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Playlist para a chuva e para o vento...

por Robinson Kanes, em 03.12.19

Tenho andado alheado da realidade nacional. Terei perdido o interesse no país que me viu nascer? Terei perdido a esperança? A aproximação (mais uma) a outras culturas, a outras formas de estar tem-me levado a esse distanciamento e a focar-me naquilo/naqueles que realmente importa/importam? Quiçá... É com esse pensamento que, mais uma vez, recolho uma playlist que também é um pouco de mim e que aconchega nestes dias de chuva e vento no regresso a casa ou enquanto vou pensando o mundo, mesmo que na minha cabeça, nas minhas paredes, na minha pequena particula de existência.

 

Num estilo de Portishead, Zero 7 e claro, de Massive Attack, os Groove Armada sempre mereceram a minha preferência. Para um dia de chuva e vento enquanto contemplo as paisagens da Irlanda do Norte, oscilo entre "Inside My Mind" e "Think Twice". Penso duas vezes e vou pela segunda escolha... Deixo-me levar pela minha zona de conforto da paixão...

Com Londres a pouco mais de uma hora de avião, penso que não posso esquecer a cidade que vive a 100, que nos preenche e que nos abre ao mundo. Acrescento por isso uma das minhas bandas "recentes" mais apetecíveis do panorama musical britânico, os "London Grammar" e como não poderia deixar de ser "Wasting My Young Years" é a minha escolha! Porque será?

Vou buscar um dos velhos para me acompanhar enquanto, ao longe, os prados parecem ficar mais verdes e esta chuva que nem é chuva nem é borriço vai descendo pelos vidros: Tom Waits. Não sou o maior adepto do músico, mas tenho de reconhecer que "All the World is Green" é uma peça daquelas! Para me acompanhar à medida da chuva...

Estou melancólico?... Ou estarei a apreciar autênticos monumentos musicais? Talvez nostálgico por um mundo que não foi o meu mas que, por certo, foi daqueles que amei. Led Zeppelin e "Stairway to Heaven", uma música que nos eleva, de facto, ao céu... Que nos eleva e traz saudades daqueles que partiram. Se existir um céu, se existir um mundo para lá da vida, pois que a minha subida seja feita ao som desta música!

Continuo pelos velhos e não posso deixar também passar esta estada sem olhar a Belfast. Nessa homenagem não vou aos U2, mas uma música bem mais bela e profunda, não tão trágica mas intensa... A primeira vez que a ouvi foi uma sensação incrível, por isso, partilho uma das grandes dos Simple Minds: "Belfast Child".

Desço ao mediterrâneo e vou a Itália onde encontro a senhora Veronica Scopelliti, mais conhecida por Noemi. Deixo a alma vaguear entre palavras escritas, faladas e imaginadas... "Sono solo Parole", porque talvez sejam isso mesmo, só palavras.

Ainda pelo sul, antes de voltar a subir, escuto os Vetusta Morla e "Cuarteles de Invierno". Uma das minhas bandas espanholas preferidas e com grande sucesso no país vizinho. Recordei o título e pensei em como é bom ouvir esta música num dia como este, lamentando-me de ainda não ter partilhado a mesma por aqui. Que o vento de invierno a leve até vós.

Manchester Orchestra é daquelas bandas que nunca me lembro de disparar quando falo das minhas preferência. É daquelas bandas que ouvimos por mero acaso mas que insistem em lá estar e acompanhar-nos ao longo da nossa vida e até em momentos especiais. Talvez por isso, e estando também perto de Manchester (embora a banda seja americana) escute um dos mais recentes hits: "I Know How To Speak".

E para terminar uma tarde onde chuva e vento disputam o palco, despeço-me com dois toques mais clássicos. Um deles é um "contemporâneo clássico" e é por aí que começo: Philip Glass é daqueles compositores que não conseguimos deixar de ouvir, seja com as suas bandas sonoras seja com as composições que só aqueles que o amam na sua especial forma de compor conhecem. Do albúm "Solo Piano", inspirado no livro de "Metamorfose" de Kafka, partilho "Metamorphosis Two", a segunda de 5. Philip Glass é simplesmente brilhante e eclético!

Finalmente, o homem que os espectadores da Gulbenkian, no passado dia 18 de Novembro, não queriam deixar ir embora: Tigran Hamasyan! Um concerto espectacular de  um jovem prodigío arménio que ainda consegue surpreender a cada concerto. Um pianista e compositor que se entrega e vive de tal forma a música que só percebo que é terrestre na sua humildade e partilha com o público. Banda sonora ideal para o dia de hoje, e primeira música do concerto que deu em Portugal, "Fides Tua" é uma das muitas e grandes obras deste músico - em Portugal ou fora do país, se ele estiver por perto, a nossa presença é garantida.

Boa semana,

 

P.S.: "hoje" o cosmos terá mais uma estrela a transmitir-lhe a melhor música: Mariss Jansons.

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O Vergílio e o Sapolsky bebem Moscatel e comem Pistácios.

Entretanto vão ao teatro, ouvem Rachmaninov pelas mãos de Ashkenazy e assistem ao Bloody Sundae...

por Robinson Kanes, em 08.11.19

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Imagens: Robinson Kanes

 

 

Que poderia sobrar de um homem, em face de um irmão assassinado? os mortos cantavam a promessa, o sangue tingia a madrugada. E um deus que revivesse poderia ter anunciado a recriação do mundo, porque tudo o prometia em perfeição.

