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its-always-sit-peter-steine.jpgCréditos: https://condenaststore.com/featured/its-always-sit-peter-steiner.html

 

Defende-se uma doutrina com a mesma tenacidade e idêntica paixão que se procura preservar esta contra a aniquilação ou uma perspectiva comprovada ou o saber de uma  cultura antiga depurada mediante a sua selecção. Quem não está de acordo com tal opinião, sofrerá a sua parte, pois será estigmatizado como herege, será caluniado, e se possível será desacreditado, em suma, descarregar-se-á sobre ele a reacção altamente especializada do «mobbing», do ódio social.

Korand Lorenz, in  "Os Oito Pecados Mortais da Civilização".

 

 

Confesso que esta semana tinha em mente continuar com uma escrita mais polite, digamos assim. O lado bom é que não se arranjam inimigos e inimizades na gestão, no entanto...

 

No entanto, já começa a ser exagerado esta preocupação com o que se passa no Brasil e nos Estados Unidos da América (EUA), como se o que estivesse a acontecer em ambos os países fosse alguma espécie de novidade (basta um pestanejar fora de contexto e temos o caos montado) - e contra mim falo que ligo mais ao que se passa lá fora do que às pequenas coisas que por cá ocorrem, já que às grandes, todos passam ao lado.

 

Mas enquanto andamos a criticar a polícia montada nos EUA que prende um indivíduo e o leva atado a uma corda para a esquadra deixamos que o Governo vigente e o presidente cool de Portugal continuem a defender a existência de portugueses de primeira e de segunda (e em alguns casos de terceira). Preferimos lamentar um atentado (e bem) mas não deixamos a toalha de praia enquanto o país arde! Terrorismo é invadir uma academia de futebol, incendiar um país é um lapso, invadir supermercados e esquadras de polícia são crimes menores. Terrorismo é termos um primeiro-ministro que não se mostra para não prejudicar a imagem e envia o Ministro da Propaganda Iraquiano, Augusto Santos Silva, o porta-voz de todos os Governos PS dos últimos anos - todos sabemos como Santos Silva se mexe nos media. Importa lembrar que Augusto Santos Silva é Ministro dos Negócios Estrangeiros mas tem tido a palavra em tudo o que é assunto/escandaleira de política nacional. Santos Silva diz "assunto encerrado" e todos os media se calam!

 

Mas voltando ao Texas... É isso, estamos no Texas (ao menos tivessem assistido ao "Walker, O Ranger do Texas") - esta gente urbana vê alguém com um chapéu à cowboy e pensa que o Texas é uma espécie de Namíbia! Até aqui se vê um Portugal a duas velocidades de pensamento. Na Venezuela, na Coreia do Norte, na Rússia ou na China aquele senhor teria sido imediatamente abatido ou transportado com os queixos a bater numa unimog! Trump também se enganou no nome da cidade onde teve lugar recentemente um atentado e é o colapso em Portugal! Pelo menos Trump tem um país daquele tamanho para pensar, por cá, com meia-dúzia de quilómetros, muitos nem sabem onde ficam as principais cidades do interior. Reforço, não sou defensor de Trump...

 

O selfie man demonstra também que ainda não perdeu os tiques corporativistas que traz do Estado Novo e "aumenta" os juízes em 700 euros! Não está mal, afinal também deixou que passassem dois ordenados mínimos, um para funcionários públicos e outro para cidadãos de segunda. Interessante em Marcelo é que aprova e depois condena, uma espécie de assassino da Democracia que dispara o tiro contra a senhora mas depois diz que não é bem assim que as coisas devem ser... Se isto não é populismo ou conivência com uma política podre, não sei o que será! Não esqueçamos que é este mesmo senhor que acha que sabe mais que o Tribunal Constitucional. Um dia admirem-se da ascensão do populismo que tanto temem... Só lhe estão a dar espaço.

