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Félicitacions Boris Vian...Oh! C'est Divin...

por Robinson Kanes, em 07.11.20

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Créditos: https://beta.prx.org/stories/126076

 

Este Domingo, o CCB vai homenagear Boris Vian , um dos grandes mestres da literatura e da música que em Março faria 100 anos... Deste senhor, "Irei Cuspir-vos nos Túmulos", "A Espuma dos Dias" ou "As Formigas" estarão sempre cá guardados... E quando a prosa é boa e a música também, não haverá muito a dizer... Vamos apanhar uma valente bebedeira de "Bordeaux" no "Club Saint German des Prés" e celebrar até a malta cair ao Sena!

 

A mon "ami" Vian, Félicitacions! Pour vous "Le Déserteur", et on va écouter pour Jacques Canetti! 

J'suis snob... j'suis snob...Tous mes amis le sont...On est snob et c'est bon... Temos pena!

Bom Domingo!

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O Mont-Saint-Michel...

por Robinson Kanes, em 21.10.20

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Imagens: Robinson Kanes 

 

Na Foz do Couesnon, reside um dos clássicos de qualquer passagem pela Normandia e pela Bretanha: o Mont-Saint-Michel. Depois de Ponts e de uma longa  aventura carregada de emoções, é preciso descontrair um pouco.

 

O Mont-Saint-Michel é deveras imponente, a longa distância já se mostra em todo o seu esplendor, acredito até que é aí que mostra toda a sua beleza e imponência sempre envolvido numa ténue névoa mágica. Paramos o carro dezenas de vezes até chegar ao destino.

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A baía, é algo de assombroso e só tem 8000 anos (até lá havia estado tudo coberto de gelo). É fantástico... Infelizmente o tempo não nos permite deixar o carro para trás e seguir de bicicleta, temos afazeres em Saint-Malo e queremos aproveitar ao máximo para explorar os "prés-salés" - cobertos pelas marés altas mas que são um marco paisagístico e até agrícola fantástico. Queremos arriscar até atravessar uma parte do estuário e sabemos como isso também pode ser perigoso. Todos os anos é necessário resgatar um sem número de pessoas que não acautelam a subida das marés e só de helicóptero podem ser retiradas. Infelizmente, não estamos no equinócio para apreciar a grande descida das marés.

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É fantástico, é mirífico ouvir e ver todas aquelas aves, porque se as gaivotas dominam a ilha. Se deambularmos pelos campos, encontraremos um sem número de espécies que nos deixarão fascinados.

 

Andamos, percorremos os terrenos movediços (e muita cautela nestes terrenos) e esquecemo-nos que é possível entrar na "fortaleza" e percorrer as estreitas ruelas e visitar a Abadia. Mas torna-se difícil... Mesmo na ilha os nossos olhos procuram tudo aquilo que acontece à volta da mesma e esta transforma-se numa espécie de posto de comando para a observação da Natureza. É maravilhoso...

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Reparamos em algo que havíamos presenciado na infância... Os carros estão afastados o que permite preservar o lugar. Todavia, o interior está repleto de visitantes o que por vezes torna a experiência menos boa, mas temos de aceitar, de facto é um local estratosférico.

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Percorremos as muralhas e não suportamos o peso da arquitectura, pelo que somos obrigados a sair, a voltar a colocar os pés nas areias e a apreciar... Tentamos que o tempo pare, esperamos pelo "tramonto" e não queremos vir embora. A luz da ilha torna-se única e tudo o que a envolve parece começar a adquirir uma nova dimensão. É por aí que ficamos, mergulhados na areia e na água tomando parte num dos mais belos espectáculos da Natureza e da própria vida terrestre.

 

Honfleur, uma cidade portuária

Atrás de Marcel Proust em Cabourg

A pacata e firme Caen

Bayeux: uma jóia normanda

Normandia: um dia de homenagem

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Créditos: https://www.ndr.de/geschichte/chronologie/wende/Tag-der-Deutschen-Einheit-Wiedervereinigung-am-3-Oktober-1990,tagderdeutscheneinheit107.html

 

Quiero irme de este mundo sin saber muchas cosas,  porque hay cosas que el saberlas mancha.

