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Hess e Bartoli numa Sociedade Karōshi...

por Robinson Kanes, em 15.11.19

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Imagens: Robinson Kanes

 

Uma hora assim com vinho e um amigo, quando se tem um, e uma conversa bem humorada sobre esta vida estranha, é de facto o melhor que se poder. Também tem de ser assim, e nós temos de ser felizes, pelo facto de ainda termos isto. De quanto tempo é que precisa um pobre diabo para fazer um belo foguete e a alegria não dura um minuto! Por isso há que poupar a alegria e a paz de alma e a boa consciência para que haja de vez em quando uma hora assim.

Hermann Hesse, in "Gertrud"

 

 

Entre o sol e a chuva, este Outono vai tendo cores fantásticas... Época maravilhosa e que será mais escura além fronteiras daqui a alguns dias. Por isso, para celebrar o Outono, o habitué da sexta-feira dará lugar a uma Cecilia Bartoli que "elogia" a grande Maria Malibran - polémica e que teve uma curta vida de 28 anos.

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Recordam-se alguns concertos onde encontramos trechos de Vicenzo Bellini ("La Sonnambula", "I Puritani" e "Norma"), Mendelssohn ("Infelici"), Persiani ("Ines de Castro") e tantos outros onde destaco também Hummel. O Outono terá outro sabor... Mesmo entre castanhas e jeropiga,

Para uma leitura ligeira mas nem por isso leve, Gertrud de "Hermann Hesse". Um amor frustrado, um elogio da música e da vida, o ideal para ler antes de ficarmos a meditar ao som de Bartoli. Uma obra bem ao estilo de Hesse, que já passou muitas vezes por aqui, e que não deixará ninguém indiferente.

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E porque não uma ida ao D. Maria II? Brilhantes encenações de "O Bando" com o "Purgatório - A Divina Comédia" que dispensa apresentações e "Karōshi" (na sala estúdio) uma encenação brilhante do trabalho actual, dos dias de hoje e de uma sociedade em colapso. Uma peça para pensar, por certo é o que acontecerá no Sábado. Cumprimentamo-nos lá enquanto assistimos ao "Teatro da Cidade" no seu melhor?

 

E finalmente, para quem gosta de uma boa amizade, para quem ainda gosta de um bom filme sem ir muito lá para trás... "Fried Green Tomatoes". O filme de Jon Avnet que de comédia tem pouco. Um leque brilhante de actrizes onde destaco Jessica Tandy (a eterna Miss Daisy) e Kathy Bates. A vida como ela era, numa realidade dos Estados Unidos que não está assim tão longe. A amizade entre Ruth e Ninny Threadgoode não nos deixará indiferentes, e por certo nos deixará, mais perto do fim, com uma amargura rapidamente ultrapassada por Ninny - e quantos de nós não gostariam de ser Ninny?

 

Bom fim-de-semana,

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Imagens: Robinson Kanes

 

 

Sexta-feira, não raras vezes, é um dia que se aproveita o casebre para apontar algumas ideias mais... "bonancibles"? Eu admito que tento relaxar na pressão dos temas mas nem sempre consigo, pelo que, vamos lá ver se tiro algum peso "à coisa"...

 

Se há coisa que um português gosta é de uma boa esplanada, de preferência sobre o mar! E eis que me lembrei (fazendo vénias) do "meu" Vergílio Ferreira! Dirão "lá vem este com aquela conversa e com os livros do Vergílio", mas este é leve, aliás, tão leve que é uma espécie de conto e que até encontrarão pela internet... "Uma Esplanada Sobre o Mar".

 

Não há nada mais igual do que o mar ou o lume ou uma flor. Ou um pássaro. E a gente
não se cansa de os ver ou ouvir. Só é preciso que se esteja disposto para achar diferença nessa
igualdade. Posso olhar o mar e não reparar nele, porque já o vi. Mas posso estar horas a olhar e
não me cansar da sua monotonia.

Vergílio Ferreira, in "Uma Esplanada sobre o Mar"

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Sim, de facto não consigo manter a leveza da coisa... E se agora tanto se fala de demografia (ou se evita ao não apontar os factos reais e aproveitando o refúgio no politicamente correcto) nada como ir aos "primórdios" do excesso de população e pensar em Thomas Malthus! É uma visão que já precisa dos seus ajustes mas que em determinadas passagens está mais actual e é mais necessária que nunca! Para quem conhece a teoria de Malthus, saberá que este nos dizia (de uma forma bastante sucinta) que a população cresce em progressão geométrica e a produção de alimentos de forma aritmética, logo levava à fome! A isto junta-se a questão ambiental e de sustentabilidade cuja fragilidade aumenta com a eliminação dos predadores e das doenças, entre outros factores.  "Ensaio sobre o Princípio da População"... 

