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Imagens: Robinson Kanes

 

Já estão a chegar mais dois dias de boa vida. Pelo menos para alguns, pois há quem trabalhe, muitas vezes, para que esses dois dias sejam óptimos para os outros. A semana passada, como em outras, dei folga a esta rubrica, se assim preferirem chamar a mesma - mas o "Dia Internacional da Paz" surgiu-me como prioritário, sobretudo pela ligação que tem agora às questões climáticas e pela ausência de alguma discussão em torno do mesmo.

 

Por aqui será feita uma pausa de alguns dias. Dias para experimentar uma realidade diferente, dias para equacionar uma presença, dias para muitas outras coisas. 

 

E que tal um fim de semana com Albert Camus? "A Queda" é talvez a sugestão que mais se enquadra para o dia de hoje, talvez aquele que me pode fazer reflectir no dia de hoje.

 

Que importa, no fim de contas? As mentiras não conduzem finalmente à via da verdade? E as minhas histórias, verdadeiras ou falsas, não tenderão todas todas para o mesmo fim, não terão o mesmo sentido? Que importa então, que sejam verdadeiras ou falsas, se, nos dois casos, são significativas do que fui e do que sou? Vê-se mais claro, por vezes, naquele que mente do que no que fala a verdade.

Albert Camus, in "A Queda"

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Deixo também uma ideia (sugestão é colocar-me em bicos de pés), musical. Talvez um dos melhores complementes à leitura da obra que falei anteriormente - Rachmaninov e o "Concerto para Piano nº2 em Dó Menor op.18 ". Escrito depois de um colapso nervoso no início do século XX é uma obra clássico-romântica e capaz de nos fazer ir bem para além da compreensão humana.

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É talvez o mais conhecido e em alguns trechos irão reconhecer alguns acordes que foram aproveitados por cantores actuais. Optei por seleccionar uma versão com menos qualidade mas tocada pelo próprio. Para algo "melhor", Rafael Orozco não é uma má opção.

Finalmente, fica uma ideia para ver cinema... Cinema espanhol, de Miguel Ángel Lamata, o filme "Nuestros Amantes". Aquilo que parece ser uma comédia não o é e acaba por tocar em pontos bem profundos das relações... Aquilo que parece ser uma brincadeira é algo muito sério. Enquanto conhecem (ou recordam) um pouco de Zaragoza (e até de Teruel) vão rir e pensar muito... Não tenho dúvidas. Não gosto como Miguel Ángel Lamata filma, no entanto é um filme actual e para os amantes de hoje.

E para pensarmos enquanto adoramos viver neste país e talvez chegarmos à conclusão que não somos um povo de brandos costumes mas de acomodados, corruptos e apáticos (para ser simpático): Pedrogão; Incêndios de Outubro; Tancos (ninguém me diz que o papagaio-mor do reino não é...); perdões aos bancos; perdões do banco público Novo Banco a instituições como a Malo Clinic; perdões à EDP, partidos que vendem a ideologia a troco de maiorias; falta de condenções a detentores de cargos públicos ou aplicação de simpáticas penas suspensas; destruição do ambiente; golas anti-fumo; habitantes do concelho, dito o mais desenvolvido do país, a votarem em massa e a defenderem um corrupto; sempre os mesmos nas universidades e sempre os mesmos em várias áreas profissionais a opinarem sobre aquilo que não sabem e não fazem; sempre os mesmos a dizerem aquilo que é bom para nós e e ainda um sem número de situações que envergonhariam qualquer cidadão digno desse rótulo... Mas por cá há poucos, logo a vergonha também tende a escassear...

 

Até breve e bom fim de semana,

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cudillero-2.jpgImagens: Robinson Kanes e GC

 

 

A manhã não está animadora quando deixamos Gijón, no entanto, depois de mais uma café em Avilés, (conhecemos Avilés de estarmos sempre a tomar café quando por lá passamos) o tempo parece colocar-se de acordo com o nosso estado de espírito. Em San Juan de Nieva o bom tempo e o mar calmo já criam a perfeita sintonia para o que se avizinha. Desta vez não queremos ir pelo interior e deixamos que seja o mar a indicar-nos o caminho até entrarmos na Galiza - ainda a uns dias e quilómetros de distância.

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O objectivo do dia, é sobretudo sentir e estar em Cudillero. No entanto, até lá e na costa entre Avilés e aquele pueblo, as praias e as escarpas são um dos atractivos principais. Não queremos perder o mar de vista, até porque as montanhas são sempre uma presença nas nossas costas quando os nossos olhos se perdem na imensidão do Cantábrico.

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Cudillero tem um interesse especial, é um daqueles locais que nos inspira e nos recorda (embora à maneira asturiana que não é melhor nem é pior, é bem diferente) locais mediterrânicos e do Adriático que encontramos mais a sul, desde Espanha até à Turquia. Além disso, é também em Cudillero que se encontra a "Fundación Selgas-Fagalde", um pouco antes de se chegar ao pueblo em si. Os jardins e o palácio tornam-na num dos tesouros artísticos e culturais mais bem escondidos do norte de Espanha.

