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Respirar Saint-Germain-des-Prés e o Sena...

por Robinson Kanes, em 13.11.20

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Imagens: Robinson Kanes

 

 

Era Victor Hugo quem dizia que respirar Paris era das melhores coisas que se poderia fazer para cuidar da alma...

 

Pois assim é... Um dia preenchido pela frente, além de que os passeios junto ao Sena são sempre uma obrigatoriedade, mesmo enfrentando alguns indivíduos que deixam cair um anel, perguntam se é nosso e depois tentam vender-nos por um bom preço alegando que se trata de ouro. E assim foi, contudo, não tentando repetir o último que praticamente acabou em Créteil.

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Saint-Germain-des-Prés sempre ali presente, sempre com o seu habitual glamour que atravessa séculos e que nos traz de volta para romances, peças de teatro e composições únicas que nos transformam a cada viagem àquela cidade. Estranhamente, talvez por ter sido um dos meu primeiros contactos com Puccini, tenha sempre esperança de encontrar Mimi; Rodolfo; Marcello; Colline; Schaunnard e Musetta a deambular pelas ruas. Espero mesmo encontrá-los e poder juntar-me num qualquer café daquela zona e beber a Murger, Puccini; a "La Bohème" sem esquecer Illica e Giacosa. 

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Paris consegue ainda conservar muito daquilo que a torna para muitos a capital do Mundo. Atravessar o quarteirão das Universidades é deambular por muito do conhecimento que ainda hoje transforma o Mundo, é sentir o Maio de 68, sobretudo por quem nunca o viveu e só o conheceu nos livros de História e Política. O Maio de 68, que grandes e acesas conversas já permitiu ter num pequeno café, junto a uma praça perto da sede da UNESCO. É também por aqui, antes de chegarmos aos "Jardins de Luxembourg" que temos talvez umas das mais belas vistas (embora distante) da "Tour Eiffel".

 

O sol convida a que apreciemos este passeio, até os corpos aquecerem e refugiarmo-nos nas sombras ou no Panteão. Hesitamos... Voltamos lá? Continuamos, este Paris soalheiro não pode ser desperdiçado e temos falta de um almoço... Escolhemos um que nos recomendou um polícia (na ausência de camionistas, os polícias e os taxistas sabem sempre onde se come bem). Como não poderia deixar de ser, não ficámos mal, uns cogumelos, uma carne daquelas e um Bordeaux tinto. 

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Planeamos a tarde... O fim do dia será num banlieue fora de Paris. Um árabe "de Agrigento" que em tempos conhecemos em Orly e que ía para a Sicília convidou-nos para um jantar, pois encontrava-se na cidade para visitar a filha. Timing perfeito! E é neste planeamento que me lembro da "Église de Saint-Denys-du-Saint-Sacrement". Um tesouro escondido, pois é lá que se encontra uma pintura de, e façamos uma vénia, de Delacroix. A "Pietá" em todo o seu esplendor "Le Christ Descendu de la Croix" bem perto de uma sala também interessante a "Comédie Bastille" e de mais uma das surpresas "escondidas" de Paris, o "Musée Cognacq-Jay" onde descobrimos o "Banquete de Cléopatra" de Tiepolo.

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E caramba, como o sol em Paris pode queimar verdadeiramente, já não precisamos de Biarritz nem tão pouco de Saint-Tropez, Paris encarrega-se de nos queimar a pele...  É hora de partir, o Hassane está à nossa espera e ainda nos deixa tirar uma fotografia da lua, fora das luzes da cidade do Sena.

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Honfleur, uma cidade portuária

Atrás de Marcel Proust em Cabourg

A pacata e firme Caen

Bayeux: uma jóia normanda

Normandia: um dia de homenagem

O Mont-Saint-Michel

Saint-Malo, a cidade pirata

 

 

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Em Montparnasse com Rodin, Sartre e Donizetti...

por Robinson Kanes, em 06.11.20

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Imagens: Robinson Kanes

 

 

Um gesto, um acontecimento no pequeno mundo colorido dos homens nunca é absurdo senão relativamente em relação às circunstância que o acompanham. As palavras de um doido, por exemplo, são absurdas em relação à situação em que ele se encontra, mas não em relação ao seu delírio.

Jean Paul Sartre, in "A Náusea"

 

 

Não é Paris - Marseille, mas poderia ser. Para trás fica a Normandia e a Bretanha e muitos dias de asfalto, terra e até mar. Depois do delta à beira da estrada, chegamos a Paris. Chegar a Paris é sempre aquela sensação glamourosa, seja de avião, comboio ou por estrada, mesmo que as horas na fila possam ser intermináveis, o que, desta vez, não foi o caso. Paris faz parte das nossas vidas, o fascínio dos nossos pais pela cidade, pela França e também pelas muitas viagens em trabalho ou lazer que já nos trouxeram aqui. Falar de Paris é repetir tudo aquilo que já foi dito.

