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O país onde não havia natureza...

por Robinson Kanes, em 09.09.19

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Imagem: GC

 

 

Os portugueses são daqueles povos que se podem orgulhar de ter legislação para tudo. Existe uma falha, cria-se imediatamente uma lei para preencher esse vazio ou alguém influente na política comete um crime, cria-se uma lei que permita a fuga desse indivíduo à Justiça. No entanto, quantas leis têm efectivamente aplicabilidade prática? Quantas leis são seguidas e quantas outras não são  mais que um processo de entropia à própria aplicação da justiça?

 

Existem em Portugal, tantas outras leis relacionadas com o ordenamento do território e com o ambiente, mas só aquelas que acompanham o cimento parecem merecer a atenção de quem governa e de quem é governado. O tema ambiente não dá votos! Poderão falar do crescimento do PAN, no entanto, a bandeira deste são os cães e os gatos, não propriamente as políticas ambientais e de sustentabilidade. Os "Verdes" não existem, pura e simplesmente, lembram-me sempre aquelas micro e pequenas empresas que ninguém percebe como sobrevivem perante a ineficiência de vendas e concretização de negócio.

 

Os temas ambientais não merecem destaque porque simplesmente ninguém quer saber! Queremos ter um aeroporto para viajar mais barato e aumentar o turismo de "chinelo no pé", mas não queremos saber os impactes do mesmo no ambiente. Não queremos saber dos Parques Naturais, das Reservas Naturais e muito penas de Zonas Especiais de Protecção. Não estamos preocupados com o processo mais que visível de desertificação e muito menos nos preocupamos se todos os dias alguém faz descargas no Tejo e em outros rios e nada se faz. Ninguém está preocupado com as promessas (e algum trabalho, efectivamente) realizadas no âmbito de pós-Pedrogão e dos incêndios de Outubro daquene ano fatidíco.

 

Um aparte, sei que não acontece com todos, mas não são raras as situações em que já presenciei bombeiros no terreno sem saber o que fazer ou, passo a expressão, "à nora" porque o comando é fraco. Não são raras as vezes que assisto a bombeiros plantados à entrada de localidades à espera de um incêndio que está a quilómetros, porque as ordens passam por desmobilizar a frente e proteger habitações! É importante que não morra ninguém e poucas casas sejam destruídas sob pena dos media serem implacáveis. Até porque, em termos de área ardida, destruição da fauna e da flora, os cidadãos não estão interessados.

 

Deveríamos ter vergonha pelo simples facto do Tribunal de Justiça da União Europeia ter condenado Portugal pelo falhanço na declaração de 61 sítios como zonas especiais de conservação - simplesmente porque ignorou as orientações da Comissão Europeia no âmbito da "directiva Habitats". Será assim tão difícil num país tão pequeno e com prazos tão alargados? Terão os cidadãos cultura ambiental (ou interesse) para exigirem mais dos Governos nestas matérias? Eu envergonho-me de estar num país em que tal acontece, em que Pedrogão e o "Outubro negro" foram óptimos para o mediatismo de muita gente e onde todos os mortos, feridos e envolvidos na tragédia foram completamente ignorados e as suas mortes ou dificuldades acabaram por ser em vão. E hoje como estou em "apartes", não é estranho que o piloto de uma força militar que disse anos a fio (e ainda diz) não ter condições para o combate a incêndios, estar a pilotar um helicóptero privado de uma empresa ligada à indústria do papel? E como este quantos existem? Não é também estranho que um piloto de 34 anos, que mora no Montijo (segundo me foi dado a saber), faz uma "perninha" a pilotar helicópteros privados e ainda é comandante de uma corporação de bombeiros a cerca de 350 km de casa? Como é que se consegue tempo e eficiência para todos estes deveres? Deveres esses que, na sua maioria são pagos com dinheiro de todos nós. Todavia, também não quero, com isto, menosprezar a capacidade de trabalho do profissional.

 

Finalmente, também o Tribunal de Contas arrasou, e voltando ao tema, a ineficiência ou total ausência do plano para a desertificação! Perdoem-me a expressão, mas "caramba que raio anda tanta gente a fazer?". Temo que estes reparos de uma das instituições públicas que melhor funciona fique, mais uma vez, no esquecimento. Não deve ser fácil estar no Tribunal de Contas e ser constantemente humilhado pelo total desprezo político em relação a esta instituição! Num país com cidadania e patriotismo fora de estádios de futebol, esta seria uma das instituições mais acarinhadas pelos cidadãos e que mais apoio teria destes para fazer valer aquilo que agora são meras observações...

 

Portugal talvez seja mesmo o país onde, além de contas claras, não há natureza...

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Entre deveres e pérolas até à ressurreição...

por Robinson Kanes, em 06.09.19

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Imagem: Robinson Kanes

 

Como a injustiça pode ser cometida de duas maneiras, isto é: pela força ou pela fraude - assemelhando-se a fraude à da raposa e a força, à do leão - são ambas totalmente ,indignas do homem, suscitando, porém, a fraude um ódio ainda maior. Em todas as injustiças nenhuma é mais hedionda do que aquela cometida por aqueles que, enquanto ludibriam com o ar mais refinado, a fazem, assim parecendo a sua acção ser própria da conduta do homem de bem. E isto basta para a discussão acerca da justiça.

Cicero, in "De officiis"

 

 

Uma semana complicada, um fim de semana para fugir para perto, um próximo para fugir para mais ou menos perto (e cumprimentar o Bryan Ferry em Lamego) e depois, duas semanas para muito, muito longe...

