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1000.jpegCréditos: AP Photo/Mahmoud Illean

 

O mais recente bode expiatório da comunidade internacional (a Ocidente) é o Irão. Se por um lado temos os Estados Unidos da América (EUA) a quererem impor a sua lógica de perversão económica e militar aos demais aliados, por outro, temos a Europa a pensar, mais uma vez, não por si mas a reboque dos EUA. O Reino Unido tenta, com a saída eminente da União Europeia, ter todos os aliados comerciais e militares possíveis. Por sua vez, um país como Portugal - no seu crónico "lambe-botismo" e com um incapaz Ministro dos Negócios Estrangeiros Auguto Santos Silva, o também crónico sósia do Ministro da Propaganda Iraquiano de outros tempos, Mohammed Saeed al-Sahhaf - adopta uma atitude de servilismo que pode abalar as excelente relações que temos com o Irão.

 

No entanto, uma das principais vozes contra o Irão e contra a hipotética ameaça deste país vem de Israel (e mais uma vez, Estado de Israel, não os judeus israelistas). Não esqueçamos a Arábia Saudita que tem no Irão o seu grande inimigo e é um óptimo comprador de material militar aos EUA, tal como Israel. O Estado de Israel continua numa base diária (e é mesmo diária) a violar os direitos humanos enquanto a comunidade internacional (e os próprios media ocidentais) enterra a cabeça na areia. Todos os dias são desalojados e mortos muitos palestinianos numa guerra sem fim à vista e onde Golias continua a sair vencedor.

 

Ontem, Israel regressou às demolições em larga escala a leste de Jerusalém. É o fim de uma guerra judicial que todos conhecíamos o deselance, ou não fossem os tribunais israelitas dotados de total parcialidade quando o tema é a Palestina. Ao contrário de demolições "à prédio coutinho", em Israel estas são acompanhadas por soldados e veículos militares que em minutos criam um cenário de guerra! Israel é conhecida pela limpeza que vai fazendo na região e este é só mais um episódio - o Estado que apela sempre para a memória do Holocausto, tende, por vezes, a repetir os erros dos nazis e a dar uma certa força ao discurso hitleriano.

 

Portanto, o normal, é um palestiniano estar em sua casa, muitas vezes no seu próprio país, e ver irromper um sem número de soldados, ser retirado à força, quando não vem já deitado cravejado de projectéis, e assistir à demolição da sua casa - e a história termina aqui.

 

As Nações Unidas são criticas deste comportamento por parte dos israelitas, mas até agora nada tem sido feito para acabar com estas violações de décadas aos direitos humanos! Com que moral a Ocidente se exige à Rússia que "liberte" a Crimeia? Com que moral andamos a querer iniciar uma guerra com o Irão? Benjamin Netanyahu já provou ser um ditador, ser um tirano... Entre Netanyahu e Hitler, as diferenças vão sendo cada vez menores e, à semelhança do que aconteceu antes do início da Segunda Guerra Mundial, também agora, continuamos a ignorar as atrocidades que estão a ser cometidas no médio-oriente.

 

Em suma, ainda ficamos espantados quando o Hezbollah ou Hamas (e são só dois exemplos) criam também tensão na região e encontram cada vez mais recrutas para as suas fileiras... Um pouco como sucedeu com o IRA após o "Bloody Sunday" (o famoso massacre de Bogside) um episódio que deveria envergonhar todo e qualquer britânico!

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Netanyahu e o Discurso da Vergonha!

por Robinson Kanes, em 19.04.19

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Créditos: https://www.aljazeera.com/news/2016/02/israeli-forces-kill-young-palestinian-woman-hebron-160213113005302.html

 

Os Estados Unidos não irão responder, perante o Tribunal Penal Internacional (TPI) por crimes de guerra no Afeganistão - caberá a cada norte-americano envergonhar-se desse facto. Quem não perdeu tempo a pronunciar-se foi Benjamin Netanyahu, o primeiro-ministro israelita. Netanyahu, vem enaltecer esta decisão pois trata-se de uma oportunidade única de ver o seu país ilibado do terrorismo de Estado que Israel comete sobre a Palestina - isto sem querer ilibar algumas práticas violentas também levadas a cabo pelos palestinianos.

 

Para Israel, pois é em nome de Israel que Netanyahu fala, o TPI parece querer implicar com as democracias, como se um país democrático dentro de portas, mas que se comporta como um genocida fora delas, pudesse dispensar os tribunais de direitos humanos. O outro facto apontado é o de que, tanto Estados Unidos como Israel, não são membros do TPI. Eu também não sou membro de nenhum tribunal mas isso não significa que não seja chamado à justiça. O que Netanyahu quer dizer é que os seus soldados podem abater crianças (só porque sim) que isso não tem qualquer impacte negativo na medida em que Israel se julga impune a toda e qualquer lei! Mas o que terá a dizer Netanyahu das democracias árabes que, para ele, são um antro de terroristas? Com que cara continuará a criticar países como o Irão ou até a Arábia Saudita? Afinal são países, nomeadamente o Irão, onde também existem eleições democráticas.

 

Temo que Netanyahu não possa ser sequer apelidado de terrorista, pois custa perceber as suas motivações e o seu discurso, pelo que, não quero cair no erro de tecer um elogio ao apelidar o mesmo de terrorista.

