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IMG_2374.jpgImagem: Robinson Kanes

 

 

Algures no Curdistão (não importa qual dos lados), longe daquilo que se pode chamar uma rota turística e onde dispensamos a utilização das câmeras fotográficas para "rede social ver", o sol parece queimar. Valem-nos as pessoas, se existe povo simpático e afável, esse povo encontra-se no Curdistão.

 

O calor faz crepitar a pele, por aqui a temperatura aumenta de forma considerável (ou desce na mesma proporção). Estamos perto de fronteiras sensíveis, nomeadamente com a Turquia, Irão e Iraque e já perto da Síria. Utilizamos vestes curdas, ajuda a  que não tenhamos problemas.

 

Existem povos que sempre reclamaram um Estado e têm conseguido esse intento com o apoio da comunidade internacional, já os curdos têm vindo a lutar ao longo de muitos séculos também pela sua independência e essa luta tem vindo a ser aproveitada também para que algumas potências consigam alguns dos seus intentos com escala temporal. Não procurando defender ou criticar a causa curda, a recente utilização e posterior traição dos Estados Unidos é exemplo. Mais uma vez utilizámos um povo, uma facção, um movimento para conseguirmos um objectivo claro e depois zarpámos! Sabemos os impactes que tal provoca no longo prazo, o terrorismo é um deles.

 

No entanto, existem coisas que ninguém deve ver. Não falo da morte em si, essa é inevitável tantas vezes. Não falo dos feridos nem de corpos decepados que nos consternam, que nos horrorizam e nos marcam para sempre. Refiro-me sobretudo ao cinismo e à truculência daqueles que empreendem o mais lucrativo comércio do mundo: as armas.

 

Ninguém deve ser confrontado com o mercado negro do armamento, em plena rua, sem qualquer embaraço ou segredo. Indivíduos cujas origens parecem vir desde o Médio-Oriente até á Ásia Oriental, passando pelo Ocidente e pela Europa de Leste. Armas, munições e até veículos com a chancela das potências da paz, outras com a chancela daquelas que se dizem culturas pacifistas. Máquinas de matar novas e usadas que irão cair nas mãos de homens, mulheres e crianças com um claro objectivo: matar outros homens, mulheres e crianças.

 

Quando pensamos em tráfico de armas nunca pensamos que em algumas situações possa ser verdadeiramente um mercado a céu aberto, um bazar onde se vende a morte. Engolimos em seco, imaginamos os efeitos em combate, até porque também sabemos como utilizar uma "arma ligeira" e os efeitos que a mesma provoca. Isso agonia-nos, deixa-nos angustiados e paralisados. Não podemos fazer nada, se o tentarmos acabamos com um projéctil na cabeça, muito provavelmente. Qual o destino destas armas? A Síria e o Iraque tão perto, tanta tensão no Cáspio...

 

Por perto passam os habitantes da "aldeia", indiferentes à chacina que está a acontecer, indiferentes ao facto de um dia poderem ser eles também vitímas do que ali se troca. São gente que vive o seu dia-a-dia, que já se habituou e que até é feliz assim, não podemos ver os outros apenas pela nossa perspectiva. Já outros, sabem muito bem o que está a acontecer e no olhar mostram toda a sua inquietação.

 

Contemplamos a paisagem em redor - estamos no fim do mundo entre pedras e montanhas. Imaginamo-nos no regresso, num hipotético centro de mundo, numa esplanada junto ao mar, enquanto naquele "fim de mundo"... Enquanto naquele fim de mundo sob a ilusão da religião, de algumas políticas se coloca fim à Humanidade.

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Etiópia e Eritreia - O Abraço!

por Robinson Kanes, em 09.07.18

800.jpeg

Créditos: (ERITV via AP) 

 

 

Não é só pelas Coreias que a diplomacia está a conseguir grandes resultados- Existem em África dois países irmãos que ao fim de mais de 20 anos de costas voltadas decidiram abraçar-se e voltar a conversar. Falo da Etiópia, que além de ser o breço de um café fantástico, é também o segundo país mais populoso de África e ainda da Eritreia. Estes dois países, além de terem já estado envolvidos em guerras um com o outro, possuem algumas das mais antigas marcas de presença civilizacional do mundo e ao longo de séculos, até pela sua posição geográfica estratégica são apetecíveis para muitos colonizadores. Falar dos territórios da  Etiópia e da Eritreia é também falar da má gestão de muitos colonizadores europeus e do médio-oriente ao longo dos séculos.

 

Dois países esquecidos e onde a fome fez milhões de vítimas, prosseguem agora uma via de desenvolvimento ainda ténue ao ponto de se reflectir directamente e com impacte nos seus cidadãos. Todavia os resultados começam a surgir e a Etiópia já é um dos que mais cresce.

 

Este reencontro foi interessante, não só por ter sido revestido por uma imensa alegria entre as partes, não fosse Abiy Ahmed ter chegado à Eritreia e ter sido recebido com abraços e muitas gargalhadas pelo presidente Isaias Afwerki. Neste encontro, entre outras temáticas, foi tomada a decisão de abrir fronteiras entre os dois países e segundo Abiy (não são só os consagrados da História que têm bonitos discursos) "a linha de fronteira foi abolida hoje como uma demonstração de verdadeiro amor... O amor é maior que toda e qualquer arma moderna como tanques e misséis. O amor consegue ganhar os corações e vimos isso hoje em Asmara. De hoje em diante, a guerra não é uma opção para o povo da Eritreira e da Etiópia. O que precisamos agora é de amor.". Também Afwerki aludiu ao facto dos dois países começarem, a partir de agora, a trabalhar como um só no seu desenvolvimento! A cumprirem-se todas estas declarações temos em África uma lição a aprender, sobretudo nesta fase em que a Europa se encontra dividida, novamente, numa imensa manta de retalhos.

 

Resta-nos esperar para ver o futuro, até porque a Eritreia continua a ser uma espécie de Coreia do Norte e com esta nova mudança talvez Afwerki siga as pisadas de Abiy e encete um sem número de reformas económicas, liberte jornalistas e membros da oposição e permita ainda o acesso livre à internet.

 

O mundo deveria andar atento a estes pequenos passos, que podem ser efectivamente de gigante para o continente africano que, com nações fortes, paz e independência face a outras potências pode mudar o rumo da sua História e assim, também permitirem que a pouco e pouco as crises migratórias sejam solucionadas, pois é em África que estão os problemas e na Europa continuamos com paliativos sabendo que existe uma cura.

 

Não é espectacular, não dá likes mas faz o rumo da História ter um lado mais sorridente...

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