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Mas eis que chegamos a Cudillero que, além do carácter pitoresco com as suas casas de diferentes cores e ganhando espaço à montanha, também se tornou curioso para nós, apaixonados pela cultura dos "pexins vs lavradores" um pequeno apontamento etnológico. Também aqui "existe" uma divisão social bastante vincada, com os "Mariñana" (os habitantes que estão junto ao mar, sejam eles lavradores ou pescadores), com os "Xalda" (os que vivem no interior, maioritarieamente da terra) e os "Vaqueira" (os pastores da montanha, os mais isolados da comunidade).

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No entanto, se aprofundarmos ainda mais e deixarmos toda a área de influência do Ayuntamiento encontramos uma outra divisão somente em Cudillero composta pelos "pixuetos" (os pescadores) e pelos "caízos" (vivem na rua principal e tendem a dedicar-se ao comércio). Temos a sorte de encontrar habitantes a falar "pixueto", um dialecto local. É fantástico, faz-nos querer ouvir mais e ficar por ali para almoçar, o mar e aquelas gentes são a companhia perfeita num dos locais mais bonitos das Astúrias e até do norte de Espanha.

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É dia de mercado e também é dia de faina, há peixe fresco e por isso não resistimos à "Merluza del Pincho" e a um "Pixín a la Plancha". Pescada ao anzol e um tamboril grelhado, não pode haver melhor, sobretudo quando o cheiro do mar (bastante intenso) e o cheiro do prato quase não se distinguem. Não é difícil comer bem nas Astúrias, seja no interior, seja junto ao mar sobretudo se os passeios junto à "Playa de Oleiros", "Playa del Silencio", "Playa de Riocabo" e a "Playa Concha de Artedo" abrirem o apetito como abriram.

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Admiráveis praias não faltam para tornar todo este cenário único que não promete desaparecer, sobretudo porque se segue toda a costa asutriana até Figueras e Castropol, onde estas encontram, do outro lado da Ria del Eo, a também pitoresca Ribadeo, já na Galiza.

 

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Gijón: Para se Visitar e Para se Viver.

por Robinson Kanes, em 19.09.19

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Imagens:  GC

 

Depois de Oviedo, torna-se obrigatório rumar a Gijón, duas cidades claramente diferentes... Uma bastante mais interior, já a outra, uma cidade marítima e com muitas das caracteristicas que marcam estas cidades.

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Chegar a Gijón é encontrar uma cidade mais airosa que a "rainha" Oviedo... Oviedo apresenta-se como uma cidade monumental, histórica. Gijón tem tudo isso e a vontade de também lá viver. É bom sentir que um lugar é apetecível para lazer mas também para habitar. Gostamos de Gijón  pela sua história, pelas lindissímas caminhadas que proporciona junto ao mar, seja numa lógica mais urbana seja numa outra mais natural. Gostamos da gastronomia, ou não tivesse o lado piscatório, gostamos da vida, cultura e encanto que esta cidade que não deixa de ser vibrante, bem pelo contrário - é uma cidade que convida e com vida, onde o industrial, o histórico e até o romântico se misturam - algo muito difícil de conseguir.

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Não somos só nos que gostamos de Gijón, já os romanos gostavam e em "Campo Valdés" construiram umas termas. Terão ficado encantados pela frente de mar e sobretudo pela imagem que, quem está sob as águas consegue ter - a cidade e as montanhas lá atrás. Eduardo Chillida não poderia ter mais inspiração para criar o "Elogio del Horizonte", o símbolo da cidade, pelo menos o turístico. Gijón é uma cidade para ser aproveitada  quer por quem a visita quer por quem lá vive e isso sente-se nas ruas.

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Chegamos ao "Cerro de Santa Catalina", o coração da cidade e a linha de defesa da mesma. Este parque é um convívio com o mar e com a demais natureza que o completa. Um dos melhores passeios à beira-mar das Astúrias. É óptimo para complementar com um passeio pela extensa praia de areia amarela, a "Playa de San Lorenzo". É fantástico se assumirmos que estamos dentro da cidade. O pôr-do-sol nesta praia é uma delícia e com a companhia de uma "Estrella Damm" nada pode ser mais perfeito. Juntem a esta a "Playa de Poniente" (bem perto está o "Acuário de Gijón") , conhecida pelo fogo de artifício no São João e a "La Ecalerona" que encerra uma praia com um relógio e termómetro Art déco dos anos 30 e há muito que apreciar para lá da areia e do mar.

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Ainda numa lógica de grandes passeios, nada como percorrer a "Vía Verde de La Camocha" que segue a antiga linha-férrea que suportava a actividade mineira. Não faltarão apontamentos de arqueologia industrial para quem aprecia. É caminhar numa história recente e vale, sem dúvida, os 7 km. 

