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 Fonte da Imagem: https://www.rt.com/news/422490-may-kemerovo-putin-condolences/

 

 

Recentemente, o incêndio num centro comercial na Sibéria fez as aberturas dos telejornais e ilustrou capas de jornais e outros meios de comunicação na Europa – pelo menos, em três países tive oportunidade de me deparar com isso. Tentei procurar em Portugal, mas de facto o futebol, a chuva miúda ou o vestido da festa de algum indivíduo sem interesse para os destinos do país, tem um peso enorme que apaga qualquer outra notícia.

 

Mas não é por aqui que vou, pelo que, acabo por fazer a comparação com a tragédia dos incêndios. Na Rússia, esse país de gente fria, sobretudo face a nós, calorosos portugueses, tive oportunidade de assistir ao choque das pessoas, às lágrimas do cidadão comum e à partilha da dor nas ruas. Vi o foco nas pessoas e não em políticos ou nas chamadas “figuras públicas”, vi a importância do tempo de sofrimento, daquele espaço que é necessário para chorar, para sentir o choque, afinal... para sofrer, por muito que nos custe admitir. Tal, contudo, não invalidou as criticas à actuação deste ou daquelo indivíduo ou instituição, no entanto, esse tempo é respeitado. Algumas destas imagens foram transmitidas pela Russian Today, uma televisão a comando do Kremlin e de Putin, mas que teve o cuidado de deixar que o luto fosse visível, sem show off.

 

Outra coisa que não vi (e até tenho seguido os desenvolvimentos) foi o foco nos concertos solidários e nas acções solidárias e com forte mediatização! Vi as pessoas a chorarem, a sentirem a dor e a partilhar algo que temos de sentir, viver e obviamente ultrapassar, mas tudo a seu tempo, sob pena de não vivermos o luto, seja ele qual for.

 

Fogos florestais também não têm comparação com incêndios urbanos, no entanto, imediatamente foram detidas 5 pessoas para averiguação – não estou com estas palavras a defender a rápida punição ou julgamentos sumários de eventuais culpados mas, pelo menos, procurar os responsáveis e começar a agir. Em Portugal ainda andamos à procura dos culpados e já estamos quase a um ano da data em que muitos morreram em Pedrogão. Afectos e palavras são interessantes mas em alguns países são precisas acções no terreno sob pena de ter um povo enfurecido e na rua a pedir justiça - na Rússia não se fizeram concertos solidários nem imagens para as câmaras de televisão, pediu-se justiça!

 

Defendo que em situações de gravidade, dispensam-se as palavras e avança-se com as soluções sem criar “grupos de trabalho”, no entanto, com corpos ainda na morgue ou no local da tragédias, admito que me custa encarar o mediatismo da suposta solidariedade e o espectáculo em torno da tragédia, onde é importante estar porque... Simplesmente se está...

 

Quando o luto não é feito, quando a tragédia não é enfrentada, quando não vemos as acções e camuflamos a ausência de tudo isso com “espectáculo”, corremos o risco de desresponsabilizar quem o deve ser e podemos estar a ocultar a realidade.

 

Associarmo-nos a tragédias, em Portugal e não só, é “fixe”, mas na realidade... Mais fixe é gerir a situação em si e acima de tudo exigir Justiça! Isso não nos traz visibilidade, mas faz de nós seres-humanos que dizem viver em Democracia.

 

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Fonte da Imagem: Própria.

 

 

Em tempos, por aqui passaram algumas perguntas... Hoje, reparo que todas estão por responder, motivo pelo qual as coloco lá mais para baixo, no entanto, novas perguntas surgiram...

 

Porque é que continuamos a ter um Ministro das Finanças que prejudica o país a troco de bilhetes para a "bola" e continua a sair impune? E nem é só este...

 

Porque é que os relatórios e as investigações dos incêndios de 2017 continuam a ser desprezados e sem apuramento de responsabilidades?

 

Porque é que, aquando do escândalo da "Raríssimas" (eu sei que já ninguém se lembra e os culpados ficaram impunes) se disse que não era a prática comum na área social, mas casos destes não faltam em Portugal? Quem o disse continua no activo quer como Primeiro-Ministro, Ministro da Solidariedade e Segurança Social e Presidente da República. E muitas destas instituições continuam a ser aclamadas como bons exemplos de solidariedade.

 

Porque é que as instituições que trabalham na área social, à semelhança das instituições desportivas, gozam de total impunidade neste país?

 

Porque é que existem pontes em risco de cair, linhas-férreas destruídas, património a cair e ninguém parece preocupado com isso, mesmo quando alguns espaços são concessionados e ninguém hesita em cobrar... Por exemplo... Portagens ao preço do ouro?

 

Porque é que todos os negócios danosos do Estado nunca têm culpados?

 

Porque é que as Comissões de Inquérito Parlamentar nunca dão em nada?

 

Porque é que a Lei do Financiamento dos Partidos vai passar e a pouca vergonha corruptiva vai continuar - resultou a manipulação aos cidadãos quer por parte dos partidos quer por parte do próprio Presidente da República que interviu no momento em que os cidadãos estavam revoltados, mas agora com os ânimos mais serenados, vai aprovar a mesma enquanto fala de voluntariado - voluntariado, essa mão de obra a custo zero que enriquece muitas instituições neste país!

