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Carta ao Assaltante do Meu Carro...

por Robinson Kanes, em 08.08.17

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 Fonte da Imagem: http://pirinsko.com/apashi-zadignaha-bmv-ot-blagoevgradskiq-kvstrumsko-32475.html

 

Exmo. Sr. Assaltante do Peugeot cinzento que ontem, dia 07 de Agosto de 2017, estava estacionado em frente ao futuro terminal de cruzeiros de Lisboa,

 

Antes de mais, permita-me dizer-lhe que nunca pensei que alguém levasse tão à letra o velho ditado popular que diz "ladrão que rouba ladrão, 100 anos de perdão"! No entanto, apesar do meu carro se encontrar em frente à Autoridade Tributária não significa que tenha de trabalhar na mesma - acho que fez um erro de cálculo e o perdão divino não virá.

 

Queria também agradecer-lhe o facto de não ter danificado a viatura e o cuidado com que retirou o cinzeiro traseiro sem partir! Sabia que só aquela "caixinha" é coisa para custar mais de 50 euros? Eu nunca o retirei com medo de partir! Fico-lhe grato pelo cuidado, bem como por ter revelado algum cuidado em não colocar os pés em cima dos estofos. Não partiu vidros, permita-me que lhe "tire o meu chapéu" ao ter-me poupado a essa despesa. Terei isso em conta se algum dia o vir e tiver de decidir entre uma manobra de "mata-leão" ou um corte a la Palaçoulo.

 

No entanto, queria dizer-lhe algumas coisas: porque raio é que andou no porta bagagens a remexer na capa protectora e não levou sequer o "macaco"? Se levou os coletes levava o macaco, certo? Lamento também que o meu "macaco" de 42kg não estivesse lá, como até é hábito... Acredito que a história não acabaria bem... Para o seu lado...

 

Agradeço-lhe também pelo facto de ter aberto o porta-luvas com cuidado, mas diga-me: porque é que não voltou a colocar tudo no sítio? Olhe que não foi fácil apanhar o livro das revisões e as chaves que por lá andavam. Eu sei que no meu carro sou muito minimalista e não tenho lá nada, mas não era preciso ficar zangado! Para a próxima deixo lá uma Bola de Berlim e uma garrafinha de Ucal bem fresca.

 

Denotei que levou um crucifixo e uma pequena cruz: pode devolver-me? Não sou um indivíduo dado à religião, mas para a minha mãe é fundamental que eu tenha esses haveres no porta-luvas, aliás, foi ela que me deu e quando descobrir que alguém me roubou, prepare-se para Alfama ficar virada do avesso até ela lhe arrancar a pele! Uma nota: não tente vender aquilo porque não é prata, parece mas não é, são bugigangas religiosas compradas em Fátima. Além disso, a rede de contactos da minha mãe vai de Lisboa até Vladivostok passando pelo Mali - mal saiba que andam a vender as bugigangas de Fátima que roubaram ao filho, acredite em mim, fuja...

 

Outra questão: tem noção que me levou um pack de 8 CD's de música clássica? Não me responsabilizo se a sua pessoa aparecer a boiar no Tejo encostada a algum rebocador ou coberta de alforrecas naquela pequena enseada no Poço do Bispo, onde costumam andar os pescadores. As bugigangas de Fátima ainda tolero, agora aquele pack é que não! Por falar nisso, contacte-me porque levou a caixa com a banda sonora do filme "Black Hawk Down", mas o CD ficou no leitor, não vai ser fácil vender a mesma lá para os lados do Panteão.

 

Uma outra questão, se me é permitido: a "árvore mágica"? A minha até estava escondida debaixo dos bancos... Mas porque é que alguém rouba uma "árvore mágica"? Ainda por cima com cheiro a baunilha!

 

No final disto tudo, contudo, você deu-me uma grande lição: mais vale ser um indivíduo a roubar que um indivíduo a trabalhar, pois o carro encontrava-se ali estacionado porque eu tinha ido a uma entrevista de emprego, com o objectivo de... Trabalhar! Talvez não saiba o que isso é e até os impostos do meu trabalho o sustentem, pelo que sugiro um assalto a uma livraria e o roubo de um dicionário de português.  Gabo-lhe contudo, o nicho de mercado, pois não fosse a minha insistência, nem um relatório de ocorrência existia - empreendor o seu acto ao descobrir que a Teoria das Janelas Partidas ainda é escondida nas gavetas - afinal são os pequenos delitos, que por serem pequenos se repetem ad aeternum. Também nunca percebi porque é que o plano Giuliani não foi tido em conta por Portugal...

