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espana_asturias_luarca (1).jpgImagens: Robinson Kanes & GC

 

 

Cudillero fica para trás e percorremos a estrada de acesso à Autovia del Cantábrico ao som da "Agua Misteriosa" de Javier Limón com a interpretação de Shica - existem coisas de que não abdicamos e em Espanha têm outro sabor numa fusão entre Mediterrâneo e Oriente, mesmo que nas Astúrias.

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Dura pouco, até porque a "Playa Concha de Artedo" recebe-nos para um café. É preciso repor forças antes de chegar a um dos pontos altos deste dia, o "Cabo Vidio" e o seu faro.  Este farol, além da sua localização belíssima, é fundamental para os barcos pesqueiros e de recreio num mar que, de calmo, rapidamente se altera e se transforma em mala mar. O "Cabo Vidio" É um lugar com uma vista inigualável e com uma riqueza em termos de flora e fauna singulares, sobretudo em tão curto espaço.

espana_asturias_cabovidio (1).jpgCalcorreamos toda a área, inclusive a pequena aldeia... Não queremos vir embora e sentamo-nos num dos bancos que permitem vislumbrar o horizonte e é maravilhoso. Uma leve brisa, o tempo quente... Arrependemo-nos de não ter comida a bordo para ali almoçarmos e trocar uma refeição naquele local pelas confortáveis cadeiras de um restaurante. Aproveitamos aquele momento para anotar as praias que já se vislumbram ao longe e que prenderão a nossa atenção: "Playa de Vallina" e "Playa de los Campizales".

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De volta ao caminho, cansados, sentimos que é hora de parar... É hora de nos entregarmos ao silêncio na praia que tem o mesmo nome, "Playa del Silencio". Considerada uma das praias mais bonitas das Astúrias faz jus à fama. O silêncio reinante permite que relaxemos, que pensemos no que está para trás desta caminhada... É bom retemperar forças, respirar a leve brisa marinha... Leve mas retemperadora. Apetece-me abraçar-te e é o que faço e na minha alma escuto novamente Javier Limón com um "Un Trago de tu Vida".

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Continuamos, a manhã está a terminar. Temos tempo para passar em Cadavedo e dar um mergulho na sua praia! É bom, gostamos... Estamos temperados pelo mar e é isso que nos faz parar em quase todas as praias até chegarmos a Luarca. Já não nos interessa o nome das mesmas... Já só nos interessa sentir a areia, as pedras e deixar que o tempo nunca mais se esgote... As Astúrias, seja na montanha ou junto ao mar, permitem que o tempo pare e isso é um dos grandes segredos daquela região.

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É importante alimentar a alma, mas o estômago também se queixa, por isso a vila piscatória de Luarca recebe-nos para um peixe fresco acabado de sair do mar. A verdade é que também não resistimos a uma "Fabada Asturiana" e as coisas complicam-se. Também são necessárias forças para conhecer a vila do nobel, Severo Ochoa

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Percorrer as ruas de Luarca provoca-nos uma sensação estranha: cada canto coloca-nos diante dos olhos a vida de outros tempos e a vida de hoje e mesmo quando o pueblo se anima após a tarde todas essas imagens se confirmam. O farol, as casas e sobretudo a marginal e o porto são as mais-valias deste lugar, sem esquecer as pessoas e a boa comida servida numa esplanada junto ao mar.

espana_asturias_luarca_1.jpgApaixonados por vilas piscatórias ficamos a apreciar a azáfama que já se vai sentindo. Fotogramos, convidam-nos a fotografar como cada registo fosse o relato de uma vida, da vida da faina... Da vida daqueles gentes simpáticas. A verdade é que por esta hora já deveríamos estar em Lugo, mas decidimos ficar junto ao mar, a acompanhar a vida dos lobos do mar... Luarca merece.

 

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cudillero-2.jpgImagens: Robinson Kanes e GC

 

 

A manhã não está animadora quando deixamos Gijón, no entanto, depois de mais uma café em Avilés, (conhecemos Avilés de estarmos sempre a tomar café quando por lá passamos) o tempo parece colocar-se de acordo com o nosso estado de espírito. Em San Juan de Nieva o bom tempo e o mar calmo já criam a perfeita sintonia para o que se avizinha. Desta vez não queremos ir pelo interior e deixamos que seja o mar a indicar-nos o caminho até entrarmos na Galiza - ainda a uns dias e quilómetros de distância.

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O objectivo do dia, é sobretudo sentir e estar em Cudillero. No entanto, até lá e na costa entre Avilés e aquele pueblo, as praias e as escarpas são um dos atractivos principais. Não queremos perder o mar de vista, até porque as montanhas são sempre uma presença nas nossas costas quando os nossos olhos se perdem na imensidão do Cantábrico.

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Cudillero tem um interesse especial, é um daqueles locais que nos inspira e nos recorda (embora à maneira asturiana que não é melhor nem é pior, é bem diferente) locais mediterrânicos e do Adriático que encontramos mais a sul, desde Espanha até à Turquia. Além disso, é também em Cudillero que se encontra a "Fundación Selgas-Fagalde", um pouco antes de se chegar ao pueblo em si. Os jardins e o palácio tornam-na num dos tesouros artísticos e culturais mais bem escondidos do norte de Espanha.

