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O Toiro Vencedor!

por Robinson Kanes, em 09.07.19

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Imagens: Robinson Kanes

 

 

Em pleno século XXI, num país que se diz desenvolvido, ainda tenho de fazer a seguinte pergunta: a que pretexto se violenta um animal na arena, ou nas ruas de uma qualquer cidade, por puro prazer ou desporto? Também não venho apregoar politicas à PAN e defender que todos devem comer ração vegetal (enquanto o PAN às escondidas devorará, muito provavelmente, umas boas costeletas de novilho). 

 

Tenho de sublinhar que também me fazem uma certa impressão as reacções humanas quando é o touro a ganhar a "parada" - então mas não é o desafio do homem contra a "besta"? A "arte" não é essa, ou quando a "arte" não joga a nosso favor interpretamos as coisas de forma diferente, como a derrota do touro fosse sempre certa? Fica a questão... 

 

Importa também lembrar que na equação existe um cavalo... Alguém por acaso também observa o sofrimento do cavalo, ou pensam que um animal daqueles se diverte? Só quem não conhece o comportamento dos cavalos é que defende o contrário. Iniciemos pelo básico da questão (e já não entro em questões comportamentais): experimentem ser montados por indivíduos que não sabem montar a cavalo (de dressage sabem pouco) e além disso peçam que vos coloquem arreios pela goela abaixo, e enquanto vos montam, ainda vos obrigam a fazer hiperflexão do pescoço. Genial, não?

 

A isto juntam-se os seres humanos que praticam a tauromaquia, normalmente oriundos das mesmas famílias de sempre, algumas ricas, outras que gostariam de ser mas que, na sua maioria, dominam as lides nacionais... O povo que se entretenha a pegar o touro ou sonhe com a hipótese de um dia ser matador.

 

 

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A propósito do mais recente "acidente" em Coruche, desta vez foi o touro a ganhar, ou não... Terá tido um sofrimento ainda maior - conhecendo algumas das personagens que frequentam praças de touros, terá sofrido e muito... Mas ganhou e nem por isso saiu em braços e foi adorado por todos aqueles que estavam na praça de touros!

 

Em suma, podemos esperar alguma coisa de alguém que se diverte a assistir a um espancamento (e morte) gratuita de outro animal? Admito que me faz confusão... E em alguns casos até poderei ser hipócrita na abordagem, afinal também como peixe como se não houvesse amanhã. No entanto, não deixo de defender a vida animal! Além disso, estes espectáculos são, não raras vezes, financiados por todos nós!

 

Mas sim, também eu sou hipócrita que não abdico da amizade de muitas famílias com ganadarias e criadores equinos, pessoas que valorizo bastante, e perdoem-me, até mais que os "solidários" e "ambientalistas" de sofá ou de televisão. Admiro a camaradagem do povo ribatejano e dos marialvas, um povo singular e com quem sei que posso contar! Verdadeiros amigos, gente boa e com que me divirto muito! Sim, é verdade... Admiro essa gente e sua companhia faz-me bem! Bem melhor do que a da maioria dos defensores dos animais!

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Créditos: https://insensato.pt/as-cuecas-a-serpente-e-o-padre-163371

 

Recentemente, muito se falou num sacerdote que andou nas redes sociais a espalhar o seu charme praticamente desnudo... De facto, com tantos problemas no mundo e com que é o rebanho se preocupa? Padres em pelota!

 

No entanto, enquanto se atacam padres que tiram fotografias e têm amantes femininas, escondem-se os padres homossexuais (não que exista mal nisso) e padres pedófilos, o que é brilhante! E, de facto, a cereja no topo do bolo, é que com isso ninguém parece estar muito preocupado - e não falo da Igreja, mas do rebanho. Portanto, padres despidos é que não! Padres abusadores de menores, sim! Aliás, até existe um Presidente da República que ainda este ano amnistiou um padre que violentava menores numa instituição da Igreja. Normal, portanto...

 

Mas o conteúdo deste artigo é mais profundo... Uma banda sonora para acompanhar o mesmo?