 

Porque é que Portugal é dos países onde se passa mais tempo preso (porque se rouba uma carteira com 10 euros, por exemplo) mas os presos por corrupção quase que se contam pelos dedos de uma mão, sabendo nós que é o grande cancro e o veículo destruidor do país e consequentemente da vida dos cidadãos?

 

Porque é que os sindicatos da Autoeuropa (conduzidos pelo PCP e pelo BE) estão a tentar entrar noutras indústrias de Palmela e Setúbal, onde ainda não têm peso, com o intuito de destruir o tecido produtivo da região?

 

Porque é que a Santa Casa da Misericórdia é uma das instituições mais ricas do país e até se dá ao luxo de comprar parte de um banco como o Montepio que, apesar do mau momento, continua a dar grandes festas que enchem a Altice Arena? Não é estranho o silêncio da nossa classe política em torno deste caso?

 

E permitam-me... Mas porque é que o terceiro comentador da nação que usa humor para fazer política e não ser responsabilizado pelo que diz (falo de Ricardo Araújo Pereira) aponta sempre as balas a partidos como o PSD, mas quando a escandaleira anda pelos partidos mais à Esquerda ou dos corporativismos em que este se movimenta - e que o alimentam - não parece ter tanto interesse em dizer piadas humorísticas dotadas de sentido de manipulação? Cuidado quando falamos de mérito e de currículos...

 

E não querendo abusar e exaltar a minha pessoa... Quando falei de redes sociais como o Facebook e mencionei (eu e muitos outros) as vulnerabilidades das mesmas e a possibilidade de ocorrência de factos como os que agoram estão na origem deste escândalo recente, chamaram-me "desactualizado e quadrado". Os mesmos cuja única coisa que dominam é o email e o smartphone... Perdoem-me, mas numa blogosfera onde tanta gente é perita em personal branding, tive de ter o meu momento...

 

Até breve...

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E agora as perguntas de outros tempos - também aqui

 

- Como está a situação das instituições responsáveis pela alimentação dos bombeiros durante os incêndios do Verão passado? Ao que se sabe, não foram raros os casos em que o dinheiro foi para um lado e a comida para o outro.

 

- Por falar em dinheiro, por onde andam os milhões, aqueles muitos milhões, que muitas instituições declararam ter recebido a propósito do incêndio de Pedrogão? Eu sei que é raríssimo prestarem contas ao cêntimo, mas onde andam? Porque é que os envolvidos não falam, inclusive aqueles que deram a cara no espéctáculo realizado na Altice Arena e outros? 

 

- Como é que o ministro Vieira da Silva passa nos pingos da chuva, não dá respostas convicentes e agora é inocente? Há tanta coisa por explicar, como sugerir que as queixas sejam encaminhadas para o Ministério Público e não faça o devido seguimento, quer junto desta instituição, quer dentro do seu próprio ministério! Hoje dizem-nos que um tesoureiro alerta para movimentações bancárias anormais, mas isso não pode ser considerado uma hipotética gestão danosa.

 

- Afinal, o que é que aconteceu em Tancos?

 

- E ninguém questionou o Primeiro Ministo do porquê de, com a conivência da lei, ter travado um caso judicial, o célebre caso das escutas que, segundo o Ministério Público, se revestia de crimes de extrema gravidade para o país e para o Estado Democráctico. Ninguém perguntou porque é que pactuou com o crime quando "ignorou" um parecer da Procuradoria Geral da República que dizia, mais ou menos desta forma, que esta legislação permitia que alguns interesses instalados se perpetuassem mesmo lesando ao mais alto nível o Estado Democrático.

 

- Depois de Marcelo Rebelo de Sousa ter ido a Angola, não só por interesses de Estado, como está a relação do nosso país com aquele Estado? Afinal que lá foi fazer este senhor?

 

- Porque é que a política se continua a imíscuir nos negócios dos privados? Ainda não esquecemos a Altice e a estranha interferência de Governo e partidos de esquerda na Autoeuropa. Além disso, estes dias com a fábrica fechada são os chamados "down days" que acontecem em muitas outras fábricas, não é assim tão normal em indústria! Não entendo o dilema actual!

 

- Onde andam as roupas doadas que continuam a ser vendidas por muitas Instituições de Solidariedade Social?

 

- Porque é que a UBER é ilegal mas continua a actuar sem que sejam tomadas medidas?

 

- Porque é que num país laico, insistentemente temos um Presidente da República a fazer a apologia do catolicismo e que "só" as instituições da Igreja fazem o bem pelo país?

 

-Porque é que o escândalo nas messes da Força Aérea é tão pouco falado? E porque é que perante as acusações que foram feitas de que tais esquemas são praticados por todas as Forças Armadas desde os tempos do antigo regime, não se actua?

 

-E por falar em Tecnoforma? Alguém tem ouvido falar disso?

 

-Porque é que Portugal continua a ser o país dos apelidos? Basta olhar para a política, para cargos em instituições públicas e mesmo em instituições privadas cuja relação com o Estado é fundamental para a sobrevivência das mesmas.

 

-E afinal. Como é que está a situação da casa comprada abaixo do valor de mercado por Fernando Medina?

 

-Porque é que os "jobs for the boys" são uma real instituição "criminosa" portuguesa e ninguém parece estar interessado? Haverá um "boy" em cada português empregado no público ou até no privado?

