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At Montparnasse with Rodin, Sartre and Donizetti...

por Robinson Kanes, em 09.11.20

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Photos: Robinson Kanes

 

 

A gesture, an event in the small colourful world of men is never preposterous except in relation to the facts that go with it. The words of a madman, for example, are absurd in relation to the situation in which he finds himself, but not in relation to his delirium.

Jean Paul Sartre, in "Nausea"

 

It's not Paris-Marseille, but it could be. We leave behind Normandy and Brittany and many days of asphalt, land and sea. After the Portuguese coffee by the road, we arrive in Paris. Getting to Paris is always that glamorous feeling, whether by plane, train or road, even if the hours in line can be endless, which was not the case this time. Paris is part of our lives, the fascination of our parents for the city, for France and also for the many business or leisure trips that have already brought us here. Talking about Paris is to reproduce everything that has already been said.

 

This time, we stayed right in the centre, a small stop of three days before heading to Lille and French Flanders. A tour full of new stops, so we need to be chilled out. But.. in Paris? Come on... A couple of dinners at Marais and a few gatherings at the 7th arrondissement near the Musée Rodin. Who takes a rest? Perhaps, and as everything in Paris will be said, this could be the motto to approach one of the favorite sculptors for any art enthusiast.

rodin.jpgTo pass anywhere and to vibrate when one identifies a work of this sculptor is already something, and get into a property where the gardens and the building are flooded with Rodin's works, is to enter the paradise. A nice garden and a small "palais" keep some of the greatest treasures of Humanity and allow us to be seduced by Rodin. How is it possible? How can anyone...

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The museum is not that big, but the tour can last an eternity, and it has not yet reached the 7 hours we stayed in the Prado and the 6 in the Louvre. It's sunny, we took the opportunity to go down to the garden and get some fresh air... To think that museology in Paris is the Louvre is one of the biggest mistakes you can make when you have in the same city the Musée Rodin, the Musée Picasso, the beautiful and thrilling Musée d'Orsay, the ravishing Musée Delacroix and so many others that you could list and that include many small galleries that ravish us with all their artistic magnificence.

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And in the midst of all this pseudo-intellectualism, what I feel most like is a taste of the Pont l'Évêque which we still have with us and which in the hotel they were kind enough to preserve ( I know, but in France asking for cheese is the same as in New York asking for a diamond) and also adding a Breton cider. Let the "The Thinker" to join us - to come down from the pedestal and join us while between a "mais non" and a "si, mais" we can question nowadays world? Today we would have many questions for that bronze gentleman.

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Before leaving, we took advantage of the views of the Hôtel des Invalides... Paris, like Rome, would force a human being to have a 360º view to enjoy all that the landscape offers him. It is a fascinating place, where we can feel the energy and strength that comes from there and even more when we cross the entrance. 

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It's lunchtime, we want to discuss everything we've seen, we want to debate what we've just witnessed, besides the passion for Rodin. We walk around and Montparnasse feels like it. That's where we stay... A Moroccan restaurant, "Chez Berberett", with friendly waiters and nice guests in the terrace comes to us as a good option... It does not disappoint us, and in Montparnasse, it is easy to eat poorly and pay a lot, despite some restaurants that are a reference.

 

Time goes by, and Rodin is left behind... The waiter, an extremely kind Moroccan who seems more like a Norwegian, initially questioning whether I was Algerian, realizes that I am Portuguese and we start talking about History. He remembers D. Sebastião and D. João I. So much history to realize that we share so much, including the genes... Rodin is left behind, overtaken by anthropology, history and biology.

 

Well settled by the delicacies of North Africa, we decided to go to pay tribute to some illustrious people who rest nearby, before meeting Donizetti and his work "Don Pasquale" at the "Palais Garnier".

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Before we left, we meet with Sartre and Beauvoir... We talk about Camus, we talk about existentialism although forgotten today is still so actual, a real lesson of Humanity. The cemeteries comfort us, we feel safe... It is as if the dead protected us from the living and where we can also spit on the graves of those who should not even have trod the earth, perhaps because wisdom only reached them when it was of no use, as Garcia Márquez would say.

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We walked through the streets... We walked along the Seine and the time came for "Don Pasquale"... The time has come to let ourselves be carried away by the love of Ernesto and Norina...