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O que não pode ficar de fora também é a "Laboral Ciudad de la Cultura" o campus universitário dos anos 50 do século 20 e claramente franquista, basta olhar a arquitectura. Muitos dos edifícios franquistas não tiveram a oportunidade que este teve e nos anos 90 foi alvo de uma intervenção. Além de albergar um pólo da Universidade de Oviedo tem uma área de exposições e um teatro com 1500 lugares, sem esquecer a torre de 117 metros, o edifício mais alto das Astúrias e inspirado na Giralda de Sevilha. É impossível não sentir o peso daquela infraestrutura, Franco terá passado bem a mensagem. Um edifício magnifico a visitar ou até para assistir a uma exposição ou espectáculo, sem esquecer a passagem pelo único jardim botânico das Astúrias que é bem perto: o "Jardín Botánico Atlántico".

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Todavia, o grande atractivo de Gijón são as suas gentes, o seu centro histórico, "Cimadevilla" e todo um conjunto de monumentos que englobam o "Aynuntamiento", a "Plaza Mayor" e o "Palacio de Rebillagigedo". Caminhar pelo centro histórico é parar para "tapear", conversar e sentir a animação das ruas que dura até bem tarde, é alternar entre o passeio pelos edifícios históricos e a brisa junto ao mar. Gijón, é indubitavelmente uma cidade para se apreciar mas, mais do que isso, para se viver.

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Astúrias: de Labra para a Ruta del Cares.

por Robinson Kanes, em 05.09.19

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Imagens: Robinson Kanes e GC

 

 

Em Labra o amanhecer é surpreendente. Durante a noite nevou nas montanhas e dpois de um pôr do sol com cores únicas, a alvorada é preenchida com a névoa a desvanecer deixando as montanhas com os cumes pintados de branco.

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Depois de um pequeno-almoço bem composto, pois o dia prometia: o objectivo era apreciar o "Picu Urriellu", mais conhecido por "Naranjo de Bulnes". O caminho torna-se "duro" de Labra a Poncebos e as paragens são constantes... Para-se, caminha-se, volta-se ao carro e mais meia dúzia de quilómetros um novo ritual. Começar cedo é fundamental, sobretudo se, nos planos, estiver a "Ruta del Cares".

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E eis que, entre o nevoeiro, a montanha mostra-se! O primeiro objectivo fica concluído, não "escalámos" a montanha, não era essa a pretensão - mais que isso queríamos ver aquele monumento de pouco mais de 2500 m a mostra-se, entre outras montanhas, aos nossos olhos - admirável!

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Mas o "melhor" do dia está para vir, nomeadamente os 24 km entre Poncebos e Caín de Valdeón, sempre com o rio Cares a dividir os dois desfiladeiros. Começamos em Poncebos (Astúrias) e contamos terminar em Caín (Castilla y León). A "Garganta Divina" permite-nos hoje que a percorramos devido ao acesso criado em 1950, acesso que permitiu o acesso para manutenção do canal de água entre Caín e Poncebos - canal esse que desde o primeiro quartel do século XX já estava em funcionamento. 

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É esse o percurso que, embora em altitude, raramente obriga a grandes subidas, excepto nos primeiros 2/3 km (direcção Poncebos - Caín). É um facto que estamos perante um percurso que tende a ser considerado de baixo risco, embora não seja essa a nossa opinião - o risco está sempre iminente, estamos a uma altitude elevada e além do caminho ser estreito não existe qualquer protecção (é assim que tem de ser). Já foram registados muitos casos de quedas (com mortos), sem esquecer que a travessia no Inverno tende a ser perigosa, devido ao gelo/frio e ao perigo de queda de pedras. O Verão pode ser mais calmo e é muito aconselhado por quem já visitou e fala do local, mas em dias muito quentes, quem não estiver preparado e hidratado pode meter-se em sarilhos. No Verão a queda de pedras é um risco também, sobretudo devido às cabras da montanha.

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A tudo isto, temos de juntar o número de pessoas que, novamente no Verão, pois consta que é bastante elevado, aumenta o risco de nos encontrármos com os peritos do trekking instagrameiro que, com roupas compradas horas antes para o look desportivo e aventureiro, arriscam demasiado.

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Questões logísticas à parte, entramos numa nova dimensão... Num local onde somos nós e a natureza! A beleza da montanha, o rio lá em baixo e por vezes os canais a correrem lado-a-lado connosco, é simplesmente apaixonante. É a oportunidade de vermos e contactarmos com as cabras da montanha em autêntico trapézio, o uivo dos lobos e um pastor a correr montanha acima preocupado com o rebanho.

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É calcorrear um caminho que já perto de Caín nos oferece a oportunidade de molhar o rosto nas águas frias do Cares, é passar dentro das rochas, é parar e sentir a humidade e os cheiros da terra e dos minerais. 

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A chegada a Caín é, mais do que um alívio, é um objectivo cumprido e a oportunidade de repor energias! Atacamos os enlatados, os frutos secos, os ovos cozidos e a água. No entanto, Caín, outrora terra de pastores, tem agora no turismo o seu sustento, pelo que tem alguns pequenos cafés e restaurantes - não resistimos a ir comprar pão e queijo cabrales para nos alimentarem para o regresso! Enquanto almoçamos, partilhamos o espaço junto ao cemitério com caminhantes franceses: queijo, vinho de Bordéus, enchidos franceses, falamos muito de Saint-Malo e da Bretanha - temos a a típica imagem de portugueses e franceses à mesa - não aceitamos o vinho, não ajuda ao caminho.