 

-Porque é que partidos como o Partido Comunista e o Bloco de Esquerda parecem não existir desde há uns tempos para cá? Ou aliás, existem para sugerir o impossível para os funcionários públicos e para os seus... O resto do país não terá interesse para estes?

 

-Porque é que ainda hoje as palavras do Francisco, do Zibaldone, me fazem tanto sentido:

"Aos que pensam que a corrupção e a evasão fiscal são de pouca monta, só tenho a dizer: por cada pessoa corrompida, há outra que pode aparecer morta por denunciar o crime; por cada pessoa que utiliza cunhas para entrar num emprego, há outra que fica à porta e começa a descrer num sistema que impede a mobilidade social; por cada pessoa que foge aos impostos, há milhões que passam fome ou vêem os seus negócios arruinados pela violência fiscal exercida sobre os mais fracos".

 

-Porque é que a EMEL, uma das empresas mais lucrativas do país - estranho, tratando-se de uma empresa pública de estacionamento - vai receber 4 milhões de Euros do Turismo de Portugal? A EMEL esse grande responsável pelo turismo em Portugal...

 

-Porque é que a propósito dos incêndios de Pedrogão, só temos como arguidos, até agora, devo ressalvar, aqueles que combateram o incêndio? Porque é que o relatório do Ministério da Administração Interna não teve o peso político e mediático que teve o da Comissão Independente?

 

- E onde andam os desenvolvimentos, se é que existem, acerca dos esquemas onde foram apanhados Paulo Portas e o vice-comentador da nação Luis Marques Mendes? O comentador todos sabemos quem é... Comentador de umas coisas e ausente de outras.

 

- Porque é que se criminaliza tanto na praça pública a amizade de José Sócrates com Carlos Santos Silva e e pouco ou nada se fala da grande amizade de Marcelo Rebelo de Sousa com Ricardo Salgado?

 

- Porque é que ser Presidente do INEM significa andar sempre metido em "cambalachos"?

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Joaquín Torres-García - Bodegón con Máscaras, (MoMA New York - "JoaquínTorres-García: The Arcadian Modern." 2015)

Fonte da Imagem: Própria

 

 

Por vezes, temo pensar que avaliamos mal as pessoas e nutrimos por elas um sentimento que é sempre de desconfiança, ou não fossem Portugal e Turquia os países da OCDE onde esta é maior. No entanto, são cada vez mais as vezes onde essa desconfiança tem uma razão para existir, e até quando não existe, rapidamente é deitada abaixo por mais um caso... Ainda me recordo de alguém ter dito que a "Raríssimas" era caso único e o país não é assim, mas o que não faltam são instituições solidárias que são tão solidárias que até enriquecem, de formas pouco claras, quem delas vive... E são tantas, desde o "O Sonho", até à Fundação "O Século", já para não falar nos constantes casos em instituições da Igreja Católica que rapidamente são abafados, exemplo maior está na Cáritas, isto alegadamente...

 

O último caso não envolve dinheiro, mas envolve moral e valores, algo que não deveria ter um preço, mas nunca como hoje esteve à venda por tão poucos euros. Refiro-me à  presidente da "Associação das Vítimas de Pedrogão" que aceitou, pela mão de Adolfo Mesquita Nunes (já repararam que ultimamente só se fala deste indivíduo? Ainda vamos ouvir falar muito dele, quando já nos tiver sido bem vendido) o convite de um partido para ingressar numa equipa coordenadora no âmbito das próximas eleições legislativas. A ser verdade que por detrás da criação da associação esteve uma jurista da Câmara Municipal de Figueiró dos Vinhos - e do CDS-PP - as coisas até acabam por fazer sentido. Mais sentido fazem quando o ódio à Ministra da Administração Interna de então era bem latente, já para não falar na cabala que se tentou montar em torno do número de mortos com o patrocinio de movimentações partidárias - alguém voltou a ver essa senhora que estava tão certa do que dizia?

 

Recentemente saiu um estudo, e falarei dele, onde se lia que a maioria dos empresários portugueses considerava que para ter sucesso era necessário ter amigos na política - aqui não falamos de produção, falamos de viver de impostos e de donativos, mas o modus operandi parece ser o mesmo e no fim vemos a "Cidadania" a ser derrotada pela ambição desmedida e pela ditadura partidária que fechou Portugal numa camisa de forças. Resta lembrar que Nádia Piazza recebeu o "Prémio Cidadania 2017",   atribuído pela Plataforma das Associações da Sociedade Civil. E num país onde existem tantas associações, que movimentam milhões que ninguém consegue perceber onde são aplicados, seria uma boa ideia pensar na Associação das Vítimas da Associação de Vítimas de Pedrogão, talvez entre todas as mencionadas, seja a única que tenha uma verdadeira razão para existir.

 

E como desconfiado que sou, as ascensões meteóricas, têm sempre razões que a própria razão desconhece, deturpando as palavras de Blaise Pascal. E quem me disse é um especialista... Nesta área, de criar ídolos. A brincar, rimo-nos também com as mudanças que acontecem quando trocamos a camisa e as calças de ganga pelos saltos altos e pela alta costura.

 

Por estes dias, percebemos que a Cidadania voltou a ser derrotada e que as vítimas de Pedrogão, agora que meses passaram, a única coisa que conseguiram foi serem fantoches ou verdadeiros palhaços neste circo em que se transformaram muitos sectores da vida nacional - mereciam mais respeito e menos aproveitamento, sobretudo político e até monetário!

