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Créditos: https://www.esquire.com/style/mens-fashion/a34784/goodfellas-style-25th-anniversary/

 

A história da máfia familiar dos partidos vai continuando... Agora foi Cavaco Silva que teve de engolir o sapo de aceitar que também ele colaborou na promoção do mérito dos incompetentes que chegaram a lugares públicos sem perceberem porquê! E que terá Marques Mendes a dizer - agora que o nome do mesmo chegou às ruas? A par de Cavaco Silva, dos administradores do BES, da CGD, do Banco de Portugal e tantos outros, também vai ser apanhado pela epidemia de amnésia que entretanto se abateu sobre Portugal? O saltitão que desde novo é bem conhecido pela sua ambição política (falhada) tenta agora seguir os passos do padrinho (um político falhado que utilizou as televisões para chegar ao mais alto cargo da nação).

 

Sempre foi assim, e pensar que é só com António Costa que isto acontece é puro erro, é pura apatia e conivência com o regime podre da política nacional. É provavelmente querer sofrer de amnésia pois nunca se sabe quando é que nosso lugar na empresa ou instituição "X" pode estar ameaçado caso a situação comece a colapsar... E convenhamos, em algumas localidades deste país quase não existe um indivíduo que não tenha telhados de vidro no que à "cunha" diz respeito.

 

Outra das coisas que salta à vista é a hipocrisia de António Costa ao dizer que a Assembleia da República deve começar a legislar sobre esta matéria! Só agora? E é preciso legislação para ser sério e ético? E que tal colocarmos as máfias de leste a legislar sobre o crime em Portugal? É quase o mesmo...

 

E o Bloco de Esquerda? O Bloco de Esquerda ainda acaba extinto tal é a não existência que tem tido nos últimos tempos a não ser a prosa sem sentido e paradoxal que ainda vai sendo permitida a Francisco Louçã em tantos meios de comunicação capitalistas (estranho que um anti-capitalista utilize os meios daquele que abomina para ir alimentando a sua demagogia)! E o PCP? Por este andar ainda fica com os seus "partidários" completamente descalços porque se isto chega ao poder local lá se vai uma das maiores fontes de rendimento de qualquer comunista.

 

E a hipocrisia de Marcelo que após a demissão de um Secretário de Estado rapidamente vem para os holofotes emitir a sua opinião habitual de que está de acordo e acha bem? Este caso já dura há muito e não assistimos a Marcelo com muito interesse na situação, até acho que era mais fácil ver Marcelo a ligar para as rádios e para a televisão do que propriamente sobre esta temática, ou melhor, condenar estas situações, pois até agora tem chutado a bola para o seu antecessor! É importante lembrar que fora do país houve por aí um presidente que anunciou uma recandidatura ao cargo e é importante começar a fazer campanha. Apesar do discurso anti-cunha de Marcelo até ser algo que louvo, na prática é preciso começar a ver mais acção e menos populismo! Além de que uma coisa são as cunhas, outras são os favores que temos de pagar.

 

Entretanto, temo que este caso adormeça e mais ninguém se recorde, voltando as coisas ao mesmo e Portugal se continue a afundar! Ou então cria-se uma comissão de inquérito parlamentar, a forma mais leviana que os pseudo-democratas portugueses descobriram para imporem uma ditadura partidária camuflada de Democracia.

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E é Isto o Amor!

por Robinson Kanes, em 30.10.18

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Le Baiser, Auguste Rodin - Musée Rodin

Fonte: Robinson Kanes

 

Os seres-humanos não foram feitos para estar toda a vida com a mesma pessoa! Enquanto não percebermos isso, não evoluíremos enquanto pessoas e amantes.

Tenho dito.

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Feliz Natal...

por Robinson Kanes, em 22.12.17

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 Fonte da Imagem: Própria

 

"O Natal parece-me ser um tempo festivo necessário; precisamos de uma época em que possamos lamentar as falhas das nossas relações humanas: é a festa do fracasso, triste mas consoladora.

Graham Greene, in "Viagens com a Minha Tia"

 

 

Eis que está para breve o grande dia... 

 

Fui criado em ambiente católico, com todas as tradições e... No final, acabei a acreditar em cada pessoa, em cada animal, em cada pedra, em cada árvore... Em suma, em cada átomo. Contudo, existem momentos que são celebrados com intensidade, e o Natal é um deles. Esta ano, por vários motivos, o Natal será celebrado mesmo no Natal... Sim, de facto devo ser o único português com capacidade de se auto-sustentar que ainda não comprou uma única prenda, não fez a árvore de Natal e nem sequer pensou em nada relacionado com o Natal - Que tristeza, que indivíduo cinzento -  de facto, nunca me senti tão infeliz... Ou não. Sim, hoje será o dia de fazer a árvore, mais logo.

