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Imagens: Robinson Kanes

 

 

Todavía cambian más las cosas que tenemos delante de loso ojos que las que viven sin distancia debajo de la frente. El agua que viene por el río es completamente distinta de la que se va. ¿Y quién recuerda un mapa exacto de la arena del desierto.... o del rostro de un amigo  cualquiera?

Federico García Lorca, in "Así que pasen cinco años" 

 

 

Tarde vai um Sábado onde se almoçou sushi para fugir à rotina -  entrar na comida da moda para dar descanso ao estômago - se bem que um branco de Bucelas no Inverno cai sempre bem, sobretudo numa monocasta de Arinto. Arinto... Aquela coisa que até o pior apreciador reconhece logo pelo aroma e pelo paladar. Desta vez foi um "Prova Régia" e que mesmo refrescado ao momento não desapontou.

 

Apesar de bastante trabalho, uma semana com muita actividade... No que concerne à sétima arte, dose tripla do melhor, uma da Geórgia, outra da Coreia e outra de França. Tentar perceber qual das três a melhor é um exercício demasiado complexo. Graças à quarentena cinéfila do meu adorado Nimas/Medeia consegui ver "Chantrapas" de Otar Iosseliani - um quase filme de cinema dentro do cinema e nos mostra uma realidade que, muito provavelmente já vivemos. Juntemos-lhe "Le P'tit Quinquin" de Bruno Dumont. Adorei o "Commandant Van der Weyden" interpretado por alguém que não é propriamente actor mas faz ver a muitos: Bernard Pruvost. Uma interpretação fantástica (e bem real, porque aquele senhor não está só a representar) para um filme que enquanto toca entre alguns dos males da sociedade explora o já conhecido naturalismo de Dumont. Este ainda é passível de ser visto no site da Medeia Filmes. Três horas de filme que valem cada minuto... Cada minuto até o "Commandant" virar as costas perante o olhar de Quinquin.

Dose tripla a terminar, já fora do espaço Medeia, com mais um daqueles filmes coreanos que, à semelhança dos filmes japoneses, conseguem entre a fantasia e a realidade espoletar em nós as mais profundas emoções. "Deok-Gu", mais conhecido por "Stand by Me" é uma obra prima entre a história de um avô e do seu neto e de como existem separações que não são possíveis, simplesmente... Um filme, à partida para preencher um início de noite, mas que acaba por nos deixar a pensar noite dentro. Grande obra de Bang Soo-In e uma interpretação maravilhosa de Lee Soon-jae como avô! 

Um fim-de-semana este, apimentado com Lenny Kravitz , especialmente com "Ride". Este músico é daqueles que não perde aquilo que o tornou famoso e vai conservando um estilo muito próprio sem ceder às tendências de destruição da boa música. É sempre um gosto ouvir o intérprete da brilhante "It Ain't Over Til It's Over".

Fecho com uma das minhas últimas leituras do universo García Lorca, nomeadamente duas peças extraordinárias: "El público" e a espectacular "Así que pasen cinco años". Quem já viu as duas representadas vai perceber a intensidade das mesmas e a presença do espírito de García Lorca em cada fala. García Lorca foi um génio e mais do que uma vítima da guerra civil, é um verdadeiro colosso da poesia e dramaturgia espanhola... E de uma época que, apesar de toda a turbulência, deixou a sua marca na História Mundial, sobretudo a nível político, social e claro, artístico.

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Bom fim-de-semana...

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Um Hendrick's com Whitman, Clio e Leone...

por Robinson Kanes, em 08.01.21

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Imagem: Robinson Kanes

I know I have the best of time and space, and was never measured and never will be measured.

Walt Whitman, in "Canto de Mim Mesmo"

 

 

Quem me conhece por aqui, provavelmente terá ainda estranhado o facto de não ter abordado a invasão do Capitólio. Tenho de admitir que me preocupa mais a invasão da Assembleia da República por alguma gente da pior espécie e que esta semana esteve na ribalta. Confesso que também aguardo mais dados para formular o meu pensamento. Talvez para a semana, longe do chinfrim e com toda a informação recolhida, porque para já, o palco já tem muitos actores.

