimos anos, sabe que a desculpa de que se aleijou na visita ao Estádio Nacional  não convence! A estrela já tem idade para estar quieta no seu canto! Tal não impediu que fizesse um esforço (em alguns momentos, hercúleo) para estar em palco e não perder aquele ritmo e boa disposição que sempre o caracterizou!

 

Rod fez os mais lamechas dar uns abraços, trocar uns beijos e acima de tudo, fez dançar aqueles que, como eu, estavam num "dia não". O dia 1 de Julho é um dia de más memórias, e a este somaram-se decisões arriscadas e de uma terrível luta interior entre se manter fiél ao que defende e não embarcar em facilidades. Rod ajudou a ultrapassar tais inquietações - e só por isso mereça aqui um destaque. 

 

E a malta que ouve Rod Stewart também é boa gente - na plateia, ao nosso lado, um casal apaixonado pelo músico fez questão de nos oferecer duas cervejas durante o espectáculo! Porquê? Não sei! Quem lá esteve ouviu por duas vezes um "I Love you Rod" que ecoou pelo recinto? Pois é! Foi o cavalheiro que nos ofereceu as cervejas!

 

Em suma, o velho ainda mexe e ainda nos faz levantar o rabo da cadeira, mesmo que seja um dia daqueles...

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En Cantabria, una "playlist" para nosotros...

por Robinson Kanes, em 27.06.19

IMG_0014.JPGImagem: Robinson Kanes

 

 

Santander... Toda a Cantábria fica para trás e a fascinação daquele mundo verde contrasta com o mar Cantábrico mesmo ali diante de nós. Santander conta-nos histórias de pescadores, de navios comerciais e de uma industrialização que a tornam tão rica e com tantos contrastes. Para trás fica o Carbaceno e mais um sem número de memórias e quilómetros nos pés...

 

Contemplando esse mar enquanto aguardamos por mais umas "copas" perto do "Mercado de la Esperanza", sentamo-nos, ligamos o iPod (sim, ainda o utilizamos), estendemos as pernas e acabamos a escutar a nossa playlist...

 

A presença do mar chama-nos para "Llorándole debajo del agua", o dueto de Rojas e Niña Pastori. Não podemos ficar indiferentes aos sons de Espanha. Uma das grandes músicas de Rojas, talvez pelo toque especial de Niña Pastori... Nem com o Cantábrico por perto podemos esquecer o Mediterrâneo.

Continuamos por Espanha, talvez com uma música mais apropriada para uma viagem, mas o que é o repouso da viagem se não uma parte dessa mesma viagem e nunca o seu fim? Escutamos Bebe, e cantamos "¿donde estabas quando te llamaba" do single "Me Fui". Por certo perceberás o porquê da minha preferência por esta música.

Bebe leva-nos para outra música, para aquela que, para mim, é um dos seus grandes sucessos... "Siempre me Quedara"... "Palafueras Telarañas". Um ritmo especial, uma voz espanhola de nova geração e uma melodia que nos envolve e nos transporta para um passado com mais serenidade e com mais esperança no futuro que se aproxima. Esta música tem esse poder.

E porque não fazermos esta playlist toda em castelhano? Afinal, este é o país que melhores recordações e vivências nos trás, aquele que dizemos ser a nossa casa. Voltamos a Ninã Pastori, eu sei, devo ter nascido numa pedra em Grazalema ou numa casa do Albaicín, mas não posso deixar passar "Amor de San Juan". Vamos descer até Cádiz e apreciar?

E na Cantábria não nos larga este foco do sul? Maldição... Vamos aproveitar e parar em Jerez de la Frontera e voltar à Real Escuela? Fiquemos com "Los Delinqüentes" e viver aquilo que tanto gostamos: "El Aire de la Calle". Recordamos essa banda que desapareceu e que teve um tremendo sucesso... Temos saudades e o falecido Miguel Ángel Benitez também terá... Esteja lá onde esteja!

A respiração do mar torna-se mais intensa e invade "El Sardinero". Dançamos na varanda, afinal por cá não temos os filtros do país do lado. Queremos aquecer as coisas e desafiar o frio bafo marinho e encomendamos a voz de Olivia Ruiz com os franceses Nouvelle Vague num cover da música dos Mano Negra (escrita por Manu Chao). Gostamos desta versão que é presença quase diária nas nossas vidas... "Mala Vida". Mala vida si...