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Ao nosso lado, a Igreja e o cemitério oferecem-nos uma vista única sobre os picos e aproveitamos para prestar homenagem àqueles que morreram a escalar os mesmos. É tempo de silêncio que é interrompido com um "merci a vous, au revoir". Tomamos um café, um espaço com um anfitrião muito simpático e que nos obrigou a colocar no lugar um grupo de portugueses (professores de velha guarda em época de correção de exames) cujo complexo de inferioridade estava a reflectir-se com algum desrespeito no simpático proprietário. Agora partimos com um "venga, hasta luego" e fazemo-nos ao caminho. Os professores ficaram a pensar que éramos espanhóis...

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Mais uma oportunidade para nos maravilharmos... Não queremos deixar aquele local e só já pensamos em 2020 para percorrer o que falta do Parque Natural de Somiedo, já a sudoeste de Oviedo. Pelo caminho novo encontro com portugueses, desta vez com um "Wait!Wait! Só sei dizer isto porra". A companheira de viagem desta senhora aliviava-se agora a meio do caminho! Mais um postal de bom português.

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Estamos a chegar e prestes a terminar mais um dia... Amanhã voltamos à montanha, agora é hora de ir tomar banho, comer um "Cachopo" e cair na cama que o dia seguinte promete ser longo...

 

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Imagens: Robinson Kanes

 

O mar começa a ficar para trás e eis que Cangas de Onís fica à nossa frente. Este destino, como aquele que nos espera imediatamente a seguir, são muito conhecidos do grande público, talvez por isso a nossa base tenha ficado ligeiramente distante daquela localidade, em Labra.

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Isto não impede que possamos beber uma sidra, comer queijo e continuar a provar o que de bom se faz nas Astúrias. Passamos obrigatoriamente pela ponte romana e tiramos uma fotografia, é rápido... Não somos adeptos de selfies ou de registarmos a nossa presença no local. Caminhamos por Cangas de Onís e como não poderia deixar de ser perdemo-nos em compras: queijo (Cabrales, Gamonéu e Beyos...), verdinas (e que boas ficam aquelas feijoadas de chocos e camarão), lentilhas pretas e um sem número de coisas que vamos metendo no saco! "La Barata", a loja com muito bom gosto onde adquirimos os produtos torna-se cara dado o volume nos sacos...

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"Marcamos" o jantar, deixamo-nos ir pelo cheiro a sidra e a vinho e aterramos na recomendação que o nosso anfitrião em Labra - a pequena e pistoreca aldeia asturiana a 8 quilómetros de Cangas - nos aconselhou. Ah! "Casa Pinin" ou também "El Polesu", como são conhecidos - o verdadeiro tasco que nós amámos e onde insistiam no nosso sotaque de Girona (mais uma vez). 

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Entretanto, e porque o dia é longo passamos pelo Santuário de Covadonga... Também é daquelas visitas obrigatórias, embora só pense em subir ao monte que se encontra em frente para poder observar as aves mais de perto e tentar imaginar quão dura terá sido a Batalha de Covadonga - a "primeira" vitória cristã após a invasão árabe por terras da "Hispânia" e onde os Islâmicos do Califado de Omíada saíram derrotados, para desespero de Munuza. O vencedor, o nobre visigodo Pelágio, ainda hoje é recordado ou não tivesse sido o primeiro rei do reino das Astúrias, na época com capital em Cangas de Onís. Deambulamos pela área, nota-se a presença de muitos turistas, o que é normal. Desejamos, contudo, que a maioria não pense em ir aos lagos. E não vai...

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Ainda pensamos em fazer o caminho a pé (24km ir e vir, sendo que metade é sempre a subir)... Sobra-nos "pouco" tempo e queremos aproveitar os altos ao máximo e poder explorar a fauna. Como não é possível a deslocação pelos nossos meios de transporte, apanhamos o único autocarro que faz a ligação ao topo das montanhas - a viagem não é barata, mas manobrar um veículo pesado daqueles, em tais condições, não é para todos. Além disso, aquilo com que nos deparamos não tem preço.

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As vistas, ao longo do caminho, são de cortar a respiração, não conseguimos estar quietos... A chegada e os lagos: o "Enol", o "La Ercina" e até o "El Bricial" (só visível em certas alturas do ano) lá estão à nossa espera. Não são lagos gigantes e grandiosos, todavia, são lagos bem no alto da montanha, desenhados para encaixar perfeitamente naquele monumento natural que é a Serra de Covadonga. No "Enol" a cerca de 1000m de altitude, dizem que no fundo das suas águas se encontra a virgem de Covadonga, que aí zela pelos seus bem lá no alto/fundo. O "La Ercina" fica a mais 100m de altitude e é mágico ver o gado nas margens do mesmo, cria uma imagem pitoresca e totalmente diferente daquela que já tivemos na Áustria, Suiça ou até mesmo Açores... Em cada local o seu encanto.

