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Dizem que é "Personal Branding"...

por Robinson Kanes, em 08.03.19

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Créditos: https://www.freepik.es/psd-gratis/hombre-elegante-senalandose-si-mismo_938521.htm

 

É só para dizer que se um indivíduo passa a vida no LinkedIn a empolar o seu trabalho, a dizer que é o maior e que até recebe prémios, que tem muito orgulho na equipa (que por vezes nem lidera) e defende que a sua empresa é fantástica além de que é óptimo trabalhar em tal local onde tudo é perfeito e as condições são mais que muitas é porque...

 

...está à procura de emprego!

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Mas Ela não Queria Atravessar...

por Robinson Kanes, em 13.12.17

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(Editado a partir do original publicado a 07 de Novembro de 2016 e que me veio à memória após alguns comentários no artigo de ontem e depois de mais um caso em que a "solidariedade" se mistura com a "voracidade"). 

 

Num destes dias, em mais uma reunião de executivos na Taberna dos Cabrões (ela existe mesmo e fica no Montijo) dei comigo a discutir uma matéria interessante ligada ao personal branding.

 

Não fui o palestrante (quem me dera colocar aqui uma foto em cima do balcão com um headset e um led screen por detrás com a minha imagem e umas garrafas de vinho tinto ribatejano vazias) até porque naquele contexto não tinha curriculum para tal e já vão perceber porquê.

 

À mesa, algumas personagens que decidem os destinos de algumas vidas num raio de 50 metros da dita Taberna: o Sr. António (reformado da indústria transformadora), o Sr. Fernando (idem), o David (o anfitrião e um Chief Happiness Officer nato), o Sr. Lucas (comunista convicto), o Sr. Lima (agricultor) e o Zé dos Canivetes (ninguém sabe muito bem o que ele faz, mas consta que se dedica a uns trabalhos de construção civil), o Sr. Matos (um antigo funcionário das finanças), o Sr. Vasco (trabalhador numa herdade ribatejana) e o Sr. Zé (forcado). Denotem que nenhum deles gosta que os trate por “Senhor”.

 

Na verdade, todos eles, inclusive eu, temos inquietações sobre a arte do personal branding. No entanto, a temática foi mais longe e nisto o Sr. Fernando começa a explanar sobre a “mania das importâncias” e os impactes nessa prática. Chegados à conclusão que naquela cidade ribatejana não faltavam exemplos, a tertúlia chegou às redes sociais e... imagine-se ao LinkedIn!

 

Só eu tinha LinkedIn, aliás não estranho, sendo aquele grupo tão especial, só veio mostrar mais uma vez que as pessoas que mais admiro e que mais se pautam pela competência e capacidade de trabalho não têm LinkedIn.

 

Posto que as conversas são como as cerejas, chegámos à “solidariedade”, tão em voga nas redes sociais. É bom ser “solidário” e além disso esse rótulo ajuda a desbloquear alguns entraves no mercado de trabalho e até nas influências, não sejamos ingénuos.

 

Recordo-me agora das várias partilhas a que tenho assistido nesta rede com actos de perfeita “solidariedade”: é aquele sem-abrigo que convidamos para almoçar, aquele indivíduo bagageiro com ar de pobrezinho ao qual pagamos um bilhete de avião como gorjeta de hotel para ir visitar a família ou então, uma fotografia junto de umas crianças sorridentes que não fazem a mínima ideia do que estão ali a fazer. Parece-me bem e louvável, mas não há tip sem selfie, senão depois como é que eu me promovo nas redes sociais?

 

Até que ponto muitas destas histórias são realidade? Ou sendo, até que ponto são forçadas? Não há limites para o personal branding? É um reflexo do nosso tempo, aliás é por isso que em breve vou iniciar um curso na área da antropologia que procura explicar o porquê da necessidade de fazer posts. De tudo o que leio e já tive oportunidade de observar e estudar, penso já ter algumas respostas.

 

Todavia, dirão os mais críticos: “ouça lá Robinson, se não falar disso, ninguém irá saber, certo?”. Errado talvez, na medida em que nem sempre o apoio/ajuda/intervenção junto de outrem justifica uma imediata “mediatização” da minha pessoa. Alguns dos actos mais nobres que já vi serem realizados não tiveram publicidade e se no fundo queremos mudar o mundo, já deveríamos ficar contentes com o sorriso que daí pode advir. Aliás, o Marketing Social também aí tem uma palavra a dizer em relação a tais limites.