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Balde de Helicóptero com Água Fria...

por Robinson Kanes, em 24.01.18

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 Fonte da imagem: http://www.concordmonitor.com/getattachment/25ec3997-1bcd-43dc-8c6f-b50e490549ec/RayFire-cm-100717-ph1

 

Vivemos num país caricato... Um país onde, por muito espírito positivo que se tenha (e eu tenho), é difícil conseguir manter o mesmo ao longo do dia... 

 

Os mesmos responsáveis políticos que deixam helicópteros apodrecer por falta de manutenção ou por não fiscalizarem a mesma... Os mesmos responsáveis políticos que dizem que o uso de helicópteros tem de ser limitado para não aumentar despesas e custos de manutenção... Os mesmos responsáveis políticos que preferem deixar hectares de floresta arder e pessoas e animais morrerem até fazer levantar um helicóptero... São os mesmos que agora defendem o uso destes aparelhos para andar na caça à multa! Nunca fui apologista do termo, até porque só é multado quem não cumpre as regras de trânsito, no entanto, é de estranhar como as prioridades são assustadoramente desenhadas por estes indivíduos.

 

Estes políticos são os mesmos que recusam projectos que contemplam drones na vigilância de florestas mas depois dizem que não falta investimento e vontade para a utilização de drones na vigilância das estradas, subentenda-se vigilância como forma de detectar contra-ordenações. Estes políticos são os mesmos que deixam quartéis à mercê de larápios e ainda se dão ao luxo de contratar empresas de segurança privada para assegurarem a defesa de instalações militares... Instalações militares... Estranho... Estes políticos são também os mesmos que compraram helicópteros para a Força Aérea mas onde praticamente metade não voa por falta de dinheiro para a manutenção... São os mesmos que têm helicópteros Puma parados e desactivados sob a justificação de que não podem ser utilizados em incêndios, mas depois, vemos helicópteros exactamente iguais a operar em França, Espanha, Itália e outros tantos países...

 

A prioridade de um Governo deixou de ser a defesa directa dos seus cidadãos e passou a ser a punição por meio de coimas daqueles que ousam prevaricar na estrada. Nada tenho contra a fiscalização das estradas, volto a reforçar, mas é de estranhar que um país arda por falta de meios mas estes cresçam como cogumelos quando se fala de multas de trânsito. Será que o valor das multas que daí possam advir vai ser investido em equipamentos de Protecção Civil? Será que a Protecção Civil deve ser utilizada na fiscalização de contra-ordenações de trânsito?

 

Ainda esta semana alguém voltou a chamar Mário Centeno de "Cristiano Ronaldo das Finanças"... Mas ao que sei... Cristiano Ronaldo não chegou a melhor jogador de futebol do mundo à custa do sofrimento e morte de muitos (existe quem lhe prefira chamar cativações) e sempre faz uso da cabeça, mais que não seja para marcar golos... 

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Paisagens de 2017 - Os Sobreviventes

por Robinson Kanes, em 28.12.17

 

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Fonte das Imagens: Própria. 

 

Na zona Centro do país, antes das visitas e dos populismos políticos, foi o inferno que reinou. Este inferno, consumiu, entre outros animais, as crias (deste ano) de muitas aves de presa. Ficou comprometida a reprodução de 2017 e, devido à falta de habitat, muito provavelmente a reprodução dos anos vindouros... Chamei-lhes os sobreviventes... As aves de presa que ficaram e que continuam a transformar os céus num dos mais belos espéctáculos do mundo!

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A nossa paixão pelas aves de presa fez-nos percorrer, com alguma angústia, alguns dos santuários afectados pelos grandes incêndios de 2017. O cenário foi desolador, todavia, apesar da tragédia causada pelos humanos e até pela própria natureza, estas aves continuam a sobrevoar os céus ignorando a nossa presença, procurando alimento enquanto nos proporcionam um espectáculo singular.

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Porque a protecção da natureza continua a não dar votos, resta-nos esperar que perante a nossa inacção, estas senhoras dos céus continuem bravamente a garantir a sua sobrevivência. Por aqui, no que depender de nós, lá estaremos para as ajudar nessa dura caminhada.

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Continuação de Boas Festas...

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São perguntas, Senhores, São Perguntas...

por Robinson Kanes, em 19.12.17

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 Fonte: https://www.globalresearch.ca/corruption-in-the-european-union-scandals-in-banking-fraud-and-secretive-ttip-negotiations/5543935

 

Há perguntas que continuam por responder, e que aqui pelo Bairro, de vez em quando, entre tremoços e cervejas lá nos lembramos de perguntar:

 

- Como está a situação das instituições responsáveis pela alimentação dos bombeiros durante os incêndios do Verão passado? Ao que se sabe, não foram raros os casos em que o dinheiro foi para um lado e a comida para o outro.

 

- Por falar em dinheiro, por onde andam os milhões, aqueles muitos milhões, que muitas instituições declararam ter recebido a propósito do incêndio de Pedrogão? Eu sei que é raríssimo prestarem contas ao cêntimo, mas onde andam? Porque é que os envolvidos não falam, inclusive aqueles que deram a cara no espéctáculo realizado na Altice Arena e outros? 