 

A semana complicada fez-me recorrer aos livros e à música como há muito já não o fazia. Fez-me recordar também as palavras e os conselhos da GC (a alemã) e do meu pai... O último, infelizmente, já não está cá para acompanhar as peripécias. Não está, nem nas estrelas nem em mais lado algum, não está...

 

Talvez por isso a minha selecção literária vá para os clássicos, para Cicero e o seu "De officiis" que é o mesmo que dizer "Dos Deveres". Li vários excertos deste livro em latim e depois, já na minha língua mãe, e é um verdadeiro tratado. Hoje muito se escreve disto e daquilo, mil e uma pessoas a escreverem tudo e nada do mesmo assunto, mas quantos textos perdurarão? Este, de Cicero, ainda perdura, cada vez mais escondido nas prateleiras da História até ser esquecido... Como tantos outros. Por vezes, chego também à conclusão que não deveria ter lido nenhum deles... "Nah"...

 

Tudo aquilo que é honesto dimana dos seguintes quatro elementos: o primeiro é conhecimento, o segundo , o espírito de solidariedade, o terceiro a magnanimidade, e o quarto, a moderação.

Cicero, in "De officiis"

 

Musicalmente, esta semana tenho de entrar na ópera, uma das minhas paixões, embora algumas figuras da nossa praça insistam em dizer que a mesma se encontra morta - uma certa forma de criticarem uma elite como estratégia para fazerem prevalecer a sua, mesmo que também se seja radialista e nunca tenha existido preocupação em trabalhar a dicção...  Só me posso recordar de uma obra magnifica de Georges Bizet, "Les Pêcheurs de Perles" ou seja, "Os Pescadores de Pérolas"... O CD comprado no "Palais Garnier" ainda cá mora...

 

Gratidão, coragem e amor - o amor, sempre presente mesmo em tempos conturbados! O exemplo de Nadir e Leila e sobretudo de Zurga não deixa ninguém indiferente! Uma ópera, um libretto que deveria ser obrigatório em todas as estantes... Fica a ária, talvez a mais conhecida e consequentemente a mais bela, aqui interpretada por Roberto Alagna e o grande Bryn Terfel: "Au fond du temple saint".

Finalmente... Esta semana também recordei, de Florian Henckel von Donnersmarck,  o filme "Das Leben der Anderen" (penso que traduzido como "A Vida dos Outros") - vencedor do Óscar de Melhor Filme Estrangeiro em 2007. Alguns talvez conheçam melhor este realizador através do filme "O Turista". Sem desvendar muito, vamos assistir à passagem de um homem da "morte" para a "vida" por intermédio da experiência que terá como agente da Stasi na antiga República Democrática Alemã. Amor, história, calculismo... 

Finalmente, e para que tenham um excelente fim de semana, pensem alegremente que arderam em Agosto deste ano, na Amazónia brasileira, cerca de 2,5 milhões de hectares e na Venezuela, Bolívia e Colômbia foram registados, respectivamente 26000, 18000 e 14000 incêndios! Em África foram detectados pela NASA (até 21 de Agosto) 6902 focos de incêndio em Angola e 3395 na República Democrática do Congo (RDC) - vejam a fauna e a flora que existem nestes países, nomeadamente a floresta tropical da RDC.

Para Domingo, podem sempre pensar que na Sibéria arderam até hoje 5,4 milhões de hectares de bosques e floresta e só 9% dos fogos estão a ser combatidos - é bom que arda para se começar a extrair o que há naquele solo, maravilha! Na Indonésia, onde todos gostam de passar umas boas férias, só na primeira metade do ano e na região de Kalimantan (o lado indonésio da ilha de Bornéu) a desflorestação aumentou 52% em comparação com 2018! O governo indonésio tem vindo a ser pressionado pela comunidade internacional, mas nada faz... Na Europa, mais precisamente na Península Ibérica, para terminar, estamos a assistir ao nascimento de um novo conceito de fogo: " incêndios sem capacidade de extinção". Nada mau, hein?

 

Bom fim de semana...

 

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O Padeiro que pôs a mão na Massa...

por Robinson Kanes, em 30.07.19

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Créditos: https://franschhoek.org.za/event/bread-making-course-bread-wine-restaurant/

 

 

Se descobrires uma vida melhor do que governar, para os que devem governar, podes conseguir um Estado bem . administrado. Pois só nesse mandarão aqueles que são realmente ricos, não em dinheiro, mas naquilo em que deve abundar quem é feliz - uma vida boa e sensata. Se, porém, os mendigos e os esfomeados de bens pessoais entrarem nos negócios públicos, pensando que é daí que devem arrebatar o seu benefício , não é possível que seja bem administrado. Efectivamente, gera-se a disputa pelo poder, e uma guerra dessas,  doméstica e interna, deita-os a perder, a eles e ao resto da cidade.

Platão, in  "República"

 

 

Em tempos, ouvi a história de um senhora cujo filho não estava a aproveitar os milhares de euros que eram investidos pelos pais, trabalhadores incansáveis, num curso superior na Universidade Católica. Fiquei imediatamente a pensar se o indivíduo não andaria nos copos e nas farras que a vida de estudante encerra, aquela vida pobre e de muito sacrifício. Para mim sempre foi, sobretudo quando visitava alguns colegas em residências universitárias e não conseguia estacionar o 206 porque as mesmas estavam com os estacionamentos ocupados por carros de alta cilindrada.