Miguel de Unamuno, in "La Tía Tula"

 

 

O que é que a reunificação da Alemanha tem a ver com lulas à basca? Nada... É importante esclarecer. Deste modo, e como é importante tirar o pé do pedal, o tema de hoje é mais ligeiro.

 

Dia 03 de Outubro de 1990, diz alguma coisa a alguém? É o dia da Reunificação Alemã. O dia da Queda do Muro de Berlim traz más recordações porque choca com outras efemérides, por isso fica a data protocolar e o dia feriado na Alemanha. Espero que os media e os comentadores de trazer por casa troquem esta data pelas idas à casa de banho e pela quantidade de zaragatoas utilizadas em Trump... Sem esquecer o número de vezes que Trump tossiu sem abanar o capachinho. Odeiam o cavalheiro, mas ninguém dispensa um minuto sem gastar uns bites com o senhor, Marcelo começa a ficar gasto, sinal disso é a catadupa de sondagens para promoverem a campanha, e até Salvini em Itália é coisa do passado. Hoje, falemos de liberdade, pelo que, juntemo-nos aos alemães e celebremos este dia tão importante para a Europa e para o Mundo... Fico para ver, até porque eu mal me lembro, já muitos que assistiram devem ter esquecido.

 

As lulas... Por aqui, de vez em quando inventa-se, e agradeço ao basco que me ensinou a receita em Barcelona e ao outro que perto do local onde o Urola encontra o Oceano me disse que isso é a coisa mais fácil do Mundo. Enfim...

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Imagem: Robinson Kanes

 

Coisa simples, lula fresca (descongelada na falta de melhor) et voilá, meus amigos. Molho verde a dar um toque à coisa e eu só lhe coloquei umas couves de bruxelas para trazer umas leguminosas para o prato. Aqui tenho de admitir, lulas frescas compradas no Continente e estavam uma maravilha. A foto está tremida, mas garanto que não foi da Estrella Damm e agora também não estou com vontade para retocar.

 

Finalmente, se este fim de semana também não tiverem que fazer, aproveitem para ler o Vorph no SardinhaSemLata, hoje é o dia do meu convidado e para os que gostam de Ópera, aproveitem as sessões online da Metropolitan Opera, os "Nightly Met Opera Streams", penso que para os próximos dias é "Don Giovanni", de Mozart, que estará a rolar. Anda por aí um comentadeiro da praça a anunciar há anos que a ópera morreu, mas parece-me que o equívoco está para durar... Além de que se esquece das produções contemporâneas, eu pessoalmente até acho que se a rádio e outros meios audiovisuais tivessem mais de 30% de indivíduos com a dicção desse indivíduo estavam condenados a desaparecer. Se ele faz humor, permitam-me também, por favor.

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Créditos: Marty Sohl / Met Opera

E penso que seja isto, embora uma certa vontade em ser pedante me dê para sugerir um livro: "La Tía Tula" de Miguel de Unamuno. Porque me apetece e porque me recorda a aquisição em plena Gran Via, no dia daquela famosa marcha em Madrid e que, segundo muitos, terá sido uma das principais fontes de transmissão do vírus que nos assola. Acompanhem a agonia de Gertrudis e um Unamono inquieto e atrevido.

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Imagem: Robinson Kanes

 

Bom fim-de-semana,

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Normandia: um dia de homenagem

por Robinson Kanes, em 30.09.20

american_cemetery_normandy.jpgImagens: Robinson Kanes & GC

 

 

A morte é morte de alguém e tê-lo sido de alguém não é levada pelo moribundo mas pelo sobrevivente

Aristóteles, in "De Anima"

 

Deixamos Bayeux e voltamos para trás, para perto da memorável "Juno Beach", mais precisamente para Courseulles-sur-Mer. É aqui que o carro descansa e as bicicletas descem do tejadilho. Entramos em modo "Tour de Normandie" e procuramos ir ao encontro de alguns dos locais que durante anos, permanecem na nossa memória devido à grande invasão. Daqui em diante e antes de apontarmos ao Mont Saint-Michel vai ser a pé e sobre duas rodas.

