Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]



Ases pelos Ares...

por Robinson Kanes, em 10.05.18

IMG_8949.JPG

Fonte das imagens: Própria. 

 

 

Depois de ter estado a ver passar os aviões, seleccionei mais um pouco da experiência daquele dia. O que me levou a tal? Talvez uma espécie de gosto que foi ficando, talvez o facto do anterior artigo ter merecido uma grande aceitação da vossa parte, ao contrário do que eu pensava, talvez por nostalgia... A primeira imagem não foi inocente, não fosse a minha última viagem pela TAP ter sido feito a bordo, mais uma vez, do Embraer 195. Com mais 38m de comprimento, só destes a companhia aérea dispõe de 4! É a aeronave que abre esta página.

IMG_8916.JPG

Dediquei-me também a fotografar alguns pormenores, e neste campo, os aviões, pelo seu aspecto e especificidades, dão imenso espaço a que qualquer um tenha interesse em ir mais longe no campo da fotografia, mesmo que, como eu, pouco ou nada percebam dessa arte! Também as cores ajudam a conseguir belos planos.  Utilizei o conceito de nostalgia... Talvez uma dessas primeiras activações de tal somática tenha surgido, quando também, a preparar uma descolagem, lá estava o Boeing 757 da United e que podemos ver abaixo. Acima, o que encontramos é um Boeing 737-800 da Ryanair.

IMG_8929.JPG

Mas voltando à nossa companhia, a TAP, apaixonei-me também pelo ATR 72-600, uma aeronave mais pequena e a turbo-hélices. Honestamente, gosto muito deste género de aeronaves, ainda nos remetem para o passado, todavia não nos devemos deixar enganar, pois não perdem nada em segurança e eficiência para outros tipos de motores. São também dotadas de tecnologia de ponta ao nível dos melhores aviões! Além disso, ainda alimento o "sonho" de voar num Lockheed  C-130, mais conhecido por Hercules.

IMG_8937.JPG

E é desta forma que me vou preparando para descolar, afinal já são horas de voltar e o tráfego no aeroporto de Lisboa é ininterrupto, além de que não faltarão oportunidades para assistir de novo a todo o bulício que rodeia esta infraestrutura. Na fotografia, descola mais um Embraer 195 com São João da Talha como pano de fundo.

IMG_8955.JPG

 Antes de descolar... Falei já de nostalgia e também esta foto me fez recordar aquela estada de um mês em Istambul! Tentei imaginar-me dentro daquele Boeing 737 800 com destino ao aeroporto de Atatürk. Talvez faça como aquelas crianças que no artigo anterior imitavam os aviões de braços abertos... Imaginando-se também a voar...

 

IMG_8985.JPG

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Pela Rambla... Contagiado pela Imensidão de Gente!

por Robinson Kanes, em 16.03.18

IMG_2675.jpg

 Fonte das Imagens: Própria

 

Pode ser turístico, pode já ter sido visitado por tudo e por todos, mas ninguém concebe Barcelona sem "La Rambla" ou "Le Ramble" em catalão. Este nome, e em Espanha tantas vezes isto acontece, vem do árabe ramla que significa rio seco. Neste caso, volta a fazer todo o sentido, pois até ao século XV, era por ali que passava um rio até ser desviado.

IMG_3024.JPG

Um dos "passeios dos tristes" de Barcelona é mesmo esse, descer a "Plaça de Catalunya" até ao mar, mais precisamente até ao "Port Vell". Digamos o que dissermos, é óptimo sentir aquela multidão de gente, todas aquelas culturas e até nos cruzarmos com os vendedores que fogem sempre que passa a polícia. É a vida da cidade, é um dos seus grandes centros, com cafés e restaurantes fantásticos, mas que valem apenas pela vista e pelo ambiente - quem quiser comer bem tem de se afastar. Ver gente, muita gente nas ruas, essa coisa tão espanhola e tão profundamente atraente que só em Madrid encontra paralelo ou então quando temos de atravessar o oceano até Buenos Aires.

IMG_2890.JPG

IMG_2268.jpg

Passeava, não poucas vezes por aí, afinal é, como costumo dizer, um dos melhores anti-depressivos, além disso é aí que se encontra o Grande Teatro do Liceu, a casa da ópera de Barcelona e que, como amante desta experessão artística, de vez em quando lá me lembrava de rebentar com o orçamento e assistir aos espectáculos.