 

Admito que agora o que me apetece é mesmo um Hendrick's com uns cubos de gelo, a rodela de limão e a tónica... É bom o mundo parar de vez em quando, sobretudo na nossa varanda. Entre os raios de sol que combatem este frio, acompanho o gin com um livro: Walt Whitman é o escolhido com "Canto de Mim Mesmo". Tenho dias em que me dá para a poesia, embora a poesia de Whtiman seja pouco poética no sentido em que podemos interpretar a mesma como uma lição prática, não só da realidade norte-americana mas também de nós próprios: talvez isso nos ajude a não ser tão idiotas na interpretação de certas realidades.

 

Com o gin ainda a meio, é provável que me deixe levar pela música, uma presença constante ao longo da vida. Ainda não passaram duas semanas que morreram dois dos mais elevados intérpretes latinos, Armando Manzanero e Carlos do Carmo. Do "viejito" falei aqui, do segundo recordo uma das suas menos conhecidas: "Palavras Minhas", uma interpretação única dos versos de Pedro Tamen. Todavia, tenho de reconhecer que o dia se vira para outras sonoridades e é aí que encontro uma paixão de longa data, a francesa Clio... Escolho "Amoureuse" no iPod. Sim, hoje estou um iPod. Talvez o final da minha estada na varanda, antes que me transforme num abominável homem das neves, seja reservado para os Groove Armada e onde não poderá faltar "My Friend". Esta música traz-me demasiadas memórias, de uns anos em que um "contrato" não me permite falar sobre o que vi, ouvi e fiz... Grande banda sonora para tanta coisa...

É provável que este fim-de-semana contenha cinema e se assim for, já está ali de lado a obra prima de Sergio Leone, "Once Upon a Time in America". Um dos filmes de gangsters mais longos da história e um dos mais apaixonantes... James Woods e Robert de Niro (e até uma presença de Joe Pesci). É mais um daqueles filmes que nunca se apagarão da nossa memória e que veremos vezes sem conta. Um lado de Sergio Leone apaixonante que foi um tremendo sucesso na Europa depois de ter sido mal visto nos Estados Unidos, sobretudo pela duração... Bons actores, uma excelente realização e sem esquecer o brilhante Ennio Morricone com uma das suas mais belas bandas sonoras - a música é de arrepiar, indiscritível em termos de emoções e com cada nota composta com uma alma que só Morricone possuía. Um filme duro, bem duro como qualquer bom filme de gangsters e com uma das cenas finais, entre Woods e De Niro que nos deixará a todos...

E como diria Whitman, I take part, I see and hear the whole/The cries, curses, roar, the plaudits for well-aim'd shots/The ambulanza slowly passing trailing its red drip/Workingman searching after damages, making indispensable repairs/The fall of grenades through the rent roof, the fan-shaped explosion/The whizz of limbs, head, stone wood, iron, high in the air.

 

Bom fim-de-semana...

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Convidei Obama para beber um Villas-Boas

Porque o resto ainda está para vir...

por Robinson Kanes, em 06.12.20

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Imagens: Robinson Kanes

 

Talvez os princípios da organização comunitária pudessem ser orientados não somente para realizar uma campanha, mas para governar, para encorajar a participação e a cidadania activa, franquiando o processo àqueles que haviam sido deixados de fora. Ensinar as pessoas a não se limitarem a confiar nos seus líderes eleitos, mas a confiarem umas nas outras e em si próprias.

Barack Obama, in "Uma Terra Prometida"

 

 

Não tenho por prática escrever sobre um livro antes de terminar a leitura, e não raras vezes, até de submeter a obra a uma releitura. No entanto, e graças à minha mãe, uma apreciadora de Barack Obama e que se convence que o tenho como um ídolo, embora questione muito a sua governação, dei uma oportunidade ao cavalheiro em "Uma Terra Prometida".

 

Comecei a lê-lo, acompanhou-me um "Villas-Boas Reserva 2016", e de facto, não poderia ter feito melhor escolha, que rapidamente transitou para o jantar - o vinho. Não é um vinho em que se sinta totalmente o Douro, mas é apetecível para acompanhar uma leitura e um queijo de ovelha (meia-cura) de Zugarramurdi... Sinto saudades de "Nafarroa" e de "Euskadi".