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Começamos com uma deslocação de cerca de sete quilómetros, até ao Cemitério Canadiano de Bény-sur-Mer. e que é o repouso dos primeiros mortos canadianos no Desembarque - o de Bretteville-sur-Laize ficou para os que morreram nos momentos posteriores. Mesmo à beira da estrada e já se sente o peso da História, o peso da morte. A primeira sensação? Tantos mortos e este é só o primeiro... Tantos miúdos no chão que morreram em nome da libertação da Europa, em nome de um mundo que nunca mais seria o mesmo... Sentimo-nos cobardes por não termos mantido esse mundo desejável e que lhes custou estupidamente a vida - e este nem é um dos maiores jardins de pedra. Respira-se fundo, ouve-se o vento entre as árvores, faz-se uma revisão da matéria e leem-se as mensagens que encontramos em cada lápide.

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Damos connosco a perceber que já passou mais de uma hora e ainda há tanto para sentir, algo sem aparente explicação... É hora de partirmos, regressarmos para perto de "Juno Beach" e prestar também aí a nossa homenagem junto do memorial e também da primeira casa a ser conquistada naquele dia fatídico e mortífero. 

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Torno-me repetitivo, mas de facto, acabo sempre a pensar, para quê? Será que, à semelhança do que fazemos com os acidentes de viacção, onde muitos juízes condenam os culpados a visitar hospitais, particularmente com as vítimas dos embates, não deveríamos fazer isto com aqueles que parecem esquecer o passado? 

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As praias são isso mesmo, praias, é preciso fechar bem os olhos, ter presente a História da invasão e voltar a esses tempos, caso contrário será mais difícil, mesmo sentido os ares que nos chegam da Mancha. Temos de prosseguir, o nosso destino em duas rodas será o cemitério alemão de "La Cambe" e antes ainda temos de voltar ao Cemitério de Guerra em Bayeux.

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Pelo caminho, um destaque e paragem obrigatória no Cemitério Americano em "Omaha Beach", Colleville-sur-Mer. Até lá, museus e memoriais não faltam, as praias e aquelas região, mesmo à entrada de algumas vilas, não esquecem aqueles que tombaram pela França e pela Europa. Mas temos de parar em Colleville, os Americanos sabem honrar os seus e de facto, este cemitério, é um verdadeiro monumento, uma grandiosa homenagem aos mortos em combate que atravessaram o Atlântico e depois o Canal da Mancha e tombaram em solo francês.

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O número de mortos é imenso, o espaço é imenso e o contraste entre a beleza e o cuidado do local com aqueles que ali jazem é qualquer coisa. Procurou-se criar o paraíso para que aqueles soldados ali possam descansar, bem nas colinas que dão para a praia onde muitos tombaram. A quietude do espaço, a forma como tudo está cuidado (melhor que em muitos palácios), o silêncio... Olhamos novamente o mar que trouxe todos estes corpos para a terra, um Atlântico atravessado, para depois se ultrapassarem as águas da mancha e morrer em nome de todos nós. Vida triste, não podermos reconhecer estes jovens e mesmo os mais velhos, a lágrima... O pensamento a caminhada entre cruzes de Cristo e de David não bastam, deixam-nos impotentes e desarmados. Ficamos a engolir em seco, saímos a engolir em seco. Pensamos no hoje e até no amanhã, pensamos em todos os cemitérios como este e que não existiram... Perguntamos, para quê?

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Prosseguimos... É hora de prosseguir, mas depois daquele dia, não mais somos os mesmos... Depois daquele dia, já adultos e sem a magia que ser criança nos provoca ingenuidade, nunca mais olharemos aquela costa depois deste regresso.

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Honfleur, uma cidade portuária

Atrás de Marcel Proust em Cabourg

A pacata e firme Caen

Bayeux: uma jóia normanda

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Teerão: A Metrópole da Pérsia...

por Robinson Kanes, em 06.11.19

Teerão_grand_bazaar-2.jpgImagens: Robinson Kanes

 

 

Há que distinguir entre conhecer e experimentar. Verdade conhecida não é o mesmo que verdade experimentada. Devia haver duas palavras distintas.