 

 

Além disso, a história deste local é vasta, pois aquando da sua inauguração em 1847, era a maior ópera da Europa em termos de lugares! Entre outras histórias, foi aqui que em 1893, assistia-se a "Guilherme Tell" de Rossini, foram lançadas duas bombas causando um número elevado de mortos e feridos - atribuiu-se o ataque ao anarquista Santiago Salvador.

 

 

Visitar este espaço e aí assistir a um espectáculo, é quase obrigatório! E se por aqui já referi que os cafés não são os melhores, talvez um café antes de uma representação possa ser uma óptima escolha se o fizermos no "Café de L'Opera" - um espaço com interior em art noveau.

 

Pelas fotografias, facilmente se percebe que este era um dos locais de eleição para se passar muitas vezes a noite antes de voltar à cama, uma coisa que, em Barcelona e tantas outras cidades espanholas, nem sempre é fácil - ou porque não nos deixam simplesmente dormir, ou porque também não conseguimos ficar imunes ao contágio da movida que nos faz querer aproveitar cada momento, e por estranho que pareça, até nos ajude a levantar com outro sorriso e disposição no dia seguinte.

 

Por muito turístico que também seja, e caro, visitar "La Boqueria" (Mercat de Sant Josep), pode ser também uma óptima opção, embora nunca lá tenha comprado nada - quem tem o "Mercat de La Barceloneta" e o "Mercat de Sant Antoni" não vai sentir grande falta da "La Boqueria". Não quero com isto dizer que não mereça a visita, pois a beleza e o investimento constantemente realizado na promoção e dinamização têm transformado este espaço num local bastante agradável. Importa também não esquecer a carga histórica do espaço, pois os primeiros registos de um mercado naquele local remontam a 1217!

IMG_2881.JPG

E esta noite, combinamos na "Font de Canaletes" e vamos descer a até à "Ronda Litoral"?

 

Bom fim de semana,

Autoria e outros dados (tags, etc)

Retratos de Inverno - O Mar Guincho

por Robinson Kanes, em 23.02.18

IMG_0989.JPG

Fonte das Imagens: Própria 

 

 

Um dos espectáculos mais admiráveis da costa portuguesa dá-se entre Cascais e Sintra... É nesse troço de beleza única que encontramos o Guincho e toda a sua encantadora fúria. Paradoxalmente, assistimos a uma demonstração de força inigualável e à qual não podemos ficar indiferentes devido à tamanha perfeição da Natureza.

IMG_0990.JPG

O Guincho é um paraíso para surfistas, ciclistas, visitantes de Domingo e, sobretudo no Verão, para banhistas e aspirantes a um qualquer estatuto social - dizer que se faz praia no Guincho, ou que se almoçou no Guincho ainda é sinónimo de um qualquer status - e ainda bem, até porque assim talvez tenhamos o devido cuidado com a paisagem que nos rodeia. E sim, não vou negar que adoro o meu café na Fortaleza do Guincho onde temos um bar fantástico e praticamente em cima do mar - nada como sentir a espuma nos dias mais agrestes mesmo a bater ali no vidro.

IMG_1035.JPG

Também não podemos esquecer que estamos num Parque Natural, o mesmo é dizer que entramos numa zona protegida e onde todos os cuidados têm de ser mantidos - mas a isso voltaremos um destes dias.

O Guincho, de facto, e sobretudo no Inverno, não é so glamour, ou restaurantes - é frio, é algo de sedutoramente tenebroso e apaixonante. É o vento norte a entrar-nos pelo corpo, mas que nada consegue contra o impulso de não querermos abandonar aquelas rochas.

IMG_1002.JPGPor tudo isto, e sobretudo para aqueles que vão ter fim-de-semana, nada como flanar num daqueles locais que faz sempre parte do "passeio dos tristes". Se possível, nada como levar a bicicleta ou as botas e percorrer todos estes recantos, aposto que, mesmo para quem tem filhos, eles vão adorar - o melhor que pode acontecer é apanharem uma constipação, mas isso até reforça as defesas naturais na idade adulta. Acredito até que seja melhor do que passar o dia fechado numa rocha de cimento.

IMG_0979.JPG

Finalmente, e se estiver um daqueles dias em que não apetece mesmo sair do carro e apanhar aquela brisa marinha, pensem que uma embalagem de água do mar, nas farmácias, pode custar mais de 10 euros e aqui, além de perfeitamente natural e sem aditivos, temos essa embalagem em doses indústriais e sem custos...