 

Temo, contudo, que nos dias 24 e 25 até venha a viver o Natal com mais intensidade. Temo que a histeria colectiva que se inicia em finais de Outubro leve as pessoas a chegarem cansadas a esta época e a encararem o 26 como um "já foi", venha o Ano Novo... Sim, depois entrarão no 2 em depressão colectiva até uma próxima celebração ou um feriado com ponte. De que valeu todo o empenho e stress que passou?

 

Por aqui, ficaremos ausentes, quiçá, até ao dia 26. Também este espaço fará a sua paragem e aproveitará para se reformular. Não vamos mudar o layout nem ter redes sociais para atrair mais seguidores, vamos continuar a apostar naquilo que tem feito a diferença: o conteúdo.

 

Ter um blog não comercial leva a que o empenho tenha de ser maior, leva a que a relação com todos os visitantes seja sempre o fundamental e, acima de tudo, que as discussões sejam bem pensadas e acima de tudo bem estruturadas e com um certo grau de avaliação. Obriga a uma relação especial com cada um de vós que não passe apenas pelo "obrigado" ou pelo "sim, claro, abraço". Obriga a que esteja com todos e que acompanhe também muitos dos que me acompanham, não por uma questão de "pagamento de visitas e comentários", mas sim por uma questão de querer mesmo seguir e explorar. Já tenho perdido seguidores, em alguns casos, por não corresponder com comentários em troca, mas prefiro essa honestidade a somente debitar meia dúzia de palavras retiradas da fornada que vai abastecer todos os outros espaços. Além disso, tenho de admitir que não sou obrigado a gostar dos blogs de todos os que me seguem - falei nestes últimos pontos, sobretudo numa lógica de quem também tem o seu espaço.

 

Não faz sentido falar de uma relação de reciprocidade e de acompanhamento mútuo se acabo apenas a centrar a questão no meu espaço. Gosto de ler muitos outros espaços, ler com calma, trocar e debater ideias com todo o entusiasmo. Além disso, tenho de admitir que há vida para além do blog, e tem de haver, e aqui perdoem-me... Mas tem de merecer uma maior alocação de tempo.

 

Deste modo, e por respeito aos que me vão aturando com muita paciência, acredito que o devo fazer... Por isso, talvez esteja a cair aqui uma certa tendência de "slow blogging", com menos artigos, mas com mais conteúdo. Um blog com mais estrutura, mais estudo dos temas abordados, mais trabalho por parte do próprio responsável por este estabelecimento. Isto não é trabalho, não tem de ser cansativo para ninguém e, acima de tudo, deve primar por um sem número de valores que já perceberam que são inerentes a este espaço. Menos é mais, sempre ouvi dizer, e o facto de não andarmos sedentos de protagonismo e reconhecimento, talvez seja um bom incentivo para desacelerar. E honestamente, acredito, pelo menos num blog não comercial, que não é necessário perder a cabeça nem criar conteúdos só para reter "clientes".

 

"Slow blogging", talvez venha a ser o próximo artigo, já depois do Natal. Sim, não vamos falar como foi o Natal e o que recebemos ou então falar do novo ano logo a 25 como se esta época fosse uma espécie de plano de trabalho por etapas. Em trabalho faz todo o sentido, na nossa vida pessoal, nunca! 

 

Desejo a todos um Feliz Natal, sobretudo genuíno e com todas as coisas boas que o ser-humano deve/deveria transportar... Independentemente da religião ou de qualquer outra convicção. O Natal não tem de ter um presépio, uma história bem encenada e uma árvore de Natal para ser um momento singular! Sejam vocês o Natal!

 

Feliz Natal,

 

 

 

 

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O Mosteiro de Santa Maria das Júnias...

por Robinson Kanes, em 20.11.17

IMG_6875.JPG Fonte das Imagens: Própria.

 

Como prometido, teria de voltar a Pitões das Júnias. O espaço de um artigo, que pode ser lido aqui, é pequeno para a grandeza desta aldeia, "perdida" no concelho de Montalegre e onde o Gerês termina a sua conquista de vales e montes e abraça o Barroso. 

 

Não podemos falar de Pitões sem mencionar o Mosteiro que aí se encontra perdido e em ruínas. Não defendendo que o mesmo esteja em ruinas, de facto, é um marco e uma imagem inesquecível, um pouco ao nível do que encontramos no Convento do Carmo, que não precisa de obras para ser imponente e apetecível. Todavia, e segundo a Câmara Municipal de Montalegre, já existe um projecto para reabilitar o mesmo... Fantástico, não é?

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O Mosteiro encontra-se, na maioria das publicações, datado no pré-românico, mais precisamente no século IX. Todavia, as investigações mais recentes apontam para o século XII - com alguma precisão para o ano de 1147. Acerca da história deste mosteiro, inicialmente Beneditino, sugiro este artigo do Instituto de Estudos Medievais da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa.  