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Mas eis que chegamos a Cudillero que, além do carácter pitoresco com as suas casas de diferentes cores e ganhando espaço à montanha, também se tornou curioso para nós, apaixonados pela cultura dos "pexins vs lavradores" um pequeno apontamento etnológico. Também aqui "existe" uma divisão social bastante vincada, com os "Mariñana" (os habitantes que estão junto ao mar, sejam eles lavradores ou pescadores), com os "Xalda" (os que vivem no interior, maioritarieamente da terra) e os "Vaqueira" (os pastores da montanha, os mais isolados da comunidade).

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No entanto, se aprofundarmos ainda mais e deixarmos toda a área de influência do Ayuntamiento encontramos uma outra divisão somente em Cudillero composta pelos "pixuetos" (os pescadores) e pelos "caízos" (vivem na rua principal e tendem a dedicar-se ao comércio). Temos a sorte de encontrar habitantes a falar "pixueto", um dialecto local. É fantástico, faz-nos querer ouvir mais e ficar por ali para almoçar, o mar e aquelas gentes são a companhia perfeita num dos locais mais bonitos das Astúrias e até do norte de Espanha.

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É dia de mercado e também é dia de faina, há peixe fresco e por isso não resistimos à "Merluza del Pincho" e a um "Pixín a la Plancha". Pescada ao anzol e um tamboril grelhado, não pode haver melhor, sobretudo quando o cheiro do mar (bastante intenso) e o cheiro do prato quase não se distinguem. Não é difícil comer bem nas Astúrias, seja no interior, seja junto ao mar sobretudo se os passeios junto à "Playa de Oleiros", "Playa del Silencio", "Playa de Riocabo" e a "Playa Concha de Artedo" abrirem o apetito como abriram.

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Admiráveis praias não faltam para tornar todo este cenário único que não promete desaparecer, sobretudo porque se segue toda a costa asutriana até Figueras e Castropol, onde estas encontram, do outro lado da Ria del Eo, a também pitoresca Ribadeo, já na Galiza.

 

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Gijón: Para se Visitar e Para se Viver.

por Robinson Kanes, em 19.09.19

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Imagens:  GC

 

Depois de Oviedo, torna-se obrigatório rumar a Gijón, duas cidades claramente diferentes... Uma bastante mais interior, já a outra, uma cidade marítima e com muitas das caracteristicas que marcam estas cidades.

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Chegar a Gijón é encontrar uma cidade mais airosa que a "rainha" Oviedo... Oviedo apresenta-se como uma cidade monumental, histórica. Gijón tem tudo isso e a vontade de também lá viver. É bom sentir que um lugar é apetecível para lazer mas também para habitar. Gostamos de Gijón  pela sua história, pelas lindissímas caminhadas que proporciona junto ao mar, seja numa lógica mais urbana seja numa outra mais natural. Gostamos da gastronomia, ou não tivesse o lado piscatório, gostamos da vida, cultura e encanto que esta cidade que não deixa de ser vibrante, bem pelo contrário - é uma cidade que convida e com vida, onde o industrial, o histórico e até o romântico se misturam - algo muito difícil de conseguir.

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Não somos só nos que gostamos de Gijón, já os romanos gostavam e em "Campo Valdés" construiram umas termas. Terão ficado encantados pela frente de mar e sobretudo pela imagem que, quem está sob as águas consegue ter - a cidade e as montanhas lá atrás. Eduardo Chillida não poderia ter mais inspiração para criar o "Elogio del Horizonte", o símbolo da cidade, pelo menos o turístico. Gijón é uma cidade para ser aproveitada  quer por quem a visita quer por quem lá vive e isso sente-se nas ruas.

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Chegamos ao "Cerro de Santa Catalina", o coração da cidade e a linha de defesa da mesma. Este parque é um convívio com o mar e com a demais natureza que o completa. Um dos melhores passeios à beira-mar das Astúrias. É óptimo para complementar com um passeio pela extensa praia de areia amarela, a "Playa de San Lorenzo". É fantástico se assumirmos que estamos dentro da cidade. O pôr-do-sol nesta praia é uma delícia e com a companhia de uma "Estrella Damm" nada pode ser mais perfeito. Juntem a esta a "Playa de Poniente" (bem perto está o "Acuário de Gijón") , conhecida pelo fogo de artifício no São João e a "La Ecalerona" que encerra uma praia com um relógio e termómetro Art déco dos anos 30 e há muito que apreciar para lá da areia e do mar.

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Ainda numa lógica de grandes passeios, nada como percorrer a "Vía Verde de La Camocha" que segue a antiga linha-férrea que suportava a actividade mineira. Não faltarão apontamentos de arqueologia industrial para quem aprecia. É caminhar numa história recente e vale, sem dúvida, os 7 km. 

