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Paisagens de Portugal: Cambeses

por Robinson Kanes, em 14.12.19

cambasses_asnela_cabeceiras_de_basto.jpg

Imagem: Robinson Kanes

Imagina, se pudéssemos recordar exactamente os perfurmes e os beijos! Como seria fatigante a realidade deles!

Aldous Huxley, in  "Sem Olhos em Gaza".

 

Depois de Cambeses, já com vista sobre Asnela e ainda com a esperança de terminar o dia na Uz. Ao longe a Senhora da Graça repousa como dona do horizonte como imperatriz das montanhas minhotas de um lado e transmontanas do outro.

 

Avistamos um caminho ao longe, queremos percorrer e avistar as montanhas a sudoeste ainda mais de perto... Não hesitamos, mesmo que a noite possa cair entretanto. Somos parte do território, somos também parte dessa seiva, um por direito natural, outro por empréstimo.

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Paisagens de Portugal: Ilha do Pessegueiro

por Robinson Kanes, em 10.12.19

potreco_covo_sines_portugal.jpgImagem: Robinson Kanes

 

Não há que ter medo deste Deus (... e tudo quanto há) porque não distribui castigos. Não há que fazer qualquer esforço para dele obter recompensas porque também não distribui recompensas. A única coisa a temer é o nosso próprio comportamento  (...) neste sistema, as nossas acções não deve visar o agrado de Deus, mas sim o conformar-se com a natureza de Deus. Quando actuamos de acordo com a natureza de Deus, produzimos felicidade e produzimos uma espécie de salvação. Agora.

António Damásio, in "Ao Encontro de Espinosa"

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Paisagens de Portugal: Vila Nova de Milfontes

por Robinson Kanes, em 10.12.19

vila_nova_milfontes_portugal.jpg

Imagem: Robinson Kanes

 

Quem pode saber, pela palavra adeus, que tipo de separação nos opera.

Arundhaty Roy, in "o Ministério da Felicidade Suprema"

 

O pôr-do-sol a surgir e o triunfo de mais um dia cantado pelas aves que bebiam a frescura do mar e pareciam caminhar em direcção àquela luz salvadora. Ao teu lado, a luz do crepúsculo terá sempre uma cor especial, seja em terras lusas seja no outro lado do Mundo...

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Paisagens de Portugal: Lisboa

por Robinson Kanes, em 05.12.19

lisboa_portugal.jpg

Imagem: Robinson Kanes

 

Não posso deixar passar a minha cidade, aquela que me viu nascer e também partir e regressar. Lisboa é a mais bela capital do Mundo e apesar da sua tristeza não perde a beleza com a sua luz única no Mundo.

 

Lisboa não sejas francesa, vais perder o teu encanto, vais ser ainda mais infeliz... Bebe da Europa e do Mundo a alegria de muitas grandes cidades, sim bebe, mas não entregues a alma que faz de ti a mais especial de todas. Não te vendas às modas e à política de meia-dúzia, conserva o provincianismo da tua localização e do teu aspecto e luta sim pelo cosmopolitismo daqueles que em ti nasceram e cujas almas provincianas são um empreendimento mais complexo de moldar...

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Alcochete_portugal.jpg

Imagem: Robinson Kanes

 

Enquanto formos refractários à verdade e sensíveis apenas a estímulos artificiais, seremos, não tenho dúvida, incapazes de nos governarmos.

Rabindranath Tagore, in "A Casa e o Mundo"

 

Alguém disse "Alcochete Jamais (jamé)" e na verdade não poderia ter dito melhor, embora o sentido da afirmação fosse uma ignorância atroz para um político... Alcochete jamais deverá ser destruído por uma implacável sede de crescimento e até de poder. Alcochete é das poucas vilas verdadeiramente ribatejanas que está tão perto da capital... Alcochete, ao contrário do que circula por aí, não quer ser Cascais da margem sul (Cascais da margem sul jamais. Alcochete quer ser ela mesmo, uma vila única e singular, o Ribatejo às portas de Lisboa e com a especial identidade que a caracteriza. Alcochete que ter na Reserva Natural do Estuário do Tejo uma das suas maiores riquezas e não a sua destruição.

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Paisagens de Portugal: Alcácer do Sal

por Robinson Kanes, em 01.12.19

alcacer_do_sal_sado.jpg

Imagem: Robinson Kanes

 

 

Um dos símbolos de Alcácer, as cegonhas sempre vagueando entre as culturas e os arrozais. Fiéis companheiras das chaminés e das torres das igrejas. Alcácer do Sal é uma das mais belas cidades portuguesas. Admito que para mim é uma vila, mas pelo encanto e pelo grau pitoresco que não deixa ninguém indiferente.

 

Parar na cidade para contactar com aquelas gentes, para sentir o Sado no seu caminho contrário em direcção a norte enquanto bebemos um café na companhia da sua trajectória e para partir por imensos arrozais e conhecer todos os habitantes de um ecossistema singular no mundo!

 

É impossível dizer-se português sem percorrer as ruelas e as paisagens deste concelho.

 

P.S.: obrigado ao SAPO pelo destaque de Palmela/Setúbal que mais para o norte da Europa foi muito apreciado...

 

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Paisagens de Portugal: Fisgas do Ermelo

por Robinson Kanes, em 26.11.19

fisgas_do_ermelo_mondim_de_basto.jpg

Imagem: Robinson Kanes

 

Este senhor já tinha falado nisso aquando da partilha da "Senhora da Graça" e eu não lhe fechei a porta... As Fisgas do Ermelo são das coisas mais bonitas que temos em Portugal, uma queda de água, esculpida com uma perfeição que pensamos se Rodin não havia deambulando pela Terra antes de nos ter surgido como mestre da escultura.