 

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Assisto a um homem simples, o Presidente (esse título nunca se perde) Obama, pelo menos na fase em que ainda está na campanha às primárias. Um homem com real vontade em mudar o Mundo e com um foco muito interessante na sua vida pessoal e na família - a relação com Michelle e com as filhas é apaixonante. Além de que, Obama também é daqueles que dispensa festas e encontros mascarados de palcos para ascensão social e privilegia a família e um pequeno círculo de amigos. Para já, tem o meu voto por também me rever no mesmo.

 

E como é Domingo, e ainda tenho os dedos a estalar depois de ter ido correr com um gelo daqueles, deixo-vos com uma sugestão musical e cinematográfica.

 

Começo pela segunda: "Le Meilleur Reste à Venir" - os franceses (a produção é franco-belga) não conseguem fazer comédias sem uma boa carga dramática e é por isso que um Dezembro não deve passar sem uma ida ao cinema para ver este filme de Alexandre De La Patellière e Matthieu Delaporte. Adorei o duo Fabrice Luchini-Patrick Bruel, especialmente o último actor... É uma verdadeira história de amizade e das decisões difíceis que temos de tomar quando uma verdadeira amizade - algo raro nos dias de hoje - nos coloca à prova. O resto... Vejam o filme.

Para terminar, recupero algo que me tem acompanhado várias vezes neste início de Dezembro... Amilcare Ponchielli e o seu mais que fabuloso "Capriccio per oboe e pianoforte, op.80". Isto é maravilhoso... Ideal para acompanhar uma leitura, o trabalho ou simplesmente para acendermos um candeeiro de pé e ficarmos no sofá a entregar o nosso pensamento às mil e umas taquicaridas que a nossa condição nos obriga a enfrentar.

Bom Domingo...

 

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Félicitacions Boris Vian...Oh! C'est Divin...

por Robinson Kanes, em 07.11.20

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Créditos: https://beta.prx.org/stories/126076

 

Este Domingo, o CCB vai homenagear Boris Vian , um dos grandes mestres da literatura e da música que em Março faria 100 anos... Deste senhor, "Irei Cuspir-vos nos Túmulos", "A Espuma dos Dias" ou "As Formigas" estarão sempre cá guardados... E quando a prosa é boa e a música também, não haverá muito a dizer... Vamos apanhar uma valente bebedeira de "Bordeaux" no "Club Saint German des Prés" e celebrar até a malta cair ao Sena!

 

A mon "ami" Vian, Félicitacions! Pour vous "Le Déserteur", et on va écouter pour Jacques Canetti! 

J'suis snob... j'suis snob...Tous mes amis le sont...On est snob et c'est bon... Temos pena!

Bom Domingo!

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It's Wonderful... Via con me...

por Robinson Kanes, em 02.11.20

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Imagem: Robinson Kanes

 

Os hábitos são fáceis de criar, mas muito difíceis de quebrar.

Paul Dolan, in "Projectar a Felicidade"

 

Um Domingo a pensar no presente... Dou comigo a desejar as últimas gotas do FIUZA Cabernet Sauvignon de 2016 e a deixar-me envolver por sons que me acompanharam ao longo de toda a vida... Alguns mais recentes, outros recordações de um passado que nunca vivi mas que chego a ter saudades, estranha sensação... Talvez por isso, me sinta tentado a partilhar um pouco daquilo que são mais algumas músicas da minha vida e que ontem me acompanharam, entre um tinto e umas festas ao Pastor Alemão.

 

Começo a disparar com Paolo Conte... A música italiana sempre presente na minha vida, não posso deixar de passar a sua poderosa voz em "Via con Me". Um colosso da música para se degustar entre um copo de vinho e uma prosa de Tomasi di Lampedusa... E que colosso!

Não me distancio muito e acabo nos anos 80 em Bordéus para me deixar levar pelo vento da Nouvelle-Aquitaine. É lá que encontro a música dos Noir Désir e como não poderia deixar de ser. É impossível passar ao lado de "Le Vent Nous Portera". Tenho vontade de me fazer à estrada, ir contra todas as regras e apenas parar no Farol de Cap Ferret... Sinto-me "L'Homme Pressé", mais um dos temas desta banda...

