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Uma jóia normanda: Bayeux

por Robinson Kanes, em 25.09.20
 
 

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Imagens: Robinson Kanes

 

 

Uma das mais belas catedrais de França está situada no departamente de Calvados, na região da Normandia, mais precisamente em Bayeux!

 

No entanto, antes de entrarmos na catedral, Bayeux tem a curiosidade de ter sido a primeira cidade a ser libertada na Batalha da Normandia! É também por isso, que acolhe o cemitério de todos os jornalistas abatidos a acompanhar cenários de conflito desde 1944! Também é nas imediações do centro de Bayeux que se encontra o maior cemitério britânico da Segunda Guerra Mundial. Mas deixando as experiências menos boas, Bayeux é conhecida pela sua tapeçaria do século XI e onde se encontra "relatada" a conquista de Inglaterra por parte dos normandos liderados por Guilherme II. Merece ser visitada até porque está catalogada pela UNESCO, sobretudo pelos seus tapetes.

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Mas o que pode levar alguém como eu a Bayeux é a oportunidade de poder conhecer mais uma localidade normanda e apreciar a calma e simpatia dos seus residentes, num quase viajar ao passado. Se esperamos passar uma manhã ou uma tarde, rapidamente percebemos que temos de ficar mais tempo.

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Regressando à catedral, rapidamente percebemos o estilo gótico que se deve à reconstrução da mesma durante o século XI. Destaco a nave central que nos guia pelos imensos vitrais que se espalham ao longo de toda a estrutura. Para apreciadores desta arte, sem dúvida que verão aqui a sua sede de conhecimento saciada. 

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Também não podemos esquecer onde estamos, pelo que, em cada canto somos recordados de um passado não muito longínquo e onde se recordam todos aqueles que tombaram em nome da liberdade na Europa.

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Se gostarmos da Normandia, por certo que não podemos deixar de conhecer Bayeux, até porque qualquer das estradas até lá é um verdadeiro passeio carregado de paisagens que são o verdadeiro postal da Normandia. 

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Honfleur, uma cidade portuária

Atrás de Marcel Proust em Cabourg

A pacata e firme Caen

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Atrás de Marcel Proust em Cabourg...

por Robinson Kanes, em 23.09.20

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Imagens: Robinson Kanes & GC

 

A única verdadeira viagem de descoberta, a única fonte da eterna juventude, será não visitar terras que nos são estranhas, mas sim possuir outros olhos, contemplar o universo através dos olhos do outro, de centenas de outros, ver as centenas de universos que cada um contempla, ver o que cada um deles é.  

Marcel Proust, in "Em Busca do Tempo Perdido - Volume V: A Prisioneira"

 

 

Já tive oportunidade de falar de Erik Satie, ou até de Eugène Bodin aquando do meu artigo sobre Honfleur. No entanto, agora é a vez de um mestre das letras merecer um destaque, é ele Marcel Proust!

 

Falo de Marcel Proust para poder também falar de Cabourg. Esta é umalocalidade, sobretudo conhecida por ter sido o local preferido de férias do escritor! Estar em Trouville-sur-Mer, ou mesmo em Dieppe e não passar por Cabourg acabará por ser quase um crime, nomeadamente cometido por parte daqueles que têm em Proust uma referência.

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Cabourg, ainda no Departamento de Calvados, é um daqueles locais de França em que as flores e as plantas transformam uma cidade... E uma espécie de cataplana típica também, devo confessar. Para mim, é também um local onde, como amante do estudo da 2ª Guerra Mundial, olhando o mar, já começo a ter uma sensação menos boa. Devo admitir que, na primeira vez que visitei Cabourg - e já explico porque é importante lá voltar - não consegui colocar um pé na água. Já imaginava muito daquilo que iria sentir mais para a frente... ao chegar a Caen.

