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Em Sitges... Entre o Mar e um Café...

por Robinson Kanes, em 08.06.18

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Fonte Imagens: Própria. 

 

 

Conheci sempre Sitges fora da época de Verão, o que me transporta para uma experiência mais genuína, até porque esta pequena cidade chega a ser apelidada da Saint Tropez da Catalunha. Contudo, nada é mais errado, pois quem já esteve em ambas as localizações vai perceber que as diferenças são muitas e cada espaço tem as suas peculariedades. 

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Sitges é sempre o meu retiro de Barcelona. Rapidamente acessível de comboio pela estação de Passeig de Gràcia (Barcelona Sants ou Estació de França também são opção) é sem dúvida uma cidade para tranquilamente percorrer as pequenas ruelas, parar numa qualquer pastelaria e sentir a brisa do mar que se torna mais intensa quando apertada pelos edifícios que ladeiam as estreitas ruas. Admito que um dos melhores momentos aquando da minha vida em Barcelona era o pequeno-almoço em Sitges. Sair cedo de Ausiàs March, apanhar o comboio, atravessar o Garraf e em Sitges apreciar uma manhã com gente simpática e com o mar ali como companheiro era sem dúvida um momento soberbo.

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Sitges é também daquelas cidades pequenas onde as estações de caminho-de-ferro têm vida e onde o quotidiano se sente a pulsar nessas tão importantes ágoras. No Verão, a cidade enche-se de turistas e talvez muita da sua magia se perca, no entanto, mesmo em meses mais "tristes" como Novembro, as pessoas são gentis e a simpatia e alegria do povo espanhol é evidente em cada conversa. Além disso, nos meses de Inverno conseguem-se autênticos dias de Verão que enchem as ruas, sobretudo ao fim de semana, na costa desde Castelldefels até Tarragona.

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Bem perto de Barcelona, é uma cidade com uma intensa actividade cultural, onde se destacam o Festival de Cinema, o  Carnaval e as "noches sitgeanas". Mas Sitges é muitos mais, é o estilo mediterrânico bem presente na arquitectura, nas varandas, nas pessoas, na brisa marítima, nos sons que ecoam e por aquele cheiro único que nenhum fragrância consegue igualar. O património é uma das suas imagens de marca e isto acontece sem ter necessidade de possuir grandes monumentos. Aqui o "small is beautiful" tem uma das suas mais maiores exaltações.

IMG_2528.jpgOutra das coisas que não se pode dispensar em Sitges é a caminhada junto ao mar... Aliás, o banho no mar é altamente recomendável. Aqui as cores do Mediterrâneo também não deixam ninguém indiferente e o todo o pitoresco do horizonte contagia-nos de uma forma que não nos faz querer voltar a Barcelona.

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O que podemos dizer mais desta cidade? Sentemo-nos num qualquer banco de jardim diante do mar... Temos o pequeno-almoço  tomado, o café (como tem de ser), o sol a tocar-nos no rosto e um sem número de aromas que nos limpam os pulmões... Será que é preciso dizer mais alguma coisa? Pois bem, esperemos pela noite e vamos de "copas". À noite a cidade não se transforma, não deixa que lhe tirem a identidade e é isso que também a torna mais interessante para quem aprecia ficar até de madrugada a aproveitar aquilo que só as cidades espanholas (e Argentinas) podem oferecer.

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Já vai ficando tarde e é preciso voltar a apanhar o comboio. É possível que hoje a noite ainda não tenha acabado, é preciso passar em Cornellà de Llobregat... Até lá, vamos discutindo porque é que Sitges é tão especial e merece o seu destaque lado a lado com Saint Tropez, até porque entre uma e outra cidade, dificil é escolher.

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Bom fim de semana... 

 

 

 

 

 

 

 

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A Democracia dos Derrotados...

por Robinson Kanes, em 04.06.18

 

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 Créditos: http://www.polyp.org.uk/corporate-rule_cartoons/cartoons_about_corporaterule_and_democracy.html

 

 

 

Vou tentar abordar este tema como o cidadão comum, como aquele que não quer pensar a política como um todo mas como um mecanismo que tem em vista o bem geral do país e se preocupa com o dia-a-dia do mesmo e prefere não pensar num outro tipo de manobras.

 

As moda das "geringonças" tem levado a algo estranho na história da Humanidade, nomeadamente, a escrita dessa mesma História pelos perdedores e não pelos vencedores. A diferença é pouca, um pouco como o comunismo vs fascismo onde se utilizam diferentes palavras para descrever a mesma vontade, o segredo é contestar o outro e abonar o nosso.

 

Até podemos dizer que, apesar de tudo, existe uma maioria e que portanto representa a maioria dos cidadãos. Mas voltamos ao cerne da questão: será que é assim tão democrático puxar o tapete a um candidato ou partido vencedor e substituir o mesmo por um candidato ou partido derrotado? Será que essa defesa, por muitos, de que essa maioria tem o aval dos cidadãos é assim tão realista? Até porque, alguém os consultou em relação a essa matéria? Uma coisa são as coligações entre um partido vencedor e outros partidos tendo em vista uma maioria parlamentar, outra coisa é não olhar a meios para, face a um derrota eleitoral, atacar o poder.

