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São perguntas, Senhores, São Perguntas...

por Robinson Kanes, em 19.12.17

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 Fonte: https://www.globalresearch.ca/corruption-in-the-european-union-scandals-in-banking-fraud-and-secretive-ttip-negotiations/5543935

 

Há perguntas que continuam por responder, e que aqui pelo Bairro, de vez em quando, entre tremoços e cervejas lá nos lembramos de perguntar:

 

- Como está a situação das instituições responsáveis pela alimentação dos bombeiros durante os incêndios do Verão passado? Ao que se sabe, não foram raros os casos em que o dinheiro foi para um lado e a comida para o outro.

 

- Por falar em dinheiro, por onde andam os milhões, aqueles muitos milhões, que muitas instituições declararam ter recebido a propósito do incêndio de Pedrogão? Eu sei que é raríssimo prestarem contas ao cêntimo, mas onde andam? Porque é que os envolvidos não falam, inclusive aqueles que deram a cara no espéctáculo realizado na Altice Arena e outros? 

 

- Como é que o ministro Vieira da Silva passa nos pingos da chuva, não dá respostas convicentes e agora é inocente? Há tanta coisa por explicar, como sugerir que as queixas sejam encaminhadas para o Ministério Público e não faça o devido seguimento, quer junto desta instituição, quer dentro do seu próprio ministério! Hoje dizem-nos que um tesoureiro alerta para movimentações bancárias anormais, mas isso não pode ser considerado uma hipotética gestão danosa.

 

- Afinal, o que é que aconteceu em Tancos?

 

- E ninguém questionou o Primeiro Ministo do porquê de, com a conivência da lei, ter travado um caso judicial, o célebre caso das escutas que, segundo o Ministério Público, se revestia de crimes de extrema gravidade para o país e para o Estado Democráctico. Ninguém perguntou porque é que pactuou com o crime quando "ignorou" um parecer da Procuradoria Geral da República que dizia, mais ou menos desta forma, que esta legislação permitia que alguns interesses instalados se perpetuassem mesmo lesando ao mais alto nível o Estado Democrático.

 

- Depois de Marcelo Rebelo de Sousa ter ido a Angola, não só por interesses de Estado, como está a relação do nosso país com aquele Estado? Afinal que lá foi fazer este senhor?

 

- Porque é que a política se continua a imíscuir nos negócios dos privados? Ainda não esquecemos a Altice e a estranha interferência de Governo e partidos de esquerda na Autoeuropa. Além disso, estes dias com a fábrica fechada são os chamados "down days" que acontecem em muitas outras fábricas, não é assim tão normal em indústria! Não entendo o dilema actual!

 

- Onde andam as roupas doadas que continuam a ser vendidas por muitas Instituições de Solidariedade Social?

 

- Porque é que a UBER é ilegal mas continua a actuar sem que sejam tomadas medidas?

 

- Porque é que num país laico, insistentemente temos um Presidente da República a fazer a apologia do catolicismo e que "só" as instituições da Igreja fazem o bem pelo país?

 

-Porque é que o escândalo nas messes da Força Aérea é tão pouco falado? E porque é que perante as acusações que foram feitas de que tais esquemas são praticados por todas as Forças Armadas desde os tempos do antigo regime, não se actua?

 

-E por falar em Tecnoforma? Alguém tem ouvido falar disso?

 

-Porque é que o SAPO destaca sempre os mesmos "blogs", mesmo que custe a fuga de outros bloggers e até de visitantes? Porquê?

 

-Porque é que Portugal continua a ser o país dos apelidos? Basta olhar para a política, para cargos em instituições públicas e mesmo em instituições privadas cuja relação com o Estado é fundamental para a sobrevivência das mesmas.

 

-E afinal. Como é que está a situação da casa comprada abaixo do valor de mercado por Fernando Medina?

 

-Porque é que os "jobs for the boys" são uma real instituição "criminosa" portuguesa e ninguém parece estar interessado? Haverá um "boy" em cada português empregado no público ou até no privado?

 

-Porque é que partidos como o Partido Comunista e o Bloco de Esquerda parecem não existir desde há uns tempos para cá? Ou aliás, existem para sugerir o impossível para os funcionários públicos e para os seus... O resto do país não terá interesse para estes?

 

-Porque é que ainda hoje as palavras do Francisco, do Zibaldone, me fazem tanto sentido:

"Aos que pensam que a corrupção e a evasão fiscal são de pouca monta, só tenho a dizer: por cada pessoa corrompida, há outra que pode aparecer morta por denunciar o crime; por cada pessoa que utiliza cunhas para entrar num emprego, há outra que fica à porta e começa a descrer num sistema que impede a mobilidade social; por cada pessoa que foge aos impostos, há milhões que passam fome ou vêem os seus negócios arruinados pela violência fiscal exercida sobre os mais fracos".