IMG_1014.JPG

Bom fim-de-semana, 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Retratos de Inverno - Neblina Matinal

por Robinson Kanes, em 02.02.18

IMG_1559.JPG

 Fonte das Imagens: Própria.

 

 

Entre as palavras que mais ouvimos estão estas duas: neblina matinal. Raros são os boletins meteorológicos que deixam a neblina matinal para trás... No entanto, se para uns é uma forma de tornar o despertar mais difícil, para outros é uma daquelas coisas que nos faz saltar da cama e percorrer os campos a pé ou em duas rodas! Equipamento térmico de ciclismo vestido, sapatilhas de encaixe calçadas, travões afinados e aí vamos nós! Ou então sempre podemos calçar as botas, vestir uma camisola quente, umas calças confortáveis e admirar a natureza ainda mais perto.

IMG_1590.JPG

Quem é que não se recordará de, ao fazer estes percursos singulares, dos poemas de Fernando Pessoa sob o heterónimo de Alberto Caeiro? Quem não será um "guardador de rebanhos" ou aquele que Pessoa tenta descrever em "Hoje de Manhã Saí muito Cedo?"

 

Hoje de manhã saí muito cedo,
Por ter acordado ainda mais cedo
E não ter nada que quisesse fazer...

Não sabia por caminho tomar
Mas o vento soprava forte, varria para um lado,
E segui o caminho para onde o vento me soprava nas costas.

Assim tem sido sempre a minha vida, e
assim quero que possa ser sempre —
Vou onde o vento me leva e não me
Sinto pensar.

Alberto Caeiro, in "Poemas Inconjuntos"

IMG_1624.JPG 

A neblina matinal é inspiradora... Não tem de ser triste... Não tem de ser o início de uma constipação, mesmo que as nossas narinas sintam o aroma e o frio que rapidamente se dissipa se deixarmos que o nosso pensamento se funda na manhã e na paisagem. Deixemos que aquela humidade que nos gela os ossos seja o ar condicionado de um corpo quente em fusão com a natureza. Poderei estar lírico, mas talvez as palavras de Vergílio Ferreira, no seu Conta-Corrente façam sentido quando diz que "a vida é feita, bem o sabemos, de pequenos nadas que é o que mais conta para o nada que somos no fácil e correntio".

IMG_1661.JPG 

Nestas manhãs, os cheiros são sempre diferentes, são sempre mais puros e mais intensos, é comum pela manhã ou ao final da tarde, mas esta humidade faz levantar da terra todo o seu aroma, todo o seu sabor até. O solo fica macio, por vezes os pés ou as rodas da bicicleta enterram-se na areia e como é bom ter de limpar toda aquela lama depois de um percurso por entre caruma, folhas, lama e tudo aquilo que encontramos nestas pequeninas mas tão inspiradoras viagens. 

IMG_1665.JPG

Bom fim de semana... De preferência, com muita neblina...

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Retratos de Inverno - Cogumelos.

por Robinson Kanes, em 19.01.18

IMG_1631.JPG

Uma das imagens mais pitorescas que podemos ter do Inverno são os cogumelos...

 

Caminhar por entre vales e montes é uma das minhas temáticas preferidas e, uma vez por outra, lá acabo por descobrir autênticas riquezas naturais... Riquezas naturais que me entusiasmam mais que toda e qualquer peça vazia de sentido, de essência e só avolumada na sua importância porque alguém com interesses óbvios lhe decidiu atribuir valor.

IMG_1635.JPGOs cogumelos são das coisas mais fantásticas que podemos encontrar pelos campos, preferencialmente os comestíveis, mas também os não comestíveis nos encantam com a sua beleza singular. Tão singular que já dei um verdadeiro "trambolhão" só para me desviar de uma destas preciosidades... Até é normal, tendo em conta que as quedas de bicicleta têm já um extenso espaço na minha história de vida.

IMG_1575.JPG 

Penso que seja impossível ficar indiferente a um cogumelo colorido, perdido pelos campos e ainda refrescado pela neblina que atravessa muitas das serras e campos deste país.

