Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]



O Jovem Que Não Quer Largar as Saias da Mãe.

por Robinson Kanes, em 07.09.17

79d0fd3f-7a11-4b4d-8b67-e2a2d3d36546-original.jpg

Fonte do Gráfico: Cálculos da OCDE baseados em EU-SILC, HILDA (Australia), SLID (Canada), CASEN (Chile), HLFS (Nova Zelândia) e CPS (EUA). Dados publicados em "Society at a Glance" 2016, (figura 3.10).

 

Que os jovens portugueses, como bons latinos da Europa, gostam de viver em casa dos pais até mais tarde é um facto. Todavia, segundo os dados da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico), Portugal é dos países onde a taxa é assustadoramente maior, ou seja, 75% nos jovens entre os 15 e os 29 anos. Não será de estranhar, sobretudo num país onde são poucos aqueles que arriscam ir à luta sem muletas.

 

Não me cabe a mim analisar os motivos que podem ser de vária ordem (abordarei apenas superficialmente mais para o fim), no entanto, devemos pensar que estes números não trazem uma boa mensagem, sobretudo se aos mesmos nos fosse possível adicionar aqueles "jovens" que vivem sozinhos ou numa relação (casamento e existência de filhos incluídos) com a ajuda dos pais.

 

Portugal, nestes números, só é ultrapassado pela Itália (tradicional país onde os filhos "morrem" em casa dos pais e com números a rondarem os 81%) e muito ligeiramente pela Eslovénia, Grécia e Eslováquia, todos com taxas na ordem dos 75%. Se tivermos em conta que a média da OCDE é de 59%, estamos realmente a viver demasiado tempo em casa dos nossos pais. Uma nota para o Canadá e países nórdicos que apresentam taxas entre os 38 e os 31%.

 

Um destes dias alguém me dizia acerca dos indivíduos entre os 20 e os 40 (não vou utilizar rótulos geracionais): "estas gerações se não tivessem tido os pais a usufruir dos anos de bonança ou a trabalhar no duro para os sustentarem já nem existiam". Aliás, acrescentou mesmo que a faixa dos 40-45 não andava muito longe dessa realidade também. Eu dou alguma razão e também acrescento um efeito de acesso a coisas que outrora não existiam e que hoje são "obrigatórias". Como exemplo, recordo-me do meu pai e os mais velhos me dizerem que sem esforço nada se consegue. Se utilizar esse discurso hoje sou apedrejado...

 

Será que aquilo que leva os jovens a ficar em casa até tão tarde é somente por incapacidade total para terem uma vida independente? Será por preguiça? Será por razões económicas? Neste último não me abstenho de incluir que a razão económica possa revestir a ambição de atingir um patamar de bem-estar superior à sua realidade. É um tema interessante, sobretudo porque alguém me dizia também, acerca de alguns indivíduos com responsabilidades profissionais sobre outros, que "quem não consegue viver sem os pais ou a equilibrar a vida sem bengalas nunca estará preparado para conduzir seja o que for de forma autónoma".

 

São questões às quais cabe a cada um de nós reflectir e responder... A minha declaração de interesse é de que não permito qualquer ajuda da minha mãe (as "discussões" são hábito neste campo), até porque esta foi a responsável, com o meu pai e com a minha irmã, pelo meu sustento durante a minha infância. Além disso, tenho-lhe uma divída enorme que foi o apoio que me deu durante o meu primeiro curso. Se às vezes custa? Custa! Mas é o preço a pagar por dizer que sou independente (sem pontas soltas). Se às vezes custa? Já dizia um conhecido banqueiro: "Ai aguenta, aguenta"...

 

 

 

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Antidepressivos e Caras de Atum...

por Robinson Kanes, em 08.06.17

Untitled.png

Amadeo de Souza-Cardoso - Promontório cabeça indigo MARES D'OSSIAN Rose orange (Colecção Particular/Museu Nacional de Arte Contemporânea/Museu do Chiado 2017)

Fonte da Imagem: Própria

 

Porque é que andamos de mal com a vida? Aparentemente olho para o povo português como um povo de bem com a vida, senão vejamos:

 

- o interesse na política e nos destinos do país é baixo, ou seja, não temos qualquer problema em abdicar de direitos tão importantes em prol de quem nos governa. Supostamente, é porque está a fazer um bom trabalho.

