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Imagens: Robinson Kanes

 

 

Todavía cambian más las cosas que tenemos delante de loso ojos que las que viven sin distancia debajo de la frente. El agua que viene por el río es completamente distinta de la que se va. ¿Y quién recuerda un mapa exacto de la arena del desierto.... o del rostro de un amigo  cualquiera?

Federico García Lorca, in "Así que pasen cinco años" 

 

 

Tarde vai um Sábado onde se almoçou sushi para fugir à rotina -  entrar na comida da moda para dar descanso ao estômago - se bem que um branco de Bucelas no Inverno cai sempre bem, sobretudo numa monocasta de Arinto. Arinto... Aquela coisa que até o pior apreciador reconhece logo pelo aroma e pelo paladar. Desta vez foi um "Prova Régia" e que mesmo refrescado ao momento não desapontou.

 

Apesar de bastante trabalho, uma semana com muita actividade... No que concerne à sétima arte, dose tripla do melhor, uma da Geórgia, outra da Coreia e outra de França. Tentar perceber qual das três a melhor é um exercício demasiado complexo. Graças à quarentena cinéfila do meu adorado Nimas/Medeia consegui ver "Chantrapas" de Otar Iosseliani - um quase filme de cinema dentro do cinema e nos mostra uma realidade que, muito provavelmente já vivemos. Juntemos-lhe "Le P'tit Quinquin" de Bruno Dumont. Adorei o "Commandant Van der Weyden" interpretado por alguém que não é propriamente actor mas faz ver a muitos: Bernard Pruvost. Uma interpretação fantástica (e bem real, porque aquele senhor não está só a representar) para um filme que enquanto toca entre alguns dos males da sociedade explora o já conhecido naturalismo de Dumont. Este ainda é passível de ser visto no site da Medeia Filmes. Três horas de filme que valem cada minuto... Cada minuto até o "Commandant" virar as costas perante o olhar de Quinquin.

Dose tripla a terminar, já fora do espaço Medeia, com mais um daqueles filmes coreanos que, à semelhança dos filmes japoneses, conseguem entre a fantasia e a realidade espoletar em nós as mais profundas emoções. "Deok-Gu", mais conhecido por "Stand by Me" é uma obra prima entre a história de um avô e do seu neto e de como existem separações que não são possíveis, simplesmente... Um filme, à partida para preencher um início de noite, mas que acaba por nos deixar a pensar noite dentro. Grande obra de Bang Soo-In e uma interpretação maravilhosa de Lee Soon-jae como avô! 

Um fim-de-semana este, apimentado com Lenny Kravitz , especialmente com "Ride". Este músico é daqueles que não perde aquilo que o tornou famoso e vai conservando um estilo muito próprio sem ceder às tendências de destruição da boa música. É sempre um gosto ouvir o intérprete da brilhante "It Ain't Over Til It's Over".

Fecho com uma das minhas últimas leituras do universo García Lorca, nomeadamente duas peças extraordinárias: "El público" e a espectacular "Así que pasen cinco años". Quem já viu as duas representadas vai perceber a intensidade das mesmas e a presença do espírito de García Lorca em cada fala. García Lorca foi um génio e mais do que uma vítima da guerra civil, é um verdadeiro colosso da poesia e dramaturgia espanhola... E de uma época que, apesar de toda a turbulência, deixou a sua marca na História Mundial, sobretudo a nível político, social e claro, artístico.

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Bom fim-de-semana...

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Lille: A Rainha da Flandres Francesa

por Robinson Kanes, em 30.11.20

vielle bourse lille.jpgImagens: Robinson Kanes

 

O pequeno-almoço em Paris começa cedo... É hora de calibrar e preparar os cerca de 230 km até Lille. É preciso precaver as paragens em Arras e Lens e claro, a mítica chegada, já depois da capital da Flandres francesa, a Roubaix. Para os amantes de ciclismo, de carro ou de bicicleta, todos perceberão a importância de uma viagem Paris-Roubaix.

