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IMG_1701.JPGImagens: Robinson Kanes

 

Amanhece em Shiraz, o sol brilha logo cedo e nem sentimos a diferença de horário. Preparar um jantar iraniano foi fantástico, abençoada suite de hotel que nos permitiu, nesta estada, também tomar parte neste cultura de forma mais profunda.

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Não deixámos de passar uma noite agradável e na companhia de duas jovens iranianas que nos mostraram um pouco das ruas do norte da cidade e ainda nos fizeram prometer que faríamos compras no supermercado dos pais. Uma sem sonhos ainda definidos, outra com um desejo de ser professora de inglês. Quiseram saber tantas e tantas coisas da nossa vida e que nos interrogaram mil e uma vezes do porquê de não poderem ter um namorado não-iraniano.

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Mas temos de seguir caminho pela cidade, há tanto para ver e sentir. Depois do "Jardim Eram" e das suas águas límpidas, a "Casa Qavam/Museu Nerenjestan", construída em finais do século XVIII por ricos comerciantes de Qazvin.

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Os jardins e o espaço são mais uma demonstração do encontro da cultura ocidental com a cultura persa - uma curiosa representação de como ambas podem combinar muito bem arquitectonicamente. A rua movimentada lá fora, não nos deixa permanecer por lá muito tempo, chama por nós... Não obstante, à saída, paramos, olhamos mais uma vez os jardins, recordamos os espelhos, inalamos o odor das flores do jardim e saímos para um sumo de romã.

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Entre talhos, lojas de ferragens, lojas de comida, enfim... lojas de tudo, percebemos que está a chegar a melhor hora para visitar a "Mesquita Nasir ol Molk", também conhecida como "Mesquita Rosa". No bairro de Gawd-i Arabān, encontramos esta herança dos Qajars. Amplamente conhecida, esta é uma mesquita singular pelos seus vitrais que, escolhida a hora certa da posição do sol, se tornam ainda mais encantadores! É um local muito procurado pelos turistas para as fotos, mas é no pico da sua beleza que encontramos menos gente e nos permite apreciar toda a sua arquitectura. Podemos examinar o seu pátio e deixar que as cores dos vitrais se possam reflectir no nosso rosto, nos tapetes persas e transformar-nos também em parte daquele mundo de maravilhas. É um monumento único, belo e onde nos sentimos a viajar por contos e lendas da pérsia.

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Alguns turistas "irritam-nos" tentanto simular orações e uma certa pose para a fotografia, o banalismo habitual... Fascina-nos, contudo, a condescendência da segurança que com um sorriso no rosto sente que partilha um pouco de si com todos aqueles que deliciam perante um património de uma riqueza invejável... Fascinam-nos aqueles que lá se encontram em recolhimento... E é junto desses que também nos sentamos antes de abandonar o local e voltar às movimentadas ruas da cidade. No entanto, a sensação de que saímos de um mundo grandioso e mirífico contido numa sala tão pequena não nos abandona.

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E é tão difícil deixar este templo, no entanto, mal sabemos que ao longo dos dias ficaremos a perceber que uma das imagens de marca do Irão está longe de ser apenas esta e mais uma ou duas que conhecemos até agora. É hora de almoçar e pela rua vamos comendo aquilo que nos oferecem, temos que passar pela famosa "Universidade de Shiraz" e pela "Porta Quran" - queremos apenas sentir se o conhecimento que já temos destes locais se reflecte de poderosa forma nas nossas emoções.

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É hora de começar a pensar no "Santuário de Ali Ibn-e Hamze" que se apresenta hoje como mais uma reconstrução pois os sismos em Shiraz são frequentes.

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Ao entrarmos sentimos o peso da religião e da história. Sentimos o peso da amizade, nenhum dos acessos nos é vedado, tomamos chá, comemos doces e ainda temos um diálogo sobre o Islão e o Cristianismo. O diálogo e a experiência acaba por se sobrepor à beleza do espaço, dos seus espelhos, da sua arquitectura. Para nós é interessante na medida em que sendo pouco crentes (pelo menos eu), do outro lado temos um crente fervoroso mas com uma abertura de espírito tal que reconhece as fragilidades da sua religião e entre esse reconhecimento (até porque o tema das mulheres acaba sempre por surgir) nos prova que a própria Bíblia é muito mais castradora em relação às mulheres do que o Alcorão.

Ali Ibn-e Hamze_shiraz_iran.jpgÉ interessante esse diálogo... A abertura religiosa é, aliás, uma das imagens de marca deste povo. Como já havíamos sentido noutros países, por vezes, algum desconforto religioso sucede dentro da própria confissão e não com crenças exteriores. Conversamos largos minutos... Sentados dentro do santuário enquanto outros estudam e fazem as suas orações, o diálogo inter-religioso (e até entre quem não é crente) a acontecer e o respeito permanente entre os três vértices deste triângulo. 

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Terminamos a conversa com um convite para a "Mesquita Vakil", um edifício que ocupa uma área de mais de 8500m2 e que foi construído no terceiro quartel do século XVIII durante a dinastia Zand, sendo restaurado já no século XIX sob a liderança dos Qajars.

