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Notre-Dame, das Cinzas Renascerá...

por Robinson Kanes, em 17.04.19

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Imagem: Robinson Kanes

Notre-Dame... Lembras-te de Paris? Lembras-te da nossa primeira viagem àquela cidade que nem nos apaixonou muito naquele Março em que celebrávamos os teus anos?

 

Recordo-me que logo após termos chegado de Orly e termos pousado as malas no nosso apartamento do Marais, a primeira observação foi: "vamos a Notre-Dame". Lembras-te do fascínio, de vermos aquela catedral que preencheu os nossos livros de história e que não descansámos enquanto não a visitámos, fechando o círculo das grandes catedrais francesas - onde incluímos Reims e Rouen. Lembras-te dos regressos e dos fins de tarde naquele jardim, onde fotografávamos os ratos e, de perto, observávamos as cores da catedral ao pôr do sol?

 

Ontem, durante a viagem de carro, assistia a outro pôr do sol quando ouvi a notícia na rádio. Corri para o ginásio e pedi para que mudassem um dos televisores para as notícias e foi aí que vi um dos tesouros mais belos da Humanidade em chamas. 

 

Sabemos que estas catedrais foram construídas com o sangue de muitos que perderam tudo para que uma Igreja ávida de poder e assente em dialética de esquina pudesse mostrar a sua força, contudo, não podemos ficar indiferentes à arquitectura, à história e a todo um passado que esta catedral foi enfrentando: guerras, pilhagens, fome, epidemias e tantas outras catástrofes.

 

Sabemos que em França o povo exige e os políticos são mais responsáveis, sabemos que delegam também o poder da reconstrução no povo e não assumem paternalismos com promessas que não podem cumprir, não querem as tragédias para limpar a imagem e tirar fotografias onde humilham o seu povo com, e repito, paternalismos que fazem lembrar anos de ditadura.

 

Sabemos que Notre-Dame vai renascer das cinzas e nós lá estaremos, bem perto, naquele jardim... a apreciar aquele beleza extraordinária e aquele pedaço de identidade cultural.

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Uma Jóia Normanda: Bayeux

por Robinson Kanes, em 06.10.18

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 Fotografias: Robinson Kanes

 

 

Uma das mais belas catedrais de França está situada no departamente de Calvados, na região da Normandia, mais precisamente em Bayeux!

 

No entanto, antes de entrarmos na catedral, Bayeux tem a curiosidade de ter sido a primeira cidade a ser libertada na Batalha da Normandia! É também por isso, que acolhe o cemitério de todos os jornalistas abatidos a acompanhar guerras desde 1944! Também é nas imediações do centro de Bayeux que se encontra o maior cemitério britânico da Segunda Guerra Mundial. Mas deixando as experiências menos boas, Bayeux é conhecida pela sua tapeçaria do século XI e onde se encontra "relatada" a conquista de Inglaterra por parte dos normandos liderados por Guilherme II. Merece ser visitada até porque está catalogada pela UNESCO!

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Mas o que pode levar alguém como eu a Bayeux é a oportunidade de poder conhecer mais uma localidade normanda e apreciar a calma e simpatia dos seus residentes, num quase viajar ao passado. Se esperamos passar uma manhã ou uma tarde, rapidamente percebemos que temos de ficar mais tempo.

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Regressando à catedral, rapidamente percebemos o estilo gótico que se deve à reconstrução da mesma durante o século XI. Destaco a nave central que nos guia pelos imensos vitrais que se espalham ao longo de toda a estrutura. Para apreciadores desta arte, sem dúvida que verão aqui a sua sede de conhecimento saciada. 

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Também não podemos esquecer onde estamos, pelo que, em cada canto somos recordados de um passado não muito longínquo e onde se recordam todos aqueles que tombaram em nome da liberdade na Europa.

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Se gostarmos da Normandia, por certo que não podemos deixar de conhecer Bayeux, até porque qualquer das estradas até lá é um verdadeiro passeio carregado de paisagens que são o verdadeiro postal da Normandia. 