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O que não pode ficar de fora também é a "Laboral Ciudad de la Cultura" o campus universitário dos anos 50 do século 20 e claramente franquista, basta olhar a arquitectura. Muitos dos edifícios franquistas não tiveram a oportunidade que este teve e nos anos 90 foi alvo de uma intervenção. Além de albergar um pólo da Universidade de Oviedo tem uma área de exposições e um teatro com 1500 lugares, sem esquecer a torre de 117 metros, o edifício mais alto das Astúrias e inspirado na Giralda de Sevilha. É impossível não sentir o peso daquela infraestrutura, Franco terá passado bem a mensagem. Um edifício magnifico a visitar ou até para assistir a uma exposição ou espectáculo, sem esquecer a passagem pelo único jardim botânico das Astúrias que é bem perto: o "Jardín Botánico Atlántico".

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Todavia, o grande atractivo de Gijón são as suas gentes, o seu centro histórico, "Cimadevilla" e todo um conjunto de monumentos que englobam o "Aynuntamiento", a "Plaza Mayor" e o "Palacio de Rebillagigedo". Caminhar pelo centro histórico é parar para "tapear", conversar e sentir a animação das ruas que dura até bem tarde, é alternar entre o passeio pelos edifícios históricos e a brisa junto ao mar. Gijón, é indubitavelmente uma cidade para se apreciar mas, mais do que isso, para se viver.

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Alberto Iglesias: uma Playlist.

por Robinson Kanes, em 18.09.19

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Imagem: http://nbclatino.com/2012/02/08/17285476487/

 

 

Ainda a semana passada falei do basco Alberto Iglesias a propósito do novo filme de Almodóvar, "Dolor y Gloria" (melhor banda sonora em Cannes). Talvez por isso, um destes finais de tarde mais recentes tenha sido dedicado a ouvir algumas das obras deste compositor apaixonante e que já é conhecido por cá há muito.

 

Começo com uma das que mais me agrada, "Los Abrazos Rotos", escrita para o filme de Almodóvar com o mesmo nome. Alberto Iglesias e Almodóvar são uma dupla que se repete por diversas vezes tornando o primeiro num quase exclusivo do segundo. "Los Abrazos Rotos" está impecavelmente composta e quem vir o filme vai perceber - não é hoje que falarei dos filmes. Esta banda sonora ganhou um Goya! Música fantástica...

"Habla con Ella" é outra das grandes obras de Iglesias. O filme bem presente, toda a emoção que o caracteriza e aquele sangre espanhol. Se "Los Abrazos Rotos" nos encosta ao sofá e nos faz fechar os olhos, esta composição não é diferente. Para mim, uma das melhores de Alberto Iglesias e que só um compositor espanhol é capaz de criar!

Esta é um clássico, "Me Voy a Morir de Amor", do filme "Lucía y el Sexo". Um estilo, mais uma vez, inconfundível, onde o erotismo e o romance surgem associados a uma certa ingenuidade que também caracterizam o filme. Aqui foi o realizador Julio Medem que soube escolher Iglesias... É impossível não entrarmos na mente de Lucía ao ouvir esta música.

"Tessa's Death" é outra das composições que admiro e que retratam o papel de Iglesias na banda sonora do filme "The Constant Gardener", mais conhecido pelo "Fiel Jardineiro". Num registo ligeiramente diferente, Iglesias mostra-nos que não é só um compositor de Espanha, é um compositor do mundo - Fernando Meirelles não poderia ter feito melhor escolha para um fime onde Ralph Fiennes e Rachel Weisz não poderiam ter estado melhores.

Uma das composições que mais me surpreendeu pela positiva! "Fly a Kite" faz parte da banda sonora de um filme que me encantou igualmente: "The Kite Runner", mais conhecido por cá, quer em livro quer em filme, pelo nome de "O Amigo de Cabul". Um filme para levantar a cabeça, para nos dar uma lição e para nos levar para um mundo real que tendemos a esquecer, isto enquanto se desenrola uma história que não vai deixar ninguém indiferente. Alonguei-me na questão do filme, mas é daquelas bandas sonoras que nos "apunhalam" mais se forem acompanhadas pelas emoções geradas com o filme.

"Kyrie", da banda sonora (mais uma de Almodóvar) do filme "Mala Educación", é já um "clássico" que não pode ser esquecido quando se fala de Alberto Iglesias. Na actualidade, só um compositor com esta categoria poderia compor uma "kyrie" com este talento, com esta força e com esta dor, formidável! Uma obra clássica de se lhe tirar o chapéu.

Quem viu "Volver", também de Almodóvar, vai reconhecer de imediato "El Año Seco". Iglesias, mais uma vez, a impressionar e mostrar porque tende a ser o favorito de Pedro Alomodóvar. Se a estrela da banda sonora é "Volver" de Estrella Morente,  o lado mais orquestral não deixa ninguém indiferente. Quiçá, para ouvir depois de Estrella Morente... 

"Pavana par Agrado" é outra composição, também de um filme de Almodóvar: "Todo Sobre mim Madre". Mais uma daquelas bandas sonoras em que a capacidade de Iglesias para se reinventar sobressai. O filme é genial e a banda sonora também - filme pesado, com uma banda sonora sui generis, não dura mas talvez cínica, talvez real.