 

Finalmente, o momento didáctico do dia, cuidado com os cogumelos. A grande maioria não são comestíveis e muito menos se deixem levar pelos mitos ou sabedoria popular em relação a muitos deles. Uma grande fonte de envenenamente advém dessas ideias de que, por exemplo, todos os cogumelos brancos são comestíveis ou que os animais não consomem cogumelos venenosos... Nada mais errado, até porque muitos são os que têm imunidade às toxinas destes. Mortes por evenenamento, voluntário e involuntário, não faltam, até entre algumas figuras históricas - aliás, nas civilizações grega e romana eram uma das armas preferidas.

IMG_1634.JPG

Este fim-de-semana, aproveitem para umas boas caminhadas por esses campos, sempre respeitando a natureza e acima de tudo com os olhos bem abertos... Nunca se sabe quando estarão diante de nós estas autênticas obras de arte pintadas e esculpidas pelo planeta Terra.

 

IMG_1687.JPG

 

Bom fim-de-semana, 

 

 

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

A Tunísia de Brahem...

por Robinson Kanes, em 12.01.18

le-voyage-de-sahar-2.jpg

 Fonte da Imagem: Própria

 

A Tunísia, um país lindíssimo, está de novo num turbilhão interno de contestação. Podemos invocar muitas razões de um lado e de outro. Num país como este, nem sempre é fácil trazer algumas das linhas orientadoras do ocidente no que toca à gestão económica e política. Esta estabilização nunca foi fácil, até porque o aumento de preços e outras medidas que exigem sacrifícios a uma população, já por si pobre, tem consequências... Consequências maiores, sobretudo quando a corrupção volta a ser um dos actores principais – é interessante ver os tunisinos na rua a pedirem o fim da corrupção e nós por cá a acolher a mesma de braços abertos...

 

Aguardemos pelo futuro, até porque ainda temos bem presentes os reflexos da “Revolução de Jasmim” e dos ecos que a mesma teve, mais tarde, em países como Egipto ou Síria.

 

 

Mas é sexta-feira, vésperas de fim-de-semana. Da Tunísia - além das belas paisagens, património e da Medina de Tunes - recordo Anouar Brahem e os sons do seu “oud” que não deixam ninguém indiferente a uma cultura poderosa, antiga e forte.

 

Mais uma vez, este ano, talvez tenha oportunidade de voltar a ouvir tão envolventes sons, quiçá em em Abril, na Fundação Calouste Gulbenkian.

 

Por isso vos sugiro... Atravessem o Mediterrâneo, lentamente... Sem pressa... Para que os sons vos cheguem embalados pelas ondas que chegam e balançam num, nem sempre amigável, choque de culturas.

 

O “oud” de Brahem é mágico, e entre muitos que poderia recomendar, escolho o álbum de 2006, “Le Voyage de Sahar” que ainda esta semana voltei a colocar na leitor e a ouvir, deixando-me navegar, calmamente, entre os gritos da contestação de um povo, mas também da sua força e da sua cultura, tal como Sahar...

 

 

Façam esta viagem... E se tiverem que escolher... “Sur le Fleuve”, “L'Aube”, ou porque não, “Les “Jardins de Ziryab”.

 

Bom fim-de-semana,

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Trovatore_1985-s.jpg

 Fonte: http://www.thirteen.org/13pressroom/press-release/great-performances-at-the-met-il-trovatore/

 

Ontem tive a notícia de que o mundo da música ficou mais pobre... Fui confrontado com a morte do siberiano Dmitri Hvorostovsky, o grande barítiono russo que não resistiu a dois anos e meio de luta contra um tumor cerebral.

 

Dmitri Hvorostovsky é uma jóia russa e isso ficou bem patente nas condolências prestadas pela presidência do seu país. De Hvorostovsky só posso recordar algumas árias de grandes óperas, uma delas a "Di Provenza il Mar Il Suol" da "La Traviata",ópera de Verdi que já abordei aqui, onde desempenhou o papel do pai de Alfredo, o Sr. Giorgio Germont. Deixo aqui uma dessas interpretações, é belo... E porque não dedicarem uma parte do fim-de-semana à "La Traviata?

 

E como hoje é dia 24 de Novembro, celebra-se também o aniversário da morte de outro senhor da música... O tanzaniano Farrokh Bulsara que em 1991 nos deixava um dia após ter assumido a doença (HIV). Para muitos, este nome é estranho, mas se vos falar em Freddy Mercury já é possível que conheçam... Por isso, depois de uma triste "La Traviata" e de chorarmos a morte de Violetta, nada como apreciar os "Princes of the Universe" dos "Queen"... Afinal acabamos todos por ser principes neste universo infinito... Gosto especialmente da sonoridade deste tema e claro, da guitarrada a solo do Brian May, o grande guitarrista da banda... 