Aldous Huxley, in "Sem Olhos em Gaza"

 

 

Teerão não é a cidade mais bonita do mundo, mas existe algo que a torna especial: as suas ruas sempre numa azáfama, a poluição e a aridez que não abonam a seu favor mas... mas as suas gentes são outra coisa. A ausência de qualquer conduta na condução é algo que nos obriga a esquecer que existe um código da estrada, atravessar passadeiras é outro dilema, sobretudo quando aprendemos a atravessar e a arriscar, "eles vão parar, quando nos virem no meio da estrada param". Muitas vezes não procuram parar e até nos fintam seja de mota ou de carro mas sentimos que é aí que "perigosamente" já estamos com o chip da cidade. Torna-se ainda pior quando damos connosco a resmungar duas ou três palavras em farsi - é preciso dar resposta às buzinadelas e às criticas que chegam de todos os lados nestas situações.

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Queremos conhecer mais do Irão e embora (injustamente na maioria dos casos) muita da história deste país e desta civilização se encontre em museus espalhados sobretudo pela Europa, é importante visitar o Museu Nacional. É atroz a forma como muitas das mais importantes relíquias de um povo se encontram em museus de outros países!

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Por esse motivo este espaço museológico não é tão rico! No entanto, divididas entre duas áreas (O Museu do Antigo Irão e o Museu Islâmico) - a desculpa, dada a ocidente, de que o museu é pobre esconde uma vergonha em não assumir que não é propriamente por causa da divisão dos artefactos ou até a ausência de explicações mas sim pelo simples facto das principais peças estarem noutros lugares fora do país. Após a visita fica-nos não uma vontade de procurar as peças no exterior mas de conhecer Persepólis, um verdadeiro tesouro da Humanidade.

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Mas Teerão tem também o Palácio Golestan, uma jóia (extravagância?) dos Qajars. Deslumbramo-nos com o exterior do palácio, com a sala dos espelhos, com os azulejos e com toda a envolvência e simpatia daqueles que lá trabalham. A mim, perguntam-me se sou iraniano, algo que estranho - ao fim de alguns dias  deixarei de estranhar e até aproveito as deixas. 

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Este palácio, Património Mundial da Unesco, é uma jóia e onde as culturas ocidentais e persas se fundem numa forma única e se complementam num espectáculo de beleza singular - O "Khalvat-e Karim Khani", os tapetes, o "Emarat Badgir" e os azulejos são o nosso fascínio.

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E com tudo isto finda-se uma manhã bem no centro da cidade, entre quartéis, edifícios governamentais e claro, uma visita aos tesouros nacionais - não somos propriamente entusiastas, mas as pedras e metais preciosos que o Banco Nacional alberga são de deixar qualquer um de boca aberta. É hora de almoçar e no Irão, seja na rua, sentados num jardim ou efectivamente num restaurante, a oferta não falta e os pistácios crús não alimentam por aí além.

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Passamos ainda uma vez (e passaremos tantas mais) pelo Grand Bazaar e como esperávamos, esquecemo-nos de almoçar! Por incrível que pareça apenas compramos alguns frutos secos mas deliciamo-nos com as gentes, mais uma vez. Dizer que estes espaços são como na Turquia, é estar completamente fora do contexto. Queremos ver as gentes, apaixonam-nos os rostos, alguns tristes mas com uma vontade enorme de esboçar um sorriso - é algo que encontramos com abundância. Deambulamos, conhecemos, conversamos e vemos gente bonita e isso em Teerão não é nada difícil.

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Vamos almoçar, agora sim... 

 

- Amanhecer em Teerão

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IMG_4430.jpgImagens: Robinson Kanes

 

Depois de duas tranquilas caminhadas em Bruges e Ghent segue-se uma cidade mais cosmopolita, mais conhecida, e muito provavelmente, menos apetecível: Bruxelas. 

