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Se nada fizermos, Portugal vai ao fundo!

por Robinson Kanes, em 28.09.20

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London Imperial War Museum

Imagem: Robinson Kanes

 

 

Um chapéu é apenas uma panqueca, posso ir comprá-lo ao Zimmermann, mas aquilo que se guarda debaixo do chapéu, isso já não se pode comprar.

Fiodor Dostoievski, in "Crime e Castigo"

 

Faço uma espécie de plágio de um título recentemente utilizado por José María Gay de Liébana ("España se hunde y no hacemos nada"), um conhecido economista espanhol que olha para a economia de frente e não raras vezes tem de desmentir jornalistas com tiques de economistas.

 

Antes de passar ao conteúdo do artigo, propriamente dito, aproveito para trazer também algumas palavras deste economista que ainda recentemente, admitiu a perplexidade pelo facto de em Espanha se legislar por tudo e por nada ("sobre el pulpo casero, los vuelos de las palomas ciudadanas") e se continuar a ignorar os factos relevantes que, sendo colocados de lado por vias de um certo "atirar de areia para os olhos" levarão Espanha a um estado de calamidade económica dificilmente ultrapassável. Por momentos, parece que estamos a falar de Portugal...

 

O dinheiro das bazucas (e como ainda não digeri esta espécie de mendicidade e orgulho no dinheiro alheio) continua sem ter um destino, aliás, muito deste dinheiro está já destinado ao Estado, às políticas sociais (um jargão para camuflar o desconhecimento da aplicação dos fundos). Ninguém sabe para onde vai e também ninguém parece estar interessado. As crises serão constantes, o mundo dos "30 anos dourados" já não existe há muito e os períodos de prosperidade serão cada vez menos duradouros o que provocará o colapso de muitos economias e, na hora de decidir, só aqueles que melhor se adaptarão e melhor uso farão das divisas, serão os felizes contemplados com apoios europeus. A solidariedade europeia tem um limite e a aprovação deste último pacote já mostrou que a Leste, a Norte e até no Centro da Europa são muitos os que não pretendem assistir ao sorver destes mesmos fundos por Estados que não fazem uma utilização criteriosa destes. Como cidadãos, todos devemos exigir uma explicação da aplicação dos fundos e inclusive a demonstração dos resultados numa base diária, como se tem feito (em meu entender já em demasia) com os briefings diários da Direcção-Geral de Saúde. É assustador perceber que a maioria dos portugueses ainda não está verdadeiramente preocupada com a situação do país, os paliativos estão a ter o seu efeito... A crónica ausência de visão estratégica, vamos ser positivos, depois logo se vê, tudo em prol da Justiça Social - o novo conceito que ninguém sabe explicar mas é óptimo para colocar tudo no mesmo saco e fugir às responsabilidades. 

 

Este é o momento para também despertarmos como país, para percebermos os milhões que são desperdiçados em subvenções quer para causas sociais, associações inúteis e misericórdias, quer para organizações empresariais que fazem mau uso destas, quer para o erário público onde se incluem autarquias e para um sem número de interesses públicos e privados que nada trazem de bom para um país. Temos de saber dizer não! Temos de saber aplicar todos estes fundos e exigir um caderno de encargos, não podemos gastar milhões em elefantes brancos e milhões em associações que por ano realizam uma exposição para os pobrezinhos! Temos de exigir resultados. Temos de perceber porque é que todos os dias encontro sempre a alguém que diz estar em layoff mas continua a trabalhar e a empresa a receber fundos de todos nós! Estes fundos não são para ser aplicados na compra de Porsches que transformaram uma das regiões mais pobres da Europa naquela que mais concentração tinha de veículos topo de gama, o Vale do Ave.