 

Marcelo também é especialista em dividir o povo, já o fez em vários episódios e agora está a fazer o mesmo com os motoristas, tentando virar o país contra estes, agora até tem a companhia do raríssimo Vieira da Silva (alguém que num país verdadeiramente democrático já estaria preso!). Já não é a primeira nem a segunda vez que Marcelo o faz, seguindo a tendência do Governo! Que o Governo o faça, até se entende, mas um Presidente da República? É feio, é desonesto, já para não mencionar o contínuo desrespeito pelas polícias (excepto pela GNR, guarda pretoriana do regime) e pelos militares - não tivessem sido estes a destruir o seu sonho de ser Presidente do Conselho antes do 25 de Abril. Marcelo vai sorrindo cinicamente dos portugueses enquanto vai actuando na sombra! Marcelo só não se revolta com algumas figuras públicas com muitos telhados de vidro, com a Igreja, com as rádios e televisões e claro, com a "bola", onde o perdão de impostos e a corrupção é uma coisa aceitável, defendendo inclusive esse atentado (terrorismo político?) com compromissos internacionais. Nem a humilhação na OCDE mudou a atitude deste senhor que se vai comportando como uma espécie de político mexicano comprado pelos cartéis da droga, qual filme americano dos anos 80 sobre estas temáticas.

 

Reafirmo, não percebo a critica ao que se passa no outro lado do Atlântico, ou pelo menos o exagero. Nos EUA, Trump, o alvo perfeito, e Bolsonaro porque uma pseudo-elite brasileira (não todos os brasileiros) que se instalou em Portugal parece monopolizar a opinião em muitos media e até no panorama cultural nacional. No entanto, na Rússia, estamos a assistir à aniquilação da oposição e à tomada de poder no sentido de reactivar a União Soviética: Crimeia e Geórgia que o digam! Silêncio total... É mais fácil falar de encontros nacionalistas e querer uma democracia desde que seja com a minha vontade e lei. Não vejo ninguém a criticar as brigadas anti-fascistas e de extrema-esquerda que desfilam pelas ruas deste país, qual legião hitleriana invertida aquando do 1º de Maio, 25 de Abril e outras tantas manifestações. No entanto, vejo muitos destes criticos a partilharem as democráticas fotos das férias em países autoritários como a Tailândia, China, Vietname, Laos e Emiratos Árabes Unidos!

 

Debate em duas direcções precisa-se... Agora chamem-me o que quiserem, mas recuso ser alguém cuja embriaguez democrática atinge de tal forma o pensamento que o transforma num caos totalitário! Citando um dos grandes heróis de muitos destes senhores, Lenine, cada vez mais "a liberdade é um bem de tal modo precioso que tem de ser controlado", sobretudo face àqueles que a estão a usar para imporem o seu autoritarismo camuflado de bondade. Isto acontece sempre que a política se julga intocável e as pseudo-elites intelectuais julgam ter a desenvoltura mental que o comum dos mortais não consegue atingir!

 

P.S.: Deixo duas questões: Sr. Presidente, alguém em Maio/Junho prometeu o "fim" da corrupção em Julho, já estamos em Agosto? Como comentador profissional e autor dessa promessa, terá algo a dizer? Também prometeu que não se recanditaria se as tragédias dos incêndios se repetissem - em que está  pensar? Monchique, Mação, Vila de Rei e tantas outras tragédias com feridos e mortos, não são tragédias, são meros churrascos? Cuidado, não se faz política com a carne queimada daqueles que foram apanhados pelo desleixo do Estado. E ainda falta Tancos...

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Créditos: https://rr.sapo.pt/noticia/56402/marcelo-e-costa-com-a-seleccao-com-moral-muito-elevado

 

O país não precisa de quem diga o que está errado; precisa de quem saiba o que está certo.

Agustina Bessa-Luís

 

 

“estabelece o regime fiscal aplicável às competições UEFA Nations League Finals 2019 e UEFA Super Cup Final 2020”, determinando que “são isentos de IRC e IRS os rendimentos relativos à organização e realização das provas”. Vide mais em Lei n.º 38/2019

 

E é assim que começa mais uma cuspidela e uma real risada na cara de todos os portugueses! Temos um Governo que utiliza a bancada parlamentar do PS para fazer sair mais um atentado à nação - vive impunemente o futebol que ainda, ao longo de tantos anos, não justificou se os investimentos (e corrupção) em torno do mesmo efectivamente valeram de alguma coisa ao país! Vejamos os beneficiários de mais um atentado a Portugal: "entidades organizadoras das finais, representantes e funcionários, bem como associações dos países e clubes de futebol, desportistas e equipas técnicas (treinadores, equipas médicas e de segurança privada e outro pessoal de apoio).