De volta a Itália, sem saber ler nem escrever e ainda limitado na minha capacidade de interpretar músicas, existem cantores e compositores que nunca se esquecem, não tivesse uma irmã, aliás duas, com idade para serem minhas mães. Zucchero tornou-se uma voz que sempre andou lá por casa, pelo menos enquanto uma delas não "aparolou". Passa "Oltre le Rive". Na dificuldade em escolher uma só...

Por estes dias, um ou outro elemento que tem a paciência e o mau gosto de me acompanhar noutras paragens, terá lido a letra desta música. Tão actual e tão verdadeira. Ontem dançou-se ao som desta música, ontem apeteceu-nos pegar na bandeira francesa e caminhar qual turba de Delacroix em direcção a esse, cada vez mais, mito! Efeitos do FIUZA, por certo... Falo de Jovanotti, esquecido em Portugal (um sucesso em Itália e no Mundo) devido às prioridades das editoras e das fracas rádios da nação. "Viva la Libertà"... Viva! Viva! Viva!

Um dos colossos da música e um inesquecível concerto que não me sai da memória no Royal Albert Hall! Ainda hoje é recordado por cá com uma saudade daquelas... É difícil de escolher uma música deste cavalheiro, por isso fico-me por um clássico que não poderia ter melhor voz... Joseph Kosma e Jacques Prévert não poderiam ter ficado mais felizes... "Autumn Leaves" pelo brilhante Eric Clapton -  bem a propósito enquanto o vento lá fora faz as folhas esvoaçarem até à Janela. Simplesmente brutal!

Este foi o ano da morte de Morricone, talvez repita a sugestão... Mas o dia convida a esta música e deu-me uma saudade imensa da Sicília. Lembrei-me da Scala dei Turchi e não podia deixar passar "Malena". Hei-de morrer em Cefalu, na Pérsia, no Uganda ou na ilha das Flores, se entretanto não me fizerem a folha por causa do blogue ou eventualmente a senhora da foice se antecipar.

Hoje, enquanto recebia notícias da Arménia, engolia em seco a pensar em como é aqueles dois países (o outro é o Azerbeijão) podem estar em guerra. Caramba, não podem! Não posso pensar que aquelas pessoas com quem bebi o melhor café do mundo possam estar em guerra com outro igualmente afável povo, os azeris. Espero que o entendimento seja para breve, pois a riqueza daqueles países, onde se incluem as suas gentes não pode estar a ser destruído, além de que por aquelas bandas, uma guerra pode ter consequências nefastas para o médio-oriente e para a Europa. Partilho uma descoberta do novo milénio e que passa também hoje na playlist de uma outunal tarde de Domingo: Aram Movsisyan e uma herança arménia, "Msho Gorani".

A culpa de andar sempre rodeado de velhos e de ser o mais novo da família durante muitos e muitos anos levou-me a incorporar gostos que acabaram por ficar. Desde muito cedo Joaquin Sabina acabou por fazer parte da minha vida e nesta tarde em que recordo os presentes e também os ausentes. "Y Sin Embargo" fica também na memória, até porque como dizia Levinas, "a morte é morte de alguém e tê-lo sido de alguém não é levada pelo moribundo mas pelo sobrevivente". Os anos e as saudades não deixam esquecer este colosso da música espanhola.

Por falar em velhos... Só me lembro deste cavalheiro que enche as prateleiras de discos e a memória do computador. Ainda há esperança (talvez não) de jantarmos em Nova Iorque com este cavalheiro a acompanhar ao microfone ou simplesmente a partilhar a mesa. "The Good Life" de poder usufruir desse momento com Tony Bennett seria um dos grandes momentos da nossa vida. Podiam ser tantas... Tantos beijos e abraços, tantas danças e jantares... "That's the good life"...

A banda sonora da tarde prolongou-se, fiquei indeciso em relação a quem deixaria o último lugar da playlist de hoje, entre Beirut, Kings of Convenience e Feist, os últimos a serem ouvidos, escolhi Feist e a poderosa "The Bad in Each Other"...

 

Boa semana e... "Viva la Libertà"...

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Um Mero! Um Mero!

por Robinson Kanes, em 18.09.20

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Imagens: Robinson Kanes

 

 

Porquê este título? Podemos dizer que é uma espécie de private joke relativa a um comensal que em tempos afirmava ter capturado um exemplar deste peixe... O resto, só assistindo, porque contado. Embora não tenho dúvidas que em termos de apetite seja cavalheiro para devorar uma baleia!