 

Portugal tem também de perceber a quantidade de posições inúteis que tem na função pública e eliminar as mesmas! Pode começar pela reconversão, pois existem áreas (também públicas) onde os recursos podem ser bem aplicados! Não faz sentido ter 10 administrativos que passam o dia a jogar solitário a beber cafés num departamento camarário que emite um processo por mês e num hospital estarmos a precisar de auxiliares! Temos de também ter coragem de eliminar postos de trabalho se assim tiver que ser, não podemos é permitir que muitos inúteis assalariados pagos com os nossos impostos continuem a assobiar para o lado porque o seu emprego está intacto. Também no sector privado temos de ser sérios, e a pandemia veio demonstrar que existem também muitos empregos improfícuos! Muitos destes empregos vão sendo mantidos porque os salários são baixos e porque são muitos os empresários que gostam de ter o "escritório" cheio porque dá a ideia de que se é uma grande organização! São os mesmos em que tudo pode faltar na organização, menos o papel e a impressora!

 

Temos também de deixar de destruir os óptimos recursos humanos que temos! Não podemos exportar indivíduos que são brilhantes e dariam tanto a este país! Não podemos, temos de lhes pagar, de os acolher. Não podemos deixar estes indivíduos fora do mercado de trabalho ou contratar os mesmos prometendo uma carreira brilhante e encostá-los a um canto, porque ainda temos a mentalidade da courela! Não podemos ter anúncios de emprego (quando os há) onde seja para que área e posição forem, parecem copy-paste uns dos outros e recrutadores obsoletos, inoperantes e que tremem sempre que um CV não segue o Europass. Não podemos deixar que candidatos que se dirigem a uma entrevista de emprego sejam negligenciados porque são inovadores, descomplicam, abanam o status quo e cometem o "erro" de perguntar quais são os objectivos da organização para aquela posição - pergunta que nunca tem resposta! Não podemos preterir candidatos que mostram aquilo que valem e ouvem a resposta do "o bom aqui sou eu, era só o que faltava". Temos de nos rodear dos melhores, temos até de permitir que o nosso lugar mais tarde possa vir a ser ocupado por esses mesmos indivíduos - não temos de ser dinossauros nas mesmas organizações anos e anos a fio. Não podemos olhar para altas taxas de turnover em determinados departamentos com a ideia de que todos os que lá passam são maus e o dinossauro que ocupa a posição de chefia é que é bom porque já ocupa o cargo há mais de 10 anos! O problema não está nos soldados está no general!

 

Precisamos de trabalhar as nossas soft skills, a nossa cidadania e isso não se faz só com uma acção de formação. Temos de incorporar novos ensinamentos e não darmos a desculpa do "mas sempre foi assim" ou do "aqui não resulta" ou ainda do "é cultural". São raros os casos de fintas que são feitas a headquarters localizados no exterior para que não se descubram certas manhas internas. É preciso abrir para o mundo e isso não se faz com uma viagem barata àquele ou a este país! É preciso levar o cérebro e não só a máquina fotográfica!

 

Nas universidades temos de perceber o que importa e o que não importa. Só um tolo não percebe que num país tão pequeno existem universidades que nunca mais acabam e que são também um sorvedouro de dinheiros públicos, um palco para académicos e algumas delas com cursos inúteis e em muitos casos sem qualquer relação com o mercado de trabalho. Temos de apostar também no ensino técnico e pré-universitário, mas depois não podemos pagar o salário mínimo a técnicos não superiores mas altamente qualificados. Não podemos dizer que o país evolui como nunca porque entraram 51 000 alunos em cursos superiores... Entrar é fácil e actualmente até tirar um curso superior, em muitas áreas, se consegue de olhos fechados, o problema vem depois.

 

É preciso dizer basta também à elevada carga de impostos, nos salários não é excepção e a culpa não é só dos patrões (em Portugal ainda dizemos patrões...). Não podemos permitir duplas tributações como acontece no imposto automóvel, mas a sede de ter um carro novo é maior que a sede de exigir direitos e deveres! É essa sede que contribui para a fome do futuro.

 

Também temos de ouvir os melhores, temos de saber onde eles estão, e esses não andam só nas revistas, nas redes sociais e nas televisões... Não andam em publicações com artigos pagos, em trocas de favores ou a receberem prémios pagos. A título de exemplo, existe um indivíduo que na área dos recursos humanos tem construído carreira com prémios em anos que as organizações por onde passam fazem greves a todo o momento e os casos de escandaleiras são uma realidade. Temos de perceber onde essa gente, temos de colocar esses cidadãos num grupo à parte e aproveitá-los como nos diría Platão, não podemos é deixar que a mediocridade se associe a mais mediocridade e produza ainda mais mediocridade.