 

O termo cuspidela pode ser forte, mas porque é que, mais uma vez, um Governo (cujos membros também se vendem por bilhetes de futebol) e um Presidente (que hipócritamente justificou como sendo um compromisso internacional) cederam às tentações do futebol? Porque é que este tema tem sido tratado de forma tão recatada? E onde andam os humoristas - os tais que "não têm" filtros - e comentadores que habitualmente se sentam nos camarotes/bancadas VIP dos estádios? Basta ver muitas dessas cadeiras para ter uma real noção de como o futebol ainda dita as regras na política e não só!

 

Como é que um país pode aceitar a inútil justificação de que até pode existir dupla tributação? Que preocupação é esta do Governo (não só deste) e de políticos que há anos continuam a infringir as "directivas" de Bruxelas na dupla tributação relacionada, por exemplo, com o imposto automóvel, esse sim que prejudica a grande maioria dos portugueses?

 

Permitam-me perguntar porque é que os portugueses têm de ser verdadeiramente achincalhados por mais um pseudo-espectáculo futebolístico? E não me venham com prestígio! Prefiro ter o prestígio de ser um país industrializado, sério e justo ao invés de um país recheado de estrelas de futebol, muitas delas que fogem aos impostos e pagam a vítimas de violação para ficarem caladas (Já lhes tiraram as condecorações?).

 

Hoje "estaremos" alegremente a apoiar Portugal e o conluio futebolístico reinante! Alegremente estaremos num circo que, muito honestamente, temos todo o gosto em participar como autênticos palhaços. Se só cantamos o hino para o futebol, se também hoje o "fizermos", pensemos nas palavras do mesmo e pensemos no que é ser português... Talvez as bancadas fiquem vazias e as televisões e as rádios sem audiência... Ou talvez não, talvez não...

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Mínimo... Muito Mínimo...

por Robinson Kanes, em 05.02.19

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Créditos: https://jornaleconomico.sapo.pt/noticias/vieira-da-silva-garante-que-vai-resolver-atrasos-nas-pensoes-no-primeiro-semestre-404764

 

Poderia abordar o porquê do salário mínimo em Portugal ser baixo mas também não poder ser mais elevado devido a outros factores como a produtividade e a má organização do trabalho em Portugal - também temos de ter em conta que se o salário mínimo em Portugal não é mais alto se deve ao facto da cultura do querer o mais barato (excepto se gadgets e automóveis) ou até da aquisição título gratuito.

 

Mas, mais que o salário, existem indivíduos que são mínimos e, entre os pingos da chuva, vitórias do Benfica, populismos dos anti-populistas, lá passam sem ninguém dar por eles. Um deles é o ministro Vieira da Silva, um herdeiro do período socrático (mais um daqueles que desconhecia um sem número de irregularidades) e que acha perfeitamente normal a existência de portugueses de segunda e portugueses de primeira - pelo menos, nesse aspecto, é fiel à Constituição, outro marasmo que tem travado o desenvolvimento do país com revisões ténues e nada profundas. 

 

Estabelecer um salário mínimo para a função pública e outro para o sector privado é, no mínimo, uma afronta a todos os que trabalham no sector privado. Mais ainda é o argumento de que no sector privado também existem diferentes patamares salariais. Existem, como existem na função pública mas são em mercado livre e sem interferência estatal e negociados entre empresários e o colaboradores - além disso, mais uma vez, estão sempre sujeitos a um patamar... mínimo.

 

Em ano de eleições o Governo voltou aos tiros no pé, no entanto, por incrível que pareça, os portugueses deixaram passar mais este atentado à sua cidadania - o Governo sabe, Vieira da Silva também sabe, os partidos que suportam o Governo sabem... Sabem que o funcionário público é um votante fiel, que não é dos que mais se abstem e que ainda é uma das grandes massas da população sob o jugo de sindicatos e influências partidárias e isso pode mudar uma votação por completo.