 

Não estaremos a cair no erro daquela história popular em que, a uma turma do ensino primário, é solicitado que façam uma boa acção e aquando da avaliação, três dos alunos dizem ter ajudado a mesma “velhinha” a atravessar a rua. Perante o espanto da professora (três pessoas!) estes respondem que a dita senhora não queria atravessar, daí tal necessidade de reforços. Há quem vá mais longe e com a publicidade do acto crie uma associação que apoia velhinhas que desejam atravessar a rua, garantindo assim, que no futuro todas as refeições serão à base de ostras e camarão. Até haverá espaço para os "herdeiros da parada" iniciarem o seu percurso profissional a "ajudar" os outros.

 

Confesso que penso nisso de um modo que visa a ideia em como corremos o risco, até nestas áreas mais sensíveis de criar um efeito perverso e camuflado de intenção e denote-se que não critico o meio mas sim o fim. É cada vez mais ténue a linha que separa o egoísmo da reciprocidade e da benevolência e isso pode ser perigoso. O mesmo seria extensível a outras áreas, inclusive os recursos humanos, que a meu ver nunca tiveram um lote de candidatos tão solidários, competentes e capazes como hoje... ou um lote tão vasto de profissionais de marketing pessoal e outro talvez ainda mais vasto de propagandistas.

 

“Mas há gente boa”, dirão uma vez mais aqueles cépticos. Claro que há! E ainda bem! Por exemplo o Sr. Fernando que, praticamente sem reforma, todos os dias alimenta o cão abandonado que lhe apareceu à porta, ou o Zé dos Canivetes que teve vergonha de dizer que gastou 30 euros numa campanha do Banco Alimentar (podia ter escolhido melhor, eu sei) ou finalmente do David, que além de oferecer requintadas “ginjinhas” aos visitantes, oferece tamanha boa disposição que transforma um momento de tristeza num fim de tarde de riso e boa disposição (e a culpa não é da ginja).

 

Algumas curiosidades:

Personal Branding: espécie de "eu é que sou bom" ou "olhem para o que eu digo que faço e coloco nas redes sociais, mas não falem com quem trabalha comigo,  a não ser que seja um amigo";

Chief Happiness Officer: uma moda para mostrar que somos muito amigos das pessoas, nada mais;

Tip: gorgeta, mas reparem lá se tip não é muito mais in?

Post: hoje ninguém escreve "comentário", é só por isso.

Selfie: sou eu, estão a ver que sou eu? Sou mesmo eu! Eu estive lá...O que é que lá fiz? Não sei, mas estive lá, vejam!

 

 

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O Grande Inspirador de Marcelo!

por Robinson Kanes, em 21.11.17

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Marcelo não fugiu à tradição e lá tratou de condecorar, mal chegou a Belém, os amigos e talvez aqueles que foram sustentando a sua presença por aí, uma espécie de pagamento por muitos almoços. Todavia, Marcelo Rebelo de Sousa esqueceu-se de condecorar o seu grande mentor e precursor na arte de aparecer a todo o custo em todo os lugares mesmo que seja para trazer uma mão cheia de nada: o emplastro! E convenhamos, até o emplastro é cata-vento, pois não aparece só nos jogos do Futebol Clube do Porto. Estranhamente, condecora futebolistas mas não condecora heróis que salvam um país das chamas, não condecora tantos outros anónimos quando se diz o Presidente de todos os portugueses, discurso esse que, mais recentemente, foi alterado para os portugueses (os que nele votam) e os distraidos (os que nele não votam) ...

 

Acredito, no entanto, que a "Ordem do Mérito" tem de ser atribuida ao "emplastro". E porquê? Sobretudo porque está a nascer mais uma profissão com grande futuro. Claramente não podemos apelidar a mesma de "emplastrista", como muitos já fizeram. Não é "fashion" e não gera "likes". Que tal "Show Off Segment Leader" ou "Selfie Key Account Manager"?

