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Playlist para uma Noite Sem Ti

por Robinson Kanes, em 07.03.19

Quantas vezes, entre um moscatel, uma caipirinha feita à pressa, um Porto da melhor qualidade ou entre um simples branco do Tejo ou um Tinto alentejano não nos sentamos à varanda e vivemos uma "noite sem ti"? Talvez hoje, não à varanda, mas entre vidros protegido pela chuva, encontre algumas sonoridades que poderiam fazer-me recordar-te numa ausência tua...

 

"Love doesn't End" e o regresso a Michael Nyman. Aquele que nos marcou para sempre e que já escutámos apaixonadamente... Trago-o também de um filme brilhante, "The End of the Affair" onde Juliane Moore e o Ralph (o Fienes de quem tanto gostamos, sobretudo no teatro) contracenam num filme inesquecível. Das poucas obras literárias que Graham Green que até aprecio.

Poderia agora escutar o "Intermezzo" de "Cavalleria Rusticana", de Mascagni -no entanto, já aqui falei dele - uma das peças mais bonitas de todos os tempos quando a temática é a música... Fiquemos com a "Ouverture" que não nos deixa indiferentes antes daquela entrada em palco do Placido Domingo, lembras-te?

Não consigo sair da música clássica e é na inacabada "Zaida"  de Mozart que encontro "Ruhe Sanft". Não me perguntes o porquê de gostar desta ária... Talvez pelo alemão... Talvez pela vulnerabilidade que, pontualmente, o mais forte dos homens também sente.

Stavros Lantsias... Porquê? Porque me embala, entre a ingenuidade e verdade do amor quase infantil dos 20 e entre a maturidade (ou ideia dela) em anos mais adiante. Porque nos torna infantis no amor quando a seriedade é uma realidade que nos rodeia... Prefiro e deixo-me levar por esta "Valsa dos Olhos".

Não podia deixar passar uma "playlist" destas sem trazer o Ennio... O Senhor Morricone que nos faz viajar pelo mundo atrás dos seus concertos... Também não poderia deixar passar "For Love One Can Die". Pela nostalgia, pela profundidade, pela recordação do grande actor Carlos Paulo naquela peça... Talvez porque a música do Ennio tem aquele efeito em mim... Talvez porque me torna nostálgico de uma época que nem vivi, que nem sequer era sonhado... Talvez a recordação de amor, de sofrimento, de um mundo de emoções... Quando as emoções são algo em vias de extinção!

Se há filme que superou largamente o livro foi "Out of Africa" mas... Há algo que ainda superou o filme: aquela banda sonora única de John Barry! Já não se fazem composições destas... Também já não se fazem filmes destes... Também já não se fazem actores destes... Talvez aquela atracção por África venha deste filme, ou então pela carga genética que carrego ou carregamos, afinal todos "nascemos" em África... E em 1986... Em 1986 eu nem "existia"!

Tenho de voltar ao Ennio e à recordação de "Amore per Amore", mais uma daquelas que nunca se esquece e que, associada ao filme, ainda mais intensa se torna. O filme, "Così Come Sei" permitiu esta pérola e sim, gosto de Marcello Mastroianni. Olhar para lá da varanda, contemplar as estrelas que as luzes da cidade nos deixam fitar. Olhar para lá, onde estou sem ti.

A noite vai longa, a madrugada apela aos sentidos e importa dar uma certa voz ao momento... Revejo-me nas palavras de Vergílio Ferreira quando sei que não posso sentir falta da vida mas sim daquilo que a faz viver. Talvez por isso tenha de trazer uma das divas dos nossos tempos e uma das suas mais brilhantes interpretações... Diana Krall e "Why Should I Care"... De facto, why should I care...

Uma das músicas mais interpretadas em castelhano, sobretudo no espanhol da América do Sul, é a "Historia de un Amor". Fiquei indeciso entre Luz Casal e Guadalupe Pineda. Desta vez ganhou Pineda com uma interpretação mais nossa, mais quente e levada ao expoente máximo de uma paixão que se distancia por não estares aqui... Até porque "não há remédio que cure o que a felicidade cura", dizia García Márquez no seu "Do Amor e outros Demónios".

Tenho de fechar com algo vocal e moderno - sob pena de ainda me acharem velho e trágico...Tenho de fechar com algo que me torne a noite mais tranquila, tenho de fechar com algo que nos possa unir e também unir todos aqueles que podem vir a ler estas sugestões, esta partilha... Tenho de fechar com algo... "Stay or Leave" da Dave Matthews Band e acreditar que este meu lado mais virado para o "acosmisme" efectivamente mostre que tenho razão... Além disso, vão pensar que sou lamechas.

 

 

 

 

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Entre o Pano do Pó, o Nyman e o Império...

por Robinson Kanes, em 24.02.17

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Hoje não é dia de passar a ferro, afinal é Carnaval, ninguém leva a mal. É, contudo, dia de limpar a casa... os pêlos do Pastor Alemão não dão tréguas (e não tenho capacidade de apreciar a palavra "pêlos" sem acento circunflexo). Vem também aí o fim de semana, que promete ser chuvoso, pelo que me inquieta a banda sonora para o mesmo, e claro... para a nobre arte da faxina.

 

Têm sido tempos de muito pensar e, entre vassouras, esfregonas, panos e aspiradores, a melhor sonoridade que me surgiu foi... não, desta vez darei tréguas e tentarei fugir às grandes orquestras. No entanto, não vou fugir ao piano, e decidi escolher o Sr. Michael Nyman, um cavalheiro que admiro e que me transporta para dimensões que, pontualmente, nem eu consigo explicar. Não me canso de o ouvir e ver ao vivo. Escolho “Love Doesn’t End” – por sinal, banda sonora de um filme, “The End of the Affair”.

Entre panos e o pó, talvez para pensar se o Amor nunca acaba efectivamente... se pode perdurar ou se... simplesmente morre, como tudo nesta Terra.

 

Vergílio Ferreira costumava estranhar que as pessoas dissessem que não existia amor como o primeiro, questionava-se, contudo, pelo facto de, ao não existir amor como o primeiro, porque é que este também não era o último? Ou será que o primeiro amor não obedece a uma razão lógica e organizada da vida? Terei tempo enquanto vou ouvindo “Love Doesn’t End”... ignorem o vídeo e escutem a música...

 

Mas, uma sexta-feira, fria e molhada, não seria uma sexta-feira sem um filme e, posto que me sinto a ficar lamechas, o que nem encaixa muito na minha forma de ser, vou-me abandonar ao Império do Sol. Este é um filme de 1987, com Christian Bale e o grande John Malkovich, sem esquecer o Sr. Spielberg na realização. Não vou falar muito do filme, senão que é uma história incrível e conhecida por todos. Prefiro o enfoque, na cena em que o jovem Jim entoa o Suo Gan. Confesso que vi o filme ainda criança e bem depois de 1987, no entanto, aquele momento marcou-me ao ponto de ter uma paixão pelas “Evensong” de Londres, seja em Westminster ou na St. Paul's Cathedral. Poder assistir aos coros, cuja magia ecoa por paredes tão frias e as aquece num conforto que só experienciado se pode sentir, é algo singular. Deixo-vos por isso com uma das cenas mais marcantes do filme e, também, com o coro do King’s College.

 

Bom Fim de Semana... Bom Carnaval... e... se chover... Molhem-se...

 

Fonte da Imagem:http://www.listal.com/viewimage/8702194

 

Michael Nyman - "Love Doesn't End"

 

Cena do Filme "O Império do Sol"

 

 

O Coro do King's College em Cambridge

 

 

 

 

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