Vergílio Ferreira, in "Cântico Final"

 

 

Para este fim-de-semana, mais do que uma partilha de sentido único, decidi "convidar" alguns seguidores habituais para me ajudarem. De certo modo não foram convidados mas os gostos cruzaram-se e assim é também em espécie de dedicatória aos mesmos nesta iniciativa que já vai tendo lugar semanalmente.

 

Para uma leitura de fim-de-semana, não serão os livros ideais, mas poderão acompanhar, sem dúvida, muitos de vós durante dias e até semanas. Falo de "Cântico Final", de Vergílio Ferreira, livro que sei estar a ser lido pelo nosso amigo "Folhas de Luar". Vergílio Ferreira já é presença habitual neste espaço, por isso, nada melhor do que acompanhar Mário numa reflexão sobre arte, sobre vida e morte. Um livro forte, de 1960, e bem ao estilo que Vergílio Ferreira nos habituou.

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Também sei que o nosso amigo Vorph Valknut está a ler uma bíblia, o livro "Comportamento" de Robert Sapolsky. Sem ser indecifrável mas com um rigor extremo, já o disse, é um livro de leitura obrigatória! Tornar-nos-ía melhores seres-humanos, aliás, ajudar-nos-ía a conhecermo-nos como tal ao nível do nosso comportamento. Genial!

 

É óptimo se o nosso córtex frontal nos levar a evitar tentações. Mas geralmente é mais eficaz quando fazê-lo se tornou tão automático que já não é difícil. E em geral é mais fácil evitar tentações com o uso de distinção e reavaliação do que com força de vontade.

Robert Sapolsky, in "Comportamento"

 

Para ver? Depois da polémica da McDonald's, nada como perceber o que foi o verdadeiro Bloddy Sunday, um massacre que ainda hoje envergonha Inglaterra. A 30 de Janeiro de 1972, o IRA ficou mais reforçado na sua acção sobretudo depois do saldo se ter cifrado nos 14 mortos... 14 inocentes que se manifestavam e que viram o exército indiscriminadamente disparar sobre estes. A verdade é que apesar de tudo, a tensão, ainda hoje é latente apesar de alguma acalmia e procura de chegar a uma paz permanente. Não critiquei a campanha, mas simplesmente a hipótese do facto ter passado por tanta gente "competente" e ninguém ter percebido do que estávamos a falar... Grande e premiada obra de Paul Greengrass e que encontram no Youtube - é história e uma lição de que a liderança (hoje tão badalada) é uma coisa muito complicada. Só com David Cameron as desculpas chegaram, uma vitória tardia da justiça!

Passem também pelo São Luiz e assistam ao texto de Mário Benedetti encenado por Marta Carreiras e Romeu Costa, "Pedro e o Capitão". Ivo Canelas e Pedro Gil em altas! 

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Finalmente, algo para descontrair, uma música... Mantenho-me pelos clássicos: Rachmaninov pelas mãos de Vladimir Ashkenazy! Fica aqui um pequeno aperitivo de "Morceaux de salon, op.10"... O piano é mágico mas com notas de Rachmaninov e Ashkenazy torna-se em algo... Escutem o CD e o vosso fim-de-semana será bem diferente.

Finalmente, e para pensarmos... No país da "Web Summit", no país evoluído e da alta tecnologia, será que ninguém ainda percebeu (e já nem falo dos impactos na natureza, muito repetidos por aqui) que a subida do nível dos mares é uma realidade e portanto o novo aeroporto do Montijo tem uma duração mais do que limitada? Também no país da tecnologia é preciso que na televisão se fale de um bebé num caixote do lixo para de repente termos tanta sensibilidade quando o que não faltam são bebés para adopção mas esses estão melhor dentro de muros? Quanto vale uma "selfie" nos dias de hoje se for no momento certo, com as pessoas certas e com o circo mediático certo? E por fim... No país da tecnologia, como se esperava, e no espaço de menos de 3 meses, escuto (com muita apreensão e receio) o discurso de que combater a corrupção não traz assim grande coisa... A Universidade de Coimbra (ou parte dela) no seu eterno bafio...

 

Bom fim-de-semana.

 

Esperem! Não se vão embora... Agora é a minha vez de, com a Alice, partilhar um Moscatel SIVIPA Roxo de 2013 (ai aquele sabor de caramelo) e uns pistácios com açafrão do Irão. Agora sim, com estas iguarias podemos ir de fim-de-semana...