O que eu censuro e acredito que seja efectivamente uma autêntica blasfémia é o facto de não existir qualquer sacralização do acto de tirar uma boa fotografia - pior que isso, só o infernal bico de pato em frente ao espelho.  Por isso, padres que têm redes sociais, sobretudo "instagram", cá vai:

 

  • Nunca tirem fotografias deitados, despidos e em quartos que parecem a pensão Dallas! Procurem dar um charme à coisa e tenham cuidado com o fundo... Aqueles cortinados estão longe de serem um must de decoração. Cuidado com os lençóis, pela forma como estão amarrotados demonstram que as supostas cambalhotas ainda não aconteceram e só houve beijinhos! Garanhão que é garanhão vai mais longe e deixa a cama toda desmanchada! Cuidado também com o número de almofadas, neste caso, auguram umas certas dores de coluna e pescoço - a idade, eu sei. Em suma, se querem poupar já existe Alojamento Local com muito bom gosto!

 

  • Cuidado com os utensílios: telemóveis na cama!!! Ainda por cima com a luz do ecrã ligada? A evitar, sobretudo quando já são obsoletos. Fixem-se na pessoa e não permitam espaço para que o olhar seja desviado - a não ser que os objectos sejam de outra índole ou telemóveis de última geração!

 

  • Voltando à fotografia do "senhor prior" - quem é que escolheu aquelas cuecas? Eu até percebo o intuito de dar aquele look moderno mas... Evitem as cuecas, utilizem boxers, pretos ou brancos. Aquelas cuecas só têm um efeito sexy em filmes de terceira categoria e filmados em caves de Hong Kong - aposto que nem a Silvia Saint teria gostado de contracenar com um indivíduo em tais preparos. Eu até posso compreender que o "padre cura" tenha tido vontade de passar a imagem de quem elimina os pêlos pûbicos mas... Boxers, vão por mim, boxers... As serpentes gostam mais! E tangas? "Tangas jamé" como diria Mário Lino. Jamais! Jamais!

 

  • Relógio quadrado e em dourado? Hum, o senhor padre acha que é o Burt Reynolds ou então quer um look mais europeu qual Jean-Paul Belmondo... Love it! O ideal é um clássico estilo "Timberland" ou então, se queremos ser modernos, nada como um smartwatch , eu recomendo "Garmin"! Se existir nível, um "Longines", também é opção...Nunca falha e as cotas adoram...

 

  • Especial atenção: cuidado com o volume de pelo, sobretudo nos sovacos e... aquele gesto da mão a apontar para as zonas pudibundas? A sério? É isso e a malta do ginásio que, em frente ao espelho, levanta a t-shirt e mostra os abdominais! Ou então o anúncio ao restaurante do Primo Chico na Atalaia onde o proprietário apontava para o belo de um bacalhau! A questão do ginásio nem é a pior, excepto se existir quem queira lavar as mãos ou a cara e não consiga porque afinal se enganou na porta dos balneários e entrou nos bastidores da Moda Lisboa - só faltam as especiarias e o bicarbonato de sódio!

 

  • E finalmente... Façam um favor a vocês próprios senhores padres, acólitos e todos os outros que querem ter sucesso no "instagram" e com as miúdas: nunca, mas nunca vão de peúgas para a cama! Pior que isso, nunca se deixem fotografar de peúgas! A pior coisa que podem fazer é estarem despidos, ou quase, e conservarem as peúgas. Compreendou que podem camuflar umas certas garras, unhas mal limpas e até uns certos musgos e bactérias, mas tentem que isso não aconteça. Unhas amareladas e podres funcionam melhor que peúgas! Se há coisa que faz uma mulher perder o encanto e aquele instinto de "anda cá meu matulão" são umas peúgas a acompanhar umas cuecas ou então uma total ausência de roupa interior. Pior, só umas "pé de gesso" com raquetes ou eventualmente aquelas peúgas da "lassie". Relógio escapa, gravata para os mais marotos (enfim), agora peúgas?

 

No entanto também existem aspectos positivos: reparem como o senhor padre encolhe a barriga? Pois é, ai não! É importante manter a linha e não deixar a "tripa cervecera" sobressair, viva a barriga de tanque! Finalmente, outro aspecto positivo é o facto do senhor padre ter um ar de beto que não mata uma mosca mas depois é um terror entre lençóis! Isso é bom! Elas não gostam de gabarolas e preferem os santos rebeldes.