 

Com uma planta trapezoidal, é um mosteiro românico mas com um claustro já com alguns apontamentos góticos, pelo que não nos devemos deixar enganar pelos arcos de volta perfeita, mais românicos. À semelhança de muitos destes espaços, a evolução do mesmo esteve sempre lado-a-lado com a História e respectivamente com a arquitectura da época. Desde então as grandes mudanças deram-se sobretudo ao nível social, primeiramente com a absorção dos Beneditinos pela Ordem de Cister e já em 1834 com a extinção do mesmo por arrasto da extinção das ordens religiosas. Passou a ser paróquia e a ter outras utilidades e hoje, no dia 15 de Agosto ainda é alvo da romaria dos habitantes de Pitões e aldeias vizinhas.

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Chegar ao mosteiro é entrar num cenário digno de filme ou, como alguém no artigo sobre Pitões apontou, encontrar uma terra encantada. Atravessar os campos, sempre com uma vista soberba para o rio e para as montanhas a sul, acompanhar o ritmo da fauna e seguir os lameiros é, sem dúvida, a melhor porta de entrada para o vale em que encontramos estas ruinas e percebemos como o homem e a natureza são capazes de viver e criar em harmonia. Para mim, este é sem dúvida um dos melhores locais para a realização de um piquenique ou até para nos deixarmos cair no chão e esperar que o sol nos aqueça o rosto ou a chuva nos lave de todas as inquietações.

 

Com o som da água, pela ribeira que passa mesmo ao lado do mosteiro, em sintonia perfeita com os pássaros e um "barulho silencioso" de todo aquele vale, diria que estamos no mais perfeito dos romances. Disse acima que é um local perfeito para um piquenique, e diria até, que é o local perfeito para acompanhar os amantes que naquele encanto natural podem viver a sua paixão eterna em perfeita simbiose com o meio-envolvente. Um dos locais mais românticos no Gerês, é sem dúvida o Mosteiro de Santa Maria das Júnias.

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 Para os mais curiosos, sugiro algumas publicações acerca do mosteiro, da aldeia e até da própria região:

 

BARROCA, Mário Jorge – “Mosteiro de Santa Maria das Júnias – Notas para o estudo da sua evolução arquitectónica”, in Revista da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, II série, vol. 11, Porto, 1994, pp. 417-443.

BORRALHEIRO, Rogério – Montalegre - Memórias e História – Montalegre: Barrosana, E.M., 2005.

COUCHERIL, Maur - Routier des Abbayes Cisterciennes du Portugal - Paris: Fondation Calouste Gulbenkian,  Centre Cultural Portugais, 1986.

GUERREIRO, Manuel Viegas - Pitões das Júnias. Esboço de monografia etnoigráfica - Lisboa, 1981.

MARTINS, Clara Joana - Mosteiro de Pitões das Júnias. Um caso de obstinação, in Revista Descobrir, nº 0, Lisboa, 1995, pp.110-115.

VASCONCELOS, Joaquim - A Arte Românica em Portugal, Publicações Dom Quixote: Lisboa, 1992.

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Fonte das Imagens: Própria.

 

Mesmo junto ao local do meu nascimento, bem no centro de Lisboa, onde o Saldanha se agiganta enfrentando a rotunda do Marquês, onde o Sheraton oculta a Maternidade Alfredo da Costa, encontra-se uma das jóias do património nacional que é de todos nós: a Casa-Museu Dr. Anastácio Gonçalves.

 

Também conhecida por "Casa Malhoa", pois deveu-se ao pintor a ordem para a execução do projecto do arquitecto Norte Júnior, bem nos alvores do século XX, mais precisamente em 1904-05! Aliás, o Prémio Valmor, logo após a sua construção, demonstra o carácter arquitectónico de extremo encanto deste espaço que viria também a ser o atelier do artista!

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Estamos perante uma relíquia no centro de Lisboa, sobretudo numa zona cosmopolita, onde os altos edifícios modernos e as "Avenidas Novas" quase a tornam oculta ao olhar dos transeuntes. Todavia, a majestade não se perde e permite que no meio de muitos gigantes e cinzentos prédios, a Casa-Museu Dr. Anastácio Gonçalves se resguarde do futuro e lance uma aura que a protege do bulício citadino. 

 

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A casa, contudo, é conhecida hoje por este nome, pois em 1932 foi adquirida por Anastácio Gonçalves um coleccionador de arte  que por vontade expressa a deixou, após a sua morte em 1965, ao Estado Português. O espólio é tal que, segundo a Direcção Geral do Património Cultural, conta com 3.000 obras de arte divididas em três núcleos: pintura portuguesa dos séculos XIX e XX, porcelana chinesa e mobiliário português e estrangeiro. Conta também com património de ourivesaria civil e sacra, pintura europeia, escultura portuguesa, cerâmica europeia, têxteis, numismática, medalhística, vidros e relógios de bolso de fabrico suíço e francês, sem esquecer alguns desenhos, aguarelas e pequenos artefactos pertencentes ao espólio do pintor Silva Porto. Genial!