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Mas Cabourg é mais que um majestoso Casino do século XIX. Cabourg é poder passear na "Promenade Marcel Proust" e sentir a aura de tempos que não vivi. É sentir um certo glamour dos anos 60, 70, 80 ou até mesmo de finais do século XIX e imaginar o charme e requinte de tal estância balnear. Não será dificil conceber Cabourg, e daí ser importante regressar, como uma daquelas escapadas românticas únicas ou não fosse conhecido pelo Festival de Cinema, também ele dedicado a filmes românticos! Acrescentem a isto, que uma parte do programa inclui cinema na praia!

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Mas Cabourg não se fica por aqui no que concerne a romantismo! O São Valentim é também celebrado de uma forma muito especial, com direito a banhos nocturnos e muito fogo de artifício - esta temática é tão levada a sério que se abrem ciclos de debates e um sem número de iniciativas culturais e até cientificas ligadas ao amor... Quiçá, e nem sou adepto da data, o próximo dia 14 de Fevereiro não venha a ser passado em Cabourg!

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Ainda falando de amor, Cabourg, mais precisamente da "Promenade Marcel Proust", é também o local onde encontramos o "Le Méridien de L'Amour", uma celebração do amor a uma escala universal e onde vários "quiosques" nos abrem os horizontes nesta matéria e em 104 línguas" - algo que não fica indiferente a ninguém! É fácil deambular por entre os  telegramas em diferentes línguas e sentir o amor num passeio junto à praia, numa localização privilegiada e romântica. Talvez seja isso que está a sentir aquele casal na segunda fotografia.

 

Honfleur, uma cidade portuária...

A pacata e firme Caen

Uma jóia normanda: Bayeux

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Honfleur, uma cidade portuária.

por Robinson Kanes, em 22.09.20

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Imagens: Robinson Kanes & GC

 

A minha paixão por cidades portuárias é mais que evidente... Durante toda a minha infância e adolescência (e ... idade adulta) o mar foi uma presença. Tendo uma parte da família ligada ao mar é natural que os genes cá estejam a desempenhar o seu papel.

 

Honfleur, embora não sendo um colosso, é aquela cidade onde o Sena encontra o Canal da Mancha e, segundo alguns (ou seja, eu), onde esse rio perde todo aquele romantismo, que alguns (ou seja, eu), não lhe reconhecem. Gosto, apesar de tudo, de Honfleur... Uma cidade pacata do Departamento de Calvados, em plena Normandia. Cidade tranquila, com uma pequena baía onde encontramos algumas embarcações de lazer que contrastam com aquelas que laboram e procuram as riquezas marinhas do Canal da Mancha. Ainda continuo a preferir que fosse ao contrário, mas o turismo, as cidades e o próprio funcionalismo a essa mudança obrigam.

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Gosto, sobretudo, do interior da cidade... Estar em Honfleur e não usufruir dos bares e restaurantes junto aos veleiros não é ir a Honfleur - essa área tem o nome de "Vieux Bassin". Todavia, e conhecendo relativamente bem (para um visitante) a Normandia, nunca tinha estado em Honfleur. Gosto dos cafés dentro da cidade, sobretudo, das ruas calmas, de uma forma diferente de estar numa cidade portuária que acabar por ser invadida por turistas ou não fosse uma das primeiras atracções turísticas para quem atravessa o Canal da Mancha vindo de Inglaterra ou até entrado pelo norte de França.

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Cidade comercial ao logo da História e uma das mais disputadas durante a Guerra dos Cem Anos (mais uma vez a proximidade com a vizinha Inglaterra), agrada-me também por ser a cidade onde nasceu Erik Satie - quem sabe, algumas das suas "Gymnopédies", não terão tido alguma inspiração por estas bandas... Não creio, todavia fica essa nota que reforça uma necessidade de visitar esta cidade. Com uma história ligada ao Impressionismo, é também uma cidade onde as artes plásticas têm o seu lugar, destaco apenas o "Museu Eugène Boudin" que alberga pinturas do artista e inclusive de Monet.

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Uma das grandes atracções, contudo, é a "Igreja de Santa Catarina"! Totalmente de madeira, muito por culpa da tradição naval, é deveras um encanto para quem gosta de arquitectura! Uma igreja de madeira, com o cheiro intenso da madeira velha e toda aquela austeridade particular, é uma supresa daquelas que marca!