 

É preciso ter em conta que não são raras as situações em que para chegarmos a esses consensos os intervenientes vendem a alma ao diabo e abdicam em muito daquilo que foram as suas grandes lutas partidárias, ideológicas e de encontro aos interesses daqueles que neles votaram. Será que, mesmo que com uma minoria parlamentar, temos legitimidade para deixar cair um Governo mas, mais grave que isso, substituir o mesmo por um outro que não foi democraticamente eleito? Não confudir esta afirmação com legalmente eleito... Existem algumas diferenças entre o que é legal e o que é democrático.

 

Exemplos não faltam... Quem viu o "Podemos" na data da sua fundação e o vê agora? Quem viu o Bloco de Esquerda há menos de meia dúzia de anos e o vê agora? Pergunto muitas vezes se esse movimento ainda existe para lá de meia dúzia de artigos de opinião que são um hino ao paradoxo. Não os tenho visto em parte alguma e tenho a ideia de que estamos a viver a repetição nacional do que acontece em Lisboa, primeiro com o "Zé" que rapidamente desapareceu do mapa com o cargo de Vereador e se passou a chamar Engenheiro José Sá Fernandes, ou então com Ricardo Robles que, com um semblante de militante do CDS, também se tornou uma espécie de militante do PS com uma inclinação especial para Fernando Medina. É interessante ver como estes débeis não tiveram coragem de ser justos, e como nos disse Rabindranath Tagore, escapam ao dever de ser justos e tentam obter resultados rápidos pelas vias abreviadas da injustiça. Aqueles que tanto criticavam, inclusive as políticas do PS e de José Sócrates são os mesmos que agora, incondicionalmente, apoiam um copy-paste do seu Governo e de muitas políticas similares ou até mais agressivas para os cidadãos.

 

Pergunto também pelo PCP e pelas constantes afirmações de que se está contra tudo o que um Governo faz, mas continua a garantir a presença desse mesmo Governo no poder? Não chega apenas pagar almoços com dinheiros camarários e não só a idosos e pensionistas antes das eleições... Que o diga Bernardino Soares, em Loures...

 

E entre tudo isto, onde se encontra a maioria de indivíduos que acreditava nestes partidos quando defendiam a redução dos combustíveis, a redução dos impostos, um melhor combate aos incêndios, mais investimento em educação e saúde, mais isto e mais aquilo... Será que essa maioria se identifica com o status quo?

 

Em Espanha, esta semana, Pedro Sánchez tomou posse como Primeiro-Ministro, apesar das constantes derrotas e até de, internamente, nem sempre ser visto como a opção mais credível... Mas ele aí está com 84 deputados face aos 137 que venceram as eleições. Vamos ver como será gerida a questão da Catalunha e como resistirá o "Podemos", agora que Pablo Iglesias e a esposa, dois cidadãos simples e humildes, mas também dois assalariados de luxo do mesmo movimento, têm de pagar a casa de 600 mil euros em Madrid.

 

Claramente estas coisas são mais complexas, no entanto, no quotidiano, é com estas interrogações que nos deparamos.

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Fonte das Imagens: Própria.

 

 

Como prometido, não poderia deixar aquele que é um dos meus recantos preferidos em Barcelona: fica na "Plaça Comercial"!

 

Um grande exemplo de preservação de um espaço, da memória e da própria História - o Mercat del Born! Construído em ferro e de herança modernista, é um edifício digno de ser admirado por dentro e por fora! Construído em 1878 teve o seu declinío em finais da década de 70. Em 2002, quando estava prestes a ser transformado numa biblioteca, foram encontradas ruínas da Barcelona medieval o que levou ao embargo das obras e consequentemente permitiu que nascesse um dos locais mais interessantes da cidade: o "El Born Centre de Cultura i Memòria"!

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Encontrei-o por acaso, sem fazer a devida pesquisa e nunca mais esqueci este espaço que alberga também exposições temporárias! Não é uma das maiores referências da cidade mas, em meu entender, é de visita obrigatória, até pela vida que gira em torno do mesmo!

 

Se tivesse que seleccionar um "top 5" este espaço mereceria um dos lugares! É uma paixão que não se explica, talvez de quem se perde em Dresden quando percebe que os empreiteiros ao invés de estarem a construir um prédio estão a trabalhar numa escavação que alberga vestigios da antiga cidade, ou então de alguém que perde uma tarde inteira em Nice, depois de perceber que o destino o colocou no dia certo em que, também numas obras, foram descobertos vestígios arqueológicos e assiste ao chegar dos arqueólogos e a toda a azáfama que teve lugar em redor daquele espaço. Sente-se e pronto, o "Mercat del Born" é um desses espaços!

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Mas é também, saindo do "Mercat", que se percorre o "Passeig del Born" e se chega à minha igreja preferida na cidade: a "Basilica de Santa Maria del Mar"! O "Passeig del Born" em nada fica atrás do "Passeig de Gràcia", acerca do qual aqui também já falei. Arrisco até dizer que é mais genuíno, mais catalão e numa dimensão mais reduzida. Foi também nesta zona que alguns episódios negros da História mancharam as memórias da cidade - o mais tenebroso terá sido o facto das vitimas da Inquisição terem sido aqui chacinadas! Não esquecendo o passado mas vivendo o agora, a caminhada é obrigatória, sobretudo para um café pela manhã ou então ao entardecer - fora da época turística (se é que se pode dizer que existe uma época turística em Barcelona) é imensamente cativante passar aqui um final de tarde.