 

Se eu passar na entrevista vamos os dois tomar um copo ao Jardim do Tabaco e quem sabe não possamos colocar em prática a Teoria das Janelas Partidas nas águas do Tejo, nunca se sabe se pode vir a ser um passageiro clandestino das correntes do Bugio... Ou sempre posso dizer ao mundo que você andou a roubar "árvores mágicas", que vergonha, se ainda fossem cogumelos...

 

Com os Melhores Cumprimentos,

 

Robinson Kanes 

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13 de Maio é Dia de "Regime Sunset Party"!

por Robinson Kanes, em 09.05.17

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Fonte da Imagem: Biblioteca de Arte da Fundação Calouste Gulbenkien

 

Quer-me parecer que no dia 13 de Maio alguém para os lados do Vimieiro e outro alguém para os lados do Rio de Janeiro terão motivos de sobra para montar uma psicadélica no túmulo e dançar. Dançar qual festa underground em Reiquejavique ou Copenhaga! Untz... Untz... Untz... (imaginem esta batida a acompanhar o resto das minhas palavras). 

 

É verdade, o Professor Marcelo (o Caetano) e o Professor Salazar mal sabiam que após 43 anos do golpe militar que fez cair o regime ditatorial iriam ter um dia inteiramente dedicado aos próprios... E logo no "Maio, Maduro Maio", imortalizado por Zeca Afonso.

 

O 13 de Maio arrisca-se a ser a celebração dos três pilares que a história e os críticos celebraram como as bases do regime: Fátima, Futebol e Fado! Senão vejamos: o Benfica (o antigo clube do regime para muitos) arrisca-se a ser campeão nacional já no dia 13 de Maio! E quando o Benfica é campeão, o país entra em modo de feriado, aliás, só a expectativa de ser já está a parar a nobre nação! E pára literalmente... Até eu parei quando a comitiva do ano passado foi recebida em festa na Câmara Municipal de Lisboa em hora de ponta. Quem estava a trabalhar teve de ficar debaixo de um calor intenso na rotunda do Marquês de Pombal cerca de uma hora à espera que passasse um autocarro! Isto será festa para durar umas duas semanas e aumentar dramaticamente a taxa de natalidade do país.

 

O dia 13 de Maio também será o mote para a visita do Papa Francisco e para a celebração do centenário das aparições de Fátima! A classe política já lá está para o beija-mão e o país vai parar. Não entendo é todo o aparato, pois nem em cimeiras da Nato vi tanto exercício de segurança. A BMW é que não se fez rogada e já “ofereceu” uma viatura para a GNR fazer publicidade! Com 10 milhões a ver, só em Portugal, fora no resto do mundo, é o investimento em marketing mais lucrativo do ano. Eu faria o mesmo!

 

Mas o dia 13 de Maio também pode ser um dia para festejar um outro “F” e não é o Fado. O Fado agora é só para alguns e trocou a “tasca” pelos grandes palcos, pelos vestidos de estilita e jóias caras, logo, perdeu esse estatuto. Algum fado já parece mais Pop e Soul do que propriamente a canção tradicional que qualquer um canta desde que diga "Aiiiiiiiiieeeen Mooooooooouuuuurariaaaaaaa". Já dizia Fernando Farinha na sua Canção de Lisboa, "O fado é chique".

 

Agora, e como alguém da nossa praça já o disse, o outro “F” são os Festivais ou “Fest” como se convencionou chamar. Até o mais típico festival português apanha com o “Fest”, ou não duvidem que a existir, ainda teríamos um “Coirato Portugal Fest” (eu sei que é courato, mas é como o touro e toiro para os aficionados).

 

Mas, em minha opinião, o terceiro “F” é o Facebook - que engloba aqui outras redes sociais. Tivessem Marcelo (o Caetano) e Salazar conhecido Mark Zuckerberg, o Facebook teria sido o substituto perfeito da PIDE e com sede em Portugal, na Rua António Maria Cardoso, em Lisboa, e não em Menlo Park na Califórnia. Imaginem como a PIDE seria desnecessária pois voluntariamente os cidadãos fariam chegar as informações a quem os quisesse controlar, além de que, viveriam uma vida que julgavam ser em plena liberdade mas com os constrangimentos de fazer uma vida para os outros de modo a não serem ostracizados pela turba. Mais que controlar cidadãos era importante controlar a exposição. Um trabalho bem mais fácil, em meu entender.