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Uma manada começa a afastar-se, seguimo-los com as devidas cautelas, é uma área altamente protegida. O gado sabe sempre para onde vai e informa-nos sempre dos melhores caminhos. Preparamo-nos para a aventura, pois entre raios de sol alterna um nevoeiro denso e uma chuva intensa, além disso começamos a caminhar para o interior da montanha e os visitantes dos lagos começam a ser uma mera miragem ao longe.

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Seguimos um caminho e encontramos um especialista em preservação de aves na sua pick-up. Interpela-nos e pergunta-nos do nosso interesse por aquelas bandas. Lembramos que estamos por lá para apreciar a montanha, para usufruir de um dos mais belos recantos da natureza, onde cada vento conta uma história antiga de pessoas, vivências entre montanhas e dos diálogos da natureza protagonizados pelo mar e pela montanha. No entanto, também revelamos o objectivo principal: observar a Águia Imperial Ibérica (Aquila adalberti) - adalberti em homenagem ao príncipe Adalberto da Baviera. 

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Existem em nós muitas paixões em termos de fauna na Ibéria e talvez as maiores sejam o Lobo Ibérico (Canis lupus signatus), a Águia Imperial Ibérica (Aquila adalberti) e a Garça Real (Ardea cinerea). Existem mais, os ursos, por exemplo, e um sem número de espécies que simplesmente nos fazem percorrer muitos e muitos quilómetros e até, enfim, envolvermo-nos em algumas "missões de salvamento".

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Mas esta águia, o gado e toda a fauna por alí encontrada será tema para outro artigo... Agora é tempo de dizer adeus ao nosso anfitrião da montanha, que nos disse ser um óptimo dia para observar as aves. Aproveitamos para recuperar forças e atacar as bananas e as maçãs. Alguma chuva, os rostos ficam molhados e acabamos por dispensar a água porque cada gota é um pouco das Astúrias, traz o cheiro do ar, da terra e da natureza... Queremos aproveitar e beber o que nos vem dos céus.

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Agora permitam-nos e deixem-nos ir em busca das rainhas dos céus...

 

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Playlist para um gin junto ao Tejo!

por Robinson Kanes, em 28.08.19

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Imagem: Robinson Kanes

 

Um destes dias fui "convidado" para um gin, foi o Filipe da Caneca. Não o provaria mas alguém estaria por certo habilitado a consumi-lo por mim, e acredito, que com muito vontade. Dei comigo a pensar um destes dias, com o Tejo mesmo ali à frente e os phones nos ouvidos. Era uma zona do Tejo, sem turistas, apenas com os locais nas suas vidas deambulando entre aquela esplanada e os passeios.

Hoje, e como vem sendo habitual, partilho a playlist desse momento. Foram mais que dez músicas, mas penso ser capaz de rapidamente escolher as 10 que poderiam acompanhar um gin com vista para o Tejo... Um "Real Gin", assim era apelidado pelo barman responsável pela carta.

Começo talvez pela música que ainda vinha no carro, até porque as demais pouco terão a ver. É uma das malhas preferidas para a condução, embora não tenha tiques de Rainho. Os Kasabian e a sua "Club Foot" são daquelas que transformam o mais tranquilo festivaleiro num verdadeiro maluco da poeira ou da lama. Para rolar no alcatrão ou encher as cavas das rodas com terra, "Club Foot"!

Mas um gin com vista rio quer-se mais calmo, sobretudo enquanto se espera e se vai tentando perceber o que aí virá. Faz sol... Faz sol, o tempo convida e volto-me para outros ritmos, não consigo deixar Itália... Aquele momento, não sei porque motivo, lembrou-me Como, a cidade, a porta do Lago e a Georgia (aqui em dueto com Eros Ramazzotti). Pouco tem a ver, mas talvez a companhia, talvez as curvas e todo aquele lago até lá chegar, no fundo, "Inevitabile".

É notória a calma e o percurso da força da música para algo mais leve. Chego a Lorenzo Jovanotti, em Portugal, ficou em tempos conhecido pelo "apelido" mas depois desapareceu... Como tantos outros. Em Itália vai tendo o sucesso habitual. Fica "Chiaro Di Luna", uma música que me tem acompanhado desde o final do ano passado!

E enquanto os meus olhos navegam pelo Tejo e pela senhora que é arrastada por um Labrador... Pelo cavalheiro que, ao meu lado, troca a música por um cigarro, continuo por Itália e não mudo de pasta. Quererá isto dizer alguma coisa? Por norma sucede mais com Espanha. Quem não gostar pode já deixar este espaço. Estou em querer que vamos andar por aqui, e agora com Ermal Meta com "A Parte Te".