 

Na verdade, o que retirava o jovem das aulas durante o dia e durante a noite era outro vício bem mais perigoso que as drogas, as mulheres da vida ou a bebida: a juventude partidária! Com efeito, quando questionado pela mãe sobre a má-vida, a resposta foi "estudar agora não é muito importante! Importante é dar-me com esta malta que isso é que vai fazer o meu futuro". 

 

A verdade é que os licenciados em juventudes partidárias tendem a ser um cancro para o país, sobretudo quando nem fazem a licenciatura e escolhem carreiras mais modestas mas, sem dúvida, em muitos casos, mais interessantes, porque não padeiro? Uma nota: vejo mais arte num padeiro que num administrativo que "apenas" actualiza folhas de Excel.

 

Ser padeiro, profissão antiga e que merece o meu maior respeito, pode também abrir portas para ser especialista em protecção civil! E quando isto acontece... Temos a empresa que vende golas (uma empresa de Turismo de Aventura criada, aparentemente só para aproveitar a onda financeira dos incêndios de 2017), que por sinal é do amigo e da esposa (que por mero acaso é militante do nosso partido), a vender serviços ao Estado. Temos esse famoso especialista a colocar em risco a vida de todos os portugueses que possam necessitar das respectivas golas... E isso é normal, porque padeiros de Gaia não faltam, só lamento é que a "Padeira de Aljubarrota" tenha sido uma lenda que poucos ousam, actualmente, tornar real.

 

Num país onde tantos especialistas, em tantas áreas, têm de emigrar ou aceitar empregos para os quais não estudaram (o que não é mau) e com salários miseráveis... Num país onde tenham desistido das suas valências e dos seus sonhos por culpa destes padeiros que continuam a contaminar as instituições públicas e privadas, não raras vezes em posições de elevada responsabilidade técnica e funcional... Continuamos de olhos fechados perante estas situações! Continuamos a valorizar mais aquele que tem mil e um cargos e não desempenha qualquer tarefa na maioria deles, temos os profissionais das revistas e das palestras e continuamos a ocultar quem tem realmente valor e competências para tantos e tantos cargos neste crónico atrasadismo mental - já não é cultural! 

 

Se a todos estes juntarmos os padeiros que acumulam cursos superiores só porque sim, temos um país governado não por padeiros mas por autênticos sapateiros!

 

P.S.: entretanto, soube-se à data da publicação deste artigo que também as carcacinhas andaram a querer imitar os pães de quilo com contratos públicos.

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A Negra História Repete-se...

por Robinson Kanes, em 22.07.19

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Créditos: https://www.drodd.com/html7/black.html

 

Poderei tornar-me repetitivo, até porque, por aqui, não faltam artigos sobre incêndios, sobre terrorismo (para mim, incêndios com mão criminosa são terrorismo), sobre canalhice, desplante e o "populista selfizismo" da desgraça.

 

Depois do ano de Pedrogão e de todo o interior, onde Pedrogão até serviu para ocultar o que se veio a passar em Outubro do mesmo ano numa das mais vergonhosas trapaças da política e dos media em toda a Democracia portuguesa, a história vem-se repetindo...

 

Enquanto de férias, a classe política e todos os portugueses ignoraram Monchique, voltaram a ignorar Monchique e este ano voltarão a ignorar o que já se está a passar no interior do país! Não faltam fogos com causas naturais, sem dúvida, mas a falta de estratégia em termos de ordenamento do território continua a ser gritante e ninguém aprendeu nada até hoje! A corrupção, tema tão falado aqui e que para muitos em Portugal (pelo menos assim vociferam em rádios, jornais e televisões) até é uma coisa boa tem também aqui o seu papel! O Governo central que governa para a imagem e para as sondagens anuncia tudo e nada, aliás, enquanto o país arde, um Primeiro-Ministro e muitos ministros estão ao mesmo tempo em campanha eleitoral, preenchendo um palco carregado de grandes leds ao estilo web summit.

 

Com um país novamente a arder, a notícia que salta para a capa é a hipotética maioria absoluta de um partido, isso sim é importante - faz-me recordar um país a arder num certo Junho que acabou com uma estrada cheia de corpos carbonizados mas cuja prioridade do Primeiro-Ministro foi lançar um estudo para aferir da sua popularidade! A prioridade foram também as fotografias (humilhantes para as vítimas) de um Presidente da República abraçado a indivíduos em lágrimas como se fosse o pater familia da nação - o aconchego daqueles que se colocam em frente às câmeras fotográficas, os outros interessam pouco... 

 

Com um país novamente a arder, volta a sobressair a incompetência autárquica em toda a sua plenitude e uma esquerda completamente calada, um partido comunista obsoleto e um bloco de esquerda com chama fascista que vivem no absurdo silêncio como se tudo isto fosse normal! Talvez despertem com as sondagens, porque o poder pode estar por um fio... Temos um PAN que parece sim o partido do Peter Pan, que de natureza tem pouco e vive o sonho de criança que é ser um partido cool. Temos os Verdes, braço não armado do PCP que serve para colocar mais uns deputados na Assembleia da República mas que de verdes têm muito pouco, ou nada! Temos associações de natureza e ambientais, sempre com os mesmos, que expulsos de uma de outra se vão renovando com a criação de mais associações. Um meio para que muitos profissionais encostados e professores universitários alcancem as tipícas ambições de provincianos num país apático.