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Cansados do cheiro da madeira e de tão grande riqueza, nada como parar na boutique de café junto ao restaurante "Entre Terre & Mer". Sendo os mesmos proprietários, tenho a agradecer a simpatia das duas colaboradoras que, servindo apenas dois cafés, nos trataram como se tivessemos jantar lavagante ou outras iguarias daquele mar ali tão perto - sem publicidade porque paguei os respectivos dois euros por cada um.

 

Finalmente, e falar deste aspecto num país com tão belas pontes como Portugal não é propriamente fascinante, todavia, nada como aproveitar as vistas (caras) da "Ponte de Normandie" para o Estuário do Sena ou até do mesmo rio ainda confinado num espaço mais curto pela "Ponte de Tancarville" - vindos de Le Havre, não há como fugir.

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A recuperar uma aventura que deixei a meio...

 

Atrás de Marcel Proust em Cabourg

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Uma Surpresa entre Vialonga e Bucelas...

por Robinson Kanes, em 16.09.20

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Imagens: Robinson Kanes

 

 

Há que distinguir entre conhecer e experimentar. Verdade conhecida não é o mesmo que verdade experimentada. Devia haver duas palavras distintas.

Aldous Huxley, in "Sem Olhos em Gaza"

 

Ainda eram os tempos da roda 26" e da Scott que, pontualmente, ainda roda por estas bandas. Descarregada perto do Parque das Nações e já a rolar, a direcção apontada foi a chamada "Serra de Santa Iria", já no concelho de Loures. À partida seria um passeio "pouco" interessante, citadino e com muita estrada, no entanto...

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No entanto... Chegar ao Parque Urbano de Santa Iria e ver a lezíria de Loures, leva a que exista uma enorme vontade em prosseguir com o caminho, até porque, tendo em conta a localização da minha base, podia fazer o percurso de forma circular e chegar rapidamente por Unhos até à foz do Trancão. Assim seria, não fosse descer a serra e ao chegar à Granja e deparar-me, para lá do MARL, com outra serra e com a ideia de que as vistas não me iriam desiludir. Pensar que por ali, entre a Granja e Vialonga, às portas de Lisboa e já no concelho de Vila Franca de Xira, teve lugar a famosa Batalha de Alfarrobeira que opôs a Casa de Bragança à Casa de Coimbra em Maio de 1449 e que ditou a morte do Infante D. Pedro e do famoso Conde de Avranches.

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Sigo o percurso, atravesso alguns bairros de má fama que tendem a afastar visitantes, no entanto, como é habitual, tudo decorre sem problemas e ainda há tempo para receber o bom dia (algo que em bairros de melhor fama escasseia). Subo por Mogos e passo ao lado da Mata Paraíso. Decido parar e beber um pouco de água. Um local simples, já de algum modo altaneiro e incrivelmente surpreendente. Dou comigo a pensar que estou na estrada que vai terminar nos "queijinhos frescos", uma pequena taberna que muitas vezes visitei na infância e que, pasme-se, me encantava já pela boa comida e por ter um parque onde, não raramente, fazia os chamados amigos de ocasião. Ficava em Santa Cruz e é por aí que passo.

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Prossigo, a manhã está fria e não me arrependo do equipamento de Inverno da saudosa Trek, sigo pela direita e vou em direcção ao monte, ladeado por pedreiras, mas que ainda continua preservado. Pelo caminho, ainda há tempo para fazer amigos - um porco preto no meio da serra às portas de Lisboa... 

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É depois de subir com alguma força no pedal, que chego ao topo e me deparo com uma das melhores vistas da área de Lisboa a este. De um lado os montes e a vila de Bucelas (terra de bom vinho e especialmente de Arinto) do outro uma vista para cidade e para o Tejo já com o Ribatejo no horizonte. Lá em baixo a Circular Regional Exterior de Lisboa (CREL) e o verde que já antecipa os limites da cidade. Tão perto de tudo e já tão longe numa manhã deveras inesperada. O almoço foi regado com um Arinto de Bucelas, não poderia haver melhor celebração para tão rica e surpreendente manhã.