 

Por fim... Amem e deitem-se com todas as mulheres que quiserem mas essa de dizer que foi a "serpente tentadora"... Estamos no século XXI, já ninguém acredita em Adão e Eva, nem no catolicismo e muito menos em chalaças de bolso... Essas desculpas em nada diferem das que são dadas pelos psicopatas quando matam 100 pessoas de uma vez e dizem que Nossa Senhora lhes apareceu com essas instruções. Por acaso houve uns pastores perto de Ourém que... 

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Flores - Parte 10: A Despedida e o Até já...

por Robinson Kanes, em 24.06.19

IMG_6379.jpgImagens: Robinson Kanes e GC

 

Acordamos e a manhã está mais calma... Algum vento e chuva durante a noite mas agora a tranquilidade regressa. Ansiosamente vamos tomar o pequeno-almoço... Sem luxos, não é necessário, mais uma vez, somos surpreendidos com a savoir faire do senhor Rogério. Conversamos mais um pouco com o nosso anfitrião e vamos dar um último passeio por Santa Cruz aproveitando também para resolver algumas questões profissionais à distância.

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A vila está a acordar, as pessoas circulam pelas ruas e retomam as suas vidas, como todos os dias e felizes. Aproveito para assistir a essa rotina, como sempre gosto de fazer, no entanto, o mar chama por mim e retorno para bem perto deste. Quero dizer adeus a estas águas, quero despedir-me do Corvo, quero ali ficar a minha manhã...

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Observo, mais uma vez, as pessoas... Passo pela lota, está fechada, nestes dias os barcos não terão saído ao mar e além disso também já não é hora de estar aberta. Observo as embarcações em terra e imagino as mesmas por aquele mar agitado, retomo ao Mar Santo que Redol imortalizou em "Uma Fenda na Muralha". Imagino o mar em rabiosa, imagino aqueles homens naquelas águas... E eu que também conheci de perto, na minha infância, as vidas dos lobos do mar.

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A GC liga-me e diz-me que tem a sua burocracia tratada... Vou buscá-la, quero trazer os olhos dela para junto dos meus e ficarmos sentados a apanhar o leve sol que toca a ilha e a sentir aquele vento carregado de sal. Observamos agora a força dos homens contra a força do mar... O homem tenta vencer o mar, mas será sempre uma batalha perdida no longo prazo. Deparamo-nos que dois dos indivíduos que desafiam o mar viajaram connosco naquele voo "inesquecível" do Corvo para as Flores. Depois de enfrentar ventos que não lembram a ninguém e de sermos sacudidos como se fôssemos flocos de neve naquelas recordações que se compram nas cidades ou pelo Natal, eis que ainda alguém tem de lutar contra a fúria do mar a reclamar o que é seu.

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São horas, é preciso ir almoçar... Almoçar para apanhar o voo de estômago aconchegado... Mais uma vez a salada com aquele molho especial, o queijo divinal e um bacalhau com natas escangalhado na travessa que, devo admitir, me assustou quando colocado na mesa! Na verdade, e porque não quero ser injusto com ninguém (e nem comigo próprio), está no top três dos melhores pratos de bacalhau com natas que já comi. A sobremesa, óptima... Sei que foi mas já não consigo precisar o que era...

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A nossa pressa em sair, como se o aeroporto estivesse a duas horas de caminho fez sorrir o senhor Rogério! Mas era chegada a hora e foi a vez de dizer adeus a mais um amigo! Um amigo que cozinha como ninguém e mais uma daquelas pessoas que nunca esqueceremos!

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No aeroporto, a tensão do costume, até porque o vento sopra agora com alguma intensidade. Mas eis que o Q400 chega e embarcamos. Embarcamos com destino ao Faial, com uma paragem na Terceira... E é nesse voo e em todas as peripécias que tiveram lugar (e foram muitas horas) até chegarmos à Horta que encontrámos gente singular e única, como só nos Açores se pode encontrar. A grande maioria com um objectivo de viagem que nos surpreenderia e faria pensar em como realmente este povo merece a nossa admiração! Talvez venha a falar disso um dia... Talvez não...

 

Pelo meio, mais um regresso a São Miguel tinha ficado pelo caminho devido à intempérie que se abateu sobre as Flores... Uma Foi talvez o melhor que nos aconteceu...

 

Fim

Flores, Parte 1: A Chegada, as Lajes e o Porto Velho!

Flores, Parte 2: O Poço da Ribeira do Ferreiro, a Rocha dos Bordões e a Fajãzinha...