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 Bom passeio...

 

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A Pacata e Firme Caen...

por Robinson Kanes, em 20.09.18

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Créditos: Robinson Kanes 

 

 

Caen é daquelas cidades que, para mim, sempre mereceram uma visita obrigatória. Não pelo conjunto da cidade, não por se extremamente bela, não pela proximidade com a fábrica da PSA... Para quem aprecia História Caen é uma visita obrigatória, sobretudo quando falamos da história da Idade Média, da ocupação alemã e do desembarque na Normandia - é o local ideal para repousar após uma visita pelas praias desse mesmo desembarque.

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Situada na Baixa Normandia, mais precisamente no Departamento de Calvados, Caen é uma cidade pacata e que tem em Guilherme "o Conquistador" um dos seus grandes nomes, aliás, encontra-se sepultado naquele que é o monumento mais imponente da cidade, a "Abbaye-aux-Hommes", uma abadia beneditina de extraordinária beleza e um verdadeiro exemplo de construção românica. É aí que encontramos a "Mairie" (Câmara Municipal) e a Igreja de "Saint Etienne".  Merece a pena percorrer as ruas até aí chegar, sobretudo se viermos pela "Rue de Fossés Saint Julien". 

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Todavia, visitada a Abadia, entramos na "Esplanade Jean Marie Louvel". Não é mais que um jardim bem amplo que nos coloca diante daquele que é o monumento que mais me apaixona em Caen, a Igreja de "Saint-Étienne-le-Vieux". Admito a paixão por ruinas mas também pelo facto desta igreja continuar de pé depois de ter sido praticamente destruída durante a "Guerra dos Cem Anos" aquando do cerco de Caen. Admiro a construção por ter continuado em ruinas durante séculos - apesar de algumas tentativas para que fosse reconstruída - e ainda por ter sido quase reduzida a escombros por um projéctil alemão durante a II Guerra Mundial. Estar de pé é uma verdadeira conquista... Talvez por isso mereça tamanho interesse, além de que é bastante interessante do ponto de vista arquitectónico.

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Percorrer Caen é efectivamente conhecer uma cidade normanda, mas é inegável a carga histórica em termos de guerras e conflitos que a cidade carrega. É impossível não parar de sentir a força da cidade que por várias vezes se viu reduzida a cinzas. Cidade fortificada, como não poderia deixar de ser, é interessante a pacatez da mesma, por vezes, demasiado pacata para um mediterrânico, mesmo quando se sobe às suas muralhas e se tenta vislumbrar todos os detalhes da cidade.

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Porém, é dentro das muralhas que a alma se anima, pois quando menos se espera, sobretudo se estiver a ter lugar uma feira medieval normanda, encontramos uma obra de arte que, mesmo ainda ao longe, faz soltar um "aquilo é um Rodin"! É também entre muralhas que encontramos mais uma das grandes obras do mestre, um dos melhores escultores de todos os tempos!

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Na verdade, acabamos por gostar desta cidade, o refúgio ideal na Normandia, sobretudo se escolhermos um hotel que fica mesmo dentro de um hospital. Não é um hotel de topo e também não vemos nem ouvimos ambulâncias a toda a hora - nem os helicópteros que aterram mesmo no topo são audíveis - e pelo que vi são várias as vezes em que se aterra e descola.

 

Deixamos Caen, não sem antes encontrar mais uma outra ruina, a "église Saint-Julien", uma igreja cuja primeira referência data de 1150 e que também sofreu com a "Guerra dos Cem Anos" e ficaria em destroços aquando do famoso bombardeamento de 7 Julho de 1944.

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Pensei em trabalhar esta imagem, mas revela profundamente o estado de espírito que ali temos, como se fosse um resumo de toda a história trágica da cidade. É um recanto interessante, calmo, mesmo que perto de uma rua movimentada e bem no centro de Caen. A visita a este espaço e ao "Mémorial de Caen" prometem marcar quem visita a cidade. 