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The Mont-Saint-Michel

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Em Montparnasse com Rodin, Sartre e Donizetti...

por Robinson Kanes, em 06.11.20

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Imagens: Robinson Kanes

 

 

Um gesto, um acontecimento no pequeno mundo colorido dos homens nunca é absurdo senão relativamente em relação às circunstância que o acompanham. As palavras de um doido, por exemplo, são absurdas em relação à situação em que ele se encontra, mas não em relação ao seu delírio.

Jean Paul Sartre, in "A Náusea"

 

 

Não é Paris - Marseille, mas poderia ser. Para trás fica a Normandia e a Bretanha e muitos dias de asfalto, terra e até mar. Depois do delta à beira da estrada, chegamos a Paris. Chegar a Paris é sempre aquela sensação glamourosa, seja de avião, comboio ou por estrada, mesmo que as horas na fila possam ser intermináveis, o que, desta vez, não foi o caso. Paris faz parte das nossas vidas, o fascínio dos nossos pais pela cidade, pela França e também pelas muitas viagens em trabalho ou lazer que já nos trouxeram aqui. Falar de Paris é repetir tudo aquilo que já foi dito.

 

Desta vez, ficamos mesmo no centro da cidade, uma pequena paragem de três dias antes de apontarmos a Lille e à Flandres francesa. O périplo promete, com mais paragens e por isso é preciso estar fresco. Mas ficar fresco... em Paris? Só se for o tempo e nestes dias com temperaturas acima dos 30º e em alguns casos alternadas com grandes chuvadas, não foi propriamente para se descansar. Os jantares no Marais e os convivios no 7.º arrondissement perto do Musée Rodin ocuparam as noites e os dias... Quem é que descansa? Talvez, e como de Paris estará tudo dito, possa ser este o mote para abordar um dos escultores predilectos de qualquer amante de arte e respectivamente o seu museu que não me canso de visitar.

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Passar em qualquer lado e vibrar quando se identifica uma obra deste escultor já é qualquer coisa, entrar numa propriedade onde os jardins e o interior do seu edifício está repleto de obras de Rodin, é entrar no céu. Um simpático jardim e um pequeno "palais" guardam alguns dos maiores tesouros da Humanidade e permitem que nos embriaguemos com Rodin. Como é possível? Como é que alguém...

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O museu não é grande, mas a visita dura uma eternidade, sendo que ainda não atingiu as 7 horas que ficámos no Prado e as 6 no Louvre. Está sol, aproveitamos para descer ao jardim e apanhar um pouco de ar... Pensar que museologia em Paris é o Louvre, é um dos maiores erros que se podem cometer quando temos na mesma cidade o Musée Rodin, o Musée Picasso, o belíssimo e riquissímo Musée d´Orsay, o arrebatador Musée Delacroix e tantos outros que poderia enumerar e que incluem muitas pequenas galerias que nos arrebatam com toda a sua grandeza artística.

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E no meio de toda esta pseudo-intelectualidade, aquilo que mais me apetece é abrir o Pont l'Évêque que ainda temos connosco e que no hotel tiveram a amabilidade de preservar (parolo, eu sei, mas em França solicitar a guarda de um queijo é o mesmo que em Nova Iorque solicitar a guarda de um diamante) e ainda juntar-lhe uma sidra bretã. Chamemos para se juntar a nós "O Pensador" - para descer do pedestal e juntar-se a nós enquanto entre um "mais non" e um "si, mais" pensamos o Mundo... Hoje muitas perguntas teriamos para aquele cavalheiro de bronze.

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Antes de sair, aproveitamos as vistas para o Hôtel des Invalides... Paris, como Roma, obrigaria um ser-humano a ter uma vista 360º para aproveitar tudo aquilo que a paisagem lhe oferece. É um espaço fascinante, nunca nos apaixonou como outros, mas sentimos o peso e a força que de lá emana e mais ainda se sente quando cruzamos a entrada. 