Flores, Parte 3: Calçar as botas e percorrer as Lagoas...

Flores - Parte 4: A Subida ao Morro Alto - Pico da Sé e as Falésias da Costa Oeste

Flores - Parte 5: A Surpresa da Costa Nordeste e da Ponta Norte!

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IMG_6029.jpgImagens: Robinson Kanes e GC

 

E estamos de regresso a Santa Cruz, o último local que pisaremos nesta aventura. A estrada de regresso cansa-nos os olhos - queremos, mais uma vez, guardar toda aquela paisagem e acima de tudo todas aquelas vivências, como se pudessem estar escritas em cada árvore; em cada quilómetro de alcatrão ou de terra; em cada gota de chuva. Queremos recordar a força do mar na Fajã Grande, queremos sentir a natureza no seu estado mais puro a fazer das suas em pleno Atlântico.

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Depois de uma ida ao supermercado, já com muitas prateleiras vazias e sem qualquer tipo de pão, rumamos ao Museu da Fábrica da Baleia do Boqueirão. Como referi, embora nos choque o facto de se matar um animal como a baleia, reconhecemos que também está por detrás um sem número de histórias de vida e de pessoas que deram essa mesma vida para poderem sobreviver naquela ilha dos Açores. Não devemos fugir a essa realidade; a homens que tudo deram para tirar do mar o seu sustento.

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O museu é simples (como se quer num misto de antropologia com arqueologia industrial), está vazio, com pouca gente. É contudo, uma obra fundamental para a ilha e que se percebe em cada parede e em cada máquina. Percorremos os diferentes espaços, fazemos perguntas e também vemos algumas fotografias que nos deixam mais tristes, quer ao nível de perdas humanas quer ao nível das perdas animais. Temos de ver, é a realidade, é um mundo passado (ainda real em alguns países).

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Lá fora... O tempo arrefece, mas ainda convida ao passeio, além de que ainda falta algum tempo para provar os acepipes do senhor Rogério. Despedimo-nos dos simpáticos colaboradores do museu e voltamos a caminhar por Santa Cruz cujos habitantes agora não se encontram nas ruas... Poucas almas, um vento que sopra com alguma intensidade e o som do mar. A capital da ilha só para nós... E o Corvo, como sempre, tão perto...

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Heeeeey... Gritamos nós na esperança de que nos escutem. Afinal, estamos sozinhos na rua, já não nos chamam loucos. Esperamos que o vento transporte o nosso chamamento até à pequena ilha. Esperamos uma resposta, mais um convite para um jantar animado, mais umas cervejas à mesa do BBC. Não obtemos retorno e continuamos a deambular pelas ruas, vagueando desprendidos mas atentos a cada pormenor. É nas coisas mais simples e mais vazias que se encontram os maiores segredos...

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Anoitece... E queremos voltar a desvendar um dos segredos desta ilha na simplicidade do Servi-Flor - os pratos do senhor Rogério. O pargo está óptimo, a salada de alface e tomate sempre com aquele molho especial... E o pão, e o queijo... Terminamos no bar com um martini e uma conversa com o senhor Rogério. Ficamos a conhecer um pouco melhor a ilha, as aventuras dos céus dos Açores e a reconhecer a amizade deste nosso companheiro. Na zona do bar imaginamos aquele espaço, em tempos idos, repleto de soldados franceses e deixamos que essa imagem nos acompanhe até à cama. Fecho os olhos com Santa Cruz e a folia dos franceses na minha imaginação.

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Amanhã é o dia da partida e o fim da aventura... Pelo menos, nas Flores...

 

Continua...

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Flores - Parte 5: A Surpresa da Costa Nordeste e da Ponta Norte!

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IMG_5964.jpgImagens: Robinson Kanes e GC

 

A manhã está chuvosa e ventosa, a noite foi agitada, mal se conseguiu dormir (aquele ruído bom das tempestades)... O mar agitado não traz boas perspectivas. Tomamos o pequeno-almoço, não no Porto Velho, pois ainda é cedo, mas em Santa Cruz - o mar não mudou, a chuva também não e o vento muito menos. E perdoem-me a piada com o Eduardo Nascimento, também "ele não voltou".