 

Como confesso admirador de pintura, além da arquitectura, esta é para mim um dos pontos fortes do espaço e que nos leva por uma viagem sem igual pela pintura portuguesa do periodo romântico (Tomás da Anunciação, Vieira Portuense, Miguel A. Lupi e Alfredo Keil) e Naturalista (Marques de Oliveira e Silva Porto). O atelier é um gáudio no que à obra do pintor Silva Porto concerne! Mas se pensam que ficamos por aqui, juntem-lhe também nomes como José Malhoa, João Vaz e claro, Columbano Bordalo Pinheiro - três nomes que por si só valem já a visita!

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Estamos perante uma riqueza primorosa e que vai surpreender aqueles que ainda desconhecem um dos mais belos recantos de Lisboa. Diria até que nos sentimos a regressar àquela época e ficamos a sentir e a ouvir uma Lisboa diferente, sem os automóveis e os ruidos modernos, mas sim uma Lisboa antiga e, sobretudo à época e naquele local, de um glamour ímpar.

 

Mas se é de sons que falamos, também aqui se realizam, além de conferências e seminários, alguns recitais! E como é deleitável estar num local destes e poder desfrutar de um concerto de música clássica, por exemplo. Mesmo para quem não gosta, acredito que seja uma experiência única, como a que teve lugar no dia 04 de Outubro e que contou com a "Ludovice Ensemble" a interpretar obras de Sebastien Bach, Handel, Telemann, Vivaldi e outros.

 

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 Túlia Passando Sobre o Cadáver do Pai - Columbano Bordalo Pinheiro (estudo). A tela final encontra-se no Museu Nacional de Arte Contemporânea.

 

Se em Lisboa ainda existem espaços capazes de nos fazer viajar no tempo, sobretudo num tempo não muito distante, a Casa-Museu Dr. Anastácio Gonçalves é um deles! Acredito que naquele atelier, onde Malhoa se inspirou, não nos faltará vontade de trajar à época e dançar, cantar ou simplesmente contemplar, para lá dos lindissímos vitrais, uma Lisboa de outros tempos...

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 Lugar do Prado (Santa Marta-Minho) - António da Silva Porto

 

E no final, porque não descer pela Avenida Fontes Pereira de Melo e terminar com um piquenique no Parque Eduardo VII ou no Jardim Amália Rodrigues? No entanto, admito... O meu maior desejo é mandar colocar mesas naquele atelier e convidar todos aqueles pintores! Ali, reunidos a degustar um óptimo almoço, a dissecar diferenças e inovações entre o ontem e hoje, seria sem dúvida um dos dias mais perfeitos da vida de qualquer um de nós... Tudo isto, sem esquecer uma pintura final, com todos os comensais à mesa, não como "Os Bêbados" de Malhoa, mas como o "Grupo do Leão" de Columbano ao som de uma das melodias de Keil (que também pintava, como poderemos aferir no espaço da casa).

 

 

Para mais informações, podem sempre consultar o website do espaço.

Bom fim-de-semana...

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E Quem Serás Tu?

por Robinson Kanes, em 19.10.17

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Fonte da Imagem: Própria. 

 

Esta é a pergunta que te coloco! Esta talvez seja a pergunta que me prende na esperança de mais 365 dias de vida contigo. Também é o dilema que me atormenta se, daqui a 365 dias, ainda sentirei a tua presença pela casa, pelo carro e até nos meus pensamentos... Nesses malditos pensamentos onde entraste e eliminaste toda e qualquer memória, onde foste rainha e ninguém escapou à tirania da tua sedução...

 

Mas o amor não dura para sempre... O amor, esse maldito subterfúgio da sociedade para nos tornar mais moles ou para colocar em nós algo surreal que, no fundo, não passa de uma característica física que, não tendo forma, passaria despercebida e desse modo perderia todo o nosso interesse. Vergílio Ferreira, no seu "Conta-Corrente", debruçava-se sobre o facto de "se não há amor como o primeiro, porque é que ele não é o último?". Será pois o amor algo que morre com a primeira decepção, com o primeiro fim... Com a primeira separação. Talvez só amemos por momentos e nunca mais voltaremos a amar, talvez a nossa capacidade de memória seja absorvida nesse primeiro amor, no entanto, a natureza é mais forte e faz-nos deixá-lo... 

 

Encontro-me contigo quando dizes que "as pessoas não foram feitas para estarem juntas toda a vida" e tento, apesar da minha frieza, destruir o teu argumento, mesmo que equacione se é mesmo nisso que acredito. Recorro à premissa de que existem casais que vivem juntos para sempre mas... Escamoteando a realidade, ou percebemos que foi a habituação,  ou a pressão dos pares, a pressão da estabilidade e até uma educação ainda alicerçada em muitos ditames religiosos que até o mais profundo ateu absorve. 