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A entrada, o pátio das orações, os minaretes e os pilares são algumas dos seus aspectos mais peculiares. O pôr-do-sol é também o momento perfeito para apreciar este espaço. A luz do crepúsculo cria uma imagem perfeita que, se complementada com aqueles que vêm aqui prestar o seu culto, se torna ainda mais pulcra.

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"Acompanhamos" as orações e voltamos ao exterior. Hoje ainda lá anda o "nosso" declamador de poesia persa. E é com ele que deixamos que o anoitecer se intensifique... E é com a poesia de Hafez e de tantos  outros que nos entregamos novamente às delicias astronómicas iranianas...

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Uma nota final para o facto de Shiraz ser também a região onde, no Irão, se produz/produzia um vinho fantástico. Até hoje, ainda é controverso se a casta Syrah vem de Shiraz. Testes genéticos dizem que não, todavia, também a produção deste vinho (deste e de outros) em terras iranianas não é permitida desde a revolução de 1979.

 

Sobre Shiraz

Shiraz: Cidade dos Jardins e dos Poetas

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Hess e Bartoli numa Sociedade Karōshi...

por Robinson Kanes, em 15.11.19

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Imagens: Robinson Kanes

 

Uma hora assim com vinho e um amigo, quando se tem um, e uma conversa bem humorada sobre esta vida estranha, é de facto o melhor que se poder. Também tem de ser assim, e nós temos de ser felizes, pelo facto de ainda termos isto. De quanto tempo é que precisa um pobre diabo para fazer um belo foguete e a alegria não dura um minuto! Por isso há que poupar a alegria e a paz de alma e a boa consciência para que haja de vez em quando uma hora assim.

Hermann Hesse, in "Gertrud"

 

 

Entre o sol e a chuva, este Outono vai tendo cores fantásticas... Época maravilhosa e que será mais escura além fronteiras daqui a alguns dias. Por isso, para celebrar o Outono, o habitué da sexta-feira dará lugar a uma Cecilia Bartoli que "elogia" a grande Maria Malibran - polémica e que teve uma curta vida de 28 anos.

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Recordam-se alguns concertos onde encontramos trechos de Vicenzo Bellini ("La Sonnambula", "I Puritani" e "Norma"), Mendelssohn ("Infelici"), Persiani ("Ines de Castro") e tantos outros onde destaco também Hummel. O Outono terá outro sabor... Mesmo entre castanhas e jeropiga,

Para uma leitura ligeira mas nem por isso leve, Gertrud de "Hermann Hesse". Um amor frustrado, um elogio da música e da vida, o ideal para ler antes de ficarmos a meditar ao som de Bartoli. Uma obra bem ao estilo de Hesse, que já passou muitas vezes por aqui, e que não deixará ninguém indiferente.

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E porque não uma ida ao D. Maria II? Brilhantes encenações de "O Bando" com o "Purgatório - A Divina Comédia" que dispensa apresentações e "Karōshi" (na sala estúdio) uma encenação brilhante do trabalho actual, dos dias de hoje e de uma sociedade em colapso. Uma peça para pensar, por certo é o que acontecerá no Sábado. Cumprimentamo-nos lá enquanto assistimos ao "Teatro da Cidade" no seu melhor?

 

E finalmente, para quem gosta de uma boa amizade, para quem ainda gosta de um bom filme sem ir muito lá para trás... "Fried Green Tomatoes". O filme de Jon Avnet que de comédia tem pouco. Um leque brilhante de actrizes onde destaco Jessica Tandy (a eterna Miss Daisy) e Kathy Bates. A vida como ela era, numa realidade dos Estados Unidos que não está assim tão longe. A amizade entre Ruth e Ninny Threadgoode não nos deixará indiferentes, e por certo nos deixará, mais perto do fim, com uma amargura rapidamente ultrapassada por Ninny - e quantos de nós não gostariam de ser Ninny?

 

Bom fim-de-semana,

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Shiraz: Cidade dos Jardins e dos Poetas!

por Robinson Kanes, em 14.11.19

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Imagens: Robinson Kanes

 

 

Apesar de distarmos cerca de 1000Km de Teerão, continuamos a quase 1600m de altitude! Embora não pareça, dentro da cidade temos até a sensação de que estamos numa planície. E pensar que ainda nos faltam pouco mais de 550km para chegar a Bandar Abbas, no Estreito de Ormuz.

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Aterramos, literalmente, na capital da província de Fars: Shiraz, ou Xiraz. Já sentimos o forte calor da terra, é de madrugada mas é a hora em que o solo respira e a humidade é uma presença que não deixa a nossa respiração e os tecidos que nos cobrem indiferentes. Esta é uma das cidades mais antigas da Pérsia, tem mais de 4000 anos (registos actuais) e acompanhou todas as "revoluções" que possamos imaginar ao longo da história desta região. Chegou inclusive a ser a capital durante a dinastia Zand erguida por Karim Khan - os Vakilol Ro'aya, ou "defensores do povo" como se intitulavam e que criaram, pelo menos em termos de imagem, uma oposição a um certo sentimento de autoritarismo.