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Desde o Jardim de Luxemburgo, Uma Paris Quente...

por Robinson Kanes, em 14.09.18

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Créditos: Robinson Kanes 

 

 

Fim de tarde quente... Anormalmente, Paris estava quente, quente como um deserto com temperaturas a tocarem os 40 graus. Anormalmente, também Paris tinha, finalmente, uma luz... Não era uma luz forte, talvez uma luz diferente mas que colocava a cidade com uma iluminação homogénea mas alegre.

 

Sentada, num banco, a nossa "modelo" da fotografia contemplava o horizonte, algo smoggy mas encantador. Bela contemplação terá sido, pois foi tempo suficiente para aquele clara, de uma tonalidade bretã ficar tocada por uma cor mais escura. Ao longe a Torre Eiffel, imponente, não tão bela ao perto, mas de uma imponência que a tornou na imagem de marca da cidade e, injustamente, até de um país. Ao longe, o verde em contraste com o cinzento enriquecia a visão...

 

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Mas é ali, no "Jardin de Luxembourg", entre o "Quartier Latin" e "Saint-Germain-des-Prés que temos a vista mais romântica da torre em todo o seu esplendor. Entre as árvores que abundam nos 25 hectares de jardim e a vista também para o "Palácio de Luxemburgo" é possível nestes finais de tarde quentes, apreciar uma Paris diferente, uma Paris, aí sim, talvez mais romântica e apaixonante, sem estereótipos ou qualquer outra imagem de marca que nem sempre corresponde à realidade.

 

Com uma pequena coroa de tranças, a nossa bretã - não sei se o seria - apreciava essa Paris, sentia essa Paris. À sua volta a cidade parou, as crianças deixaram de correr, outros pararam as suas leituras, outros bloquearam no seu passeio e assim a cidade ficou à mercê dos seus olhos ou da sua paz... Olhando à volta, percebiamos que afinal a nossa bretã era apenas mais uma entre tantos outros que especialmente respiravam aquele ar quente  e se entregavam a tal contemplação.

 

Naquele final de tarde, Paris escaldava, mas estranhamente parecia mais calma, mais romântica e mais humilde em toda a sua sumptuosidade.

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Atrás de Marcel Proust em Cabourg...

por Robinson Kanes, em 24.08.18

IMG_3401.JPG Imagens: Próprias e GC.

 

 

A única verdadeira viagem de descoberta, a única fonte da eterna juventude, será não visitar terras que nos são estranhas, mas sim possuir outros olhos, contemplar o universo através dos olhos do outro, de centenas de outros, ver as centenas de universos que cada um contempla, ver o que cada um deles é.  

Marcel Proust, in "Em Busca do Tempo Perdido - Volume V: A Prisioneira"

 

 

Já tive oportunidade de falar de Erik Satie, ou até de Eugène Bodin aquando do meu artigo sobre Honfleur. No entanto, agora é a vez de um mestre das letras merecer um destaque, é ele Marcel Proust!

 

Falo de Marcel Proust para poder também falar de Cabourg, localidade, sobretudo conhecida por ter sido o local preferido de férias do escritor! Estar em Trouville-sur-Mer, ou mesmo em Dieppe e não ir a Cabourg acabará por ser quase um crime, nomeadamente cometido por parte daqueles que têm em Proust uma referência.

 

Cabourg, no Departamento de Calvados, é um daqueles locais de França em que as flores e as plantas transformam uma cidade... E uma espécie de cataplana típica também, devo confessar. Para mim, é também um local onde, como amante do estudo da 2ª Guerra Mundial, olhando o mar, já começo a ter uma sensação menos boa. Devo admitir que, na primeira vez que visitei Cabourg - e já explico porque é importante lá voltar - não consegui colocar um pé na água. Já imaginava muito daquilo que iria sentir mais para a frente, já perto de Caen.