 

As Fisgas do Ermelo dão uma vida especial a um concelho (Mondim de Basto) que congrega algumas das áreas mais bonitas do Baixo-Tâmega. Trazem-me também um misto de deslumbramento e tristeza... Foi das últimas vezes que estive com alguém que já não está presente na minha/nossa vida, sobretudo pelo episódio de pouca esperança face a uma fatalidade que mesmo assim todos acreditávamos ser possível superar... Hoje estaria muito orgulhosa de ti, muito orgulhosa! Eu ainda não te disse, mas é num simpático bar de aeroporto em Belfast, com os Coldplay de fundo (dos tempos em que eram Coldplay), que também tenho de dizer que estou muito orgulhoso de ti, minha deutsche em London.

 

Mas a Natureza é assim, dona de uma força que nunca conseguiremos superar, seja nestes episódios, seja na criação destes monumentos! É um encantamento, como diria Teixeira de Pascoaes, poeta nascido bem perto (Amarante) e que veio a falecer ainda mais perto, em "Gatão".

 

Encantamento

 

Quantas vezes, ficava a olhar, a olhar
A tua dôce e angelica Figura,
Esquecido, embebido num luar,
Num enlêvo perfeito e graça pura!

E á força de sorrir, de me encantar,
Deante de ti, mimosa Creatura,
Suavemente sentia-me apagar...
E eu era sombra apenas e ternura.

Que inocencia! que aurora! que alegria!
Tua figura de Anjo radiava!
Sob os teus pés a terra florescia,

E até meu proprio espirito cantava!
Nessas horas divinas, quem diria
A sorte que já Deus te destinava!

Teixeira de Pascoaes, in "Elegias"

 

 

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Paisagens de Portugal: Palmela/Setúbal

por Robinson Kanes, em 25.11.19

palmela_setubal.jpg

Imagem: Robinson Kanes

 

Subir ao Castelo de Palmela é sempre um dos pontos altos de qualquer percurso de bicicleta no Parque Natural da Arrábida. Subir o paralelo que nos leva pelas ruelas da pequena vila até ao cimo é entrar dentro dos ritmos daquele lugar que na época das vindimas adquire um aroma especial. É subir... subir... sem nos cansarmos... É subir sabendo da conquista que nos aguarda no topo.

 

Mas chegar ao Castelo é também ser dono do Mundo, é olhar ao longe o encontro entre o Sado e o Atlântico. É apreciar Setúbal e a sua baía, uma das mais belas do Mundo. É vislumbrar a Península de Tróia que procura tocar o outro lado do estuário, é ver quase todo o Alentejo que se está ali tão perto. É comungar com tamanha imensidão e beleza e pensar: como é belo e eclético este distrito! E é com um dos grandes deste distrito, mais precisamente de Azeitão, que recordo agora, tão longe... esta paisagem.

 

Versos ao Mar

Ai!,
o berço da tua voz,...
e esse jeito de mão que tens nas ondas,
Mar!

Quando eu cair exausto
sobre as conchas da praia e fique ali
doente e sem ninguém,
hás-de ser tu quem me trate,
quero que sejas tu a minha Mãe.

Há-de embalar-me a tua voz de berço,
pra que a febre me deixe sossegar,
e hás-de passar, ó Mar!
pelo meu corpo em chaga,
as tuas mãos piedosas comovidas,
pra que sintas por mim as minhas dores
e eu sinta só o bálsamo nas feridas.

Como se fosses tu a minha Mãe…
Como se fosses tu a minha Noiva…

E hás-de contar-me histórias velhas
de Marinheiros…
Histórias de Sereias e de Luas
que se perderam por ti…
E se a Morte vier há-de quedar,
toda encantada, a ouvir-te,
e, sem ânimo já me há-de quedar,
Toda encantada, a ouvir-te,
E, sem ânimo já de me levar,
sorrindo, voltará por seu caminho
(não na sentimos vir, nem ir, tão de mansinho
se passou tudo, Mar!),
voltará de mansinho,
pé ante pé, pra não nos perturbar,

mas saudosa da tua voz de berço…

Sebastião da Gama, in "Serra-Mãe"

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Paisagens de Portugal: Sudoeste Alentejano

por Robinson Kanes, em 24.11.19

sudoeste_alentejano_alentejo_portugal.jpg

Imagem: Robinson Kanes

 

O Valor do Vento

 

Está hoje um dia de vento e eu gosto do vento

O vento tem entrado nos meus versos de todas as maneiras e

só entram nos meus versos as coisas de que gosto

O vento das árvores o vento dos cabelos

o vento do inverno o vento do verão

O vento é o melhor veículo que conheço

Só ele traz perfume das flores só ele traz

a música que jaz à beira-mar em agosto

Mas só hoje soube o verdadeiro valor do vento

O vento actualmente vale oitenta escudos

Partiu-se o vidro grande da janela do meu quarto

 

Ruy Belo, in "Homem de Palavras"

 

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Paisagens de Portugal: Salvaterra de Magos

por Robinson Kanes, em 23.11.19

salvaterra_de_magos.jpg

Imagem: Robinson Kanes

 

O concelho mais pobre do distrito de Santarém, paradoxalmente é um dos mais belos. Acompanhando o Tejo, é um território ímpar onde a actividade agrícola, a pecuária e uma população amistosa se confundem em séculos de trabalho árduo. 

Andar de bicicleta por este concelho, é descobrir alguns dos locais mais encantadores de Portugal, sobretudo se dermos um salto à Aldeia Avieira do Escaroupim e seguirmos a Mata Nacional com o mesmo nome até Muge. Mas eu não posso falar do Ribatejo, serei sempre parcial e o cheiro daquela terra molhada ou seca pelo sol, cultivada ou em pousio, transforma-me num dos seus maiores apaixonados.

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