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Estamos também na Rota da Seda e Shiraz foi um importante entreposto, sobretudo pela sua localização e  interface entre a rota marítima e a rota terrestre. Andamos por terras que os imperadores aqueménidas, sobretudo Xerxes e Dario ajudaram a erguer e a dinamizar comercialmente. E encontramo-nos a cerca de 60Km de Persépolis, outro sonho (lá iremos)... Estaríamos meses a falar sobre a história da região, por isso, nada como nos deixarmos encantar pela "Cidade dos Jardins" como é conhecida. "Cidade dos jardins" e "cidade dos poetas", pois é também a terra de Hafez (que iremos escutar mais tarde a ser declamado perto do bazaar) e de tantos outros... E por mera curiosidade, foi também aqui que nasceu Siyyid `Alí Muhammad Shírází, o inspirador do Babismo. 

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Andar pelo Irão é inalar história, é tropeçar em cultura, é fazer uma travessia pelo quase nascimento da civilização até aos dias de hoje, contudo, com uma riqueza que muito poucos países/regiões acompanham. Contudo, é em Shiraz que estamos e é em Shiraz que queremos percorrer as ruas, conhecer gente que terá muitos dos seus genes num passado rico e singular.

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E em Shiraz essas ruas são movimentadas, é mais uma daquelas cidades iranianas que se deita tarde e em alguns pontos questionamos se chega realmente a dormir. Quem descansa em paz, e na terra que o viu nascer, é o próprio Hafez que se encontra sepultado a norte da cidade, mais precisamento nos jardins de Musalla. Quiçá o poeta e herói (no Irão os poetas são heróis) esteja a pensar como os seus poemas influenciaram a sociedade iraniana e não só, como ainda hoje são um elogio ao comportamento da natureza e da Humanidade. O muezim chama, é hora da oração, não sem antes prestarmos a devida homenagem ao poeta no seu mausoléu e com a protecção da grande "Cordilheira de Zagros" que nos seus 1500Km tem início entre a Turquia e Iraque e termina no Estreito de Ormuz. Fascina-nos fazer parte também dessa natureza, até porque a vamos reencontrar e testemunhar a força da sua extensão e altitude.

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Enquanto caminhamos pelas ruas não dispensamos também uma passagem pela Karim Khan, a Cidadela que nos fascina pelos seus relevos e torres inclinadas - a conselho de um local, visitamos também ao pôr-do-sol, pois é quando se torna mais bela e onde muitos habitantes da cidade se reunem para confraternizar, além disso a sua proximidade com o Vakil Bazaar, o maior de Shiraz, é um atractivo extra.

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Voltamos ao final da tarde, início da noite, é hora de nos sentarmos perto de Karim Khan e sermos abordados por um sem número de pessoas. As crianças querem posar para a fotografia. Acabamos por conhecer um turquemeno e torna-se impossível não termos sido remetidos para a história das tribos turcas do hoje cazaquistão e que ocuparam aquele território no século X. É viajar no tempo estando no presente... É único e ocupa-nos muitos minutos de conversa, sobretudo com o auxílio de um iraniano que vai servindo de tradutor. Nós, os portugueses, um iraniano e um turcomeno, sentados na cidadela a estudar história, ou melhor, a senti-la e a quebrar todas as barreiras fronteiriças e religiosas.

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Deixamos aquele local e seguimos para o Vakil Bazaar, não mais que cinco minutos... E, mais uma vez, deixamo-nos contagiar pela número de tecidos, ou não fosse Shiraz um importante entreposto da Rota da Seda. No entanto, e para não variar, o que mais nos fascina são as especiarias, as frutas e os frutos secos. Abastecemo-nos de sumac ou sumagre, e recordamos a Turquia... O aneto abunda e também não o deixamos fugir (ainda não sabemos o que fazer com tanto, mas que é do outro mundo é...),  e não esquecemos mais alguns temperos porque hoje queremos cozinhar umas almôndegas de carne e vegetais, "khofteh". Compramos várias misturas e claro, voltamos ao açafrão Iraniano, o ouro que nem sempre é fácil de encontrar se quisermos qualidade.

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São horas de sair, deixar que o canto dos pássaros que se encontram em algumas gaiolas na extremidade do bazaar se fiquem com as vozes de comerciantes e compradores... Não são mercados ruídosos como noutros locais, nomeadamente Marrocos ou até Turquia, mas têm a magia dos iranianos e isso é mais que suficiente para que um sem número de sons se funda sem um se sobrepor ao outro.

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As "almôndegas" ficaram óptimas e agora é hora de descansar, o dia amanhã promete numa cidade que respira o perfume da História...

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Teerão: A Cidade de Onde é Difícil Sair

E não é só por causa do trânsito...

por Robinson Kanes, em 07.11.19

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Imagens: Robinson Kanes

 

O calor aperta, em Teerão aperta bastante e um dos taxistas que vamos conhecendo diz-nos que ainda não é nada. A tarde começa a mostrar a força da poluição, em algumas zonas é impossível respirar - onde é que já vimos isto.