 

Podemos chamar a tudo isto populismo! Mas se populismo é ficar completamente de rastos com um país que todos os anos arde, que era verde e agora é negro (e até as pessoas assim estão a ficar, negras, sem um sorriso), pois bem, sou populista! Se ser populista é ignorar todos as perdas humanas dos incêndios, todo o esforço dos operacionais, todas as perdas irrecuperáveis em termos de flora e fauna, pois bem, sou populista! Se ser populista é querer respirar e não conseguir porque o ar está irrespirável e tóxico, pois bem, sou populista! Se ser populista é não embarcar na miragem de investir na imagem de um país para estrangeiro ver, de cidades grandes para estrangeiros "gold" viverem, pois bem, sou populista... Se ser populista é colocar acções concretas à frente de demagogias e selfies, pois bem, sou populista! 

 

Mas o importante, o importante agora é não estragar as férias aos portugueses que já andam a pensar na greve dos camionistas e de como isso lhes pode afectar a ida à praia em Agosto! Isso é importante, mesmo que vivam num país negro, carregado de assimetrias, mas que lá fora vive de ocultar informação passando a imagem de um paraíso que não é! E como em tempos escrevi, caramba, nunca mais morrem pessoas nos incêndios destes dias, para alguém se mexer...

 

Algumas leituras:

O Fogo do Inferno e as Chamas da Irresponsabilidade e da Vergonha!

Pensamentos da Malta do Bairro Sobre Exames, Incêndios, Corrupção e Cegueira Colectiva

Sr. Presidente, Não Somos Nada Bons!

Caramba, Nunca Mais Morrem Pessoas nos Incêndios Destes Dias!

O Fogo que Nos Continua a Queimar!

O Fogo que Fala...

Um Elogio ao Dr. Vasco e à D. Lídia

Fogos: Os Erros Repetem-se e os Responsáveis Sobrevivem à Fogueira!

Portugal em Guerra!

Incêndios: Espanha nas Ruas, Portugal no Sofá.

Eu Tenho um Incendiário na Família!

Paisagens de Carvão 2017

São Perguntas, Senhores, São Perguntas...

Paisagens de 2017 - Os Sobreviventes.

Bater no(s) Fundo(s)...

São Perguntas, Senhores, São Perguntas... Ainda Todas Sem Resposta!

Balde de Helicóptero com Água Fria...

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A Derrocada...

por Robinson Kanes, em 20.11.18

IMG_3902.JPGMonument aux Bourgeois de Calais: Andrieu D'Andres Monumental, Auguste Rodin - Musée Rodin

Imagem: Robinson Kanes

 

Era um homem quando vi Portugal inteiro a arder e os erros a somarem-se uns atrás dos outros. Vi o país a arder de norte a sul e a incompetência a grassar por todas as entidades, desde responsáveis pelos bombeiros, passando pela protecção civil até às figuras máximas da política nacional que não hesitaram um momento na altura de se colocarem como salvadores da pátria. Uma Ministra e um Secretário de Estado que se demitiram e um sem número de responsáveis ainda sem sentirem o peso da Justiça. Hoje, ainda muitos não percebem o que aconteceu aos seus familiares. Dizia-se nunca mais...

 

Desse ano fatídico, não passaram uns meses para que num Outubro, com os mesmos incompetentes a comandar, o fogo voltasse a matar um assustador número de portugueses abandonados às chamas no interior do país. Depois de Pedrogão, o fogo alastrou por todo o centro do país e ainda queimou uma das nossas jóias da coroa, o Pinhal de Leiria. Os do costume... Escaparam impunes e muitos deles andaram a plantar "pinheirinhos" para as cameras de televisão com o sorriso cínico de quem pensa mais no poder do que naqueles que os sustentam. Dizia-se nunca mais...

 

O ano passado, ardeu a Serra de Monchique num fogo que, estranhamente, durou dias e dias e foi um dos maiores de sempre na Europa! Os mesmos responsáveis, os mesmos erros, menos mediatismo (pois não morreu ninguém, como se isso fosse o suficiente para desculpabilizar este tipo de (in)acção). As mesmas fotos, os suspeitos do costume e dizia-se nunca mais... Não existiram salvadores da pátria, não houve mortos nem famílias desses mortos a chorar nos ombros sofrendo a humilhação de políticos inúteis.

 

Recuando no tempo, era um miúdo quando vi cair a ponte de Entre-os Rios e já era um adolescente quando li os versos que estão junto aquele austero anjo que nos corta a respiração, sobretudo quando temos presentes as imagens que deixaram de boca aberta toda uma geração. Um ministro - que não pode saber tudo - que se demitiu, culpados que, convenhamos, escaparam à justiça e um sem número de famílias que ainda hoje desconhece o paradeiro dos seus familiares. Dizia-se nunca mais...

 

Esta semana, não foi uma ponte que ruiu mas uma estrada e os do costume lá estão... O mesmo discurso, a mesma conversa, a mesma impunidade e, como disse e bem, embora a propósito de outro tema, a nossa Ministra da Cultura, "as polémicas hoje duram uma semana". Duram uma semana, amanhã ninguém se lembra. Temos os opinadores que só opinam e nada fazem, nada exigem e só procuram palco e pouca justiça.... E diz-se nunca mais...

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Bater no(s) Fundo(s)...

por Robinson Kanes, em 28.08.18

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Imagem: Própria.

 

 

Na passada semana, em conversa com alguns conhecidos, tomei conhecimento de uma reportagem televisiva que, alegadamente, colocou o dedo na ferida - mais um - em relação aos apoios e acções de solidariedade para com Pedrogão Grande. 