 

Acredito que os dois professores estarão também satisfeitos pelo facto do Presidente da República ter sido uma pessoa do regime anterior, embora os portugueses, sobretudo os críticos do regime, só conheçam a imagem construída no pós-revolução. Acresce a este um sem número de indivíduos que hoje tem destaque na vida pública portuguesa e bebeu muito do regime ditatorial.

 

Em suma, tivessem aqueles dois governantes pensado bem e trocado o “F” do fado pelo “F” do Facebook e ainda hoje seriamos um país a viver numa ditadura, assim, vivemos em várias... menos mal...

 

(Actualização: 09/05/20167 12:00 GMT)

Graças aos poucos que ainda se dedicam a ler-me, venho a informar que se junta mais um "F": o de Festival da Canção! Em suma, já montei a tenda no Poço do Bispo e pode ser que apareçam alguns fantasmas para entrar nesta "Sunset Party", até o DJ vai ter aquela voz de rádio dos anos 50)

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Em Abril Feriados Mil!

por Robinson Kanes, em 04.05.17

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Hilaire-Germain-Edgar Degas, Cena na Praia (National Gallery)

Fonte da Imagem: Própria

 

Terei sido só eu, ou foram mais alguns que sentiram que no mês de Abril o país parou? Aliás, continua parado pelo menos até ao final da primeira quinzena de Maio, que começou com um feriado logo no dia 1 e uma espécie de feriado (para privilegiados) no dia 13.

 

A sensação com que fiquei, foi de que em Abril, salvo em algumas áreas, o país esteve completamente a meio-gás. Seria interessante ver o lado positivo - para o turismo e restauração foi bom com toda a certeza - mas também o lado negativo... até porque o Verão, na cabeça de muitos, já está aí e....

 

O problema, em meu entender, não residiu na questão de existirem vários feriados. Parece-me que a grande questão está relacionada com o facto de, em Portugal, sempre que existe um feriado (especialmente se for entre uma segunda-feira e uma sexta-feira) toda a semana que antecede ou que segue a esse mesmo feriado fica condicionada. Uma espécie de long-term happy friday.

 

Dou um exemplo: quantas vezes não ouvimos “para a semana vai ser difícil fazer isso", ou "agendar uma reunião por causa do feriado, já sabe como é”. Ao que sei, o feriado é apenas de um dia, mas na mente de muito boa gente, o contágio é tal que a semana se transforma toda ela numa espécie de feriado. Nesse campo, Abril foi um mês atípico! Foi a antevisão da Páscoa, com as férias e com a Páscoa propriamente dita, foi a ponte e o feriado do 25 de Abril, foi o fim de semana prolongado do 1 de Maio e vai ser a visita do Papa!

 

O problema é que Julho e Agosto estão aí e não é de todo incomum ouvirmos dizer em Junho, “isso agora só lá para Setembro, depois das férias”, isto sem esquecer os feriados desse mês de Junho!

 

A isto junta-se a dificuldade do regresso. Parece que o regresso ao trabalho arranca tão devagar que o dia seguinte ao feriado é revestido de uma espécie de long-term blue monday. Quem nunca se debateu por reparar que à segunda-feira, por exemplo, é por vezes, impossível conseguir que alguém faça alguma coisa? É um arrastar de zombies à procura de se alimentarem da carne e do sangue do fim do dia.

 

Mais interessante ainda, é quando não temos/aproveitamos tolerâncias de ponto, não gozamos férias nesses dias, trabalhamos mais, ou vemos o nosso trabalho parado, porque muitos estão de “férias” e aquando da chegada dos mesmos após esse período somos olhados de lado porque... vamos descansar... um pouco o síndrome de quem trabalha no Verão (muitas vezes a fazer o trabalho dos colegas) e quando vai de férias em Setembro ou Outubro é olhado de soslaio ou então ainda ouve um “outra vez de férias, rica vida!”.

 

Honestamente, não sei até que ponto é que não estamos também a dar feriado e descanso à nossa economia... e à sustentabilidade das nossas vidas.

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