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Vamos entregar o carro, desta feita, como em tantas outras vezes, foi na "Ilha Verde". Sempre simpáticos e impecáveis, quer à chegada - que se deu com um dia de atraso - quer à partida quando nos disseram que o melhor seria não entregar já o mesmo! Conhecendo a pista das Flores, ficamos com a sensação que o voo que deveria chegar da Horta para nos levar para Ponta Delgada (São Miguel) poderia não vir. No check-in, pediram-nos para aguardar. 

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A chuva e o vento não acalmaram e quem já vai viajando entre ilhas, percebe que o voo não vai sair! Esperamos pelo Q400 que não chegará! Temos a certeza quando somos chamados ao balcão e nos dizem que o voo foi cancelado e indagam se precisamos de transporte e alojamento! A simpatia e a forma como tal é feito pelo staff da SATA é sempre irrepreensível! Ficar nas Flores não é a pior coisa do mundo, apesar dos compromissos em São Miguel... 

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Primeira situação, o carro de aluguer! Problema resolvido, mais um dia e com total apoio do rent a car. A mim não me pagam para publicidade, mas se há coisa que não me canso de elogiar nos Açores é a "Ilha Verde" (a Sixt também) e a "Sata"... Outros também, mas já fui falando e também os abordarei.

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Alojamento e refeições... Um voucher e aí vamos nós para o Servi-Flor! O Servi-Flor tem várias particularidades que o tornaram num dos pontos altos desta aventura - é um hotel antigo, onde os materiais são antigos, de facto, mas onde o estado de conservação dos mesmos e a limpeza são irrepreensíveis! Não importa se os móveis são dos anos 50, estão bem mantidos, limpos, pelo que é viajar no tempo naquela que foi a antiga messe da base militar francesa nas Flores! Simplesmente formidável, até porque os pratos ainda fazem menção a esse passado...

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Somos bem recebidos pelo Sr. Rogério, aquele ar mais austero acaba por esconder um dos indivíduos mais simpáticos da ilha! Vamos almoçar e quando temos a ideia de que vem aí uma comida "à hotel" eis que... Uma surpresa... Um peixe (Mero com banana) maravilhoso e um outro prato que já não me recordo! Um queijo da ilha como entrada e tudo com um sabor único! Ficamos impressionados, até porque só depois de deixarmos o hotel é que percebemos que o cozinheiro é o próprio dono do hotel, o Sr. Rogério!

 

Melhor do que isso, mais uma daquelas coisas que só a Sata consegue fazer: somos informados no hotel de que a Sata prolongou o nosso voucher para o almoço do dia seguinte para que a viagem fosse mais tranquila e pudessemos ir de... "estômago aconchegado"! Nem a Qantas, a Air New Zealand sequer alguma vez me nos fizeram uma coisa destas!

 

Pouco passa do meio-dia, o tempo piora... Piora bastante, vem aí uma tempestade. O Sr. Rogério, conhecedor da ilha, rapidamente nos diz que podemos pegar no carro ao fim de uma hora e partir para visitar as cascatas pois vão ficar cheias de águas e o espectáculo será outro! Como somos doidos, nem perguntamos como é que será possível pegar num carro, percorrer meia ilha enquanto o fim do mundo se está a aproximar! Ficamos radiantes e dizemos que é isso mesmo que iremos fazer, mesmo quando os estores parecem estar prestes a ser arrancados pelo vento! No final da conversa, e é importante dizer, mais um grande elogio, por parte do Sr. Rogério, ao Comandante Luis Gouveia da Sata! É um herói dos céus dos Açores!

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Mais do que por nós, ao espreitar pela janela do quarto, tememos pelo carro... Afinal não somos os proprietários do mesmo. A verdade é que o tempo abrandou... Vejamos, deixou de ser o fim do mundo e passou a ser algo como o fim da Terra... Metemo-nos ao caminho não sem ver na cara do Sr. Rogério um sorriso! Acredito que terá pensado: "para continentais não estão nada mal! Eu a pensar que hoje já não deixavam o quarto com medo".

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Não é nas Flores, mas é no apaixonante Corvo... E porque no dia em que foi escrito este artigo, o Sapo publicou esta notícia.

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Continua...

 

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Fotografias: Robinson Kanes e GC

 

Acabamos uma refeição que nos sabe pela vida no "Pescador". A simpatia, os sabores e o momento para relaxar numa decoração rústica e com artes de pesca, deixa-nos com vontade de regressar. 

