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Também tu, ISCTE?

por Robinson Kanes, em 04.07.19

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Créditos: https://www.theguardian.com/culture/2016/jan/04/how-we-made-the-usual-suspects-bryan-singer-gabriel-byrne

 

Um dos meus cursos superiores foi obtido no ISCTE-IUL em Lisboa. Um lugar interessante, e também com uma forte componente política por detrás, sobretudo voltada à Esquerda (por vezes, demasiado à Esquerda) e por alguns indivíduos que, à semelhança de tantas outras instituições de ensino superior, ao invés de darem algo de novo ao mundo, regozijam-se com a masturbação intelectual.

 

Também lá conheci gente muito interessante, alguns que até me deixaram surpreso, pela proximidade com alguns Governos, nomeadamente o de Sócrates. Um dos melhores professores que tive, era um socrático de "primeira apanha", passo a expressão, mas também um excelente professor e ser-humano.

 

Mas o que me custa a digerir é o facto do ISCTE-IUL, em mais um dos seus "Executive Masters"  não vou divulgar qual, ter caído na tentação de atrair os do costume...

 

E quem são os do costume? São aqueles que estão sempre nas revistas da especialidade, em eventos (muitas vezes criados e financiados pelos próprios), nos jantares habituais de maçonaria rasca de determinada actividade profissional. São aqueles que ninguém conhecia até começarem a aparecer e a trocarem favores e dinheiro por prémios em "galas" da especialidade... São aqueles que em plenos pulmões, nas redes sociais e não só, se queixavam de terem sido corridos de um banco falido, e declamarem poesia relacionada com o facto dos amigos não nos darem um "tacho" quando não temos trabalho (já pensaram em mérito, esforço e envio de CV?). Aposto que um deles não está presente porque a recente crise numa empresa onde também auferia prémios por nada ter feito estalou...

 

São os mesmos que em duas conferências não me conseguiram dar casos práticos ou exemplos daquilo que diziam praticar... São também aqueles que dominam determinadas posições em muitas organizações e não há forma de sairem - alguns, quando abandonam são forçados mas logo os amigos estão lá para ajudar. São aqueles que usam e abusam da posição mas em termos de trabalho feito e novos horizontes, nada...

 

São aqueles que são e lambem as botas de figuras que dominam certos sectores e cujo domínio não é propriamente pelo bom trabalho - são os dinossauros de discurso balofo e das quintas habituais. São também aqueles que escrevem livros, não respondem a emails profissionais, mas estão sempre atentos aos emails pessoais e às reuniões paralelas... São aqueles que pouco sabem, não querem que os outros saibam ou até sejam vistos... E como existe disso por cá! Alguns dos conflitos mais absurdos que tive era quando (pares portugueses) me questionavam o porquê de "enviar" este ou aquele colaborador para eventos, formações e até "show off" ao invés de ir eu!

 

São aqueles que falam de mérito e reconhecimento mas na vida nunca disseram um obrigado - também não admira, tal é a velocidade com que dão entrevistas, sobretudo a revistas que ninguém compra. Alguns são bem conhecidos na praça por passarem mais tempo no salão de cabeleireiro ou em determinados restaurantes a tratar de assuntos pessoais e da imagem do que no trabalho. E atenção: não estou a falar de cargos em que isso é importante para a organização!

 

Desta vez não havia necessidade ISCTE, até porque basta olhar para algumas das nulidades que estão no curso para perceber que todos os outros trazem um empurrãozinho dos próprios - além de que os favores são para pagar e dar umas aulas e sempre nos fazem carregar a obrigação de contratar determinado fornecedor de serviços.

 

Com tanta gente boa por aí, não era necessário embarcar nos bafientos do costume...

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Leitura do Dia: Education at a Glance 2018!

por Robinson Kanes, em 13.09.18

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Créditos https://www.irishtimes.com/news/science/the-reason-why-modern-teaching-methods-don-t-work-1.2115219

 

É só mais um estudo... Um estudo que nunca se poderá dizer que é infalível - mas também não é só irmos atrás da comunicação social e esperar que sejam estes a dar-nos as respostas.

 

Também não é a ter pena de quem trabalha 20 anos e "só" aufere 1700 euros ilíquidos por mês que podemos ter pena de uma classe. Ver como vi professores a queixarem-se da triste sorte é no mínimo hilariante, vale-nos o facto de que ninguém se lembrou daqueles "extras" que também surgem no recibo de vencimento e aumentam os salários. Tenhamos também pena de quem (não são todos, de facto) tem trabalho garantido para a vida ou pode sempre abandonar o mesmo e procurar melhor (mas nem sempre o faz).