Uma interpretação excelente de Elena Anaya em "En Tu Piel" ressalta sempre que escuto "Los Vestidos Desgarrados", mais Almodóvar e mais Banderas... Mas como é que se fica indiferente?

E podia estar aqui o resto do artigo a debitar mais composições de Iglesias... Interrogo-me como hei-de fechar esta selecção, como poderei não deixar passar nada, mas é certo que o farei, tantas músicas me afloram ao pensamento... Não vou deixar passar, vou até à década de 90 para encontrar "Tierra", música da banda sonora de mais um filme de Medem, e que tem o mesmo nome. Não posso deixar passar... Não posso...

 

 

 

 

 

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O Pré-Românico Asturiano e Oviedo...

por Robinson Kanes, em 11.09.19

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Imagens: Robinson Kanes e GC

 

 

Os Picos da Europa começam a ficar para trás. Numa gasolineira, de uma marca portuguesa, e após os meus comentários, dizem que todos os portugueses se queixam do preço dos combustíveis em Portugal sendo que, em Espanha, os impostos sobre os produtos pretrolíferos também são elevados.

Carro atestado, e à semelhança do que havia pensado, o caminho até Oviedo não foi directo. É preciso viajar na História, é preciso subir mais montanhas e ir ao encontro de igrejas quase milenares e admirar o pré-românico asturiano classificado como Património da Humanidade!

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Vindos dos Picos da Europa, começamos por aquela que nos suscita, talvez maior interesse e nos obriga a um desvio, a Ermida de Santa Cristina de Lena, no vale do "Río Lena" e cuja data de construção aponta para o ano de 850! Podemos chamar desvio ao facto de termos acedido a esta ermida via Parque Natural de las Ubinãs - La Mesa - Esta gente não consegue deixar os montes da cordilheira cantábrica, enfim... Chegados à Ermida, admiramos toda aquele pequeno monumento mas que respira história, muita história...

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Tantos séculos, anos e dias, continua imponente naquela colina apenas acordada pelo ruído da via rápida que fica uns quilómetros abaixo. Conversamos com os locais, percebemos que metemos o carro onde não deviamos mas nem isso tira a simpatia àquelas gentes... Imaginamos aquela Ermida noutras épocas, sem estradas e apenas com o pueblo atrás de si. Quantos não terão perdido aqui horas a admirar a paisagem que se abre ao longo das montanhas e que este pitoresco ponto permite contemplar com agradável decoro...

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É hora de partir, além disso já se comia qualquer coisa... Como tinhamos a noção de que nos poderíamos "perder" pelo parque natural viemos prevenidos... Enlatados, fruta e muita água. Não fomos a restaurantes glamourosos e entregámo-nos ao glamour de "las Ubiñas". 

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Agora sim, seguimos em direcção a Oviedo onde, num dos montes que ladeia a cidade, encontramos mais dois magnificos monumentos pré-românicos e também Património da Humanidade: a "Iglesia de San Miguel de Lillo" e o "Palacio Ramiro", conhecido como "Santa María del Naranco". Mais visitados, estes dois monumentos são duas das principais atracções da cidade! Olham para Uviéu bem lá de cima e são obras-primas da arquitectura que, de uma forma simples e pequena fascinam todos aqueles que os visitam. Por ali nos quedamos um pouco. É preciso digerir, com calma... Ainda nos espera o centro de Oviedo e toda a azáfama da capital do principado.

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Oviedo é a típica cidade antiga e até algo escura... Mas estamos em Espanha, e mesmo a norte, a animação é constante, as ruas falam, vivem... Como não poderia deixar de ser, procuramos deixar o carro perto da "Camilo de Blas", uma pastelaria fantástica, daquelas bem antigas e onde nos acompanha o café dois apetecíveis carbayones. Tenho de admitir, contudo, que o melhor momento em termos de comidas e bebidas foi ao balcão de uma bela tasca perto da catedral.

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Carregados de açúcar, nada como começar pela Catedral. É impossível ignorar este monumento que se localiza na "Plaza de Alfonso II", especialmente a sua torre gótica! Como seria de esperar, encontramos muitos peregrinos (é um ponto de passagem para quem faz este Caminho de Santiago"). O interior é belo, austero como gostamos, e a "Cámara Santa" um dos seus maiores atractivos, além das jóias e das reliquias que ignoramos - admito que é algo que não nos fascina.

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Caminhamos pela zona, esta cidade medieval com todas as suas torres tornam-na apetecível para nós. Faz-se, contudo, sentir algum frio, é preciso aquecer, mas na rua... Qual a melhor escolha? A "Plaza del Fontán" que deve o seu nome ao facto de aí ter existido uma pequena lagoa! É aí que também se localiza o mercado e lojas com coisas bem interessantes, sobretudo para quem gosta de comer... É um local extremamente movimentado, não fosse também uma forte zona de comércio e próxima da "Plaza del Ayuntamiento" e da "Plaza de Abastos". É por aqui que se sente Oviedo, é por aqui que queremos estar...