 

- Como é que o ministro Vieira da Silva passa nos pingos da chuva, não dá respostas convicentes e agora é inocente? Há tanta coisa por explicar, como sugerir que as queixas sejam encaminhadas para o Ministério Público e não faça o devido seguimento, quer junto desta instituição, quer dentro do seu próprio ministério! Hoje dizem-nos que um tesoureiro alerta para movimentações bancárias anormais, mas isso não pode ser considerado uma hipotética gestão danosa.

 

- Afinal, o que é que aconteceu em Tancos?

 

- E ninguém questionou o Primeiro Ministo do porquê de, com a conivência da lei, ter travado um caso judicial, o célebre caso das escutas que, segundo o Ministério Público, se revestia de crimes de extrema gravidade para o país e para o Estado Democráctico. Ninguém perguntou porque é que pactuou com o crime quando "ignorou" um parecer da Procuradoria Geral da República que dizia, mais ou menos desta forma, que esta legislação permitia que alguns interesses instalados se perpetuassem mesmo lesando ao mais alto nível o Estado Democrático.

 

- Depois de Marcelo Rebelo de Sousa ter ido a Angola, não só por interesses de Estado, como está a relação do nosso país com aquele Estado? Afinal que lá foi fazer este senhor?

 

- Porque é que a política se continua a imíscuir nos negócios dos privados? Ainda não esquecemos a Altice e a estranha interferência de Governo e partidos de esquerda na Autoeuropa. Além disso, estes dias com a fábrica fechada são os chamados "down days" que acontecem em muitas outras fábricas, não é assim tão normal em indústria! Não entendo o dilema actual!

 

- Onde andam as roupas doadas que continuam a ser vendidas por muitas Instituições de Solidariedade Social?

 

- Porque é que a UBER é ilegal mas continua a actuar sem que sejam tomadas medidas?

 

- Porque é que num país laico, insistentemente temos um Presidente da República a fazer a apologia do catolicismo e que "só" as instituições da Igreja fazem o bem pelo país?

 

-Porque é que o escândalo nas messes da Força Aérea é tão pouco falado? E porque é que perante as acusações que foram feitas de que tais esquemas são praticados por todas as Forças Armadas desde os tempos do antigo regime, não se actua?

 

-E por falar em Tecnoforma? Alguém tem ouvido falar disso?

 

-Porque é que o SAPO destaca sempre os mesmos "blogs", mesmo que custe a fuga de outros bloggers e até de visitantes? Porquê?

 

-Porque é que Portugal continua a ser o país dos apelidos? Basta olhar para a política, para cargos em instituições públicas e mesmo em instituições privadas cuja relação com o Estado é fundamental para a sobrevivência das mesmas.

 

-E afinal. Como é que está a situação da casa comprada abaixo do valor de mercado por Fernando Medina?

 

-Porque é que os "jobs for the boys" são uma real instituição "criminosa" portuguesa e ninguém parece estar interessado? Haverá um "boy" em cada português empregado no público ou até no privado?

 

-Porque é que partidos como o Partido Comunista e o Bloco de Esquerda parecem não existir desde há uns tempos para cá? Ou aliás, existem para sugerir o impossível para os funcionários públicos e para os seus... O resto do país não terá interesse para estes?

 

-Porque é que ainda hoje as palavras do Francisco, do Zibaldone, me fazem tanto sentido:

"Aos que pensam que a corrupção e a evasão fiscal são de pouca monta, só tenho a dizer: por cada pessoa corrompida, há outra que pode aparecer morta por denunciar o crime; por cada pessoa que utiliza cunhas para entrar num emprego, há outra que fica à porta e começa a descrer num sistema que impede a mobilidade social; por cada pessoa que foge aos impostos, há milhões que passam fome ou vêem os seus negócios arruinados pela violência fiscal exercida sobre os mais fracos".

 

-Porque é que a EMEL, uma das empresas mais lucrativas do país - estranho, tratando-se de uma empresa pública de estacionamento - vai receber 4 milhões de Euros do Turismo de Portugal? A EMEL esse grande responsável pelo turismo em Portugal...

 

-Porque é que a propósito dos incêndios de Pedrogão, só temos como arguidos, até agora, devo ressalvar, aqueles que combateram o incêndio? Porque é que o relatório do Ministério da Administração Interna não teve o peso político e mediático que teve o da Comissão Independente?

 

- E onde andam os desenvolvimentos, se é que existem, acerca dos esquemas onde foram apanhados Paulo Portas e o vice-comentador da nação Luis Marques Mendes? O comentador todos sabemos quem é... Comentador de umas coisas e ausente de outras.

 

- Porque é que se criminaliza tanto na praça pública a amizade de José Sócrates com Carlos Santos Silva e e pouco ou nada se fala da grande amizade de Marcelo Rebelo de Sousa com Ricardo Salgado?

 

- Porque é que ser Presidente do INEM significa andar sempre metido em "cambalachos"?

 

São apenas perguntas, Senhores, São apenas perguntas... Eu sei que é mais importante encher um centro comercial e acompanhar a manada, que anda num stress ao invés de calmamente apreciar a época...

 

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Paisagens de Carvão 2017

por Robinson Kanes, em 11.12.17

Quem diria que até começaria a gostar desta iniciativa do SAPO. Depois das Paisagens da Seca,  outras grandes imagens que marcaram este terrível ano foram sem dúvida os incêndios. De Norte a Sul, e sobretudo no Centro esquecido de um país, as terras vestiram-se de negro... E até hoje, "o doa a quem doer" que alguém ousou trazer para cima da mesa não se avizinha e muitos culpados nas contracurvas do costume sobreviverão, sem punição...