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Uma música... Uma música para um fim-de-semana ou um momento em que estamos perfeitamente em altas (ou em baixas) depende do contexto mas não perdendo o foco no positivo! Para tirar peso à coisa e para se celebrar o amor (seja lá o que isso for... até já há quem use (mal) a ciência para dizer a anormalidade de que este só dura 5 anos), nada como regressar a Tiziano Ferro, agora com Carmen Consoli. "Il Conforto" é um hino à paixão e pelos vistos não fui eu só a achar isso em 2016/2017, quando esta música foi lançada! Tiziano Ferro morreu há muito em Portugal mas em Itália é um senhor! Esta está sempre na lista...

 

Per pesare il cuore con entrambe le mani 
Ci vuole coraggio 
E occhi bendati su un cielo girato di spalle 
La pazienza a casa nostra il coraggio il tuo conforto 
Ha a che fare con me 
È qualcosa che ha a che fare con me

 

E um filme? De facto, quem sou eu para estar aqui com sugestões? Enfim... Porque é que não me dão as vossas também? Trocamos? Afinal, quem sugere é mais do que quem segue? Negativo! Às vezes, bem pelo contrário... Chutem! Deixo "Istanbul Kirmizisi" ou "Rosso Istambul" de Ferzan Ozpetek. Ver este filme é percorrer Istambul , é recordar... E muito que há para recordar! A banda sonora é interessante e embora não sendo um filme perfeito, a história em torno da personagem do escritor Orhan Şahin merece a pena...

Caríssimos... E é isto! Se tiverem tempo, nada como dar uma espreitadela a este artigo que nos fala do ameaçado "Mouchão da Póvoa" em pleno estuário do Tejo! Estou em dívida com o autor, pois contamos iniciar uma série de textos (e talvez, não só) no sentido de alertar para os perigos que o nosso "Tejo" enfrenta.

 

Bom fim-de-semana e... Não se esqueçam que os 10% de assalariados (assalariados, reforço) mais pobres do Mundo têm de trabalhar três séculos (portanto... 300 anos!) para auferir o rendimento anual (365 dias, 1 ano) dos 10% mais ricos.

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Fonte da Imagem: Própria 

 

É sexta-feira e lá vou ter de regressar ao ferro. Levantar pesos e ser o rei do ginásio? Não! Ser mesmo o rei do ferro de engomar! Três calças, umas 6 camisas, duas t-shirts, duas toalhas de mesa, guardanapos e mais umas coisas. Lamento... Não passo roupa interior e por vezes nem lençóis! Há vida para além do ferro...

 

E, como sempre que passo a ferro, surgem-me sempre algumas ideias. Por exemplo, e sabendo vós que me considero mediterrânico por excelência (excepto no trabalho), vou ter a companhia de um dos meus guilty pleasures, nomeadamente música italiana (eu sei, não se pode ser perfeito)! Tenho um gosto especial por música italiana e espanhola... Decidi assim que, quem me vai acompanhar vai ser a napolitana e giríssima Simona Molinari! Destaco duas músicas, até porque uma delas tem outro dos meus artistas de eleição, o norte-americano Peter Cincotti. A primeira, "Dr Jekyll Mr Hyde" (2013), um dueto super animado e que convida à dança e a muitos sorrisos! A outra, "Egocentrica" (2019), vincadamente actual e com a voz de Molinari  em todo o seu esplendor. Esta senhora é um espanto!