 

Entrando também em modo "Sabino Rui", sim, já começo a ter saudades do trânsito em tempos de confinamento, mas não foi isso que me trouxe aqui.

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O que me traz aqui hoje é algo de fulcral importância para a nação: um mero grelhado, uma esmagada de batata doce e uns restos de feijão verde. Chegar a casa e não saber o que fazer, dá nisto. Aproveitam-se sempre uns restos, é um facto e acaba por ser a oportunidade para abrir uma botella. Consta por aí que alguém também andou a fazer das suas, pelo que, fica lançado o mote para vir partilhar ou fazer o mesmo lá nas terras dele.

 

Assim foi esta semana e fica aqui uma sugestão de fazer água na boca e que é bastante simples: um mero (e que seja bem fresquinho), uma esmagada de batata doce, se possível regada com um bom balsâmico, o da imagem já tem uns tempos e veio directamente de Modena, bem perto de Bolonha. Por falar em Bolonha e em iguarias, juntem-lhe umas "Ervas de Provence" (ao peixe) e fica uma maravilha, estas vieram de Avignon, mas penso que até se conseguem arranjar por aí.

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A acompanhar, depois de acabado um resto de tinto alentejano, algo que me tem surpreendido bastante, o "Albariño" das Rias Baixas, zona de Cambados e com perfume do Atlântico. Não confundir com o outro, mais perto da nossa zona de Monção e Melgaço. É de um aroma e de um sabor de tal forma frutados que é impossível dizer não. Neste caso em particular, não abrimos os dois, mas estamos a falar de vinhos que oscilam entre os três e os seis euros. Aquilo a que se chama uma bela pomada, adquirida em Vilagarcía de Arousa e com excelente relação qualidade-preço. O "Cruz de Montirago" é um verdadeiro exemplo de um excelente vinho a preço low-cost.

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Finalmente, e porque o fim-de-semana está aí, uma leitura atenta (até porque é francamente rápida) ao livre do Bernard-Henri Lévy, o conhecido filósofo francês que foi um dos primeiros a questionar o "pânico" em torno do vírus. Uma leitura interessante de alguém que não entra em delírio e nem sempre come aquilo que lhe colocam à frente.

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Em jeito de conclusão, façam uma visita aos Açores, especialmente ao Corvo, hoje dei comigo a recordar aquela malta... Podem começar por aqui e também por aqui

 

 

P.S.: Perdoem a apresentação, mas como referi, é uma daquelas refeições preparadas à pressa, e honestamente, não tenho muita preocupação em colocar tudo no sítio para a fotografia... 

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Parabéns Dr. Adolfo...

por Robinson Kanes, em 12.08.20

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Créditos: https://tamtampress.es/2016/08/09/la-galerna-publica-el-diario-del-portugues-miguel-torga/

 

 

Muitos parabéns,  Sr. Doutor... Hoje um dos grandes génios do século XX português e do Mundo faria 113 anos! A devida vénia! Perdoa-me Vergílio, mas hoje o dia tem de ser do Torga... Com o "Pico Cornón" à vista, não podia deixar passar esta data de um transmontano apaixonado pela montanha. Nunca mais esqueci o "Nora", bem como nunca mais deixei de pensar naquele perdigueiro...

 

Apesar da idade, não me acostumar à vida. Vivê-la até ao derradeiro suspiro de credo na boca. Sempre pela primeira vez, com a mesma apetência, o mesmo espanto, a mesma aflição. Não consentir que ela se banalize nos sentidos e no entendimento. Esquecer em cada poente o do dia anterior. Saborear os frutos do quotidiano sem ter o gosto deles na memória. Nascer todas as manhãs.

Miguel Torga, in "Diário XIV".

 

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Ainda ontem se andou por Braga... Mas admito que hoje ainda subi mais, até às Astúrias, e tive de ir à procura das lentilhas negras ou belugas. Das Astúrias porque foi lá que comprei a última embalagem desta iguaria, mais precisamente em Cangas de Onís. Com uns camarões e uns chocos, temos o jantar perfeito para uma noite bem animada e proteica. A receita é simples e segue por email para os mais interessados...