 

Duzentos quilómetros com mil e uma paragens levam-nos a chegar ao anoitecer, sendo que, encontramos uma Lille bastante animada e o milagre de ficar mesmo no centro e ter um lugar para estacionar. Temos também a sorte de passar pela Rue de Gand, uma das mais animadas da cidade e onde está o "Chez la Vieille". Um restaurante apetecível, inclusive no preço. Sempre repleto de comensais, com empregados e clientes simpáticos e manjares deliciosos, onde só as batatas fritas podem provocar algum dano. Cerveja artesanal em abundância e um início de noite perfeito, até porque, estando na Rue de Gand, as cervejas não se ficam por um só sitio. Lembrei-me deste espaço, afinal também ele um monumento da cidade, não só pela comida mas também pela decoração e animação.

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A noite prolonga-se e o dia seguinte implica uma visita a um dos mais importantes (e um dos primeiros) museus de França, o Palais des Beaux-Arts de Lille.  Belas artes, onde lá voltamos a encontrar Rodin, a grande tendência desta aventura que nos acompanha desde Caen. Uma visita à Casa-Museu Charles de Gaulle e temos a manhã completa, sendo que é possível que um pequeno-almoço seja demorada na medida em que o pão, o queijo e o vinho são qualquer coisa... E ainda bem que não me lembro da queijaria no centro que... Enfim, é melhor nem ir por aí...

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Lille, ao contrário do que esperávamos, é uma cidade enérgica, inclusive culturalmente, pelo que também a visita à Ópera não podia faltar. Temos assim tempo para percorrer o centro, nomeadamente La Grand'Place e a Vielle Lille. Todavia, existe apenas um problema... Cuidado com o cartão de débito. Sacos carregados de queijos, pão, livros e enchidos, uma bagagem de porão bem apimentada... Pequenas lojas, bem arrumadas e simpáticas, os edificios antigos e tão característicos da Flandres fascinam-nos. As cores, pequenas esplanadas, tudo se conjuga na perfeição e onde o dia não pode terminar sem apreciar duas das mais belas e imponentes estruturas das cidade: o Hôtel de Ville (câmara municipal) e o seu "Beffroi" (torre sineira). E como não poderia deixar de ser, o colorido e mais pitoresco edifício da cidade, o Palácio da Bolsa ("Vieille Bourse"). Temos a sorte de poder adquirir alguns livros antigos no mercado de velharias que se realiza no claustro. 

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Gostamos de Lille e vamos sair da cidade com uma boa dose de calorias, sendo que, não contentes com isso, ainda importamos algumas delas para consumo em Portugal. A noite aproxima-se e depois da amizade do dia anterior, voltamos à Rue de Gand, para nos perdermos no "Chez la Vieille". Hoje as cervejas descansam e aproveitamos para um passeio nocturno, está muito calor para as habituais temperaturas da Flandres. O centro fica ainda mais belo, mas o sono já nos começa a atacar depois de tantos quilómetros de estrada. 

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Chegamos ao nosso último dia na cidade... A prioridade será  absorver a transformação de Lille que se está a modernizar fortemente. Uma cidade sustentável que quer ser a grande metrópole fronteiriça (Euralille). Percorremos a novas construções, muitas delas ainda em tosco e acabamos a manhã no Les Halles de Wazammes. No interior não encontramos propriamente um mercado muito barato, e no exterior... No exterior é uma viagem ao Norte de África. É um mercado de imigrantes, e segundo alguns, um espaço apetecível para carteiristas. Sendo que em França e na Argélia "sou" argelino", na Turquia "sou" turco, no norte de África nem sei e no Irão "sou" iraniano, acabei por não sentir grande risco e a alemã também não. Cá fora os produtos são mais baratos e depois de, mesmo em frente ao mercado termos visto um pequeno restaurante gerido por árabes com mais um sem número de argelinos agarrados a uns belos pitéus, não resistimos... Comida óptima, um acolhimento formidável quer pelos proprietários quer pelos clientes e ainda cozinheiras de uma extrema simpatia. Fabuloso... E mais duas horas à conversa!

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Por pouco, não esquecemos do nosso passeio pelo Parc de la Citadelle e os seus fabulosos 110ha entre arvoredo e o Deûle. Um dos passeios mais interessantes na cidade, não só pela oportunidade que temos respirar um pouco de ar puro, visitar o Zoo de Lille e encontrar muita gente que aproveita este espaço ao máximo, seja em terra seja no próprio rio que nos dá algumas vistas fantásticas. Apreciamos mesmo este momento, um verdadeiro embalo de calma e tranquilidade antes do regresso... Pelo caminho de regresso ainda conseguimos para no Jardin d'Arboriculture Frutiere e no Palais Rameu... Fantástico!