 

Será que me amas? Será que para ti não existiu amor como o primeiro e agora vives rendida à vida até que a morte te retire deste marasmo em que o amor já não existe? Questiono-me sempre pensando em quem serás tu daqui a 365 dias... Se serás mais uma experiência do amor, se uma experiência da crua realidade que insistes em inscrever na tua bandeira de que um homem e uma mulher jamais se amarão para sempre. Talvez projecte os meus pensamentos em ti, ou talvez os mesmos se encontrem e só reconheçam, efectivamente, que o amor eterno é uma obra literária para quem não consegue aceitar as relações humanas como elas são.

 

Talvez sejas a face de uma desilusão que por intermédio de mim não desfez a utopia em que ainda acreditava... Quem serás tu daqui a 365 dias ou o que será o amor daqui a 365 dias? Será que já amámos por 365 dias?

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 Peter Paul Rubens, A Virgem - Musée du Louvre

Fonte da Imagem: Própria.

 

Uma das tendências, perdão, "trends" (Portugal está na moda mas a língua portuguesa não, esqueci-me desse detalhe) para muitos é utilizarem os filhos como arma de arremesso contra tudo e contra todos.

 

Para estes, ter filhos passou a ser um estatuto tal que quem não os tiver perde o direito de opinião ou, em alguns casos, à própria vida em sociedade - eu já fui filho, já tomei conta da minha sobrinha e sou tio de mais dois! Apesar disso, o melhor do mundo são as crianças, pelo que são aceites gritos, correrias, faltas de educação, é aceite não conseguir estar num restaurante e um outro sem número de privações de direitos porque são... Apenas crianças. Eu fui criança e não me era permitido incomodar quem quer que fosse.

 

Ter filhos é um direito (para alguns uma obrigatoriedade e eu diria até um patamar de status), não tê-los é uma afronta à sociedade, sobretudo se ao invés de um filho tivermos, por exemplo, um cão! Com este dilema lido todos os dias... "Como é possível ter um cão e não ter um filho, não gosta de crianças!". Já me aconteceu ver um cavalheiro com o filho a pedir para que eu me retirasse de uma zona pública com o meu pastor-alemão. Utilizava o argumento de que era um cão perigoso e de grande porte, isto enquanto a adorável criança arremessou duas pedras ao cão (não acertou) e o mesmo ficou sereno... Espero que um dia não precise do pastor-alemão para encontrar ou lhe salvar o filho...

 

Mas uma das questões que mais me agrada é a utilização dos filhos como arma de arremesso contra aqueles que queremos criticar ou denegrir. Amor aos filhos é isso, usar os mesmos como escudo contra aquele indivíduo que não gostamos.

 

Eu entendo que gostar dos filhos é falar do amor pelos mesmos e usar isso contra os outros mas não hesitar em circular a mais de 150km hora com o filho na cadeirinha e o autocolante a dizer "bebé a bordo" ou "cuidadinho vai aqui o meu paizinho" - este último bem mais egoísta e que coloca o filho no lugar de cuidador dos pais. Ou então, amor aos filhos pode ser sempre passar por criticar o "puto Vitor" (hoje em dia Vitor já não se usa, Santiago, puto Santiago ou Mateus) que é "explorado" pelo pai na vinha da família, mas elogiar aquele que coloca o filho na televisão ou explora o mesmo através de um blog... E há quem os explore sem sequer eles aparecerem... E há quem os explore não para ajudar a sustentar a casa mas para se auto-promover e procurar ser aceite por outros seja no mundo virtual ou no mundo real. Amor aos filhos também é dar-lhes um tablet para as mãos disfarçando o "não me chateies" pelo "estou a educá-lo para as novas tecnologias".

 

"Não ande aí com o seu cão, existem aqui crianças" ou "Isto é inadmissível quando há crianças que podem ser influenciadas", ou ainda "esta gente não tem respeito nenhum pelas crianças" ou "desampare-me a loja, mas como não tenho argumento, preciso de fazer chorar as pedras da calçada e influenciar quem me ouve para tomar partido por mim em caso de zaragata, lá vou ter de dizer que é por causa do meu filho e das crianças" são das coisas que mais se ouvem. Isto é o ideal quando existe um grupo de cidadãos com direitos (muitos deles também pais, mas conscientes e sem filhos metidos em bolhas de ostentação)  e nós queremos tirar partido de uma sociedade onde a infantocracia reina e eu tenho todos os direitos e o outro não. É por estas e por outras que defendo sempre a participação do povo na vida pública mas jamais que o poder possa um dia cair na rua.