 

Temos de atentar no facto de que, em Portugal, os incêndios de Pedrogão (como se os de Outubro, Monchique e outros não fossem de interesse) produziram, pela primeira vez e em larga escala, a ideia de que a solidariedade é um negócio pouco transparente. Confirmou-se, pois até hoje ainda ninguém explicou com rigor o destino dos fundos, que afinal para esclarecidos e ignorantes ou meros ingénuos, o dinheiro da "esmolinha" nem sempre acerta no bolso do "pobrezinho". Aliás, 2017 e 2018 foram pródigos em casos de solidariedade pessoal, literalmente...

 

Mas é voltando a essa reportagem que temos de fazer três exercícios: o primeiro é de que estamos perante uma reportagem que aponta alguns factos concretos e verídicos mas ainda é só uma reportagem. O segundo é de que devemos pensar porque é que casos como estes só chegam ao conhecimento do público e das autoridades por intermédio dos media... E terceiro, e se tudo isto for verdade?

 

Debato-me no terceiro e último: e se tudo isto for verdade? Se for verdade que o dinheiro dos contribuintes e de  todos aqueles que solidarizaram com Pedrogão (e falo de Pedrogão mas abarco todos os outros concelhos afectados) estiver a ser esbanjado por oportunistas corruptos? E se tudo isto for verdade, como é que fica o papel dos políticos - muitos deles ao mais alto nível - que se solidarizaram também com estes indivíduos e até lhes deram apoio mediático e não só? Se tudo isto for verdade, como é que um povo reage quando, aqueles que deveriam garantir a sua segurança, são os primeiros a falhar. Como é que saíndo impunes e abusando dessa impunidade ainda desrespeitam mortos e vivos absorvendo os lucros, pois a palavra é essa, os lucros da desgraça? Não defendo, nunca defendarei a Justiça feita na rua, todavia... Devo admitir que não é fácil desejar que algumas cabeças se afastem do resto do corpo num qualquer pelourinho! A conversa do doa a quem doer, sem causar dor começa a ser enfadonha...

 

E se tudo isto for verdade? Presumo que até existirem factos que provem todos estes esquemas são verdadeiros devemos ter cautela nos comentários e nos ditos julgamentos públicos, no entanto, também é nas ruas que se diz que "contra factos não há argumentos". Se tudo isto for verdade, uma coisa Pedrogão Grande tem de nos ensinar - chega de corrupção, irresponsabilidade, impunidade e incompetência!

 

Talvez a melhor homenagem que podemos prestar a todas as vítimas dos incêndios e não só, é finalmente começar a combater ferozmente estes comportamentos! Mais do que criar brigadas de combate a incêndios, é criar mecanismos que promovam a competência, o mérito e a responsabilidade. Mais do que criar oficiais de segurança, é criar mecanismos que combatam a corrupção... Até porque, todos sabemos, que o poder autárquico, a par do central, é também ele, em muitas situações um antro de corrupção que só não é mais posto a nu porque a apetência pelo paternalismo luso permite que autarquias e autarcas sejam a única fonte de rendimento e justifiquem a existência de algumas localidades. É esta apetência que permite que em alguns concelhos tenhamos autênticos ditadores que semeiam o medo e paralisam todos aqueles que levantem a voz contra os mesmos... Não são raros os casos em que tive pessoas diante de mim em pânico porque o "senhor presidente da câmara" ou o "vereador X" podiam acabar com uma carreira, uma família ou até com a sobrevivência dessas mesmas pessoas.

 

Fuji ao tema, de facto, mas na verdade, este tipo de situações continua a ocorrer e é a apatia das instituições e sobretudo dos cidadãos que o permite... Entretanto, também a Democracia vai ardendo de forma totalmente descontrolada.

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Monchique: Estão a Levar os Linces!

por Robinson Kanes, em 10.08.18

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Imagens: A minha GC 

 

 

Anteontem foi o dia do gato e foi também o dia em que, e bem, o Instituto de Conservação da Natureza e Florestas (ICNF) deu ordens para a transferência de um grande património nacional para a Espanha: os Linces Ibéricos! 

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Felinos de uma beleza única, o Lince Ibérico é mais que um mero "gato" que anda por aí, é algo nosso e faz parte da nossa identidade como portugueses ou, se assim quisermos, como povo ibérico. Tenho nos linces uma paixão similar ao Lobo Ibérico, e devo reconhecer que foram mais uns que sofreram e têm vindo a sofrer com a acção do homem na natureza! Continuamos a destruir tudo e não nos parecemos preocupar muito com isso mesmo que os sinais estejam à vista!

 

Aproveito talvez esta temática para fazer uma pergunta: tantas vezes que escuto os "paizinhos" a falarem da perpetuação dos genes, das gerações vindouras, do bem-estar dos filhos, será que, quando não fazem nada para mudar um pouco o mundo em que vivem também têm esse pensamento? De facto, o "real-umbiguismo", mesmo no tema dos filhos, é uma realidade mas... Se isto correr mal, não esperem que os vossos filhos sejam especiais e sobrevivam!

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A forma como estamos desligados da natureza, a forma como olhamos para muitas espécies, como se fossem peixes em aquário ou animais que devem estar enjaulados para gáudio de muitos, deixa-me perplexo... 