Temos dias assim, o copo ainda nem vai a meio. Vou abandonar os italianos, prometo... Mas avanço e tenho de acabar com duas das melhores vozes de Itália. Duas cantoras singulares e com timbres tão diferentes - o resultado não poderia ter sido melhor, novamente Giorgia, mas agora Gianna Nannini (e como eu adoro ambas). Salvami... De quê, não sei...

Os ouvidos voam agora para os Estados Unidos, para o CD Metropolis, o quarto de Peter Cincotti e que alguém há "muito" tempo meu deu a conhecer e desde então, a cada lançamento, o Robinson corre para o comprar! Peter Cincotti é um indivíduo bem disposto, lutador e que se deu bem mas não perde o seu lado sofredor! Gosto disso e com este gin, com este sol, só me poderia recordar de "Madeline"... "Oh Madeline... Always in the back on my mind".

Uma coisa leva à outra e agora é mesmo preciso tragar o gin, calmamente... Lembro-me de uma história que acabava com um "glass of wine" mas não a vou contar aqui, até porque pouco tem a ver com o estado de espírito do momento.  Por falar em momento, talvez uma das melhores vozes internacionais da actualidade, Jacob Banks! Uma espécie de Seal mas que se arrisca a ser ainda mais intenso na sua música, na sua voz. "Unknown (to you)" é um hino ao amor, à música... A tantas e tantas outras coisas. Esta tarde tinha de estar ao meu lado. Wow...

Wow... Por isso me repito e volto à carga com Jacob Banks. Abano a cabeça, o indivíduo do cigarro olha para mim. É ele que tem a nicotina na mão mas sou eu que percorro o alcatrão dos pensamentos que uma tarde soalheira junto ao Tejo traz. "Chainsmoking" é o tema escolhido, não pode ser outro, agora não.

O tempo está-se a esgotar, vão chegando mais pessoas... Gosto do movimento humano, sobretudo quando respeita os demais humanos. Mas admito, estou na minha bolha e quero sossego, vou aproveitando o que sobra do gin e entra Lloyd Cole com "Like a Broken Record". Música à Lloyd Cole e que contagiou a plateia em tempos quando apresentou o albúm por estas terras. Com esta música acabo por "entrar" num dos barcos ancorados e olhar a terra desde o rio. É interessante, sentimo-nos protegidos. Os verdadeiros homens do mar chegam a ter medo da terra...

Acaba a bebida, obrigações cumpridas e pagamento saldado. Escolho uma música para me acompanhar nos últimos minutos deste momento. Procuro... Tem de estar por lá. Surge Nick Cave (com os The Bad Seeds, claro) com a sua voz poderosa! "Into my Arms" é uma música forte, não deveria concluir este pedaço da tarde desta forma, mas Nick Cave não é homem para nos deixar indiferentes. É hora de sair com as ideias baralhadas, o que, pontualmente, também nos ajuda a organizar o nosso mundo... Nosso mundo? Nah...

E  no final, é interessante perceber como tudo começou e como tudo acabou. O copo vazio, a tarde a perder o seu sol mas a minha cabeça bem cheia...

 

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Ribadesella e uma Praia Asturiana...

por Robinson Kanes, em 19.08.19

ribadesella_asturias.jpgImagens: Robinson Kanes

 

A vida é feita, bem o sabemos, de pequenos nadas que é o que mais conta para o nada que somos no fácil e correntio.

Vergílio Ferreira, in "Conta-Corrente III"

 

As montanhas estão cada vez mais perto, aliás, em Llanes já se mostravam na sua supremacia terrestre suprema mas, e embora uma paixão pela altitude e pelos mistérios dos montes, custa-nos deixar o mar... E é por isso que seguimos o "Sella" até Ribadesella!

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Custa-nos deixar o forte aroma que vem do Cantábrico e talvez por isso fiquemos presos a Ribadesella, mais um pequeno porto, mais um pequeno estuário, mais um encontro entre os pálidos rios da montanha e o mar em toda a sua força - até "esquecemos" o Património da Humanidade, a "Cueva de Tito Bustillo" e nos deixamos encantar por um passeio na marginal junto ao rio (o "Sella"). Caminhamos até onde este beija o mar, uma caminhada na areia ("Playa de Santa Marina") onde também partilhamos um beijo celebrando esse encontro e onde o vento faz convidado.

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Ribadesella é aquele local de veraneio com cariz de norte da Europa, afinal os Picos da Europa estão mesmo ali, Cangas de Onis (uma das portas de entrada) é bem perto... As casas demonstram um apetite das famílias pelo local e também da própria aristocracia, afinal estamos num Principado onde a comunhão de um povo de forte e nobre raça se une a uma aristocracia secular.

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Mais uma sidra? Ainda é cedo e a tortilla de Llanes ainda faz "estragos" no estômago. Contemplemos o mar e aproveitemos para percorrer a cidade, junto às docas, cheira a peixe fresco que trocou as caixas de madeira pela esferovite...