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Mas Cabourg é mais que um majestoso Casino do século XIX. Cabourg é poder passear na "promenade Marcel Proust" e sentir um pouco certos tempos que não vivi. É sentir um certo glamour dos anos 60, 70, 80 ou até mesmo de finais do século XIX e imaginar o charme e requinte de tal estância balnear. Não será dificil conceber Cabourg, e daí ser importante regressar, como uma daquelas escapadas românticas únicas ou não foss conhecido pelo Festival de Cinema, também ele dedicado a filmes românticos! Acrescentem a isto, que uma parte do programa inclui cinema na praia!

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Mas Cabourg não se fica por aqui no que concerne a romantismo! O São Valentim é também celebrado de uma forma muito especial, com direito a banhos nocturnos e muito fogo de artifício - esta temática é tão levada a sério que se abrem ciclos de debates e um sem número de iniciativas culturais e até cientificas ligadas ao amor... Quiçá, e nem sou adepto da data, o próximo dia 14 de Fevereiro não venha a ser passado em Cabourg!

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Ainda falando de amor, Cabourg, mais precisamente a "Promenade Marcel Proust", é também o local onde encontramos o "Le Méridien de L'Amour", uma celebração do amor a uma escala universal e onde vários "quiosques" nos abrem os horizontes nesta matéria e em 104 línguas" - algo que não fica indiferente a ninguém! É fácil deambular por entre os  telegramas em diferentes línguas e sentir o amor num passeio junto à praia, numa localização privilegiada e romântica. Talvez seja isso que está a sentir aquele casal na segunda fotografia.

 

Bom fim de semana...

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Paul Delaroche - "A Execução de Lady Jane Grey" (National Gallery)

Imagem: Própria

 

 

A Liberdade! Como é difícil. Numa carroça quem tem menos problemas é o cavalo.

Vergílio Ferreira, in "Conta Corrente II"

 

E é pelo título que começo este texto: a única diferença é que os primeiros utilizam um discurso totalmente diferente e mais meigo para dizerem o mesmo que os segundos não escondem defender.

 

A semana transacta veio mostrar, mais uma vez, que Portugal é um país tendencialmente de esquerda, aliás, a Constituição da República Portuguesa disso é exemplo! É mais fácil criar um grupo terrorista de esquerda que uma tertúlia de extrema direita. 

 

Não vou entrar pelo discurso que vem dizer que os regimes totalitários de esquerda mataram mais indivíduos que os de direita, até porque poderia ferir algumas susceptibilidades, sobretudo de indivíduos que ainda clamam por muitos desses mesmos ditadores e bebem da cartilha dos mesmos como se fosse uma bíblia. No entanto, o caso do (des)convite de Marine Le Pen para ser oradora na Web Summit em 2018 foi uma das maiores demonstrações de que em Portugal a Democracia ainda não entrou numa fase de maturidade, sobretudo debaixo dos tectos daqueles que falam dela diariamente e desfilam pelas avenidas no 25 de Abril.

 

O PCP foi logo um dos primeiros partidos a insurgir-se contra tal convite! É estranho quando estamos perante um partido que apoia Nicolás Maduro na Venezuela, Kim Jong Un na Coreia do Norte e só não apoia Estaline na Rússia (URSS) porque esse já morreu e mesmo os que o seguiram já não estão disponíveis para levantar o grande império. Importa lembrar que o PCP era também apoiante de um grupo terrorista financiado pelo tráfico de droga, nomeadamente as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC).

 

Outro dos partidos que contestou este convite foi o Bloco de Esquerda... Aquele partido clean, de gente que diz ser do povo e de mente aberta mas que tem vindo a mostrar a sua verdadeira face. Fizesse esse mesmo partido o ruído que fez durante os anos da Troika e agora com esta matéria, com casos como o de José Sá Fernandes, Ricardo Robles e os voltes de face de Francisco Louçã, já para não falar na brilhante gestão da única Câmara que alguma vez conquistou (Salvaterra de Magos) e da presença de Nigel Farage na Web Summit do ano passado, e teríamos sem dúvida um país bastante melhor! Ou então já não teríamos Bloco de Esquerda. E o que terão a dizer o Bloco de Esquerda e o PCP, países declaradamente anti-europeístas mas que depois não abdicam do assento parlamentar em Estraburgo e até em outras instituições europeias, já para não mencionar os subsídios europeus!