 

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Em Linhares da Beira com os Bravos...

por Robinson Kanes, em 07.09.20

linhares_da_beira (2).jpgImagens: Robinson Kanes

 

O homem está só. Mas como há-de ele estar só? Isto é um absurdo e a vida não pode ser absurda. Toda a minha história começa aqui. O resto entende-se bem.

Vergílio Ferreira, in "Estrela Polar"

 

 

Por aqui sopram ventos que atravessam a Estrela e descem pelo Açor. São também ventos que me deram uma costela e que, por isso, me enlevam numa intensa paixão por estas "terras altas". São também estes ventos que criaram a valentia nas gentes de Linhares, conhecidas pela bravura, que o diga Zurar, um chefe mouro que por estas terras passou.

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Linhares, uma das aldeias históricas portuguesas, apaixona-nos pela simpatia e humildade das suas gentes, algo tão característico da Beira Baixa. Característico é também a boa gastronomia, e como é obrigatório, não pude deixar de passar no "Escorropicha Ana", na Carrapichana. É impossível deixar que os enchidos e o bacalhau não tomem conta de três horas do meu dia. Este é um exemplo, mas em cada porta o manjar é sempre qualquer coisa.

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É com o excesso de combustível do almoço que se chega a Linhares e ao seu castelo. Olhando a paisagem, penso em Vergílio Ferreira, nascido em Melo, ali bem perto. Penso naquele serrano, penso nos seus textos: imagino "Estrela Polar", "Manhã Submersa" ou até os seus "Contos".  O ar e austeridade da montanha sempre o acompanharam, mesmo em Lisboa ou até no seu refúgio de Fontanelas.

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No castelo, percorro as muralhas e abraço todo um mundo, todo um sem número de imagens de muitas e muitas batalhas, vidas errantes em cada caminho, hoje asfaltado, em tempos por entre a floresta.

E é por aí que me fico, o dia acabará em Sandomil, já no concelho de Seia, mas até lá, repousarei e ficarei a tentar compreender "Adalberto" na senda da sua própria existência. Encontrarei "Aida" entre aqueles que passeiam por altaneira fortaleza? Encontrarei também essa estrela polar?

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De Bicicleta: Barragem dos Minutos e Safira

por Robinson Kanes, em 28.08.20

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Imagens: Robinson Kanes e GC

 

A vida é tão estupidamente bela. Que significa a beleza do mundo sem um homem que a testemunhe? Que significa quando não houver um homem para a testemunhar? Mas é precisamente o que significa, agora que ainda o há.

Vergílio Ferreira, in "Conta-Corrente II"

 

 

 

A manhã está a meio. É altura de tirarmos a Scott e a KTM do carro. Uma roda 26 e uma roda 29, no Alentejo a segunda será rainha. Estamos na Barragem dos Minutos, deixámos Montemor-o-Novo para trás e seguirmos a estrada de Estremoz. Ao contrário do que esperávamos, o movimento era nulo... Queremos estrada, mas queremos apreciar toda a envolvente desta barragem, uma das mais adoradas pelo quatro patas de 41 quilos. 

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Um pequeno paraíso com muitas paragens, faz-nos lembrar o caminho da albufeira de Montargil onde as paragens são também constantes para apreciar a natureza. É por ali que queremos ficar e é por ali que acabamos por almoçar, um aviado em Montemor-o-Novo fez o milagre da multiplicação da proteina.

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De história tem pouco, talvez os bons momentos nunca tenham grande história, pelo que, seguimos para Montemor-o-Novo, abandonamos a N4 e entramos por Safira - a aldeia abandonada que divide com Santo Aleixo muitas e muitas histórias mas já sem gente que, segundo historiadores locais (Jorge Fonseca é um deles), abandonou a aldeia devido ao seu isolamento. Bicicletas para o chão, lugares inóspitos e austeros é connosco... E encontrar chatices também...

