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Os Fura-Casamentos!

por Robinson Kanes, em 03.06.19

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Créditos: https://www.weddingjournalonline.com/10-brilliant-wedding-fails-caught-on-camera/

 

A popularidade e as redes sociais continuam a ditar as políticas do Governo. E como a economia parece estar a crescer, pelo menos é o que nos dizem, e as pessoas tendem a casar mais, pelo que, não vamos deixar que esse eleitorado se vire contra nós.

 

Só em Portugal é que a Autoridade Tributária não pode actuar em casamentos ou festas para não ferir susceptibilidades! O cancelamento de uma mega-operação que visa o interesse de todos os contribuintes não pode simplesmente ter lugar porque os "pombinhos" que fogem ao fisco não podem ser perturbados no dia mais feliz das suas vidas - pobre gente que chega ao casamento a pensar que este será o dia mais feliz da sua vida. Segundo o Ministério das Finanças, "uma ação inspetiva que perturbe o normal funcionamento de uma cerimónia ou festa de casamento não pode ser considerada proporcional face ao objetivo de fiscalização de cumprimento de obrigações fiscais”. Abre-se aqui uma porta interessante: e que tal começarmos a praticar todos os delitos e mais alguns aproveitando a realização de um casamento? Criminosos deste país, apresentem-se!

 

Portanto, o que isto quer dizer é que as floristas, as empresas de catering, os espaços, os organizadores de casamentos, os decoradores e um sem número de fornecedores (sem esquecer os pombinhos - ou os pais, que normalmente são quem paga e se endivida) pode fugir ao fisco impunemente mas não pode ser perturbado para não estragar um dia tão feliz! Um dia tão feliz que faz com que o dia de muitos, por exemplo numa cama de hospital, seja horrível porque não existem condições nem dinheiro para os tratamentos! Esses podem sofrer.

 

Em Portugal, quem trabalha na área da organização de eventos, sobretudo casamentos, sabe como funciona este negócio! Não são raras as empresas que perdem milhões em facturação porque o "vizinho do lado" facilita no IVA! Muitas dessas organizações prestam inclusive serviços ao Estado! É prática comum, habitual e até recomendada e incentivada entre casais! 

 

É mais do que comum os noivos puxarem por esta questão para conseguir que o dia do casório seja de ostentação mesmo que não paguem os impostos! Esses são os mesmos que as finanças querem proteger, ou melhor, o Ministro das Finanças! Esses são os mesmos que prejudicam quem quer negociar de forma séria em Portugal - esses sim devem ser atacados pela Autoridade Tributária, e porquê? Porque perdem negócio e o pouco que fazem é declarado expondo-os a um maior risco de infracção e fiscalização!

 

Se quem não deve não teme, porque é que temos de proteger esses criminosos fiscais que brindam ao casamento e gozam com a cara de todos os outros que pagam impostos? Brindemos pois aos pombinhos, às organizações e pessoas que promovem estes casamentos criminosos - deste modo vamos contribuir também para a fuga aos impostos e a destruição de negócios bem montados, bem geridos e sustentáveis que acabam por fechar ou não prosperar apenas porque cumprem com as suas obrigações legais!

 

Vamos fazer com que a Autoridade Tributária e a Polícia Municipal não exerçam as respectivas competências! Vamos deixar crescer a ideia de que facturas e licenças são dispensáveis! Já tive ituações em que a Polícia Municipal esteve à porta pelo simples facto de ter declarado o que estava a fazer - aliás, segundo alguns agentes, se tivesse ficado "calado", não teria fiscalização! Mas aqui, a culpa não é de quem anda na rua, mas de quem está ao Comando!

 

E como tenho referido desde as eleições europeias, depois admiram-se da condescendência com a corrupção (que em Portugal é assustadora) e com o facto de ninguém perceber o porquê de tanta abstenção quando as razões estão mesmo à frente de todos! 

 

P.S.: enquanto escrevia este artigo, fui informada da morte de Agustina Bessa-Luis. A ela voltarei, deixo o espaço agora para aqueles que gostam de ser os arautos da desgraça ou eventualmente apreciam mais um "like" que um livro da autora.

 

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Perguntas a Centeno e a Tantos Outros Reis Nus...

por Robinson Kanes, em 06.01.18

 

IMG_20170916_184221.jpg

Fonte da Imagem: Própria.

 

Em Roma tudo se compra

Juvenal, in "Sátiras"

 

Como é que podemos ter confiança num qualquer político que se vende por um bilhete de futebol (entre muitos, Rocha Andrade, João Vasconcelos e Jorge Costa Oliveira) colocando em causa a sua imagem, o país, a ética, os valores, o Estado e a honra?

 

Como é que podemos acreditar que quem se vende por um bilhete de futebol não se vende por coisas de maior dimensão?

 

Como é que podemos acreditar que um economista se esqueça de uma das máximas da economia, nomeadamente de que não existem almoços grátis?

 

Como é que ainda existem pessoas que acham normal este tipo de situações quando podem ser muitas vezes os interesses dos país em jogo? Por menos, Marcelo Rebelo de Sousa, nos tempos da ditadura, foi corrido da tribuna dos ministros porque ao acompanhar o pai ouviu que aquele espaço era para os ministros e não para os filhos dos mesmos.

 

Porque é que são escândalos atrás de escândalos mas é sempre a mesma coisa - impunemente se vai caminhando?

 

Porque é que se faz um escândalo (e até certo ponto, bem) com a "Raríssimas" (aquela de que já não se fala porque muitos nomes começaram a vir para a Praça Pública) e se fala menos da Fundação "O Século" que imediatamente após buscas teve logo indivíduos que foram constituídos arguidos? Importa lembrar que foi o escândalo que levou a Polícia à Raríssimas, no caso da Fundação "O Século", foi o contrário.

 

Mas também não é de admirar... Se o verdadeiro Cristiano Ronaldo não paga impostos e ainda se dá ao luxo de provocar a justiça espanhola, porque é que o Cristiano Ronaldo das finanças deveria ter vergonha de vender a honra por um bilhete de futebol para si e para o filho...

 

Porque é que o Dia de Reis em Portugal passa completamente ao lado das celebrações natalícias? Será porque ostentar um bolo-rei não provoca (na nossa cabeça) uma grande aceitação social? Será que é por não podermos dizer que fomos às compras adquirir um... bolo-rei?

 

Feliz dia de reis... Mesmo que eles caminhem nus... 

 

 

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