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Somos Canárias! Somos España! Somos Europa!

por Robinson Kanes, em 20.11.20

Fonte: El Mundo

 

 

Members of the educated elite upheld open-mindedness as the supreme political virtue but refused to debate their own idea of the good life, perhaps because they suspected that it could not withstand exposure to more vigorous ideas.

Christopher Lasch, in "The True and Only Heaven: Progress and Its Critics"

 

Para fechar esta semana que, no embalo do "Dia Internacional para a Tolerância", procurei debater-me sobre alguns temas que envolvem o conceito e não só, acabo por aterrar em território europeu. 

 

Trago o discurso de Ana Oramas, representante da Coalición Canárias no parlamento espanhol, que esta semana desmascarou mais uma das, e passo a expressão, poucas vergonhas que assolam as fronteiras do território europeu e obviamente com grande influência nas ilhas Canárias, onde o desemprego atinge mais de metade da população. Contudo, quando os números incidem sobre o desemprego jovem, a realidade é ainda mais assustadora.

 

Ana Oramas enfrentou a actual coligação que governa Espanha alicerçada essencialmente no PSOE e no Unidas Podemos com um braço da Esquerda Republicana da Catalunha. Esta união tem levado Espanha a uma instabilidade económica, social, politíca e ideológica nunca antes vistas - e nesta avaliação ainda incluo o século XX.

 

Ana Oramas apresentou uma região completamente destruída pelo desemprego e pelas restrições causadas pela pandemia e exigiu ser espanhola. Mais que isso, ser europeia! A coligação da qual Ana Oramas faz parte, apesar de nacionalista, não tem cariz independentista, não obstante, procura mais autonomia para a região sem deixar de tomar parte na nação espanhola. A deputada questionou se seria necessário que as Canárias tivessem um movimento independentista forte para que Espanha e a Europa pudessem olhar para o território... Este é também mais um território tampão que tem sido utilizado pelo Governo Espanhol para despejar migrantes sem quaisquer condições - os últimos duzentos foram largados numa praça e foi um povo residente, já empobrecido e confinado, que saiu à rua e prestou auxílio aos recém-chegados. No mesmo momento, o Ministério de Fernando Grande-Marlaska Gómez, um arrogante no poder, basta ver como despreza os deputados na Moncloa, congratulava-se pela solidariedade espanhola (institucional) no apoio aos migrantes.

 

No final do seu discurso, Ana Oramas questionou se o ideal seria as Canárias pedirem apoio ao Magrebe ou ao Norte de África para verem a situação das ilhas resolvidas perante o "abandono" do continente. Este é um grito desesperado de ajuda, aqui bem perto, e que surge na mesma semana em que Marlaska Gómez visita Rabat e encontra um Pablo Iglesias insurgente a hostilizar com os países do Saara - o que já criou tensões muito fortes entre Marrocos e Espanha (ver o ABC ou o La Razón de 19 de Novembro). Este imiscuir constante em assuntos alheios (a cegueira ideológica de Iglesias e do Podemos não conhece limites) tem provocado graves danos internos e externos em Espanha. Marrocos, país soberano e moderado, já pediu contenção e ameaça não entrar em negociações se o Vice-Presidente autoritário do governo espanhol não sair de cena. 

 

Está a caminho da Europa (aliás, já existe) um problema que poderá ser bem pior que a pandemia e cujas parcas tentativas de resolução do mesmo na fonte estão a ser destruídas por tiranos travestidos de democratas libertadores atulados em esquemas de corrupção que tentam esconder com activismo bacoco e totalitarista.

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Sardinhas Sem Interesse...

por Robinson Kanes, em 10.11.20

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Créditos: https://victawr.wordpress.com/tag/epic-fail-guy/

 

Fujam que hoje não vale a pena passar por aqui. É "whataboutism" e muitos outros temas que não têm grande interesse...

Uma lamentável terça-feira no SardinhaSemLata...

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Não Podemos Mais...

por Robinson Kanes, em 09.10.20

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Créditos: https://www.diarioprogresista.es/pablo-iglesias-contestan-misma-medicina-tic-tac/

 

En política no se pide perdón, en política se dimite.

Pablo Iglesias

 

Admito, com ligeira perplexidade, que nos preocupemos tanto com as idas à casa-de-banho de Bolsonaro e Donald Trump (e só destes dois... e sempre para o mal), do outro lado do Atlântico mas deixemos escapar, por exemplo, o que se passa em Espanha. O que se passa por cá, já não me espanta, o efeito avestruz elevado ao seu estado mais normal.