 

Porque existem bons pais (e muitos) talvez a mensagem seja sobretudo para aqueles que gostam tanto, mas tanto dos filhos que até se esquecem que os mesmos não servem para servir os seus intentos. Começem a falar por vós, mesmo agora que a moda é criticar quem deixa as fezes dos cães no passeio! Eu concordo com a "luta", mas mesmo eu que não gosto, piso muito mais vezes as ditas fezes que muitos. Se andarem por onde eu ando, não só pisam fezes de cão, como de cavalo, bovinos, caprinos e um sem número de bicharada... Até hoje não morri e uma das coisas que o médico disse à minha mãe quando esta me via com as mãos cheias de borbulhas por mexer em tudo o que era porcaria, terra e lixo foi para ela não se apoquentar e deixar andar - nunca tive alergias nem nada que se pareça! E sim: quem tem animais tem também de garantir a higiene pública, e até, em último caso, não dar argumentos àqueles que encontram um "cocó" no passeio mas já dizem que não se consegue circular na cidade - sim, porque por norma são suburbanos (sem ser em tom depreciativo) ou vivem dentro das cidades.

 

Em suma, não tenham medo de dizer o que vos incomoda sem colocar a criança na arena, isso não é gostar do filho, é gostar demasiado de si! Lembrem-se, quando forem comprar brinquedos ou roupinhas caras para os vossos filhos, que os mesmos são, muitas vezes, fabricados pelos filhos de outros. Lembrem-se que quando querem tramar o vosso colega que até vos ajuda, esse também tem filhos para alimentar... Lembrem-se também que quando usam os vossos filhos para ter prioridade, aquele que espera pode ter o filho em casa e que já não vê há dias... É que gostar só do nosso filho, ou utilizar o mesmo contra os outros, ou fazer dele uma espécie de "Rei-Sol" não é gostar de crianças e muito menos ser bom pai e cidadão... É gostar demasiado do seu umbigo, ser egoísta e falso moralista.

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Fonte das Imagens: Própria. 

 

Depois do pôr do sol na Praia do Beliche existe também, a cerca de 4km, um local onde um outro pôr do sol nos confronta com a imensidão do Universo. Um pôr do sol forte e onde nos sentimos aquele pequeno grão de areia perdido entre milhões de galáxias. Onde reconhecemos, independente do nosso poder que somos aquele pequeno átomo.

 

Estamos em Sagres, ou melhor, na fortaleza que tem o mesmo nome. Localizada na Ponta de Sagres, também denominada de Promontório Sagrado (Promunturium Sacrum), este local vale sobretudo pelo seu entorno natural, pelas vistas únicas e pela voz do mar que nos invade por debaixo da rocha, ora uma vez suave ora outra vez mais forte e agressiva. A prova de riqueza natural e patrimonial está patente na classificação como Monumento Nacional, Zona Especial de Protecção (ZEP), Rede Natura 2000 e ainda como fazendo parte do Parque Natural da Costa Vicentina e Sudoeste Alentejano. Acresce ainda, o facto do Promontório ser Marca do Património Europeu (MPE), distição da União Europeia que visa promover sítios que simbolizam a integração, os ideais e a sua história. 

 

Depois de algumas horas na Praia do Tonel, podemos guardar o fim do dia para seguir as passadas do Infante D. Henrique e gritar ao oceano que se prepare para enfrentar as nossas caravelas em busca de novos mundos. Podemos também apreciar a enseada da Mareta e o Cabo de São Vicente que, ali tão perto, rivalizam no protagonismo com o promontório.

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O que fascina neste local é sobretudo a imensidão e, mesmo desconhecendo a história, muito bem resumida no website do Promontório, é impossível ficar indiferente. Uns falam do seu misticismo, outros falam do contacto com a natureza, eu falaria de uma sensação estranha; talvez da sensação de estarmos numa zona de mudança, numa área em que um sem número de forças naturais terrestres confluem e às quais o nosso corpo e alma não ficam indiferentes. Se quiserem uma banda sonora, nada como entrar na "Câmara Sonora Activada pelo Mar - Voz do Mar" do arquitecto, pintor e escultor Pancho Guedes. Ao início parece-nos mais uma daquelas obras de arte contemporânea sem qualquer sentido, mas só entrando podemos apreciar a magia oferecida pelo autor.

 

Não poderemos esquecer as aves, ou não fosse esta uma zona de rota migratória, sobretudo das aves que viajam de e para o continente africano. Como fanático das aves de rapina, não poderia deixar de mencionar o Grifo (Gyps fulvus), o Milhafre-preto (Milvus migrans), a Águia-cobreira (Circaetus gallicus) e o suspeito do costume: o Falcão-peregrino (Falco peregrinus). A par da área circundante ao Cabo de São Vicente é comum ver estes habitantes a dominar os céus. Sobre isso falei também aqui aquando de um artigo dedicado ao Cabo de São Vicente e à Praia e Fortaleza do Beliche. Ao longo do Promontório existe também informação com as diferentes espécies de aves e de flora que se pode observar.