 

Desta vez, ficamos mesmo no centro da cidade, uma pequena paragem de três dias antes de apontarmos a Lille e à Flandres francesa. O périplo promete, com mais paragens e por isso é preciso estar fresco. Mas ficar fresco... em Paris? Só se for o tempo e nestes dias com temperaturas acima dos 30º e em alguns casos alternadas com grandes chuvadas, não foi propriamente para se descansar. Os jantares no Marais e os convivios no 7.º arrondissement perto do Musée Rodin ocuparam as noites e os dias... Quem é que descansa? Talvez, e como de Paris estará tudo dito, possa ser este o mote para abordar um dos escultores predilectos de qualquer amante de arte e respectivamente o seu museu que não me canso de visitar.

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Passar em qualquer lado e vibrar quando se identifica uma obra deste escultor já é qualquer coisa, entrar numa propriedade onde os jardins e o interior do seu edifício está repleto de obras de Rodin, é entrar no céu. Um simpático jardim e um pequeno "palais" guardam alguns dos maiores tesouros da Humanidade e permitem que nos embriaguemos com Rodin. Como é possível? Como é que alguém...

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O museu não é grande, mas a visita dura uma eternidade, sendo que ainda não atingiu as 7 horas que ficámos no Prado e as 6 no Louvre. Está sol, aproveitamos para descer ao jardim e apanhar um pouco de ar... Pensar que museologia em Paris é o Louvre, é um dos maiores erros que se podem cometer quando temos na mesma cidade o Musée Rodin, o Musée Picasso, o belíssimo e riquissímo Musée d´Orsay, o arrebatador Musée Delacroix e tantos outros que poderia enumerar e que incluem muitas pequenas galerias que nos arrebatam com toda a sua grandeza artística.

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E no meio de toda esta pseudo-intelectualidade, aquilo que mais me apetece é abrir o Pont l'Évêque que ainda temos connosco e que no hotel tiveram a amabilidade de preservar (parolo, eu sei, mas em França solicitar a guarda de um queijo é o mesmo que em Nova Iorque solicitar a guarda de um diamante) e ainda juntar-lhe uma sidra bretã. Chamemos para se juntar a nós "O Pensador" - para descer do pedestal e juntar-se a nós enquanto entre um "mais non" e um "si, mais" pensamos o Mundo... Hoje muitas perguntas teriamos para aquele cavalheiro de bronze.

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Antes de sair, aproveitamos as vistas para o Hôtel des Invalides... Paris, como Roma, obrigaria um ser-humano a ter uma vista 360º para aproveitar tudo aquilo que a paisagem lhe oferece. É um espaço fascinante, nunca nos apaixonou como outros, mas sentimos o peso e a força que de lá emana e mais ainda se sente quando cruzamos a entrada. 

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É hora de almoço, queremos debater tudo aquilo que vimos, temos vontade de discutir aquilo que acabámos de presenciar, além de que a paixão por Rodin, na Alemã, é qualquer coisa... Caminhamos e Montparnasse apetece-nos. É por aí que ficamos, um restaurante marroquino, "Chez Berberett", com empregados gentis e gente simpática na esplanada surge-nos como uma boa opção... Não desilude, e em Montparnasse é fácil comer mal e pagar muito, apesar de alguns restaurantes que são uma referência.

 

O tempo passa, e Rodin fica para trás... O empregado, um marroquino extremamente gentil e que mais parece um norueguês, inicialmente questionando se eu era argelino, percebe que sou português e começamos a falar de História. Lembra-se de D. Sebastião e de D. João I. Tanta história para perceber que partilhamos tanta coisa, inclusive os genes... Rodin fica para trás, ultrapassado pela antropologia, pela história e pela biologia.

 

Com o estômago bem acomodado pelas iguarias do Norte de África, decidimos ir prestar homenagem a alguns ilustres que repousam ali bem perto, antes de nos encontrarmos com Donizetti e a sua obra "Don Pasquale"no "Palais Garnier" - o tempo não está contado, mas com Rodin e o empregado de mesa, e um jantar entre amigos depois do espectáculo, o dia não poderia ter ficado mais bem preenchido.