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Head On com um Lobo em Time Lapse...

por Robinson Kanes, em 25.10.19

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Imagens: Robinson Kanes

 

 

Fechar a semana com a ideia de que talvez tenhamos feito justiça, de que talvez possamos ter contribuído para que o país tenha menos fantochada, menos corrosão... Ou talvez não... Talvez tenha sido apenas uma espécie de utopia que alguns lobos solitários teimam em criar, apesar do seu pragmatismo lhes dizer o contrário... Talvez por isso, para o fim de semana que se aproxima (e para a semana, pois nem todos gozam o Sábado e o Domingo) pense em Hermann Hess e no seu "O Lobo das Estepes". Talvez pense como o país seria um local melhor para se trabalhar, viver e desenvolver se levássemos esta frase a sério:

 

Imagine-se um jardim com centenas de variedades de árvores, milhares de variedades de flores, centenas de variedades de frutos, centenas de variedades de ervas. Se o jardineiro deste jardim não conhecer nenhuma outra classificação botânica para além da distinção entre "comestível" e "ruim", não saberá o que fazer com nove décimos do seu jardim, arrancará as mais encantadoras flores, cortará as mais nobres árvores ou então vai odiá-las e olhá-las com desconfiança.

Hermann Hess, in "O Lobo das Estepes"

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Para se escutar, uma série de autênticos "poemas" outonais. Talvez me sinta sempre defraudado quando assisto aos concertos de Ludovico Einaudi - é o meu egoísmo! Quero sempre que Einaudi toque só para mim, sem o aparato da banda que traz consigo. Só eu, a alemã (que abriu as portas de Hermann Hess a este indivíduo que aqui se chama Robinson) e Einaudi - preferencialmente com um Steinway & Sons. Do mestre italiano, o albúm "Time Lapse", ideal para acompanhar ou ajudar a digerir a leitura de Hess e do mundo... Uma nota para o facto de em composições como "Orbits", "Experience" e "Underwood" contar com o excelente violinista Daniel Hope. 

Um filme? Um alemão com contornos turcos, também do realizador nascido na Alemanha mas filho de pais turcos Fatih Akin. Um filme que a critica cinematográfica portuguesa não gostou muito... Não atinge patamares de intelectualidade que só os criticos percebem e como também não foi propriamente alvo de grande divulgação é normal que assim seja por terras lusas onde se alterna entre a estratosfera e a moda - sempre é mais confortável. Eu gostei... Violento, amargo, duro e pouco romântico - a vida tende a ser assim muitas vezes, como em "Gegen die Wand" mais conhecido por "Head on - A Esposa Turca". O romantismo fica sempre bem nos livros...

E porque o fim de semana também ajuda a pensar, talvez seja uma boa altura para questionarmos a nossa abordagem, sobretudo em termos de comunicação, face às alterações climáticas - a verdade é que quanto mais ruído provocamos menos eficientes estamos a ser, ou seja, o excesso de informação que vemos em tantos canais de media e não só, estão apenas a alimentar criadores de conteúdos ultrapassados e a não produzir o engagement esperado. A este propósito, e é apenas um entre muitos, nada como investirem alguns euros no website da American Psychological Association (APA) e na leitura de Susanne Moser:

Moser, S. C. (2007). More bad news: The risk of neglecting emotional responses to climate change information. In S. C. Moser & L. Dilling (Eds.), Creating a climate for change: Communicating climate change and facilitating social change (pp. 64-80). New York, NY, US: Cambridge University Press.

 

Bom fim de semana

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Um Martha's, Tawny, engarrafado em 2016 e pistácios do Irão... Dos melhores, segundo o vendedor que perto do bazar de Tajrish os vendia, mesmo ao lado da Mesquita de Imamzadeh Saleh. O toque de açafrão associado a menos sal, de facto, faz milagres.

 

Tal remete-me para algumas músicas que habitualmente fazem parte do "cancioneiro" cá de casa, ou até mesmo do trabalho. Presenças habituais numa vida que não seria a mesma sem música. A luz outunal ajuda a que experiência seja quase perfeita.

 

Épico, deslumbrante e com concertos espectaculares que não deixam ninguém indiferente. Woodkid é daqueles que não tem talvez lugar nas rádios mais ouvidas por um simples motivo - é demasiado grande. De 2011, recordo "Iron", um som poderoso e ao qual é impossível ser indiferente.

Hozier, mais uma vez. Esta é talvez uma das mais conhecidas... A música ideal para acompanhar um Porto, uma viagem, uma noite de amor quiçá - "Take me to Church". Decidam o que fazer com ela.

"Ederlezi", é um clássico, aliás... é uma música tradicional romena conhecida pelo mundo inteiro e especialmente nos balcãs. Gosto de ouvir, recorda-me amigos e momentos inesquecíveis - escolho uma banda que também vem de uma terra onde as boas recordações são mais que muitas e onde os últimos dias têm sido vividos a ferro e fogo... De Barcelona ( tantas vezes deles já falei), a Gipsy Balkan Orchestra e a brilhante voz de Sandra Sangiao.

Vou ficando perdido entre pensamentos e sonhos e lembro-me de "Matilda". Não que conheça propriamente uma Matilda, no entanto, conheço os Alt-J o suficiente para fazerem parte do meu dia-a-dia. Troquem o nome, até lhe podem dar o nome de alguém que gostam e cantem-na!

Outonal e profunda quanto baste, A Fine Frenzy é uma daqueles vozes que não se apagam, que até podem chegar por moda mas que se distinguem de todas as outras. Devo à "Alemã" ter conhecido tão brilhante intérprete - nunca mais a larguei, uma e outra. E não, não é uma espécie de "Almost Lover"...