 

França, um país democrático, permite a existência de um partido como aquele da qual Marine Le Pen faz parte, já Portugal (ou meia dúzia de indivíduos que gosta de dizer que fala em nome de todos os portugueses - o que é errado, pois não são raras as vezes em que meia dúzia de indivíduos estão sozinhos nessas reinvindicações) não aceita sequer que essa senhora venha a um evento. É razão para perguntar: que Democracia é esta que permite que partidos que suportam o Governo possam agir como uma censura? A tal censura de outros tempos e que tanto criticam... Que Democracia é esta que só defende e só quer ouvir as ideias de um lado em detrimento do outro? Temo que seja mais um caso em que a vítima rapidamente passa a agressor e estes casos têm vindo a repetir-se, a revolução soviética começou assim, só para falar em temas queridos a estes dois partidos... Estamos perante aqueles casos em que os ofendidos animais da quinta, delegando nestes demagogos a sua sobrevivência, acabam por ser mortos ou então ficam a assistir à gula dos porcos!

 

De facto, dá que pensar... Se ambos os extremos são maus, talvez o pior ainda consiga ser aquele que vai absorvendo os impostos de todos nós com um discurso camuflado ao invés daquele que claramente marca a sua posição...

 

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Uma Cidade Portuária: Honfleur...

por Robinson Kanes, em 17.08.18

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Imagens: Próprias e GC

 

A minha paixão por cidades portuárias é mais que evidente... Durante toda a minha infância e adolescência (e ... idade adulta) o mar foi uma presença. Tendo uma parte da família ligada ao mar é natural que os genes cá estejam a desempenhar o seu papel.

 

Honfleur, embora não sendo um colosso, é aquela cidade onde o Sena encontra o Canal da Mancha e, segundo alguns (ou seja, eu), esse rio perde todo aquele romantismo, que alguns (ou seja, eu), não lhe reconhecem. Gosto, apesar de tudo, de Honfleur... Uma cidade pacata do Departamento de Calvados, em plena Normandia. Cidade tranquila, com uma pequena baía onde encontramos algumas embarcações de lazer que contrastam com aquelas que laboram e procuram as riquezas marinhas do Canal da Mancha. Ainda continuo a preferir que fosse ao contrário, mas o turismo, as cidades e o próprio funcionalismo a essa mudança obrigam.

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Gosto, sobretudo, do interior da cidade... Estar em Honfleur e não usufruir dos bares e restaurantes junto aos veleiros não é ir a Honfleur - essa área tem o nome de "Vieux Bassin". Todavia, e conhecendo relativamente bem (para um visitante) a Normandia, nunca tinha estado em Honfleur. Gosto dos cafés dentro da cidade, sobretudo, das ruas calmas, de uma forma diferente de estar numa cidade portuária que acabar por ser invadida por turistas ou não fosse uma das primeiras atracções turísticas para quem atravessa o Canal da Mancha vindo de Inglaterra ou até entrado pelo norte de França.

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Cidade comercial ao logo da História e uma das mais disputadas durante a Guerra dos Cem Anos (mais uma vez a proximidade com a vizinha Inglaterra), agrada-me também por ser a cidade onde nasceu Erik Satie - quem sabe, algumas das suas "Gymnopédies", não terão tido alguma inspiração por estas bandas... Não creio, todavia fica essa nota que reforça uma necessidade de visitar esta cidade. Com uma história ligada ao Impressionismo, é também uma cidade onde as artes plásticas têm o seu lugar, destaco apenas o "Museu Eugène Boudin" que alberga pinturas do artista e inclusive de Monet.