 

Finalmente, tenho de falar num livro de Ludgero Santos e que não é fácil encontrar em livrarias... Falo do "Perfume da Savana"... Sei que muito já se falou deste livro por aqui, pelo que vos dispenso a descrição do enredo. Aponto, contudo, que só alguém com uma grande vivência em África poderia escrever tal livro... Muito se escreve de África mas poucos terão experenciado e conseguido colocar em livro ou documentário aquilo que Ludgero Santos nos descreve... Ludgero é um guia de uma África única e de tempos passados que marcaram gerações de negros e brancos... A coroar tudo isto, a capacidade de Ludgero em descrever o amor e em criar uma daquelas histórias que nos prendem e que nem sempre acabam como desejamos...

 

Desconheço se estamos a falar de ficção ou de realidade, mas a sensação com que fico é que estamos quase num relato na primeira pessoa. Obrigado Ludgero.

 

IMG_20171124_083415.jpg

Fonte: Própria.

 

 Bom fim-de-semana...

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

O Mosteiro de Santa Maria das Júnias...

por Robinson Kanes, em 20.11.17

IMG_6875.JPG Fonte das Imagens: Própria.

 

Como prometido, teria de voltar a Pitões das Júnias. O espaço de um artigo, que pode ser lido aqui, é pequeno para a grandeza desta aldeia, "perdida" no concelho de Montalegre e onde o Gerês termina a sua conquista de vales e montes e abraça o Barroso. 

 

Não podemos falar de Pitões sem mencionar o Mosteiro que aí se encontra perdido e em ruínas. Não defendendo que o mesmo esteja em ruinas, de facto, é um marco e uma imagem inesquecível, um pouco ao nível do que encontramos no Convento do Carmo, que não precisa de obras para ser imponente e apetecível. Todavia, e segundo a Câmara Municipal de Montalegre, já existe um projecto para reabilitar o mesmo... Fantástico, não é?

IMG_6868.jpg 

O Mosteiro encontra-se, na maioria das publicações, datado no pré-românico, mais precisamente no século IX. Todavia, as investigações mais recentes apontam para o século XII - com alguma precisão para o ano de 1147. Acerca da história deste mosteiro, inicialmente Beneditino, sugiro este artigo do Instituto de Estudos Medievais da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa.  

 

Com uma planta trapezoidal, é um mosteiro românico mas com um claustro já com alguns apontamentos góticos, pelo que não nos devemos deixar enganar pelos arcos de volta perfeita, mais românicos. À semelhança de muitos destes espaços, a evolução do mesmo esteve sempre lado-a-lado com a História e respectivamente com a arquitectura da época. Desde então as grandes mudanças deram-se sobretudo ao nível social, primeiramente com a absorção dos Beneditinos pela Ordem de Cister e já em 1834 com a extinção do mesmo por arrasto da extinção das ordens religiosas. Passou a ser paróquia e a ter outras utilidades e hoje, no dia 15 de Agosto ainda é alvo da romaria dos habitantes de Pitões e aldeias vizinhas.

IMG_6861.jpg

Chegar ao mosteiro é entrar num cenário digno de filme ou, como alguém no artigo sobre Pitões apontou, encontrar uma terra encantada. Atravessar os campos, sempre com uma vista soberba para o rio e para as montanhas a sul, acompanhar o ritmo da fauna e seguir os lameiros é, sem dúvida, a melhor porta de entrada para o vale em que encontramos estas ruinas e percebemos como o homem e a natureza são capazes de viver e criar em harmonia. Para mim, este é sem dúvida um dos melhores locais para a realização de um piquenique ou até para nos deixarmos cair no chão e esperar que o sol nos aqueça o rosto ou a chuva nos lave de todas as inquietações.

 

Com o som da água, pela ribeira que passa mesmo ao lado do mosteiro, em sintonia perfeita com os pássaros e um "barulho silencioso" de todo aquele vale, diria que estamos no mais perfeito dos romances. Disse acima que é um local perfeito para um piquenique, e diria até, que é o local perfeito para acompanhar os amantes que naquele encanto natural podem viver a sua paixão eterna em perfeita simbiose com o meio-envolvente. Um dos locais mais românticos no Gerês, é sem dúvida o Mosteiro de Santa Maria das Júnias.