 

Os líderes deste país não podem ser fabricados nas redacções de jornais e televisões, não podem ser fabricados em juventudes partidárias, não podem ser fabricados no corporativismo e em rascas maçonarias que crescem em todas as áreas, devem ser desenvolvidos e encontrados na praça pública, com base nos seus méritos e no acompanhamento de grandes líderes, comprometidos com o bem-estar dos seus, pois daí advém também o seu bem-estar. Tudo isto é complexo e não é com horas ilimitadas de trabalho... Falando em horas ilimitadas, o nosso desejo de dizer sempre que estamos a trabalhar, que trabalhamos horas e horas a fio, que estamos sempre em reuniões e calls e que no final não se converte em ganhos. Façamos só 10% do muito que vemos apregoar aqui e alí, e provavelmente teremos um país melhor, quebremos os tabús, falemos frontalmente dos problemas - é daí que vem o sucesso das soluções - e façamos com que as obras de Eça sejam mesmo passado e não actualidade, deixemos que os relatos de Raúl Brandão das invasões francesas não sejam um podre Portugal que ainda hoje ali se revê e que a mulher de Junot não fuja para França em estado de choque. E Junot que não era propriamente um cavalheiro...

 

Deixemo-nos de acomismes, de negar este mundo numa espécie de esperança num futuro brilhante. O futuro não será brilhante e só a capacidade de hoje nos prepararmos bem para o amanhã fará com possamos garantir mínimos de bem-estar para todos. Não deixemos que as distracções e uma ideia de aparentemente estarmos muito à frente nos faça desistir de nós próprios - baixemos o ego (que disfarça instabilidade e insegurança) provinciano. Como nos dirá Raghuram Rajan, "people innovate when they are confident that they can question, when they are open to more radical changes and when they do not fear reprisal for it".

 

Finalmente, paremos de olhar para a corrupção como uma coisa normal! A corrupção é um atentado aos Direitos Humanos, mas fica sempre a sensação de que em cada português há sempre alguém com uma espécie de esquema ou telhado de vidro. Temos de exigir mais da nossa política e da nossa Justiça, a mesma justiça que agora parece estar descredibilizada porque o futebol e outras reais instituições do reino dominam os cérebros tacanhos que vivem a semana à espera do circus maximus. Continuam-nos a cuspir na cara, começa na Presidência da República  (paternalismo é inimigo da liberdade e da Democracia) e vai por aí abaixo, passa pelos juízes até indivíduos que se riem de nós em plena Assembleia da República. Lutar contra esta é populismo, é agora o argumento do quadrante político da direita à esquerda.

 

Também na cultura temos de olhar para a frente, valorizar quem trabalha nesta, colocar a mesma ao serviço da sociedade e deixar de entender esta apenas como um canal para mais e mais subvenções. Um agente de cultura não tem de viver do Estado, tem de procurar vender o seu trabalho numa sociedade que também tem de apreciar o que de bom se faz nas artes. Temos de perceber como é que podemos trazer as pessoas, porque até mesmo o mais iletrado é capaz de apreciar Ibsen ou Picasso, precisamos é de sair do topo da intelectualidade onde esse mundo desenvolvido só é compreendido por nós, temos de ter uma cultura sem vícios e também ela um corporativismo em muitas situações, sempre os mesmos rostos, sempre os mesmos temas... Exigir a liberdade de ter uma peça "Catarina e a beleza de matar comunistas" e não apenas "Catarina e a beleza de matar fascistas"... Sempre os mesmos, sempre os mesmos temas e sempre as mesmas incompatibilidades... Afinal, um director de um teatro nacional, usa este como divulgador da sua obra e da sua ideologia (por sinal condenada pela União Europeia) com tudo o que de bom para este daí advém, esquecendo-se das palavras de Vergílio Ferreira que afirmava que ser artista era esgotar o instante que nos coube.