 

É neste contexto que o terramoto político e social que pode rebentar em Espanha também pode trazer consequências para o nosso país ou não fosse o epicentro localizado num dos partidos mais adorados em Portugal, o Unidas Podemos. A sede de poder de Pedro Sánchez levou, à semelhança do que acontece em Portugal, à aliança com a extrema-esquerda espanhola, sobretudo republicana e pouco moderada. Aquela esquerda dos cidadãos, do "Podemos" que vinha salvar o mundo como o fracassado Syriza na Grécia e o Bloco de Esquerda em Portugal.

 

Todavia, temos assistido a uma demonstração de ausência de ideias para o país (apenas o foco no discurso - e só no discurso - de ajudar os pobres, estar do lado dos criminosos "okupas", a independência da Catalunha e o fim da monarquia) e casos atrás de casos de corrupção e movimentações totalitárias dignas de uma URSS, bem como uma repetição à portuguesa da grande família: Iglesias e a mulher partilham a liderança de um partido e influenciam ambos as decisões governamentais.

 

Sob a égide de Pablo Iglesias, o "Podemos" tem sido alvo de vários escândalos de corrupção dos quais se destaca a famosa "Caja B", adjudicações fraudulentas, relações promíscuas com jornalistas, as movimentações de del Olmo, os famosos casos Calvente e Dina Bousselham, falsas denúncias para ter vantagem eleitoral e um sem número de "sacos azuis". A táctica, quando confrontado com a situação, também à semelhança do que acontece em Portugal, é desaparecer (Marcelo nisso é exímio quando o assunto não lhe é favorável) ou então atacar os adversários com um "vocês também fizeram" ou ainda "assunto encerrado" à boa maneira de António Costa e do Ministro da Propaganda, Augusto Santos Silva.  Em relação a falsas denúncias e com tantas similitudes no modus operandi, só me recordo de um caso de correspondência com ameaças e que até fizeram (mais uma vez sem qualquer sentido) que os mais altos cargos da nação viessem pressionar a Investigação e a Justiça - já existirão desenvolvimentos acerca de quem foi ou foram os autores dessa correspondência? Os resultados rápidos tardam em aparecer...

 

Não obstante, à semelhança de tantos outros casos na Península Ibérica, o líder do Podemos, foi o mesmo que em tempos (2016) dizia que perante as suspeitas de casos de corrupção ou similares no seu partido, a demissão seria a opção única! Hoje, diz-se vitíma daqueles que querem vingar os impetos da independência catalã e ostenta o total apoio que lhe é dado por Sánchez - o poder, custe o que custar, mesmo que no Senado espanhol já se grite (sim, grite) pela demissão de Iglesias. Isto aconteceu enquanto a senadora do PP, Elena Muñoz, anteontem, denunciava muitos destes casos e inclusive o desrespeito pelas mulheres - logo o partido que tanto apregoa a causa embora o seu porta-voz (Pablo Echenique) até já tenha sido condenado por fraude à Segurança Social! Estranhos tempos onde o algo e o seu contrário começam a ser a tónica dominante dos heróis... 

 

A História ensina-nos que nem sempre aqueles que inicialmente surgem como os grandes salvadores da Humanidade, os defensores de todos os direitos e das causas sociais, da justiça social (ainda ninguém sabe bem o que quer dizer este conceito, mas fica sempre bem utilizar) são aqueles que, tendo o mínimo acesso ao poder, normalmente do Estado (mas até em muitas organizações empresariais vemos isso), são os primeiros a fazerem um Nicolae Ceaușescu parecer um menino aos olhos dessa mesma História.

 

Unidas Podemos parece estar mais a desunir Espanha do que propriamente a unir, sobretudo numa altura em que o vírus que nos assola mata milhares de espanhóis e a própria economia. A ausência de debate e soluções sérias, o ataque constante à unidade de Espanha na pessoa do Rei, não auguram nada de bom para o futuro... Além de que, muitas destas cenas, também não são diferentes na antiga província espanhola, apenas mudam os actores.

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Um Mero! Um Mero!

por Robinson Kanes, em 18.09.20

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Imagens: Robinson Kanes

 

 

Porquê este título? Podemos dizer que é uma espécie de private joke relativa a um comensal que em tempos afirmava ter capturado um exemplar deste peixe... O resto, só assistindo, porque contado. Embora não tenho dúvidas que em termos de apetite seja cavalheiro para devorar uma baleia!