 

Como vem aí o fim de semana, e como o Verão não é só praia, porque não uma leitura? Actualmente encontro-me a ler "Uma Fenda na Muralha" de Alves Redol. Ao fim de 179 páginas, posso dizer que me fez reencontrar o espírito da Nazaré e voltar a sentir uma paixão especial por aquele lugar! A Nazaré, do ponto de vista etnológico teve um grande significado para mim, sobretudo por influência do grande Professor Trindade e da forma espectacular (ou este não fosse nazareno) com que falava daquela sociedade matriarcal! Lançou, aliás, um livro “A Nazaré dos Pescadores – Identidade e Transformação de uma Comunidade Marítima”. Foi o Professor Trindade que me apresentou a obra de Jan Brogger, "Pescadores e pés-calçados", uma viagem a mundo real e duro daquela comunidade! Mas voltemos a Alves Redol que, nesta obra, nos transporta para a luta e vida dos "embarcadiços", do medo, do pânico e dos desafios em terra... O neo-realismo português no seu expoente máximo e de uma intensidade apaixonante, ou não fosse um filho de Vila Franca de Xira! A ler, sem dúvida... Até nos dá lições de liderança, que tanto se fala, mas tanto escasseia:

 

Mais do que os outros, menos no medo para fora, porque para dentro todos os homens são iguais. Quando digo «vamos à vante!» apetece-me dizer «vamos para terra» […] Ser arrais é bom, mas sem esta coisa danada de não poder chamar um camarada para junto de mim e dizer-lhe também o que sinto.

Alves Redol, in   "Uma Fenda na Muralha"

 

Bom fim de semana...

 

Ah! A Simona...

Simona Molinari e Peter Cincotti - Dr. Jekyll Mr. Hyde

 Simona Molinari - Egocentrica

 

 

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O Blogger (In)Visível...

por Robinson Kanes, em 18.05.17

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Rembrandt Harmenszoon van Rijn, Uma Velha Senhora Lendo (Museu do Louvre)

Fonte da Imagem: Própria

 

Continuando a minha senda pelos cinco artigos a dizer bem do que é português, hoje dou comigo a pensar na comunidade deste alojamento que é o Sapo. E de como aqui também há um pouco do que é Portugal.

 

No Sapo, além dos habituais blogs em destaque e dos mesmos de sempre a serem sugeridos, uma espécie de corrida de fórmula 1, onde já se sabe quem ganha (embora na fórmula 1, ganhe quem tem os melhores motores e os melhores pilotos), existe ainda um sem número de blogs “(in)visíveis” e de uma riqueza acima da média.

 

Os “(in)visíveis” são, de certo modo, os mais visíveis, pelo menos para mim. Com algum tempo dedicado à pesquisa, facilmente se encontram aqui grandes blogs... Blogs verdadeiramente dignos desse nome. Blogs que me fazem pensar se não devo acabar com o meu perante tamanha riqueza e desinteresse na exposição...

 

Não vou destacar ninguém em particular, não quero correr o risco de esquecer algum, até porque também não os conheço a todos, longe disso. Contudo, quero elogiar muitos desses anónimos (outros nem tanto) que têm o dom da escrita, do pensamento, que detêm uma opinião bem formada acerca do mundo que os rodeia, que nos fazem rir e que nos fazem pensar. Existem por aí espaços que são de uma riqueza única e que revelam uma dedicação imensa de quem está por detrás. Muitos nem são demasiado penosos na leitura para o cidadão comum, mas conseguem transmitir uma mensagem clara, com sentido (e sem sentido, pois também faz falta) e dotada de conteúdo. Com uma sensibilidade própria e sem adereços fúteis ou até mesmo discursos construídos, sem lugares comuns, sem serem o prolongamento de uma rede social (ou individual), sem serem estupidificantes... Sem mais do mesmo.

 

Muitos nem os sigo, gosto de ir à procura, de sentir vontade de ir ler e de aprender, chorar ou simplesmente rir. São blogs que nos acrescentam algo, são blogs que não são mais lixo –sem ser em tom pejorativo – que são realidades próprias e que, ao fim do dia, nos dão e fazem acumular um pouco mais de conhecimento e boas emoções. Muitos nem são um verdadeiro tesouro, mas a partilha e a interacção daqueles que os criam, sobretudo nos comentários, são de um valor imenso.

 

Tenho ouvido dizer que em Portugal temos uma maioria silenciosa, os verdadeiros e bons portugueses, os portugueses que estão calados... Os portugueses que não fazem ruído... Talvez por aqui também exista um pouco dessa realidade, no fundo, uma consciência "Nietzschiana" de que existem mais ídolos de que realidades.

 

Para todos esses que andam por aí escrever, que fazem da nossa língua, do nosso pensamento, das nossas vivências e opiniões algo de útil: o meu muito obrigado. E, se por mero acaso, alguns se sentirem esquecidos, lembrem-se que “os grandes actos da vida nunca devem ter público”, já o dizia Vergílio Ferreira no seu “Em Nome da Terra”.

 

 

 

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