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Despedimo-nos de Ribadesella com um até já, até porque temos curiosidade com o pôr-do-sol. Mais uns quilómetros, mais uma alteração de planos, se é que os mesmos existem... Não resistimos, contudo, e queremos terminar a manhã junto ao mar... Acabamos junto a uma praia, uma praia asturiana com uma "Estrella Galicia" na mão e um sorriso a cada gole enquanto alguém, ao longe... tal como nós, conversa com o mar e deste recebe em troca toda a sua venustidade. Recordo Michael Nyman, aliás, Michael Nyman pelas mãos de Valentina Lisitsa com "Time Lapse" - banda sonora do filme "A Zed & Two Noughts". Porquê? Não sei... 

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llanes_asturias.jpgImagens: Robinson Kanes e GC

 

De repente, as rodas travam e numa brusca viragem à direita segue-se em direcção ao mar! "Mas porque é que foi esta manobra?" perguntas... Mais um daqueles momentos em que o automóvel deixa o alcatrão e investe por caminhos onde as pedras saltam à passagem dos pneus. 

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Estamos entre Comillas e San Vicente de la Barquera... O dia já vai querendo despedir-se, a chuva ameça cair em força mas chega até nós em modo "molha-tolos". Caminho inacessível! Voltamos para trás, o carro lembra-nos as viagens aos Açores, com as cavas cheias de lama e esterco. Voltar atrás, novo caminho -"não me metas aí o carro" e lá se vai o branco nacarado - e eis que chegámos a uma pequena estrada de alcatrão... Encontramos a igreja, lá no alto, com o seu cemitério, pois sem ele e as suas promessas de vida eterna, arrisca ficar sem clientela.

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Paramos... Contemplamos o mar e os prados da Cantábria, sobretudo quando, mais uma vez, nos vamos despedir deste pedaço de terra... Onde fica a Igreja? Não conto, fica para nós! Mas é uma das melhores vistas da Cantábria!

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Estamos perto de San Vicente de la Barquera e como manda a tradição (a nossa), é preciso parar à entrada da ponte e apreciar o estuário com as montanhas de um lado (já se avistam os Picos da Europa) e o mar cantábrico do outro. Chove ainda, pouco, mas o suficiente para molhar os nossos rostos, o nosso cabelo que já pede uma lavagem. Cuidado, a chuva já não molha só tolos, vai ficando mais grossa... Ficar por ali... Simplesmente ficar a apreciar a ria. É o que mais nos encanta nesta vila piscatória, com o seu castelo e a famosa "Iglesia de Santa María de los Ángeles". Gostamos de estar por lá, descer à praia e beber o ar da montanha em perfeita harmonia com o a brisa marinha.

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As pontes, o colorido das embarcações, os ecossistemas e uma luz (ou falta dela) que nos transporta para aqueles dias carregados em que a ida ao mar é mais atrevida e onde o sustento dos homens da faina pode trazer a morte.

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Apesar de pequena, esta vila é carregada de história, com a sua origem romana (consta) até à ponte de "Maza" mandada construir pelos Reis Católicos, não fosse este um ponto de passagem fundamental entre a Cantábria e as Astúrias

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E por falar em Astúrias, Llanes está perto... É hora de fazer pouco mais de 30 km e partir em direcção às Astúrias. A diferença é reduzida, mas existem pequenos apontamentos que tornam as terras do Principado ligeiramente diferentes da Cantábria.

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Mais uma vila junto ao mar, histórica e com um património invejável! Llanes foi também vila baleeira e hoje o porto é uma pequena amostra do que outrora foi a azáfama naquela terra.

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De destacar a muralha e claro, a "Basílica de Santa María del Conceyu", data do século XII. Também não faltam edifícios de impar beleza como o "Casino de Llanes" e palácios nobres!

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A praia é também um dos atractivos especialmente a "Playa del Sablon". Mas deambular pelo casco antiguo e terminar essa caminhada junto à comunhão do Carrocedo com o mar é algo que não deixa ninguém indiferente. Começar o dia com esse percurso e terminar com uma tortilla de patata enquanto os comerciantes ainda iniciam a montagem das suas bancas é a experiência perfeita para ainda sentir o pulso à vila e imaginar o convívio entre pescadores e agricultores!

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A simpatia da Cantábria também aqui não sofre grandes diferenças e o tardio despertar também não, ou não estivéssemos em Espanha. Llanes é talvez uma daquelas vilas que podem ser o fim e o início de um dia de viagem, a aurora e o crepúsculo! Perder um destes momentos pode levar a que só possamos trazer "metade" da vila connosco.

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E ainda só entrámos nas Astúrias, mas até a "fabada" já tem outro sabor... Sobretudo se confeccionada com os sabores do mar...

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P.S.: Praias? O que não falta são praias! Quem quiser saber mais pode consultar este site e fazer download da APP - lá encontra também uma lista (por comarca) das praias asturianas. É super completa com os itinerários, descrição e infraestruturas entre outras informações muito úteis! Perfeito!

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Venga!

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Regresso ao Passado em Santillana del Mar...

por Robinson Kanes, em 05.08.19

IMG_0050.jpgImagens: Robinson Kanes

 

A estrada deve levar-nos directos a Comillas. A A8 (Autovía del Cantábrico) é demasiado rápida para os nossos intentos... A Cantábria traz-nos a recordação da Bretanha e da Normandia até que entre Santander e o destino final esbarramos com Santillana del Mar!