 

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Não podemos fugir ao que nos espera... Aí está ela, a "Basilica de Santa Maria del Mar"! Se não assistirem a um concerto no "Palau de Musica Catalana", podem bem redimir-se aqui desse pecado! É um dos locais que mais gosto para assistir a concertos de música clássica em Barcelona! Ao entrar neste espaço, não conseguiremos conceber como é que o mesmo já esteve sujeito a todas as convulsões que afectaram a cidade, sendo a última uma das piores e que teve lugar durante a Guerra Civil de Espanha! A 19 de Julho de 1936 a igreja foi incendiada num espectáculo macabro que teve a duração de 7 dias!

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Percamo-nos por esta igreja do século XIV e ex-libris do gótico catalão e admiremos o altar, as colunas que lhe mostram toda a sua imponência, apreciemos os vitrais e a iluminação que, à noite, lhe dá um carácter especial e claro - sentemo-nos e apreciemos um bom concerto! Para mim, apesar dos muitos restauros, esta é a mais bela igreja de Barcelona!

 

Mas não vamos já embora! Não poderia sair destas ruas sem passar pela "Carrer de la Vidriería" e parar no "Golfo de Bizkaia"! Não é um dos espaços mais baratos, mas é uma "taperia" daquelas que nunca se esquecem.

 

Um atendimento muito simpático por empregados bascos, as tapas óptimas e um ambiente único que junta a Catalunha e o País Basco num restaurante notável e onde é impossível resistir às tapas frias no balcão! Além de brilhantemente elaboradas para encher a vista, são também de um sabor sui generis! Não se sentem nos barris que servem de bancos e de mesas - arriscam-se a ser aliciados para comer as tapas quentes. A vossa dieta vai acabar destruída entre tapas, cerveja e "mosto blanco" mas afinal, estamos em Espanha! Ainda hoje nos lembramos de um dos empregados que nos atendia sempre e ao qual perguntávamos "tienes mosto blanco?", respondendo sempre com um grave timbre basco "siiiiiiiiiiii".

 

Vale a pena lá passarem, mas não se percam com os palitos que servem para contabilizar as tapas que comem! A mim nunca me pagaram nada para sugerir este espaço, pelo que entendam o meu conselho como o de um brand advocate e não de um influencer, até porque não tenho estatuto para tal, mas... Por falar no "Golfo de Bizkaia"... Tenho a sensação que hoje, se encontrar, ainda vou fazer uns "chipirones" com aquele saboroso molho verde que me recorda grandes momentos naquele restaurante! Por incrível que pareça, não é propriamente um restaurante familiar, faz parte do Grupo Sagardi, mas não é por isso que deixa de ser tentador.

 

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 Créditos: Grupo SAGARDI

 

Fecho os olhos, percorro estas ruelas... Já sinto os cheiros e a vida de Barcelona...Escuto os "Rumores de la Caleta" na versão de guitarra espanhola do catalão Albeniz... Quem me dera encontrar Yepes e Albeniz juntos na Basilica de Santa Maria del Mar para um concerto! Contento-me com a sonoridade que nos deixaram e quiçá, com umas tapas depois do concerto ali bem perto com o empregado basco a responder "siiiiiiiii" ao nosso pedido de "mosto blanco".

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Memórias de Ausiàs March e da Barcelona Gipsy Balkan Orchestra...

Pelo Passeig Lluís Companys até à Torre Agbar...

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Barceloneta, Onde Fica o Coração...

Pelo Port Vell até Drassanes...

De Montjuïc te Contemplo...

Pela Rambla... Contagiado pela Imensidão de Gente!

Pelo Barri Gòtic: Da Plaça Reial até à Plaça Sant Jaume.

Pelo Barri Gòtic: Da Plaça Catalunha até à Catedral e à Plaça del Rei!

Pelo Barri Gòtic: Da Pintura de Picasso ao Palau de la "Musica Catalana"...

Do Park Güell ao Cosmopolitismo de Gràcia...

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Pablo Iglesias e o Caviar...

por Robinson Kanes, em 25.05.18

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 Créditos: https://www.vozpopuli.com

 

A História não cessa de se repetir e de nos ensinar que entre extrema-esquerda e extrema-direita só mudam os actores, no entanto, o guião é sempre o mesmo.

 

Agora foi Pablo Iglesias, em Espanha, que caiu na tentação de copiar Luis de Guindos, aquele Ministro da Economia espanhol a quem o Iglesias atirou farpas de mau estadista pelo facto de adquirir em Madrid uma casa no valor de seiscentos mil euros que muito provavelmente até pagou com dinheiro legítimo. Iglesias e a esposa, que vão aumentando a economia familiar através do "Podemos", um partido que "fala muito" mas faz pouco, vêm agora fazer o mesmo, aliás, vão mais longe e até investem uns euros mais.

 

De facto, mais uma vez, somos surpreendidos, ou não, com situações do género, de uma esquerda amiga do povo mas que não é mais que uma elite que se alimenta de um discurso balofo e que encanta esse mesmo povo. O caso foi pouco falado em Portugal, e ter ouvido Carlos César e Luis Montenegro a falarem do mesmo e a criticarem a atitude de Iglesias foi no mínimo cómica. Carlos César, cujo tempo de antena nos media tem sido desmesurado, tem quase toda a família colocada por si em serviços públicos e/ou partidários. Luis Montenegro é o famoso maçon que se viu envolvido num processo que abalou a Assembleia da República. Tudo isto, sem esquecer algumas das situações em que vamos sabendo que estes indivíduos estão envolvidos - São estes os indivíduos que nos falam de moral e são elevados ao patamar desta em muitos meios de comunicação social!