Não me posso esquecer do que se faz em Portugal, afinal também estou a beber um Porto. Keep Razors Sharp, uma banda daquelas que perguntamos sempre se são realmente portugueses. Mais uma daquelas bandas que merecia muito mais! "Overcome" é a minha escolha para hoje.

Tantas vezes aqui falei dele, tanto o escuto e nunca lhe dei a oportunidade de cantar. Peter Gabriel, é daqueles compositores que ninguém consegue não gostar. Em Peter Gabriel existe sempre qualquer coisa que nos encata e que nos surpreende. Neste outono em que muitas fronteiras estão a ser ultrapassadas, em que muitos conceitos resvalam num caos de blocos, "Games Without Frontiers". Para ouvir e estar atento à letra.

Não consigo fugir aos italianos e aos espanhóis... Ainda a semana passada falei de Javier Limón e desta música. É hora de escutar a mesma quando Outubro se despede e mais uma viagem se avizinha - mais aprendizagem, desta vez é para isso, para mais mundo. Para uma abertura de horizontes profissionais e técnicos que nem sempre têm o impacte desejado. Fica "Agua Misteriosa" pela brilhante voz de La Shica.

Uma das músicas que paralisa, seja o que se estiver a fazer em casa. São também uma presença assídua, mas "In a Manner of Speaking" tem uma força e uma envolvência que só bandas ao nível de "Nouvelle Vague" conseguem provocar. Paralisem-se e deixem-se contagiar pelo ritmo e pela letra.

Como fechar isto... Até porque ainda há vinho no copo e pistácios no prato. Música do Irão a condizer com os pistácios, Marjan Farsad com "Khooneye Ma".

 

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Liberdade, Dor e Glória e o Wine & Music Valley...

por Robinson Kanes, em 13.09.19

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Peter Paul Rubens - O Conselho dos Deuses (Museu do Louvre)

Imagem: Robinson Kanes

 

E que tal começarmos com um sugestão de leitura e já agora, uma espécie de "Follow Friday"? Pois é, hoje a MJ lembrou-se de colocar um texto meu no seu espaço - o "Liberdade aos 42", haja paciência, mas como é algo que a mesma tem, se quiserem sempre lá podem dar uma vista de olhos. O tema é a liberdade, por isso, quem quiser perder tempo ou simplesmente não tiver nada mais interessante para fazer pode sempre aceder aqui... Aproveitem também o espaço, são interessantes os temas levantados e as discussões que se geram... Espaços com conteúdo, algo que faz falta...

 

Pela música, volto a Bryan Ferry... O Wine & Music Valley está aí! E sem conhecer o cartaz, sabendo que o mestre estava por aí, não hesitei. Este fim-de-semana, sem dúvida, o melhor incentivo para ir a Lamego - não digo ao Douro porque nada supera a época das vindimas. Deixo "The Right Stuff" para recordar o gentleman dos anos 80 e não só.

Nada também como bom cinema... E desta vez, com algo bem recente: "Dolor y Gloria" (Dor e Glória) de Pedro Almodóvar é um dos melhores filmes dos últimos anos! Finalmente, um bom filme a entrar em 2019, sobretudo depois do flop de Tarantino. Dor e Glória é tudo... É a mescla de temas que está sempre presente nos filmes de Almodóvar e, ao contrário do que li na critica, pouco tem a ver com a preocupação da personagem principal com a velhice, aliás, acredito que esse tema é bastante forçado e só para encher colunas de opinião. Muitas emoções, muitas memórias e mais não posso dizer - afinal, nada como ver o filme e um Banderas irrepreensível (talvez o grande filme do actor) ao lado de excelentes actores. Se existe filme perfeito, este não anda longe e estando ausente dos cinemas pela falta de qualidade cinematográfica, devo admitir, que há muito tempo que não via um filme assim nas salas de cinema. TOP! TOP! TOP!

Também não posso deixar escapar a banda sonora ou, à semelhança do que acontece em muitos dos filmes de Almodóvar, não fosse do compositor basco, Alberto Iglesias! É um dos compositores contemporâneos mais apreciados cá por casa e por isso deixo "Salvador Sumergido", facilmente reconhecível quando começarem a ver o filme. Adoro Alberto Iglesias!

 

E finalmente, para que esta paragem de dois dias possa ter algo de muito bom para todos, é importante lembrar que em Portugal já se roubam ambulâncias em serviço enquanto os tripulantes prestam socorro à vítima. Populismo ou não, ultimamente têm acontecido situações que, pensava eu, só em filmes... Estes casos não seraão de admirar, afinal existem esquadras a fechar durante alguns períodos do dia por falta de efectivos e má gestão... E para fechar, também vivemos no país onde alguém sem qualificações para um cargo no Estado, nomeadamente no Ministério da Administração Interna, permanece no mesmo sem contestação. Para camuflar a coisa antes que se saiba, abre-se um concurso, normalmente feito à medida para o indivíduo em questão passar, o mesmo chumba, mas continua no cargo a aguardar novo concurso e com o total apoio do Ministro da Administração Interna. E tudo isto é normal - provavelmente a maioria de nós também já fez o mesmo.