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É hora de almoço, queremos debater tudo aquilo que vimos, temos vontade de discutir aquilo que acabámos de presenciar, além de que a paixão por Rodin, na Alemã, é qualquer coisa... Caminhamos e Montparnasse apetece-nos. É por aí que ficamos, um restaurante marroquino, "Chez Berberett", com empregados gentis e gente simpática na esplanada surge-nos como uma boa opção... Não desilude, e em Montparnasse é fácil comer mal e pagar muito, apesar de alguns restaurantes que são uma referência.

 

O tempo passa, e Rodin fica para trás... O empregado, um marroquino extremamente gentil e que mais parece um norueguês, inicialmente questionando se eu era argelino, percebe que sou português e começamos a falar de História. Lembra-se de D. Sebastião e de D. João I. Tanta história para perceber que partilhamos tanta coisa, inclusive os genes... Rodin fica para trás, ultrapassado pela antropologia, pela história e pela biologia.

 

Com o estômago bem acomodado pelas iguarias do Norte de África, decidimos ir prestar homenagem a alguns ilustres que repousam ali bem perto, antes de nos encontrarmos com Donizetti e a sua obra "Don Pasquale"no "Palais Garnier" - o tempo não está contado, mas com Rodin e o empregado de mesa, e um jantar entre amigos depois do espectáculo, o dia não poderia ter ficado mais bem preenchido.

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Antes de sairmos, conversamos com o Sartre e Beauvoir... Falamos de Camus, falamos de uma época de pensamento que apesar de esquecida ainda hoje é tão actual, uma verdadeira lição de Humanidade e do que é ser Homem. Os cemitérios tranquilizam-nos, é como se nos sentissemos mais seguros... É como se os mortos nos protegessem dos vivos e onde também podemos cuspir na campa daqueles que nem a terra deveriam ter pisado., talvez porque a sabedoria só lhes tivesse chegado quando já para nada servia, como diría Garcia Márquez.

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Percorremos as ruas desta cidade... Caminhamos junto ao Sena e chega a hora de "Don Pasquale"... Chega a hora de nos deixarmos levar pela força do amor de Ernesto e Norina...

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O Mont-Saint-Michel

Saint-Malo, a cidade pirata

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Saint-Malo, a cidade pirata...

por Robinson Kanes, em 29.10.20

saint_malo_france.jpgImagens: Robinson Kanes

 

Estamos já na Bretanha... Apressámos a saída do Mont-Saint-Michel porque esta paragem tinha de ser efectivamente bem degustada. As bicicletas também já pedem para sair do carro e percorrer um pouco da Bretanha, assim se fizeram os 51km até Pléneuf-Val-André. Todavia, no périplo em duas rodas, a "descoberta" mais interessante foi sem dúvida o "Cimetière de bateaux de Quelmer" onde repousa mais de uma dezena de barcos abandonados e que dão uma imagem pitoresca da zona, sem esquecer que representam muita da história dos pescadores de Saint-Malo. Temos tempo para ficar, além de que Paris, será o próximo destino - e depois de umas cinco idas em lazer a Paris, cada uma se torna mais especial à medida em que vamos conhecendo mais a cidade. E pensar que a capital de França não me fascinou na primeira visita.

 

Saint-Malo é aquela cidade carregada de histórias e de lendas, não poderia ficar para trás. Para lá da pirataria, estava na nossa memória a difícil tomada (e destruição) aquando do desembarque na Normandia. A fuga dos alemães para a Bretanha e a excelente localização e fortificação da cidade acabaram por tornar Saint-Malo um campo de batalha e com enormes baixas para ambos os lados.

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A chegada a Saint-Malo começa com um crepe. Um lado mais turístico, embora mereça bem a pena antes de um jantar de peixe e frutos do mar, tão valorizados nas costas bretã e normanda. Por falar em lado mais turístico, também não resistimos aos Gwelladous na Maison Guella que já leva 100 anos de existência. O crepe dá-nos alguma energia para percorrermos os quase 2 km de muralhas e apreciar não só a cidade intramuros mas também o mar e as suas praias. Amante de cidades portuárias e portos, não descanso enquanto não volto a abandonar a cidade e a percorrer uma área mais industrial da mesma.