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As ruas continuam pejadas de carros e de gentes - uns em trabalho, outros simplesmente deambulando. É notável como se sente o conhecimento que também habita este povo. Este povo que faz questão de se assumir como persa e que não precisa de engalanar um facto que está à vista: a inteligência, o saber e a forma de estar. 

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Dirigimo-nos agora para o Palácio de Sadabade, mais a norte da cidade. Ainda voltamos a passar por um dos pontos de referência para quem se desloca na mesma, a Torre Milad. O taxista, numa cidade onde não faltam taxis e é habitada por 10 milhões de pessoas já é um conhecido, encontrámo-lo por mero acaso em Tajrish e foi uma alegria ao ver-nos! Pelo caminho vamos vendo entrar e sair passageiros, em Teerão também é assim e sempre fica mais barata a viagem. Inesperado é também o facto dos transportes públicos terem áreas (e até carruagens no caso do metropolitano) separadas para homens e mulheres mas dentro de um taxi ter circulado várias vezes quase abraçado a muitas mulheres - as coisas estão a mudar.

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Mas o Palácio de Sadabade? Sim, entre jardins (não fossem os persas uns autênticos mestres na arte) encontramos um edifício moderno mas bem decorado, foi aqui que viveu o último Xá da Pérsia com a família. Mohammad Reza Pahlavi deixa-nos esta herança que já vinha dos Qajars e desde o seu abandono em 1979, ficou um complexo ajardinado com vários palácios, edifícios museológicos e governamentais, inclusive o palácio presidencial.

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Gostamos de estar aqui, respira-se ar puro, é bom ventilar os pulmões em Teerão e além disso as montanhas já estão perto. Passamos pela "Embaixada" dos Estados Unidos que não é mais que uma memória histórica da crise dos reféns americanos de 1979! Praticamente intacta, transporta-nos para aqueles dias e onde é inevitável a propaganda anti-americana. Salvo uma situação ou outra, não vamos encontrar no Irão propaganda anti-ocidente em tudo o que é local, ao contrário do que é transmitido por algumas publicações. Nota-se sim uma presença ainda forte da memória da guerra Irão-Iraque e dos mártires da mesma, inclusive no cinema e na televisão.

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Mais um taxi, mais uma viagem onde conseguimos por meio de gestos chegar à "fala" com o condutor pois a música que este ouve é fantástica - indica-nos duas boas rádios que prontamente registamos e até nos daremos, mais tarde, ao desplante de pedir aos taxistas que sintonizem as mesmas. Chegamos ao Grand Bazaar, queremos percorrer novamente a cidade mas não deixar para trás a visita à Mesquita Shah ou Mesquita Soltani.

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O relógio e os minaretes compõem o edifício e dão uma alma especial a uma praça onde comerciantes e clientes se misturam num ponto de passagem obrigatória, mesmo para os locais. Ficamos a sabe, em conversa com um iraniano, que este espaço, da era dos Qajars é histórico na medida em que foi aqui que se deram os primeiros passos para a Revolução Iraniana de 1905.

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Esta revolução teve as suas raízes depois da humilhação de alguns comerciantes acusados de serem os culpados pela especulação em torno do aumento do açúcar e que, além do encerramento do Grand Bazaar, levou à revolta de todo um povo. Foi também quando se dirigia para esta mesquita em 1951, que foi morto Haj Ali Razmara, primeiro-ministro do Irão, quando se dirigia para o funeral do Aiatola Feyez e que acabou por gerar mais um período complexo na história do país.

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Estamos cansados e Teerão ainda tem tanto para ver e sobretudo para sentir...

 

Amanhecer em Teerão

Teerão - A Metrópole da Pérsia

 

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Amanhecer em Teerão...

por Robinson Kanes, em 31.10.19

 

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Imagens: Robinson Kanes

 

São quatro da manhã e acabamos de chegar no salão de festas (como chamamos ao Boeing 777-300ER) que acaba de aterrar em Teerão. Não somos muitos, a maioria chegou deitada ao longo dos bancos, quase não fomos excepção mas a fome manteve-nos acordados a apreciar as iguarias servidas a bordo.

 

Madrugada quente, como esperamos. Algumas dificuldades com o inglês, sobretudo quando as malas ficaram do outro lado do Golfo Pérsico. Conseguimos encontrar alguém que fala bem francês, temos agora um canal privilegiado de comunicação.

 

Depois dos tapetes de recolha de bagagem, na zona das chegadas, uma celebração! São quatro da manhã, alguém celebra com música e dança um herói desportivo, juntamo-nos à festa e somos agraciados com um abraço. Em Teerão sê iraniano e ambienta-te. O nosso contacto espera-nos com um ar de quem precisa de dormir, temos consciência disso e seguimos caminho.

 

O 206 já não sabe o que é a quinta mudança e a luz do motor ligada já é rotina (mais tarde iremos perceber que não é assim tão fora do comum). Conversamos num inglês complicado - paramos entre o aeroporto e o hotel, a nossa anfitriã oferece-nos água e nós pedimos se têm garrafões para podermos encher os mesmos de gasóleo e levar para Portugal. Sorrimos, encetamos a conversa e falamos de coisas boas, de cá e de lá.