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Antes de sairmos, conversamos com o Sartre e Beauvoir... Falamos de Camus, falamos de uma época de pensamento que apesar de esquecida ainda hoje é tão actual, uma verdadeira lição de Humanidade e do que é ser Homem. Os cemitérios tranquilizam-nos, é como se nos sentissemos mais seguros... É como se os mortos nos protegessem dos vivos e onde também podemos cuspir na campa daqueles que nem a terra deveriam ter pisado., talvez porque a sabedoria só lhes tivesse chegado quando já para nada servia, como diría Garcia Márquez.

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Percorremos as ruas desta cidade... Caminhamos junto ao Sena e chega a hora de "Don Pasquale"... Chega a hora de nos deixarmos levar pela força do amor de Ernesto e Norina...

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Honfleur, uma cidade portuária

Atrás de Marcel Proust em Cabourg

A pacata e firme Caen

Bayeux: uma jóia normanda

Normandia: um dia de homenagem

O Mont-Saint-Michel

Saint-Malo, a cidade pirata

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Saint-Malo, a cidade pirata...

por Robinson Kanes, em 29.10.20

saint_malo_france.jpgImagens: Robinson Kanes

 

Estamos já na Bretanha... Apressámos a saída do Mont-Saint-Michel porque esta paragem tinha de ser efectivamente bem degustada. As bicicletas também já pedem para sair do carro e percorrer um pouco da Bretanha, assim se fizeram os 51km até Pléneuf-Val-André. Todavia, no périplo em duas rodas, a "descoberta" mais interessante foi sem dúvida o "Cimetière de bateaux de Quelmer" onde repousa mais de uma dezena de barcos abandonados e que dão uma imagem pitoresca da zona, sem esquecer que representam muita da história dos pescadores de Saint-Malo. Temos tempo para ficar, além de que Paris, será o próximo destino - e depois de umas cinco idas em lazer a Paris, cada uma se torna mais especial à medida em que vamos conhecendo mais a cidade. E pensar que a capital de França não me fascinou na primeira visita.

 

Saint-Malo é aquela cidade carregada de histórias e de lendas, não poderia ficar para trás. Para lá da pirataria, estava na nossa memória a difícil tomada (e destruição) aquando do desembarque na Normandia. A fuga dos alemães para a Bretanha e a excelente localização e fortificação da cidade acabaram por tornar Saint-Malo um campo de batalha e com enormes baixas para ambos os lados.

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A chegada a Saint-Malo começa com um crepe. Um lado mais turístico, embora mereça bem a pena antes de um jantar de peixe e frutos do mar, tão valorizados nas costas bretã e normanda. Por falar em lado mais turístico, também não resistimos aos Gwelladous na Maison Guella que já leva 100 anos de existência. O crepe dá-nos alguma energia para percorrermos os quase 2 km de muralhas e apreciar não só a cidade intramuros mas também o mar e as suas praias. Amante de cidades portuárias e portos, não descanso enquanto não volto a abandonar a cidade e a percorrer uma área mais industrial da mesma.

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Mas é impossível ficar fora das muralhas por muito mais tempo, é preciso não deixar fugir a alma de Chateaubriand que vive ainda encarcerada na Grand Bé. A Grand Bé e Petit Bé são as duas ilhas que confrontam a cidade e que nos colocam a imaginar os tempos em que piratas atacavam e defendiam a cidade ou, regressando aos tempos modernos, visualizar os soldados alemães no desespero a disparar peças de artilharia contra os libertadores da França. Imaginamos a azáfama e o medo pelas ruas românico-góticas e como se terá perdido um património de incalculável valor aquando dessas batalhas. 

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Falamos em batalhas, por isso Fort National (1689) não poderia ficar para trás, é um daqueles pedaços de história e com uma localização única e panorâmica de Saint-Malo e de toda a zona envolvente. É a imagem da cidade corsária, é onde poderá estar bem guardada toda a sua essência, toda a sua história.

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Sentamo-nos... As ruas estreitas e as imponente muralhas amplificam as vozes, a cidade tem vida e convida a viver... O sol está a despedir-se e provavelmente um dos melhores locais para apreciar um dos mais belos espectáculos do mundo, sempre grátis e que se repete todos os dias, é a Plage du Sillon, por muitos considerada a mais bela de França. Todavia, e porque a cidade a isso se presta, não deixamos de percorrer as areias e sentir a fria água na Plage de l´Éventail (com uma vista deslumbrante para o Fort National), na Plage du Môle (com uma vista espectacular para Dinard) e como não poderia deixar de ser, a Plage de Bon Secours com vistas para Dinard e para as ilhas Bé. Dinard, na outra margem do Rio Rance, foi uma das outras posições defendidas pelos alemães quase até ao último homem.

