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Semana de Um Condenado...

por Robinson Kanes, em 27.01.18

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 Fonte da Imagem: Própria.

 

Foi na segunda ou terceira exibição que tive oportunidade de utilizar um "voucher sapo" e fui ver, ao Teatro Armando Cortez, a peça "O Último Dia de um Condenado" de Victor Hugo, encenada por Paulo Sousa Costa e representada por Virgílio Castelo. O que me chamou à atenção, além do preço do voucher, foi o facto de se tratar de uma obra magnifica que já havia lido há tempos.

 

A sala não estava ainda muito composta, talvez por ainda estarmos no início e a divulgação a ter lugar. "Não conhecia" Vergílio Castelo e devo dizer que esteve magnífico. Como vem aí mais uma boa semana (e o fim de semana também não acabou), nada como ir ao Teatro Armando Cortez ver bom teatro - e os preços não são desculpa para não ir. Aqui, lanço o meu primeiro agradecimento ao "SAPO".

 

Em relação ao livro... É um romance de 1829 e que, segundo alguns relatos da época, se deveu ao triste espectáculo a que Victor Hugo muitas vezes teve de assistir: a morte pela guilhotina. É a angústia de um condenado à morte, da vontade de viver, das recordações, do homem que preso já não é ninguém, do homem que já é esquecido pela sociedade, inclusive pela própria filha (e aqui, na peça, a interpretação de Virgílio Castelo é genial), é o homem esquecido por todos. É uma angústia latente e a interrogação se, de facto, a morte de alguém resolve ou atenua verdadeiramente o crime cometido anteriormente - aliás, a mesma celebra os 150 anos da abolição da pena de morte em Portugal e que, naquele tempo, também mereceu um grandioso elogio de Victor Hugo.

 

Uma vez cravado a esta cadeia, não se é mais que uma fracção deste todo hediondo a que se chama o cordão, e que se move como um só homem. A inteligência  deve abdicar, a golilha de prisioneiro condena-o à morte: e o próprio animal  nunca mais deve ter apetites nem necessidades sem ser a horas fixas. In "O Último Dia de Um Condenado", Edição Verbo de 1972, vide pág. 43.

 

Na verdade, e a peça (e bem) não vai por aí, o final do livro conta a história de um prisioneiro real, Claude Gueux que, devido a um evento na prisão onde se encontrava condenado a 5 anos de prisão, acaba por ser condenado à morte... A interrogação que vão encontrar neste texto é notável e fazer-nos-á pensar bastante em crime e inocência, em justiça e injustiça... Mas para isso, nada como ler este pequeno livro, uma obra-prima deste grande génio.

 

Todo esse povo rirá, baterá palmas, aplaudirá. E entre todos esses homens, livres e desconhecidos dos carcereiros, que acorrem cheios de alegria a uma execução, nessa multidão de cabeças que cobrirá a praça, haverá mais de uma cabeça predestinada que seguirá a minha mais cedo ou mais tarde no tapete vermelho. Mais de um dos que aí vier para mim aí voltará para si mesmo.

Para estes seres fatais há um certo ponto da Praça de Gréve, um lugar fatal, um centro de atracção, uma armadilha.Vão andando à volta até cair nele. In "O Último Dia de Um Condenado", Edição Verbo de 1972, vide pág. 107.

 

Bom fim de semana... Boa semana...

 

P.S: Obrigado ao "SAPO" por me ter permitido tomar conhecimento desta peça e obrigado também pelo destaque do artigo "Retratos de Inverno - Cogumelos".

 

 

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Balde de Helicóptero com Água Fria...

por Robinson Kanes, em 24.01.18

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 Fonte da imagem: http://www.concordmonitor.com/getattachment/25ec3997-1bcd-43dc-8c6f-b50e490549ec/RayFire-cm-100717-ph1

 

Vivemos num país caricato... Um país onde, por muito espírito positivo que se tenha (e eu tenho), é difícil conseguir manter o mesmo ao longo do dia... 

 

Os mesmos responsáveis políticos que deixam helicópteros apodrecer por falta de manutenção ou por não fiscalizarem a mesma... Os mesmos responsáveis políticos que dizem que o uso de helicópteros tem de ser limitado para não aumentar despesas e custos de manutenção... Os mesmos responsáveis políticos que preferem deixar hectares de floresta arder e pessoas e animais morrerem até fazer levantar um helicóptero... São os mesmos que agora defendem o uso destes aparelhos para andar na caça à multa! Nunca fui apologista do termo, até porque só é multado quem não cumpre as regras de trânsito, no entanto, é de estranhar como as prioridades são assustadoramente desenhadas por estes indivíduos.