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Uma das grandes atracções, contudo, é a "Igreja de Santa Catarina"! Totalmente de madeira, muito por culpa da tradição naval, é deveras um encanto para quem gosta de arquitectura! Uma igreja de madeira, com o cheiro intenso da madeira velha e toda aquela austeridade particular, é uma supresa daquelas que marca!

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Cansados do cheiro da madeira e de tão grande riqueza, nada como parar na boutique de café junto ao restaurante "Entre Terre & Mer". Sendo os mesmos proprietários, tenho a agradecer a simpatia das duas colaboradoras que, servindo apenas dois cafés, nos trataram como se tivessemos jantar lavagante ou outras iguarias daquele mar ali tão perto - sem publicidade porque paguei os respectivos dois euros por cada um.

 

Finalmente, e falar deste aspecto num país com tão belas pontes como Portugal não é propriamente fascinante, todavia, nada como aproveitar as vistas (caras) da "Ponte de Normandie" para o Estuário do Sena ou até do mesmo rio ainda confinado num espaço mais curto pela "Ponte de Tancarville" - vindos do lado de Le Havre, não há como fugir.

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Encontrei Philippe Noiret...

por Robinson Kanes, em 08.08.18

 

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 Fonte: Própria

 

Já muitas vezes falei de um dos meus actores preferidos - é ele Philippe Noiret. Abordei este grande actor aquando do meu artigo sobre "Il Postino" e também aquando do artigo sobre "Cinema Paradiso". Todavia, este actor mereceria tantos outros destaques, nomeadamente com um dos filmes que lhe deu mais prémios, falo de "La Vie en Rien d'Autre", datado de 1989 e obra do realizador Bertrand Tavernier. Já em 1984 havia, também com a presença de Noiret, realizado "Coup de Torchon".

 

Mas o que hoje me faz recordar Noiret é ter descoberto o mesmo em Montparnase, mais precisamento no cemitério onde está sepultado e onde, apesar das minhas pesquisas, nunca encontrei menção à sua presença. Se Sartre e Beavouir, ou até Beckett e Duras já estavam na minha lista, ter encontrado Noiret por mero acaso enquanto vagueava entre campas foi uma grande surpresa (até porque nem está nos destaques que o cemitério tem para personalidades reconhecidas), uma surpresa boa nesta visita ao cemitério de Paris que me faltava.

 

De facto, sabendo que ali está apenas terra, foi como se tivesse encontrado o velho Alfredo com aquele sorriso tão próximo, tão franco e tão puro. Sim, estava ali Alfredo, estava ali Philippe Noiret que me encheu ainda mais de alegria quando me pude aperceber da sua paixão por cães e por cavalos - desconhecia a primeira. Simples como as personagens de Noiret, devo dizer que foi um dos pontos altos em mais um regresso a Paris.

 

Enquanto procurava o grande mestre Becket, encontrei Noiret... A minha tristeza? Não me poder ter sentado entre os dois e ter falado um pouco de dramaturgia, literatura e cinema... Acredito que entre mortos, saíria mais vivo e mais rico que nunca.

 

 

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Amor em Tempos de Cólera...

por Robinson Kanes, em 03.08.18

Roubei o título ao grande Gabriel García Marquez... Todavia, com a cólera que grassa neste pequeno planeta que já começa a contratar um cobrador do fraque para saldar a dívida, ainda vai existindo tempo para se amar e apreciar o que é realmente importante .. L'amour...

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 Fonte da Imagem: Própria.

 

E como o amor não se explica, deixo-me envolver por um poema que poderia estar escrito naquele livro e ilustrar aquela cena na "Place des Vosges".

 

Só de espelhos o crânio mobilado

Um corpo de mulher posto no centro

Outro jogo de espelhos lá por dentro

O meu crânio no centro colocado

 

E cada  corpo o crânio projectado

E em nenhum me detendo em todos entro

se de encontro aos espelhos me concentro

se do crânio me encontro descentrado

 

Os espelhos reflectem só o fogo

do sol que desses corpos anda ausente

porque só no meu crânio tem morada

 

E é sem dúvida Amor todo este jogo

É sem dúvida Amor Mas de repente

é sem dúvida Amor e não é nada

 

Mourão-Ferreira, David (1998). "É Sem Dúvida Amor", Antologia Poética, Lisboa, Editorial Presença.