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É fascinante... juntar toda esta flora e fauna num parque dentro de uma cidade agitada mas ao mesmo tempo com a sua pacatez do Norte de França. Lille foi uma das grandes surpresas desta longa jornada, até porque já havíamos andado por perto, inclusive a atravessar a fronteira para a Bélgica e nunco nos detemos perante esta pérola de inegável beleza, qualidade de vida e sustentabilidade.

 

Honfleur, uma cidade portuária

Atrás de Marcel Proust em Cabourg

A pacata e firme Caen

Bayeux: uma jóia normanda

Normandia: um dia de homenagem

O Mont-Saint-Michel

Saint-Malo, a cidade pirata

 

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piquillos bacalao.jpgImagens: Robinson Kanes

 

Existem horas do dia, ou melhor, da noite, em que temos de respeitar toda e qualquer recomendação dos nutricionistas. Talvez por isso, lá bem de vez em quando, entre as 23 e as 24 horas, apeteçam assim uns acepipes.

 

Este, por mero acaso, tive oportunidade de partilhar com o Chuck Norris do Gerês, e actualmente desaparecido em combate. Consta que também faz limpezas ao frigorífico de vez em quando.

 

E o que apetece entre as 23 e as 24? Se pensarmos que um "embutido" já está há muito tempo no frigorífico e que passou pelos traumas de uma viagem entre Pamplona, Braga e Lisboa (e se tivermos em conta a origem que é Salamanca), não será má ideia retirar o mesmo desse suplício e dar-lhe um desejável fim. Caiu-lhe o cebolinho em cima depois de cortado, por pouco não foi o bacalhau.

 

Mas... Onde é que entra o bacalhau? Comecemos pelo "Pimiento del Piquillo", oriundo da Comunidade de Navarra, mais precisamente do sul, do município de Lodosa. Tem inclusive Denominação de Origem Controlada. E como também este se encontrava sozinho e abandonado desde que o trouxemos de um mercado em Puente la Reina (pouco mais de 20 km de Pamplona) foi necessário dar-lhe também um fim.

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O Piquillo foi o que me deu para fazer a altas horas... Recheado com bacalhau e com um belo molho de legumes, temos aqui o pitéu perfeito para um fim de noite. O vinho, por acaso, não foi um "Nafarroa" e muito menos um "La Rioja", foi mesmo um simples Filipa de Lencastre Tinto do nosso Douro. A noite de Domingo não permite maiores voos, embora a cama até possa estar perto.

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Devo dizer que não estava mau, apesar da demora... Acredito que numa próxima, a receita será mais simples mas também mais saborosa, tenho cá para mim que o bacalhau não precisa de tanto adereço e acima de tudo o doce sabor do piquillo tem de ser preservado a todo o custo. É o sabor de Navarra, especialmente do sul... Olha Kalú, a comida dança... Já pareço o João Carlos Silva...

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Para a próxima, porque ainda estão cá muitos, talvez venha a ser assado seguindo a receita que o Chef do Iruñazarra me deu e que tive oportunidade de saborear... É pouco bom é, sobretudo se acompanhado por malta forte de Navarra e "Estrella Galicia de Bodega"... E mais não digo.

 

Aquele sabor a pimenta que acompanha o ouro de Salamanca também... Ain... Deve ter sido por isso que nem houve cuidado a preparar as fotos...

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Créditos: https://www.ndr.de/geschichte/chronologie/wende/Tag-der-Deutschen-Einheit-Wiedervereinigung-am-3-Oktober-1990,tagderdeutscheneinheit107.html

 

Quiero irme de este mundo sin saber muchas cosas,  porque hay cosas que el saberlas mancha.

Miguel de Unamuno, in "La Tía Tula"

 

 

O que é que a reunificação da Alemanha tem a ver com lulas à basca? Nada... É importante esclarecer. Deste modo, e como é importante tirar o pé do pedal, o tema de hoje é mais ligeiro.