 

Poderia também falar do Bloco de Esquerda ou do Partido Comunista Português, mas esses estão adormecidos e a seguir o exemplo de Pablo Iglesias... Todavia, Pablo Iglesias ainda vai aparecendo, já os primeiros... Andarão a pintar as antigas e novas mansões? Seria interessante perceber onde andam esses burgueses dos erário público com fato-macaco de proletário.

 

Finalmente, e o caso de Pablo Iglesias é mais um, começamos a correr o risco de assinar por baixo que, finalmente, a Justiça não é igual para todos... Referendar a continuação de Pablo Iglesias num partido é o mesmo que legitimar a prática (que só por si não é ilegal), no entanto, devemos começar a temer os muitos casos que, sobretudo em Portugal, são apagados porque o criminoso pede desculpa ou devolve o que roubou saindo impune enquanto outros são encarcerados ou despojados de bens e assistem à destruição da sua vida porque se esqueceram de pagar o IMI.

 

É desses que Pablo Iglesias e muitos outros, inclusive os citados neste artigo riem... Riem como os porcos de Orwell no último capítulo de uma conhecida e tão actual obra...

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Do Park Güell ao Cosmopolitismo de Gràcia...

por Robinson Kanes, em 14.05.18

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 Fonte das Imagens: Própria.

 

 

Prometi para esta vez um percurso mais turístico. Sem sair do "L’Eixample" deixo a "Ausiàs March" ou até a empresa na Avinguda Diagonal para rapidamente chegar à Sagrada Família! Para mim nunca foi um lugar propriamente especial, além das suas eternas obras me causarem alguma estranheza.

São também célebres as palavras de George Orwell acerca da fealdade da infraestrutura e a estranheza  pela mesma ter sido poupada por Franco durante a Guerra Civil Espanhola. Para mim sempre foi um local sem grande chama, se é que o podemos dizer, isto já para não falar nos cafés e restaurantes caros em torno do mesmo, um pouco como em Roma junto ao Coliseu.

 

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Daqui as opções são várias e uma delas pode ser o "Park Güell" em "La Salut". Pessoalmente, é um percurso que dá gosto em fazer a pé, embora admita que muitos não estão para isso. Também admito que gosto do movimento da "Carrer de Sardenya" e até do próprio ar cosmopolita que já vem de Gràcia. Prefiro o "Park Güell" aberto ao público. Não é que se consiga fugir das multidões mas podemos apreciar alguns momentos mais tranquilos, além de achar que o parque se visita bem e se consegue apreciar a obra de Gaudi sem pagar bilhete.

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Quando estamos de frente para a porta do parque, nada como virar à esquerda, seguir a estrada e subir a escadaria que nos levará ao interior do parque. Aí tudo muda… Começamos a subir e a ver uma outra Barcelona diferente daquela que já falei aqui e aqui, só a título de exemplo. Vislumbramos uma Barcelona para o mar, encontramos o "Tibidabo" e ainda conseguimos visualizar um pouco do parque. É a Barcelona cosmopolita que vemos daqui desde Gràcia até ao mar… Para uma primeira visita a Barcelona, ou até para um regresso, acredito que este miradouro é o local ideal para iniciar uma visita - é aqui que conseguimos captar muito do espírito da cidade.

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Se adicionarmos a este panorama um pôr-do-sol único, mais um daqueles que o Mediterrâneo tanto nos dá, temos o dia perfeito na cidade. Paremos pelo miradouro, respiremos a cidade, sintamos o contágio que vem do mar até nós. Fiquemos por aí um pouco… Segue-se a descida, e nada como percorrer a área gratuita do "Park Güell" e apreciar o próprio parque, acredito que conseguirão ver muitos dos pormenores mais interessantes do mesmo e poupar uns euros.

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Vamos descer? Pois passemos pela "Casa-Museu Gaudí" e desçamos a Gràcia bem pelo centro, atravessando a "Carrer de Montmary"  e transpondo a "Travessera de Gràcia"! Aqui é importante aproveitar bem a zona e o bairro antes de entrar na zona mais in. Ambas se podem combinar, aliás, o que faria era visitar uma e depois a outra, mas quando se vive ou se passa uma grande temporada na cidade tudo isso é mais fácil. 

 

E eis que chegamos ao "Passeig de Gràcia"! Uma nota... De facto, o caminho mais apetecível é o "Passeig de Gràcia", no entanto, ignorar ruas e respectivas transverssais da "Carrer de Pau Claris" e visitar o "Museu Egípcio" ou até o "Centre Català d'Art"... Em suma... Quanto mais nos perdermos no emaranhado de ruas, melhor!

 

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Mas vamos para a "Plaça Joan Carles I" e iniciemos a descida pelo "Passeig de Gràcia" e rapidamente encontraremos do lado esquerdo a "Casa Milà", também conhecida como "La Pedrera". Só conheci este espaço por fora, foram muitos aqueles que em Barcelona me aconselharam a não visitar a mesma por dentro e, pelo que tive oportunidade de procurar, não me arrependi. No entanto, cabe a cada um decidir. A própria história é interessante, na medida em que o primeiro proprietário da mesma assumiu ter ido parar à miséria devido à extravagância "gaudiana". Exteriormente é apetecível e merece o nosso olhar, mesmo que por segundos. 