 

Entrando também em modo "Sabino Rui", sim, já começo a ter saudades do trânsito em tempos de confinamento, mas não foi isso que me trouxe aqui.

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O que me traz aqui hoje é algo de fulcral importância para a nação: um mero grelhado, uma esmagada de batata doce e uns restos de feijão verde. Chegar a casa e não saber o que fazer, dá nisto. Aproveitam-se sempre uns restos, é um facto e acaba por ser a oportunidade para abrir uma botella. Consta por aí que alguém também andou a fazer das suas, pelo que, fica lançado o mote para vir partilhar ou fazer o mesmo lá nas terras dele.

 

Assim foi esta semana e fica aqui uma sugestão de fazer água na boca e que é bastante simples: um mero (e que seja bem fresquinho), uma esmagada de batata doce, se possível regada com um bom balsâmico, o da imagem já tem uns tempos e veio directamente de Modena, bem perto de Bolonha. Por falar em Bolonha e em iguarias, juntem-lhe umas "Ervas de Provence" (ao peixe) e fica uma maravilha, estas vieram de Avignon, mas penso que até se conseguem arranjar por aí.

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A acompanhar, depois de acabado um resto de tinto alentejano, algo que me tem surpreendido bastante, o "Albariño" das Rias Baixas, zona de Cambados e com perfume do Atlântico. Não confundir com o outro, mais perto da nossa zona de Monção e Melgaço. É de um aroma e de um sabor de tal forma frutados que é impossível dizer não. Neste caso em particular, não abrimos os dois, mas estamos a falar de vinhos que oscilam entre os três e os seis euros. Aquilo a que se chama uma bela pomada, adquirida em Vilagarcía de Arousa e com excelente relação qualidade-preço. O "Cruz de Montirago" é um verdadeiro exemplo de um excelente vinho a preço low-cost.

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Finalmente, e porque o fim-de-semana está aí, uma leitura atenta (até porque é francamente rápida) ao livre do Bernard-Henri Lévy, o conhecido filósofo francês que foi um dos primeiros a questionar o "pânico" em torno do vírus. Uma leitura interessante de alguém que não entra em delírio e nem sempre come aquilo que lhe colocam à frente.

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Em jeito de conclusão, façam uma visita aos Açores, especialmente ao Corvo, hoje dei comigo a recordar aquela malta... Podem começar por aqui e também por aqui

 

 

P.S.: Perdoem a apresentação, mas como referi, é uma daquelas refeições preparadas à pressa, e honestamente, não tenho muita preocupação em colocar tudo no sítio para a fotografia... 

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As polícias que se lixem! Viva a ETA!

por Robinson Kanes, em 17.09.20

 

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Créditos: Chema Barroso - https://www.madridiario.es/policias-y-guardias-civiles-protestan-en-el-congreso-por-el-pesame-de-sanchez-a-un-etarra

 

 

O pior das humilhações  é que fazem quem as sofre sentir-se  culpado.

Javier Cercas, in "As Leis da Fronteira".

 

Espanha vive tempos conturbados, à semelhança de Portugal, onde a extrema-esquerda com a conivência do centro-esquerda impõe a agenda atropelando muitos dos valores mais básicos. Parece subsistir, numa base diária, um claro exemplo para demonstrar o cataclismo político e social para onde algumas áreas caminham. Acresce a este facto, uma direita fraca e uma extrema-direita em franca ascenção - não incluo o VOX neste rótulo de extrema-direita, ao contrário do que muitos tentaram fazer sem sucesso.

 

A mais recente, e permitam-me a expressão, escandaleira, foi protagonizada pelo Primeiro Ministro Pedro Sánchez que veio a público e com toda a solenidade prestar as suas condolências e grande pesar pelo suícido de um Euskadi Ta Askatasuna (ETA) na prisão onde se encontrava a cumprir pena. Num país que, nos tempos actuais, precisa de estar mais unido que nunca, ver um chefe de Governo a assumir esta posição face a um violento separatista é, no mínimo, rocambolesco e sem qualquer sentido de Estado. Fazer ressurgir feridas ainda mal fechadas de um passado muito recente não é próprio de um Governo e atentará até contra a própria Constituição e unidade de Espanha.

 

Por certo, a pressão de Iglesias, alguém que acredita piamente que irá conquistar o poder e transformar Espanha num campo de batalha emergindo como um totalitarista travestido de suino orwelliano, terá tido os seus efeitos. Iglesias, contudo, à semelhança daqueles que lutaram na Guerra Civil espanhola, não tem ideais e não procura a paz entre os seus concidadãos apenas a vontade em se assumir como uma espécie de Demiurgo com tiques estalinistas.