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De repente, um salto de alegria num rosto cansado... "Sabes, tenho uma filha com 7 anos. Vai ser o primeiro dia dela na escola e eu vou levá-la. Estou tão contente!". O sorriso e a felicidade com que esta jovem nos disse isto comoveu-nos - não fossem quase cinco e meia da manhã e a nossa anfitriã ter de estar levantada para levar a filha às sete. Contudo, com o desenrolar da conversa, o pouco optimismo em relação ao futuro nos estudo era evidente - tentámos deixar algum desse optimismo e dar força à mãe para nunca deixasse que a filha desistisse dos sonhos.

 

A noite já quer dar lugar à manhã, e o trânsito começa a adquirir o seu aspecto caótico, tão característico desta cidade - a poluição já é notória, outra característica capaz de, em dias, levar à morte alguém mais fraco dos pulmões.

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Estamos cansados, é hora de nos despedirmos - aproveitamos o quarto apenas para um banho e para o pequeno-almoço. Não esqueceremos aquele sorriso e desejar o melhor para o futuro de mãe e filha. O Irão hóstil? De madrugada e ao início da manhã não...

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Head On com um Lobo em Time Lapse...

por Robinson Kanes, em 25.10.19

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Imagens: Robinson Kanes

 

 

Fechar a semana com a ideia de que talvez tenhamos feito justiça, de que talvez possamos ter contribuído para que o país tenha menos fantochada, menos corrosão... Ou talvez não... Talvez tenha sido apenas uma espécie de utopia que alguns lobos solitários teimam em criar, apesar do seu pragmatismo lhes dizer o contrário... Talvez por isso, para o fim de semana que se aproxima (e para a semana, pois nem todos gozam o Sábado e o Domingo) pense em Hermann Hess e no seu "O Lobo das Estepes". Talvez pense como o país seria um local melhor para se trabalhar, viver e desenvolver se levássemos esta frase a sério:

 

Imagine-se um jardim com centenas de variedades de árvores, milhares de variedades de flores, centenas de variedades de frutos, centenas de variedades de ervas. Se o jardineiro deste jardim não conhecer nenhuma outra classificação botânica para além da distinção entre "comestível" e "ruim", não saberá o que fazer com nove décimos do seu jardim, arrancará as mais encantadoras flores, cortará as mais nobres árvores ou então vai odiá-las e olhá-las com desconfiança.

Hermann Hess, in "O Lobo das Estepes"

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Para se escutar, uma série de autênticos "poemas" outonais. Talvez me sinta sempre defraudado quando assisto aos concertos de Ludovico Einaudi - é o meu egoísmo! Quero sempre que Einaudi toque só para mim, sem o aparato da banda que traz consigo. Só eu, a alemã (que abriu as portas de Hermann Hess a este indivíduo que aqui se chama Robinson) e Einaudi - preferencialmente com um Steinway & Sons. Do mestre italiano, o albúm "Time Lapse", ideal para acompanhar ou ajudar a digerir a leitura de Hess e do mundo... Uma nota para o facto de em composições como "Orbits", "Experience" e "Underwood" contar com o excelente violinista Daniel Hope. 

Um filme? Um alemão com contornos turcos, também do realizador nascido na Alemanha mas filho de pais turcos Fatih Akin. Um filme que a critica cinematográfica portuguesa não gostou muito... Não atinge patamares de intelectualidade que só os criticos percebem e como também não foi propriamente alvo de grande divulgação é normal que assim seja por terras lusas onde se alterna entre a estratosfera e a moda - sempre é mais confortável. Eu gostei... Violento, amargo, duro e pouco romântico - a vida tende a ser assim muitas vezes, como em "Gegen die Wand" mais conhecido por "Head on - A Esposa Turca". O romantismo fica sempre bem nos livros...

E porque o fim de semana também ajuda a pensar, talvez seja uma boa altura para questionarmos a nossa abordagem, sobretudo em termos de comunicação, face às alterações climáticas - a verdade é que quanto mais ruído provocamos menos eficientes estamos a ser, ou seja, o excesso de informação que vemos em tantos canais de media e não só, estão apenas a alimentar criadores de conteúdos ultrapassados e a não produzir o engagement esperado. A este propósito, e é apenas um entre muitos, nada como investirem alguns euros no website da American Psychological Association (APA) e na leitura de Susanne Moser:

Moser, S. C. (2007). More bad news: The risk of neglecting emotional responses to climate change information. In S. C. Moser & L. Dilling (Eds.), Creating a climate for change: Communicating climate change and facilitating social change (pp. 64-80). New York, NY, US: Cambridge University Press.

 

Bom fim de semana

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Nitidamente Nulo à Chuva...