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Nesta rua já se sente a fervilhar a Gràcia em toda a sua força com os cafés, as lojas, as gentes a dominarem a atmosfera daquela zona. Estamos na Catalunha, mas não deixamos de estar em Espanha onde facilmente encontramos estes ambientes. Levantemos os olhos e apreciemos os diferentes edifícios que se estendem ao longo do bairro e não esqueçamos a "Casa Vicens" e a "Casa Fuster" com o seu café vienense... Não poderia deixar escapar esta, mesmo que o café e um mimo doce fiquem para lá de um orçamento mais contido.

 

Com as energias repostas, pois já cai a noite e até vos convido para jantar em casa, pois lembram-se do meu amigo do Bon Preu? Temos um "rape" com açafrão e leite de coco à espera! No entanto, não podemos deixar de continuar a apreciar esta elegante rua e passar pela "La Manzana de la Discòrdia". Este é mais um daqueles espaços em que o exterior preenche a visita. Aqui podemos apreciar os três arquitectos que estiveram na sua construção, nomeadamente as esculturas e a cúpula de Domènech i Montane, as esculturas nas janelas e os vitrais da entrada de Puig i Cadafalch e finalmente algumas das influências de Gaudì que saltam bem à vista mal olhamos o edifício. Deixamos para amanhã a "Fundació Antoni Tàpies"? Pois bem, vamos então descer até à "Plaça Catalunya" e a apreciar os edifícios modernistas... Viremos para "Urquinaona" onde chegaremos a Ausiàs March - já nos acenam para jantar!

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Memórias de Ausiàs March e da Barcelona Gipsy Balkan Orchestra...

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Pelo Barri Gòtic: Da Plaça Reial até à Plaça Sant Jaume.

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Fonte da Imagem: Própria.

 

 

Deixemos a "Plaça del Rei" onde ainda escutamos os ecos daquela soprano que canta a troco de uns euros junto à Catedral e deixemo-nos embrenhar nas ruas estreitas do "Barri Gòtic".

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Hoje já é tarde, mas amanhã, é um imperativo visitar o "Museu Picasso de Barcelona"! É aí que se encontram algumas das grandes obras do génio, para mim, "O Abraço" é uma delas e é digno de ser visto! É um daqueles museus, em que a arquitectura do espaço combinada com a exposição o tornam numa referência! Quem já esteve no de Málaga ou até no de Paris não se vai sentir defraudado. Percorrer a estreita "Carrer Montcada" e aceder ao "Palau Berenguer d'Aguillar" é algo que não pode falhar numa visita a Barcelona e depois... Bem, depois nada como se deixar surpreender pelo "El Loco" ou pelo "Harlequin".

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Mas ainda há tempo para atravessar a "Carrer de la Princesa", a que termina no "Parc de la Ciutadella", e subir até ao "Palau de la Musica Catalana". Aqui as opções são várias: ou apreciamos o espaço do exterior, ou compramos um bilhete para visitar o espaço e deixarmo-nos deslumbrar pela sala de espectáculos com a sua cúpula invertida e em vitral ou... Ou assistimos a um espectáculo! Não são os bilhetes mais baratos, quer para visitar quer para um espectáculo mas não deixa de ser uma experiência única e que depois provoca uma ânsia de repetir a experiência - assistir a um espectáculo é mais que recomendável e devo admitir que pondero mais um regresso ou para assistir a Simon Rattle com a "Orquestra Filarmónica de Berlim" ou efectivamente, a Gustavo Dudamel, com a "Mahler Chamber Orchestra"... Tenha vida para isso. Acredito que, em turismo ou vivendo na cidade, visitar a obra de Domènech Montaner é das melhores experiências que podemos ter.

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E como estamos em Barcelona e... Porque o Mediterrâneo invade os areais de "Barceloneta", nada como ficar a ouvir um dos grandes compositores nascidos naquela cidade e que marcou uma geração - que não a minha - e por arrasto, me fez conhecer a sua obra durante a minha infância. Escutemos neste passeio à beira-mar uma das grandes obras de Joan Manuel Serrat, "Mediterraneo".

 

 

E hoje ficamos por aqui! Ou melhor, não ficamos, vamos caminhar e terminar num pequeno restaurante de fast food na "Plaça Urquinaona" (posso dizer que era a "Pans & Company"?) e onde tantas vezes a altas horas era o local ideal antes de voltar a Ausiàs March para descansar... Se nos deixassem...

IMG_1677.jpg E amanhã? Vamos sair de Ausiàs March, comer qualquer coisa na "Plaça de Tetuan" e seguir por uma das rotas mais turísticas da cidade, embora com alguns recantos por descobrir.

 

 

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Fonte das Imagens: Própria 

 

 

Antes de saírmos do ponto de encontro combinado no artigo passado, partilho convosco o facto de ter lido alguns maus comentários sobre Barcelona. De facto, nenhuma cidade é perfeita e podemos sempre apontar pontos negativos ou até dizer que não gostamos mas daí a dizer que não se gosta de Barcelona "porque sim" e baseado somente numa experiência de fim-de-semana, devo dizer que é bastante redutor.

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Deste modo, continuemos pela zona turística, mas também antiga, de Barcelona. Tomamos um café naquela que foi a minha casa, com o "peixeiro" do "Bon Preu" da Ausiàs March que me ensinou a fazer um "rape" (tamboril) com caril e que ainda hoje faz as delícias daqueles que frequentam a nossa casa. Barcelona também é isto, fazer amigos em cada canto, em cada espaço, mesmo que seja um supermercado e, de facto, isto não conseguimos em dois dias.