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A visita ao "Museo de Bellas Artes" é obrigatória, a paixão pela arte obriga-nos. Somos obrigados também a correr até ao "Teatro Campoamor" no sentido de saber se há espectáculo. Nunca percebemos bem porquê, mas sempre quisemos pisar este espaço.

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No entanto, Oviedo é feito das caminhadas pelo seu "casco histórico", é passar pela Universidade e terminar para umas compras na "Calle Uría", ligeiramente mais moderna. É a cidade antiga por excelência, é a capital do "reino"... Despedimo-nos do "interior", o dia seguinte já será junto ao mar, ainda nas Astúrias e numa cidade que, estranhamente, nos conquistou logo após a primeira visita.

 

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Imagens: Robinson Kanes e GC

 

 

Novo dia e mais um pequeno-almoço em Labra - bem rico e o cachopo que ainda por cá continua a dar forças, sem esquecer as vieiras. Não falei das vieiras à Asturiana, mas são qualquer coisa... Casa María é o nome do restaurante, mesmo à beira da AS-114. Simpatia e uma comida divinal. 

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Mas hoje é dia de colmatar algumas falhas, nomeadamente ir até Tielves e Sotres (Monte Camba) - recomendação dos locais, os melhores conselheiros. Desta vez, deixamos Bulnes... Gostamos de Bulnes quando alcançado pelo caminho da montanha - gastar uma fortuna num transporte sem qualquer vista não nos convence (a nós e a todos os asturianos com quem falámos). A estrada que liga a Tielves e sobretudo a Sotres é por si só um verdadeiro monumento. Sotres, a 1050 m de altitude, é uma das aldeias mais altas das Astúrias e é também aí que o Cabrales tem um dos seus pontos de referência - só isso já justifica a ida, sobretudo depois de não resistirmos ao Cabrales entretando comprado em Cangas de Onìs. Gostamos de Sotres, gostamos daquele vale enorme que nos acompanha e nos transporta para uma espécie de alpes espanhóis... É algo único, e onde as montanhas falam, as pedras têm vida, e isso não conseguimos encontrar nos Alpes que ficam mais ao centro da Europa.

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Em Sotres caminhar é a palavra de ordem, caminhar e ter preparação para... Se é para caminhar, então que amemos efectivamente os Picos da Europa e possamos ir conversando com cada pedra, com cada brisa, caso contrário... Será uma simples caminhada. Em Sotres existe uma queijaria... Mais queijo Cabrales? Por favor, Robinson...

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É hora de voltar e percorrer caminhos e vales apaixonantes, é tempo de parar em Tielves e fechar os olhos - apertamos as mãos e deixamo-nos descair um pouco na cadeira. De olhos fechados, regressamos aos Lagos de Covadonga e àquela caminhada. É tempo de nos recordarmos do objectivo principal da visita ao local, avistar a águia-imperial-ibérica... Fantástico... Parece que se juntaram de propósito em voos rasgados ou simplesmente a planear para nos agradecerem a nossa presença. Ver aqueles gigantes dos ares é qualquer coisa. Tão perto que praticamente são dispensados os binóculos. Não pensamos em fotografias, queremos simplesmente assistir ao espectáculo e voar. Aquando da partida, pode ser que se tire qualquer coisa.

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A preservação desta ave de presa (espécie vulnerável e protegida) está a ter grande sucesso em Espanha, infelizmente em Portugal, nem por isso. Voamos, deixamo-nos voar... Acho que reparam no pin que transporto no exterior da mochila: uma águia-imperial-ibérica! Começam a voar por cima de nós e é mágico. Uma forte neblina, em segundos, abate-se sobre nós, ficamos parados na direcção do ponto de referência para onde queremos ir. No entanto, e estamos nas Astúrias, a neblina desaparece à velocidade que chegou e todo aquele espectáculo revela-se diante de nós, mais uma vez. A experiência repete-se várias vezes... Enchemos a barriga, mas não queremos voltar... Começa a chover, o frio tende a ser mais gelado mas nada nos demove... 

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Acordamos... Ainda queremos parar em Poncebos e fazemo-nos ao caminho... É hora de descansar um pouco e decidir onde jantar, o que, nas Astúrias, não é propriamente a tarefa mais complicada. Resistimos à Fabada e amanhã é dia de deixar a alta montanha e entrarmos em Uviéu (asturiano), ou se preferirem, Oviedo... Mas, como sempre, temos a sensação que o caminho não será assim tão linear.

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Chega a noite, e não descansamos como os pastores, mas o nosso anfitrião consegue que nos sintamos como verdadeiros asturianos no aconchego do seu pequeno hotel.

 

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Astúrias: de Labra para a Ruta del Cares.

por Robinson Kanes, em 05.09.19

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Imagens: Robinson Kanes e GC

 

 

Em Labra o amanhecer é surpreendente. Durante a noite nevou nas montanhas e dpois de um pôr do sol com cores únicas, a alvorada é preenchida com a névoa a desvanecer deixando as montanhas com os cumes pintados de branco.