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E como este autêntico caviar, aliás, bem melhor que caviar (abomino caviar), não pode ser ingerido a seco e a água não abona ao paladar de tal iguaria, vou ceder a um afordable  "Castelo do Sulco Tinto 2016" da Quinta do Gradil.  Bom preço e não fica nada mal... Como os vinhos desta região mudaram e se tornaram tão apreciáveis.

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Para acompanhar todo este cerimonial, nada como ter uma música de fundo que acaba por nos acompanhar ao longo do fim-de-semana, e nos transporta para as Astúrias e até para estes novos tempos, a "Sinfonia nº 9" do compositor  checo  Antonín Dvořák, mais conhecida como "Sinfonia do Novo Mundo". É  uma das mais belas obras do compositor e que foi a minha banda sonora aquando da visita à última morada do mesmo, em Vyšehrad. 

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E como estamos por Praga, nada como encontrar Kafka e começar o fim-de-semana com uma leitura de "Amerika", bem ao estilo que Kafka nos habituou mas com a ligeira diferença, imprevisível ao início, em que finalmente temos uma personagem principal que... de forma simplista, consegue dar a volta.

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E como não falta embalagem e também há sempre tempo para bom cinema, uma sugestão do Cazaquistão, o filme de Sergay Dvortsevoy, "Tulpan". É impossível ficarmos indiferentes e apaixonados pela personagem de Tulpan e o enredo em torno do seu futuro, onde o casamento se revestirá como "obstáculo" principal os desafios do mesmo. 

Bom fim-de-semana,

*Imagens: Robinson Kanes

 

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José Malhoa -  "Retrato de D. Luís Filipe" (Museu José Malhoa)

 

 

A busca de originalidade, que é tão característica da Modernidade, manifesta-se no facto de procurar modelos que são apenas aparentes, que ela destrói, para se afirmar contra eles; os verdadeiros, contudo, dos quais está dependente, ficam assim tanto mais bem escondidos. Este processo pode ser inconsciente; muitas vezes, é consciente e mendaz.

Elias Canetti, in "A Consciência das Palavras"

 

Por Braga, e depois de uma dia onde a Tourigalo bem podia fazer os seus grelhados no alcatrão, admito que me deu para pensar o Mundo. Seria mais fácil antecipar e subir ao Bom Jesus num aquecimento para o dia de amanhã, mas o ar pesado dos fogos de hoje e o calor não o recomendam, nem mesmo à noite... Noite de quinta-feira em que ainda nem sei bem o que vai sair nas linhas de baixo.

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Mas o Mundo hoje é outra coisa, hoje é somente um peixe-galo, ou melhor, uns filetes de peixe-galo com as ovas do proprietário da ementa. Como não poderia deixar de ser, uma paixão do Ribatejo, uma daquelas paixões que não consigo deixar para trás tal é a qualidade que se sente de ano para ano: um "Quinta da Alorna Arinto Chardonnay Reserva". Um branco, é Verão e na cidade dos 3 P está um calor que não se pode, encontro de astros fatal. Adeptos do tinto que me perdoem, mais uma vez, mas nem os franceses resistem aos brancos no nosso Verão. Em relação aos três P, não vou responder a questões, quem é de Braga sabe...

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Lembram-se de lá em cima ter dito que não sabia o  que vinha por aí abaixo? Estou a fazer aquilo que se chama "encher chouriços" e a seguinte tentativa será colocar a foto de um gatinho ou um vídeo com bebés.. Não... Mas posso pensar numa leitura, afinal dá aquele ar de intelectual (o que é um intelectual?) que lê cinco livros por dia. Só me resta colocar a minha foto ou fazer uma entrevista com uma estante repleta livros atrás de mim. Escolho, e por aqui já não é novidade, a minha última aquisição na Lello: "A Consciência das Palavras". Elias Canetti, como sempre nos habituou, aqui pelo ensaio, é mais um daqueles autores que nos faz sempre pensar em como as suas palavras são sempre tão actuais... Em como, apesar de tanta mudança, só o Humano parece teimar em não acompanhar o ritmo frenético do globo - parece que acompanha, mas... Ah! E a Lello não me pagou pela hiperligação e o vinho fui eu que o paguei, mas são malta simpática e por isso...

elias_canetti.jpeg

Já a caminho do fim, a parca inspiração tende a desaparecer e já nem o "encher chouriços" me vale, sai um tema para este fim-de-semana. Pensei em Bach, agora que olho alguns discos do mesmo e que só me trazem à memória o Natal de Berlim de 2013. Dava aquele ar intelectual à coisa, de facto... Mas não... Klingdale e uma noite inteira a dançar isto...