 

Tudo isto não é técnico, pois é fácil erguer uma fábrica ou transformar um país em termos de infraestruturas, difícil é mudar o comportamento e fazer com que as coisas acontençam... Em termos de mudança de comportamento, muitos o tentam, sobretudo ultimamente, mas com objectivos políticos e corporativistas, alicerçados em hypes e desinformado uma sociedade que mais facilmente é manipulada quando assim é e orgulhosamente se acha muito informada.

 

Depende de cada um de nós, e caramba... Para chegarmos aqui já foi tanto o sangue que correu, já foram tantos aqueles que descendendo das famílias de Altamira procuraram e morreram para que hoje estejamos num patamar de evolução nunca antes visto, façamos uso disso e mostremos que as conquistas e os erros dos nossos antepassados, não foram em vão!

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Sardinhada e uma Rapsódia...

por Robinson Kanes, em 21.07.20

h_54839816-800x450.jpgCréditos: https://www.euractiv.com/section/uk-europe/news/avoid-brexit-style-chaos-dutch-pm-tells-his-people/

 

Foi assim que Mark Rutter, o Primeiro-Ministro Holandês, ficou durante a reunião do Conselho Europeu, depois de ler o artigo de hoje no nosso habitual espaço à Terça-Feira no SardinhasSemLata. Aliás, até já comentou dizendo que está muito contente com o "Não é que Não Houvesse" e que se vai tornar leitor assíduo dos dois espaços. Quem quiser saber mais só precisa de clicar aqui.

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Uma União Europeia "à Lagardère”.

por Robinson Kanes, em 03.07.19

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Créditos: https://www.euractiv.com/section/eu-elections-2019/news/christine-lagarde-a-non-conventional-pick-for-the-ecb-presidency/

 

Falar-se de Isaltino Morais (e outros) em Portugal é o suficiente para causar alguns rápidos vómitos, sobretudo se estivermos a falar de ética, Justiça e... Pouca vergonha. No entanto...

 

No entanto, depois de Juncker, o senhor dos cambalachos com multinacionais no Luxemburgo, a União Europeia decide, mais uma vez, lançar uma pedra para aquela que poderá ser a sua destruição a longo prazo. Essa destruição, contudo, não será com guerras nem conflitos económicos, mas com uma destruição de valores e pela total ausência de interesse por parte dos europeus. Se em Portugal o pouco interesse com as questões europeias é latente e poucos estão interessados em conhecer as causas, na União Europeia o esforço também não tem lugar! 

 

Defendo a União Europeia (concordo e discordo também com algumas políticas), contudo, colocar Christine Lagarde como representante máxima do Banco Central Europeu (BCE) é, no mínimo, um dos maiores escândalos depois de Juncker e até Vitor Constâncio. Durão Barroso e outros também, mas ninguém poderia prever que mais tarde poderiam seguir outros caminhos...

 

Tantas vezes criticamos o nosso país, mas estamos numa Europa que elege para o BCE alguém que pedia a outros (aos gregos) que pagassem impostos e auferia rendimentos de milhões sem pagar qualquer taxa sobre isso! Elegemos para o BCE alguém que desviou verbas públicas e foi condenada por isso - mas não cumpriu pena porque era a Directora do Fundo Monetário Internacional! A impunidade dos clássicos ainda dura... Sobretudo quando tais "julgamentos fantoche" são conduzidos pelos próprios parlamentares! Uma espécie de comissão parlamentar que, mais uma vez, obstrui a verdadeira justiça! A gravidade é tal que nem a pseudo-condenção de Lagarde surge no seu cadastro!

 

É com a "eleição" dos suspeitos do costume, e sempre do mesmo bloco dominador, que aqueles que querem uma Europa unida esperam ter o apoio dos seus cidadãos? Especialmente do bloco de leste (que, de certo modo, até sai "vencedor" como força de bloqueio) e do bloco mediterrânico? É assim que os portugueses também podem confiar num Governo que coloca como candidato a vice presidente do Parlamento Europeu, Pedro Silva Pereira - indivíduo com claros "telhados de vidro" no caso Sócrates e que foi "escondido" dos portugueses aquando da campanha para as eleições europeias? 

 

Em suma, é esta Europa que está preparada para os tempos mais difíceis da sua existência?