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Depois de um pequeno-almoço bem composto, pois o dia prometia: o objectivo era apreciar o "Picu Urriellu", mais conhecido por "Naranjo de Bulnes". O caminho torna-se "duro" de Labra a Poncebos e as paragens são constantes... Para-se, caminha-se, volta-se ao carro e mais meia dúzia de quilómetros um novo ritual. Começar cedo é fundamental, sobretudo se, nos planos, estiver a "Ruta del Cares".

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E eis que, entre o nevoeiro, a montanha mostra-se! O primeiro objectivo fica concluído, não "escalámos" a montanha, não era essa a pretensão - mais que isso queríamos ver aquele monumento de pouco mais de 2500 m a mostra-se, entre outras montanhas, aos nossos olhos - admirável!

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Mas o "melhor" do dia está para vir, nomeadamente os 24 km entre Poncebos e Caín de Valdeón, sempre com o rio Cares a dividir os dois desfiladeiros. Começamos em Poncebos (Astúrias) e contamos terminar em Caín (Castilla y León). A "Garganta Divina" permite-nos hoje que a percorramos devido ao acesso criado em 1950, acesso que permitiu o acesso para manutenção do canal de água entre Caín e Poncebos - canal esse que desde o primeiro quartel do século XX já estava em funcionamento. 

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É esse o percurso que, embora em altitude, raramente obriga a grandes subidas, excepto nos primeiros 2/3 km (direcção Poncebos - Caín). É um facto que estamos perante um percurso que tende a ser considerado de baixo risco, embora não seja essa a nossa opinião - o risco está sempre iminente, estamos a uma altitude elevada e além do caminho ser estreito não existe qualquer protecção (é assim que tem de ser). Já foram registados muitos casos de quedas (com mortos), sem esquecer que a travessia no Inverno tende a ser perigosa, devido ao gelo/frio e ao perigo de queda de pedras. O Verão pode ser mais calmo e é muito aconselhado por quem já visitou e fala do local, mas em dias muito quentes, quem não estiver preparado e hidratado pode meter-se em sarilhos. No Verão a queda de pedras é um risco também, sobretudo devido às cabras da montanha.

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A tudo isto, temos de juntar o número de pessoas que, novamente no Verão, pois consta que é bastante elevado, aumenta o risco de nos encontrármos com os peritos do trekking instagrameiro que, com roupas compradas horas antes para o look desportivo e aventureiro, arriscam demasiado.

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Questões logísticas à parte, entramos numa nova dimensão... Num local onde somos nós e a natureza! A beleza da montanha, o rio lá em baixo e por vezes os canais a correrem lado-a-lado connosco, é simplesmente apaixonante. É a oportunidade de vermos e contactarmos com as cabras da montanha em autêntico trapézio, o uivo dos lobos e um pastor a correr montanha acima preocupado com o rebanho.

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É calcorrear um caminho que já perto de Caín nos oferece a oportunidade de molhar o rosto nas águas frias do Cares, é passar dentro das rochas, é parar e sentir a humidade e os cheiros da terra e dos minerais. 

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A chegada a Caín é, mais do que um alívio, é um objectivo cumprido e a oportunidade de repor energias! Atacamos os enlatados, os frutos secos, os ovos cozidos e a água. No entanto, Caín, outrora terra de pastores, tem agora no turismo o seu sustento, pelo que tem alguns pequenos cafés e restaurantes - não resistimos a ir comprar pão e queijo cabrales para nos alimentarem para o regresso! Enquanto almoçamos, partilhamos o espaço junto ao cemitério com caminhantes franceses: queijo, vinho de Bordéus, enchidos franceses, falamos muito de Saint-Malo e da Bretanha - temos a a típica imagem de portugueses e franceses à mesa - não aceitamos o vinho, não ajuda ao caminho.

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Ao nosso lado, a Igreja e o cemitério oferecem-nos uma vista única sobre os picos e aproveitamos para prestar homenagem àqueles que morreram a escalar os mesmos. É tempo de silêncio que é interrompido com um "merci a vous, au revoir". Tomamos um café, um espaço com um anfitrião muito simpático e que nos obrigou a colocar no lugar um grupo de portugueses (professores de velha guarda em época de correção de exames) cujo complexo de inferioridade estava a reflectir-se com algum desrespeito no simpático proprietário. Agora partimos com um "venga, hasta luego" e fazemo-nos ao caminho. Os professores ficaram a pensar que éramos espanhóis...

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Mais uma oportunidade para nos maravilharmos... Não queremos deixar aquele local e só já pensamos em 2020 para percorrer o que falta do Parque Natural de Somiedo, já a sudoeste de Oviedo. Pelo caminho novo encontro com portugueses, desta vez com um "Wait!Wait! Só sei dizer isto porra". A companheira de viagem desta senhora aliviava-se agora a meio do caminho! Mais um postal de bom português.

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Estamos a chegar e prestes a terminar mais um dia... Amanhã voltamos à montanha, agora é hora de ir tomar banho, comer um "Cachopo" e cair na cama que o dia seguinte promete ser longo...