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É hora agora de deambular por Ponta Delgada, apreciar o mar daquela costa e ir ao encontro daquele que será um dos pontos altos desta aventura, pelo menos para nós: o Farol da Ponta do Albarnaz e toda a Costa Norte. Este é um dos faróis mais pitorescos do nosso país e também aquele com maior potência em termos de luminosidade - é aqui que os navegantes oriundos das américas entram na Europa habitada!

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O local fala por si, é inigualável e faz-nos esquecer que estamos, efectivamente, em Portugal! Não muito longe, já descendo a costa oeste encontra-se também o Ilhéu de Monchique, este sim o ponto mais ocidental da Europa e ponto de referência para calibrar os instrumentos de navegação e confirmar as rotas daqueles que navegavam no Atlântico. Seguindo em linha recta, não havia como enganar em direcção às américas ou à Europa.

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O sol espreita, parece querer dar-nos o postal ideal para aquele momento e também para nos convidar a deixar o carro - pensamos várias vezes antes de abandonar o mesmo e começar a caminhar junto à costa - e é o que fazemos! A panorâmica proporcionada, a companhia dos bichos que deambulam pelas encostas e o aroma do atlântico dão-nos energia para apreciar um local como poucos - e o queijo da Fazenda também, não ficou para trás e trouxemos algum connosco. Foi mesmo sem pão! Em Santa Cruz o pão fresco já tinha acabado para aquele dia e o pão embalado aguardava nova chegada do navio que abastece a ilha.

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Não queremos voltar, não queremos mesmo voltar - faz-nos relembrar um certo dia na Terceira em que quase ficávamos em terra porque a vontade de abandonar uma paisagem idílica nos fez perder tempo a mais... Observamos o Corvo... Absorvemos o grasnar das aves... Deixamos que os sons do gado ecoem pelos campos... Sentimo-nos intrusos num território que não é nosso e por isso mesmo ficamos quietos. Deixamos que aquele mundo de uma inquietação pacífica se desenhe perante os nossos sentidos... Somos aliens num mundo que não é o nosso! Gostamos de nos isolar no bulício dos sons da natureza, encontramos aqui mais um local!

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A noite já ameaça e queremos terminar a tarde em Santa Cruz, entre um copo e até uma ida à eucarístia - do meu lado, a religião não é prioridade, todavia, quando as celebrações são feitas sem sangue, gosto de assistir e de também presenciar a tradição.

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Chegados a "casa", não me entrego a Morfeu sem voltar à porta e olhar, mais uma vez, a nossa companhia daquelas noites - a luz do Farol das Lajes

Amanhã é dia de regresso - vamos regressar, também mais uma vez, a São Miguel... Ou talvez não...

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Continua...

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Créditos: Robinson Kanes e GC

 

A manhã chega com o som do mar a dizer-nos que não está para grandes conversas... Apesar do vento, procuro sair e ficar a sentir a brisa no rosto, a recordar os meus tempos em que passava o fim de semana junto dos lobos do mar e sentia aquele cheiro em Porto Dinheiro ou em Peniche. 

 

Contudo, mesmo para quem gosta de mar, o estômago é quem manda e claro, o pequeno-almoço é no Porto Velho - duas tostas, dois sumos e dois cafés! O resto da refeição é preenchido com animação a cargo dos diálogos entre lobos do mar.

 

Chega a hora de nos fazermos ao caminho e, logo após o Lajedo,  apreciar a "Rocha dos Bordões", ponto de fulcral importância para os habitantes das Flores, além disso é um interessante ponto geológico na medida em que estamos perante uma rocha que se formou pela solidificação do basalto em altas estrias verticais - pensamos em iniciar uma "escalada", mas a incerteza com o tempo e com as autorizações faz-nos recuar.

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Continuamos na direcção de um local que não nos faria recuar nunca, nem que estivessem ventos muito acima dos 200 km/H - na semana anterior a passagem da tempestade "Diana" foi bem sentida embora sem estragos de maior. Refiro-me obviamente ao "Poço da Ribeira do Ferreiro" ou "Alagoinha" como também é conhecido. Para aqui chegar o caminho é feito a pé, e depois de dias de tempestade, nem sempre o caminho está nas melhores condições, no entanto... Preparem-se para entrar numa outra dimensão e deixem-se envolver pela vegetação cerrada, pelos cheiros e pela natureza no seu estado mais puro e, de repente... entram num outro mundo. As cascatas e o poço a fazerem-nos pensar se estamos realmente em Portugal ou numa qualquer floresta tropical. 

