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Retratos de Inverno - O Mar Guincho

por Robinson Kanes, em 23.02.18

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Fonte das Imagens: Própria 

 

 

Um dos espectáculos mais admiráveis da costa portuguesa dá-se entre Cascais e Sintra... É nesse troço de beleza única que encontramos o Guincho e toda a sua encantadora fúria. Paradoxalmente, assistimos a uma demonstração de força inigualável e à qual não podemos ficar indiferentes devido à tamanha perfeição da Natureza.

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O Guincho é um paraíso para surfistas, ciclistas, visitantes de Domingo e, sobretudo no Verão, para banhistas e aspirantes a um qualquer estatuto social - dizer que se faz praia no Guincho, ou que se almoçou no Guincho ainda é sinónimo de um qualquer status - e ainda bem, até porque assim talvez tenhamos o devido cuidado com a paisagem que nos rodeia. E sim, não vou negar que adoro o meu café na Fortaleza do Guincho onde temos um bar fantástico e praticamente em cima do mar - nada como sentir a espuma nos dias mais agrestes mesmo a bater ali no vidro.

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Também não podemos esquecer que estamos num Parque Natural, o mesmo é dizer que entramos numa zona protegida e onde todos os cuidados têm de ser mantidos - mas a isso voltaremos um destes dias.

O Guincho, de facto, e sobretudo no Inverno, não é so glamour, ou restaurantes - é frio, é algo de sedutoramente tenebroso e apaixonante. É o vento norte a entrar-nos pelo corpo, mas que nada consegue contra o impulso de não querermos abandonar aquelas rochas.

IMG_1002.JPGPor tudo isto, e sobretudo para aqueles que vão ter fim-de-semana, nada como flanar num daqueles locais que faz sempre parte do "passeio dos tristes". Se possível, nada como levar a bicicleta ou as botas e percorrer todos estes recantos, aposto que, mesmo para quem tem filhos, eles vão adorar - o melhor que pode acontecer é apanharem uma constipação, mas isso até reforça as defesas naturais na idade adulta. Acredito até que seja melhor do que passar o dia fechado numa rocha de cimento.

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Finalmente, e se estiver um daqueles dias em que não apetece mesmo sair do carro e apanhar aquela brisa marinha, pensem que uma embalagem de água do mar, nas farmácias, pode custar mais de 10 euros e aqui, além de perfeitamente natural e sem aditivos, temos essa embalagem em doses indústriais e sem custos...

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Bom fim-de-semana, 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Retratos de Inverno - Neve

por Robinson Kanes, em 09.02.18

 

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Fonte das Imagens: Própria 

 

Numa semana em que o negro da morte e da poluição andou um pouco por aí, é importante regressar ao branco... Ao branco, à palidez de algo vazio, algo puro, e onde tudo pode renascer.

 

Admito que a neve em excesso não me fascina, nunca fui adepto de destinos de neve e só consigo apreciar a mesma quando ainda conseguimos ver um pouco da folhagem das árvores ou então quando bem lá de cima, vimos as montanhas cobertas por um manto branco com um pico aqui e acolá. O contraste entre o verde ou o castanho com a neve, esse sim, é deveras encantador.

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Além de que existe algo que se aproxima da magia e do som único que é o pisar de folhas... O som do pisar da neve, aquele "rac rac rac" que nos anuncia a chegada de alguém, por norma bem encasacado e encolhido, mas também com um sorriso no rosto ou então desejoso de partilhar o aquecimento numa conversa entre uma bebida quente e um bolo... Quiçá um chocolate quente e um pastel de nata, ou então um "Glühwein" acompanhado de um Trdelník ou da sua versão húngara, o "Kürtőskalács".

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A neve lembra o Natal, sobretudo no pólo norte, mas lembra também dificuldades, sobretudo quando em excesso. Lembra também bons momentos passados na rua, com um frio que não lembra a ninguém, mas onde a brincadeira impera. A neve recorda-me sempre a imagem do Alhambra com a Serra Nevada ao fundo, com os seus cumes com neve e com aquelas nuvens que vão escurecendo a pouco e pouco até se tornarem ameaçadoras e descarregarem a sua força na cidade.

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Recorda-me o contraste dos campos de alfazema e de como de um enorme manto branco surge toda aquela cor que nos apaixona quando percorremos a Provença e nos socorremos de um Calisson "Le Roy René" para retemperar forças.