 

Bom fim de semana...

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Trepanação Colectivamente Assistida!

por Robinson Kanes, em 02.08.18

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Fonte da Imagem:  A minha GC

 

 

- E tu Robinson, porque te ausentaste? Bem, caro Platão, estive a acompanhar o "Tour de France"...

-Brilhante Robinson!

Platão, in "República"

 

 

 

Como as coisas andam por este mundo... Andamos preocupados com as "gajas boas" no futebol mas não queremos saber da corrupção que grassa na modalidade e a origem, nem sempre bem esclarecida, dos montantes que envolvem a modalidade ao mais alto nível. De facto é brilhante! Tiramos as "gajas boas", mas não nos tirem a bola, mesmo que o nosso clube e aqueles que o gerem sejam autênticos criminosos que gozam de todo o tipo de impunidade. 

 

A prioridade actual é que não se mostrem as mamas da criminosa! Isso é que não! Mas a senhora em causa matou dois indivíduos e roubou 2 milhões de euros! E? Desde que não lhe mostrem as mamas, mesmo que ocultadas por uma camisa, está tudo bem, o resto não é importante. 

 

Também ouvi dizer que um certo Robles anda por aí numas negociatas imobiliárias! É legítimo, não cometeu nenhuma ilegalidade! No entanto, esse Robles não é aquele que criticava tanto Medina em termos de política imobiliária em Lisboa e depois se vendeu por um cargo de vereador? Sendo esse, é mais um como o Zé que era independente, depois passou para o Bloco de Esquerda e depois de se ter vendido a António Costa passou a chamar-se Engenheiro José Sá Fernandes e nunca ninguém mais ouviu falar dele, embora continue como vereador na mais importante autarquia do país. Mas o que não é legítimo, é Robles cair nessa tentação portuguesa que se chama a hipocrisia, sobretudo quando envolve dinheiro. E o silêncio do Bloco? Eu bem digo, desde a criação da geringonça que foi mais um "partido" que deixou de se ouvir e tem vindo a cair em algumas armadilhas bem peculiares...

 

Por França, as coisas não estão diferentes. Como também é época de férias, toda uma esquerda unida, alicerçada na ausência de notícias típica da "silly season" tem tentado derrubar Emmanuel Macron a propósito do caso Benalla. Pelo pouco que acompanhei, é uma verdadeira tentativa de derrubar um presidente num caso que não justifica tamanho ódio... E é esta a palavra. Também por França se anda a dar mais importância aos media... Ou então a ausência de jornalistas que encontrem notícias nesta época é uma realidade.

 

Também as questões climáticas continuam a ser uma brincadeira e uma fantochada... A plebe quer é calor, e quem vive do calor quer é dinheiro, mesmo que não sirva de muito quando a Natureza der o golpe final. Vamos para a praia e continuemos a não exigir nada (a nível global) aos governantes deste mundo. 

 

E porque se fala de ambiente e clima, porque é que parece não existirem mais instituições/associações ambientalistas além daquelas onde está sempre infiltrado o senhor Francisco Ferreira? Antes era "Quercus", mas como ficou zangado por ter perdido o poder que julgava vitalício, criou a "Zero" que agora merece todo o destaque mesmo que seja uma instituição sem provas dadas, sobretudo face a outras.

 

Finalmente... Portugal, Grécia, Estados Unidos e outras localizações com menos destaque, são a prova de que os incêndios estão cada vez mais fora de controlo! Entretanto, como me deparei com uma ignição aqui perto de casa, telefonei para a Glassdrive que me substituiu imediatamente os vidros da casa por uns anti-incêndio. Pelo menos foram mais rápidos que a Protecção Civil.

 

 

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