 

Esta actividade está tão desenvolvida que até já existem duas vertentes interessantes: o que vive de se mostrar ao lado dos outros e o que vive de aparecer ao lado dos outros, há diferenças. O primeiro é uma espécie de "Senior Show Off Leader" ou então "Head of Selfie Sticks" o outro é... Enfim, eu sei o nome que lhe posso chamar em inglês mas prefiro não o fazer.

 

O primeiro é aquele que, mesmo involuntariamente, é perseguido por tudo e por todos para tirar uma "selfie". Estamos perante uma espécie de pai natal dos centros comerciais em que as crianças fazem fila para aparecer e consequentemente serem fotografadas ao lado do mesmo. O objectivo das crianças? Uma foto com o pai natal! O objectivo dos adultos? Tirar uma fotografia junto àquele indivíduo e passar a mensagem de que "também" se é importante, mesmo que na verdade não se passe de um lambe-botas aproveitador que não mostra trabalho mas mostra um sorriso ao lado de alguém conhecido. Já estou a pensar em inventar para mim uma personagem - vou fingir-me de indivíduo que fez fortuna a vender espinhas de perca na Tanzânia e que tem agora um negócio de gindungo no Lesoto. Até aqui é simples, paga-se uma campanha, apareço nos locais certos, isto será o que me vai custar menos, depois basta aparecer e começar a cobrar por cada fotografia com a minha pessoa! É preciso financiar a actividade, ao contrário de muitos, o Robinson não é apologista de um "Estado Papá". Alpinistas não faltam. Ainda vou ter um "pivot", imparcial e de Telejornal de canal generalista, a apelar que votem um dia em mim para Presidente da República. Será isso ou uma pequena questão de tempo até alguém dizer que sou eu o padrinho dos portugueses. Não se admirem, existem jornalistas  que o fizeram, todavia, não será de admirar quando também fizeram, e fazem, a apologia de um indivíduo, já falecido, que enganou um sem número de pessoas com empresas fachada.

 

Não esqueçamos o segundo: este é o que aparece sempre junto aos outros, aquele que precisa de estar sempre rodeado de alguém. Existem indivíduos que passam os dias em conferências, seminários, encontros da terceira idade, matinés dançantes, torneios de xinquilho e jogos de futebol das distritais a tirar fotografias. De dois em dois minutos lá vem uma fotografia no palco das redes socias, fotografias tiradas nas piscinas municipais de Cabeceiras de Basto ou na mercearia "O Emigrante" em Virtudes. Convenhamos que isto tem de ser lucrativo, caso contrário estariam a desenvolver outra actividade ou a trabalhar. Estes são uma espécie de Chief Executive Officer (CEO) de uma indústria de papalvos que, ou aparece enquanto outros fazem aquilo que estes dizem fazer, ou vivem somente disso mesmo, de aparecer. E convenhamos, quando aparecemos muito, podemos dizer tudo e mais alguma coisa que somos sempre levados a sério, mesmo quando num dia dizemos uma coisa e no outro o seu contrário. Até no LinkedIn já existem especialistas em... LinkedIn. Estes debitam fotografias com este e com aquele e recomendam os outros a fazer o mesmo de modo a serem atractivos para o mercado... Reparem que não escrevi mercado de trabalho por achar que o conceito de "trabalho" não entra na equação.

 

Entretanto, Lili Caneças e Jô Caneças celebraram já um cessar-fogo temporário pois contam formar uma união para manifestarem o seu descontentamento por aquilo a que acusam de abuso do poder presidencial, posto que a Constituição não permite que o Presidente da República apareça em mais de 5 publicações semanais da chamada imprensa "cor-de-rosa" e em mais de 1500 fotografias ao lado de alguém. 

 

Convidámos tanta gente inútil para estar na "Web Summit" (felizmente por lá passaram também indivíduos de destaque) que nos esquecemos de convidar o "emplastro", pois é ele o grande guru de uma das profissões mais lucrativas em Portugal e bem mais rentável que o "robot Sophia". Aliás, seguidores do "aparecer" não faltaram também neste evento, onde muita gente saiu de lá com selfies mas poucos com ideias... E as boas ideias até andaram por lá...

