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Obrigado SNS!

por Robinson Kanes, em 26.08.20

15287fcb90c41af48bf9a578484890fe-783x450.jpgCréditos: https://zap.aeiou.pt/hospital-lisboa-sem-radiologistas-202802

 

Este não é um artigo que surja no rescaldo do "vamos todos ficar bem" (uma bela cópia forçada do que espontaneamente surgiu em Itália), das palavras amáveis com profissionais de saúde e com palmas à janela para televisão captar ou porque estávamos com um medo enorme de morrer de COVID-19.

 

Este é um artigo que surge para agradecer de facto o bom trabalho realizado por muitos profissionais que todos os dias dando ou não o seu máximo garantem a nossa saúde. É também para enaltecer o bom trabalho e colocar um contraponto aos que argumentam que dispendem rios de dinheiro no privado (quem acha que a saúde não custa dinheiro ou então é grátis anda completamente alheado da realidade) mas não dão uma oportunidade ao Serviço Nacional da Saúde, não é tão... Aliás, quando o tema é medicina privada, já repararam que ninguém vai ai hospital? Vão à Luz, aos Lusíadas ou à CUF, entre tantos outros.

 

Todos os dias conheço muitos e muitos casos com relativa proximidade, pelo que, me focarei num dos mais recentes.

 

Em pleno pico da pandemia em Portugal, e perante a impossibilidade de um utente se dirigir ao seu médico de família, foi-lhe sugerido que contactasse a sua médica via email - contactar a médica de família via email, em Portugal, ainda é uma daquelas coisas que faz levantar um tornado de reclamações. Deu-se o contacto, e no dia seguine surge uma resposta. Mais uma troca de emails e o "convite" para em menos de uma semana se dirigir ao centro de saúde. Entrada imediata, atendimento em menos de 30 minutos e sem a enchente habitual daqueles que frequentam os centros de saúde diariamente como se fosse o café. Quando, incrivelmente, não se paga nem um euro de taxa moderadora é natural que tudo isto aconteça. Ser consultado e não pagar por isso, pouco que seja, nos tempos actuais, é qualquer coisa.

 

Feita uma observação clínica, porque era necessário, foram marcados exames que ao fim de uma semana e meia estavam prontos. Nova análise à distância com uma rapidez louvável (no próprio dia da recepção dos exames) e uma resposta com a indicação de que estava marcada uma consulta de especialidade num hospital central, nomeadamente o São José, em Lisboa - a carta chegaria entretanto.

 

Em menos de um mês chegou a carta e também em menos de um mês a consulta teve lugar. Hospital, normalmente a abarrotar e onde  confusão reina, totalmente calmo, apesar de algum movimento. Auxiliares à entrada dos serviços com mais simpatia, afinco e dedicação que em muitos lugares onde se vendem artigos ou experiências de luxo.

 

Espera para se ser atendido? Nem 30 minutos. O especialista, um médico da velha guarda, com muito conhecimento que em menos de um minuto deslindou o caso e, não sendo nada de grave, "quase colocou" a opção de cirurgia nas mãos do paciente, pois não era um caso de extrema gravidade. Papéis assinados, uma enorme simpatia (e até sou da opinião que um médico pode, mas não está lá para ser simpático) e a informação de que seria agendada a cirurgia.

 

Cirurgias no SNS? Lista de Espera? Nem neste ano nem para o próximo. Passavam pouco mais de 3 horas desde a consulta e um telefonema de uma médica (não foi de um assistente administrativo) a indagar da disponibilidade do doente para uma cirurgia em menos de um mês. Face à resposta de que existia essa disponibilidade, ficou marcado e aguarda-se o contacto do secretariado tendo em vista o fornecimento de todos os detalhes.

 

Entretanto, em todo este processo, ainda nem um euro saiu do bolso do utente que nem é isento e fica perplexo como é que tudo isto se está a fazer sem custos. Sem custos directos para si, mas com um gigantesco custo para o SNS, ou seja, para o Orçamento de Estado e consequentemente para todos nós. Não é uma pessoa rica, muito longe disso, mas não consegue ainda hoje lidar com o facto de não pagar nada, e até a cirurgia parece não ser uma preocupação.

 

Por tudo isto e muito mais, OBRIGADO SNS!

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"My Hospi Friends"

por Robinson Kanes, em 05.06.17

network.jpg

Fonte da Imagem: https://myhospifriends.com/en/my-hospi-friends/the-social-network.html

 

Não sou contra redes sociais, mas também tal não me pode impedir de ver o que estas trazem de negativo. É como gostar de pessoas e não me ser possível criticar o que estas têm de mau.

 

No entanto, hoje, venho falar de uma ideia muito interessante e que se reveste também de rede social, nomeadamente a "My Hospi Friends". A "My Hospi Friends", que no fundo poder-se-ia traduzir por "Os Meus Amigos do Hospital", nasceu da vontade de Julien Artu que após um acidente de automóvel acabou num hospital. Sendo eu uma pessoa que também tenta ver algo de bom em tudo, mesmo tudo, depressa percebi que estar numa cama de hospital tem as suas vantagens: dá-nos tempo para pensar! Vão por mim.

 

Foi exactamente isso que Julien Artu fez! Julien pensou e desenvolveu uma plataforma que permite que vários hospitais criarem a sua própria rede social para os pacientes!

 

As vantagens são várias, pois permitem a comunicação de modo formal e informal entre as instituições e os pacientes, por exemplo, a organização de eventos, ementas e um sem número de utilidades. Permite também, e seguindo os exemplos anteriores, que se criem jogos e actividades "online". Mais que isso, permite que as pessoas comuniquem numa rede social e partilhem também as suas experiências, criem grupos e partilhem vários outros conteúdos.

 

Imaginem uma espécie de "Facebook", embora a "My Hospi Friends" até seja uma plataforma bem mais interessante, inclusive do ponto de vista gráfico, dedicado somente a um nicho e perfeitamente especializado na abordagem, não sendo generalista e consequentemente sendo isso mesmo: uma rede social sem interferências externas, o que não acontece propriamente no "facebook", por exemplo.

 

Para mim, sobretudo numa época em que a criação de coisas novas é uma cool trend (tendência "fixe"), mesmo que a utilidade seja igual a zero, acredito mais na reinvenção e a aprimoração do que já existe. Este é mais um interessante resultado.

 

E afinal, sobretudo quem já esteve algum tempo hospitalizado perceberá, quantas experiências interessantes já não partilhamos com alguém nesse ambiente e quando deixámos aquele espaço pura e simplesmente perdemos o contacto?

 

Mais informação disponível em https://myhospifriends.com/en/

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