Conformado com Lehár e Bertolucci...

por Robinson Kanes, em 18.10.19

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Imagens: Robinson Kanes

 

Lá fora a chuva cai... Devia ficar melancólico, tantas frentes. Não o faço, não é saudável e não deixa de ser uma perfeita perda de tempo. Pelo contrário, penso que é importante continuar, nunca baixando a cabeça, mas não dando azo ao que não importa, mesmo que também isso, numa cultura provinciana, nem sempre seja bem visto. É assim, não se pode ter tudo.

 

Talvez por isso, me recorde da fogosa "Giuditta", que na sua alma inquieta não se deixa abalar pelo presente. Alguém que se move e agita e não se perde em devaneios nem em discursos e simplesmente é mulher, dona de si. "Giuditta" de Franz Lehár, uma operetta que contagia desde o princípio mas onde não poderei deixar escapar "Meine Lippen sie kussen so heiss" - aqui com toque da soprano portuguesa, Dora Rodrigues.

Este tempo, esta época, convida também a leituras que podem ser mais introspectivas ou mais densas. Lembro-me particularmente de "Nítido Nulo" de Vergílio Ferreira. Para mim, um dos melhores da obra do autor. Acredito também que uma das melhores formas de descrever este livro cabe a Jorge Costa Lopes e que aqui cito:

 

“[Nítido Nulo] coloca-nos perante um (…) dilema: que mais poderemos admirar? O naturalismo das recoleções do passado, com a recriação das figuras rigorosamente reais de Tia Matilde e Dolores; as memórias da infância e as páginas em que o narrador recorda a partida do pai; o estudo da figura de Lucinho; passado e futuro, infância e morte da infância; o espetralismo de Marta; o convencionalismo de Teófilo; o arcaísmo dos discursos políticos do poder; a saturação de anedotas extraídas do real quotidiano; a rápida descrição de ambientes e paisagens? Ou, pelo contrário, a naturalização do absurdo e do fantástico, a prisão, os banhistas, o ‘filho’, o guarda, os diversos Messias; as frases que nos fazem regressar a momentos fundamentais da história das ideologias mas que surgem num contexto dominado pelo irreal; o cinismo; a miséria moral; a decadência; a velhice; os relâmpagos do passado que irrompem no fluxo das cogitações e lhes insinuam novas descobertas; a interpelação a Vergílio Ferreira, ele próprio, remetendo-nos para a consciência súbita do jogo literário?”

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Para ver, não poderia pensar num outro filme que poderá ser um retrato do que temos hoje, embora o fascismo, este fascismo como aqui é demonstrado por Bernardo Bertolucci num tardio modernismo, seja algo que já "não exista". É a cobardia do homem, é o conformismo perante a necessidade de pertencer a algo. "The Conformist" é isso tudo, e é uma obra dos anos 70 (baseado no romance de Alberto Moravia) que talvez nos ensine como não ser nos dias de hoje - não é a história repetida, mas talvez o declínio da mesma que tende a não se reinventar, mesmo em tempos contemporâneos. Jean-Louis Trintignant, no papel de Marcelo, é um actor que não nos deixará indiferentes.

E para pensarmos em coisas boas durante o fim de semana, algumas palavras de Álvaro Santos Pereira proferidas esta semana na Fundação Serralves - um português que não gosta de ser tratado por Dr. (é raro, por isso digno de apontamento):

 

As corporações são demasiado fortes em Portugal. Não gostam da concorrência e quem paga somos todos nós, os contribuintes.

...

Uma cultura de impunidade como temos em Portugal – de deixarmos os processos arrastar-se anos a fio, de recurso em recurso, sem as pessoas serem condenadas e irem para a prisão – é uma pouca vergonha para a nossa Justiça.

...

Se crescemos 1%, só vamos duplicar o rendimento em 70 anos. Não é aceitável que isso aconteça.

 

E como nada disto se faz a seco, nada como uma bela surpresa chegada do Redondo, um Porta de Santa Catarina Tinto, de 2015. Verdadeira maravilha!

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Bom fim de semana,

 

 

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Imagens: Robinson Kanes

 

Já estão a chegar mais dois dias de boa vida. Pelo menos para alguns, pois há quem trabalhe, muitas vezes, para que esses dois dias sejam óptimos para os outros. A semana passada, como em outras, dei folga a esta rubrica, se assim preferirem chamar a mesma - mas o "Dia Internacional da Paz" surgiu-me como prioritário, sobretudo pela ligação que tem agora às questões climáticas e pela ausência de alguma discussão em torno do mesmo.

 

Por aqui será feita uma pausa de alguns dias. Dias para experimentar uma realidade diferente, dias para equacionar uma presença, dias para muitas outras coisas. 

 

E que tal um fim de semana com Albert Camus? "A Queda" é talvez a sugestão que mais se enquadra para o dia de hoje, talvez aquele que me pode fazer reflectir no dia de hoje.

 

Que importa, no fim de contas? As mentiras não conduzem finalmente à via da verdade? E as minhas histórias, verdadeiras ou falsas, não tenderão todas todas para o mesmo fim, não terão o mesmo sentido? Que importa então, que sejam verdadeiras ou falsas, se, nos dois casos, são significativas do que fui e do que sou? Vê-se mais claro, por vezes, naquele que mente do que no que fala a verdade.