 

-Porque é que a EMEL, uma das empresas mais lucrativas do país - estranho, tratando-se de uma empresa pública de estacionamento - vai receber 4 milhões de Euros do Turismo de Portugal? A EMEL esse grande responsável pelo turismo em Portugal...

 

-Porque é que a propósito dos incêndios de Pedrogão, só temos como arguidos, até agora, devo ressalvar, aqueles que combateram o incêndio? Porque é que o relatório do Ministério da Administração Interna não teve o peso político e mediático que teve o da Comissão Independente?

 

- E onde andam os desenvolvimentos, se é que existem, acerca dos esquemas onde foram apanhados Paulo Portas e o vice-comentador da nação Luis Marques Mendes? O comentador todos sabemos quem é... Comentador de umas coisas e ausente de outras.

 

- Porque é que se criminaliza tanto na praça pública a amizade de José Sócrates com Carlos Santos Silva e e pouco ou nada se fala da grande amizade de Marcelo Rebelo de Sousa com Ricardo Salgado?

 

- Porque é que ser Presidente do INEM significa andar sempre metido em "cambalachos"?

 

São apenas perguntas, Senhores, São apenas perguntas... Eu sei que é mais importante encher um centro comercial e acompanhar a manada, que anda num stress ao invés de calmamente apreciar a época...

 

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 Fonte da Imagem:https://s3-eu-west-1.amazonaws.com/static.wetek.com/storage/events/597f0206-77d4-40df-a5cd-5c6925fc7e5d-websummitlisbon2017.jpg

 

Eventos como a "Web Summit" são, para mim, uma mais-valia para Portugal. São bons para a própria marca "Portugal", para o turismo e todos os seus actores e acima de tudo animam uma cidade que não deixa de ser uma das mais belas do Mundo. Com tantas criticas à mesma, seria interessante perceber os custos vs retorno desta face ao tão aplaudido Festival Eurovisão da Canção, por exemplo.

 

Discutir tecnologia é hoje fundamental. Não tenhamos dúvidas que o futuro passa por aqui e é importante desmistificar (contra a vontade de alguns) que não estamos perante nenhum "bicho de sete cabeças". Todavia, reconheço, que todos estes eventos (salvo algumas situações) são um mero encontro de profissionais e cujo retorno é sempre difícil de quantificar. Políticos e organizadores atiram números de milhões para o ar, mas na realidade, nunca temos contas certas, e neste campo, o Estado é responsável até porque financia, também com milhões, este evento. Eu sei que é aborrecido estragar a festa, mas quem já trabalhou com americanos, alemães e outras tantas nacionalidades sabe que o discurso é sempre interessante, mas os números têm de aparecer no papel e no terreno! Podemos falar de consumos de copos de água e cafés, do número de audiovisuais e afins, mas o que queremos são mesmo os números e os resultados concretos.

 

A "Web Summit", mais que um evento com resultados, é marketing e networking. Do ponto de vista do marketing é positivo, como também é necessário dar imagem ao mercado, ou não fosse a organização especialista em transmitir a ideia às organizações (sobretudo startups) que são convidadas e especiais, mas depois têm de pagar cerca de €1.500 para serem efectivamente tão especiais e dignas de convite. Do ponto de vista do networking também, todavia o foco nesta questão (apontada pela maioria como o ponto fundamental do evento) tira protagonismo à discussão de temas relevantes e ao desenvolvimento de estratégias para o futuro.

 

É neste sentido que, na "Web Summit", ficou também por esclarecer, apesar de ter sido abordado, como é que o mundo se vai preparar para toda esta revolução na robótica e que inclui a Inteligência Artificial (IA). Quais serão os reais impactes nas pessoas, nos negócios e nos países menos desenvolvidos? Eu sei que estamos perante um encontro na área das tecnologias da informação, mas não falar das pessoas... Como é que vamos conviver com este futuro que, para muitos, é visto com optimismo e para outros com grande pessimismo, enquanto a grande maioria não pensa nisso enquanto se diverte a brincar com o cão robot e não tem paciência para um cão de carne e osso. Interessante os risos e a satisfação quando um robot se vira para os humanos e lhes diz que o emprego destes tem os dias contados mas não lhes oferece uma solução... Mas a maioria aplaude. Aplaude até não ter emprego e passar a ser a personagem de um romance-catástrofe.