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Fonte: Miúda do Robinson

 

A par de outros anos, choraram-se tantos mortos inúteis (para mim, não é por morrerem que passo a ter uma opinião diferente) mas depressa se esquecerão aqueles que morreram pela nossa incúria. Nas Portas de Ródão, e por toda aquela região, serão precisos mais de 600 anos para que alguma flora possa novamente voltar ao que era, isto se voltar... Por lá se perderam os ninhos e as crias de abutres e outras aves de rapina deste ano... Como sempre, pagam aqueles que nada fizeram para levar com a estupidez humana.

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Fonte: Própria

 

E até podemos enfiar a cabeça na areia e chamar de cinzentos a todos aqueles que ainda não esqueçeram. Podemos mostrar que estamos demasiado bem com a vida e somos todos "yuppieeee" e anti-cinzentismo, mas... Mas foi quando estávamos todos "yuppieeee" a assobiar para o lado que os incêndios e até a falta de água nos atacaram em força...

IMG_7706.jpgFonte: Miúda do Robinson

 

Admito que tenho um certo receio daqueles que estão sempre tão bem com a vida e no modo "yupiiiiiie" que até se esquecem de ser cidadãos... Tenho mais medo desses do que dos cinzentos.

 

Boa semana...

 

 

 

 

 

 

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Marcelo e a Direcção dos Ventos...

por Robinson Kanes, em 04.12.17

 

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Fonte: http://rr.sapo.pt/noticia/79354/canonizacao_dos_pastorinhos_e_motivo_de_jubilo_para_portugal

 

No Portugal do século XXI os novos heróis não conquistam territórios, não criam empresas, e por arrasto, emprego... No Portugal do século XXI os novos heróis não demonstram trabalho e garra, no entanto, os novos heróis de Portugal dividem-se em duas categorias: aqueles que se movem no silêncio de alguns submundos e dos quais pouco ou nada se fala, importa recordar que, para alguns, a família Montalbano é uma família de heróis... Depois temos os outros, aqueles que se movem em círculos mais mediáticos mesmo que nada tenham feito pelo seu país. Aliás, se em alguns círculos fumar umas drogas ou mostrar comportamentos menos morais e legais é sinal de grande reconhecimento, noutros, naqueles onde se movimenta a maioria dos portugueses é um crime hediondo e um com direito ao selo da ostracização com consequente patrocínio do rendimento mínimo para que ninguém se revolte e procure empowerment.

 

Isto a própósito do facto de ter estado fora de Portugal, e para o bem ou para o mal, ter percebido que morreu um dos mais importante empresários da nossa história. Todavia, fiquei com a sensação de que entretanto também havia morrido algum Primeiro-Ministro ou uma outra qualquer figura que tenha tido um verdadeiro impacte na vida de todos nós... Mas afinal foi um guitarrista que por vontade de alguns também em breve se juntará aos jantares do Panteão.

 

Sempre igual a si próprio, aquele que se diz o presidente de todos os portugueses, com o apoio de toda a classe política, lá veio escolher e mostrar o seu “cata-ventismo”, tratando um guitarrista de uma banda nacional como se fosse um qualquer Vasco da Gama ou até um Pedro Álvares Cabral! Não sei qual era o a relação quando este ainda era vivo, mas são muitos os esquecidos que de repente ficam rodeados de amigos quando morrem... Sobretudo se aparecerem nos jornais.

 

Começamos a ver é que o Presidente de todos os portugueses é mais presidente de uns do que de outros e até se arroga no direito de exaltar indivíduos e organizações (agora lembrei-me da campanha que Marcelo fez a favor do Banco Alimentar – uma organização de cariz privado e que levanta muitas reticências inclusive na área social) com as quais a esmagadora maioria dos portugueses não se revê.

 

Marcelo descobriu que a fama e o “papagaismo” saloio podem ter uma grande arena nas tragédias. São as acções de solidariedade cronometradas com os jornalistas para que o presidente de todos os portugueses surja com uma caixa de laranjas na mão e são também as colagens à morte deste e daquele depois de bem estudada a lição e de se perceber que vai ter efeitos mediáticos. Honestamente, Marcelo é um narcisista carente de atenção e que não perde uma para se mostrar. Honestamente, prefiro também múmias que trabalhem (sem qualquer relação com outro presidente) a indivíduos que falem muito mas mostrem pouco.

 

E, se para o bem cá estamos a celebrar acontecimentos desportivos, desde que sejam do agrado dos portugueses, para o mal, nada como exaltar a morte daqueles que frequentam o seu círculo de amizades enriquecendo assim, o falatório e o show off bacocos enquanto os reais problemas continuam a existir. Enquanto o presidente que transforma a solidariedade numa forte arma para se promover continua, por exemplo, a alimentar os suspeitos do costume. Marcelo confunde solidariedade com dádiva, o que é estranho para quem diz ler muito... Marcelo só não alimenta uma causa que está relacionada com o caso Espírito Santo, sobretudo depois de ter amuado ao não ser convidado para a passagem de ano na ilha da família Espírito Santo em Angra dos Reis, Brasil. Desde então, o sliêncio é sepulcral...