 

Entretanto, as reformas estruturais do Estado vão ficando na gaveta e as políticas de desenvolvimento a longo prazo no papel... Entretanto, os mesmos dinossauros (e não são nada raríssimos) vão ocupando um espaço que, quais eucaliptos, não hesitam em secar, não só em termos económicos mas em termos de ideias e modernidade! Entretanto... Temendo que o futuro fique nas mãos de outros lá vão deixando os seus tentáculos... Mariana Vieira da Silva e Sónia Fertuzinhos são dois exemplos...

 

É motivo para dizer, mínimo... muito mínimo...

 

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São perguntas, Senhores, São Perguntas...

por Robinson Kanes, em 19.12.17

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 Fonte: https://www.globalresearch.ca/corruption-in-the-european-union-scandals-in-banking-fraud-and-secretive-ttip-negotiations/5543935

 

Há perguntas que continuam por responder, e que aqui pelo Bairro, de vez em quando, entre tremoços e cervejas lá nos lembramos de perguntar:

 

- Como está a situação das instituições responsáveis pela alimentação dos bombeiros durante os incêndios do Verão passado? Ao que se sabe, não foram raros os casos em que o dinheiro foi para um lado e a comida para o outro.

 

- Por falar em dinheiro, por onde andam os milhões, aqueles muitos milhões, que muitas instituições declararam ter recebido a propósito do incêndio de Pedrogão? Eu sei que é raríssimo prestarem contas ao cêntimo, mas onde andam? Porque é que os envolvidos não falam, inclusive aqueles que deram a cara no espéctáculo realizado na Altice Arena e outros? 

 

- Como é que o ministro Vieira da Silva passa nos pingos da chuva, não dá respostas convicentes e agora é inocente? Há tanta coisa por explicar, como sugerir que as queixas sejam encaminhadas para o Ministério Público e não faça o devido seguimento, quer junto desta instituição, quer dentro do seu próprio ministério! Hoje dizem-nos que um tesoureiro alerta para movimentações bancárias anormais, mas isso não pode ser considerado uma hipotética gestão danosa.

 

- Afinal, o que é que aconteceu em Tancos?

 

- E ninguém questionou o Primeiro Ministo do porquê de, com a conivência da lei, ter travado um caso judicial, o célebre caso das escutas que, segundo o Ministério Público, se revestia de crimes de extrema gravidade para o país e para o Estado Democráctico. Ninguém perguntou porque é que pactuou com o crime quando "ignorou" um parecer da Procuradoria Geral da República que dizia, mais ou menos desta forma, que esta legislação permitia que alguns interesses instalados se perpetuassem mesmo lesando ao mais alto nível o Estado Democrático.

 

- Depois de Marcelo Rebelo de Sousa ter ido a Angola, não só por interesses de Estado, como está a relação do nosso país com aquele Estado? Afinal que lá foi fazer este senhor?

 

- Porque é que a política se continua a imíscuir nos negócios dos privados? Ainda não esquecemos a Altice e a estranha interferência de Governo e partidos de esquerda na Autoeuropa. Além disso, estes dias com a fábrica fechada são os chamados "down days" que acontecem em muitas outras fábricas, não é assim tão normal em indústria! Não entendo o dilema actual!

 

- Onde andam as roupas doadas que continuam a ser vendidas por muitas Instituições de Solidariedade Social?

 

- Porque é que a UBER é ilegal mas continua a actuar sem que sejam tomadas medidas?

 

- Porque é que num país laico, insistentemente temos um Presidente da República a fazer a apologia do catolicismo e que "só" as instituições da Igreja fazem o bem pelo país?

 

-Porque é que o escândalo nas messes da Força Aérea é tão pouco falado? E porque é que perante as acusações que foram feitas de que tais esquemas são praticados por todas as Forças Armadas desde os tempos do antigo regime, não se actua?

 

-E por falar em Tecnoforma? Alguém tem ouvido falar disso?

 

-Porque é que o SAPO destaca sempre os mesmos "blogs", mesmo que custe a fuga de outros bloggers e até de visitantes? Porquê?