 

Não sou contra a IA, no entanto, defendo que esta merece uma grande discussão! Não só ao nível da ética mas também das consequências positivas e negativas que trará e, como já referi num outro artigo, comparar esta revolução com a primeira Revolução Industrial é no mínimo patético e revela um total desconhecimento do passado e do presente. Como é que enquadramos esta realidade nos desafios do presente e do futuro? Aqui, estamos perante um enorme  buraco negro em que ninguém arrisca entrar e já nem vamos falar da quase ausência da questão da responsabilidade social - não chega ter Al Gore a lançar desafios... É preciso agarrá-los. A lógica da sensibilização de cada um de nós tem limites, todavia, as mentalidades não se mudam somente com conselhos.

 

Fiquei também com a sensação que a "Web Summit" é um acontecimento político. À boa maneira portuguesa, a presença dos políticos do costume (Presidente da República - que até deixou a questão da água para segundo plano - e Primeiro Ministro incluídos) demonstra o ainda peso do Estado e a propaganda que grassa nestes meios. Até tivemos um presidente de câmara, Fernando Medina, que acompanhou todo o evento, mais parecia a "Web Medina", mas depois disse não ter conhecimento de um jantar no Panteão (um dos momentos altos da conferência), chegando mesmo a estar contra o mesmo.

 

Desta feita até foi bom, porque "apagou" a questão da legionella num hospital público, causando amnésia ao Presidente da República que encarou este facto como único, esquecendo o que aconteceu em Alverca em tempos recentes. Neste âmbito, também foi interessante assistir à presença de João Vasconcelos (ex Secretário de Estado da Indústria) como se ainda ocupasse um cargo de Estado (estando presente inclusive em alguns dos certames oficiais e diplomáticos) após ter sido demitido, perdão, se ter demitido devido ao escândalo com as viagens pagas pela GALP e cujo inquérito ainda decorre. Pelo campanha de comunicação em torno deste indivíduo, então no LinkedIn e em alguns "media" é bem latente que ter saído do Governo foi a melhor coisa que lhe poderia ter acontecido. José Régio escreveu "Há Mais Mundos", eu escreveria "Há Mais Isaltinos".

 

Mais uma vez, passou-se a imagem que Portugal é Lisboa... Tirando um evento de surf na Ericeira, num país pequeno como o nosso não ficaria mal alargar o âmbito da conferência. Contudo, a ideia com que fiquei, e aqui baseio o meu relato somente naquilo que vou ouvindo, é que a "Web Summit" é uma coisa, os portugueses são outra... O português comum é totalmente arredado deste evento não só por falta de informação concreta, bem como pela apresentação dos resultados... Volta a questão do empowerment e da crónica estupidez nacional de não gostar muito de passar a informação toda capacitando assim os outros. Em muitos com quem falei, encontrei a ideia de que a "Web Summit" é um evento elitista, quando não o deveria ser, e muito menos me parece que seja essa a ideia de Paddy Cosgrave. Na verdade, não é por andarmos de t-shirt e calças de ganga que a nossa mentalidade se torna mais cool ou moderna. Não é por se trocar o fato, a gravata e o golfe, por um polo, umas sapatilhas e surf que deixamos de ser aquele executivo labrego e nos transformamos no mais atractivo CEO do mundo.

 

Finalmente, algumas provocações: no país da tecnologia, não é de estranhar que durante os incêndios esta tenha falhado redondamente? No país da tencologia, não é de estranhar que muitas das inovações portuguesas (inclusive na área dos incêndios) não tenham a devida projecção? No país da tecnologia ainda discutimos jantares no Panteão nacional como se a nossa independência estivesse em causa e esquecemos o que realmente tem travado o nosso desenvolvimento? No país da tecnologia, porque é que ainda continuamos com uma mentalidade obsoleta? Porque a tecnologia altera hábitos mas não muda mentalidades.

 

Esperemos por 2018 e finalmente por bons resultados... Porque também isso leva o seu tempo e em relação à "Web Summit" quero continuar optimista. Venha a próxima edição...

 

Uma nota: ainda a propósito do famoso jantar, pede-se aos humoristas nacionais (muitos deles tão inteligentes que julgam viver num universo acima daqueles que ainda os sustentam)  que tenham em atenção o facto de personalidades como Camões, Vasco da Gama, D. Nuno Álvares Pereira, Pedro Álvares Cabral, Afonso de Albuquerque e o Infante D. Henrique (destes quatro últimos nem ninguém se lembrou) não se encontrarem sepultados no Panteão. Na Igreja de Santa Engrácia encontram-se somente os cenotáfios destes. No país da tecnologia e de gente que domina a praça pública e se diz tão evoluída já deveriam saber isso...

 

 

 

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