 

- uma grande fatia da população viaja, tem casas, automóveis e outros direitos e regalias com as quais os nossos pais nunca sonharam sequer.

 

- os restaurantes estão cheios, os hotéis estão cheios, os bares e cafés estão cheios, gastamos mais dinheiro em telemóveis, televisões e brinquedos para adultos (sem serem eróticos) do que alguns países em equipamento militar ou infraestruturas básicas. E isto não é mau, até é bom para a economia!

 

- somos um povo tranquilo e sempre a dizer que no nosso cantinho é uma paz.

 

- muitos de nós vendem a alma ao diabo e a honra porque afinal não vale a pena perder muito tempo com valores.

 

Mas depois...

02d45587-4af1-45b6-854c-e51803cf824b-large.jpegDepois temos uma das mais altas taxas do mundo no que concerne a consumo de antidepressivos. E não apresentem a desculpa da crise, pois países como a Grécia, a Turquia, Hungria, Estónia ou até a Eslováquia consomem menos antidepressivos que nós! De 2000 a 2015, Portugal foi dos países que mais viu o consumo aumentar na dosagem diária. De cerca de 38 habitantes por cada 1000, no ano 2000, passamos para 95 em 2015 (ver gráfico à esquerda)! Somos, na OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico), o terceiro maior consumidor. Só somos ultrapassados pela Islândia (afinal os nórdicos não são assim tão felizes, a Suécia está em quarto e a Dinamarca em sétimo) e pela Austrália (os tubarões na água e os crocodilos nos rios, eu entendo). As coisas complicam-se quando a média da OCDE é de 65 indivíduos! Será porque somos fracos a lidar com os problemas? Será que temos dinheiro para gastar então vamos varrer tudo para debaixo do tapete com medicação? Ou será porque estamos habituados a um nível de vida material e emocional que...

 

010f3645-0661-4580-bb7d-2ce0097b58f4-original.pngMas deixemos esta questão que mereceria outra atenção mais profunda. Então e os níveis de felicidade, ou melhor, de satisfação com a vida? Também somos os terceiros, mas a contar do fim! Piores que nós só a Índia e a África do Sul. Numa escala de 0 a 10 estamos com 5! A média da OCDE são quase 7 (ver gráfico à direita)! Interessante que para os nórdicos os antidepressivos trazem resultados - também aqui, continuam no topo da tabela.

 

Eu pergunto, sobretudo tendo em conta as caras de atum que vejo todos os dias: vivemos numa sociedade de aparências? Nunca estamos satisfeitos com o que temos? Andamos a ser enganados? Ou gostamos de ser coitadinhos que é sempre algo que traz vantagens num país como o nosso (desde que os vizinhos e os amigos não saibam)? Um colega alemão, Chairman, responderia a esta questão da seguinte forma: “os portugueses? Podes aumentar o salário de 500 para 5000 euros, daqui a um mês já estão tristes e a dizer que o dinheiro não chega!”. Gosto de pensar que está errado, mas infelizmente são muitas as vezes em que também tem razão.

 

Afinal, o que é que nos fará um pouco, não direi mais felizes, mas pelo menos mais alegres com isto tudo? Porque parece que não são os gadgets (adoro esta palavra, existem pessoas que quando a pronunciam sobem aos céus), os automóveis, as casas, as viagens, as roupas caras, as jantaradas e tantas outras coisas que nos ocupam o tempo e nos fazem até hipotecar o peixe laranja que temos no aquário. E a família, o trabalho, os amigos?

 

Andaremos é mal habituados ou não damos o mínimo valor ao que temos?

 

Fonte dos Gráficos:

Gráfico 01: OECD Health Statistics 2015.

Gráfico 02: Gallup World Poll in Society at a Glance 2016. 

Autoria e outros dados (tags, etc)


Mais sobre mim

foto do autor





Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2019
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2018
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2017
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2016
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D

Pesquisar

  Pesquisar no Blog





Mensagens

Copyrighted.com Registered & Protected 
CRD7-BFJD-IWHB-ZXDB