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Em relação à fortaleza propriamente dita, é uma construção abaluartada com um portal neoclássico. Aí, é também possível visitar os vestígios da "Vila do Infante" (Infante D. Henrique, que faleceria aqui em 1460) anteriores às muralhas setecentistas. Uma nota também para a torre-cisterna, a "rosa-dos-ventos", uma muralha corta-ventos, os restos das antigas habitações e quartéis e a antiga paróquia de Nossa Senhora da Graça. Uma nota particular para as várias intervenções mal sucedidas ou que nem chegaram a sair do papel que percorreram todo o século XX e que actualmente se tentam colmatar com novas intervenções que garantam a autenticidade do espaço.

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A já mencionada "rosa-dos-ventos", é uma das grandes atracções da fortaleza, mas também aquela pela qual muitos passam ao lado. De facto, ainda ninguém conseguiu provar verdadeiramente a sua função, há quem aponte para um "relógio solar" e até para uma construção com carácter esotérico. Ao contrário do que se pensou, durante muitos anos, este espaço não existiria na época do Infante D. Henrique, aliás, mesmo a existência de uma Escola (a "Escola de Sagres") é algo que tem vindo a ser afastado. Já Ayres de Sá afastava essa hipótese dizendo que, a existir, um empreendimento de tal envergadura não poderia ter passado ao lado dos historiadores e cronistas da época.

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Com história ou sem história, com mistérios ou sem eles, de facto estamos perante um lugar único, onde diferentes emoções nos afloram e de onde, com toda a certeza, poderemos sair com a ideia de que estivemos num pequeno canto do mundo; onde realidade humana e natural convivem de braço dado com uma aura indecifrável mas contagiante. Quem sabe, sejamos intrusos no encontro do calor do Levante com a frieza do Oceano.

IMG_3499.jpgAlgumas notas:

 

  1. Como continuamos no Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina não deixem de consultar e levar convosco o Código de Conduta e Boas Práticas.
  2. Sugestões bibliográficas sobre a temática:
  • Almeida, João de (1948), Roteiro dos Monumentos Militares Portugueses Volume 3, Lisboa, Edição de Autor.
  • Albuquerque, Luís de (1971), Escola de Sagres, Dicionário de História de Portugal. Dir. de Joel Serrão, Vol. III, Lisboa, Iniciativas Editoriais.
  • Coutinho, Valdemar (1997), Castelos, fortalezas e torres da região do Algarve, Faro, Algarve em Foco Editora. 
  • Guedes, Livio da Costa (1988), Aspectos do reino do Algarve nos séculos XVI e XVII: a descrição de Alexandre Massaii (1621), Lisboa, Arquivo Histórico Militar.
  • Magalhães, Natércia (2008), Algarve - Castelos, Cercas e Fortalezas, Faro, Letras Várias.

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"Contrapassear" pelo Exclave de Tourém...

por Robinson Kanes, em 27.07.17

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 Fonte das Imagens: Própria

 

Tourém, a par de Mourão no Alentejo é um dos exclaves de Portugal. Atravessado pelo Rio Salas faz fronteira a norte com Espanha, nomeadamente com os Ayuntamientos de Muíños e Calvos.

 

Tourém, com cerca de 151 habitantes, repousa nas costas do Gerês e é aí que olha para Espanha e se deixa banhar pelo rio que serve de local de descanso e alimentação para pessoas e animais. É um local mítico e que serviu de apoio ao Castelo de Piconha que defendia Portugal de Castela. 

 

De Tourém podemos admirar as suas casas ainda bem preservadas, o seu chão em paralelo e toda uma história de aldeia comunitária que a colocam lado-a-lado com aldeias como Pitões das Júnias, ou até com a mais distante, Rio de Onor. O Forno acaba por ser o grande herdeiro desses tempos, como o é nas demais mencionadas.

 

Chegar a Tourém é chegar ao fim de Portugal, não só pelo facto de estarmos perante uma aldeia raiana mas também por deixarmos para trás os encantos únicos do Gerês e penetrarmos num outro mundo que é o da Galiza com todas as suas tradições e especificidades, muitas delas bem semelhantes às da região do Barroso.

 

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Como Aldeia Raiana, Tourém não escapou ao contrabando, uma temática que ainda cultiva algumas questões mas que é também um produto turístico. Aqui, recomendo o trabalho fotográfico de um investigador da Universidade de Trás-os-Montes, Hugo Costa, que retratou em imagens as histórias de alguns contrabandistas de Tourém com a sua câmera fotográfica. Uma volta pelo "google" e não faltarão exemplos. Para quem gosta de caminhar, porque não experimentar um percurso pedestre da "Rota do Contrabando", mais especificamente  o "Trilho de Tourém" - permite que sejamos contrabandistas por um dia e conhecer toda a aldeia e paisagem envolvente, o download do trilho pode ser feito no website da Câmara Municipal de Montalegre. São 11km mas o percurso é circular e permite contemplar o Forno Comunitário, a Capela de S. Lourenço, o Largo do Outeiro e a Albufeira de Salas. Parar, conversar com quem passa, jogar às damas num qualquer café e fazer festas aos cães que deambulam por aquelas ruas também vai ser uma realidade.