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Com aquele local só para nós, ficamos por ali muito tempo, tiramos fotografias, comemos algo para repor energias e não fechamos os olhos! Ficam bem abertos a absorver tamanha beleza para que jamais percamos tais imagens do nosso pensamento! Ousaria dizer que um dia é pouco para por ali ficarmos...

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E por ali ficamos, mas não descansamos, o espectáculo com que nos deparamos não o permite...

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Mas a fome aperta e também as botas pedem mais caminho, é altura de ir até à Fajãzinha (Mosteiro e a Caldeira -sem habitantes desde 1992 por questões de segurança - serviram para relaxar). 

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Descemos e encontramos a pacatez, o silêncio e a pa que caracterizam o local... Temos outra visão da ilha e do espaço, ficamos indecisos entre o apelo da serra e do mar, das gentes e de um cheiro a comida que anda pelo ar...

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Do lado da serra, a neblina anuncia que o tempo muito provavelmente vai fechar e ainda temos mais uma etapa pelo caminho antes de jantar com um casal de alemães (novamente os alemães, mas não me perguntem porque temos esta afinidade com aquele povo) num restaurante onde os produtos servidos são todos locais e biológicos - a Casa do Rei, também nas Lajes da Flores! Uma nota, o restaurante é propriedade dos mesmos.

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Mas antes do jantar é preciso arriscar um pouco mais e partir em direcção à Fajã Lopo de Vaz, mais escondida e mais perigosa! Queremos, contudo, ver as cascatas a debitarem a sua água no mar e queremos percorrer todos aqueles caminhos enquanto o vento e a cacimba nos afrontam. Chegamos ao ponto onde as tempestades também entram pelas Flores, por norma, antes que de chegarem a outros grupos e até ao continente, é nas Flores que as tempestades abrem as hostes em território português!

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Nas Flores, por pior que seja uma tempestade, nunca é um drama para os seus habitantes, diz-se mesmo que, quando nas ilhas do grupo central e oriental ficam em pânico, nas Flores, onde estas são mais fortes, o povo recebe-as calmamente, até porque é aqui que, por norma, são mais fortes.

Continua...

Flores, Parte 1: A Chegada, as Lajes e o Porto Velho

 

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Imagens: Robinson Kanes e GC

 

Sou suspeito a falar dos Açores, afinal são aquele local mágico que me deixa apaixonado e destrói qualquer tentativa de imparcialidade da minha parte - todavia, nada me poderia deixar mais encantado e surpreendido que a ilha das Flores, tal facto, a par com o Corvo, levou-me a que o regresso fosse quase imediato. Como cheguei às Flores? A aventura começa no Corvo.

 

Depois da "pior" aterragem da nossa vida, as Flores são famosas por isso, mais uma vez, aqui presto a minha homenagem aos pilotos da SATA que fazem os voos inter-ilhas, especialmente ao comandante Luis Gouveia - um senhor altamente respeitado nos Açores, especialmente nesta ilha. Só para que se tenha uma ideia, o voo daquele dia acompanhou-nos durante uma semana pois sempre que mencionávamos a data do mesmo, todos sentiam uma espécie de compaixão por nós tal fora o tormento e a imagem que se teve de fora, imaginem lá dentro! No entanto, se existem aviões no mundo que também merecem o meu respeito e admiração são os Q200 e os Q400 (e o velhinho Dornier).

 

Chegar às Flores é entrar num mundo mágico! É estar no meio do oceano num pequeno pedaço de terra, com o Corvo bem perto mas onde o conceito de Europa já é vago. Pode ser assustador, pode causar algum desconforto, mas basta chegar ao aeroporto e começar a conhecer os florentinos para rapidamente percebermos que afinal não estamos assim tão "deslocados".

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Desta vez, as Lajes das Flores foram o nosso quartel-general. O nosso amigo alemão tem lá casa ( e também espaço de alojamento local) e é um apaixonado pela ilha! É difícil a escolha quando se vai às Flores - entre o alemão e a antiga messe francesa (Santa Cruz) - mas lá iremos.