Aquando da neblina, falei de Alberto Caeiro e dos "Poemas Inconjuntos"... Pois também na sua falta de conjunto, surgiu "A Neve Pôs Uma Toalha Calada Sobre Tudo":

 

 

A neve pôs uma toalha calada sobre tudo.
Não se sente senão o que se passa dentro de casa.
Embrulho-me num cobertor e não penso sequer em pensar.
Sinto um gozo de animal e vagamente penso,
E adormeço sem menos utilidade que todas as ações do mundo.

Alberto Caeiro, in "Poemas Inconjuntos"

 

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Talvez, ao contrário do que nos dizia Caeiro, a neve coloque em nós um pano branco que nos faça também descolorar todo um pensamento e do zero criar novas raízes, novos caminhos desobstruídos, novos desafios e deixar que o cobertor apodreça entre o gelo do Inverno, e depois, o calor do Verão.

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Como muitas aves que percorrem e perfuram a neve em busca de alimento, pois que, também possamos sair à rua e encontrar na neve algum alimento para o sorriso, para a brincadeira e para as memórias, até porque esta época não precisa de calor para ser perfeita, quando podemos fazer um enorme Carnaval a brincar na neve...

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 Bom fim-de-semana,

 

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Retratos de Inverno - Neblina Matinal

por Robinson Kanes, em 02.02.18

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 Fonte das Imagens: Própria.

 

 

Entre as palavras que mais ouvimos estão estas duas: neblina matinal. Raros são os boletins meteorológicos que deixam a neblina matinal para trás... No entanto, se para uns é uma forma de tornar o despertar mais difícil, para outros é uma daquelas coisas que nos faz saltar da cama e percorrer os campos a pé ou em duas rodas! Equipamento térmico de ciclismo vestido, sapatilhas de encaixe calçadas, travões afinados e aí vamos nós! Ou então sempre podemos calçar as botas, vestir uma camisola quente, umas calças confortáveis e admirar a natureza ainda mais perto.

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Quem é que não se recordará de, ao fazer estes percursos singulares, dos poemas de Fernando Pessoa sob o heterónimo de Alberto Caeiro? Quem não será um "guardador de rebanhos" ou aquele que Pessoa tenta descrever em "Hoje de Manhã Saí muito Cedo?"

 

Hoje de manhã saí muito cedo,
Por ter acordado ainda mais cedo
E não ter nada que quisesse fazer...

Não sabia por caminho tomar
Mas o vento soprava forte, varria para um lado,
E segui o caminho para onde o vento me soprava nas costas.

Assim tem sido sempre a minha vida, e
assim quero que possa ser sempre —
Vou onde o vento me leva e não me
Sinto pensar.

Alberto Caeiro, in "Poemas Inconjuntos"

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A neblina matinal é inspiradora... Não tem de ser triste... Não tem de ser o início de uma constipação, mesmo que as nossas narinas sintam o aroma e o frio que rapidamente se dissipa se deixarmos que o nosso pensamento se funda na manhã e na paisagem. Deixemos que aquela humidade que nos gela os ossos seja o ar condicionado de um corpo quente em fusão com a natureza. Poderei estar lírico, mas talvez as palavras de Vergílio Ferreira, no seu Conta-Corrente façam sentido quando diz que "a vida é feita, bem o sabemos, de pequenos nadas que é o que mais conta para o nada que somos no fácil e correntio".

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Nestas manhãs, os cheiros são sempre diferentes, são sempre mais puros e mais intensos, é comum pela manhã ou ao final da tarde, mas esta humidade faz levantar da terra todo o seu aroma, todo o seu sabor até. O solo fica macio, por vezes os pés ou as rodas da bicicleta enterram-se na areia e como é bom ter de limpar toda aquela lama depois de um percurso por entre caruma, folhas, lama e tudo aquilo que encontramos nestas pequeninas mas tão inspiradoras viagens. 

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Bom fim de semana... De preferência, com muita neblina...

 

 

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Porque Ainda é Inverno...

por Robinson Kanes, em 23.02.17

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De facto, embora a Primavera já espreite, os dias já estejam mais longos... ainda é Inverno.

 

Esta estação é uma espécie de mal-amada, o mês do frio, da escuridão, da tristeza, da chuva e até, associado a depressões e morte.

 

O Inverno não ostenta os dias longos do Verão, nem as cores mais fortes da primavera e, muito menos, os finais de tarde outonais. Mas, na verdade, o Inverno também tem a sua cor, o seu calor especial e acolhedor que nos atrai e não nos faz procurar uma sombra. O Inverno tem até, e por pouco, a sua silly season - ou o Natal e o Ano Novo são hoje em dia o quê? Ou o Carnaval ao frio com gente desnuda?