Albert Camus, in "A Queda"

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Deixo também uma ideia (sugestão é colocar-me em bicos de pés), musical. Talvez um dos melhores complementes à leitura da obra que falei anteriormente - Rachmaninov e o "Concerto para Piano nº2 em Dó Menor op.18 ". Escrito depois de um colapso nervoso no início do século XX é uma obra clássico-romântica e capaz de nos fazer ir bem para além da compreensão humana.

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É talvez o mais conhecido e em alguns trechos irão reconhecer alguns acordes que foram aproveitados por cantores actuais. Optei por seleccionar uma versão com menos qualidade mas tocada pelo próprio. Para algo "melhor", Rafael Orozco não é uma má opção.

Finalmente, fica uma ideia para ver cinema... Cinema espanhol, de Miguel Ángel Lamata, o filme "Nuestros Amantes". Aquilo que parece ser uma comédia não o é e acaba por tocar em pontos bem profundos das relações... Aquilo que parece ser uma brincadeira é algo muito sério. Enquanto conhecem (ou recordam) um pouco de Zaragoza (e até de Teruel) vão rir e pensar muito... Não tenho dúvidas. Não gosto como Miguel Ángel Lamata filma, no entanto é um filme actual e para os amantes de hoje.

E para pensarmos enquanto adoramos viver neste país e talvez chegarmos à conclusão que não somos um povo de brandos costumes mas de acomodados, corruptos e apáticos (para ser simpático): Pedrogão; Incêndios de Outubro; Tancos (ninguém me diz que o papagaio-mor do reino não é...); perdões aos bancos; perdões do banco público Novo Banco a instituições como a Malo Clinic; perdões à EDP, partidos que vendem a ideologia a troco de maiorias; falta de condenções a detentores de cargos públicos ou aplicação de simpáticas penas suspensas; destruição do ambiente; golas anti-fumo; habitantes do concelho, dito o mais desenvolvido do país, a votarem em massa e a defenderem um corrupto; sempre os mesmos nas universidades e sempre os mesmos em várias áreas profissionais a opinarem sobre aquilo que não sabem e não fazem; sempre os mesmos a dizerem aquilo que é bom para nós e e ainda um sem número de situações que envergonhariam qualquer cidadão digno desse rótulo... Mas por cá há poucos, logo a vergonha também tende a escassear...

 

Até breve e bom fim de semana,

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cudillero-2.jpgImagens: Robinson Kanes e GC

 

 

A manhã não está animadora quando deixamos Gijón, no entanto, depois de mais uma café em Avilés, (conhecemos Avilés de estarmos sempre a tomar café quando por lá passamos) o tempo parece colocar-se de acordo com o nosso estado de espírito. Em San Juan de Nieva o bom tempo e o mar calmo já criam a perfeita sintonia para o que se avizinha. Desta vez não queremos ir pelo interior e deixamos que seja o mar a indicar-nos o caminho até entrarmos na Galiza - ainda a uns dias e quilómetros de distância.

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O objectivo do dia, é sobretudo sentir e estar em Cudillero. No entanto, até lá e na costa entre Avilés e aquele pueblo, as praias e as escarpas são um dos atractivos principais. Não queremos perder o mar de vista, até porque as montanhas são sempre uma presença nas nossas costas quando os nossos olhos se perdem na imensidão do Cantábrico.

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Cudillero tem um interesse especial, é um daqueles locais que nos inspira e nos recorda (embora à maneira asturiana que não é melhor nem é pior, é bem diferente) locais mediterrânicos e do Adriático que encontramos mais a sul, desde Espanha até à Turquia. Além disso, é também em Cudillero que se encontra a "Fundación Selgas-Fagalde", um pouco antes de se chegar ao pueblo em si. Os jardins e o palácio tornam-na num dos tesouros artísticos e culturais mais bem escondidos do norte de Espanha.

fundacion_selgas_fagalde_asturias.jpg

Mas eis que chegamos a Cudillero que, além do carácter pitoresco com as suas casas de diferentes cores e ganhando espaço à montanha, também se tornou curioso para nós, apaixonados pela cultura dos "pexins vs lavradores" um pequeno apontamento etnológico. Também aqui "existe" uma divisão social bastante vincada, com os "Mariñana" (os habitantes que estão junto ao mar, sejam eles lavradores ou pescadores), com os "Xalda" (os que vivem no interior, maioritarieamente da terra) e os "Vaqueira" (os pastores da montanha, os mais isolados da comunidade).

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No entanto, se aprofundarmos ainda mais e deixarmos toda a área de influência do Ayuntamiento encontramos uma outra divisão somente em Cudillero composta pelos "pixuetos" (os pescadores) e pelos "caízos" (vivem na rua principal e tendem a dedicar-se ao comércio). Temos a sorte de encontrar habitantes a falar "pixueto", um dialecto local. É fantástico, faz-nos querer ouvir mais e ficar por ali para almoçar, o mar e aquelas gentes são a companhia perfeita num dos locais mais bonitos das Astúrias e até do norte de Espanha.