 

Vamos então? Façamos a Ausiàs March, atravessando a "Plaça Urquinaona" e entremos na Plaça Catalunya. Já conseguimos ouvir a "Rambla" e todo aquele movimento desta praça, um dos principais pontos para apanhar transportes em Barcelona. Se a praça é bela? No contexto de Barcelona é mais uma praça, mas comecem a apreciar as gentes e a ver a vida a acontecer e a vossa opinião muda em segundos!

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Mas caminhemos, a Catedral aguarda por nós! Para mim, quem tiver de escolher entre a Catedral do século XVI e a Sagrada Família, eu sugiro que escolha a primeira. Dedicada a Santa Eulália - aliás, a cripta com o túmulo desta santa é uma das atracções - esta catedral tem uma fachada algo ao estilo francês porque só no século XIX se reuniram fundos para terminar a mesma. Com 29 capelas, no exterior, apesar da beleza, não a podemos incluír no roteiro das grandes catedrais, sobretudo porque em Espanha tem uma forte concorrência. Mas é também no exterior que encontramos uma das praças mais movimentadas da cidade e não é só com turistas - é aqui que ao fim de semana, os habitantes da cidade, dançam a sardana - a dança de roda catalã que representa a unidade.  Falámos também de Santa Eulália, pois aquela estátua no topo da torre central é desse mesma santa.

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No entanto, quando temos a impressão de não estarmos perante uma catedral de Burgos ou até mesmo de Colónia, entramos e tudo muda! Visitem o coro e procurem encontrar a multiplicidade de estilos presentes na catedral, que vão desde a construção paleocristã até ao estilo gótico francês passando pelo românico e gótico (catalão). Apesar de tudo, também não é esta a minha igreja preferida em Barcelona... Quiçá passemos lá no próximo artigo.

 

Saímos da catedral e eis que chegamos à Plaça del Rei, ou melhor, aos vestígios de Barcino, uma povoação romana! Se por fora ficamos com essa sensação, esperem para conhecer o subsolo e as relíquias que por lá se encontram - um dos museus que merece a visita é o "Museu d'História de Barcelona". Também é nesta praça que podem namorar um pouco - pode parecer estranho, mas uma das imagens mais românticas que tive da cidade foi aí mesmo... 

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Ainda andamos pelo centro, ainda estamos rodeados de turistas - algo que em Barcelona é assunto delicado - e ainda nos conseguimos apaixonar por esta cidade, todavia, é também aqui que uma estada mais prolongada nos permite conhecer aqueles recantos aos quais "só" os habitantes de tão bela cidade conseguem ter acesso... E no meio disto tudo, vou voltar ao caminho da "Plaça Sant Jaume" e procurar aquela mercearia familiar que vende um presunto "extremeño" de comer e chorar por mais...

 

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Memórias de Ausiàs March e da Barcelona Gipsy Balkan Orchestra...

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Pela Rambla... Contagiado pela Imensidão de Gente!

Pelo Barri Gòtic: Da Plaça Reial até à Plaça Sant Jaume.

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 Fonte das Imagens: Própria.

 

 

Da última vez não resisti ao local das grandes multidões, daquela "Rambla" que nos contagia mas que vai perdendo alguma da sua autenticidade. O "Barri Gòtic" é, talvez, uma das melhores alternativas, embora, também aí, não possamos fugir dos turistas que, apesar de tudo dão um colorido especial à cidade.

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Combinei um ponto de encontro na "Font Canaletes" para descermos até à "Ronda Litoral", mas vamos fugir à fila das massas e penetremos no Barri Gòtic onde, enquanto descemos a "Rambla", sugiro que viremos à esquerda antes de chegarmos à "Plaça del Teatre" - é aí está um dos locais que, para mim, é dos mais belos de Barcelona! Dizia muitas vezes aos meus amigos catalães e não só, que aquela praça sempre cheia de vida me fazia lembrar o sul de Espanha, as praças de Andaluzia - a praça foi inspirada, contudo, nas praças parisienses.

 

Perco as vezes que, com a "alemã", por lá tomávamos uma bebida ou simplesmente nos sentávamos junto à fonte assistindo ao movimento nocturno, às gargalhadas e ao deambular dos empregados de mesa procurando encontrar clientes - admito que é o meu cantinho andaluz em Barcelona e que me custa sempre deixar nas visitas que se seguem à minha permanência na cidade. Finalmente, também nesta praça, Gaudí teve mão ao desenhar os seus candeeiros.

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Com a "Artiliana" da banda de Barcelona Gipsy Balkan Orchestra nos ouvidos, já estamos perto do "Palau de la Generalitat" e do "Ajuntament", por isso nada como caminhar para uma outra praça, mais administrativa mas igualmente cheia de gente: a "Plaça de Sant Jaume". Pelas vielas até lá, não convém esquecer de comprar presunto ibérico, queijos e outras iguarias espanholas em algumas mercearias antigas que ainda sobrevivem. E porque não parar na "tasca" mais feia, mais pequena e com mais mau aspecto e deixar que os petiscos dispostos em cima do balcão alimentem o nosso desejo de comer após umas boas caminhadas... Daí até ao "Mercat Sta. Caterina" não faltam desses recantos. Confesso que um dos meus favoritos era bem perto da "Plaça de Sant Jaume" numa transversal à "Carrer de Ferran", mas só lá indo convosco, consigo precisar a localização e assim vos deixar saborear um frango bem temperado ou uma "Paella" de rua como não há igual.