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E como em cidade de piratas, há que ser um Jack Sparrow, nada como devorar as boas iguarias de Saint-Malo e ficar duas horas à convesa com alguém que não conhecemos de lado nenhum mas que parece ter vivido a invasão alemã e depois a libertação, tal é a precisão com que nos relata os factos e fala orgulhosamente deste bastião onde também se destaca Catedral, o "Chatêau" e claro, a Maison des Poètes et des Écrivains - esta última por mero apontamento e curiosidade.

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Vamos descansar, segue-se uma pequena viagem de 400 km com muitas paragens até Paris: em Rennes para estar com amigos, em Laval, Le Mans e Chartres (porque sim) e inclusive num pequeno café à beira da estrada que serve café Delta entre Dreux e Versalles

 

Honfleur, uma cidade portuária

Atrás de Marcel Proust em Cabourg

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Bayeux: uma jóia normanda

Normandia: um dia de homenagem

O Mont-Saint-Michel

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O Mont-Saint-Michel...

por Robinson Kanes, em 21.10.20

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Imagens: Robinson Kanes 

 

Na Foz do Couesnon, reside um dos clássicos de qualquer passagem pela Normandia e pela Bretanha: o Mont-Saint-Michel. Depois de Ponts e de uma longa  aventura carregada de emoções, é preciso descontrair um pouco.

 

O Mont-Saint-Michel é deveras imponente, a longa distância já se mostra em todo o seu esplendor, acredito até que é aí que mostra toda a sua beleza e imponência sempre envolvido numa ténue névoa mágica. Paramos o carro dezenas de vezes até chegar ao destino.

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A baía, é algo de assombroso e só tem 8000 anos (até lá havia estado tudo coberto de gelo). É fantástico... Infelizmente o tempo não nos permite deixar o carro para trás e seguir de bicicleta, temos afazeres em Saint-Malo e queremos aproveitar ao máximo para explorar os "prés-salés" - cobertos pelas marés altas mas que são um marco paisagístico e até agrícola fantástico. Queremos arriscar até atravessar uma parte do estuário e sabemos como isso também pode ser perigoso. Todos os anos é necessário resgatar um sem número de pessoas que não acautelam a subida das marés e só de helicóptero podem ser retiradas. Infelizmente, não estamos no equinócio para apreciar a grande descida das marés.

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É fantástico, é mirífico ouvir e ver todas aquelas aves, porque se as gaivotas dominam a ilha. Se deambularmos pelos campos, encontraremos um sem número de espécies que nos deixarão fascinados.

 

Andamos, percorremos os terrenos movediços (e muita cautela nestes terrenos) e esquecemo-nos que é possível entrar na "fortaleza" e percorrer as estreitas ruelas e visitar a Abadia. Mas torna-se difícil... Mesmo na ilha os nossos olhos procuram tudo aquilo que acontece à volta da mesma e esta transforma-se numa espécie de posto de comando para a observação da Natureza. É maravilhoso...

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Reparamos em algo que havíamos presenciado na infância... Os carros estão afastados o que permite preservar o lugar. Todavia, o interior está repleto de visitantes o que por vezes torna a experiência menos boa, mas temos de aceitar, de facto é um local estratosférico.

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Percorremos as muralhas e não suportamos o peso da arquitectura, pelo que somos obrigados a sair, a voltar a colocar os pés nas areias e a apreciar... Tentamos que o tempo pare, esperamos pelo "tramonto" e não queremos vir embora. A luz da ilha torna-se única e tudo o que a envolve parece começar a adquirir uma nova dimensão. É por aí que ficamos, mergulhados na areia e na água tomando parte num dos mais belos espectáculos da Natureza e da própria vida terrestre.

 

Honfleur, uma cidade portuária

Atrás de Marcel Proust em Cabourg

A pacata e firme Caen

Bayeux: uma jóia normanda

Normandia: um dia de homenagem

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Normandia: um dia de homenagem

por Robinson Kanes, em 30.09.20

american_cemetery_normandy.jpgImagens: Robinson Kanes & GC

 

 

A morte é morte de alguém e tê-lo sido de alguém não é levada pelo moribundo mas pelo sobrevivente

Aristóteles, in "De Anima"

 

Deixamos Bayeux e voltamos para trás, para perto da memorável "Juno Beach", mais precisamente para Courseulles-sur-Mer. É aqui que o carro descansa e as bicicletas descem do tejadilho. Entramos em modo "Tour de Normandie" e procuramos ir ao encontro de alguns dos locais que durante anos, permanecem na nossa memória devido à grande invasão. Daqui em diante e antes de apontarmos ao Mont Saint-Michel vai ser a pé e sobre duas rodas.