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Muita poeira no alumínio e além de escombros que contam história de um passado assim não tão longínquo a bela planície alentejana, sobretudo quando ganha aquela cor de fim de dia. Percorrer caminhos de terra batida desconhecidos, ver o gado, sentir o inegável cheiro da terra seca. Aquela aridez única e que na Península Ibérica consigo encontrar na Extremadura e no sul de Aragão, bem perto de Teruel. Aqui, contudo, os cheiros são muitos e continuamos o percurso não temendo o crepúsculo e o fim da luminosidade de um dia inesquecível. Não estamos equipados com iluminação, hoje não era dia para isso, mas continuamos e continuamos, mesmo tendo deixado o carro parado no meio de um qualquer monte sem ninguém num raio de muitos quilómetros.

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Pouco importa, na planície alentejana só nos podemos perder com uma das regiões mais bonitas para apreciar o pôr do sol, seja em que época do ano for. Continuamos e, face à falta de água, somos levados a voltar, caso contrário ainda chegaríamos a Santa Susana ou até mesmo ao Estuário do Sado.

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A noite já chegou e conseguimos encontrar o carro, em horas de viagem não vimos ninguém a não ser as aves e o gado e esse foi talvez um dia com mais companhia do que pensávamos. Também por estrada e dias depois, e em mais um regresso de Madrid, já com o asfalto a ditar-nos o percurso, lá estava o mesmo sol, o mesmo crepúsculo que só o sul da Ibéria pode oferecer. E se quiserem o acompanhamento perfeito, lamento, mas tenho de atravessar a fronteira e dançar no assento com os El Duende Callejero e porque não, o tema "Barre las Piernas"...

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Pelo Nariz do Mundo...

por Robinson Kanes, em 06.08.20

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Imagens: Robinson Kanes

 

 

Estamos em Moscoso, o distrito de Braga despede-se e ao longe já quase se avista o distrito de Vila Real e consequentemente Trás-os-Montes. A diferença paisagística é nula e não são raros os habitantes de Cabeceiras de Basto que já se sentem mais transmontanos que minhotos.

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Ficando a aldeia para trás, e também a conhecida Adega Regional, é hora de seguir caminho, um percurso clássico e com as clássicas Timberland - não são à prova de água, são mais pesadas, mas é outra atitude, é outra história e por estas terras os caminhos a isso se prestam.

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As barrosãs fazem parte da paisagem, seja pelos campos seja inclusive pelas estreitas estradas que percorrem aquela zona do concelho ou a principal que é a Estrada Municipal 1700 e que mais tarde nos guiará até à UZ seguindo-se umas bebidas bem frescas em Cavez. Cavez, conhecida por uma personagem da "Liga dos Últimos", mas também é  um ponto de paragem obrigatório antes de nos despedirmos de Cabeceiras de Basto e entrrarmos em Ribeira de Pena.

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Antes de deixarmos os trilhos, vamos apreciando as aves de presa até entrarmos no denso mato, e pode ser aqui que as coisas mais se podem complicar. Não há um caminho, pelo menos desta vez, e é aqui que o calçado "old school" ganha pontos ao mais moderno.

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Por estas bandas, como por outras paisagens, ou está frio de gelar ou um calor de  derreter, sofremos do segundo. Por sorte, a água ainda desce pelas serras, permite-nos lavar o rosto e até, em último caso, abastecer o cantil. Paramos, ouvir a água a percorrer os altos enquanto a passarada não cessa no seu chinfrim habitual, isto enquanto uma ave de presa voa pelos céus e assusta quem voa mais baixo. Não conseguimos identificar, está longe mas já se faz ouvir.

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A Serra da Cabreira é encantadora, a alemã é por ela apaixonada e por ela se deixa levar. Queremos chegar a uma posição onde podemos ver a cascata e o Monte Farinha, mais conhecido pela Senhora da Graça. Um pico enorme num vale rodeado de grandes montanhas e com o Alvão a mostrar o melhor de si. Está longe de ser um dos pontos mais altos de Portugal, mas a sua localização, a sua elevação, tornam-no num monumento natural único no nosso país.