 

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As Eleições Analisadas nas Escadas do Prédio...

por Robinson Kanes, em 27.05.19

bd2f35568dd4938b43934f321facfae6_XL.jpgCréditos: https://expressodasilhas.cv/legislativas-2016/2016/03/24/abstencao-estamos-a-votar-menos/48089

 

Estamos todos aqui sentados na escada do prédio: uns desempregados, outros de bem com a vida, outros com muitas dificuldades, outros que emigraram e outros completamente perdidos... Nenhum deles tem filiação partidária e nenhum deles vive das benesses do regime.

 

A análise é simples, dispensamos comentários profundos e que afundam a verdade num vácuo de conceitos e considerações que só protelam a mudança, mesmo que façam a apologia da mesma... Estamos aqui sentados apenas para transmitir o que se sente nas ruas, pelo menos na nossa...

 

Chegamos todos à conclusão que o grande vencedor das eleições foi a abstenção, no entanto, e por muito que o discurso seja esse, nada se vai fazer - os lugares serão à mesma preenchidos. Uns votaram, eu fui dos que não votou, mesmo com a habitual chantagem que é feita pelo nosso Presidente da República.

 

A abstenção venceu e continuará a vencer enquanto o que leva a esta não for analisado e combatido e tal não mudará com campanhas e apelo ao voto, até porque, para alguns partidos, a abstenção é uma mais-valia, pois quem vota maioritariamente é a "velha guarda", as artes e cultura e muitos funcionários públicos. Basta perceber isso para...

 

Numa Democracia estes resultados da abstenção não deveriam sequer se tolerados e desenganem-se aqueles que acham que decidiram pelos outros, meus caros, isto não é uma Democracia Directa mas sim uma Democracia Representativa. Podem efectivamente escolher este ou aquele partido com base em programas que nem conhecem, mas quem decide não são vocês! Votar é importante, é de facto, mas não confundamos as coisas.

 

Também no discurso político o país tende a ser menosprezado sistemáticamente: a Esquerda só vê a Direita e o discurso vai sempre por aí. Por sua vez, a Direita não sabe para onde quer ir e ambos, especialmente a primeira, só fala em legislativas como se a política fosse uma guerra e o país fosse um mero palco! Os estudiosos dirão que é e que nós somos meros papalvos com esta escrita mas, na verdade, só o é se quisermos! Se nada exigirmos, continuaremos a assistir aos retalhos da vida palaciana. Depois admiram-se da abstenção! Por favor, não deixem morrer este tema da abstenção! É demasiado grave para ser esquecido.

 

Os portugueses, em geral, desconhecem a União Europeia, não porque até nem querem saber, mas porque também não são educados a isso - a pequenez crónica da nação leva a que a política também não faça a ponte da Europa para Portugal e vice-versa! Um pouco como trabalhar numa empresa portuguesa, onde a informação simplesmente não circula, um pouco como se isso fosse uma demonstração de poder. 

 

Os media são também os grandes vencedores: a forma como seguem as campanhas, como beneficiam este e aquele e como não dão importância aos pontos essenciais para mudar o país e a Europa - são os grandes vencedores, aliás, têm vindo a ser em muitas eleições atingindo o seu corolário com as últimas eleições para Presidente da República. Os media são importantes, muito importantes, mas em Democracia não podemos absorver tudo o que vemos, ouvimos e lemos e em Portugal a confiança nestes é cega.

 

Retomando a temática, não é a campanha eleitorial que lava a imagem da política em Portugal, é a prática no dia-a-dia, é a demonstração correcta do que é a política, de como bem dirigir os destinos da nação em qualquer instituição pública seja no combate à corrupção seja também por uma melhor justiça.

 

A nossa pequenez deve começar a expandir-se, pois se a dita Esquerda embandeira em arco estas conquistas, faz questão, mais uma vez, de ocultar aos portugueses (até porque é benéfico para a mesma) a escalada monumental da extrema-direita em França, Itália e em muitos países de leste, já para não mencionar a real fantochada que dá pelo nome de Nigel Farage. Também não se pode ocultar os partidos que estão a surgir e que questionam um certo status quo, partidos que se têm formado na ala Direita e nas questões ambientais - os primeiros, não raras vezes, apelidados por esta Esquerda como de extrema-direita sem o serem.