 

Bruxelas não é a mais bela capital do mundo, mas é uma das mais cosmopolitas e com maior diversidade! Também não me irei debruçar a falar do "Atomium", além de que acho inconcebível pagar-se mais para conhecer este monumento do que para visitar alguns dos mais importantes museus do Mundo. Também não é a Bruxelas onde o chocolate belga e os mexilhões são mais caros que merece a minha atenção... Até porque, perdoem-me a costela mais provinciana, mexilhões é por terras lusas. Perdoem-me também que deixe de parte o "Manneken Pis", um dos locais mais overated do turismo europeu. Se tivesse que escolher, muito provavelmente, até optaria mais pelo "Het Zinneke", o famoso cão que não se inibe de urinar à vista de todos.

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Mas caminhemos pela "Grand Place", talvez a grande atracção da cidade, completamente cheia de turistas, muitas vezes em contraste com as ruas limítrofes. A beleza é de facto única, embora tenha sempre a sensação (e não foram poucas as vezes que andei por Bruxelas) que é mais pequena do que nas fotografias, um pouco como a Praça de São Pedro. Não é de todo aqui que se sente o pulsar da Europa, mas também não se pode dizer que não a uma cerveja ou aos waffles que em alguns recantos são bem agradáveis, aliás, por lá os meus favoritos são os gofres.

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No entanto, há dois pontos de Bruxelas que me encantam! Não são os edifícios das instituições europeias mas sim os vitrais da Catedral de Bruxelas (Cathédrale de Sts Michel et Gudule, ou em flamengo St-Michiels en St-Goedelekathedraal"), bem perto da "Grand Place" e cuja construção começou em 1226 e teve o seu "culminar" já no reinado de Carlos V.

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Além das estátuas dos apóstolos que se encontram nas colunas da nave central, nada como perceber alguma presença portuguesa nos vitrais - os mais bonitos e genuínos da catedral segundo uma das funcionárias do espaço. Podemos encontrar nestes vitrais a presença das armas portuguesas e a figura de D. João III e D. Catarina - a irmã de Carlos V.

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Na verdade, também Carlos V era casado com a irmã de um outro monarca, D. Isabel, irmã do já citado D. João III. D. Isabel era prima de Carlos V. Como o interesse nesta matéria foi grande, acabei por encontrar alguma bibliografia e alguns websites, pelo que, quem quiser começar pode sempre fazê-lo de uma forma mais leve com um "amador" no Crow Canion Journal - antes de entrar em pormenores cientificos, pode ser a leitura ideal.

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Outro apontamento menos conhecido de Bruxelas está também perto da "Grand Place", perdido perto da estação central e junto de um dos parques de estacionamento que rodeiam a mesma: falo da estátua de Béla Bartók... Béla Bartók, o compositor húngaro que faleceu em Nova Iorque e só anos mais tarde encontrou o descanso eterno ao lado da esposa, em Budapeste... A história de Bartók ainda hoje é das mais interessantes, sobretudo se tivermos em conta que em vida não foi assim tão reconhecido ao ponto de apenas ter 10 pessoas no seu funeral. Bartók, para os mais incautos, foi um dos responsáveis pelo estabelecimento da etnomusicologia, embora as origens da mesma já tenham sido anteriores a Bartók.

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Ablakomba... Ablakomba... E bom fim de semana...

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A Ortodoxia do Livre Arbítrio...

por Robinson Kanes, em 28.01.19

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Imagem: Robinson Kanes

 

Quem nunca, durante a eucaristia, escutou o "eu serei vosso amigo, se fizerdes o que vos mando"? Eu já ouvi, muitas vezes. Aliás, fico espantado com o amor e compaixão que chega até a mim e com esse forte laço de amizade.

 

No entanto, não me parece que isso seja grande novidade - eu serei sempre muito amigo de todos aqueles que fizerem aquilo que eu mandar: Imaginem que crio uma divindidade, destruo todas as outras, e me assumo como o líder lá do bairro. Aproveito essa onda de poder e começo a dizer que se me derem o pouco dinheiro que têm para eu fazer uma Igreja - para "todos" - eu serei amigo dos respectivos. Também passo a mensagem que tal submissão pode levar a que morram à fome, pelo que, eu os salvarei (nem eu sei explicar como) e ainda deixo um aviso: ai daquele que não quiser a minha amizade! Melhor mensagem para vender aos nossos jovens não há, mesmo que apregoe esta mensagem vestido de ouro, viva faustosamente e me desloque em automóveis topo de gama. Quem não deseja?

