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Paul Delaroche - "A Execução de Lady Jane Grey" (National Gallery)

Imagem: Própria

 

 

A Liberdade! Como é difícil. Numa carroça quem tem menos problemas é o cavalo.

Vergílio Ferreira, in "Conta Corrente II"

 

E é pelo título que começo este texto: a única diferença é que os primeiros utilizam um discurso totalmente diferente e mais meigo para dizerem o mesmo que os segundos não escondem defender.

 

A semana transacta veio mostrar, mais uma vez, que Portugal é um país tendencialmente de esquerda, aliás, a Constituição da República Portuguesa disso é exemplo! É mais fácil criar um grupo terrorista de esquerda que uma tertúlia de extrema direita. 

 

Não vou entrar pelo discurso que vem dizer que os regimes totalitários de esquerda mataram mais indivíduos que os de direita, até porque poderia ferir algumas susceptibilidades, sobretudo de indivíduos que ainda clamam por muitos desses mesmos ditadores e bebem da cartilha dos mesmos como se fosse uma bíblia. No entanto, o caso do (des)convite de Marine Le Pen para ser oradora na Web Summit em 2018 foi uma das maiores demonstrações de que em Portugal a Democracia ainda não entrou numa fase de maturidade, sobretudo debaixo dos tectos daqueles que falam dela diariamente e desfilam pelas avenidas no 25 de Abril.

 

O PCP foi logo um dos primeiros partidos a insurgir-se contra tal convite! É estranho quando estamos perante um partido que apoia Nicolás Maduro na Venezuela, Kim Jong Un na Coreia do Norte e só não apoia Estaline na Rússia (URSS) porque esse já morreu e mesmo os que o seguiram já não estão disponíveis para levantar o grande império. Importa lembrar que o PCP era também apoiante de um grupo terrorista financiado pelo tráfico de droga, nomeadamente as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC).

 

Outro dos partidos que contestou este convite foi o Bloco de Esquerda... Aquele partido clean, de gente que diz ser do povo e de mente aberta mas que tem vindo a mostrar a sua verdadeira face. Fizesse esse mesmo partido o ruído que fez durante os anos da Troika e agora com esta matéria, com casos como o de José Sá Fernandes, Ricardo Robles e os voltes de face de Francisco Louçã, já para não falar na brilhante gestão da única Câmara que alguma vez conquistou (Salvaterra de Magos) e da presença de Nigel Farage na Web Summit do ano passado, e teríamos sem dúvida um país bastante melhor! Ou então já não teríamos Bloco de Esquerda. E o que terão a dizer o Bloco de Esquerda e o PCP, países declaradamente anti-europeístas mas que depois não abdicam do assento parlamentar em Estraburgo e até em outras instituições europeias, já para não mencionar os subsídios europeus!

 

França, um país democrático, permite a existência de um partido como aquele da qual Marine Le Pen faz parte, já Portugal (ou meia dúzia de indivíduos que gosta de dizer que fala em nome de todos os portugueses - o que é errado, pois não são raras as vezes em que meia dúzia de indivíduos estão sozinhos nessas reinvindicações) não aceita sequer que essa senhora venha a um evento. É razão para perguntar: que Democracia é esta que permite que partidos que suportam o Governo possam agir como uma censura? A tal censura de outros tempos e que tanto criticam... Que Democracia é esta que só defende e só quer ouvir as ideias de um lado em detrimento do outro? Temo que seja mais um caso em que a vítima rapidamente passa a agressor e estes casos têm vindo a repetir-se, a revolução soviética começou assim, só para falar em temas queridos a estes dois partidos... Estamos perante aqueles casos em que os ofendidos animais da quinta, delegando nestes demagogos a sua sobrevivência, acabam por ser mortos ou então ficam a assistir à gula dos porcos!

 

De facto, dá que pensar... Se ambos os extremos são maus, talvez o pior ainda consiga ser aquele que vai absorvendo os impostos de todos nós com um discurso camuflado ao invés daquele que claramente marca a sua posição...

 

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Vive La France!

por Robinson Kanes, em 24.04.17

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Eugène Delacroix, A Liberdade Guiando o Povo (Museu do Louvre)
Fonte da Imagem: Própria

 

Não vou falar de política, nomeadamente de quem poderia ou deveria ter ganho as eleições em França.

O foco da minha análise baseia-se sobretudo numa temática que passa pela ausência de líderes mobilizadores e capazes de arrastar atrás de si os eleitores. Este é um dos dramas dos países da União Europeia e até da própria instituição. Numa época em que se fala tanto, mas tanto, de liderança, são cada vez menos os indivíduos a fazer jus ao conceito. Tantos "gurus" da temática e tão poucos Líderes...

 

Os franceses aperceberam-se disso, aperceberam-se de que o jogo político do costume tinha de acabar, um pouco à semelhança do que aconteceu nos Estados Unidos da América com a eleição de Donald Trump. Resta agora saber se, Macron ou Le Pen, estarão também à altura dos desafios, pois serão mais que muitos numa nova realidade europeia e mundial. Os franceses provaram que os velhos líderes, herdeiros da lição do pós-guerra, da era da prosperidade e do dinheiro fácil não eram a solução para os problemas da sociedade actual, sobretudo a francesa. 

 

A Macron, apesar da ligação a Hollande, resta esperar pela capacidade mobilizadora, que tem de ir mais longe e não se servir só do discurso anti extrema-direita, até porque estando Le Pen eliminada, esse mesmo discurso deixa de fazer sentido e... os franceses querem mudanças! A Le Pen, não poderei deixar de elogiar a força mobilizadora, a visão menos radical que a do pai e acima de tudo a força, à semelhança de Trump, com que enfrentou o "novo" actor político do mundo ocidental: os media! Em meu entender, mais uma vez, os media foram os grandes derrotados de um jogo que não é o seu mas em que insistem tomar parte.

 

Em suma, a vencer a segunda volta, Macron encontrará um desafio já assinalado pelo seu compatriota Rousseau e que defendia que "os povos, tal como os homens, só são dóceis na sua infância, com a idade tornam-se incorrigíveis: uma vez que os costumes estão estabelecidos e os preconceitos enraizados, é uma empresa perigosa e vã querer reformulá-los". O povo francês poderá ter, finalmente, aberto espaço para uma mudança. Veremos, contudo, se essa mudança ocorrerá e como poderá se encetada, quer ao nível do Elíseu quer nas ruas e é aí, entre perfume e suor, que se reconhecem os verdadeiros líderes.

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