 

-Porque é que Portugal continua a ser o país dos apelidos? Basta olhar para a política, para cargos em instituições públicas e mesmo em instituições privadas cuja relação com o Estado é fundamental para a sobrevivência das mesmas.

 

-E afinal. Como é que está a situação da casa comprada abaixo do valor de mercado por Fernando Medina?

 

-Porque é que os "jobs for the boys" são uma real instituição "criminosa" portuguesa e ninguém parece estar interessado? Haverá um "boy" em cada português empregado no público ou até no privado?

 

-Porque é que partidos como o Partido Comunista e o Bloco de Esquerda parecem não existir desde há uns tempos para cá? Ou aliás, existem para sugerir o impossível para os funcionários públicos e para os seus... O resto do país não terá interesse para estes?

 

-Porque é que ainda hoje as palavras do Francisco, do Zibaldone, me fazem tanto sentido:

"Aos que pensam que a corrupção e a evasão fiscal são de pouca monta, só tenho a dizer: por cada pessoa corrompida, há outra que pode aparecer morta por denunciar o crime; por cada pessoa que utiliza cunhas para entrar num emprego, há outra que fica à porta e começa a descrer num sistema que impede a mobilidade social; por cada pessoa que foge aos impostos, há milhões que passam fome ou vêem os seus negócios arruinados pela violência fiscal exercida sobre os mais fracos".

 

-Porque é que a EMEL, uma das empresas mais lucrativas do país - estranho, tratando-se de uma empresa pública de estacionamento - vai receber 4 milhões de Euros do Turismo de Portugal? A EMEL esse grande responsável pelo turismo em Portugal...

 

-Porque é que a propósito dos incêndios de Pedrogão, só temos como arguidos, até agora, devo ressalvar, aqueles que combateram o incêndio? Porque é que o relatório do Ministério da Administração Interna não teve o peso político e mediático que teve o da Comissão Independente?

 

- E onde andam os desenvolvimentos, se é que existem, acerca dos esquemas onde foram apanhados Paulo Portas e o vice-comentador da nação Luis Marques Mendes? O comentador todos sabemos quem é... Comentador de umas coisas e ausente de outras.

 

- Porque é que se criminaliza tanto na praça pública a amizade de José Sócrates com Carlos Santos Silva e e pouco ou nada se fala da grande amizade de Marcelo Rebelo de Sousa com Ricardo Salgado?

 

- Porque é que ser Presidente do INEM significa andar sempre metido em "cambalachos"?

 

São apenas perguntas, Senhores, São apenas perguntas... Eu sei que é mais importante encher um centro comercial e acompanhar a manada, que anda num stress ao invés de calmamente apreciar a época...

 

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Do Jogo da Ética e da Corrupção...

por Robinson Kanes, em 11.07.17

 

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 Varvara Stepanova - Jogadores de Bilhar (Museu Thyssen-Bornemisza)

Fonte da Imagem: Própria

 

 

A “recente” polémica em torno da demissão de três Secretários de Estado tem levado a uma discussão que ainda tende a ser rara em Portugal, sobretudo porque vivemos num país onde aceitar prendas, almoços, “luvas” e favorecimentos tende a ser entendido como uma espécie de “todos o fazem porque é que não hei-de eu fazer?” ou, como tenho ouvido, “se não for assim nunca mais!”. Esta abordagem é, por muitos, apontada como um dos cancros da nossa sociedade.

 

Ao nível dos negócios é estranho como é que a tão banalizada expressão “não existem almoços grátis” tende a não querer entrar na mente de gestores, políticos ou até meros colaboradores da base da pirâmide. É óbvio que podemos ter uma grande simpatia por alguém e querermos com isso fortalecer a mesma juntando o útil ao agradável mas isto não é coisa que aconteça por sistema. Existe sempre um objectivo concreto, real e palpável! Recordo-me de quantas vezes estive com clientes e paguei o almoço/jantar do meu bolso! Penso que muitos deles ainda hoje não o sabem, mas aquele momento era um momento de verdadeira confraternização! Também existiram outros que não, mas aí estava explícito um objectivo claro: aumentar vendas e criar uma relação de benefício mútuo entre fornecedor e cliente! Além do mais, por muito bons que sejamos a avaliar as coisas, não nos podemos esquecer que “em nada o homem está, ainda hoje tão perto do macaco como no que diz respeito aos negócios” e não sou eu que o digo mas Elias Canetti. Cair na tentação académica e de muitos pseudo-gurus da liderança e do comportamento, de que o mundo é perfeito, é enterrar a cabeça na areia.