 

O Inverno ensina-nos muito, ou não fosse a estação que limpasse os desastres e o lixo deixados pelo Outono Quem nos varreria as folhas, limparia e carregaria de nutrientes os campos deixados por tão bela época? A Primavera é uma espécie de oportunista face à situação que lhe calhou, pois é ela que aproveita todos os três meses de trabalho anteriores e explode em finais de Março num sem número de cores e vida que nos fazem sair de casa e apanhar alergias. Diria até, que o Inverno é uma espécie de assessor da Primavera mas que fica com o trabalho todo, esta só sobe ao palco e encanta quem por ela venha a passar.

 

Diz-se também que o Inverno é um mês de solidão, eu acredito que é uma oportunidade de estarmos mais próximos, de vivermos mais, na rua e em casa, com aqueles que nos dizem algo... talvez no Inverno procuremos mais os grandes centros comerciais ou os locais com muita gente (de preferência fechados), mas... provavelmente é aí que a solidão mais é sentida.

 

Camus dizia que não existia sol sem sombra e que, portanto, seria preciso conhecer a sombra. Talvez o Inverno seja essa sombra que é preciso conhecer, talvez o Inverno seja essa sombra que é preciso transformar em sol... em luz de Inverno...

 

Fonte da Imagem: Própria

 

E que melhor banda sonora para um dia de Inverno? E bem a propósito, com um Carnaval daqueles...

 

 

 

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E Porque Ainda é Outono...

por Robinson Kanes, em 24.11.16

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 Fonte: Própria

 

 Na verdade, muitos apontam a ausência de luz e o tempo mais frio como causa de depressões - umas mais agudas, outras mais “contemporâneas”.

 

Mas o Outono é sem dúvida a época das cores: imaginem o verde, o castanho, o azul, até a luz solar ganha uma outra entoação particular, tal como o som que emana da chuva. Uma chuva gentil, triste também. Será? Experimentem a raiva da chuva de Inverno e depois falem-me da chuva outonal.

 

Pobre Outono que surge no final do Verão e nem um aplauso recebe por limpar os exageros da silly-season ou então por ser o início de um novo período, quer de trabalho, quer de desafios ou até de conquistas. Não dizem que os amores de Verão não duram mais que a estação? Os do Outono são talvez os mais resistentes. O Outono é o varredor e até o Inverno é mais apreciado, pois apenas apanha as folhas que o Outono deixou e no hemisfério norte ainda tem o Natal para o coroar.

 

O Outono dá cor às nossas telas, inspiração à nossa música, faz-nos dançar com as folhas e gentilmente sentir o chão ao pousarmos e a esvoaçarmos novamente, como as aves que partem para destinos mais quentes. O Outono é arte e não é por acaso que existem lugares neste Portugal e não só, onde o Outono é a época mais bonita do ano: pensem no Douro, no Alentejo ou então vamos até à Toscânia ou deixemo-nos prender pela paisagem de Santorini enquanto bebemos um café grego (aquilo para mim é café turco, mas pronto) e admiramos os telhados azuis. O Outono é talvez a mais poderosa e artística estação nos países do mediterrâneo.

 

Pensemos no Outono de Vivaldi, onde este entra com toda a pompa e circunstância por trazer a luz que o Inverno vai apagar, por nos inundar de cores. Um privilégio e a música isso o revela.

 

O Verão apenas se estende no Grand Canal (imaginem Veneza nessa altura) e absorve o que de bom todas as outras estações lhe deixaram, não vive o desafio da conquista e exala em toda a sua expressão numa musicalidade tranquila e de paz.

 

O Inverno vem com toda a sua força. Senão vejamos o som do violino a alternar com o suspense das demais cordas. É forte, poderoso e transporta-nos para uma guerra entre a luz e as trevas revelando contudo toda a sua suavidade e delicadeza de quem tem de lutar pela luz na escuridão.

 

Mas o Outono é a mais airosa das estações, na sonoridade, no glamour e romantismo com que entra em cena, à descoberta e trazendo uma vontade única de desafiar a herança do Verão. Em Novembro quase que se deixa finar. Muitos são aqueles que encaram até o Inverno como a incapacidade do Outono para segurar a luz e a força do Verão. Mas, se ouvirmos as notas finais de Vivaldi, vamos perceber que é simplesmente o adormecer de uma época dourada cuja duração no tempo tem de ser controlada sob pena de não resistir à gula da Terra e dos seus Seres. E é nessa alegria que se despede e dá lugar ao Inverno.

 

Já agora, cá fica a banda sonora...

 

 

 

 

 

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