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Pelo caminho, na "marginal" que vai de Santa Cruz às Lajes rapidamente começamos a subir e podemos ter uma panorâmica de Santa Cruz - a capital da ilha - e da Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição. Também é daí que temos uma panorâmica fantástica para assistir às aterragens e descolagens a Oeste, normalmente, verdadeiras aventuras. É por aqui que se começa a ter o primeiro contacto com o gado (ou não estivessemos nos Açores) e com o mar.

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É por este caminho que vamos tendo o primeiro contacto com as famosas cascastas e, se ficamos surpreendidos logo de início, mal sabemos o que nos espera. É também por este caminho que encontramos fantásticas vistas, das quais se destacam o miradouro da Fajã do Conde, a Gruta dos Enxaréus e claro, algumas localidades peculiares como Barqueiros, Caveira e Lomba. Já nas Lajes, a visita ao "Porto Velho" é obrigatória! Antes, nada como contemplar o porto e apreciar o farol... Quando o mar está como Redol o descreve (no contexto da Nazaré) em "Uma Fenda na Muralha", conseguimos assistir a um espectáculo único em que o respeito, a admiração e o medo se unem numa sensação boa!

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Mas o que é o "Porto Velho"? Um café! Um simples café onde novos e velhos lobos do mar, turistas, desempregados, funcionários públicos e bancários se misturam num ambiente único e singular onde se combate o isolamento com a proximidade e com a camaradagem. Por lá, mandam os lobos do mar, é ali que muitas vezes esperam a bondade daquele oceano para se fazerem ao mar. O "Porto Velho" é um café onde a tosta mista não é a melhor do mundo, onde a decoração não prima pelo melhor dos gostos, onde as refeições até são apetecíveis mas onde tudo tem um sabor que não encontramos em lado algum! O café aqui tem um sabor especial, as conversas duram horas a fio - são as paredes onde alguém, cuja infância também passou por temporadas junto ao mar e pôde observar a vida da faina, se sente num autêntico Louvre de etnografia e acima de tudo de vivências, amizade e nostalgia.

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De Almourol a Recordar...

por Robinson Kanes, em 14.03.19

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Imagens: Robinson Kanes

 

Poderia vir aqui repetir a história do Castelo de Almourol mas tenho de admitir que as recordações que este castelo e toda a área envolvente me trazem vão bem para além do monumento em si e do seu carácter histórico. 

Tenho em mim a memória daqueles fins de tarde na companhia do meu pai, depois do serviço... Recordo-me dos militares a usufruirem do Tejo, quer com a sua ponte do regimento de engenharia, quer com banhos naquelas águas como refrescante de horas e horas de treino ali mesmo em cima, em Tancos... Ou então ainda mais acima pois eram, na sua maioria, paraquedistas. 

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Almourol era o pôr do sol que no Ribatejo e também no Alentejo tem uma luz especial e onde disputava o seu protagonismo com Vila Nova da Barquinha ou até com o Arrepiado, quando se atravessava para a margem sul do Tejo via Constância ou via Chamusca. Fins de tarde quentes e onde escutei mil e uma histórias e ensinamentos - talvez algumas tenham feito de mim o homem que sou hoje! 

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Almourol traz-me também à memória a vontade de, ainda miúdo, querer atravessar aquelas águas a nado e descobrir os segredos do castelo - dizia o meu pai, para me assustar, que ainda lá se encontravam cavaleiros do templo e que todo o cuidado era pouco.

 

Hoje apeteceu-me recordar mais um pouco desses tempos no Ribatejo, das tardes em Praia do Ribatejo, de Constância, da Atalaia e das muitas amizades que se faziam na Asseiceira, já a caminho de Tomar.

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O Meu Reino por um Cavalo!

por Robinson Kanes, em 28.02.19

A Liberdade. Como é difícil. Numa carroça, quem tem menos problemas é o cavalo.

Vergílio Ferreira, in "Conta Corrente III"

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Cavalo inteligente? É o cavalo que não se deixa montar.

Entre vinho branco do Tejo e petiscos... Uma conversa onde o Robinson estava metido... Algures na Chamusca...

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O corpo humano é a carruagem, eu, o homem que a conduz, os pensamentos as rédeas, os sentimentos são os cavalos.

Platão, in "República"

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Um cavalo, o meu reino por um cavalo.

William Shakespeare, in "Ricardo III" 

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Fotos: Robinson Kanes

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