 

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Por aqui, espera-se que os Linces regressem em breve, e vão regressar. São cidadãos nacionais, são o nosso património, fazem parte da nossa cultura e temos uma grande dívida para com eles... E já tenho saudades de, lá bem longe, de binóculos em punho, tentar vislumbrar um dos maiores tesouros do nosso país!

 

Bom fim de semana....

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Trepanação Colectivamente Assistida!

por Robinson Kanes, em 02.08.18

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Fonte da Imagem:  A minha GC

 

 

- E tu Robinson, porque te ausentaste? Bem, caro Platão, estive a acompanhar o "Tour de France"...

-Brilhante Robinson!

Platão, in "República"

 

 

 

Como as coisas andam por este mundo... Andamos preocupados com as "gajas boas" no futebol mas não queremos saber da corrupção que grassa na modalidade e a origem, nem sempre bem esclarecida, dos montantes que envolvem a modalidade ao mais alto nível. De facto é brilhante! Tiramos as "gajas boas", mas não nos tirem a bola, mesmo que o nosso clube e aqueles que o gerem sejam autênticos criminosos que gozam de todo o tipo de impunidade. 

 

A prioridade actual é que não se mostrem as mamas da criminosa! Isso é que não! Mas a senhora em causa matou dois indivíduos e roubou 2 milhões de euros! E? Desde que não lhe mostrem as mamas, mesmo que ocultadas por uma camisa, está tudo bem, o resto não é importante. 

 

Também ouvi dizer que um certo Robles anda por aí numas negociatas imobiliárias! É legítimo, não cometeu nenhuma ilegalidade! No entanto, esse Robles não é aquele que criticava tanto Medina em termos de política imobiliária em Lisboa e depois se vendeu por um cargo de vereador? Sendo esse, é mais um como o Zé que era independente, depois passou para o Bloco de Esquerda e depois de se ter vendido a António Costa passou a chamar-se Engenheiro José Sá Fernandes e nunca ninguém mais ouviu falar dele, embora continue como vereador na mais importante autarquia do país. Mas o que não é legítimo, é Robles cair nessa tentação portuguesa que se chama a hipocrisia, sobretudo quando envolve dinheiro. E o silêncio do Bloco? Eu bem digo, desde a criação da geringonça que foi mais um "partido" que deixou de se ouvir e tem vindo a cair em algumas armadilhas bem peculiares...

 

Por França, as coisas não estão diferentes. Como também é época de férias, toda uma esquerda unida, alicerçada na ausência de notícias típica da "silly season" tem tentado derrubar Emmanuel Macron a propósito do caso Benalla. Pelo pouco que acompanhei, é uma verdadeira tentativa de derrubar um presidente num caso que não justifica tamanho ódio... E é esta a palavra. Também por França se anda a dar mais importância aos media... Ou então a ausência de jornalistas que encontrem notícias nesta época é uma realidade.

 

Também as questões climáticas continuam a ser uma brincadeira e uma fantochada... A plebe quer é calor, e quem vive do calor quer é dinheiro, mesmo que não sirva de muito quando a Natureza der o golpe final. Vamos para a praia e continuemos a não exigir nada (a nível global) aos governantes deste mundo. 

 

E porque se fala de ambiente e clima, porque é que parece não existirem mais instituições/associações ambientalistas além daquelas onde está sempre infiltrado o senhor Francisco Ferreira? Antes era "Quercus", mas como ficou zangado por ter perdido o poder que julgava vitalício, criou a "Zero" que agora merece todo o destaque mesmo que seja uma instituição sem provas dadas, sobretudo face a outras.

 

Finalmente... Portugal, Grécia, Estados Unidos e outras localizações com menos destaque, são a prova de que os incêndios estão cada vez mais fora de controlo! Entretanto, como me deparei com uma ignição aqui perto de casa, telefonei para a Glassdrive que me substituiu imediatamente os vidros da casa por uns anti-incêndio. Pelo menos foram mais rápidos que a Protecção Civil.

 

 

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 Fonte da Imagem: https://www.rt.com/news/422490-may-kemerovo-putin-condolences/

 

 

Recentemente, o incêndio num centro comercial na Sibéria fez as aberturas dos telejornais e ilustrou capas de jornais e outros meios de comunicação na Europa – pelo menos, em três países tive oportunidade de me deparar com isso. Tentei procurar em Portugal, mas de facto o futebol, a chuva miúda ou o vestido da festa de algum indivíduo sem interesse para os destinos do país, tem um peso enorme que apaga qualquer outra notícia.

 

Mas não é por aqui que vou, pelo que, acabo por fazer a comparação com a tragédia dos incêndios. Na Rússia, esse país de gente fria, sobretudo face a nós, calorosos portugueses, tive oportunidade de assistir ao choque das pessoas, às lágrimas do cidadão comum e à partilha da dor nas ruas. Vi o foco nas pessoas e não em políticos ou nas chamadas “figuras públicas”, vi a importância do tempo de sofrimento, daquele espaço que é necessário para chorar, para sentir o choque, afinal... para sofrer, por muito que nos custe admitir. Tal, contudo, não invalidou as criticas à actuação deste ou daquelo indivíduo ou instituição, no entanto, esse tempo é respeitado. Algumas destas imagens foram transmitidas pela Russian Today, uma televisão a comando do Kremlin e de Putin, mas que teve o cuidado de deixar que o luto fosse visível, sem show off.

 

Outra coisa que não vi (e até tenho seguido os desenvolvimentos) foi o foco nos concertos solidários e nas acções solidárias e com forte mediatização! Vi as pessoas a chorarem, a sentirem a dor e a partilhar algo que temos de sentir, viver e obviamente ultrapassar, mas tudo a seu tempo, sob pena de não vivermos o luto, seja ele qual for.