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Ficamos por aí, com a cascata lá em baixo, com a Senhora da Graça ao longe e deixamo-nos farejar por esse nariz, esse grande nariz que é do mundo não sem antes receber em troca os aromas da Cabreira. Percebo também porque é que pontualmente me custa tanto correr os dez quilómetros de ida e volta que me levam de Leiradas a Cavez. É sempre a subir... Será que é a alma do bruxo que me dá força?

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Olhamos tudo à nossa volta e percebemos que talvez estejamos no centro do Mundo, rodeados pelo Gerês e pelo Alvão. Sente-se o cheiro do verde de Amarante a chegar do lado de Mondim, bem servido numa caneca e muito fresco e já se começam a pensar nos 100 quilómetros (ida e volta) que ligam a Estação do Arco de Baúlhe à Estação de Amarante...

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Terras do Baixo-Tâmega a chamarem por nós, terras únicas que já absorvem os ares do Douro, terras de boa gente, terras onde facilmente nos apaixonamos...

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De Braga ao Sameiro - Pela Falperra...

por Robinson Kanes, em 24.07.20

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Imagens: Robinson Kanes

 

 

O sentimento estético da vida não é uma distracção ou prazer, nem afirma bem a qualidade do Mundo que nos foi dado a habitar: é a qualidade do que nesse mundo é a vida, é a sua exaltação, e portanto invenção plena da beleza. O sentimento estético da vida não é um museu de estátuas, e de telas, e de ficções literárias: é a dimensão de uma vivência profunda, o reconhecimento do que supera o imediato, lhe descobre a harmonia obscura, mas permite uma inteira comunhão.

Vergílio Ferreira, in "Carta ao Futuro"

 

 

Depois da subida por Tenões, nada como a subida pela famosa "rampa da Falperra", esta um pouco mais dura. Os primeiros metros são os mais espinhosos. Subidas acentuadas e as curvas, embora, ara quem corre, as últimas façam pouca mossa. Não deixa de ser recomendável já chegar bem quente. A manhã abafada não ajuda, desde a Makro que a camisola já está encharcada e é necessário controlar bem a respiração.

 

No início da subida, já se vislumbra bem cedo uma mãe com os dois filhos. Voltarei a encontrá-los mais acima, existe um atalho entre os eucaliptos que acelera a chegada ao Sameiro. Novos, velhos, famílias inteiras usam-no para chegar ao santuário. Escolho o asfalto, mais longo, mais lento... Mais apetecível. 

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Passam já alguns carros por mim, a eucaristia começa bem cedo. Antes da chegada ao Hotel da Falperra, numa belíssima propriedade, já se sente um pouco de fresco, os hóspedes ainda dormem e a neblina dá um encanto especial a toda aquela área. Não existe melhor escopo que este para acelerar a passada e esquecer as recordações do ruído dos automóveis em velocidade nas provas automobilísticas que ali têm lugar. O tempo agora é para escutar a nossa respiração e o despertar da natureza.

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Braga vai ficando lá para baixo e com a chegada ao topo, ficamos com a sensação de ter chegado ao céu... Não propriamente porque poderia parar para descansar, mas porque é preciso voltar antes de arrefecer. Para os que ficam, nada como um bom piquenique depois de uma corrida ou até de uma saudável caminhada, além de que, podem sempre descer por Tenões e parar para um espresso no Bom Jesus. Poucas manhãs tão perfeitas poderão existir por aquelas bandas... 

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É hora de descer, lá em baixo, a cidade já aquece, mas os croissants, a simpatia e o  ambiente da São Brás, na Avenida Dr. António Palha, são o mote perfeito para acelerar o passo. E com isto, passa pouco das oito da manhã, está na hora de começar o dia...

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O que aprendi nos últimos seis meses...