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Mas é impossível ficar fora das muralhas por muito mais tempo, é preciso não deixar fugir a alma de Chateaubriand que vive ainda encarcerada na Grand Bé. A Grand Bé e Petit Bé são as duas ilhas que confrontam a cidade e que nos colocam a imaginar os tempos em que piratas atacavam e defendiam a cidade ou, regressando aos tempos modernos, visualizar os soldados alemães no desespero a disparar peças de artilharia contra os libertadores da França. Imaginamos a azáfama e o medo pelas ruas românico-góticas e como se terá perdido um património de incalculável valor aquando dessas batalhas. 

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Falamos em batalhas, por isso Fort National (1689) não poderia ficar para trás, é um daqueles pedaços de história e com uma localização única e panorâmica de Saint-Malo e de toda a zona envolvente. É a imagem da cidade corsária, é onde poderá estar bem guardada toda a sua essência, toda a sua história.

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Sentamo-nos... As ruas estreitas e as imponente muralhas amplificam as vozes, a cidade tem vida e convida a viver... O sol está a despedir-se e provavelmente um dos melhores locais para apreciar um dos mais belos espectáculos do mundo, sempre grátis e que se repete todos os dias, é a Plage du Sillon, por muitos considerada a mais bela de França. Todavia, e porque a cidade a isso se presta, não deixamos de percorrer as areias e sentir a fria água na Plage de l´Éventail (com uma vista deslumbrante para o Fort National), na Plage du Môle (com uma vista espectacular para Dinard) e como não poderia deixar de ser, a Plage de Bon Secours com vistas para Dinard e para as ilhas Bé. Dinard, na outra margem do Rio Rance, foi uma das outras posições defendidas pelos alemães quase até ao último homem.

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E como em cidade de piratas, há que ser um Jack Sparrow, nada como devorar as boas iguarias de Saint-Malo e ficar duas horas à convesa com alguém que não conhecemos de lado nenhum mas que parece ter vivido a invasão alemã e depois a libertação, tal é a precisão com que nos relata os factos e fala orgulhosamente deste bastião onde também se destaca Catedral, o "Chatêau" e claro, a Maison des Poètes et des Écrivains - esta última por mero apontamento e curiosidade.

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Vamos descansar, segue-se uma pequena viagem de 400 km com muitas paragens até Paris: em Rennes para estar com amigos, em Laval, Le Mans e Chartres (porque sim) e inclusive num pequeno café à beira da estrada que serve café Delta entre Dreux e Versalles

 

Honfleur, uma cidade portuária

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Normandia: um dia de homenagem

O Mont-Saint-Michel

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The Mont-Saint-Michel

por Robinson Kanes, em 23.10.20

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Pictures: Robinson Kanes 

 

At the mouth of the Couesnon lies one of the classics of any journey through Normandy and Brittany: the Mont-Saint-Michel. After Ponts and a long adventure laden with emotions, you need to chill out a bit.

 

The Mont-Saint-Michel is really impressive, the long distance already shows itself in all its splendour, I even believe that it is there that it shows all its beauty and magnificence always wrapped in a tenuous magic mist. We stopped the car dozens of times until we reached our destination.

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The bay, is something amazing and is only 8000 years old (until then everything had been covered with ice). It's fantastic... Unfortunately the time doesn't allow us to leave the car behind and go on our bikes, we have tasks in Saint-Malo and we want to make the most of it to explore the "présalés" - covered by high tides but which are a fantastic landscape and even agricultural landmark. We want to take the chance to cross a part of the estuary and we know how dangerous that can be. Every year it is necessary to rescue a large number of people who do not watch out for the rising tides and only by helicopter can they be removed. Unfortunately, we are not at the equinox to enjoy the great descent of the tides.

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It's fantastic, it's amazing to hear and see all those birds, because if the seagulls dominate the island. If we roam the fields, we will find a countless number of species that will leave us fascinated.

 

We walk through the quicksand (and a lot of caution in these lands) and we forget that it is possible to enter the "fortress" and go through the narrow alleys and visit the Abbey. But it becomes difficult... Even on the island our eyes look for everything that happens around it and it becomes a kind of central control room to observing nature. It's marvelous...

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We notice something we had witnessed in childhood... The cars are far away which allows us to preserve the place.However, the interior is full of visitors which sometimes makes the experience boring, but we have to accept, in fact it is a stratospheric place.