 

"Kim Jong Marcelo", uma espécie de grande lider mas sem grande poder, é tão presidente de todos os portugueses que já escolhe quem são as referências da nação, as madrinhas, os padrinhos, os inspiradores rockeiros, mas não toca em temas sensíveis como a reforma da administração pública ou num dos maiores atentados à democracia que são os “jobs for the boys”. Enquanto prepara a consoada debaixo de câmeras de filmar em Pedrogão, estranho que o presidente de todos os portugueses ainda não tenha feito o devido seguimento ao “doa a quem doer” a propósito dos incêndios do passado Verão, dos crimes de corrupção nas forças armadas (das quais é Comandante Supremo, importa não esquecer), da corrupção na administração central e local e ainda relativamente a Tancos. Doa a quem doer, desde que não doa ao presidente de todos os portugueses, porque é preciso ganhar eleições e este, mesmo com um país a arder, não hesitou em colocar esse tema em cima da mesa... O mesmo que dizia que tudo o que podia estava a ser feito, mas quando o povo pediu responsabilidades voltou atrás e disparou na direcção do Governo... É também Marcelo que permanece calado quando se fala de corrupção em instituições como a Cáritas e outras tantas do sector social... Esse sector que Marcelo tanto apadrinha. O povo esquece-se rápido, mas ainda há quem vá tendo auxiliares de memória...

 

Espero que o povo não deixe Marcelo ser uma espécie de Fernão Lopes que nas suas crónicas criou alguns dos verdadeiros heróis de Portugal, mesmo que muitas das histórias tenham sido deturpadas. Esperemos que aquele que defendeu em tempos um ataque ao Irão com armas nucleares, não crie uma enorme cratera na História de Portugal.

 

Esperemos que aquele que defendeu que jovens mal preparados morressem em África numa violenta guerra, apelidando alguns de não amarem a pátria, mas que fugiu ao serviço militar quando a isso foi "chamado", não tape uma certa incompetência com o preenchimento massivo de capas de jornais...

 

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Eu Tenho um Incendiário na Família!

por Robinson Kanes, em 18.10.17

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Fonte da Imagem: https://pixabay.com

 

Chama-se "Duarte", perdoem que não coloque o nome do mesmo, mas é imperial proteger a sua identidade e consequentemente a sua integridade, até porque já cumpriu o seu castigo perante a sociedade e, não sendo propriamente a melhor das desculpas, também ele foi vítima de um certo aproveitamento de outros que viram no mesmo alguma debilidade mental alicerçada numa oportunidade para que este sujasse as mãos em nome destes.

 

Ter um condenado na família não é fácil, sobretudo por uma situação que, para mim, é terrorismo. Não é fácil porque o "Duarte" é um homem com perto de cinquenta anos, mas é boa gente. O "Duarte", nascido no interior do país entre Coimbra e a Guarda, cedo teve de aprender a trabalhar e também cedo se percebeu no seu estilo ingénuo que era boa gente. Ser boa gente levou a que o "Duarte" tivesse muitos amigos que acabariam por ser responsáveis pela sua hospitalização e consequente plano de tratamentos que agudizou uma pequena perturbação mental, que passaria quase incógnita não fossem os amigos e... o álcool.

 

A paixão do "Duarte" é a natureza, passar horas a contemplar a mesma enquanto escuta as suas músicas. Em tempos, através de  leitor de cassetes e agora com um leitor de CD, o "Duarte" gosta de ouvir aquilo a que chamamos "música pimba", mas é isso que lhe dá gosto. Orgulhosamente, sempre que o visitamos (e há tanto que não o fazemos), mostra-nos o seu lote de músicas e dá-nos a conhecer os seus cantores preferidos - até termos de encontrar uma desculpa para orientarmos a atenção do mesmo para outra coisa. O "Duarte" gosta daquilo e é isso que também anima os seus dias.

 

Quando nos aproximamos daquela aldeia esquecida no alto dos montes da Serra do Açor, não é raro ouvir a música do "Duarte". O "Duarte" só quer amigos, só quer ser feliz e talvez um dos maiores choques que tive, foi, na minha adolescência, eu com 15/16 anos não conseguir dialogar com o "Duarte", não porque ele já fosse um homem, mas porque o "Duarte" não precisava de ter um terço das preocupações que eu já tinha com aquela idade e portanto, eu já me encontrar num patamar mais "evoluído", ou talvez não, de desenvolvimento. Para mim era estranho e colocou-me em interrogações constantes.

 

Um dia soubemos da notícia... O "Duarte" fora detido porque tinha sido encontrado a atear um fogo. A vantagem das polícias neste locais, é que conhecem as pessoas e sabem que o "Duarte" não era pessoa para simplesmente se lembrar atear fogos aqui e acolá. Com a chegada das autoridades judiciárias, rapidamente se percebeu que o "Duarte" era uma mera marioneta nas mãos de outrem. 

 

Apesar dos interrogatórios e consequente inquério e audiências nos tribunais, o "Duarte" acabou condenado. Até aqui, nada de novo, a Justiça a funcionar como tem de ser... No entanto, como em tantos outros, o que fica é a sensação de que se poderia ter ido mais longe, pois o "Duarte", perante a pressão da família e das autoridades disse sempre que preferia passar a vida na cadeia a dizer quem foram os ordenantes do crime! O medo e a pressão a que foi sujeito não conseguiram ser derrubados pela ameaça dos verdadeiros criminosos e o "Duarte", como seria de esperar, acabou condenado sem que a culpabilidade total daquele crime fosse apurada.