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É dia de mercado e também é dia de faina, há peixe fresco e por isso não resistimos à "Merluza del Pincho" e a um "Pixín a la Plancha". Pescada ao anzol e um tamboril grelhado, não pode haver melhor, sobretudo quando o cheiro do mar (bastante intenso) e o cheiro do prato quase não se distinguem. Não é difícil comer bem nas Astúrias, seja no interior, seja junto ao mar sobretudo se os passeios junto à "Playa de Oleiros", "Playa del Silencio", "Playa de Riocabo" e a "Playa Concha de Artedo" abrirem o apetito como abriram.

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Admiráveis praias não faltam para tornar todo este cenário único que não promete desaparecer, sobretudo porque se segue toda a costa asutriana até Figueras e Castropol, onde estas encontram, do outro lado da Ria del Eo, a também pitoresca Ribadeo, já na Galiza.

 

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Gijón: Para se Visitar e Para se Viver.

por Robinson Kanes, em 19.09.19

la_laboral_gijon.jpg

Imagens:  GC

 

Depois de Oviedo, torna-se obrigatório rumar a Gijón, duas cidades claramente diferentes... Uma bastante mais interior, já a outra, uma cidade marítima e com muitas das caracteristicas que marcam estas cidades.

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Chegar a Gijón é encontrar uma cidade mais airosa que a "rainha" Oviedo... Oviedo apresenta-se como uma cidade monumental, histórica. Gijón tem tudo isso e a vontade de também lá viver. É bom sentir que um lugar é apetecível para lazer mas também para habitar. Gostamos de Gijón  pela sua história, pelas lindissímas caminhadas que proporciona junto ao mar, seja numa lógica mais urbana seja numa outra mais natural. Gostamos da gastronomia, ou não tivesse o lado piscatório, gostamos da vida, cultura e encanto que esta cidade que não deixa de ser vibrante, bem pelo contrário - é uma cidade que convida e com vida, onde o industrial, o histórico e até o romântico se misturam - algo muito difícil de conseguir.

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Não somos só nos que gostamos de Gijón, já os romanos gostavam e em "Campo Valdés" construiram umas termas. Terão ficado encantados pela frente de mar e sobretudo pela imagem que, quem está sob as águas consegue ter - a cidade e as montanhas lá atrás. Eduardo Chillida não poderia ter mais inspiração para criar o "Elogio del Horizonte", o símbolo da cidade, pelo menos o turístico. Gijón é uma cidade para ser aproveitada  quer por quem a visita quer por quem lá vive e isso sente-se nas ruas.

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Chegamos ao "Cerro de Santa Catalina", o coração da cidade e a linha de defesa da mesma. Este parque é um convívio com o mar e com a demais natureza que o completa. Um dos melhores passeios à beira-mar das Astúrias. É óptimo para complementar com um passeio pela extensa praia de areia amarela, a "Playa de San Lorenzo". É fantástico se assumirmos que estamos dentro da cidade. O pôr-do-sol nesta praia é uma delícia e com a companhia de uma "Estrella Damm" nada pode ser mais perfeito. Juntem a esta a "Playa de Poniente" (bem perto está o "Acuário de Gijón") , conhecida pelo fogo de artifício no São João e a "La Ecalerona" que encerra uma praia com um relógio e termómetro Art déco dos anos 30 e há muito que apreciar para lá da areia e do mar.

gijon_asturias.jpg

Ainda numa lógica de grandes passeios, nada como percorrer a "Vía Verde de La Camocha" que segue a antiga linha-férrea que suportava a actividade mineira. Não faltarão apontamentos de arqueologia industrial para quem aprecia. É caminhar numa história recente e vale, sem dúvida, os 7 km. 

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O que não pode ficar de fora também é a "Laboral Ciudad de la Cultura" o campus universitário dos anos 50 do século 20 e claramente franquista, basta olhar a arquitectura. Muitos dos edifícios franquistas não tiveram a oportunidade que este teve e nos anos 90 foi alvo de uma intervenção. Além de albergar um pólo da Universidade de Oviedo tem uma área de exposições e um teatro com 1500 lugares, sem esquecer a torre de 117 metros, o edifício mais alto das Astúrias e inspirado na Giralda de Sevilha. É impossível não sentir o peso daquela infraestrutura, Franco terá passado bem a mensagem. Um edifício magnifico a visitar ou até para assistir a uma exposição ou espectáculo, sem esquecer a passagem pelo único jardim botânico das Astúrias que é bem perto: o "Jardín Botánico Atlántico".

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Todavia, o grande atractivo de Gijón são as suas gentes, o seu centro histórico, "Cimadevilla" e todo um conjunto de monumentos que englobam o "Aynuntamiento", a "Plaza Mayor" e o "Palacio de Rebillagigedo". Caminhar pelo centro histórico é parar para "tapear", conversar e sentir a animação das ruas que dura até bem tarde, é alternar entre o passeio pelos edifícios históricos e a brisa junto ao mar. Gijón, é indubitavelmente uma cidade para se apreciar mas, mais do que isso, para se viver.

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