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Aqui fervilham os habitantes e os visitantes que se deixam contagiar pelas compras ou então por um bom gelado que, em qualquer altura do ano, sabe sempre bem por estas paragens. Percorrer todos estes recantos é sem dúvida uma das melhores opções em Barcelona, onde a cidade se fecha entre edifícios antigos e permite que em cada rua e ruela as vozes circulem de um modo e com uma entoação que só encontramos nas cidades espanholas.

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Parece pouco, mas estar em Barcelona não é ir do "ponto A" ao "ponto B" é viver uma experiência em cada recanto, é apreciar as gentes que se confundem entre o cosmopolita e o periférico, entre o ocidente e África, uma metrópole do sul com características únicas que não se resumem a monumentos, espaços culturais ou restaurantes e cafés.

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Deste modo, onde combinamos para a próxima? Que tal em frente ao "Museu Miba"? Os rincones mais religiosos esperam por nós...

 

Memórias de Ausiàs March e da Barcelona Gipsy Balkan Orchestra...

Pelo Passeig Lluís Companys até à Torre Agbar...

Da Cascata da Ciutadella até ao Port Olímpic com Mompou...

Barceloneta, Onde Fica o Coração...

Pelo Port Vell até Drassanes...

De Montjuïc te Contemplo...

Pela Rambla... Contagiado pela Imensidão de Gente!

 

 

 

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Pela Rambla... Contagiado pela Imensidão de Gente!

por Robinson Kanes, em 16.03.18

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 Fonte das Imagens: Própria

 

Pode ser turístico, pode já ter sido visitado por tudo e por todos, mas ninguém concebe Barcelona sem "La Rambla" ou "Le Ramble" em catalão. Este nome, e em Espanha tantas vezes isto acontece, vem do árabe ramla que significa rio seco. Neste caso, volta a fazer todo o sentido, pois até ao século XV, era por ali que passava um rio até ser desviado.

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Um dos "passeios dos tristes" de Barcelona é mesmo esse, descer a "Plaça de Catalunya" até ao mar, mais precisamente até ao "Port Vell". Digamos o que dissermos, é óptimo sentir aquela multidão de gente, todas aquelas culturas e até nos cruzarmos com os vendedores que fogem sempre que passa a polícia. É a vida da cidade, é um dos seus grandes centros, com cafés e restaurantes fantásticos, mas que valem apenas pela vista e pelo ambiente - quem quiser comer bem tem de se afastar. Ver gente, muita gente nas ruas, essa coisa tão espanhola e tão profundamente atraente que só em Madrid encontra paralelo ou então quando temos de atravessar o oceano até Buenos Aires.

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Passeava, não poucas vezes por aí, afinal é, como costumo dizer, um dos melhores anti-depressivos, além disso é aí que se encontra o Grande Teatro do Liceu, a casa da ópera de Barcelona e que, como amante desta experessão artística, de vez em quando lá me lembrava de rebentar com o orçamento e assistir aos espectáculos.

 

 

Além disso, a história deste local é vasta, pois aquando da sua inauguração em 1847, era a maior ópera da Europa em termos de lugares! Entre outras histórias, foi aqui que em 1893, assistia-se a "Guilherme Tell" de Rossini, foram lançadas duas bombas causando um número elevado de mortos e feridos - atribuiu-se o ataque ao anarquista Santiago Salvador.

 

 

Visitar este espaço e aí assistir a um espectáculo, é quase obrigatório! E se por aqui já referi que os cafés não são os melhores, talvez um café antes de uma representação possa ser uma óptima escolha se o fizermos no "Café de L'Opera" - um espaço com interior em art noveau.

 

Pelas fotografias, facilmente se percebe que este era um dos locais de eleição para se passar muitas vezes a noite antes de voltar à cama, uma coisa que, em Barcelona e tantas outras cidades espanholas, nem sempre é fácil - ou porque não nos deixam simplesmente dormir, ou porque também não conseguimos ficar imunes ao contágio da movida que nos faz querer aproveitar cada momento, e por estranho que pareça, até nos ajude a levantar com outro sorriso e disposição no dia seguinte.

 

Por muito turístico que também seja, e caro, visitar "La Boqueria" (Mercat de Sant Josep), pode ser também uma óptima opção, embora nunca lá tenha comprado nada - quem tem o "Mercat de La Barceloneta" e o "Mercat de Sant Antoni" não vai sentir grande falta da "La Boqueria". Não quero com isto dizer que não mereça a visita, pois a beleza e o investimento constantemente realizado na promoção e dinamização têm transformado este espaço num local bastante agradável. Importa também não esquecer a carga histórica do espaço, pois os primeiros registos de um mercado naquele local remontam a 1217!

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E esta noite, combinamos na "Font de Canaletes" e vamos descer a até à "Ronda Litoral"?

 

Bom fim de semana,

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De Montjuïc te Contemplo...

por Robinson Kanes, em 31.01.18

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Fonte das Imagens: Própria.

 

 

Saimos do bulício da cidade, da multiculturalidade do Raval e da multidão do Port Vell e subimos a Montjuïc ou "Monte de Jove"... Barcelona tem daqui uma das mais belas vistas - não terá sido por acaso que, desde os momentos pré-históricos, muitos povos se foram aqui estabelecendo. Por este monte, por exemplo, passaram os romanos que aqui ergueram o monumento a "Jove", daí o outro nome desta elevação.