 

Para mim, a ética é algo que deve ser discutido para lá da Academia! Se por um lado temos organizações que têm regulamentos de trust & compliance, também é um facto que muitos de nós não estamos a assimilar esse comportamento. Se a ética advém de directivas morais – que variam inclusive de cultura para cultura - a sua quebra é a abertura para uma consequente quebra de confiança e, sem confiança, as sociedades não se desenvolvem, os negócios não ocorrem e todo o desenvolvimento e consequente retorno se tornam mais complicados, ou seja, sem ética não há confiança!

 

Pegando na temática recente, e nestes exemplos em concreto, algumas questões suscitaram-me curiosidade:

 

  1. O valor em causa: de facto podemos estabelecer patamares de “prendas”, mas... Estando a aceitar uma “prenda” pessoal não estamos a abrir portas para um certo comprometimento? Independentemente do valor, corrupção é corrupção! A lei é cega quando julga alguém que rouba 1 milhão ou apenas mil euros. É um roubo. Porque é que com a temática da corrupção tendemos a desvalorizar pequenos valores/favores? À mulher de César não basta ser é preciso parecer e neste campo mais que nunca é preciso parecer adquirindo uma postura inquebrável. Além de que a corrupção nem sempre envolve valores monetários ou patrimoniais. O valor não desvaloriza a nocividade do acto!

 

  1. A devolução: ultimamente temos assistido a uma caminhada perigosa e que, no longo prazo, pode simplesmente abrir portas para a "legalização" de determinados crimes. Refiro-me à restituição de um valor, por exemplo. O facto de restituirmos um valor não impede que não se tenha cometido um crime ou uma afronta ética! O facto da minha pessoa devolver algo que não deveria ter sido aceite, sobretudo se fui descoberto, não me deve tornar inocente!

 

  1. A aceitação por parte de muitos cidadãos deste tipo de práticas: de facto, são muitos os cidadãos que não se incomodam com este tipo de práticas. Muitos porque não veem mal nisso e outros que, com toda a certeza, já praticaram fraudes. Como já muitos fazem em algumas áreas, vamos assumir que em Portugal corromper deve ser uma prática aceite? Vamos lutar contra isso? Ou vamos cair no desleixo e ir ao encontro de Stuart Mill quando nos diz que “uma pessoa pode causar mal a outros não apenas pelas suas acções, mas também pela sua inacção, e em qualquer dos casos ela é justamente responsável perante eles pelo agravo”.

Vamos continuar a assobiar para o lado e a fazer de conta que nada acontece?

 

Em relação aos seus governantes, em Portugal, os cidadãos continuam muito focados nas questões financeiras e o impacte que as mesmas têm no dia-a-dia dos portugueses (mais poder de compra, melhores salários, menos impostos...), todavia, mais que uma boa notícia na taxa de IRS é o comportamento dos outros cidadãos e dos políticos, pois efectivamente uma falha em valores básicos da democracia e atropelos éticos podem ter custos bem mais elevados para o erário público (todos nós) do que um simples aumento na taxa de IRS! Estranho que alguns dos partidos que mais apregoam a estas questões bebam agora desta cartilha e estejam em profundo silêncio.

 

Não entremos no círculo do “mas não fiz nada de ilegal”, pois essa tende a ser a capa para que se cometam as maiores atrocidades...

 

Finalmente, e para não tornar tudo tão pesado fica a questão que Steinbeck, através da personagem Ethan Hawley coloca em O Inverno do Nosso Descontentamento: “Um homem deve viver guiado pelos seus princípios ou deixar-se arrastar?”.