 

No entanto, em Espanha, o povo e as próprias polícias não vão no discurso da serenidade (e até algo totalitarista), encetado por muitos dirigentes e que sai sempre da cartola, sobretudo do nosso Presidente da República, nomeadamente quando as coisas podem correr mal. Foi neste contexto que todo um povo e especialmente os agentes da ordem, particularmente a Guardia Civil e o Corpo Nacional de Polícia, mostraram o seu descontentamento, colocando inclusive, no Palácio das Cortes, um sem número de urnas encenando os funerais dos agentes da autoridade mortos pela ETA, que cometeram suícido ou que foram mortos no cumprimento do dever nunca tendo merecido qualquer palavra deste e de muitos governos espanhóis. Acresce aos factos, um pouco à semelhança do que também acontece por cá, a irresponsabilidade de ainda não se ter desenvolvido um programa de prevenção do suicídio nas forças de autoridade e que em Espanha é um dos principais cavalos de batalha destas.

 

É é trazendo a discussão para Portugal, que é notório que temos assistido a selfies tiradas pelas mais altas individualidades do Estado junto dos heróis que apedrejam ou disparam sobre a polícia ou então que simplesmente desprezam toda e qualquer indicação das autoridades. Pensar que ter os militares na mão, sobretudo mantendo incompreensíveis regalias, é a solução para se manter um Estado em paz e sob controlo, pode ser um erro crasso no longo prazo, até porque, não vivemos no país "orgulhosamente só" que em muita alta esfera política, sobretudo aquela que adora mergulhos no mar, ainda causa saudade.

 

E se, à semelhança do que vai sendo sublinhado por muitos, o discurso que acabei de ter é populista, aliás, como o próprio combate à corrupção, então é com muito orgulho que o sou. 

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Unidos Podemos... Corrompernos también...

por Robinson Kanes, em 17.08.20

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Créditos: https://okdiario.com/espana/iglesias-afirma-recaera-psoe-entregar-gobierno-partido-mas-corrupto-europa-452963

 

A los corruptos les vamos a llamar corruptos.

Pablo Iglesias, 2015 

 

De Espanha têm vindo algumas notícias sobre o Rei Emérito, o que é de bom tom, no entanto, as notícias que colocam, sobretudo os partidos salvadores do início da década como uns dos grandes prevaricadores e usurpadores do Estado Democrátio é  que merecem a nossa inquietação, em suma, os mesmos que lutam contra o mal somente porque não o podem praticar. 

 

Depois de vários escândalos, onde se inclui a famosa casa de Pablo Iglesias Turrión e da esposa, um casal descontraido que não utiliza gravata ou tailleur mas que enriqueceu de forma demasiado rápida e com base nos "coitadinhos" espanhóis - famosa casa em Madrid no valor de €600  000 euros - os espanhóis perceberam que nem os paraplégicos, nem os indivíduos que usam rastas e inclusive nem aqueles que se vestem de forma informal (alguns a roçar a sujidade), os barbudos (de barba mal aparada) ou até aqueles que ousam amamentar numa assembleia nacional e cuja imagem é projectada para promover a diferença do sistema "limpinho" e "engravatado" não são em nada diferentes, bem pelo contrário, comportam-se de forma pior que os porcos de um famoso livro.

 

Desta vez foi o ex advogado do Podemos, José Manuel Calvente, que denuncia a corrupção no partido como sendo ainda mais vexatória do que nos famosos casos Gürtel e Filesa. Para Calvente "a  diferença de todos os casos de corrupção partidários em Espanha, é que no Podemos não estamos perante uma alegada corrupção de um partido, mas antes corrupção dentro do partido devido a um alegado financiamento ilegal de alguns  dos seus dirigentes". A ser verdade, o caso Robles e tantos outros casos morais e criminais relacionados com partidos como o Bloco de Esquerda e até o próprio PCP (o impune partido nacional) parecem pouco... Ou talvez não... Basta perceber como alguns, e friso alguns, membros destes partidos se movimentam e como até o modus operandi é similar.

 

O caso "caja B" em Espanha já está a ser investigado depois de Calvente ter admitido que no Podemos se praticaram "delitos de financiamento ilegal, branqueamento de capitais, gestão danosa e revelação de segredos", juntando-se ainda a má utilização de fundos públicos. Lembrar que este foi o partido, pela voz da sua militante e actual Ministra da Igualdade, Irene Montero, que há pouco mais de 15 dias, dizia acerca da "fuga" de Juan Carlos o seguinte: 'España no admite más corrupción ni más impunidad'.