 

Mas o mais interessante é que todo aquele que entre em minha casa, neste caso em particular, em Vila Viçosa, fica logo com o aviso dado: "Fazei tudo o que Ele vos mandar"! Não restem dúvidas. Será que Marcelo Rebelo de Sousa, convicto católico, e desconhecedor que Portugal é um país laico, terá passado por Vila Viçosa e esperado que, via Papa Francisco, Deus lhe desse autorização para se candidatar a um segundo mandato? Até já estou a imaginar, o amigo de Marcelo, João Miguel Tavares, no 10 de Junho, qual arauto de Belém, a dizer (Isto sem alguém perceber o perceber) que Portugal não existiria sem Deus e sem Marcelo, até porque os favores com os ricos e com os jornalistas têm de ser pagos. 

 

Fazei tudo o que Ele vos mandar... Com amigos destes quem precisa de inimigos...

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Brugge... Entre Canais e História...

por Robinson Kanes, em 28.11.18

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Imagens: Robinson Kanes

 

A primeira viagem que fiz de avião foi numa aeronave da Sabena, portanto, já há alguns anos. Nesse dia chuvoso, partia de Lisboa para Bruxelas, mais precisamente para Leuven. Essa primeira viagem, e embora não sendo o melhor apreciador dos países que compõem o Benelux, marcou-me, e claro está, fez com que tivesse um carinho especial por aquele país. Entre as várias viagens que fiz à Bélgica entretanto, parecia-me injusto não lhe dar o devido destaque neste espaço, até porque também tive os meus namoricos belgas, conheci muito boa gente belga, recuso-me a pagar €15 ou mais euros por meia-dúzia de mexilhões, não acho a Stella Artois nada de especial (embora até tenha conhecido a fábrica) e por aí adiante...

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Retomo a Brugge... Não é uma cidade fascinante, no entanto, faz-nos pensar em como é que num local tão pequeno a vibração cultural é tão grande. Faz-nos pensar em como é que se sente o peso da história e entre os pequenos canais podemos passar alguns momentos bem agradáveis. A parte nova, é a imagem típica de cidade flamenga "moderna", mas no centro histórico, podemos encontrar algum património bem interessante que pode ser conhecido a pé ou através dos passeios nos canais. Já não recomendo os passeios de carruagem, ninguém que goste de cavalos pode tolerar tal sofrimento inútil.

IMG_4115.jpgO ideal é começar o dia no "Books & Brunch", nada como um pitéu num local rodeado de livros para iniciar uma visita e assim compensar o tempo que poderemos não ter para almoçar. Seguidamente, nada como apimentar esta sedução intelectual com uma visita ao "Groeningemuseum", um local ideal e a não perder para quem adora pintura flamenga, aliás, Jan van Eyck (que até tem por lá a sua estátua - morreu nesta cidade em 1441) e Van den Berghe estão por lá. 

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A pintura e a escultura também estão patentes numa visita obrigatória à "Igreja de Nossa Senhora" e ao seu museu, o "Onze-Lieve-Vrouwekerk" oferece, entre muitas obras, a oportunidade de admirar "A Virgem com o Menino" de Miguel Ângelo.

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Brugge, para um turista, é um local bastante económico - é nas ruas e caminhando por entre os canais que conhecemos a cidade, entrando nas Igrejas e até o famoso carrilhão.

IMG_4128.JPGEstamos numa cidade, contudo, com uma imensa oferta cultural e que para amantes de teatro, música clássica e tantas outras artes, pode ser, sem dúvida uma mais-valia, aliás, é para mim o grande ponto alto de uma visita à cidade, um pouco como Hamburgo na Alemanha, que não sendo uma cidade bonita e atraente, é bastante apetecível em termos de acontecimentos culturais.