 

Fogos florestais também não têm comparação com incêndios urbanos, no entanto, imediatamente foram detidas 5 pessoas para averiguação – não estou com estas palavras a defender a rápida punição ou julgamentos sumários de eventuais culpados mas, pelo menos, procurar os responsáveis e começar a agir. Em Portugal ainda andamos à procura dos culpados e já estamos quase a um ano da data em que muitos morreram em Pedrogão. Afectos e palavras são interessantes mas em alguns países são precisas acções no terreno sob pena de ter um povo enfurecido e na rua a pedir justiça - na Rússia não se fizeram concertos solidários nem imagens para as câmaras de televisão, pediu-se justiça!

 

Defendo que em situações de gravidade, dispensam-se as palavras e avança-se com as soluções sem criar “grupos de trabalho”, no entanto, com corpos ainda na morgue ou no local da tragédias, admito que me custa encarar o mediatismo da suposta solidariedade e o espectáculo em torno da tragédia, onde é importante estar porque... Simplesmente se está...

 

Quando o luto não é feito, quando a tragédia não é enfrentada, quando não vemos as acções e camuflamos a ausência de tudo isso com “espectáculo”, corremos o risco de desresponsabilizar quem o deve ser e podemos estar a ocultar a realidade.

 

Associarmo-nos a tragédias, em Portugal e não só, é “fixe”, mas na realidade... Mais fixe é gerir a situação em si e acima de tudo exigir Justiça! Isso não nos traz visibilidade, mas faz de nós seres-humanos que dizem viver em Democracia.

 

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Fonte da Imagem: Própria.

 

 

Em tempos, por aqui passaram algumas perguntas... Hoje, reparo que todas estão por responder, motivo pelo qual as coloco lá mais para baixo, no entanto, novas perguntas surgiram...

 

Porque é que continuamos a ter um Ministro das Finanças que prejudica o país a troco de bilhetes para a "bola" e continua a sair impune? E nem é só este...

 

Porque é que os relatórios e as investigações dos incêndios de 2017 continuam a ser desprezados e sem apuramento de responsabilidades?

 

Porque é que, aquando do escândalo da "Raríssimas" (eu sei que já ninguém se lembra e os culpados ficaram impunes) se disse que não era a prática comum na área social, mas casos destes não faltam em Portugal? Quem o disse continua no activo quer como Primeiro-Ministro, Ministro da Solidariedade e Segurança Social e Presidente da República. E muitas destas instituições continuam a ser aclamadas como bons exemplos de solidariedade.

 

Porque é que as instituições que trabalham na área social, à semelhança das instituições desportivas, gozam de total impunidade neste país?

 

Porque é que existem pontes em risco de cair, linhas-férreas destruídas, património a cair e ninguém parece preocupado com isso, mesmo quando alguns espaços são concessionados e ninguém hesita em cobrar... Por exemplo... Portagens ao preço do ouro?

 

Porque é que todos os negócios danosos do Estado nunca têm culpados?

 

Porque é que as Comissões de Inquérito Parlamentar nunca dão em nada?

 

Porque é que a Lei do Financiamento dos Partidos vai passar e a pouca vergonha corruptiva vai continuar - resultou a manipulação aos cidadãos quer por parte dos partidos quer por parte do próprio Presidente da República que interviu no momento em que os cidadãos estavam revoltados, mas agora com os ânimos mais serenados, vai aprovar a mesma enquanto fala de voluntariado - voluntariado, essa mão de obra a custo zero que enriquece muitas instituições neste país!

 

Porque é que Portugal é dos países onde se passa mais tempo preso (porque se rouba uma carteira com 10 euros, por exemplo) mas os presos por corrupção quase que se contam pelos dedos de uma mão, sabendo nós que é o grande cancro e o veículo destruidor do país e consequentemente da vida dos cidadãos?

 

Porque é que os sindicatos da Autoeuropa (conduzidos pelo PCP e pelo BE) estão a tentar entrar noutras indústrias de Palmela e Setúbal, onde ainda não têm peso, com o intuito de destruir o tecido produtivo da região?

 

Porque é que a Santa Casa da Misericórdia é uma das instituições mais ricas do país e até se dá ao luxo de comprar parte de um banco como o Montepio que, apesar do mau momento, continua a dar grandes festas que enchem a Altice Arena? Não é estranho o silêncio da nossa classe política em torno deste caso?

 

E permitam-me... Mas porque é que o terceiro comentador da nação que usa humor para fazer política e não ser responsabilizado pelo que diz (falo de Ricardo Araújo Pereira) aponta sempre as balas a partidos como o PSD, mas quando a escandaleira anda pelos partidos mais à Esquerda ou dos corporativismos em que este se movimenta - e que o alimentam - não parece ter tanto interesse em dizer piadas humorísticas dotadas de sentido de manipulação? Cuidado quando falamos de mérito e de currículos...

 

E não querendo abusar e exaltar a minha pessoa... Quando falei de redes sociais como o Facebook e mencionei (eu e muitos outros) as vulnerabilidades das mesmas e a possibilidade de ocorrência de factos como os que agoram estão na origem deste escândalo recente, chamaram-me "desactualizado e quadrado". Os mesmos cuja única coisa que dominam é o email e o smartphone... Perdoem-me, mas numa blogosfera onde tanta gente é perita em personal branding, tive de ter o meu momento...