IMG_6843.jpg

 Para os mais curiosos, sugiro algumas publicações acerca do mosteiro, da aldeia e até da própria região:

 

BARROCA, Mário Jorge – “Mosteiro de Santa Maria das Júnias – Notas para o estudo da sua evolução arquitectónica”, in Revista da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, II série, vol. 11, Porto, 1994, pp. 417-443.

BORRALHEIRO, Rogério – Montalegre - Memórias e História – Montalegre: Barrosana, E.M., 2005.

COUCHERIL, Maur - Routier des Abbayes Cisterciennes du Portugal - Paris: Fondation Calouste Gulbenkian,  Centre Cultural Portugais, 1986.

GUERREIRO, Manuel Viegas - Pitões das Júnias. Esboço de monografia etnoigráfica - Lisboa, 1981.

MARTINS, Clara Joana - Mosteiro de Pitões das Júnias. Um caso de obstinação, in Revista Descobrir, nº 0, Lisboa, 1995, pp.110-115.

VASCONCELOS, Joaquim - A Arte Românica em Portugal, Publicações Dom Quixote: Lisboa, 1992.

IMG_6851.jpg

 

 

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

IMG_6891.JPGFonte das Imagens: Própria.

 

Ontem falei do Outono e... Falar do Outono sem falar em Trás-os-Montes e mais especificamente em Pitões das Júnias é um autêntica falta de sensibilidade para com esta estação.

 

Pitões das Júnias, no concelho de Montalegre, não está na moda, por isso não confundamos as coisas. Aliás, se alguma vez esteve na moda foi no âmbito da etnologia e da antropologia sobretudo no estudo e na abordagem às aldeias comunitárias.  Sobre uma delas debrucei-me em tempos, Tourém.O próprio nome da aldeia ainda hoje é alvo de um grande debate, pois não é fácil perceber a sua origem.

IMG_6887.JPG

Pitões das Júnias é a aldeia mais alta do Barroso e encontra-se no Parque Natural da Peneda-Gerês. Apesar da proximidade com Espanha, não deixa de ser uma aldeia perdida do interior, uma aldeia esquecida e que tem, graças ao turismo, conseguido manter-se de forma a que não se torne apenas mais uma recordação do passado. A abordagem a Pitões também não pode ficar circunscrita só a um artigo (cá voltaremos), apesar da dimensão da aldeia e da sua população de pouco mais de 150 habitantes. Pitões é mais que uma aldeia, e quando chegamos a Pitões é fácil sentir essa diferença. Pitões é a história de um povo que numa região inóspita lutou contra as adversidades de um clima rigoroso e contra a distância dos grandes centros e isso reconhece-se ainda hoje nos rostos daquelas gentes - gente forte, dura mas de uma humildade e carinho singulares. A própria génesa das aldeias comunitárias nasce dessa necessidade de união e partilha face aos diferentes desafios.

IMG_6893.JPG 

Entre o rio, a "Pala da Vaca" e os "Cornos de Pitões" (Cornos da Fonte Fria), como são chamadas pelos locais as elevações que "protegem" a aldeia e que contribuem para uma imagem pitoresca sobretudo ao amanhecer e durante o crespúsculo. A vista da aldeia a partir do cemitério é algo que fica para sempre na nossa memória. Daí podemos rever o nosso circuito dentro da aldeia e imaginarmo-nos nós também como parte da mesma. O forno comunitário/Ecomuseu, as fontes com uma água cristalina, a Igreja e as diferentes casas são de uma beleza indescritível e não faltam relatos desta riqueza em livros e também na web, sobretudo daqueles que lá vivem, e não daqueles que, como eu, só lá vão de vez em quando.

 

Também não é incomum encontrarmo-nos com amigos de 4 patas, sejam bois ou enormes cães que nos abordam com um olhar inquiridor mas rapidamente se deixam contagiar pelas nossas festas.

 

Entre os "Prados do Lima", os "cornos" e os ribeiros podemos encontrar verdadeiros dias de descanso, considero até que é um dos locais perfeitos para fugir do mundo e reflectir. Contudo não nos deixemos enganar, pois não perdemos a ligação com a vida e com as pessoas, a outra grande riqueza desta aldeia. Em Pitões apodemos perder a carteira com algum dinheiro e rapidamente toda uma aldeia se mobiliza para encontrar o proprietário da mesma, mesmo que este já se encontre em Lisboa com a memória da "Cascata" ainda bem presente nos seus pensamentos.