Por Folhas de Luar...

por Robinson Kanes, em 23.07.20

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Imagem: Robinson Kanes (imagem da exclusiva responsabilidade do autor do espaço)

 

Vida

Saio para a rua e vejo os olhos que não vejo. Vejo as mesmas faces que via e também as mesmas faces que agora já são outras. Percebi o desencanto de perceber a ínfima partícula do desespero. E também a ínfima partícula da coragem. Percebi que quando o destino nos trespassa... os homens se encerram em máscaras. Fábula e mistério. Vida. Tudo atirado ao imenso abismo da impotência. Dizer exactamente o que aprendi...não sou capaz. Ainda hoje vi crianças a correr no recreio do infantário. Lembrei-me da floração das rosas. Dos calmos riachos. Da espuma das ondas. Contudo...sinto em mim a confusão do mundo. A importância das esplanadas...cheias. Agora vazias...ou quase. O calvário das sombras que se espraiam nos nossos medos. De repente somos irrelevantes. Sentimos a pele a desarticular-se com o frio que nos percorre. E também vejo as lágrimas que se escondem . Percebo que somos fortes. Que somos sonho. Que escalamos colinas. Que todos os dias nos escoamos pelas ruas. Que não podemos fechar-nos em medos. Sublime é o mistério que nos encerra no mundo. Sublime é também a nossa existência. Curta ou comprida. Leve ou pesada. Sublime é a nossa respiração...profunda. Irrisório é o nosso corpo. Somos um e outro. Platónicos crentes em deuses. Ou em nadas. Suspiramos olhando as estrelas. E sabemos que somos apenas...a volúpia das nossas ideias. As folhas arrastadas pelo vento. O encontro com o luar. E sentimos que há uma vida que troça de nós. Aceitamo-la. Porque tudo é belo. Que tudo se desfaz e tudo continua. E a nossa cinza será produzida pelo imenso fogo da vida. Resta-nos ocupar o nosso espaço. E sermos, como dizia Flaubert, “grandeza de pó, majestade de nada!”.

Folhas de Luar

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De Braga ao Sameiro - Por Tenões...

por Robinson Kanes, em 22.07.20

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Imagens: Robinson Kanes

 

 

Dizem por que o fim-de-semana foi pouco animado para os lados de Braga. Devo dizer que me sinto ultrajado com tais palavras, pelo que, e sabendo que em breve terei uma resposta à altura com belas montanhas, venho justificar-me.

 

Uma das vantagens de quem está/vive por Braga, logo pela manhã, é poder subir ao Bom Jesus e ao Sameiro e assistir a uma das mais airosas auroras do nosso país. Existem duas opções para quem chega do centro, nomeadamente a subida pelo Bom Jesus, ou a subida pela Falperra. Hoje debato-me sobre a primeira, a segunda fica para sexta-feira. Perdoem-me também os amantes do Bom Jesus, mas isso será também tema para outros artigos.

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Apanhar a Ecovia do Rio Este, uma das melhores obras que se fez em Braga nos últimos tempos, finalmente o cimento começa a perder terreno e toca a subir por aí acima. Sobe-se bem em passo de corrida, mas para quem não estiver para isso, ou vai a caminhar pela estrada ou sobe as escadas. Vejo os velhos de 80 anos a subir aquelas escadas, não há desculpas. Todavia, é pela estrada que mais aprecio, além da paisagem, vou vendo as casas "senhoriais", algumas de amigos e sempre dá para aquecer um bocadinho e apreciar a grande chegada ao topo...

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Chegar ao Bom Jesus é bom, mas as pernas pedem mais e o Sameiro a cerca de quilómetro e meio não é nada, é só subir mais um pouco. Esqueci-me de um pormenor: guardem a paragem no Pórtico, em Tenões, para o fim do dia... Boa comida, gente simpática e vinhos a condizer...

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O Sameiro, a chegada ao Sameiro, esse ponto alto que nos contempla com duas opções: ou depois de uma corrida se sobem as escadas e se sentem os músculos a vibrar ou então nada como seguir pela estrada. Se for muito cedo não há tempo para grandes deslumbramentos, é que descer a correr com os músculos a frio pode correr mal.

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Outra opção interessante é,para quem não quiser "esticar muito a corda", levar o carro até ao Bom Jesus e correr até à Citânia de Briteiros, cerca de 20 quilómetros a correr, ida e volta. O passeio vale bem a pena e é bastante acessível.

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