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Começamos com uma deslocação de cerca de sete quilómetros, até ao Cemitério Canadiano de Bény-sur-Mer. e que é o repouso dos primeiros mortos canadianos no Desembarque - o de Bretteville-sur-Laize ficou para os que morreram nos momentos posteriores. Mesmo à beira da estrada e já se sente o peso da História, o peso da morte. A primeira sensação? Tantos mortos e este é só o primeiro... Tantos miúdos no chão que morreram em nome da libertação da Europa, em nome de um mundo que nunca mais seria o mesmo... Sentimo-nos cobardes por não termos mantido esse mundo desejável e que lhes custou estupidamente a vida - e este nem é um dos maiores jardins de pedra. Respira-se fundo, ouve-se o vento entre as árvores, faz-se uma revisão da matéria e leem-se as mensagens que encontramos em cada lápide.

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Damos connosco a perceber que já passou mais de uma hora e ainda há tanto para sentir, algo sem aparente explicação... É hora de partirmos, regressarmos para perto de "Juno Beach" e prestar também aí a nossa homenagem junto do memorial e também da primeira casa a ser conquistada naquele dia fatídico e mortífero. 

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Torno-me repetitivo, mas de facto, acabo sempre a pensar, para quê? Será que, à semelhança do que fazemos com os acidentes de viacção, onde muitos juízes condenam os culpados a visitar hospitais, particularmente com as vítimas dos embates, não deveríamos fazer isto com aqueles que parecem esquecer o passado? 

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As praias são isso mesmo, praias, é preciso fechar bem os olhos, ter presente a História da invasão e voltar a esses tempos, caso contrário será mais difícil, mesmo sentido os ares que nos chegam da Mancha. Temos de prosseguir, o nosso destino em duas rodas será o cemitério alemão de "La Cambe" e antes ainda temos de voltar ao Cemitério de Guerra em Bayeux.

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Pelo caminho, um destaque e paragem obrigatória no Cemitério Americano em "Omaha Beach", Colleville-sur-Mer. Até lá, museus e memoriais não faltam, as praias e aquelas região, mesmo à entrada de algumas vilas, não esquecem aqueles que tombaram pela França e pela Europa. Mas temos de parar em Colleville, os Americanos sabem honrar os seus e de facto, este cemitério, é um verdadeiro monumento, uma grandiosa homenagem aos mortos em combate que atravessaram o Atlântico e depois o Canal da Mancha e tombaram em solo francês.

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O número de mortos é imenso, o espaço é imenso e o contraste entre a beleza e o cuidado do local com aqueles que ali jazem é qualquer coisa. Procurou-se criar o paraíso para que aqueles soldados ali possam descansar, bem nas colinas que dão para a praia onde muitos tombaram. A quietude do espaço, a forma como tudo está cuidado (melhor que em muitos palácios), o silêncio... Olhamos novamente o mar que trouxe todos estes corpos para a terra, um Atlântico atravessado, para depois se ultrapassarem as águas da mancha e morrer em nome de todos nós. Vida triste, não podermos reconhecer estes jovens e mesmo os mais velhos, a lágrima... O pensamento a caminhada entre cruzes de Cristo e de David não bastam, deixam-nos impotentes e desarmados. Ficamos a engolir em seco, saímos a engolir em seco. Pensamos no hoje e até no amanhã, pensamos em todos os cemitérios como este e que não existiram... Perguntamos, para quê?

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Prosseguimos... É hora de prosseguir, mas depois daquele dia, não mais somos os mesmos... Depois daquele dia, já adultos e sem a magia que ser criança nos provoca ingenuidade, nunca mais olharemos aquela costa depois deste regresso.

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Honfleur, uma cidade portuária

Atrás de Marcel Proust em Cabourg

A pacata e firme Caen

Bayeux: uma jóia normanda

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Uma jóia normanda: Bayeux

por Robinson Kanes, em 25.09.20
 
 

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Imagens: Robinson Kanes

 

 

Uma das mais belas catedrais de França está situada no departamente de Calvados, na região da Normandia, mais precisamente em Bayeux!