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Quando subimos via "Passeig Josep Carner" - zona de "Drassanes" - a primeira imagem com que ficamos é arrebatadora: os "Jardins Mirador", onde se encontra o "Mirador de L'Alcaide", dão-nos uma vista única do Porto, da zona central e litoral da cidade. Mas não nos fiquemos por aqui, ganhemos forças e subamos até ao "Castell de Montjuïc", uma fortaleza do século XVII, um autêntico mirador de 360º da cidade e onde até os entusiastas da aviação podem observar o movimento no "El Prat". Podem dar uma vista de olhos pela interessante história deste espaço no website cultural do "Ajuntament" de Barcelona. Os que gostam de estudar a Guerra Civil têm aqui uma óptima fonte de conhecimento que inclui fotografias singulares dos bombardeamentos da aviação italiana e das peripécias (menos felizes) que tiveram lugar naquela fortaleza - recomendo vivamente. Admito que subir toda aquela colina de bicicleta e acabar no "Castell" era uma das coisas que mais satisfação me dava durante aqueles tempos em Barcelona.

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E se é de desporto que falamos, não poderemos deixar de falar do "Anella Olímpico", ou "Anel Olimpico", nascido aquando dos Jogos Olímpicos de Barcelona e que hoje inclui o "Estádio Olímpico Lluís Companys", o "Palau Sant Jordi" as fantásticas piscinas "Bernat Picornell" e a "Torre Calatrava", uma torre de telecomunicações projectada pelo mesmo arquitecto que projectou também a Gare do Oriente, Santiago Calatrava. Não é o mais fascinante que vamos encontrar, mas é algo que encontramos no caminho.

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Mas Montjuïc não é apenas um espaço com belas vistas ou com um cariz histórico-cultural, é também um lugar onde a Natureza por si só conquista todos aqueles que por aí passeiam ou fazem desporto - com intervenção humana, o Jardim Botânico é o mais emblemático, até porque as suas origens remontam a uma antiga lixeira.

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Depois de deixar a Carrer Ausiàs March de bicicleta, Montjuïc era o local ideal para preencher um dia de actividades onde não poderia faltar uma refeição ao ar-livre. Um local singular onde se conjugava a natureza, a história, a cultura e o desporto, sem esquecer todo um entorno paisagístico único! E se é de cultura que falamos, também é aí que encontramos a "Fundação Joan Miró" - não sou entusiasta do artista, mas as referências daqueles com quem privei eram óptimas. A par do "Poble Espanyol", foram dois espaços que nunca visitei - o último sempre o encarei como uma espécie de "Portugal dos Pequenitos" pois é o espaço onde podemos encontrar, em miniatura, alguns dos lugares mais belos de Espanha. Esta construção ainda é parte do que restou da Exposição Mundial de 1929 e que teve lugar naquela cidade. Mas já estamos a descer com uma vista espectacular sobre a zona de Llobregat. É por aí que encontramos o  "Museu Nacional de Arte da Catalunha".

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Este Museu, mesmo para quem não aprecia, merece no mínimo uma caminhada pelo seu exterior. Situado no "Palau de Montjuïc", é edificio classicicista (erguido para a Exposição Mundial de 1929) e que apresenta uma das mais belas colecções de românico do mundo - em termos de dimensão, é considerada a mais completa. Além da parte arquitectónica, nomeadamente o Salão do Trono e a Cúpula, sem dúvida que a visita às secções de arte românica e gótica são fundamentais, vejam as "Carpideiras". Claro que não poderia deixar passar um dos meus pintores de eleição como El Greco ("São João Baptista e S. Francisco de Assis", Tintoretto, Zurbarán,. Caliari, Tiepolo ou Tiziano que estão incluídos na colecção "Cambó" (uma nobre família Catalã) - por pouco me esquecia, mas tenho de me ajoelhar, também podemos encontrar nesta colecção pinturas de Rubens e Goya! E se pensarmos que estes e muitos outros também se encontram na colecção "Thyssen-Bornemisza"? Uma verdadeira "barrigada" de pintura que tornará qualquer dia mais especial e onde nem falta Canaletto.

 

Sei que já estou a ir longe, mas não poderia deixar de falar no acervo de pintura moderna que nos faz querer regressar, na eventualidade do nosso cérebro já não conseguir processar correctamente, perante tantas obras-primas. Não deixem passar o "Auto-Retrato" de Esquível, o espectauclar "Auto-Retrato" de Sorolla, as esculturas de Meunier e Rodin, a "Santa Madalena" e as paisagens de Jubany entre um sem número de obras que apaixonam até os menos entusiastas.

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Anoitece, regresso agora, na minha imaginação, depois de descer pela escadaria do museu com a bicicleta na mão, passo pela "Fonte Mágica" que emana as suas luzes mágicas (à noite e pontualmente) enquanto me preparo para fazer à estrada em direcção à "Plaça Espanya", não sem antes passar pelos pavilhões da "FIRA"... Decido se vou pela "Gran Via de les Corts Catalanes" ou desço a "Avinguda del Mistral" até ao "Raval" onde me posso encontrar com a Helena e o Felip e passar o resto da noite em boa companhia, entre uma ou outra cerveja e uma boa "escalivada".

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