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Finalmente uma nota para as importantes questões ambientais. Na última visita a esta cidade, fica a memória de que um destes dias, podemos assistir a uma baleia como a da imagem acima a invadir os nossos mares... Não pensamos muito nisto, mas um dia vamos mesmo ter de fazê-lo, e não é quando a vida destes e de outros animais estiver em risco, no nosso egoísmo incorrigível, vai ser mesmo no dia em que a nós próprios estivermos em risco.

 

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A Pacata e Firme Caen...

por Robinson Kanes, em 20.09.18

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Créditos: Robinson Kanes 

 

 

Caen é daquelas cidades que, para mim, sempre mereceram uma visita obrigatória. Não pelo conjunto da cidade, não por se extremamente bela, não pela proximidade com a fábrica da PSA... Para quem aprecia História Caen é uma visita obrigatória, sobretudo quando falamos da história da Idade Média, da ocupação alemã e do desembarque na Normandia - é o local ideal para repousar após uma visita pelas praias desse mesmo desembarque.

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Situada na Baixa Normandia, mais precisamente no Departamento de Calvados, Caen é uma cidade pacata e que tem em Guilherme "o Conquistador" um dos seus grandes nomes, aliás, encontra-se sepultado naquele que é o monumento mais imponente da cidade, a "Abbaye-aux-Hommes", uma abadia beneditina de extraordinária beleza e um verdadeiro exemplo de construção românica. É aí que encontramos a "Mairie" (Câmara Municipal) e a Igreja de "Saint Etienne".  Merece a pena percorrer as ruas até aí chegar, sobretudo se viermos pela "Rue de Fossés Saint Julien". 

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Todavia, visitada a Abadia, entramos na "Esplanade Jean Marie Louvel". Não é mais que um jardim bem amplo que nos coloca diante daquele que é o monumento que mais me apaixona em Caen, a Igreja de "Saint-Étienne-le-Vieux". Admito a paixão por ruinas mas também pelo facto desta igreja continuar de pé depois de ter sido praticamente destruída durante a "Guerra dos Cem Anos" aquando do cerco de Caen. Admiro a construção por ter continuado em ruinas durante séculos - apesar de algumas tentativas para que fosse reconstruída - e ainda por ter sido quase reduzida a escombros por um projéctil alemão durante a II Guerra Mundial. Estar de pé é uma verdadeira conquista... Talvez por isso mereça tamanho interesse, além de que é bastante interessante do ponto de vista arquitectónico.

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Percorrer Caen é efectivamente conhecer uma cidade normanda, mas é inegável a carga histórica em termos de guerras e conflitos que a cidade carrega. É impossível não parar de sentir a força da cidade que por várias vezes se viu reduzida a cinzas. Cidade fortificada, como não poderia deixar de ser, é interessante a pacatez da mesma, por vezes, demasiado pacata para um mediterrânico, mesmo quando se sobe às suas muralhas e se tenta vislumbrar todos os detalhes da cidade.

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Porém, é dentro das muralhas que a alma se anima, pois quando menos se espera, sobretudo se estiver a ter lugar uma feira medieval normanda, encontramos uma obra de arte que, mesmo ainda ao longe, faz soltar um "aquilo é um Rodin"! É também entre muralhas que encontramos mais uma das grandes obras do mestre, um dos melhores escultores de todos os tempos!

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Na verdade, acabamos por gostar desta cidade, o refúgio ideal na Normandia, sobretudo se escolhermos um hotel que fica mesmo dentro de um hospital. Não é um hotel de topo e também não vemos nem ouvimos ambulâncias a toda a hora - nem os helicópteros que aterram mesmo no topo são audíveis - e pelo que vi são várias as vezes em que se aterra e descola.

 

Deixamos Caen, não sem antes encontrar mais uma outra ruina, a "église Saint-Julien", uma igreja cuja primeira referência data de 1150 e que também sofreu com a "Guerra dos Cem Anos" e ficaria em destroços aquando do famoso bombardeamento de 7 Julho de 1944.