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We walk along the walls and we can't stand the weight of the architecture, so we are forced to go out, put our feet back on the sands and enjoy... We try to stop time, we wait for the "tramonto" and we don't want to leave. The light of the island becomes unique and everything that surrounds it seems to begin to gain a new dimension. That's where we stay, plunged in sand and water taking part in one of the most beautiful Nature performances and of Earth life itself.

Honfleur, a fishing town

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The peaceful and firm Caen

Bayeux, a Norman Jewel

Normandy: a tribute day

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Normandy: a tribute day...

por Robinson Kanes, em 21.10.20

american_cemetery_normandy.jpgPictures: Robinson Kanes & GC

 

 

The death is someone's death and to have been someone's death is not taken by the dying person but by the survivor

Aristotle, in "De Anima

 

 

We left Bayeux and went back to near the memorable "Juno Beach", more precisely to Courseulles-sur-Mer. This is where the car rests and the bikes come off the roof. We go into "Tour de Normandie" mode and try to meet some of the places that for years remain in our memory due to the "D Day". From here on and before we aim at Mont Saint-Michel it will be on foot and on two wheels.

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We began with a journey of about seven km to the Canadian Cemetery of Bény-sur-Mer, which is the repose of the first Canadian dead on landing - that of Bretteville-sur-Laize remained for those who died in later moments. Even at the roadside and one can already feel the weight of history, the weight of death. The first impression? So many dead and this is only the first... So many boys on the ground who died in the name of the liberation of Europe, in the name of a world that would never be the same... We feel cowardly for not having kept that desirable world that stupidly cost them their lives - and this is not even one of the biggest stone gardens. You breathe deeply, you hear the wind between the trees, you review the story, and you read the messages you find on each stone.

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We realize that more than an hour has passed and there is still so much to feel, something without an obvious explanation... It's time to leave, return to "Juno Beach" and pay our respects to the memorial and also to the first house to be conquered on that fateful and deadly day.

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I become redundant, but in fact, I always end up thinking, what for? Should we not, as we do with road traffic accidents, where many judges sentence the guilty to visit hospitals, particularly the victims of collisions, do this with those who seem to forget the past?

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The beaches... you have to close your eyes, remember the history of the invasion and return to those times, otherwise, it will be more difficult, even if you feel the air coming from the Channel. We must continue, our destination on two wheels will be the German cemetery at "La Cambe" and before that, we must return to the War Cemetery at Bayeux.

juno_beach_normandy.jpgOn the way, a highlight and mandatory stop at the American Cemetery in "Omaha Beach", Colleville-sur-Mer. Until then, there are plenty of museums and memorials, the beaches and even at the entrance to some villages, do not forget those who have fallen for France and Europe. But we must stop in Colleville, the Americans know how to grace their soldiers and this cemetery is a real monument, a great tribute to the dead in battle who crossed the Atlantic and then the English Channel and fell on French soil.

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The number of dead is overwhelming, the place is massive and the contrast between beauty and care of the place with those lying there is something remarkable. Someone tried to build a paradise so that those soldiers could rest there, right on the hills that lead to the beach where many have fallen. The stillness of this place, the way everything is taken care of (better than in many palaces), the silence... We look again at the sea that brought all these bodies to land, an Atlantic crossed, to then cross the waters of the spot and die in the name of us all. A sad life, not being able to face these young people and even the older ones, the tears... The thought of walking among the crosses of Christ and David is not enough, it leaves us powerless and unarmed. We think of today and even of tomorrow, we think of all the cemeteries like this one, which did not exist... We ask, what for?

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We have to continue... It's time to move on, but after that day, we are no longer the same... After that day, already adults and without the magic that being a child causes us naivety, we will never look at that shore again after this return

 

Honfleur, a fishing town

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Bayeux, a Norman Jewel

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Bayeux, a Norman jewel...

por Robinson Kanes, em 25.09.20
 

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Photos: Robinson Kanes

 

 

One of the most beautiful cathedrals in France is located in the department of Calvados, in the Normandy region, more precisely in Bayeux!

