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iran_qatar.JPGImagens: Robinson Kanes

 

 

Apenas se descobre uma vez o que é a guerra, porém descobre-se repetidamente o que é a vida.

André Malraux, in "A Esperança"

 

 

Estamos em Outubro... Outubro adivinhou-se como o início de um ano, como um início de uma nova época. Uma espécie de lavagem mental. As coisas, por vezes são assim... 2020 terá chegado mais cedo, quiçá.

 

E como o fim-de-semana se aproxima, nada como uma sugestão para quem também atravessa o deserto, seja ele nas profundezas da alma seja ele na realidade em que os lábios se queimam, a cara escurece e a areia parece criar uma pelicula no nosso rosto! E haverá lá coisa mais maravilhosa que isso? Tinariwen é daqueles sons que sabe bem ouvir - nos momentos mais introspectivos ou naqueles momentos em que um jipe, um tractor ou as sapatilhas fazem levantar os grãos de areia que esvoaçam ao sabor do vento. Fica "Sastanàqqàm" desta banda tuareg que é um sons vivos do Saara. E do Saara para o mundo, em qualquer deserto, é a banda sonara ideal.

Lembro-me agora de um filme... Um filme diferente e que fez grande sucesso há pouco mais de 10 anos! De Ari Folman, "The Watlz of Bashir" não é mais que o drama daqueles que tiveram de assistir impávidos e serenos a um dos episódios mais negros da história do Libano e de Israel, o massacre de Sabra e Chatila!  Já passaram 37 anos e muitos no Libano e Israel ainda deveriam ter vergonha só de pensar no dia 16 de Setembro de 1982! As Nações Unidas chegaram mesmo a declarar este acto como um genocídio contra palestinianos! Alguém se lembra? 

Para ler, talvez um relato (não pessoal) do que foi a Guerra Civil de Espanha, talvez uma lição de história e humanidade. Talvez um dos livros obrigatórios do século XXI, embora tendo sido escrito por um mestre do século XX: "A Esperança" de André Malraux.

 

Todos sofrem, pensou, e cada um sofre porque pensa. No fundo, o espírito só pensa o homem no eterno, e a consciência da vida só pode ser angústia.

André Malraux, in "A Esperança"

IMG_20191011_121826.jpg

E porque é fim de semana, é sempre bom pensar que o Estado turco (não a Turquia) ataca sem qualquer pudor o curdistão Sírio matando homens, mulheres e crianças, muitos deles que gostavam de saber o que é um fim de semana como nós o gozamos... Isto enquanto os Estados Unidos da América deixaram os seus aliados contra o Estado Islâmico completamente desprotegidos e ao abandono - uma verdadeira traição! Ainda dizem que o Ocidente é exemplo para alguém...

 

Bom fim de semana,

 

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Trump Não! Não Gosta de Democracia?

por Robinson Kanes, em 11.11.16

 

donald-trump.png

 

 

Todos falam do Sr. Trump, e eu? O facto de estar fora de Portugal tem-me ajudado a ver este episódio sem a influência da nossa fraca comunicação social e dos comentadores do costume, já repararam que são sempre os mesmos?...

 

Antes, gostaria de dar voz a Lenine (e nem partilho das convicções do mesmo) quando disse que “a liberdade é um bem tão precioso que tem de ser controlado”. Neste momento vejo o mundo democrático a aplaudir essa afirmação... paradoxal? Lenine deve estar a sorrir...

 

Os americanos votaram e ganhou um presidente. Nós não somos ninguém para falar de política interna norte-americana – prestamos mais atenção à política americana que à nossa política interna. Mas aqui voltaremos.

 

Os media (e não só nos EUA) que mostraram uma parcialidade em relação à eleição de Trump e que tentaram inclusive orientar o sentido de voto do povo americano para Hillary Clinton foram derrotados – mas não foram derrotados numa espécie de batalha única – Trump, num dos momentos mais delicados da sua carreira, foi vendido por estes mesmos media como um empresário de sucesso e como um dos melhores empreendedores e business man dos Estados Unidos.  À época, Trump arriscava falir e tinha sido "diagnosticado" pela banca americana somente como um nome demasiado grande para cair, apesar do fiasco em termos de gestão.

 

Trump usou e foi exaltado pelos media e foi uma criação destes. Não vamos esquecer que em Portugal também temos o nosso Trump - Marcelo Rebelo de Sousa deveu a sua eleição a anos de exaltação nos media. Ainda se lembram do “se Marcelo disse é porque é” ou do “Marcelo afirma, acontece” mesmo que os discursos fossem vazios? Vimos jornalistas a fazerem campanha pelo actual Presidente da República que só foi derrotado pela abstenção. Sim, Marcelo sem apresentar soluções na campanha eleitoral e até ao longo de uma vida de comentador utilizou o show off a seu favor e conseguiu (não nutria simpatia pelos demais candidatos e não pretendo defender ninguém em detrimento de outrem).

 

Finalmente uma nota: não devemos questionar se Trump é uma boa ou má escolha, no entanto temos de pensar que se Trump venceu:

 

  1. A política, ou melhor, os políticos actuais estão descredibilizados e não é só nos Estados Unidos, está para rebentar uma bolha poítica?
  2. A sociedade está despedaçada em muitos sectores e palas nos olhos como ideologias de esquerda e de direita já não resolvem problemas financeiros, sociais, militares, territoriais, políticos e ambientais;
  3. O populismo ganha terreno e já vimos como isso acaba, ou caso contrário não falámos de História na escola;
  4. Orwell ainda está tão actual como quando escreveu a Quinta dos Animais;
  5. Estamos demasiado focados em gadgets e inovação tecnológica (o que é óptimo) e menos no lado humano e social, o resultado está aí.
  6. Comunicação e media – quando se pensava que os media estavam a perder terreno eis que estes se mostram mais fortes que nunca confundindo-se informação com publicidade e as duas com propaganda.
  7. A Califórnia já está com pensamentos separatistas.

 

São provocações que nos devem fazer pensar... quanto ao senhor Trump, goste ou não, tenho de dizer, como todos os que defendem a Democracia, que se não estão contentes podem sempre solicitar um regime ditatorial e não cair no paradoxo que têm caído nos últimos dias ao defenderem a Liberdade e a Democracia por um lado e pelo outro a desejarem a cabeça de Trump servida numa travessa.

 

P.S: faleceu Leonard Cohen... não era o maior admirador, mas reconheço o enorme talento!

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