 

Finalmente, e aqui como mero apontamento, o que faz o Partido Ecologista "Os Verdes"? Se a ideia é serem como muitos outros partidos com o "mesmo" nome na Europa, não o tem conseguido, mais perto até está o PAN! Que partido é este que não passa de um braço do PCP para conseguir alguns lugares no parlamente e que, na realidade de verde tem pouco.

 

Mas as Europeias, até como alguém já o disse, não interessam - venham as legislativas, até porque aos partidos portugueses a Europa pouco interessa a não ser para a obtenção de cargos e subsídios, o que importa é governar na província!

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Brugge... Entre Canais e História...

por Robinson Kanes, em 28.11.18

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Imagens: Robinson Kanes

 

A primeira viagem que fiz de avião foi numa aeronave da Sabena, portanto, já há alguns anos. Nesse dia chuvoso, partia de Lisboa para Bruxelas, mais precisamente para Leuven. Essa primeira viagem, e embora não sendo o melhor apreciador dos países que compõem o Benelux, marcou-me, e claro está, fez com que tivesse um carinho especial por aquele país. Entre as várias viagens que fiz à Bélgica entretanto, parecia-me injusto não lhe dar o devido destaque neste espaço, até porque também tive os meus namoricos belgas, conheci muito boa gente belga, recuso-me a pagar €15 ou mais euros por meia-dúzia de mexilhões, não acho a Stella Artois nada de especial (embora até tenha conhecido a fábrica) e por aí adiante...

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Retomo a Brugge... Não é uma cidade fascinante, no entanto, faz-nos pensar em como é que num local tão pequeno a vibração cultural é tão grande. Faz-nos pensar em como é que se sente o peso da história e entre os pequenos canais podemos passar alguns momentos bem agradáveis. A parte nova, é a imagem típica de cidade flamenga "moderna", mas no centro histórico, podemos encontrar algum património bem interessante que pode ser conhecido a pé ou através dos passeios nos canais. Já não recomendo os passeios de carruagem, ninguém que goste de cavalos pode tolerar tal sofrimento inútil.

IMG_4115.jpgO ideal é começar o dia no "Books & Brunch", nada como um pitéu num local rodeado de livros para iniciar uma visita e assim compensar o tempo que poderemos não ter para almoçar. Seguidamente, nada como apimentar esta sedução intelectual com uma visita ao "Groeningemuseum", um local ideal e a não perder para quem adora pintura flamenga, aliás, Jan van Eyck (que até tem por lá a sua estátua - morreu nesta cidade em 1441) e Van den Berghe estão por lá. 

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A pintura e a escultura também estão patentes numa visita obrigatória à "Igreja de Nossa Senhora" e ao seu museu, o "Onze-Lieve-Vrouwekerk" oferece, entre muitas obras, a oportunidade de admirar "A Virgem com o Menino" de Miguel Ângelo.

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Brugge, para um turista, é um local bastante económico - é nas ruas e caminhando por entre os canais que conhecemos a cidade, entrando nas Igrejas e até o famoso carrilhão.

IMG_4128.JPGEstamos numa cidade, contudo, com uma imensa oferta cultural e que para amantes de teatro, música clássica e tantas outras artes, pode ser, sem dúvida uma mais-valia, aliás, é para mim o grande ponto alto de uma visita à cidade, um pouco como Hamburgo na Alemanha, que não sendo uma cidade bonita e atraente, é bastante apetecível em termos de acontecimentos culturais.

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Finalmente uma nota para as importantes questões ambientais. Na última visita a esta cidade, fica a memória de que um destes dias, podemos assistir a uma baleia como a da imagem acima a invadir os nossos mares... Não pensamos muito nisto, mas um dia vamos mesmo ter de fazê-lo, e não é quando a vida destes e de outros animais estiver em risco, no nosso egoísmo incorrigível, vai ser mesmo no dia em que a nós próprios estivermos em risco.