 

Bom fim de semana,

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historia_da_morte_ocidente.jpgImagem: Robinson Kanes

 

A última coisa que vem à cabeça de alguém que está prestes a ir de fim de semana é a morte! No entanto, o prometido é devido (promessa à MJP) e assim sendo começa de forma bastante célere o artigo de hoje como uma sugestão do diabo: Philippe Ariès e o seu trabalho "Sobre a História da Morte no Ocidente". Arìes foi um historiador, no entanto, foi um pioneiro a desmistificar a morte, sobretudo numa óptica mais sociológica e até antropológica.

 

Arìes faz-nos uma demonstração de como a temática da morte, a Ocidente, foi evoluindo ao longo dos séculos  bem como dos seus avanços e recuos na forma como lidamos com a mesma. Arìes vai ao homem medieval que se preparava para a morte e chega ao homem moderno com descobertas muito interessantes como a evolução da própria localização do cemitério. Esta é uma das obras que mais gostei de ler e de facto é fascinante, levando-me a aferir de que em muitas situações relacionadas com o tema da morte, estamos mesmo lá para trás. Em muitas situações o homem medieval estava bastante mais à frente que nós, sobretudo na preparação para a morte - é um facto que a religião ajudava, a fé em algo superior também.

 

Em termos musicais, o último fim de semana de Agosto traz-me algumas memórias e uma certa nostalgia... Sinto que tenho de ouvir "The Last Waltz" do compositor sul-coreano Jo Yeong-wook. Transporta-nos efectivamente para essa nostalgia, para esses passos alegres num passado distante alternando entre as memórias longínquas e os sorrisos presentes. Este tema faz parte da banda sonora do filme "Old Boy", prémio do júri, em 2014, no Festival de Cannes - não associo a música ao filme, mas tenho de admitir que a banda sonora e o filme merecem uma visita.

Um fim de semana sem um filme não é um digno desse nome... Não sei porquê, de repente recordei-me do filme "Merry Christmas Mr. Lawrence", indicado para uma palma de ouro em Cannes e que até contou com David Bowie como actor. É um filme de 1983 e que baseia nos livros e experiências de Laurens van der Post como prisioneiro de guerra no Japão durante a Segunda Guerra Mundial. Talvez me tenha deixado influenciar por "Old Boy" ou talvez não...

 

Afinal, a banda sonora tem esta obra-prima de Ryuichi Sakamoto - "Merry Christmas Mr. Lawrece" para escutar e ver. Acho que ainda anda algures por aqui! Sakamoto (que participou no filme) anda de certeza em CD, mas será tema para outro artigo...

E porque as boas notícias são para ser dadas e sempre fica algo para se pensar: Angola também está a arder... Muitos países em África também estão a arder... A Sibéria arde há meses... Em Moçambique continuam a morrer milhares de pessoas devido às cheias, mas ninguém quer saber... Desta vez não há folclore e por isso também não existem likes. Quando o tecto vos cair em cima, os vossos corpos forem carbonizados ou descobrirem qual a sensação de morrerem afogados, lembrem-se que também só serão lembrados se as vossas mortes derem likes.

 

Um apontamente final: em Hong Kong também se cancelou uma manifestação pela Democracia e por não ser possível acautelar a integridade física dos participantes. Na Rússia a história repete-se, mas aqueles que andaram calados nos incêndios de Pedrogão (PAN, BE, PCP, PS, Quercus e demais suspeitos do costume) criticam Portugal por não tomar uma posição em relação à Amazónia e até se esquecem do nosso papel em Timor e nos 20 anos do referendo para a independência - algo que tem sido celebrado ao longo da semana...

 

Bom fim de semana...

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Playlist para um gin junto ao Tejo!

por Robinson Kanes, em 28.08.19

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Imagem: Robinson Kanes

 

Um destes dias fui "convidado" para um gin, foi o Filipe da Caneca. Não o provaria mas alguém estaria por certo habilitado a consumi-lo por mim, e acredito, que com muito vontade. Dei comigo a pensar um destes dias, com o Tejo mesmo ali à frente e os phones nos ouvidos. Era uma zona do Tejo, sem turistas, apenas com os locais nas suas vidas deambulando entre aquela esplanada e os passeios.

Hoje, e como vem sendo habitual, partilho a playlist desse momento. Foram mais que dez músicas, mas penso ser capaz de rapidamente escolher as 10 que poderiam acompanhar um gin com vista para o Tejo... Um "Real Gin", assim era apelidado pelo barman responsável pela carta.

Começo talvez pela música que ainda vinha no carro, até porque as demais pouco terão a ver. É uma das malhas preferidas para a condução, embora não tenha tiques de Rainho. Os Kasabian e a sua "Club Foot" são daquelas que transformam o mais tranquilo festivaleiro num verdadeiro maluco da poeira ou da lama. Para rolar no alcatrão ou encher as cavas das rodas com terra, "Club Foot"!

Mas um gin com vista rio quer-se mais calmo, sobretudo enquanto se espera e se vai tentando perceber o que aí virá. Faz sol... Faz sol, o tempo convida e volto-me para outros ritmos, não consigo deixar Itália... Aquele momento, não sei porque motivo, lembrou-me Como, a cidade, a porta do Lago e a Georgia (aqui em dueto com Eros Ramazzotti). Pouco tem a ver, mas talvez a companhia, talvez as curvas e todo aquele lago até lá chegar, no fundo, "Inevitabile".