 

Perante estes factos, as altas instâncias do Podemos, inclusive os seus líderes, defendem-se apenas com o argumento de que tudo é "rumorologia" e com os casos de corrupção do PP de Rajoy. Face às perguntas directas não existem quaisquer respostas, basta para aferir desse comportamento de fuga, acompanhar algumas entrevistas em Espanha. Como também o "El Mundo" diz a 15 de Agosto, mesmo com alguns dos factos a serem realidade, até porque a presunção de inocência deve manter-se, "ni borracho ni solo, Pablo Iglesias va a salir de Moncloa". Adivinham-se tempos difíceis em Espanha.

 

Infelizmente, no país vizinho, também já são muitos os cidadãos que começam a ficar cansados da corrupção sistémica, onde PP e PSOE lideram mas que agora afecta também partidos como o Ciudadanos e até o VOX a nível mais local. Contudo, parece ser o Podemos, o partido "limpo", um sério candidato ao trono dos mais corruptos de Espanha e com isso, quer queiramos quer não, o próprio VOX vai ganhando pontos, basta assistir a alguns debates no Palácio das Cortes para perceber o nível intelectual e de conhecimento da realidade que estes últimos, sobretudo as suas deputadas, têm.  Os libertadores, afinal, não parecem ser tão diferentes dos agressores e onde é que já vimos isto tantas vezes ao longo da História... Que o digam os cidadãos que viviam para lá de um muro que dividia Berlim e talvez um dia o digam também os portugueses.

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espana_asturias_luarca (1).jpgImagens: Robinson Kanes & GC

 

 

Cudillero fica para trás e percorremos a estrada de acesso à Autovia del Cantábrico ao som da "Agua Misteriosa" de Javier Limón com a interpretação de Shica - existem coisas de que não abdicamos e em Espanha têm outro sabor numa fusão entre Mediterrâneo e Oriente, mesmo que nas Astúrias.

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Dura pouco, até porque a "Playa Concha de Artedo" recebe-nos para um café. É preciso repor forças antes de chegar a um dos pontos altos deste dia, o "Cabo Vidio" e o seu faro.  Este farol, além da sua localização belíssima, é fundamental para os barcos pesqueiros e de recreio num mar que, de calmo, rapidamente se altera e se transforma em mala mar. O "Cabo Vidio" É um lugar com uma vista inigualável e com uma riqueza em termos de flora e fauna singulares, sobretudo em tão curto espaço.

espana_asturias_cabovidio (1).jpgCalcorreamos toda a área, inclusive a pequena aldeia... Não queremos vir embora e sentamo-nos num dos bancos que permitem vislumbrar o horizonte e é maravilhoso. Uma leve brisa, o tempo quente... Arrependemo-nos de não ter comida a bordo para ali almoçarmos e trocar uma refeição naquele local pelas confortáveis cadeiras de um restaurante. Aproveitamos aquele momento para anotar as praias que já se vislumbram ao longe e que prenderão a nossa atenção: "Playa de Vallina" e "Playa de los Campizales".

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De volta ao caminho, cansados, sentimos que é hora de parar... É hora de nos entregarmos ao silêncio na praia que tem o mesmo nome, "Playa del Silencio". Considerada uma das praias mais bonitas das Astúrias faz jus à fama. O silêncio reinante permite que relaxemos, que pensemos no que está para trás desta caminhada... É bom retemperar forças, respirar a leve brisa marinha... Leve mas retemperadora. Apetece-me abraçar-te e é o que faço e na minha alma escuto novamente Javier Limón com um "Un Trago de tu Vida".

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Continuamos, a manhã está a terminar. Temos tempo para passar em Cadavedo e dar um mergulho na sua praia! É bom, gostamos... Estamos temperados pelo mar e é isso que nos faz parar em quase todas as praias até chegarmos a Luarca. Já não nos interessa o nome das mesmas... Já só nos interessa sentir a areia, as pedras e deixar que o tempo nunca mais se esgote... As Astúrias, seja na montanha ou junto ao mar, permitem que o tempo pare e isso é um dos grandes segredos daquela região.