 

However, before entering the cathedral, Bayeux has the curiosity of having been the first city to be liberated in the Battle of Normandy! It is also for this reason that it houses the cemetery of all the journalists who have been killed following scenes of conflict since 1944! It is also in the vicinity of the centre of Bayeux that the largest British cemetery of the Second World War is found. But leaving the less good experiences, Bayeux is known for its 11th-century tapestry and where the conquest of England by the Normans led by William II is "reported". It deserves to be visited even because it is catalogued by UNESCO, especially for its carpets.

bayeux_cathedral_france (1).jpgBut what can take someone like me to Bayeux is the opportunity to get to know another Norman town and appreciate the calm and friendliness of its residents, in a near trip to the past. If we expect to spend a morning or an afternoon, we quickly realize that we have to stay longer.

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Returning to the cathedral, we quickly realized the Gothic style that is due to its reconstruction during the 11th century. I would like to emphasize the central nave that guides us through the immense stained-glass windows that spread throughout the entire structure. For lovers of this art, no doubt you will see here your thirst for knowledge quenched.

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Nor can we forget where we are, so in every corner, we are reminded of a not too distant past and where all those who fell in the name of freedom in Europe are remembered.

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If you like Normandy, surely you can't miss Bayeux, because any of the roads there is a real tour full of landscapes that are the real postcard of Normandy.

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Honfleur, a fishing town

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The peaceful and firm Caen

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Uma jóia normanda: Bayeux

por Robinson Kanes, em 25.09.20
 
 

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Imagens: Robinson Kanes

 

 

Uma das mais belas catedrais de França está situada no departamente de Calvados, na região da Normandia, mais precisamente em Bayeux!

 

No entanto, antes de entrarmos na catedral, Bayeux tem a curiosidade de ter sido a primeira cidade a ser libertada na Batalha da Normandia! É também por isso, que acolhe o cemitério de todos os jornalistas abatidos a acompanhar cenários de conflito desde 1944! Também é nas imediações do centro de Bayeux que se encontra o maior cemitério britânico da Segunda Guerra Mundial. Mas deixando as experiências menos boas, Bayeux é conhecida pela sua tapeçaria do século XI e onde se encontra "relatada" a conquista de Inglaterra por parte dos normandos liderados por Guilherme II. Merece ser visitada até porque está catalogada pela UNESCO, sobretudo pelos seus tapetes.

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Mas o que pode levar alguém como eu a Bayeux é a oportunidade de poder conhecer mais uma localidade normanda e apreciar a calma e simpatia dos seus residentes, num quase viajar ao passado. Se esperamos passar uma manhã ou uma tarde, rapidamente percebemos que temos de ficar mais tempo.

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Regressando à catedral, rapidamente percebemos o estilo gótico que se deve à reconstrução da mesma durante o século XI. Destaco a nave central que nos guia pelos imensos vitrais que se espalham ao longo de toda a estrutura. Para apreciadores desta arte, sem dúvida que verão aqui a sua sede de conhecimento saciada. 

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Também não podemos esquecer onde estamos, pelo que, em cada canto somos recordados de um passado não muito longínquo e onde se recordam todos aqueles que tombaram em nome da liberdade na Europa.

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Se gostarmos da Normandia, por certo que não podemos deixar de conhecer Bayeux, até porque qualquer das estradas até lá é um verdadeiro passeio carregado de paisagens que são o verdadeiro postal da Normandia. 

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Honfleur, uma cidade portuária

Atrás de Marcel Proust em Cabourg

A pacata e firme Caen

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The peaceful and firm Caen...

por Robinson Kanes, em 24.09.20
 
 

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Photos: Robinson Kanes 

 

 

Caen is one of those cities that, at least for me, always deserved a visit. Not for the whole city, not for being extremely beautiful, not for being close to the PSA factory... For those who appreciate history, Caen is mandatory to visit, especially when we talk about the history of the Middle Ages, the German occupation, and the landing in Normandy - it is the ideal place to rest after a visit to the Normandy beaches.

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Located in Basse-Normandie, more precisely in the Department of Calvados, Caen is a peaceful city and has in William "the Conqueror" one of its great names, moreover, it is buried in what is the most imposing monument of the city, the "Abbaye-aux-Hommes", a Benedictine abbey of extraordinary beauty and a true example of Romanesque construction. It is here that we find the "Mairie" (Town Hall) and the "Église de Saint Etienne". It is worth walking through the streets to get there, especially if you come by the "Rue de Fossés Saint Julien".