É notória a calma e o percurso da força da música para algo mais leve. Chego a Lorenzo Jovanotti, em Portugal, ficou em tempos conhecido pelo "apelido" mas depois desapareceu... Como tantos outros. Em Itália vai tendo o sucesso habitual. Fica "Chiaro Di Luna", uma música que me tem acompanhado desde o final do ano passado!

E enquanto os meus olhos navegam pelo Tejo e pela senhora que é arrastada por um Labrador... Pelo cavalheiro que, ao meu lado, troca a música por um cigarro, continuo por Itália e não mudo de pasta. Quererá isto dizer alguma coisa? Por norma sucede mais com Espanha. Quem não gostar pode já deixar este espaço. Estou em querer que vamos andar por aqui, e agora com Ermal Meta com "A Parte Te".

Temos dias assim, o copo ainda nem vai a meio. Vou abandonar os italianos, prometo... Mas avanço e tenho de acabar com duas das melhores vozes de Itália. Duas cantoras singulares e com timbres tão diferentes - o resultado não poderia ter sido melhor, novamente Giorgia, mas agora Gianna Nannini (e como eu adoro ambas). Salvami... De quê, não sei...

Os ouvidos voam agora para os Estados Unidos, para o CD Metropolis, o quarto de Peter Cincotti e que alguém há "muito" tempo meu deu a conhecer e desde então, a cada lançamento, o Robinson corre para o comprar! Peter Cincotti é um indivíduo bem disposto, lutador e que se deu bem mas não perde o seu lado sofredor! Gosto disso e com este gin, com este sol, só me poderia recordar de "Madeline"... "Oh Madeline... Always in the back on my mind".

Uma coisa leva à outra e agora é mesmo preciso tragar o gin, calmamente... Lembro-me de uma história que acabava com um "glass of wine" mas não a vou contar aqui, até porque pouco tem a ver com o estado de espírito do momento.  Por falar em momento, talvez uma das melhores vozes internacionais da actualidade, Jacob Banks! Uma espécie de Seal mas que se arrisca a ser ainda mais intenso na sua música, na sua voz. "Unknown (to you)" é um hino ao amor, à música... A tantas e tantas outras coisas. Esta tarde tinha de estar ao meu lado. Wow...

Wow... Por isso me repito e volto à carga com Jacob Banks. Abano a cabeça, o indivíduo do cigarro olha para mim. É ele que tem a nicotina na mão mas sou eu que percorro o alcatrão dos pensamentos que uma tarde soalheira junto ao Tejo traz. "Chainsmoking" é o tema escolhido, não pode ser outro, agora não.

O tempo está-se a esgotar, vão chegando mais pessoas... Gosto do movimento humano, sobretudo quando respeita os demais humanos. Mas admito, estou na minha bolha e quero sossego, vou aproveitando o que sobra do gin e entra Lloyd Cole com "Like a Broken Record". Música à Lloyd Cole e que contagiou a plateia em tempos quando apresentou o albúm por estas terras. Com esta música acabo por "entrar" num dos barcos ancorados e olhar a terra desde o rio. É interessante, sentimo-nos protegidos. Os verdadeiros homens do mar chegam a ter medo da terra...

Acaba a bebida, obrigações cumpridas e pagamento saldado. Escolho uma música para me acompanhar nos últimos minutos deste momento. Procuro... Tem de estar por lá. Surge Nick Cave (com os The Bad Seeds, claro) com a sua voz poderosa! "Into my Arms" é uma música forte, não deveria concluir este pedaço da tarde desta forma, mas Nick Cave não é homem para nos deixar indiferentes. É hora de sair com as ideias baralhadas, o que, pontualmente, também nos ajuda a organizar o nosso mundo... Nosso mundo? Nah...

E  no final, é interessante perceber como tudo começou e como tudo acabou. O copo vazio, a tarde a perder o seu sol mas a minha cabeça bem cheia...

 

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Um miserável intocável e existencialista...

por Robinson Kanes, em 23.08.19

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Imagem: Robinson Kanes

 

A semana foi longa, com mais altos que baixos, com alguma perda de esperança em relação ao futuro - não ao meu, mas ao deste Mundo. Talvez por isso, e por outras trocas de palavras que fui tendo com um senhor chamado "Folhas", recorde para o fim-de-semana o seguinte ensaio: "O Existencialismo é um Humanismo - Da Fenomenologia a Sartre" de Vergílio Ferreira. É uma interessante abordagem onde o pensamento de Sartre, Husserl e Heidegger estão bem presentes e são soberbamente dissecados pelo professor de Melo, concelho de Gouveia. Sem esquecer outros, conceitos como o de "realidade humana" estarão bem presentes.

 

 

Tudo se passa como se, para todo o homem, toda a humanidade tivesse os olhos postos no que ele faz e se regulasse pelo que ele faz. E cada homem deve dizer-se a si próprio: "terei eu seguramente o direito de agir de tal modo que a humanidade se regule pelos meus actos?" E se o homem não diz isso, é porque ele disfarça a sua angústia.