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É importante alimentar a alma, mas o estômago também se queixa, por isso a vila piscatória de Luarca recebe-nos para um peixe fresco acabado de sair do mar. A verdade é que também não resistimos a uma "Fabada Asturiana" e as coisas complicam-se. Também são necessárias forças para conhecer a vila do nobel, Severo Ochoa

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Percorrer as ruas de Luarca provoca-nos uma sensação estranha: cada canto coloca-nos diante dos olhos a vida de outros tempos e a vida de hoje e mesmo quando o pueblo se anima após a tarde todas essas imagens se confirmam. O farol, as casas e sobretudo a marginal e o porto são as mais-valias deste lugar, sem esquecer as pessoas e a boa comida servida numa esplanada junto ao mar.

espana_asturias_luarca_1.jpgApaixonados por vilas piscatórias ficamos a apreciar a azáfama que já se vai sentindo. Fotogramos, convidam-nos a fotografar como cada registo fosse o relato de uma vida, da vida da faina... Da vida daqueles gentes simpáticas. A verdade é que por esta hora já deveríamos estar em Lugo, mas decidimos ficar junto ao mar, a acompanhar a vida dos lobos do mar... Luarca merece.

 

Outros Caminhos:

Valladolid: Primeiro Estranha-se... Depois Entranha-se...

Pela A62, de Palencia a Burgos.

Atravessar a verde Cantábria!

Regresso ao Passado em Santillana del Mar...

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cudillero-2.jpgImagens: Robinson Kanes e GC

 

 

A manhã não está animadora quando deixamos Gijón, no entanto, depois de mais uma café em Avilés, (conhecemos Avilés de estarmos sempre a tomar café quando por lá passamos) o tempo parece colocar-se de acordo com o nosso estado de espírito. Em San Juan de Nieva o bom tempo e o mar calmo já criam a perfeita sintonia para o que se avizinha. Desta vez não queremos ir pelo interior e deixamos que seja o mar a indicar-nos o caminho até entrarmos na Galiza - ainda a uns dias e quilómetros de distância.

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O objectivo do dia, é sobretudo sentir e estar em Cudillero. No entanto, até lá e na costa entre Avilés e aquele pueblo, as praias e as escarpas são um dos atractivos principais. Não queremos perder o mar de vista, até porque as montanhas são sempre uma presença nas nossas costas quando os nossos olhos se perdem na imensidão do Cantábrico.

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Cudillero tem um interesse especial, é um daqueles locais que nos inspira e nos recorda (embora à maneira asturiana que não é melhor nem é pior, é bem diferente) locais mediterrânicos e do Adriático que encontramos mais a sul, desde Espanha até à Turquia. Além disso, é também em Cudillero que se encontra a "Fundación Selgas-Fagalde", um pouco antes de se chegar ao pueblo em si. Os jardins e o palácio tornam-na num dos tesouros artísticos e culturais mais bem escondidos do norte de Espanha.

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Mas eis que chegamos a Cudillero que, além do carácter pitoresco com as suas casas de diferentes cores e ganhando espaço à montanha, também se tornou curioso para nós, apaixonados pela cultura dos "pexins vs lavradores" um pequeno apontamento etnológico. Também aqui "existe" uma divisão social bastante vincada, com os "Mariñana" (os habitantes que estão junto ao mar, sejam eles lavradores ou pescadores), com os "Xalda" (os que vivem no interior, maioritarieamente da terra) e os "Vaqueira" (os pastores da montanha, os mais isolados da comunidade).

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No entanto, se aprofundarmos ainda mais e deixarmos toda a área de influência do Ayuntamiento encontramos uma outra divisão somente em Cudillero composta pelos "pixuetos" (os pescadores) e pelos "caízos" (vivem na rua principal e tendem a dedicar-se ao comércio). Temos a sorte de encontrar habitantes a falar "pixueto", um dialecto local. É fantástico, faz-nos querer ouvir mais e ficar por ali para almoçar, o mar e aquelas gentes são a companhia perfeita num dos locais mais bonitos das Astúrias e até do norte de Espanha.

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É dia de mercado e também é dia de faina, há peixe fresco e por isso não resistimos à "Merluza del Pincho" e a um "Pixín a la Plancha". Pescada ao anzol e um tamboril grelhado, não pode haver melhor, sobretudo quando o cheiro do mar (bastante intenso) e o cheiro do prato quase não se distinguem. Não é difícil comer bem nas Astúrias, seja no interior, seja junto ao mar sobretudo se os passeios junto à "Playa de Oleiros", "Playa del Silencio", "Playa de Riocabo" e a "Playa Concha de Artedo" abrirem o apetito como abriram.