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However, when we visited the Abbey, we entered the "Jean Marie Louvel Esplanade". It is nothing more than a very large garden that places us in front of what is the monument that most fascinates me in Caen, the "Église de Saint-Étienne-le-Vieux". I must confess my passion for ruins but also for the fact that this church is still standing after being practically destroyed during the "Hundred Years War" at the time of the siege of Caen. I admire the building for having remained in ruins for centuries - despite some attempts to rebuild it - and for having been almost reduced to rubble by a German projectile during World War II. Standing is a real achievement. Perhaps that's why it deserves such interest, and it's quite interesting from an architectural point of view.

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To travel through Caen is indeed to know a Norman city, but it is undeniable the historical burden in terms of wars and conflicts that the city carries. It is impossible not to stop feeling the strength of the city that several times was reduced to ashes. A fortified city, as it couldn't be otherwise, it is interesting to see its peacefulness, sometimes too peaceful for the Mediterranean, even when you climb its walls and try to glimpse all the details of the city.

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But it is within the walls that the soul is animated because when you least expect it, especially if a medieval Norman fair is taking place, you find a work of art which, even in the distance, lets out a "that is a Rodin"! It is also between walls that we find another of the great works of the master, one of the best sculptors of all time!

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In fact, we end up liking this city, the ideal refuge in Normandy, especially if we choose a hotel that is right inside a hospital. It's not a top hotel and we don't see or hear ambulances all the time - neither are the helicopters landing right on top audible - and from what I've seen it's several times that you land and take off.

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We left Caen, not before finding another ruin, the "Église Saint-Julien", a church whose first reference dates back to 1150 and which also suffered from the "Hundred Years' War" and was left in the rubble at the time of the famous bombing of 7 July 1944.

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It is an interesting and calm place, even if it is close to a busy street and right in the centre of Caen. The visit to this landmark and to the "Mémorial de Caen" promises to mark who visits the city.

 

Honfleur, a fishing town

Looking for Marcel Proust in Cabourg

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Honfleur, a fishing town...

por Robinson Kanes, em 24.09.20
 
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Imagens: Robinson Kanes & GC

 

My passion for these towns is more than obvious... Throughout my childhood and adolescence (and why not... adult age) the sea was always there. Having a part of the family connected to the sea it is natural that genes are playing their role here.

 

Honfleur, although not a colossus, is that city where the Seine meets the English Channel and, according to some (i.e. me), where that river loses all that romanticism, which some (i.e. me) do not recognize it. I like, in spite of everything, Honfleur... A quiet town in Calvados, just in the middle of Normandy. A quiet town, with a small bay where we find some leisure boats that contrast with those that work and seek the sea riches of the English Channel. I still prefer it the other way around, but tourism, the cities, and the functionalism of the city itself force this change.

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I love downtown... Being in Honfleur and not enjoying the bars and restaurants by the sailboats is not going to Honfleur - this area is called "Vieux Bassin". However, and knowing Normandy relatively well (for a visitor), I had never been to Honfleur. I like the cafés inside the city, especially the quiet streets, in a different way from being in a port city that ends up being invaded by tourists or was not one of the first tourist attractions for those crossing the English Channel or even entering from the north of France.

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A trading city in the midst of history and one of the most disputed during the Hundred Years War (once again the proximity to England), I am also pleased to be the city where Erik Satie was born - who knows, some of his "Gymnopédies", will not have had any inspiration around here... I don't think so, but that note reinforces a need to visit this city. With a history linked to Impressionism, it is also a city where the plastic arts have their place, I highlight only the "Eugène Boudin Museum" which houses paintings by the artist and also from Monet.

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One of the great attractions, however, is the "Church of Saint Catherine"! Totally made of wood, much because of the naval tradition, it is really a charm for those who like architecture! A wooden church, with the intense smell of old wood and all that particular austerity, is a surprise of those that mark!

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Tired of the smell of wood and of such great wealth, nothing like stopping at the coffee shop near the restaurant "Entre Terre & Mer". Being the same owners, I have to thank the two collaborators who, serving only two expressos, treated us as if we had lobster dinner or other delicacies from that sea so close by - without advertising because I paid the respective two euros for each one.