Vergílio Ferreira, in "O Existencialismo é um Humanismo - Da Fenomenologia a Sartre"

 

 

E porque talvez o espírito o alimente, a banda sonora deste fim-de-semana é mesmo uma banda sonora, ou melhor, um musical... "Les Misérables", o romance de Victor Hugo que já foi filme, musical e tudo e "mais alguma coisa" mas que continua tão presente em todos nós como uma das mais belas Histórias de sempre! Por cá, em formato musical, não mp3, está a banda sonora do filme de 2012 realizado por Tom Hooper e com a música de Alain BoublilClaude-Michel Schönberg. Gosto de ouvir a música, não ter imagem para poder criar o puzzle das diferentes representações, a que já assisti, no meu pensamento. Todos têm uma personagem preferida, eu tenho a minha, Javert! E se quiserem acrescentem Éponine. Enfim, só poderiam ser estas duas... 

Nos últimos tempos faz-nos falta ser Misérables... Muita falta. E se existem romances que nos podem ensinar muita coisa sobre a vida, este é um deles. Selecciono duas passagens relacionadas com as personagens: a primeira, Por muito que goste de Russel Crowe e queira colocar a do CD, tenho de escolher Philip Quast com "Stars"... É impossível não nutrir simpatia pelo grande "vilão" "Javert" depois de ouvir esta música...

A segunda, para Éponine, e aqui Samantha Barks (a do filme de Hooper) tem todo o destaque, uma das melhores actrizes e vozes do filme, aliás já trazia esta escola antes de chegar a 2012. Phénoménal este "On My Own".

E para terminar, um filme, como vem sendo habitual... "Les Misérables" será demasiado... Fico-me por "The Untouchables", o filme de Brian de Palma e que, grosso modo,  representa a vida de um grupo de polícias, liderado por Eliot Ness, que decidiu arriscar a vida e tentar capturar o temido Al Capone! Um filme de corrupção, honra e de "Homens" para "Homens". Muitos já o terão visto mas colocar Robert de Niro, Kevin Costner, Sean Connery e Andy Garcia no mesmo filme só pode dar bom resultado. Um filme em homenagem a todos os que combatem o crime e a corrupção.

E não se esqueçam: Na eventualidade das temperaturas aumentarem em média 2 a 2,5, todos os anos o gelo do ártico estará derretido completamente em Setembro. Acho que todos sabemos o que isso significa.

Talvez este e outros motivos nos façam levantar a voz e... (em Hong Kong já o fizeram em Junho)...

 


Do you hear the people sing?
Singing the song of angry men?
It is the music of the people
Who will not be slaves again!
When the beating of your heart
Echoes the beating of the drums
There is a life about to start
When tomorrow comes!


Will you join in our crusade?
Who will be strong and stand with me?
Beyond the barricade
Is there a world you long to see?


Then join in the fight
That will give you the right to be free!


Do you hear the people sing?
Singing the song of angry men?
It is the music of the people
Who will not be slaves again!
When the beating of your heart
Echoes the beating of the drums
There is a life about to start
When tomorrow comes!


Will you give all you can give
So that our banner may advance?
Some will fall and some will live
Will you stand up and take your chance?
The blood of the martyrs
Will water the meadows of France!


Do you hear the people sing?
Singing the song of angry men?
It is the music of the people
Who will not be slaves again!
When the beating of your heart
Echoes the beating of the drums
There is a life about to start
When tomorrow comes



Bom fim de semana...

 

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Ribadesella e uma Praia Asturiana...

por Robinson Kanes, em 19.08.19

ribadesella_asturias.jpgImagens: Robinson Kanes

 

A vida é feita, bem o sabemos, de pequenos nadas que é o que mais conta para o nada que somos no fácil e correntio.

Vergílio Ferreira, in "Conta-Corrente III"

 

As montanhas estão cada vez mais perto, aliás, em Llanes já se mostravam na sua supremacia terrestre suprema mas, e embora uma paixão pela altitude e pelos mistérios dos montes, custa-nos deixar o mar... E é por isso que seguimos o "Sella" até Ribadesella!

ribadesella_asturias (2).jpg

Custa-nos deixar o forte aroma que vem do Cantábrico e talvez por isso fiquemos presos a Ribadesella, mais um pequeno porto, mais um pequeno estuário, mais um encontro entre os pálidos rios da montanha e o mar em toda a sua força - até "esquecemos" o Património da Humanidade, a "Cueva de Tito Bustillo" e nos deixamos encantar por um passeio na marginal junto ao rio (o "Sella"). Caminhamos até onde este beija o mar, uma caminhada na areia ("Playa de Santa Marina") onde também partilhamos um beijo celebrando esse encontro e onde o vento faz convidado.

ribadesella_asturias_2.jpg

Ribadesella é aquele local de veraneio com cariz de norte da Europa, afinal os Picos da Europa estão mesmo ali, Cangas de Onis (uma das portas de entrada) é bem perto... As casas demonstram um apetite das famílias pelo local e também da própria aristocracia, afinal estamos num Principado onde a comunhão de um povo de forte e nobre raça se une a uma aristocracia secular.

ribadesella_asturias_4.jpg

Mais uma sidra? Ainda é cedo e a tortilla de Llanes ainda faz "estragos" no estômago. Contemplemos o mar e aproveitemos para percorrer a cidade, junto às docas, cheira a peixe fresco que trocou as caixas de madeira pela esferovite...

ribadesella_asturias_5.jpg

Despedimo-nos de Ribadesella com um até já, até porque temos curiosidade com o pôr-do-sol. Mais uns quilómetros, mais uma alteração de planos, se é que os mesmos existem... Não resistimos, contudo, e queremos terminar a manhã junto ao mar... Acabamos junto a uma praia, uma praia asturiana com uma "Estrella Galicia" na mão e um sorriso a cada gole enquanto alguém, ao longe... tal como nós, conversa com o mar e deste recebe em troca toda a sua venustidade. Recordo Michael Nyman, aliás, Michael Nyman pelas mãos de Valentina Lisitsa com "Time Lapse" - banda sonora do filme "A Zed & Two Noughts". Porquê? Não sei... 