 

 

 

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As Férias de um Condenado….

por Robinson Kanes, em 05.07.17

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Andrea Mantegna - São Sebastião (Museu do Louvre)

Fonte da Imagem: Própria

 

Quem nunca reparou que na fauna lusitana, em certos territórios, sempre que alguém vai de férias é como se tivesse cometido um crime de lesa-pátria? Experimentem ir de férias fora dos meses de Julho e Agosto e preparem-se para sentirem na pele a dor e a ostracização laboral e agora social!

 

Independentemente da opinião que tenha do Primeiro Ministro de Portugal, esta abordagem não visa tecer juízos do mesmo, mas nomeadamente de uma situação em particular: as férias. Não vou também tecer comentários em relação ao timming em que as mesmas ocorreram mas sim à quase impossibilidade de muitos hoje tirarem férias sob pena de serem destruídos pelos colegas... Pelo menos até os colegas irem de férias... Será interessante perceber se, em Julho e Agosto, quando estivermos de papo para o ar a fritar e a tirar fotos aos pés com o mar em fundo( que é uma coisa sempre digna de ser ver) nos vamos lembrar que o Primeiro-Ministro vai estar a trabalhar...

 

Isto leva-me a muitas conversas que fui tendo com vários indivíduos, porque de facto, para muitos começa a tornar-se um pesadelo tirar férias! Para os outros, quando vamos de férias nunca é uma boa altura! Para alguns ir de férias é deixar o caminho aberto para que venha daí uma a duas semanas em que os colegas vão apontar as culpas de tudo o que possa correr mal ao ausente! Chegar das férias é outra tortura, pois temos que criar um processo defensivo de todos os ataques feitos naqueles dias. Confesso que nunca me deixei abalar por essa situação, no entanto, são cada vez mais os casos em que as pessoas se sentem culpadas por irem de férias!

 

Poderão existir várias explicações:

  • o nosso egoísmo e uma espécie de umbiguismo - "ai aquele malandro que foi de férias e agora tenho de levar com o trabalho dele" - no entanto, esquecemo-nos que também nós teremos de gozar férias e ao malandro calhará esse ónus.
  • a nossa herança de sermos "mulheres de soalheiro" - "aquele está sempre de férias, não faz nada todo o ano e nós ficamos aqui a trabalhar, mas deixa que eu digo-lhe, quando chegar que se amanhe".
  • a inveja - "olha agora, aquele vai de férias e eu aqui a trabalhar, não sei de onde é que vem o dinheiro".
  • maldade - "vai de férias e deixou tudo por fazer, deixa que quando o patrão souber. Olha diz ao X que ninguém sabe disso, liguem-lhe, está de férias que atenda".

Existem pessoas que entram em depressão por irem de férias! Honestamente, isso para mim de férias tem pouco. As férias fazem bem, ajudam-nos a desligar do trabalho de outras coisas que é necessário desligar! As férias promovem o convívio familiar, o tempo com amigos e além disso são (ou devem ser) uma fonte de bem estar e aprendizagem! A paragem faz falta e o retorno no bem-estar e na motivação é latente e consequentemente com impactes positivos no trabalho, sobretudo no trabalho em equipa... Em equipa...

 

E quem nunca foi de férias em Setembro e teve de ouvir o típico "outra vez", como se toda a gente fosse de férias em Julho e Agosto e aquele preguiçoso metesse mais uns dias em Setembro! Quem assim pensar, sugiro que procure um novo emprego, ou abra os olhos para o mundo. Tudo isto recorda-me aqueles indivíduos que não conseguem conceber que uma larga camada da população trabalha ao fim de semana e que o empregado de mesa (que lhes atura o mau feitio) ou o senhor do posto de combustível não estão ali por passatempo.

 

Bom trabalho, e se for caso disso, boas férias.

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Granada Ofensiva!

por Robinson Kanes, em 03.07.17

 

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Fonte da Imagem: https://www.defense.gov/Photos/Essay-View/CollectionID/13138/

 

Os lugares mais sombrios do inferno são reservados àqueles que se mantêm neutros em tempos de crise moral.

Dante Alghieri in “A Divina Comédia” (Inferno)

 

Dada a delicadeza do assunto e temendo que o mesmo fosse ofuscado por um outro assunto bem mais importante para os cidadãos portugueses, a flatulência, só hoje decidi falar do roubo de material militar de instalações militares de alta segurança.