 

 Fonte das Imagens:

Imagem 01: Semanário Sol

Imagem 02: https://static.noticiasaominuto.com/stockimages/1920/naom_52f68835adf8f.jpg 

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Existe agora, mais uma moda, no LinkedIn, em que os excelentes profissionais que temos por este país e pelo mundo desafiam todos os utilizadores da sua rede, e não só, para algo verdadeiramente profissional e gerador de conclusões importantíssimas para o desenvolvimento das pessoas e das organizações. De facto, quem não tem LinkedIn que crie já uma conta e procure imediatamente ligar-se a estes senhores.

 

Mas o que fazem estes indivíduos? Simples, colocam duas ou mais fotografias e pedem aos demais utilizadores que lhes sugiram aquela que deve surgir numa determinada publicação."Vejam como sou importante, vou aparecer naquela revista que tem mais de... 20 assinaturas".Não é complicado, sobretudo se quisermos escolher algo forçado... já se procurarem algo mais natural, desejo-vos sorte.

 

Temos a versão risonha, altamente bem trabalhada e muitas vezes sem rugas de expressão. Também temos a versão séria, altamente profissional e sempre, mas sempre, com os braços cruzados, ou com as mãos bem juntas.  Existe ainda uma outra opção, nomeadamente, as mãos ligeiramente abertas com as pontas dos dedos a tocarem-se. Temos também, o rosto para o lado e o rosto a encarar quem visualiza. Só não temos é o rosto a trabalhar...

 

A quantidade de pessoas que participa é deveras impressionante. Os palpites são vários, e no fim... aquele indivíduo que quer mostrar ser uma pessoa decidida, valente e com jeito para o negócio, nem maturidade e nem capacidade crítica e analítica tem para escolher a sua própria "imagem". E quando isso acontece... como é que um dia poderá tomar decisões mais difíceis quando nem a sua fotografia para uma publicação sabe escolher. Pelo menos é assim que eu encaro tal tomada de posição.

 

Actualmente, num mundo de tanta exposição, onde é tão difícil separar o menino do coro do gabarola, mas também definir um e outro, sugiro que muitos se escondam, pois já dizia Vergílio Ferreira que “as desgraças não são para se verem, e é por isso que existem as casas de banho”.

 

Em suma, andamos todos a brincar ao profissional, mas o que queremos é um emprego, uns trabalham para isso, outros promovem-se para tal...

 

Fonte da Imagem: https://bossip.com/975637/random-ridiculousness-zoo-employee-dressed-in-gorilla-suit-shot-with-tranquilizer-dart-when-mistaken-for-real-escaped-primate-43081/

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Contrata-se Velha...

por Robinson Kanes, em 02.11.16

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Quem é que ainda não viu o “último grito” do LinkedIn? Até está em português! Mais uma daquelas situações... virais.

 

Eu já tive oportunidade de ver o anúncio (acredito também que estejamos perante um golpe publicitário) que procura contratar uma “velhota”.

 

Muitos têm sido, então na área dos recursos humanos e da gestão são aos "magotes", aqueles que se têm esmerado em partilhas e exaltado tal iniciativa.

 

Eu também gostei, dar trabalho aos mais velhos é óptimo, aliás os mais jovens tendem a esquecer que um dia também vão lá ter mas, como tudo... só pensamos que vamos morrer quando lá chegamos.

 

No entanto, também me apercebi que a grande maioria dos profissionais em tamanho regozijo, excepto alguns indivíduos mais atentos, se esqueceu da violação clara da lei que ali está patente, senão vejamos: tem de ser uma senhora, então não pode ser um senhor? Desigualdade de género. Acima dos 60, vamos discriminar os mais jovens? Afinal, são quem tem a taxa de desemprego mais alta, sobretudo em Portugal e também na Europa. E, não menos interessante, a senhora tem de ser, e passo a citar, “aposentada”. Parece-me bem, no entanto também me parece que aquilo que se pretende é alguém que venha a auferir um salário out of the box, literalmente out of the box da segurança social e das finanças.

 

Soa a brincadeira, mesmo este meu texto é uma forma de brincar um pouco com estes temas, no entanto, numa sociedade onde a superficialidade ganha terreno diariamente, tendemos a esquecer que quem apregoa o bem, nem sempre à sociedade convém.

 

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