 

No entanto, antes de entrarmos na catedral, Bayeux tem a curiosidade de ter sido a primeira cidade a ser libertada na Batalha da Normandia! É também por isso, que acolhe o cemitério de todos os jornalistas abatidos a acompanhar cenários de conflito desde 1944! Também é nas imediações do centro de Bayeux que se encontra o maior cemitério britânico da Segunda Guerra Mundial. Mas deixando as experiências menos boas, Bayeux é conhecida pela sua tapeçaria do século XI e onde se encontra "relatada" a conquista de Inglaterra por parte dos normandos liderados por Guilherme II. Merece ser visitada até porque está catalogada pela UNESCO, sobretudo pelos seus tapetes.

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Mas o que pode levar alguém como eu a Bayeux é a oportunidade de poder conhecer mais uma localidade normanda e apreciar a calma e simpatia dos seus residentes, num quase viajar ao passado. Se esperamos passar uma manhã ou uma tarde, rapidamente percebemos que temos de ficar mais tempo.

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Regressando à catedral, rapidamente percebemos o estilo gótico que se deve à reconstrução da mesma durante o século XI. Destaco a nave central que nos guia pelos imensos vitrais que se espalham ao longo de toda a estrutura. Para apreciadores desta arte, sem dúvida que verão aqui a sua sede de conhecimento saciada. 

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Também não podemos esquecer onde estamos, pelo que, em cada canto somos recordados de um passado não muito longínquo e onde se recordam todos aqueles que tombaram em nome da liberdade na Europa.

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Se gostarmos da Normandia, por certo que não podemos deixar de conhecer Bayeux, até porque qualquer das estradas até lá é um verdadeiro passeio carregado de paisagens que são o verdadeiro postal da Normandia. 

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Honfleur, uma cidade portuária

Atrás de Marcel Proust em Cabourg

A pacata e firme Caen

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Honfleur, a fishing town...

por Robinson Kanes, em 24.09.20
 
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Imagens: Robinson Kanes & GC

 

My passion for these towns is more than obvious... Throughout my childhood and adolescence (and why not... adult age) the sea was always there. Having a part of the family connected to the sea it is natural that genes are playing their role here.

 

Honfleur, although not a colossus, is that city where the Seine meets the English Channel and, according to some (i.e. me), where that river loses all that romanticism, which some (i.e. me) do not recognize it. I like, in spite of everything, Honfleur... A quiet town in Calvados, just in the middle of Normandy. A quiet town, with a small bay where we find some leisure boats that contrast with those that work and seek the sea riches of the English Channel. I still prefer it the other way around, but tourism, the cities, and the functionalism of the city itself force this change.

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I love downtown... Being in Honfleur and not enjoying the bars and restaurants by the sailboats is not going to Honfleur - this area is called "Vieux Bassin". However, and knowing Normandy relatively well (for a visitor), I had never been to Honfleur. I like the cafés inside the city, especially the quiet streets, in a different way from being in a port city that ends up being invaded by tourists or was not one of the first tourist attractions for those crossing the English Channel or even entering from the north of France.

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A trading city in the midst of history and one of the most disputed during the Hundred Years War (once again the proximity to England), I am also pleased to be the city where Erik Satie was born - who knows, some of his "Gymnopédies", will not have had any inspiration around here... I don't think so, but that note reinforces a need to visit this city. With a history linked to Impressionism, it is also a city where the plastic arts have their place, I highlight only the "Eugène Boudin Museum" which houses paintings by the artist and also from Monet.

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One of the great attractions, however, is the "Church of Saint Catherine"! Totally made of wood, much because of the naval tradition, it is really a charm for those who like architecture! A wooden church, with the intense smell of old wood and all that particular austerity, is a surprise of those that mark!

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Tired of the smell of wood and of such great wealth, nothing like stopping at the coffee shop near the restaurant "Entre Terre & Mer". Being the same owners, I have to thank the two collaborators who, serving only two expressos, treated us as if we had lobster dinner or other delicacies from that sea so close by - without advertising because I paid the respective two euros for each one.


Finally, and talking about this aspect in a country with such beautiful bridges as Portugal is not exactly fascinating, however, nothing like enjoying the (expensive) views from the "Ponte de Normandie" to the Estuary of the Seine or even from the same river still confined in a shorter space by the "Ponte de Tancarville" - coming from Le Havre, there is no escape.

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Looking for Marcel Proust in Cabourg

The peaceful and firm Caen

Bayeux, a Norman Jewel

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Looking for Marcel Proust in Cabourg...

por Robinson Kanes, em 23.09.20

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Imagens: Robinson Kanes & GC

 

The only true voyage, the only bath in
the Fountain of Youth, would be not to visit strange lands but to possess other
eyes, to see the universe through the eyes of another, of a hundred others, to
see the hundred universes that each of them sees, that each of them is; and
this we do, with great artists; with artists like these we do really fly from star to
star

Marcel Proust, in "In Search of the Lost Time - Volume V: The Prisoner"

 

 

I have already had the opportunity to talk about Erik Satie or even Eugène Bodin in my article on Honfleur. However, now it's the turn of a master of letters to deserving a highlight: Marcel Proust!