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Playlist para um dia de Verão Pós-Laboral...

por Robinson Kanes, em 06.08.19

Alcochete.jpg

Imagem: Robinson Kanes

 

 

Já lá vão uns tempos que não partilho um pouco de mim... Por norma, um pouco através da música e daquilo que nos transporta para outras dimensões do pensamento... Sem sair da realidade...

Um fim de tarde de Agosto... A varanda... Uma cadeira e a vista para lá, entre as duas árvores que sombreiam os melros no solo e acolhem o rouxinol que simplesmente fez um contrato com alguma editora e nos dá música o dia inteiro. 

Mas o que se ouve enquanto o copo com vinho branco já perde a sua frescura e pede um gole rápido para voltar a receber a frescura de um néctar alentejano?

 

Começo com a Andrew Bird, a noite ainda não chegou, talvez seja uma ótima transição para a azáfama de um dia que parecia não ter fim... Com esta música ficamos com a sensação de que o mesmo tende a não terminar, efectivamente... Mas terminamos numa paz onde a esperança reina, sobretudo em tempos conturbados. Se puderem, visitem a letra desta música, "Bloodless".

"Há o desejo, que não tem limite, e há o que se alcança, que o tem. A felicidade consiste em fazer coincidir os dois", quem o disse foi Vergílio Ferreira na "sua" "Conta Corrente IV"... Michael Kiwanuka com "Love and Hate"

Começo a perceber que o fim de tarde não será de grandes saltos... Será do vinho? Fresco, mas tranquilo na forma como nos acalma... "I Go to Sleep" dos "The Pretenders". Ainda é cedo para recolher a Morfeu mas nunca é cedo para ouvir esta música, nunca é cedo para nos deixarmos adormecer e acordar na manhã seguinte... Escutem a letra...

Continuo perdido em décadas distantes, mas o sol, a preparar o seu caminho até desaparecer faz-nos lembrar que, de facto, "Always the Sun" é que nos torna melhores... Não o astro, mas talvez aquele sol que podemos ter em cada um de nós. Fica o tema maior dos "The Stranglers".

O meio da lista deverá ser uma transição e a escolha passa por uma daquelas músicas que associo sempre a um fim de tarde na praia, antes de recolher e deixar que a noite se prolongue enquanto, sentados, entre amigos, vamos deixando que a espuma do mar, mesmo ali à frente da esplanada seja testemunha de momentos que, por certo, um dia vamos recordar certamente... Kings of Convenience com "Misread". Sabe bem dançar esta música, mesmo com os pés cravejados de bagos de areia.

O Verão, vida... Paixões e saudades, mesmo que os pés estejam sempre lá. Sons de Espanha, de Barcelona... E música para apreciar o vinho a rodar no copo numa dança frenética com o vidro!  Jarabe de Palo, com "La Flaca"...

Por un beso de la flaca daría lo que fuera
Por un beso de ella, aunque sólo uno fuera
Por un beso de la flaca daría lo que fuera
Por un beso de ella aunque sólo uno fuera
Aunque sólo uno fuera

"Seremos amanhã uma grande noite. E numa noite espessa é mais visível um fósforo aceso que um grande monumento às escuras". Novamente Vergílio Ferreira e "a" Conta Corrente IV... Obrigatórios até porque estão em cima da mesa, lá atrás... O mote para esta música e para continuar em Espanha com os Vetusta Morla e "Golpe Maestro".

De regresso à língua inglesa, trago para junto dos ouvidos os James. "Born of Frustration" é talvez uma das músicas mais conhecidas de uma banda que apaixona e sobreviveu a um certo hype que abundou há alguns anos e onde só algumas bandas conseguiram perpetuar a sua música. O copo abanou, é certo... Por pouco não se entornou o precioso néctar!

Para que não digam que não escolho música portuguesa e porque a noite mostra agora todo o seu negro contrastante com as estrelas e as luzes da cidade, "Nightfalls" dos "Best Youth"... Eu sei, eles não cantam em português, mas devo admitir que não é uma língua que me apaixone em termos de música. Os Best Youth são talvez uma das melhores bandas da actualidade e que poderiam estar noutros caminhos, bem mais altos...

Tenho de fazer isto acabar em grande... Talvez acabe com a banda que me acompanhou ontem durante uma boa parte da manhã . e assim ficamos com o mote para ainda aproveitar esta noite que promete ser quente... Tame Impala com um dos seus grandes hits, "Let it Happen". Move that body e dia 09 deste mês lá estaremos em Helsínquia no "Flow Festival"...

Apreciem o fim do dia...

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