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Voltamos atrás no tempo, além disso, uma sidra já não cai mal, sobretudo se vier acompanhada com uma tapa de morcela de arroz... Santillana del Mar é voltar atrás no tempo, como tantas outras vilas da Cantábria e de Espanha - começa na senhora com perfil de século XIV que nos cobrou o estacionamento. A "vila das três mentiras" (não é santa, não é plana nem fica perto do mar) transporta-nos para uma época distante onde o casario cantábrico salta à vista.

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O turismo é agora, muito provavelmente, a grande alavanca económica da vila, no entanto, a simpatia com que cada um de nós é atendido nas lojas, nos cafés e por todos aqueles que amam a sua vila é de sublinhar, constrastando talvez com os ferozes habitantes de outros tempos que andavam por Altamira, bem perto.

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O grande destaque é a "Colegiata de Santa Juliana" que entre o casario e os campos nos apresenta uma arquitectura singular de influências românico-góticas não datasse a mesma de finais do século XI, embora tenha origens no século IX ("Monasterio de Santa Juliana"). É o mais importante marco românico da região e isso é mais que suficiente para provocar alterações na rota!

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Bem... Isso e trazer dois sacos carregados de "Corbatas de Santillana del Mar", "Quesadas" (que em vácuo aguentam dias de viagem), "Piedras", "Sobaos" e muitas "Palmeras de Chocolate" - basicamente palmiers de chocolate mas com menos açúcar e bem mais... Enfim, saborosos? Este website tem algumas das receitas destes doces tradicionais e o lado bom é que podemos encomendar online! É uma pouca vergonha, admito, mas... Enquanto houver espaço na bagageira e uma praia como a de Santa Justa para destruir, qual monstro das bolachas, os palmiers... Nada a fazer...

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É hora de regressar à estrada e agradecer à senhora de ar medieval...

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Imagens: Robinson Kanes

 

 

O nosso carácter é formado, não apenas pelas nossas liberdades, mas também pelas forças da memória e da história.

Orhan Pamuk, in "A Mulher de Cabelo Ruivo"

 

A verdade é que a onda anda por aqui, e sabendo que existem tantos seguidores do grande Bryan Ferry, esta semana deixo o best off dos Roxy Music - foi muito importante esta semana na medida em que me acompanhou todos os dias e admito que já não lhe pegava há uns tempo. Fez bastante companhia a um outro albúm, "Flesh and Blood". Deu bem para pensar, amar e abanar o "carolo". De facto, existem bandas intemporais e esta é uma delas, embora só o Bryan ande pelos caminhos da fama. Deixo-vos, do primeiro albúm, "All I Want is You" - se o albúm "Country Life" tivesse aquela capa hoje... Muitos dos que o compraram naquela época... Hoje, por "politicamente correcto", não o fariam. E eu em 1974 nem sequer era imaginado! Do segundo, malhar com "Eight Miles High".

Já falei de Pamuk por aqui e agora volto, depois de "Uma Estranheza em Mim" e de uma passagem por Istambul, ao autor que nos faz apaixonar pelas personagens de uma forma que temos uma certa ânsia de que as mesmas sejam reais para as podermos abraçar e consolar. Pamuk é exímio a criar essa ternura... Partilho "A Mulher de Cabelo Ruivo", como habitualmente, não vou explorar o livro, mas posso dizer que o final é uma grande surpresa, algo a que Pamuk já nos habituou... Gosto da Turquia, gosto de Istambul, admiro Orhan Pamuk.

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Agora é altura de "voltar" muito atrás, ao início dos anos 60 do século XX e lembrar "La Notte", o primeiro Urso de Ouro italiano e um filme brilhante realizado pelo grande Michaelangelo Antonioni. Com Marcello Mastroiani (eu sei, falo muito deste senhor, eu sei) e a saudosa (falecida recentemente em 2017), Jeanne Moreau. A deterioração da relação entre o casal, a infidelidade e todo o definhar daquilo que entendemos como estar a dois... Basicamente, os finais não têm de ser todos perfeitos. 

E porque já percebi que andam aqui muitos "bebedolas", nada como acompanhar uma música, um livro ou um filme com um tinto... Uma surpresa, "Conde de Arraiolos Reserva", a Herdade das Mouras brinda-nos com um vinho elegante e sem entrar em grandes loucuras no que concerne a gastos! É de Arraiolos, só podia ser bom!

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Finalmente, se estiverem de férias ou fim-de-semana e a abraçar os vossos filhos ou até simplesmente a pensar como é que vão pagar 150 euros por umas sapatilhas para que eles não fiquem "atrás" dos colegas em Setembro, podem sempre pensar que neste nosso mundo, metade dos 1.3 biliões de pessoas "multidimensionalmente" pobres, são crianças/jovens abaixo dos 18 anos de idade sendo que um terço tem menos de 10 anos...

 

Bom fim-de-semana,

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