 

Dia 03 de Outubro de 1990, diz alguma coisa a alguém? É o dia da Reunificação Alemã. O dia da Queda do Muro de Berlim traz más recordações porque choca com outras efemérides, por isso fica a data protocolar e o dia feriado na Alemanha. Espero que os media e os comentadores de trazer por casa troquem esta data pelas idas à casa de banho e pela quantidade de zaragatoas utilizadas em Trump... Sem esquecer o número de vezes que Trump tossiu sem abanar o capachinho. Odeiam o cavalheiro, mas ninguém dispensa um minuto sem gastar uns bites com o senhor, Marcelo começa a ficar gasto, sinal disso é a catadupa de sondagens para promoverem a campanha, e até Salvini em Itália é coisa do passado. Hoje, falemos de liberdade, pelo que, juntemo-nos aos alemães e celebremos este dia tão importante para a Europa e para o Mundo... Fico para ver, até porque eu mal me lembro, já muitos que assistiram devem ter esquecido.

 

As lulas... Por aqui, de vez em quando inventa-se, e agradeço ao basco que me ensinou a receita em Barcelona e ao outro que perto do local onde o Urola encontra o Oceano me disse que isso é a coisa mais fácil do Mundo. Enfim...

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Imagem: Robinson Kanes

 

Coisa simples, lula fresca (descongelada na falta de melhor) et voilá, meus amigos. Molho verde a dar um toque à coisa e eu só lhe coloquei umas couves de bruxelas para trazer umas leguminosas para o prato. Aqui tenho de admitir, lulas frescas compradas no Continente e estavam uma maravilha. A foto está tremida, mas garanto que não foi da Estrella Damm e agora também não estou com vontade para retocar.

 

Finalmente, se este fim de semana também não tiverem que fazer, aproveitem para ler o Vorph no SardinhaSemLata, hoje é o dia do meu convidado e para os que gostam de Ópera, aproveitem as sessões online da Metropolitan Opera, os "Nightly Met Opera Streams", penso que para os próximos dias é "Don Giovanni", de Mozart, que estará a rolar. Anda por aí um comentadeiro da praça a anunciar há anos que a ópera morreu, mas parece-me que o equívoco está para durar... Além de que se esquece das produções contemporâneas, eu pessoalmente até acho que se a rádio e outros meios audiovisuais tivessem mais de 30% de indivíduos com a dicção desse indivíduo estavam condenados a desaparecer. Se ele faz humor, permitam-me também, por favor.

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Créditos: Marty Sohl / Met Opera

E penso que seja isto, embora uma certa vontade em ser pedante me dê para sugerir um livro: "La Tía Tula" de Miguel de Unamuno. Porque me apetece e porque me recorda a aquisição em plena Gran Via, no dia daquela famosa marcha em Madrid e que, segundo muitos, terá sido uma das principais fontes de transmissão do vírus que nos assola. Acompanhem a agonia de Gertrudis e um Unamono inquieto e atrevido.

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Imagem: Robinson Kanes

 

Bom fim-de-semana,

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Um Mero! Um Mero!

por Robinson Kanes, em 18.09.20

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Imagens: Robinson Kanes

 

 

Porquê este título? Podemos dizer que é uma espécie de private joke relativa a um comensal que em tempos afirmava ter capturado um exemplar deste peixe... O resto, só assistindo, porque contado. Embora não tenho dúvidas que em termos de apetite seja cavalheiro para devorar uma baleia!

 

Entrando também em modo "Sabino Rui", sim, já começo a ter saudades do trânsito em tempos de confinamento, mas não foi isso que me trouxe aqui.

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O que me traz aqui hoje é algo de fulcral importância para a nação: um mero grelhado, uma esmagada de batata doce e uns restos de feijão verde. Chegar a casa e não saber o que fazer, dá nisto. Aproveitam-se sempre uns restos, é um facto e acaba por ser a oportunidade para abrir uma botella. Consta por aí que alguém também andou a fazer das suas, pelo que, fica lançado o mote para vir partilhar ou fazer o mesmo lá nas terras dele.

 

Assim foi esta semana e fica aqui uma sugestão de fazer água na boca e que é bastante simples: um mero (e que seja bem fresquinho), uma esmagada de batata doce, se possível regada com um bom balsâmico, o da imagem já tem uns tempos e veio directamente de Modena, bem perto de Bolonha. Por falar em Bolonha e em iguarias, juntem-lhe umas "Ervas de Provence" (ao peixe) e fica uma maravilha, estas vieram de Avignon, mas penso que até se conseguem arranjar por aí.

