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O virus é democrático mas parece ser o único...

por Robinson Kanes, em 23.10.20

235866_RGB-981x1024.jpgCréditos: Caglecartoons.com, The Netherlands, March 6, 2020 | By Joep Bertrams

 

 

A certeza com que agimos hoje pode parecer medonha não só para as gerações futuras, mas também para os nossos "eus" futuros.

Robert Sapolsky, in "Comportamento"

 

Até o dia dos mortos se finou... Não acredito que uma romaria aos cemitérios possa fazer grande diferença no facto de gostarmos de alguém, está morto e pronto, não obstante, reconheço quem tem nesta prática e nesta forma de lidar com a morte uma visão diferente da minha e que está tão enraizada na nossa sociedade e costumes e que vai muito para além da crença católica. Todavia, este constante ataque ao cidadão que faz por sobreviver e cumprir o pouco que ainda lhe resta de liberdade começa a ser assustador - e pensar que em tempos alguém foi tão criticado por "querer" congelar a Democracia por seis meses.

 

Vejamos, todos aqueles que nos cortam a vida social, humana, cultural e profissional, são os mesmos que no Verão não hesitaram em (e sempre com o jornalismo medíocre atrás) mostrar-se na praia, fins-de-semana seguidos e chamando todos para o ajuntamento parolo habitual do Verão. São os mesmos que não hesitaram em jantar nos restaurantes da praça para português pobre que come uma sopinha ver. São também os mesmos que permitiram ajuntamentos como o 1º de Maio, várias manifestações da direita à esquerda e o grande acontecimento de 2020 que foi a festa do Avante. Não paga impostos, utiliza o erário público, utiliza mão de obra a custo zero e ainda recebe este prémio, enquanto os outros encerram empresas. São os mesmos que se congratularam com a Fórmula 1 no Algarve e permitem uma multidão num fim-de-semana e proibem o cidadão comum de velar os mortos ou estar em família no outro. São os mesmos que encheram o campo pequeno mal o vírus saiu do confinamento e parece ter dito "bem, vou-me embora, vou partir naquela estrada". O vírus é democrático, mas começo a crer que Portugal não...

 

Começa também a ser em demasia o pânico que é gerado nas televisões e jornais - e já lá vão seis meses. Basta! Basta! Basta! As pessoas estão cansadas e assustadas e estou em crer que muitos dos media que embarcam nesta lógica perceberam que três meses de lockdown fazem maravilhas pelas audiências e também pela destruição da inteligência dos cidadãos. Basta de termos matemáticos; profissionais de saúde;  físicos; filósofos; "comentadeiros"; "viradores de frangos" e mais um sem número de indivíduos que procuram destaque a todo o custo e todos os dias nos apresentam modelos e teorias completamente descabidas de base cientifica ou assentes em modelos ultrapassados e que só aumentam o pânico, deixem de ser "wannabes" e concentrem-se no essencial. Isto não é uma guerra como nos querem fazer crer e muito menos o fim do Mundo. É, sem dúvida, um aviso à nossa sociedade, mas sobretudo pela forma como somos "geridos", "controlados" e claro, como nos comportamos. Existem muitas soluções, a economia não pode parar! Mas a Irlanda confinou! Sim, e vejam como economicamente e laboralmente se organizou. Vejam um website de ofertas de emprego naquele país ou tentem ver como se está a comportar o tecido empresarial e percebam que tem mais dinâmica e ofertas de emprego (com qualidade) que um Portugal em tempos áureos!

 

Começa também a ser cansativo ter uma Organização Mundial de Saúde (OMS) e por cá uma Direcção Geral da Saúde (DGS) que um dia nos dizem que a máscara é para utilizar e no outro já não! Que às nove da manhã nos dizem que o contágio não se dá por contacto com superfícies a à tarde já nos diz que afinal todo o cuidado é pouco. É uma OMS que privilegiou os confinamentos mas agora volta atrás... Para o caso de alguém se ter olvidado, a OMS, legalmente, não é uma organização cientifica e muito menos médica, é uma organização política, é essa a sua base!

 

Também não podemos ter confiança total do lado da saúde (não estou a afirmar que não devemos escutar e seguir os conselhos), pelo simples facto de não ter uma visão holística da sociedade, da economia e do Mundo, e é aí que o poder político e cívico tem de mostrar que pode ouvir, acatar, mas exercer uma espécie de gestão da situação do que lhe chega. Também não podemos ter sociedades médicas a afirmarem que os melhores não estão a ser ouvidos em detrimento de outros que provavelmente se movimentam melhor no plano mediático e político. Passámos demasiado tempo no Verão a apanhar sol na praia, sejamos consistentes nas mensagens e nos alertas.

 

Todos sabemos que os números estão a ser "martelados", não tenhamos ilusões, mas mesmo assim, não podemos deixar de viver, não podemos parar a economia e muito menos destruir o que temos de nosso, já nem como cidadãos mas como pessoas! Não façam isso e não deixem que isso vos seja feito.

 

O Mundo do pânico pandémico (e não escrevi da pandemia) está, entre as gotas da chuva a transformar-se. Existem conflitos a eclodir por todo o Mundo, muitos deles pela liberdade de países e povos outros somente a aproveitarem a baixa atenção mediática a outros temas. É terrorífico ver que por cá, inclusive em espaços de blogues e artigos de opinião ainda se defende, aproveitando a embalagem da pandemia, um regime maoista que desenvolve campos de concentração! Existem, como na Nigéria, Colômbia, Chile e outras nações, ataques coordenados a quem diz não: na Nigéria as autoridades antes de abaterem manifestantes pela Liberdade que só estavam concentrados pacificamente, tiveram o cuidado de preparar o terreno, afastando testemunhas com zonas de contenção, retirando câmeras e limpando a zona! Estes são os testemunhos mais violentos, mas também sabemos como Portugal é um país perfeito para "abater" quem diz não!

 

Respeitemos os outros, tenhamos todos os cuidados exigidos para não multiplicar a propagação do vírus, mas acima de tudo não deixemos de viver e não embarquemos numa espécie de suicídio colectivo. Mais do que morrer de medo e desprovido de qualquer personalidade, importa sim saber como reagir face à adversidade e apostar numa mudança que tem de acontecer, e nesse aspecto, o vírus é uma grande oportunidade de nos tornarmos melhores em muitos campos, embora, infelizmente, em muitos territórios, não seja uma prioridade.

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