 

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Homens sem Guerra...

por Robinson Kanes, em 27.11.18

IMG_3476.JPGImagem: Robinson Kanes

 

 

A grande maioria dos indivíduos nascidos na Europa parece hoje esquecer os perigos bélicos que ameaçam o velho continente... A sorte bafejou-os com o facto de nunca terem passado por um conflito, por nunca terem dormido numa trincheira, por nunca terem cheirado qualquer arma química, por nunca terem lutado numa guerra mundial sem fim ou simplesmente num confronto sanguinário entre irmãos como foi a Guerra Civil Espanhola.

 

Estamos e vivemos na Europa como se tudo fosse pacífico, mesmo fazendo fronteira com países em conflitos sangrentos e perigosos para a estabilidade do velho continente. Os jovens e até aqueles mais velhos, esquecem o sangue que foi preciso correr para a Europa se tornar num continente de paz, um continente capaz de permitir um estilo de vida que, embora sendo apetecível, fez esquecer que para lá das fronteiras europeias existe mais mundo e que, mesmo cá dentro, algumas feridas ainda estão bem abertas.

 

Ignoramos, por exemplo, a tensão entre a Ucrânia e a Rússia, como também ignoramos que a primeira quer ser membro da NATO e que, em caso de hostilidade, todos nós temos de ser solidários com esse país e hipoteticamente encetar uma guerra com a Rússia, governada por um indivíduo que ainda não digeriu o fim da URSS.

 

Comportamo-nos, no nosso canto, a brincar às guerras em jogos de computador, mas esquecemos que o sangue que vemos em imagens de videojogos pode ser real, pode ter cheiro, pode ser sentido e pode até ser o nosso. De facto e como dizia Alves Redol em a Barca dos Sete Lemes, "as guerras não deviam começar, mas quando começam está tudo perdido" - está tudo perdido e já é mais difícil voltar atrás, sobretudo numa época contemporânea com tantos desafios e tantas vulnerabilidades que não existiam em tempos idos.

 

Tudo isto traz-me à memória a "Casa Canadiana", aquela casa junto à praia, aquela casa que foi a primeira a ser libertada (pelo menos diz-se) durante o "Dia D". A casa que, logo nos primeiros instantes até ser conquistada, custou a vida a praticamente 100 homens do "The Queen's Own Rifles". Não devemos esquecer esses tempo, e se, porventura uma guerra começou porque as dificuldades eram imensas e as estratégias de sobrevivência de cada nação tudo pareciam justificar, não deixemos que tantas outras comecem simplesmente porque somos indivíduos completamente ocos e sem sentido algum de cidadania e de dever com o próximo.

 

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Leitura do Dia: Education at a Glance 2018!

por Robinson Kanes, em 13.09.18

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Créditos https://www.irishtimes.com/news/science/the-reason-why-modern-teaching-methods-don-t-work-1.2115219

 

É só mais um estudo... Um estudo que nunca se poderá dizer que é infalível - mas também não é só irmos atrás da comunicação social e esperar que sejam estes a dar-nos as respostas.

 

Também não é a ter pena de quem trabalha 20 anos e "só" aufere 1700 euros ilíquidos por mês que podemos ter pena de uma classe. Ver como vi professores a queixarem-se da triste sorte é no mínimo hilariante, vale-nos o facto de que ninguém se lembrou daqueles "extras" que também surgem no recibo de vencimento e aumentam os salários. Tenhamos também pena de quem (não são todos, de facto) tem trabalho garantido para a vida ou pode sempre abandonar o mesmo e procurar melhor (mas nem sempre o faz).

 

A educação em Portugal tem girado em torno das reinvindicações da classe dos professores, contudo, este estudo alerta para áreas que são bem mais importantes, nomeadamente: os gastos com a educação "vs" retorno e impacte da mesma. Não alerta, no entanto, para o próprio modelo de educação que, em muitas situações, está obsoleto e completamente à margem das necessidades de uma sociedade pós-moderna. Esses assuntos ninguém parece querer discutir porque, muito provavelmente, levariam a grandes mudanças que colocariam muitos professores (não todos) num patamar de total incapacidade para o serviço. Este meu comentário, todavia, não invalida que ainda se preservem métodos antigos que funcionam, nomeadamente a disciplina e o método cientifico.