 

I'm mentioning Marcel Proust so that I can also approach Cabourg. This is a city, especially known for having been the writer's favourite holiday spot! Go for a visit in Trouville-sur-Mer, or even in Dieppe, and not to pass through Cabourg will end up being almost a crime, namely committed by those who have in Proust a reference.

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Cabourg, still in the Department of Calvados, is one of those places in France where flowers and plants adorn a city... And a typical "cataplana", I must confess. For me, it is also a place where, as a lover of the study of the 2nd World War, looking at the sea, I already start to have a less good feeling. I must admit that the first time I visited Cabourg - and I explain why it was important to go back there - I could not put one foot in the water.  I already had in mind part of the feelings.. when arriving in Caen.

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But Cabourg is more than a majestic 19th century Casino. Cabourg is to be able to walk on the "Marcel Proust Promenade" and feel the aura of times I did not experience. It is a certain glamour of the '60s, '70s, '80s, or even the end of the 19th century, and to imagine the charm and refinement of such a seaside resort. It will not be difficult to realize Cabourg, and therefore it is important to return, as one of those unique romantic escapades. This town is known for its Film Festival, also dedicated to the romantic cinema! Part of the show includes a cinema on the beach!

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This magic doesn't stop there when it comes to romanticism! Saint Valentine's is also celebrated in a very special way, with night baths and a lot of fireworks - this tradition is so taken seriously that cycles of debates and a countless number of cultural and even scientific initiatives linked to love to open up... Maybe, and I'm not a fan of the date, the next 14th of February will be passed in Cabourg!

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Still thinking about love, Cabourg, more precisely, the "Promenade Marcel Proust", is also the place where we find "Le Méridien de L'Amour", a celebration of love on a universal scale and where various "kiosks" open up perspectives in this matter and in 104 languages" - something that does not remain indifferent to anyone! It's easy to wander between the telegrams in different languages and feel the love on a walk by the beach in a privileged and romantic location. Maybe that's what that couple is feeling in the second picture.

 

Honfleur, a fishing town... 

The peaceful and firm Caen

Bayeux, a Norman Jewel

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Atrás de Marcel Proust em Cabourg...

por Robinson Kanes, em 23.09.20

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Imagens: Robinson Kanes & GC

 

A única verdadeira viagem de descoberta, a única fonte da eterna juventude, será não visitar terras que nos são estranhas, mas sim possuir outros olhos, contemplar o universo através dos olhos do outro, de centenas de outros, ver as centenas de universos que cada um contempla, ver o que cada um deles é.  

Marcel Proust, in "Em Busca do Tempo Perdido - Volume V: A Prisioneira"

 

 

Já tive oportunidade de falar de Erik Satie, ou até de Eugène Bodin aquando do meu artigo sobre Honfleur. No entanto, agora é a vez de um mestre das letras merecer um destaque, é ele Marcel Proust!

 

Falo de Marcel Proust para poder também falar de Cabourg. Esta é umalocalidade, sobretudo conhecida por ter sido o local preferido de férias do escritor! Estar em Trouville-sur-Mer, ou mesmo em Dieppe e não passar por Cabourg acabará por ser quase um crime, nomeadamente cometido por parte daqueles que têm em Proust uma referência.

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Cabourg, ainda no Departamento de Calvados, é um daqueles locais de França em que as flores e as plantas transformam uma cidade... E uma espécie de cataplana típica também, devo confessar. Para mim, é também um local onde, como amante do estudo da 2ª Guerra Mundial, olhando o mar, já começo a ter uma sensação menos boa. Devo admitir que, na primeira vez que visitei Cabourg - e já explico porque é importante lá voltar - não consegui colocar um pé na água. Já imaginava muito daquilo que iria sentir mais para a frente... ao chegar a Caen.

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Mas Cabourg é mais que um majestoso Casino do século XIX. Cabourg é poder passear na "Promenade Marcel Proust" e sentir a aura de tempos que não vivi. É sentir um certo glamour dos anos 60, 70, 80 ou até mesmo de finais do século XIX e imaginar o charme e requinte de tal estância balnear. Não será dificil conceber Cabourg, e daí ser importante regressar, como uma daquelas escapadas românticas únicas ou não fosse conhecido pelo Festival de Cinema, também ele dedicado a filmes românticos! Acrescentem a isto, que uma parte do programa inclui cinema na praia!