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Admiráveis praias não faltam para tornar todo este cenário único que não promete desaparecer, sobretudo porque se segue toda a costa asutriana até Figueras e Castropol, onde estas encontram, do outro lado da Ria del Eo, a também pitoresca Ribadeo, já na Galiza.

 

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Gijón: Para se Visitar e Para se Viver.

por Robinson Kanes, em 19.09.19

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Imagens:  GC

 

Depois de Oviedo, torna-se obrigatório rumar a Gijón, duas cidades claramente diferentes... Uma bastante mais interior, já a outra, uma cidade marítima e com muitas das caracteristicas que marcam estas cidades.

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Chegar a Gijón é encontrar uma cidade mais airosa que a "rainha" Oviedo... Oviedo apresenta-se como uma cidade monumental, histórica. Gijón tem tudo isso e a vontade de também lá viver. É bom sentir que um lugar é apetecível para lazer mas também para habitar. Gostamos de Gijón  pela sua história, pelas lindissímas caminhadas que proporciona junto ao mar, seja numa lógica mais urbana seja numa outra mais natural. Gostamos da gastronomia, ou não tivesse o lado piscatório, gostamos da vida, cultura e encanto que esta cidade que não deixa de ser vibrante, bem pelo contrário - é uma cidade que convida e com vida, onde o industrial, o histórico e até o romântico se misturam - algo muito difícil de conseguir.

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Não somos só nos que gostamos de Gijón, já os romanos gostavam e em "Campo Valdés" construiram umas termas. Terão ficado encantados pela frente de mar e sobretudo pela imagem que, quem está sob as águas consegue ter - a cidade e as montanhas lá atrás. Eduardo Chillida não poderia ter mais inspiração para criar o "Elogio del Horizonte", o símbolo da cidade, pelo menos o turístico. Gijón é uma cidade para ser aproveitada  quer por quem a visita quer por quem lá vive e isso sente-se nas ruas.

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Chegamos ao "Cerro de Santa Catalina", o coração da cidade e a linha de defesa da mesma. Este parque é um convívio com o mar e com a demais natureza que o completa. Um dos melhores passeios à beira-mar das Astúrias. É óptimo para complementar com um passeio pela extensa praia de areia amarela, a "Playa de San Lorenzo". É fantástico se assumirmos que estamos dentro da cidade. O pôr-do-sol nesta praia é uma delícia e com a companhia de uma "Estrella Damm" nada pode ser mais perfeito. Juntem a esta a "Playa de Poniente" (bem perto está o "Acuário de Gijón") , conhecida pelo fogo de artifício no São João e a "La Ecalerona" que encerra uma praia com um relógio e termómetro Art déco dos anos 30 e há muito que apreciar para lá da areia e do mar.

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Ainda numa lógica de grandes passeios, nada como percorrer a "Vía Verde de La Camocha" que segue a antiga linha-férrea que suportava a actividade mineira. Não faltarão apontamentos de arqueologia industrial para quem aprecia. É caminhar numa história recente e vale, sem dúvida, os 7 km. 

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O que não pode ficar de fora também é a "Laboral Ciudad de la Cultura" o campus universitário dos anos 50 do século 20 e claramente franquista, basta olhar a arquitectura. Muitos dos edifícios franquistas não tiveram a oportunidade que este teve e nos anos 90 foi alvo de uma intervenção. Além de albergar um pólo da Universidade de Oviedo tem uma área de exposições e um teatro com 1500 lugares, sem esquecer a torre de 117 metros, o edifício mais alto das Astúrias e inspirado na Giralda de Sevilha. É impossível não sentir o peso daquela infraestrutura, Franco terá passado bem a mensagem. Um edifício magnifico a visitar ou até para assistir a uma exposição ou espectáculo, sem esquecer a passagem pelo único jardim botânico das Astúrias que é bem perto: o "Jardín Botánico Atlántico".

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Todavia, o grande atractivo de Gijón são as suas gentes, o seu centro histórico, "Cimadevilla" e todo um conjunto de monumentos que englobam o "Aynuntamiento", a "Plaza Mayor" e o "Palacio de Rebillagigedo". Caminhar pelo centro histórico é parar para "tapear", conversar e sentir a animação das ruas que dura até bem tarde, é alternar entre o passeio pelos edifícios históricos e a brisa junto ao mar. Gijón, é indubitavelmente uma cidade para se apreciar mas, mais do que isso, para se viver.