Finally, and talking about this aspect in a country with such beautiful bridges as Portugal is not exactly fascinating, however, nothing like enjoying the (expensive) views from the "Ponte de Normandie" to the Estuary of the Seine or even from the same river still confined in a shorter space by the "Ponte de Tancarville" - coming from Le Havre, there is no escape.

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Looking for Marcel Proust in Cabourg

The peaceful and firm Caen

Bayeux, a Norman Jewel

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A pacata e firme Caen...

por Robinson Kanes, em 24.09.20

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Créditos: Robinson Kanes 

 

 

Caen é daquelas cidades que, para mim, sempre mereceram uma visita obrigatória. Não pelo conjunto da cidade, não por se extremamente bela, não pela proximidade com a fábrica da PSA... Para quem aprecia História, Caen é uma visita obrigatória, sobretudo quando falamos da história da Idade Média, da ocupação alemã e do desembarque na Normandia - é o local ideal para repousar após uma visita pelas praias desse mesmo desembarque.

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Situada na Baixa Normandia, mais precisamente no Departamento de Calvados, Caen é uma cidade pacata e que tem em Guilherme "o Conquistador" um dos seus grandes nomes, aliás, encontra-se sepultado naquele que é o monumento mais imponente da cidade, a "Abbaye-aux-Hommes", uma abadia beneditina de extraordinária beleza e um verdadeiro exemplo de construção românica. É aí que encontramos a "Mairie" (Câmara Municipal) e a "Église de Saint Etienne".  Merece a pena percorrer as ruas até aí chegar, sobretudo se viermos pela "Rue de Fossés Saint Julien"

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Todavia, visitada a Abadia, entramos na "Esplanade Jean Marie Louvel". Não é mais que um jardim bem amplo que nos coloca diante daquele que é o monumento que mais me apaixona em Caen, a "Église de Saint-Étienne-le-Vieux". Admito a paixão por ruinas mas também pelo facto desta igreja continuar de pé depois de ter sido praticamente destruída durante a "Guerra dos Cem Anos" aquando do cerco de Caen. Admiro a construção por ter continuado em ruinas durante séculos - apesar de algumas tentativas para que fosse reconstruída - e ainda por ter sido quase reduzida a escombros por um projéctil alemão durante a II Guerra Mundial. Estar de pé é uma verdadeira conquista... Talvez por isso mereça tamanho interesse, além de que é bastante interessante do ponto de vista arquitectónico.

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Percorrer Caen é efectivamente conhecer uma cidade normanda, mas é inegável a carga histórica em termos de guerras e conflitos que a cidade carrega. É impossível não parar de sentir a força da cidade que por várias vezes se viu reduzida a cinzas. Cidade fortificada, como não poderia deixar de ser, é interessante a pacatez da mesma, por vezes, demasiado pacata para um mediterrânico, mesmo quando se sobe às suas muralhas e se tenta vislumbrar todos os detalhes da cidade.

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Porém, é dentro das muralhas que a alma se anima, pois quando menos se espera, sobretudo se estiver a ter lugar uma feira medieval normanda, encontramos uma obra de arte que, mesmo ainda ao longe, faz soltar um "aquilo é um Rodin"! É também entre muralhas que encontramos mais uma das grandes obras do mestre, um dos melhores escultores de todos os tempos!

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Na verdade, acabamos por gostar desta cidade, o refúgio ideal na Normandia, sobretudo se escolhermos um hotel que fica mesmo dentro de um hospital. Não é um hotel de topo e também não vemos nem ouvimos ambulâncias a toda a hora - nem os helicópteros que aterram mesmo no topo são audíveis - e pelo que vi são várias as vezes em que se aterra e descola.

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Deixamos Caen, não sem antes encontrar mais uma outra ruina, a "Église Saint-Julien", uma igreja cuja primeira referência data de 1150 e que também sofreu com a "Guerra dos Cem Anos" e ficaria em destroços aquando do famoso bombardeamento de 7 Julho de 1944.

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É um recanto interessante, calmo, mesmo que perto de uma rua movimentada e bem no centro de Caen. A visita a este espaço e ao "Mémorial de Caen" prometem marcar quem visita a cidade. 

 

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