 

Estes políticos são os mesmos que recusam projectos que contemplam drones na vigilância de florestas mas depois dizem que não falta investimento e vontade para a utilização de drones na vigilância das estradas, subentenda-se vigilância como forma de detectar contra-ordenações. Estes políticos são os mesmos que deixam quartéis à mercê de larápios e ainda se dão ao luxo de contratar empresas de segurança privada para assegurarem a defesa de instalações militares... Instalações militares... Estranho... Estes políticos são também os mesmos que compraram helicópteros para a Força Aérea mas onde praticamente metade não voa por falta de dinheiro para a manutenção... São os mesmos que têm helicópteros Puma parados e desactivados sob a justificação de que não podem ser utilizados em incêndios, mas depois, vemos helicópteros exactamente iguais a operar em França, Espanha, Itália e outros tantos países...

 

A prioridade de um Governo deixou de ser a defesa directa dos seus cidadãos e passou a ser a punição por meio de coimas daqueles que ousam prevaricar na estrada. Nada tenho contra a fiscalização das estradas, volto a reforçar, mas é de estranhar que um país arda por falta de meios mas estes cresçam como cogumelos quando se fala de multas de trânsito. Será que o valor das multas que daí possam advir vai ser investido em equipamentos de Protecção Civil? Será que a Protecção Civil deve ser utilizada na fiscalização de contra-ordenações de trânsito?

 

Ainda esta semana alguém voltou a chamar Mário Centeno de "Cristiano Ronaldo das Finanças"... Mas ao que sei... Cristiano Ronaldo não chegou a melhor jogador de futebol do mundo à custa do sofrimento e morte de muitos (existe quem lhe prefira chamar cativações) e sempre faz uso da cabeça, mais que não seja para marcar golos... 

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O Amor do Homem à sua Enxada...

por Robinson Kanes, em 10.01.18

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Fonte da Imagem: Própria.

Autor: Um apaixonado pela sua enxada.

 

 

Confesso que não tenho que escrever... Como não faço reserva de "artigos", admito... Não tenho que escrever...

 

Todavia, devo admitir que não posso ficar indiferente ao amor que um homem pode sentir pela sua enxada! Se passarem pela N3 e virem uma enxada, não hesitem um segundo e contactem o feliz proprietário da sua tão amada sachola!

 

A isto chamo serviço público e a oportunidade de fazer alguém encontrar a sua "Gioconda" das enxadas. Ainda dizem que tenho mau feitio. Não sei escrever e falta-me inspiração, mas nem sou má pessoa.

 

P.S: quem não tem que escrever inventa destas coisas... Enfim...

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Marcelo e um Veto à Partidocracia...

por Robinson Kanes, em 04.01.18

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Fonte da Imagem:http://expresso.sapo.pt

 

Por aqui sou conhecido e ostracizado por nem sempre falar bem do Presidente da República. Todavia, também é hora de elogiar Marcelo Rebelo de Sousa pelo veto à lei do financiamento dos partidos. O mais alto magistrado da nação passa uma mensagem clara do que se quer para o futuro, e sobretudo, faz jus ao conceito que espera ver explorado neste ano de 2018: reinvenção.

 

Reinvenção passará por começar lentamente a passar a mensagem de que não se procurará cair nos mesmos erros de sempre, de que uma máfia partidária terá de ter os seus limites e de que basta de andar a enganar os portugueses... Embora a linha entre ser enganado e não se importar de o ser seja ténue. Esperemos que se operacionalize e se esclareça tamanho conceito...

 

Espera-se também que Marcelo, na sua postura de estar sempre de todos os lados de modo a que isso lhe garanta popularidade, não tenha cedido à tentação de vetar somente porque a pressão mediática foi intensa, esse seria o seu maior erro, pois continua também ele a ter o seu cartão de militante que retira do bolso quando lhe é conveniente e o esconde quando lhe pode trazer problemas – só por esse motivo fico com esta preocupação.

 

No entanto, vamos ver como vai acabar esta situação, porque com o veto presidencial, os holofotes vão procurar outros temas vendáveis e temo que o assunto possa cair no esquecimento. Se a lei for aprovada com a maioria de dois terços no parlamento, Marcelo praticamente será obrigado a assinar. Temo emo que a discussão pública se fique por aqui.

 

Este tema não pode cair no esquecimento e é de extrema importância que os portugueses não se esqueçam daquilo que lhes tentaram fazer. O veto da lei não apaga o comportamento vergonhoso, ou até criminoso, que os deputados e as máquinas partidárias tiveram, faça-se uma excepção ao CDS-PP e ao PAN, embora sejam coniventes com os moldes actuais no que toca ao financiamento destas instituições e que não ficam muito longe das leis que se pretendem aprovar.

 

Ficaremos a aguardar e que as luzes não se apaguem, sob pena de, mais uma vez, contribuirmos para a alimentação de grupos que nada têm feito pelo desenvolvimento do país. Num país onde a vergonha existe, esta discussão já nem voltaria a ser levada ao parlamento e muitos dos direitos/benefícios já vigentes seriam reavaliados.

 

E deixo finalmente uma inquietação: como é interessante ver os “partidos anti-práticas semelhantes” (sobretudo PCP e BE) a salivar para que a lei avance.

 

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