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Mas Cabourg não se fica por aqui no que concerne a romantismo! O São Valentim é também celebrado de uma forma muito especial, com direito a banhos nocturnos e muito fogo de artifício - esta temática é tão levada a sério que se abrem ciclos de debates e um sem número de iniciativas culturais e até cientificas ligadas ao amor... Quiçá, e nem sou adepto da data, o próximo dia 14 de Fevereiro não venha a ser passado em Cabourg!

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Ainda falando de amor, Cabourg, mais precisamente da "Promenade Marcel Proust", é também o local onde encontramos o "Le Méridien de L'Amour", uma celebração do amor a uma escala universal e onde vários "quiosques" nos abrem os horizontes nesta matéria e em 104 línguas" - algo que não fica indiferente a ninguém! É fácil deambular por entre os  telegramas em diferentes línguas e sentir o amor num passeio junto à praia, numa localização privilegiada e romântica. Talvez seja isso que está a sentir aquele casal na segunda fotografia.

 

Honfleur, uma cidade portuária...

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Honfleur, uma cidade portuária.

por Robinson Kanes, em 22.09.20

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Imagens: Robinson Kanes & GC

 

A minha paixão por cidades portuárias é mais que evidente... Durante toda a minha infância e adolescência (e ... idade adulta) o mar foi uma presença. Tendo uma parte da família ligada ao mar é natural que os genes cá estejam a desempenhar o seu papel.

 

Honfleur, embora não sendo um colosso, é aquela cidade onde o Sena encontra o Canal da Mancha e, segundo alguns (ou seja, eu), onde esse rio perde todo aquele romantismo, que alguns (ou seja, eu), não lhe reconhecem. Gosto, apesar de tudo, de Honfleur... Uma cidade pacata do Departamento de Calvados, em plena Normandia. Cidade tranquila, com uma pequena baía onde encontramos algumas embarcações de lazer que contrastam com aquelas que laboram e procuram as riquezas marinhas do Canal da Mancha. Ainda continuo a preferir que fosse ao contrário, mas o turismo, as cidades e o próprio funcionalismo a essa mudança obrigam.

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Gosto, sobretudo, do interior da cidade... Estar em Honfleur e não usufruir dos bares e restaurantes junto aos veleiros não é ir a Honfleur - essa área tem o nome de "Vieux Bassin". Todavia, e conhecendo relativamente bem (para um visitante) a Normandia, nunca tinha estado em Honfleur. Gosto dos cafés dentro da cidade, sobretudo, das ruas calmas, de uma forma diferente de estar numa cidade portuária que acabar por ser invadida por turistas ou não fosse uma das primeiras atracções turísticas para quem atravessa o Canal da Mancha vindo de Inglaterra ou até entrado pelo norte de França.

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Cidade comercial ao logo da História e uma das mais disputadas durante a Guerra dos Cem Anos (mais uma vez a proximidade com a vizinha Inglaterra), agrada-me também por ser a cidade onde nasceu Erik Satie - quem sabe, algumas das suas "Gymnopédies", não terão tido alguma inspiração por estas bandas... Não creio, todavia fica essa nota que reforça uma necessidade de visitar esta cidade. Com uma história ligada ao Impressionismo, é também uma cidade onde as artes plásticas têm o seu lugar, destaco apenas o "Museu Eugène Boudin" que alberga pinturas do artista e inclusive de Monet.

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Uma das grandes atracções, contudo, é a "Igreja de Santa Catarina"! Totalmente de madeira, muito por culpa da tradição naval, é deveras um encanto para quem gosta de arquitectura! Uma igreja de madeira, com o cheiro intenso da madeira velha e toda aquela austeridade particular, é uma supresa daquelas que marca!

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Cansados do cheiro da madeira e de tão grande riqueza, nada como parar na boutique de café junto ao restaurante "Entre Terre & Mer". Sendo os mesmos proprietários, tenho a agradecer a simpatia das duas colaboradoras que, servindo apenas dois cafés, nos trataram como se tivessemos jantar lavagante ou outras iguarias daquele mar ali tão perto - sem publicidade porque paguei os respectivos dois euros por cada um.

 

Finalmente, e falar deste aspecto num país com tão belas pontes como Portugal não é propriamente fascinante, todavia, nada como aproveitar as vistas (caras) da "Ponte de Normandie" para o Estuário do Sena ou até do mesmo rio ainda confinado num espaço mais curto pela "Ponte de Tancarville" - vindos de Le Havre, não há como fugir.

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A recuperar uma aventura que deixei a meio...

 

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