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A acompanhar, depois de acabado um resto de tinto alentejano, algo que me tem surpreendido bastante, o "Albariño" das Rias Baixas, zona de Cambados e com perfume do Atlântico. Não confundir com o outro, mais perto da nossa zona de Monção e Melgaço. É de um aroma e de um sabor de tal forma frutados que é impossível dizer não. Neste caso em particular, não abrimos os dois, mas estamos a falar de vinhos que oscilam entre os três e os seis euros. Aquilo a que se chama uma bela pomada, adquirida em Vilagarcía de Arousa e com excelente relação qualidade-preço. O "Cruz de Montirago" é um verdadeiro exemplo de um excelente vinho a preço low-cost.

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Finalmente, e porque o fim-de-semana está aí, uma leitura atenta (até porque é francamente rápida) ao livre do Bernard-Henri Lévy, o conhecido filósofo francês que foi um dos primeiros a questionar o "pânico" em torno do vírus. Uma leitura interessante de alguém que não entra em delírio e nem sempre come aquilo que lhe colocam à frente.

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Em jeito de conclusão, façam uma visita aos Açores, especialmente ao Corvo, hoje dei comigo a recordar aquela malta... Podem começar por aqui e também por aqui

 

 

P.S.: Perdoem a apresentação, mas como referi, é uma daquelas refeições preparadas à pressa, e honestamente, não tenho muita preocupação em colocar tudo no sítio para a fotografia... 

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Então não se vê que é um Atum!

por Robinson Kanes, em 21.08.20

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Imagens: Robinson Kanes

 

Recordo-me de um sketch para trazer mais um desastre na cozinha. Desta feita, aproveitei o facto da matéria-prima ter chegado directamente dos Açores durante a madrugada e consequentemente me ter destruído a carteira. Mas tendo em conta que não passaram 24 horas entre a captura, o transporte de avião e a mesa cá de casa, não nos podemos queixar.

 

Um formoso atum, não tão bom como o senhor Genuíno no Faial ou da "Casa do Rei nas Flores", mas o suficiente para nos encher as medidas. Coisa simples, basta acompanhar com o puré da praxe, o saboroso molho (nem ver sal) e está feito. Esta foi para o Pedro e para a Alice. Por falar nisso, amanhã a Alice será a convidada semanal do SardinhasSemLata.

 

As melhores coisas do mundo são assim, simples. Recordo a experiência maravilhosa que foi também um bonito da Cantábria comprado em Santander. 

 

Todavia, estas coisas nunca podem ser degustadas a seco, e não seguindo a tentação de escolher um vinho do Pico, particularmente não aprecio, fiquei-me por um "Vallado" - um tinto do Douro de 2014. Esta foi para o José e para a Maria. Bem... E para o outro José e para o Folhas... Só não é para este porque é mais apreciador de bebidas brancas.

 

O resto é história e demasiado... pessoal para contar. No entanto, tanto a confecção, como a degustação, não dispensaram uma bela música... Ermal Meta foi o artista deste jantar e destaco uma das suas melhores: "A parte te".

O que é que atum tem a ver com música italiana? Nada! Mas por aqui tem tudo... Além disso estou com umas ganas de percorrer o "Parco Nazionale del Cilento" e gravar mais umas boas caminhadas para trocar com o Pedro!

 

Bom fim de semana,

 

P.S.: esta semana não houve o habitual espaço "O que aprendi nos últimos seis meses". Tal deveu-se a um motivo de força maior e inultrapassável: esqueci-me completamente e não convidei ninguém.

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Ainda ontem se andou por Braga... Mas admito que hoje ainda subi mais, até às Astúrias, e tive de ir à procura das lentilhas negras ou belugas. Das Astúrias porque foi lá que comprei a última embalagem desta iguaria, mais precisamente em Cangas de Onís. Com uns camarões e uns chocos, temos o jantar perfeito para uma noite bem animada e proteica. A receita é simples e segue por email para os mais interessados...

lentilhas_negras.jpg

 

E como este autêntico caviar, aliás, bem melhor que caviar (abomino caviar), não pode ser ingerido a seco e a água não abona ao paladar de tal iguaria, vou ceder a um afordable  "Castelo do Sulco Tinto 2016" da Quinta do Gradil.  Bom preço e não fica nada mal... Como os vinhos desta região mudaram e se tornaram tão apreciáveis.