 

Até breve...

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E agora as perguntas de outros tempos - também aqui

 

- Como está a situação das instituições responsáveis pela alimentação dos bombeiros durante os incêndios do Verão passado? Ao que se sabe, não foram raros os casos em que o dinheiro foi para um lado e a comida para o outro.

 

- Por falar em dinheiro, por onde andam os milhões, aqueles muitos milhões, que muitas instituições declararam ter recebido a propósito do incêndio de Pedrogão? Eu sei que é raríssimo prestarem contas ao cêntimo, mas onde andam? Porque é que os envolvidos não falam, inclusive aqueles que deram a cara no espéctáculo realizado na Altice Arena e outros? 

 

- Como é que o ministro Vieira da Silva passa nos pingos da chuva, não dá respostas convicentes e agora é inocente? Há tanta coisa por explicar, como sugerir que as queixas sejam encaminhadas para o Ministério Público e não faça o devido seguimento, quer junto desta instituição, quer dentro do seu próprio ministério! Hoje dizem-nos que um tesoureiro alerta para movimentações bancárias anormais, mas isso não pode ser considerado uma hipotética gestão danosa.

 

- Afinal, o que é que aconteceu em Tancos?

 

- E ninguém questionou o Primeiro Ministo do porquê de, com a conivência da lei, ter travado um caso judicial, o célebre caso das escutas que, segundo o Ministério Público, se revestia de crimes de extrema gravidade para o país e para o Estado Democráctico. Ninguém perguntou porque é que pactuou com o crime quando "ignorou" um parecer da Procuradoria Geral da República que dizia, mais ou menos desta forma, que esta legislação permitia que alguns interesses instalados se perpetuassem mesmo lesando ao mais alto nível o Estado Democrático.

 

- Depois de Marcelo Rebelo de Sousa ter ido a Angola, não só por interesses de Estado, como está a relação do nosso país com aquele Estado? Afinal que lá foi fazer este senhor?

 

- Porque é que a política se continua a imíscuir nos negócios dos privados? Ainda não esquecemos a Altice e a estranha interferência de Governo e partidos de esquerda na Autoeuropa. Além disso, estes dias com a fábrica fechada são os chamados "down days" que acontecem em muitas outras fábricas, não é assim tão normal em indústria! Não entendo o dilema actual!

 

- Onde andam as roupas doadas que continuam a ser vendidas por muitas Instituições de Solidariedade Social?

 

- Porque é que a UBER é ilegal mas continua a actuar sem que sejam tomadas medidas?

 

- Porque é que num país laico, insistentemente temos um Presidente da República a fazer a apologia do catolicismo e que "só" as instituições da Igreja fazem o bem pelo país?

 

-Porque é que o escândalo nas messes da Força Aérea é tão pouco falado? E porque é que perante as acusações que foram feitas de que tais esquemas são praticados por todas as Forças Armadas desde os tempos do antigo regime, não se actua?

 

-E por falar em Tecnoforma? Alguém tem ouvido falar disso?

 

-Porque é que Portugal continua a ser o país dos apelidos? Basta olhar para a política, para cargos em instituições públicas e mesmo em instituições privadas cuja relação com o Estado é fundamental para a sobrevivência das mesmas.

 

-E afinal. Como é que está a situação da casa comprada abaixo do valor de mercado por Fernando Medina?

 

-Porque é que os "jobs for the boys" são uma real instituição "criminosa" portuguesa e ninguém parece estar interessado? Haverá um "boy" em cada português empregado no público ou até no privado?

 

-Porque é que partidos como o Partido Comunista e o Bloco de Esquerda parecem não existir desde há uns tempos para cá? Ou aliás, existem para sugerir o impossível para os funcionários públicos e para os seus... O resto do país não terá interesse para estes?

 

-Porque é que ainda hoje as palavras do Francisco, do Zibaldone, me fazem tanto sentido:

"Aos que pensam que a corrupção e a evasão fiscal são de pouca monta, só tenho a dizer: por cada pessoa corrompida, há outra que pode aparecer morta por denunciar o crime; por cada pessoa que utiliza cunhas para entrar num emprego, há outra que fica à porta e começa a descrer num sistema que impede a mobilidade social; por cada pessoa que foge aos impostos, há milhões que passam fome ou vêem os seus negócios arruinados pela violência fiscal exercida sobre os mais fracos".

 

-Porque é que a EMEL, uma das empresas mais lucrativas do país - estranho, tratando-se de uma empresa pública de estacionamento - vai receber 4 milhões de Euros do Turismo de Portugal? A EMEL esse grande responsável pelo turismo em Portugal...

 

-Porque é que a propósito dos incêndios de Pedrogão, só temos como arguidos, até agora, devo ressalvar, aqueles que combateram o incêndio? Porque é que o relatório do Ministério da Administração Interna não teve o peso político e mediático que teve o da Comissão Independente?

 

- E onde andam os desenvolvimentos, se é que existem, acerca dos esquemas onde foram apanhados Paulo Portas e o vice-comentador da nação Luis Marques Mendes? O comentador todos sabemos quem é... Comentador de umas coisas e ausente de outras.

 

- Porque é que se criminaliza tanto na praça pública a amizade de José Sócrates com Carlos Santos Silva e e pouco ou nada se fala da grande amizade de Marcelo Rebelo de Sousa com Ricardo Salgado?

 

- Porque é que ser Presidente do INEM significa andar sempre metido em "cambalachos"?

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