 

Mas vejamos, e em jeito de conclusão... Será que o primeiro-ministro israelita é contra os julgamentos de Nuremberga? Será que o primeiro-ministro israelita defende que as condenações emitidas contra os nazis não deveriam ter ocorrido? Afinal a Alemanha de Hitler não estava sujeita ao escrutínio de entidades como o TPI!

 

Finalmente, Netanyahu esquece-se de que quando aponta o dedo a outros regimes, também estes pensam exactamente como ele. Netanyahu precisa dos Estados Unidos, caso contrário, Israel desaparece do mapa no dia seguinte, no entanto, não tem de se comportar como um ditador e muito menos assumir uma sensação de impunidade que envergonha qualquer democracia e qualquer cidadão israelita. Se ainda hoje existem indivíduos que negam um facto concreto que foi o Holocausto, tal também se deve ao efeito cópia que uma nação como Israel demonstrou ao longo dos anos.

 

Na verdade, Netanyahu voltou a ganhar as eleições... Mas custa-me acreditar, até pelo que conheço de Israel e de muitos israelitas, que os cidadãos daquele país se revejam nestas palavras e neste sentimento.

 

Infelizmente, não é só em Portugal que faltam verdadeiros HOMENS, e em Israel o legado Yitzhak Rabin e Shimon Peres parece estar cada vez mais entregue àqueles que pensam como o radical que assassinou o primeiro!

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Israel e um Estranho Paradoxo...

por Robinson Kanes, em 19.06.18

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 Créditos. http://america.aljazeera.com/articles/2013/9/13/oslo-accords-explained.html

 

 

Admito que é extraordinário ver um país como Israel, a grande nação do judaísmo, a cometer erros históricos semelhantes àqueles de que foi sendo vítima ao longo dos séculos - o culminar foi o genocídio nazi, tão falado, talvez demais falado em detrimento de outros genocídios perpetuados antes, durante e após.

 

Os últimos tempos, para além da construção de muros e vedações, tem mostrado uma hostilidade atroz por parte deste Estado face ao Estado Palestiniano que, obviamente, também não é isento de culpas. Todavia, o modo como são abatidos palestinianos por parte das forças israelitas é qualquer coisa para a qual o mundo e sobretudo as Nações Unidas não parecem estar muito interessadas em discutir, inclusive o seu Secretário-Geral, completamente inapto para o cargo que tem vindo a desempenhar - não basta o papel do bom cristão, de santo salvador que deixou um país à beira do abismo e uma demagogia obsoleta para mudar o mundo.

 

A agressão israelita tem sido tão forte que nem os mortos são poupados, e nos últimos anos, não são raros os casos em que polícia e forças militares israelitas invadem cemitérios e destroem túmulos, campas para construirem espaços de lazer para israelitas e quiçá acabarem com uma cultura e com um povo da face da terra - onde é que já vimos isso! O último foi e está a ser o cemitério de Bab Al-Rahma, onde estão os túmulos de Ubada ibn as-Samit e Shadad ibn Aus, dois próximos do profeta Maomé! Esta é uma prática constante, onde os bulldozers de Israel entram sem dó e arrasam em segundos estes espaços sagrados e que são a identidade cultural e religiosa de um povo - entretanto vão-se matando a tiro aqueles que defendem estes locais sagrados - tratados pela alta esfera israelita quase sempre como terroristas. Aliás, para muitos governantes e cidadãos israelitas não existem palestinianos mas sim terroristas - não é raro em entrevistas não existir sequer uma menção a estes indivíduos como palestinianos mas sim como terroristas perante a passividade de muitos jornalistas e responsáveis políticos.

 

É um discurso que ao longo de décadas tem ganho uma força que hoje em dia alguém que atira pedras a um soldado é visto como uma terrorista, mas um soldado que retira alguém que está em casa e mata só porque sim esse mesmo alguém em frente aos filhos é um agente de paz! Também nós colocamos a mão no gatilho ao continuar a permitir o perpetuar destes comportamentos.

 

É uma questão antiga, uma má gestão por parte do Ocidente, empenhado em resolver os expedientes da Segunda Guerra Mundial e do passado colonializador... Talvez por isso procure agir como uma avestruz... Entretanto, os terroristas vão morrendo enquanto o ódio, por culpa destes actos, vai sendo incentivado e, ao invés de estarmos a limpar um povo da face da Terra, talvez estejamos a contribuir para a criação de um povo de ódio... Um povo com ódio que será visto sempre como o principal culpado enquanto o outro lado, não menos sangreto mas mais poderoso e talvez inteligente na forma como gere a comunicação e a teia de influências, vai sendo tratado como vítima... Mesmo quando levanta muros, cria vedações e desrespeita culturas ancestrais, encarcerando o povo palestiniano num gueto - palavra que a muitos lembrará os anos 30 e 40 do século XX e não pelos melhores motivos.

 

Todo este processo deveria deixar-nos envergonhados, sobretudo aqueles que passaram por um genocídio, que a História, ou melhor, aqueles que escrevem a História, insistem em quase assinalar que foi o único.

 

(é importante recordar que tenho amigos de ambos os lados da barricada e tento sempre perceber um lado e o outro e não estou a fazer a apologia de uns em detrimento de outros).

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