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Para acompanhar todo este cerimonial, nada como ter uma música de fundo que acaba por nos acompanhar ao longo do fim-de-semana, e nos transporta para as Astúrias e até para estes novos tempos, a "Sinfonia nº 9" do compositor  checo  Antonín Dvořák, mais conhecida como "Sinfonia do Novo Mundo". É  uma das mais belas obras do compositor e que foi a minha banda sonora aquando da visita à última morada do mesmo, em Vyšehrad. 

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E como estamos por Praga, nada como encontrar Kafka e começar o fim-de-semana com uma leitura de "Amerika", bem ao estilo que Kafka nos habituou mas com a ligeira diferença, imprevisível ao início, em que finalmente temos uma personagem principal que... de forma simplista, consegue dar a volta.

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E como não falta embalagem e também há sempre tempo para bom cinema, uma sugestão do Cazaquistão, o filme de Sergay Dvortsevoy, "Tulpan". É impossível ficarmos indiferentes e apaixonados pela personagem de Tulpan e o enredo em torno do seu futuro, onde o casamento se revestirá como "obstáculo" principal os desafios do mesmo. 

Bom fim-de-semana,

*Imagens: Robinson Kanes

 

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José Malhoa -  "Retrato de D. Luís Filipe" (Museu José Malhoa)

 

 

A busca de originalidade, que é tão característica da Modernidade, manifesta-se no facto de procurar modelos que são apenas aparentes, que ela destrói, para se afirmar contra eles; os verdadeiros, contudo, dos quais está dependente, ficam assim tanto mais bem escondidos. Este processo pode ser inconsciente; muitas vezes, é consciente e mendaz.

Elias Canetti, in "A Consciência das Palavras"

 

Por Braga, e depois de uma dia onde a Tourigalo bem podia fazer os seus grelhados no alcatrão, admito que me deu para pensar o Mundo. Seria mais fácil antecipar e subir ao Bom Jesus num aquecimento para o dia de amanhã, mas o ar pesado dos fogos de hoje e o calor não o recomendam, nem mesmo à noite... Noite de quinta-feira em que ainda nem sei bem o que vai sair nas linhas de baixo.

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Mas o Mundo hoje é outra coisa, hoje é somente um peixe-galo, ou melhor, uns filetes de peixe-galo com as ovas do proprietário da ementa. Como não poderia deixar de ser, uma paixão do Ribatejo, uma daquelas paixões que não consigo deixar para trás tal é a qualidade que se sente de ano para ano: um "Quinta da Alorna Arinto Chardonnay Reserva". Um branco, é Verão e na cidade dos 3 P está um calor que não se pode, encontro de astros fatal. Adeptos do tinto que me perdoem, mais uma vez, mas nem os franceses resistem aos brancos no nosso Verão. Em relação aos três P, não vou responder a questões, quem é de Braga sabe...

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Lembram-se de lá em cima ter dito que não sabia o  que vinha por aí abaixo? Estou a fazer aquilo que se chama "encher chouriços" e a seguinte tentativa será colocar a foto de um gatinho ou um vídeo com bebés.. Não... Mas posso pensar numa leitura, afinal dá aquele ar de intelectual (o que é um intelectual?) que lê cinco livros por dia. Só me resta colocar a minha foto ou fazer uma entrevista com uma estante repleta livros atrás de mim. Escolho, e por aqui já não é novidade, a minha última aquisição na Lello: "A Consciência das Palavras". Elias Canetti, como sempre nos habituou, aqui pelo ensaio, é mais um daqueles autores que nos faz sempre pensar em como as suas palavras são sempre tão actuais... Em como, apesar de tanta mudança, só o Humano parece teimar em não acompanhar o ritmo frenético do globo - parece que acompanha, mas... Ah! E a Lello não me pagou pela hiperligação e o vinho fui eu que o paguei, mas são malta simpática e por isso...

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Já a caminho do fim, a parca inspiração tende a desaparecer e já nem o "encher chouriços" me vale, sai um tema para este fim-de-semana. Pensei em Bach, agora que olho alguns discos do mesmo e que só me trazem à memória o Natal de Berlim de 2013. Dava aquele ar intelectual à coisa, de facto... Mas não... Klingdale e uma noite inteira a dançar isto...