 

Como alguns já tentaram demonstrar, que muitos incêndios são provocados deliberadamente pelos "tontinhos" do costume, é preciso ter em conta que estes são também um dos instrumentos mais fáceis para quem almeja algo maior e não pretende que as cinzas lhes sujem as mãos...

 

Por estes dias, o "Duarte" e o pai já idoso ficaram em risco quando a primeira casa da sua aldeia ardeu tendo sido prontamente evacuados, bem como toda a aldeia. Talvez porque algum "tontinho" decidiu fazer das suas...

 

P.S: Ontem foram detidos em Terras de Bouro um homem de 57 anos e a mulher de 50 por atearem fogos. O homem está desempregado e a mulher é jornaleira... Dá que pensar...

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Incêndios: Espanha nas Ruas, Portugal no Sofá.

por Robinson Kanes, em 17.10.17

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Fonte da Imagem: http://www.antena3.com/noticias/sociedad/en-galicia-permanecen-sin-control-siete-incendios-en-situacion-2_2017101759e5ab300cf2e892aa27b566.html

 

Em dia de luto nacional, tenho a sensação que metade ou mais dos cidadãos portugueses não sabe o que significa uma bandeira a meia-haste. Seria interessante que todos percebessem o real significado do luto nacional, quanto mais não fosse para pararem e pensarem... Guardar 10 minutos ou mais do nosso dia para pararmos, desligarmos e reflectirmos é cada vez mais um luxo ou, segundo muitos, uma parvoíce... Tenho todo o gosto em ser parvo (parvus-parvi: pequeno) se isso for ter consciência que sou um ser humano não diferente dos outros todos. Na Era "me" entendo que muitos não compreendam o que acabei de escrever...

 

Em Portugal, país onde somos todos o máximo, continuamos com a cabeça enterrada na areia e não existe a humildade governantiva de assumir um erro e pedir desculpas. Alguém falhou os módulos de "liderança inspiradora", por certo, e também alguém sabe que os estudos de popularidade "martelados" serão capazes de influenciar um povo que continuará a perpetuar a sensação de impunidade de quem tudo acha que pode fazer. Enganem-se os portugueses que pensam que ao votarem estão a eleger alguém que vos represente, pelo contrário, estão a dar poder a outrem para que faça o que bem entender... Basta passar os olhos pelas leis que definem a governação - isto para aferir da importância de sermos cidadãos e principal supervisor de toda e qualquer actividade pública.

 

Por cá, já estamos no momento do espectáculo com as pseudo-celebridades a publicarem mensagens e a gravarem vídeos nas redes sociais perante tamanho choque. É que isto de ser solidário ou estar chocado com qualquer coisa é bom, desde que tenha projecção nos media, caso contrário não merece a pena - a propósito, ainda ontem num velório, tive oportunidade de ver uma das pseudo-celebridades (ligada à música e que anda sempre em campanhas para ajudar as criancinhas e os pobrezinhos com o irmão) completamente fria e tentando espectacularizar, perante o espanto dos presentes, a morte daquele que nos tinha ali trazido. Mas em Portugal luta-se, ou faz que se luta, no conforto do sofá, a partilhar fotografias, ou a arriscar morrer queimado dentro de um carro enquanto se filma a tragédia a troco de uns momentos de fama... E obviamente, também a escrever textos como este. Desliguem a televisão e a internet e procurem aqueles que combateram os fogos por estes dias, aqueles cidadãos, bombeiros e não bombeiros, que fizeram tudo para acabar com esta calamidade e deem um abraço a essas gentes, sem partilhas e selfies, mas apenas com as emoções verdadeiras que nos tornam melhores humanos! Os heróis são esses e não os heróis covardes que depois da tempestade, espreitam, saem do seu canto e se juntam às celebrações...

 

Todavia, em Espanha, as coisas têm sido diferentes - o povo saiu à rua, exigiu responsabilidades e obrigou a um esforço das autoridades na justificação das suas acções e a estarem próximas das populações. Em Espanha não se anda à procura de raios nem de tempestades e claramente já se assumiu que existe mão-humana nos incêndios. Em Espanha existe uma preocupação extrema com a questão natural/ambiental e com a situação económica das populações e empresas, as pessoas assim o exigem, porque esperam resultados concretos e não um abraço ou uma fotografia com Rajoy ou com Filipe VI. Em Espanha, até os media estão sob o jugo da população e de entidades reguladoras que já pediram demissões pelo facto de muitas coberturas aos incêndios serem tendenciosas ou desprovidas de tudo aquilo que deve ser o jornalismo! Em Espanha já se pensam em alterações ao Código Penal. Em Espanha até pelo "fim dos fogos" em Portugal se manifestaram, isso deveria envergonhar-nos!

 

... Em Portugal, apenas se pede que se saia à rua e se faça alguma coisa acerca do referendo da Catalunha, ou para pedir progressões automáticas de carreira (mesmo que não se faça nada para o merecer), ou para ir para a praia, porque isto de exigir um país digno desse nome, dá muito trabalho não traz "likes" e carros topo de gama na garagem. Que venha a febre do Natal bem depressa, para não nos dar tempo de pensar no essencial...

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