Existem bandas que com o tempo vão ficando melhores, que se vão perpetuando e não são efémeras... Que podem sair dos grandes holofotes, mas que ficam. Uma dessas bandas são os "La Oreja de Van Gogh" (estarão a chegar aqui os ares do País Basco?).  Já sem a grande figura que foi Amaia Montero e com a encantadora Leira Martínez (fica aqui uma dica para um certo espaço), continuam a dar cartas - uma banda que é difícil esquecer. E como estamos pelo "Sardinero", nada como escutar "La Playa", um dos grandes sucessos da banda ainda com a voz de Amaia - inesquecível!

Mantemos a selecção, até para dar espaço à senhora Martinez e escutamos, com a companhia de uma espécie de "Hojaldre de Astorga", "La Niña que Llora en tus Fiestas"... Não estamos com muita vontade de deixar de dançar! Temos de trocar as "copas" por um jantar se a coisa continua a assim... Percebemos porque é que esta banda ainda não se extinguiu. 

Com Sole Giménez ou Lydia, esta banda da belíssima colheita de 1983, é outra das que nunca morre! Talvez por isso também mereça dois destaques enquanto a noite começa a cair e as luzes do Sardinero começam a acender. Presuntos Implicados é mais uma daquelas bandas que nos encantam desde que começamos a ouvir a voz de Sole Giménez, uma voz única e singular que, em muito, ajudou a catapultar esta banda para o sucesso. Como foste tu que me deste a conhecer esta preciosidade, nada como escutarmos uma das suas melhores músicas e com uma frase que muito utilizas: "Nunca es para Siempre".

Já vais? Vais colocar aquele vestido? Não me parece, deixas a tua formalidade para outras paragens, pelo menos esta noite... Eu "Esperare", e deixo que as últimas cores do dia se desvaneçam com os Presuntos Implicados...

Vamos? Já devem estar à nossa espera...

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Imagem: Robinson Kanes

Chegou o Verão, a silly season (se bem que nos últimos anos esta tende a alastrar-se pelas quatro estações) e também a época em que aproveitamos para saltar por cima do cão. Cá por casa, como não temos fogueiras e não podemos dar azo ao nosso paganismo através desse modo, nada como saltar por cima do cão! Não, não é vitíma de bullying (o PAN pode ficar tranquilo). É Verão salta por cima do cão ou, como sempre dizemos, é São João, salta por cima do cão!

 

Na verdade, aquele bicho de 42 quilos olha para nós e pensa: "enfim, com tanta gente no mundo, só me poderiam sair tutores como estes!". 

 

Para entrar no Verão e como está o fim de semana à porta, partilho uma leitura: "A Ilha", de Aldous Huxley! O Verão não nos deve impedir de pensar e quando lemos esta obra de Huxley é muito provável que vejamos alguns casos bem reais e pensemos no mundo de uma outra forma - alguns terão a sensação de viver nessa ilha. Talvez tenham de lutar com todas as suas forças para não conhecer igual destino. Como todos os livros de Huxley, merece bem a pena a leitura, infelizmente, numa altura em que encontramos um Huxley já totalmente pessimista com o mundo.

 

E como saltar por cima do cão, só tem graça com muita música, nada como recordar alguns finais de tarde de Verão bem quentes. Admito que, enquanto escrevo, só me recordo das intermináveis estradas de Espanha, sobretudo de Castilla y León e Aragão... Do sol a iluminar com uma luz única os campos entre Segóvia e Ávila ou o tórrido calor de Aragão em Teruel quando percorremos a A-23!

 

Bem a propósito, nada como recordar, do albúm "Fuego y Cielo", a música "Mi Suerte" de Nolasco. O Nolasco tem uma presença especial na minha vida, não só por aquela voz andaluza, mas também como muitos  em Espanha, por "Las Cosas más Pequeñitas"...  Um dia voltarei a Nolasco e quiçá ao La Latina em Madrid.

E porque uma sugestão pode ser pouco, nada como terminar a travessia ao som de Buika e claro, como não poderia deixar de ser "No Habrá Nadie en el Mundo"...

Agora deixemos que a música, as recordações e também as leituras - com as respectivas inquietações - nos levem a saltar por cima do cão! É estúpido? É... Mas ele diverte-se e nós também...

 

Por aqui ainda se dança, e o Verão tem o seu lado piroso... E porque existe uma certa aura de amor... Existe? Manuel Carrasco e "Uno X Uno"...

Bom fim de semana... Bom Verão...

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