Siga que a Heineken ainda aquece nas mãos... Vinho branco e cerveja holandesa, e a noite ainda agora começou. Ainda vou ter os adeptos do politicamente correcto a pedirem-me que beba sumo de beterraba e a lançarem um boicote a este artigo. A imagem de Sua Majestade Fidelíssima, o Rei D. Luís, "o Popular" é só para dar um ar pedante à coisa e... até aposto que era indivíduo para me acompanhar numa noite de dança e alta rave nos claustros do Mosteiro de Landim...

 

Dance people! Nem que seja em modo confinamento, mas dancem e bebam até ser dia!

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Busy Twist e dois vinhos para entrar em Junho..

por Robinson Kanes, em 31.05.19

Está aí Junho e está aí o fim de semana... Mesmo que o fim de semana não seja ao Sábado e ao Domingo, temos oportunidade de viajar, nem que seja nas paredes do quarto e recordar os sons, as paixões e aquele calor de África. Talvez por isso, esta entrada quente em Junho me faça trazer aqui os Busy Twist, uma banda nascida em Londres mas que junta os ritmos africanos, londrinos e até latinos como ninguém...  Por isso, coloquem as colunas mais altas e preparem a cadeira ou o colchão para uns bons balanços: "Friday Night". Não só o título é sugestivo, como vamos ficar a cantar e a dançar... E muito! "Let it go... Let it go..."

Honestamente, não sei como é que estes senhores chegaram até mim... Talvez entre um contacto ou outro, uma partilha, uma viagem...  A partir desse momento, pode-se dizer que os meus ombros e as minhas pernas nunca mais foram os mesmos!

Deixo-vos mais uma sugestão para shake that ass, Traveller (aqui com Zongo Abongo)... Vamos lá, toca a largar a televisão e o temor de ir para a praia ficar com a sensação de que se acabou de chegar a Teerão!

E porque festa não regada não é festa, duas sugestões diferentes para gostos diferentes: o Head Rock, um vinho branco com 75% de Alvarinho e 25% de Gouveio o que o torna num vinho branco com um toque bem forte de verde. Fresco é uma maravilha e traz boas memórias cá a casa, sobretudo porque vem de Nozedo, pequena localidade em Vila Pouca de Aguiar - Trás-os-Montes! O resto dos sabores e dos taninos deixo para se entreterem noutros espaços... Aqui importa é beber e gostar.

Finalmente, "Fazer as Onze - Premium 2015" - um tinto interessante, aprovado por alentejanos com um mix de castas interessante, nomeadamente; Trincadeira, Aragonês, Syrah e Alicante Bouschet. Nada mau, para quem gosta de um sabor mais quente e mais forte. O nome deve-o à tradição de em Borba os homens se deslocarem à taberna mais próxima para beber um copo pelas onze da manhã e "matar o bicho".

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Bem regados e bem dançados... Bom fim de semana...

Ah! Circulem pela direita, sobretudo na Ponte Vasco da Gama! São três faixas não duas...

 

Imagens: Robinson Kanes

 

 

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De Novo no Tasco - Com Aneto de Piemonte!

por Robinson Kanes, em 21.05.18

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Fonte: Própria

 

O Domingo pedia uma coisa leve, talvez porque a noite de Sábado teve os seus exageros gastronómicos e matou semanas de trabalho árduo com o treinador pessoal... Mas enfim...

 

A verdade é que voltei ao tasco e dei comigo, inspirado por uma revista que anda por aí, a fazer uma sandes daquelas. E não foi complicado, adoro pão de malte, devoro salmão fumado e em casa tinha tudo para fazer um guacamole e, a cereja no topo do bolo, aneto da região de Piemonte - fresco e acabado de chegar do mercado de Turim! Em Turim, se há coisa que não falta são produtos frescos que nos afastam saudavelmente de qualquer hipermercado!

 

Mas o resultado? Sim... Um pão de malte com salmão fumado, couve roxa, guacamole caseiro e claro, o aneto fresco de Piemonte. A quantidade de molhos que vieram estão a ambientar a cozinha com um cheiro que já se começa a tornar incómodo, tal é a frescura dos mesmos!

 

E pronto, é isto... Uma simples sandes que dá para fazer um artigo...

 

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