 

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Visitar Tourém é recuar a tempos mais distantes onde o sentimento de comunidade era a maior arma contra o isolamento e contra os duros Invernos daquelas terras distantes... Atravessar a ponte e observar a albufeira e as montanhas circundantes, enquanto observamos o gado a saciar a sede naquelas águas, é como sermos transportados para Alberto Caeiro, para a capa bucólica de Fernando Pessoa.

 

Uma nota para os que gostam de "passarada", aqui não faltam atractivos, na foto consegui captar um Gavião, mas também se podem encontrar, entre outros, o Bútio-vespeiro (Pernis apivorus), Águia-calçada (Aquila pennata), Águia-cobreira (Circaetus gallicus), Peneireiro-vulgar (Falco tinnunculus), Ógea (Falco subbuteo) e a  Águia-d'asa-redonda (Buteo buteo)... E estamos só a falar de aves de presa, imaginem o que não poderão ver mais... O website Aves do Barroso pode ajudar.

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Também prometi que esta semana falaria da Cordoama e do Castelejo mas... Com o país em chamas, falar de praia não é a melhor postura!

 

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Girolamo de Santa Croce - A Adoração do Menino (Gemäldegalerie Alte Meister)

Fonte da Imagem: Própria.

 

No seguimento do artigo de ontem, ao qual podem aceder aqui, e onde os contributos de muitos comentadores foram valiosíssimos, procurarei hoje ver as coisas de um outro ponto de vista, até porque a temática é complexa.

 

Foquemo-nos numa questão: porque é que não trabalhamos a questão da maternidade/paternidade, ou aliás, a impossibilidade da mesma no sentido de mentalização dos indivíduos para esse facto? Com isto não estou a dizer que não se desenvolvam demais abordagens. Porque é que o foco não passa por uma mentalização das pessoas para as suas limitações? Porque é que noutros campos vamos por aí e no caso da geração de um filho fugimos mais à questão?

 

É assim tão grave que um indivíduo conviva com o facto de não poder ter um filho? Dou um exemplo: são muitos os casos que conheci de pessoas que passaram pelos maiores martírios fisícos e psicológicos só para conseguirem ter um filho e muitas vezes por pura pressão social! Parece que nos tempos actuais é proibido dizer "não tenho filhos porque biologicamente não sou capaz e vivo bem com isso" e nem menciono aqueles que não os têm por opção. Porque é que não existe um trabalho desse lado e continua a impor-se uma lógica do "ter filhos a todo o custo". Será que se a abordagem fosse mais por aí teriamos tanta gente a investir dinheiro, anos de vida e um sem número de emoções para conseguir ter um filho? Alguém, aos comentários do artigo de ontem focou o egoísmo... Será um egoísmo da sociedade e de cada indivíduo? O artigo presente, pretende sobretudo ir pela questão do "é assim tão complicado aceitarmo-nos como somos?".

 

É uma questão complexa, sobretudo quando leio e vejo argumentos de indivíduos que na praça pública defendem (quase obrigando) que devemos ter filhos, pois estes serão o garante da sustentabilidade da Segurança Social e que é egoísmo não os ter! Um deles até é o proprietário de uma empresa de brinquedos com nome na mesma praça. São esses mesmos indivíduos que não falam de adopção, por exemplo.

 

Estamos a fazer de tudo para promover um mercado de venda ou negociação de bebés mas continuamos a não exigir leis mais facilitadoras da adopção. É aqui que pecam aqueles (auto-intituados vanguardistas) que acusam os "anti-barrigas de aluguer" de estarem presos a rituais ancestrais e de serem egoístas. Eu, sem me colocar de um lado e de outro, digo sempre... Cuidado, sobretudo quando a pretexto do que é novo, colocamos todo um passado no caixote do lixo. Até porque uma das marcas maiores de ancestralidade é a geração de um filho - quantas mulheres não eram ostracizadas ou até mortas por não conseguirem gerar uma criança?

 

Além de que, se queremos falar de egoísmo importa referir, mais uma vez, que o mundo já tem gente a mais e sempre podemos encontrar muitas crianças sem pai nem mão à espera de uma oportunidade para serem crianças... Mas talvez seja mais interessante ver as mesmas subnutridas, feridas ou mortas na televisão enquanto a todo o custo tentamos ter aquele filho que tem de ser "nosso"! Mas aí já estamos a ser vanguardistas... 

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