 

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Ribadesella e uma Praia Asturiana...

por Robinson Kanes, em 19.08.19

ribadesella_asturias.jpgImagens: Robinson Kanes

 

A vida é feita, bem o sabemos, de pequenos nadas que é o que mais conta para o nada que somos no fácil e correntio.

Vergílio Ferreira, in "Conta-Corrente III"

 

As montanhas estão cada vez mais perto, aliás, em Llanes já se mostravam na sua supremacia terrestre suprema mas, e embora uma paixão pela altitude e pelos mistérios dos montes, custa-nos deixar o mar... E é por isso que seguimos o "Sella" até Ribadesella!

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Custa-nos deixar o forte aroma que vem do Cantábrico e talvez por isso fiquemos presos a Ribadesella, mais um pequeno porto, mais um pequeno estuário, mais um encontro entre os pálidos rios da montanha e o mar em toda a sua força - até "esquecemos" o Património da Humanidade, a "Cueva de Tito Bustillo" e nos deixamos encantar por um passeio na marginal junto ao rio (o "Sella"). Caminhamos até onde este beija o mar, uma caminhada na areia ("Playa de Santa Marina") onde também partilhamos um beijo celebrando esse encontro e onde o vento faz convidado.

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Ribadesella é aquele local de veraneio com cariz de norte da Europa, afinal os Picos da Europa estão mesmo ali, Cangas de Onis (uma das portas de entrada) é bem perto... As casas demonstram um apetite das famílias pelo local e também da própria aristocracia, afinal estamos num Principado onde a comunhão de um povo de forte e nobre raça se une a uma aristocracia secular.

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Mais uma sidra? Ainda é cedo e a tortilla de Llanes ainda faz "estragos" no estômago. Contemplemos o mar e aproveitemos para percorrer a cidade, junto às docas, cheira a peixe fresco que trocou as caixas de madeira pela esferovite...

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Despedimo-nos de Ribadesella com um até já, até porque temos curiosidade com o pôr-do-sol. Mais uns quilómetros, mais uma alteração de planos, se é que os mesmos existem... Não resistimos, contudo, e queremos terminar a manhã junto ao mar... Acabamos junto a uma praia, uma praia asturiana com uma "Estrella Galicia" na mão e um sorriso a cada gole enquanto alguém, ao longe... tal como nós, conversa com o mar e deste recebe em troca toda a sua venustidade. Recordo Michael Nyman, aliás, Michael Nyman pelas mãos de Valentina Lisitsa com "Time Lapse" - banda sonora do filme "A Zed & Two Noughts". Porquê? Não sei... 

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Regresso ao Passado em Santillana del Mar...

por Robinson Kanes, em 05.08.19

IMG_0050.jpgImagens: Robinson Kanes

 

A estrada deve levar-nos directos a Comillas. A A8 (Autovía del Cantábrico) é demasiado rápida para os nossos intentos... A Cantábria traz-nos a recordação da Bretanha e da Normandia até que entre Santander e o destino final esbarramos com Santillana del Mar!

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Voltamos atrás no tempo, além disso, uma sidra já não cai mal, sobretudo se vier acompanhada com uma tapa de morcela de arroz... Santillana del Mar é voltar atrás no tempo, como tantas outras vilas da Cantábria e de Espanha - começa na senhora com perfil de século XIV que nos cobrou o estacionamento. A "vila das três mentiras" (não é santa, não é plana nem fica perto do mar) transporta-nos para uma época distante onde o casario cantábrico salta à vista.

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O turismo é agora, muito provavelmente, a grande alavanca económica da vila, no entanto, a simpatia com que cada um de nós é atendido nas lojas, nos cafés e por todos aqueles que amam a sua vila é de sublinhar, constrastando talvez com os ferozes habitantes de outros tempos que andavam por Altamira, bem perto.

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O grande destaque é a "Colegiata de Santa Juliana" que entre o casario e os campos nos apresenta uma arquitectura singular de influências românico-góticas não datasse a mesma de finais do século XI, embora tenha origens no século IX ("Monasterio de Santa Juliana"). É o mais importante marco românico da região e isso é mais que suficiente para provocar alterações na rota!

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Bem... Isso e trazer dois sacos carregados de "Corbatas de Santillana del Mar", "Quesadas" (que em vácuo aguentam dias de viagem), "Piedras", "Sobaos" e muitas "Palmeras de Chocolate" - basicamente palmiers de chocolate mas com menos açúcar e bem mais... Enfim, saborosos? Este website tem algumas das receitas destes doces tradicionais e o lado bom é que podemos encomendar online! É uma pouca vergonha, admito, mas... Enquanto houver espaço na bagageira e uma praia como a de Santa Justa para destruir, qual monstro das bolachas, os palmiers... Nada a fazer...

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É hora de regressar à estrada e agradecer à senhora de ar medieval...