IMG_6811.JPG

Mas voltaremos a Pitões para descobrir mais um dos segredos deste nosso país. Por agora repousemos entre um clareira rodeada de carvalhos e estudemos este interessante percurso recomendado pelo ICNF. Depois, abramos os nosso cesto de piquenique porque a fome já aperta. Ao que sei está rechedado de enchidos e licores da região...

 

Finalmente, e como Pitões se encontra num Parque Natural, nada como recordar o Código de Conduta e Boas Práticas que deve ser interiorizado por todos os visitantes das áreas protegidas.

 

Bom fim-de-semana...

IMG_6805.JPG

Autoria e outros dados (tags, etc)

O Outono... O Pointer... E as Memórias...

por Robinson Kanes, em 16.11.17

IMG_9323.JPG

Fonte das Imagens: Própria. 

 

Já deixei aqui bem patente a minha paixão pelo Outono. Por lá disse que "o Outono dá cor às nossas telas, inspiração à nossa música, faz-nos dançar com as folhas e gentilmente sentir o chão ao pousarmos e a esvoaçarmos novamente, como as aves que partem para destinos mais quentes. O Outono é arte e não é por acaso que existem lugares neste Portugal e não só, onde o Outono é a época mais bonita do ano: pensem no Douro, no Alentejo ou então vamos até à Toscânia ou deixemo-nos prender pela paisagem de Santorini enquanto bebemos um café grego (aquilo para mim é café turco, mas pronto) e admiramos os telhados azuis. O Outono é talvez a mais poderosa e artística estação nos países do mediterrâneo".

IMG_1737.JPG

O Outono lembra-me sempre um dos meus grandes amigos, o Nilo. O Nilo é Pointer Inglês "cá de casa", um caçador nato  que não faz mal a uma mosca mas que por isso não perde todos os instintos. A propósito disso, o Outono lembra-me também a época de caça (embora não seja caçador) e todo o movimento que em tempos a mesma provocava, sobretudo em zonas mais rurais. Lembro-me da azáfama junto de tabernas e largos de vilas e aldeias... Dos restaurantes típicos cheios de caçadores e de todo aquele convívio em torno de uma actividade que, independentemente do que possamos pensar da mesma, animava, e de que maneira, aqueles locais.

IMG_1693.JPG

Retomando ao Nilo, só posso recordar esta força da Natureza que é capaz de sair às sete da manhã de casa, começar a correr e só parar às sete da tarde e continuar como se nada tivesse acontecido. Costumamos brincar e dizer que esta raça e outras similares têm uma baixa esperança de vida porque vivem tão intensamente essa mesma vida que é impossível um coração aguentar tantos anos de energia ao máximo. Encontrar o Nilo parado é um verdadeiro desafio, pelo que é necessário possuir características de fotógrafo da "National Geographic" e esperar pacientemente que o dono dos campos pare, nem que seja para respirar...

IMG_1726.JPG

Um outro aspecto do Outono que me encata é o musgo nos muros, sobretudo nos muros de pedra. Regressar depois do Verão e ver o musgo seco a ganhar cor no granito é dos espectáculos mais bonitos que a natureza nos proporciona. Muitos de nós desconhecemos a quantidade de vidas que este fenómeno permite que existam e, de facto. é algo único. Existe quem o queira arrancar, nós deixamo-lo estar, afinal, nos muros de pedra, a melhor tinta é a própria natureza e na Primavera, os lagartos aplaudem este ecossistema quando deixam a hibernação e procuram os primeiros raios de sol.

IMG_1724.JPG

 

 

Atenção... Acho que consegui encontrar o Nilo parado...

IMG_4313.JPG

 Bom Outono... E tanto que se fala no Natal quando ainda falta tanto para o mesmo, talvez o melhor presente seja um copo de sol outonal...

Autoria e outros dados (tags, etc)


Mais sobre mim

foto do autor



Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.


Mensagens

Arquivo

  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2017
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2016
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D

Pesquisar

  Pesquisar no Blog






Copyrighted.com Registered & Protected 
CRD7-BFJD-IWHB-ZXDB