 

Finalmente, o que se está a passar com os professores, é o facto de um grupo que em tempos foi uma elite, estar agora a ser nivelado com os parâmetros ditos normais, ou seja, mais uma profissão, com a sua devida importância, mas nem mais nem menos que as outras... E sempre que isso acontece, a contestação é inevitável...

 

Podem ler o estudo aqui

 

Boas leituras...

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O Calvário da União!

por Robinson Kanes, em 28.03.17

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 Jacopo Bassano, O Caminho Para o Calvário (The National Gallery)

Fonte da Imagem: Própria

 

Existe algo que sempre me inquietou no seio da União Europeia e que são, nada mais nada menos, que os partidos antieuropeístas!

 

Sun Tzu, no capítulo sobre os Pontos Fortes e os Pontos Fracos dizia: “não repitas tácticas que deram uma vitória, deixa antes que os teus métodos sejam ditados pela infinita variedade das circunstâncias”. Quero acreditar que é por isto que partidos com assento no Parlamento Europeu gritam pelo fim da União Europeia mas de lá não arredam pé.

 

Tenho muitas criticas à União Europeia, sobretudo em alguns moldes que a sustentam bem como pela falta de liderança e competência que tende a apresentar nos seus líderes. Contudo, a Europa, ou melhor... a União Europeia continua a ser dos locais mais aprazíveis da terra para se viver e essa é uma realidade inegável!

 

Se podemos e devemos mudar a União Europeia? Sim, façamo-lo e rápido, mas sabotar esta instituição levando a mesma à sua extinção é no mínimo caricato... e sou dos primeiros a admitir uma profunda crise nesta instituição.

 

Poder-me-ão explicar que ter assento parlamentar na União Europeia é uma forma de defender valores deste ou daquele movimento mas... e tomemos um exemplo simples, fará sentido que eu me encontre a trabalhar numa organização que me paga o salário e me dá benefícios singulares e depois venha manifestar-me contra o fim desta, porque simplesmente tem de acabar?

 

Uma das maiores lições da União Europeia e que prova a superioridade desta sobre extremismos de esquerda e de direita é a forma como aceita estes mesmos extremismos no seu seio, mesmo sabendo que tais extremismos podem ser o seu fim. São estes extremismos que criticam a Presidência de Trump, mas procuram, diariamente, acabar com esta instituição. São estes extremismos que alertam para um renascer do fascismo mas praticam o comunismo elevado ao expoente máximo do totalitarismo e vice-versa.

 

O actual bode expiatório é a moeda única e ao invés de se articularem políticas monetárias que levem a uma saída da crise o objectivo é a destruição e, mais uma vez, cito Sun Tzu: "por isso, na guerra, deve evitar-se o que é forte e atacar o que é fraco”.

 

Talvez o fim último destes movimentos não seja a paz interna nem externa mas sim o caos e o alimento de uma elite que procura o seu espaço para governar a seu bel-prazer, contudo sem uma solidez que dê garantias de sucesso e estabilidade, já dizia Sun Tzu, agora no capítulo dedicado ao estabelecimento de planos: “toda a guerra é baseada no engano”. Estes espectáculos distratores são um sublinhar das palavras do sábio.

 

No caso português, continuamos a deixar passar situações gravíssimas e também a beneficiar das mesmas, quer do ponto de vista da justiça, quer do ponto de vista social, democrático e legal, mas como sempre... a culpa está lá fora, em Bruxelas. Está lá fora em Bruxelas, porque continua a enviar dinheiro a rodos, mas agora quer algo em troca e isso é algo para o qual ainda não estamos talhados... “Mas um reino que foi destruído nunca pode renascer, nem podem os mortos ser ressuscitados”, também o disse Sun Tzu no capítulo dedicado ao ataque com fogo.

 

E nós, continuaremos a permitir a destruição do reino só porque continuamos adstritos a uma sede de poder e de dinheiro? E estaremos preparados para viver com as dificuldades inerentes a uma saída do Euro e até da União Europeia? Mais do que nunca, os discursos libertadores e "amigos" do povo são dotados de uma falta de competência dos seus arautos e colocam-nos alerta para aquela igualdade, e agoro recorro a Orwell, em que todos são iguais, mas uns serão mais que os outros...

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