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valladolid.jpgImagens: Robinson Kanes

 

Valladolid sempre teve um significado especial, não só pela sua universidade que é uma das mais antigas do mundo mas também pela importância que tem para a língua castelhana. A isto, acresce o facto de ser um ponto de passagem de muitos emigrantes e camionistas no "acesso à Europa". Parar torna-se obrigatório, embora muitos não o façam e percam uma excelente oportunidade de ficarem mais ricos...

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Chegar a Valladolid não fascina, sobretudo se viermos de Salamanca ou até mesmo do calor "extremeño", no entanto, depois de uma caminhada junto ao Pisuerga (que é afluente do Douro), podemos ficar a conhecer melhor uma cidade que, à semelhança de todas as cidades espanholas, tem nas pessoas a sua força, o seu ritmo e a sua vida. 

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Comecemos junto ao edifício do "Instituto Zorrila" e encontramos o "Colegio de San Gregorio" que além da beleza em termos de arquitectura é também o "Museo Nacional de Escultura" - só por isto já vale a pena passar uns dias nesta cidade. Passar umas horas a admirar muito do que a escultura espanhola é um bom início! Adicionem o facto de, praticamente na mesma praça (Plaza de San Pablo), terem a "Iglesia de San Pablo", com uma fachada singular e o "Palacio Real"

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Mas Valladolid, ao contrário do que possa parecer, é uma cidade grande... Se seguirem pela "Plaza de San Pablo" e entrarem na "Calle de las Angustias", rapidamente atravessam um relvado onde, no lado esquerdo, encontram a "Iglesia de Santa María la Antigua": uma igreja interessante, austera e onde o românico e o gótico se misturam de um modo particular! Se continuarem em direcção à Catedral, ainda vão passar pelas ruínas da "Colegiata de Santa María la Mayor" - se gostam de ruínas, têm aqui, na "Plaza de Portugalete" um com que se deliciar. 

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E eis que chegamos à Catedral, ou melhor, "Catedral de Nuestra Señora de la Asunción"... É austera, o que me agrada, no entanto, está longe de ser uma das mais bonitas de Espanha... Quem espera encontrar grande monumentalidade não terá grande sorte, o que não impede a visita, bem pelo contrário. Uma desculpa para ficar por aqui pode ser a oportunidade para "pinchar" algo... Não faltam locais para comer e beber qualquer coisa, embora, em Valladolid a diferença entre espaços de "tapeo" seja pouca.

 plaza_mayor_valladolid.jpgIglesia de Santa María la Antigua valladolid.jpg

Esperem! Não abandonem esta área sem apreciar a estátua de Cervantes e a Universidade! É mesmo ao lado da Catedral, não há como deixar para trás! Depois de deixarem a Cervantes um grande obrigado pela herança que nos deixou, o ideal seria descer imediatamente pela "Plaza de Libertad", apanhando a "Calle Ferrari" para chegarem à "Plaza Mayor", uma das imagens de marca da cidade - aliás, qual é a Plaza Mayor em Espanha que não é uma imagem de marca da respectiva cidade ou vila? No entanto, é preciso uma paragem obrigatória: a "Pasaje Gutiérrez"! (Maldição! Tenho as fotos num outro local... Fica prometida a partilha e com o bónus do "Palacio Pimentel"). É nesta pequena galeria que encontramos alguns cafés deveras interessantes e com um gosto bem particular, o ideal para beber um copo ou até jantar! Muito se fala de Milão, por exemplo, mas toda aquela sumptuosidade, em meu entender, tende a ser absorvida pelo ambiente deste local! Agora sim, "Plaza Mayor"! Aproveitem e bebam uma "Mahou 5 estrellas" enquanto apreciam a torre do relógio e o Ayuntamiento.

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E como o dia pode estar a acabar, nada como aproveitar o fim de tarde para passar na "Academia de Caballería" onde podem encontrar, além do espectacular edifício, um excelente "arsenal" de artefactos que retratam muito do que foi e é a cavalaria em Espanha. Contudo, porque os finais de tarde são longos em Espanha, dar um passeio mais romântico pelo "Campo Grande" é fundamental para fazer divergir novamente a atenção para quem nos acompanha. Mas cuidado, os patos e os pavões são reis neste ecossistema!

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A noite aproxima-se, por isso, existindo cartaz, nada como agendar um programa no "Teatro Calderón de la Barca", isto antes de "salir de copas", isso é fundamental para um dia/noite bem passada nesta cidade de Castilla y León.

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Ao acordar, no dia seguinte, rapidamente ficamos com a ideia de que como destino final ou como mera paragem de uma longa viagem, Valladolid "nos encanta" e tem aquela magia especial que tende a não se mostrar após um primeiro olhar. Não podia faltar a poesia ou não tivesse nascido aqui o poeta José Zorrilla.

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Muito importante! O Mercado, o "Mercado del Val"... Como em qualquer cidade, é uma visita obrigatória e acima de tudo uma oportunidade de encher o saco, especialmente se pudermos trazer os produtos frescos connosco! Estes espaços têm sempre um encanto especial que vai para lá das fotografias... Os cheiros, as pessoas e a história, toda uma cultura nos corredores e nas bancadas... E também na carteira...

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