Siga que a Heineken ainda aquece nas mãos... Vinho branco e cerveja holandesa, e a noite ainda agora começou. Ainda vou ter os adeptos do politicamente correcto a pedirem-me que beba sumo de beterraba e a lançarem um boicote a este artigo. A imagem de Sua Majestade Fidelíssima, o Rei D. Luís, "o Popular" é só para dar um ar pedante à coisa e... até aposto que era indivíduo para me acompanhar numa noite de dança e alta rave nos claustros do Mosteiro de Landim...

 

Dance people! Nem que seja em modo confinamento, mas dancem e bebam até ser dia!

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prague_czech_republic.jpgImagens: Robinson Kanes

 

 

É Natal e com o mau tempo os portugueses lidam mal... É natural num país onde uma grande parte das infraestruturas são castelos de papel.

 

E não seja por isso, já que o fim-de-semana com cheiro a Natal vem aí! Sim, afinal algum dia tinha de ser e na época apropriada. Quando o Natal já não é tema é que eu venho falar do mesmo, apesar do esgotamento a que foi sujeito, desde Outubro, por estas bandas e não só. Acho estranho ainda ninguém ter falado do Carnaval ou até da Páscoa, já vai sendo hora.

eugenio_de_andrade_coracao_do_dia_mar_de_setembro-

Uma boa leitura para o Natal... Para aqueles que dizem que a poesia não tem grande interesse para mim, hoje até lhes faço a vontade e atiro-lhes com o "Coração do Dia Mar de Setembro" de Eugénio Andrade. O senhor já morreu há algum tempo, por isso nem estou a aproveitar uma onda de falar que se gosta ou se aprecia um escritor recém-falecido. Tomem e embrulhem com um momento pedante...

 

Variações em Tom Menor

 

Para jardim te queria

Te queria para gume

ou o frio das espadas.

Te queria para lume

Para orvalho te queria

sobre as horas transtornadas.

 

Para a boca te queria.

Te queria para entrar

e partir pela cintura.

Para barco te queria.

Te queria para ser

Canção breve, chama pura.

 

Eugénio de Andrade, in "Coração do Dia - Mar de Setembro"

 

Vou já ao teatro, e aproveito para comprar uns bilhetes para "Ricardo III", encenado por Thomas Ostermeier e texto do grande Shakespeare e em alemão (com tradução). Ideal para a passagem de ano, pois há espectáculo dia 31 também! Podem saber mais sobre esta peça no Teatro Nacional D. Maria II.

 

Para escutar... Música de Natal, admito que já irrita. Por isso, o melhor do Natal pode ser passado com Johann Sebastian Bach e uma bela de uma Kantate. Tomem lá a Cantata BW 142 - Uns ist ein Kind geboren que dizem ser de Bach. Digo-vos que é do bufo, ou não as tivesse todas por cá...

E como existe algo ainda pior que música de Natal, nada como um filme para esta época e bem católico, Forušande, do realizador Asghar Farhadi. Filme iraniano, não podia ser mais adequado ao Natal. A vida e o teatro e o teatro da vida... Enfim, é isto e o filme é muito porreiro! Libertem-se das amarras do menino nas palhas estendido (ou será deitado?) e mergulhem na realidade. Os iraninanos são dos melhores neste mundo a fazer filmes e este é um exemplo supremo!

E finalmente porque é Natal, aproveitem para dizer àquela pessoa que gostam realmente dela, isto se tiverem tempo enquanto dão umas moedinhas ao pobrezinho no momento em que tiram uma selfie... ou no espectáculo de abertura das prendas que em algumas casas chega a ser repugnante, sobretudo quando são tantas que, no caso dos miúdos, nem se apercebem do que estão a abrir e parecem autênticas bestas perdidas no meio de tanta oferta...

 

Feliz Natal...

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