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Mais informação:

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Alberto Iglesias: uma Playlist.

por Robinson Kanes, em 18.09.19

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Imagem: http://nbclatino.com/2012/02/08/17285476487/

 

 

Ainda a semana passada falei do basco Alberto Iglesias a propósito do novo filme de Almodóvar, "Dolor y Gloria" (melhor banda sonora em Cannes). Talvez por isso, um destes finais de tarde mais recentes tenha sido dedicado a ouvir algumas das obras deste compositor apaixonante e que já é conhecido por cá há muito.

 

Começo com uma das que mais me agrada, "Los Abrazos Rotos", escrita para o filme de Almodóvar com o mesmo nome. Alberto Iglesias e Almodóvar são uma dupla que se repete por diversas vezes tornando o primeiro num quase exclusivo do segundo. "Los Abrazos Rotos" está impecavelmente composta e quem vir o filme vai perceber - não é hoje que falarei dos filmes. Esta banda sonora ganhou um Goya! Música fantástica...

"Habla con Ella" é outra das grandes obras de Iglesias. O filme bem presente, toda a emoção que o caracteriza e aquele sangre espanhol. Se "Los Abrazos Rotos" nos encosta ao sofá e nos faz fechar os olhos, esta composição não é diferente. Para mim, uma das melhores de Alberto Iglesias e que só um compositor espanhol é capaz de criar!

Esta é um clássico, "Me Voy a Morir de Amor", do filme "Lucía y el Sexo". Um estilo, mais uma vez, inconfundível, onde o erotismo e o romance surgem associados a uma certa ingenuidade que também caracterizam o filme. Aqui foi o realizador Julio Medem que soube escolher Iglesias... É impossível não entrarmos na mente de Lucía ao ouvir esta música.

"Tessa's Death" é outra das composições que admiro e que retratam o papel de Iglesias na banda sonora do filme "The Constant Gardener", mais conhecido pelo "Fiel Jardineiro". Num registo ligeiramente diferente, Iglesias mostra-nos que não é só um compositor de Espanha, é um compositor do mundo - Fernando Meirelles não poderia ter feito melhor escolha para um fime onde Ralph Fiennes e Rachel Weisz não poderiam ter estado melhores.

Uma das composições que mais me surpreendeu pela positiva! "Fly a Kite" faz parte da banda sonora de um filme que me encantou igualmente: "The Kite Runner", mais conhecido por cá, quer em livro quer em filme, pelo nome de "O Amigo de Cabul". Um filme para levantar a cabeça, para nos dar uma lição e para nos levar para um mundo real que tendemos a esquecer, isto enquanto se desenrola uma história que não vai deixar ninguém indiferente. Alonguei-me na questão do filme, mas é daquelas bandas sonoras que nos "apunhalam" mais se forem acompanhadas pelas emoções geradas com o filme.

"Kyrie", da banda sonora (mais uma de Almodóvar) do filme "Mala Educación", é já um "clássico" que não pode ser esquecido quando se fala de Alberto Iglesias. Na actualidade, só um compositor com esta categoria poderia compor uma "kyrie" com este talento, com esta força e com esta dor, formidável! Uma obra clássica de se lhe tirar o chapéu.

Quem viu "Volver", também de Almodóvar, vai reconhecer de imediato "El Año Seco". Iglesias, mais uma vez, a impressionar e mostrar porque tende a ser o favorito de Pedro Alomodóvar. Se a estrela da banda sonora é "Volver" de Estrella Morente,  o lado mais orquestral não deixa ninguém indiferente. Quiçá, para ouvir depois de Estrella Morente... 

"Pavana par Agrado" é outra composição, também de um filme de Almodóvar: "Todo Sobre mim Madre". Mais uma daquelas bandas sonoras em que a capacidade de Iglesias para se reinventar sobressai. O filme é genial e a banda sonora também - filme pesado, com uma banda sonora sui generis, não dura mas talvez cínica, talvez real.

Uma interpretação excelente de Elena Anaya em "En Tu Piel" ressalta sempre que escuto "Los Vestidos Desgarrados", mais Almodóvar e mais Banderas... Mas como é que se fica indiferente?

E podia estar aqui o resto do artigo a debitar mais composições de Iglesias... Interrogo-me como hei-de fechar esta selecção, como poderei não deixar passar nada, mas é certo que o farei, tantas músicas me afloram ao pensamento... Não vou deixar passar, vou até à década de 90 para encontrar "Tierra", música da banda sonora de mais um filme de Medem, e que tem o mesmo nome. Não posso deixar passar... Não posso...

 

 

 

 

 

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