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Pensei em trabalhar esta imagem, mas revela profundamente o estado de espírito que ali temos, como se fosse um resumo de toda a história trágica da cidade. É um recanto interessante, calmo, mesmo que perto de uma rua movimentada e bem no centro de Caen. A visita a este espaço e ao "Mémorial de Caen" prometem marcar quem visita a cidade. 

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 Créditos - Imagem: http://www.openresearchwestminster.org/2015/02/re-imagining-rurality-conference-and-exhibition-27-28-february-2015/

 

 

Rio de Onor, como muitos outros exemplos de aldeias do Norte de Portugal, é essencialmente agrícola. As vantagens que uma economia mais solidária pode tirar destas vilas agrícolas podem estar num actor que outrora foi ostracizado, ou seja, se Rio de Onor foi outrora fechado à participação das mulheres, hoje poderia aprender com o modelo latino-americano onde a participação das mulheres é cada vez maior e parece intensificar-se em relação ao sexo masculino. Um dos estudiosos desta temática Deere, chega mesmo a afirmar que a agricultura efeminizou-se e as mulheres deixaram de ser trabalhadores de segundo plano e tornaram-se autênticas managers para a agricultura. (Deere: 2005) Isto muito por culpa da emigração dos homens em busca de melhores condições de vida - algo que é cada vez mais uma realidade em Portugal e sobretudo naquele Portugal profundo onde por exemplo Rio de Onor se encaixa. 

 

O que daqui retiramos? Um impacte social gigantesco, com as mulheres a terem uma palavra a dizer nos destinos destas comunidades e acima de tudo a serem elas próprias um dos motores de desenvolvimento da comunidade.

 

O papel da formação (imperial para o sucesso de políticas de economia mais solidária) é fundamental na medida em que tem de criar o espaço para o empowerment destas, sobretudo na exploração das mais valias do seu próprio território.

 

Rio de Onor é sem dúvida fascinante do ponto de vista da comunidade e do estudo antropológico-económico. O comunitarismo ligado às dificuldades territoriais; a suposta igualdade entre os membros da comunidade, a aparente democracia participativa, a divisão dos recursos e a correcta distribuição da terra fazem-nos pensar em importar do passado um conceito apaixonante. Todavia, esse mesmo conceito acarreta os riscos de idealizar algo que as monografias de alguns autores, nomeadamente Dias, criaram e mais que isso, criar estereótipos que praticamente por obrigação ou vaidade levam uma comunidade a agir como tal.

 

Rio de Onor efectivamente, dá-nos muitas lições, nomeadamente em relação ao próprio conceito de comunitarismo, mas também do modo como os indivíduos, face às dificuldades que o terreno e a localização, se uniram e levaram avante formas de organização que os permitissem sobreviver de uma forma que isoladamente jamais conseguiriam, aliás, o endividamento crescente e o carácter dionisíaco apontados por Dias disso também são exemplo.

 

Se do ponto de vista ambiental, artístico e de bem-estar não existe informação relevante, do ponto de vista económico e de gestão podemos retirar daqui um pouco de cooperativismo que ia até à própria gestão dos costumes, ultrapassando largamente a esfera económica, embora nem sempre numa óptica de reciprocidade.

Continuando a explorar a óptica de conhecimento, começamos a entrar em terrenos mais isolados que a própria aldeia, nomeadamente no que concerne ao carácter social e ao projecto políticonos mostra: a pouca equidade na distribuição das terras, do trabalho e do gado.

 

Continua...

 

O Falso Comunitarismo e as Aldeias Comunitárias do Norte de Portugal - Rio de Onor (1)

O Falso Comunitarismo e as Aldeias Comunitárias do Norte de Portugal - Rio de Onor (2)

O Falso Comunitarismo e as Aldeias Comunitárias do Norte de Portugal - Rio de Onor (3)

O Falso Comunitarismo e as Aldeias Comunitárias do Norte de Portugal - Rio de Onor (4)

O Falso Comunitarismo e as Aldeias Comunitárias do Norte de Portugal - Rio de Onor (5)

O Falso Comunitarismo e as Aldeias Comunitárias do Norte de Portugal - Rio de Onor (6)

 

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