 

Instalações militares de alta segurança presumem, hoje em dia, a existência de vários meios de segurança: segurança permanente, rondas, outros tipos de vigia apeada ou por intermédio de torres, sensores de calor, videovigilância, vedações (de preferência electrificadas) e outros meios bem mais complexos.

 

Ora... Posto isto, será que é crime o assalto a este tipo de instalações? Para mim, o verdadeiro crime é permitir que não exista segurança permanente! É também permitir que não exista qualquer tipo de videovigilância, sobretudo em vídeo, e permitir que meia-dúzia de larápios assaltem mais facilmente um paiol nacional do que uma mercearia em Vilar Formoso! 

 

Crime é um país como Portugal ter tantos oficiais superiores! Como diz o povo e bem "quanto mais gente a mandar mais desorganização"! Crime é termos Ministros da Defesa que, ou são formados em Jornalismo ou em Direito e com sorte até em Educação de Infância! A defesa é uma área demasiado sensível para estar entregue só a militares mas também é demasiado sensível para estar entregue a indivíduos cuja única experiência militar que tiveram foi a jogar Risco ou então, que os tempos são outros, a jogar Playstation! Estes factos e o alheamento da estrutura militar da vida dos cidadãos tem levado a uma descredibilização total das entidades militares que são encaradas como uma elite sem utilidade...

 

Crime é estarmos mais preocupados com a reputação do que propriamente com os cidadãos! Com alguma experiência em comunicação percebo o trabalho que tem de ser feito nesta área. Todavia, tenho mais experiência com pessoas e aí o meu outro lado diz-me que encomendar estudos de popularidade ao invés de nos focarmos na procura de factos e de apoio às populações é o mesmo que, depois de uma grave tragédia como a de Pedrogão Grande, rirmos todos nas caras daqueles que morreram e até fazer um concerto solidário como forma de camuflar a triste realidade de um povo que é reactivo (se isso permitir  ter os seus 15 minutos de fama) e pouco pro-activo! Penso que, por vezes, nos esquecemos da herança da República de Platão e não atendemos ao alerta deste quando nos disse que "uma natureza medíocre  jamais fará algo de grande, seja a um particular, seja a uma cidade", efectivamente, os resultados do descurar desse alerta estão à vista! Foi preciso a NATO alertar as nossas estruturas políticas, inclusive o principal responsável pelas Forças Armadas - o Presidente da República - para percebermos a diferença entre um assalto a uma caixa multibanco em Torres Vedras e um assalto a um paiol cujas consequências para a segurança nacional e internacional podem ser nefastas!

 

Enquanto governarmos para votos e para um clientelismo que não pára de crescer, bem podemos continuar a pensar que estamos na cauda da Europa! Cauda da Europa em termo de tacanhez e provincianismo, porque geograficamente estamos no centro do Mundo! 

 

Mas... Crime é não passar uma semana em que não exista um escândalo (e pensar que nem um terço é do conhecimento público)! São Ministros e Secretários de Estado que se vendem por um bilhete de futebol, ou é a gestão danosa de um banco público, ou são as falhas na protecção civil, ou é o assalto, perdão... Passeio... A um paiol de alta segurança, ou é a distribuição de favores e atribuição de cargos públicos a indivíduos sem competência e sem mérito, ou é o silenciamento e criação de autênticas ditaduras em câmaras municipais, ou é corrupção no INEM, ou é... Ou é... Ou é... E quando os resultados não aparecem e é mais importante um casamento de um presidente de um clube de futebol, ou a barriga de alguém que não deve ter muito que fazer ou até um estúpido discurso sobre flatuência que prevalecem... Pois permitam-me dizer que todos concordamos com isso e no fundo não somos diferentes de um qualquer corrupto ou de um qualquer criminoso que lesa a sua pátria!

 

Chegado ao fim deste texto só me recordo de um amigo, ofical subalterno, que um dia ousou perguntar a um oficial superior o porquê da vigiância dos monumentos nacionais estar entregue a empresas privadas de segurança e cujo desagrado foi tal por parte da alta patente que por pouco não foi assentar praça para as Selvagens!

 

 

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