 

A educação em Portugal tem girado em torno das reinvindicações da classe dos professores, contudo, este estudo alerta para áreas que são bem mais importantes, nomeadamente: os gastos com a educação "vs" retorno e impacte da mesma. Não alerta, no entanto, para o próprio modelo de educação que, em muitas situações, está obsoleto e completamente à margem das necessidades de uma sociedade pós-moderna. Esses assuntos ninguém parece querer discutir porque, muito provavelmente, levariam a grandes mudanças que colocariam muitos professores (não todos) num patamar de total incapacidade para o serviço. Este meu comentário, todavia, não invalida que ainda se preservem métodos antigos que funcionam, nomeadamente a disciplina e o método cientifico.

 

Finalmente, o que se está a passar com os professores, é o facto de um grupo que em tempos foi uma elite, estar agora a ser nivelado com os parâmetros ditos normais, ou seja, mais uma profissão, com a sua devida importância, mas nem mais nem menos que as outras... E sempre que isso acontece, a contestação é inevitável...

 

Podem ler o estudo aqui

 

Boas leituras...

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O Mundo Envia-nos Lixo e Nós Damos-lhe Música!

por Robinson Kanes, em 15.03.17

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Fonte das Imagens: Orquesta de Reciclados de Cateura

 

No seguimento de um artigo muito interessante que tive oportunidade de ler (http://quimeraseutopias.blogs.sapo.pt/do-lixo-para-a-boca-38578) e que me chocou profundamente, aproveito esta minha exposição, não só para divulgar o mesmo – posto que a comunicação social em Portugal prefere virar o foco para o futebol e para o fútil – mas também para abordar uma iniciativa que é um verdadeiro exemplo de como se pode sair do lixo... ainda tive esperança de ver aquele artigo em destaque...

 

Cateura, no Paraguai, é a maior lixeira daquele país, aliás, é considerada uma zona inabitável face à degradação que aí se encontra e ao elevadíssimo risco de cheia. Inabitável... mas local de residência para 2500 famílias!

 

0c2f2c_e5e7546a109849b6bc0b23b206f01add.jpgFoi entre esta degradação que um indivíduo encontrou uma forma de criar valor acrescentado... valor acrescentado numa lixeira. Começou por fazer instrumentos com o próprio lixo e o resultado foi que um grupo de crianças completamente esquecidas pela sociedade se transformaram em artistas e deram origem à “Landfil Harmonic” ou, menos sonante mas mais genuíno, a “Orquesta de Reciclados de Cateura”.

 

O lema da orquestra é algo extraordinário e ao mesmo tempo provocador: “O Mundo envia-nos lixo e nós damos-lhe música”. Num só projecto temos uma lição ambiental, uma lição educacional e uma lição social. Do atelier, porque existe um atelier, saem todos os instrumentos feitos à base de... lixo... são esses instrumentos que vão acompanhando um grupo de crianças na sua educação e viagens pelo mundo, crianças perdidas e entregues a uma sorte que... de sorte tem pouco.

 

Lembro-me de ter partilhado esta temática com muita gente (sobretudo da área social e ambiental em Portugal) que, simplesmente, olhou para mim com um desprezo tal que me fez pensar onde estaria a lixeira... se em Cateura, se numa mentalidade triste e tacanha que habita na cabeça de muitos portugueses que se orgulham de ter dado mundos ao Mundo, mas cuja cabeça e visão não vai além do seu pequeno quintal.

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Todo este projecto começou sem apoios do Estado, afinal falamos de pobreza em Portugal, mas não sabemos realmente o que é ser pobre. Hoje, além de vários prémios (inclusive para um documentário) e apoios de vários mecenas esta orquestra é um verdadeiro sucesso. Mas há países onde alguns indivíduos, que se dizem homens e mulheres de terreno, ou os apóstolos da felicidade, cujo suícidio é iminente se ficam sem o relógio de marca, se riem e exclamam: “instrumentos de lixo, que estupidez!”.

 

Talvez a música que nos chegue desta orquestra possa inspirar muitos que andam por aí, numa lixeira diária... e se esquecem que... mesmo com talas nos olhos, cavalos e burros caminham em frente... talvez a inspiração possa vir do texto de Agustina em “Fanny Owen” porque muito provavelmente “ as grandes obras nascem assim: dum sujo porto, entre fezes e urina”.

 

Um pequeno vídeo, resumo da "Orquesta de Reciclados de Cateura"

 

 

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