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E não me digam que é cultural!

por Robinson Kanes, em 30.05.19

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Créditos: http://www.comicstripoftheday.com/

Alemanha (é só um exemplo)

Início dos trabalhos às 08h:00, cada um sabe bem o que tem a fazer - existe espaço para falar dos problemas e a chefia está presente para, com as orientações necessárias, conduzir os processos. Tudo está no caminho correcto, mostrar stress é mal visto, pois além de tirar o foco do essencial toma conta das pessoas e torna a questão, pontualmente, muito emocional - não se fala disto em revistas e depois pratica-se exactamente o contrário, sobretudo quem escreve sobre...

 

Reuniões que começam a horas, duram o minímo de tempo e sem temas laterais que pouco interessam...

 

Hora de almoço rápida, não se perde muito tempo com cafés e com assuntos que não interessam a ninguém! Alguém está a sair muito tarde! Porquê? Demasiado trabalho, incompetência ou ineficiência? Se é demasiado trabalho vamos encontrar uma solução e se necessário, para já, garantir que as horas adicionais são pagas ou gozadas!

 

Existem colaboradores que falam em flexibilidade, vamos testar... Se os resultados forem positvos, nada como uns dias em home-office.

 

Remunerações? Ponderadas, justas e com tabelas salariais bem estrturadas, transparentes e equitativas.

 

Portugal (claro que não é em todos os casos)

Início dos trabalhos às 08h:00m! Não, isso foi um que chegou a essa hora, a maioria chega entre as 09h:30m e as 10h:00m. A chefia chega tarde (sempre stressada - vá-se lá saber porquê). Começa a disparar tarefas num ambiente que estava calmo e que rapidamente se torna, além de tenso, mais stressante! Também existe aquele em que não se passa nada e todos estão agarrados ao computador a trabalhar, perdão, no "insta"! Não fiquem quietos, mostrem stress e andam como "baratas tontas"! Tentem permanecer calmos e rapidamente alguém diz que vocês não fazem nada!

 

Tarefas atiradas ao ar e ninguém percebe! Não existe wrap up semanal e muito menos diário, vai-se fazendo. Pelo meio uns cafés, excepto aqueles que têm um "medo que se pelam" de levantar o rabo da secretária e por isso serem despedidos porque não estão a fingir que trabalham.

 

Demasiado tempo perdido com conversas e temas que não interessam a ninguém: o futebol, o vestido da "Carolina", o "Manuel" que anda metido com a "Carla", os videos dos filhos da "Mariana" (Who cares?) e a chefia que é tudo e mais alguma coisa mas quando está presente as opiniões tendem a mudar e é o "Rei Sol" - ninguém se atreve a dizer que algo não está bem. Sempre que se fala de algo ou em temas que envolvem discussão as emoções escalam... É sempre pessoal, como se o trabalho fosse uma coisa pessoal...

 

Hora de almoço com as conversas do costume ou então com a temática do trabalho e a chefia que tem muitas reuniões à tarde - umas vezes no shopping, outras na esplanada e outras tantas em eventos de networking. Responde em segundos a emails pessoais, nomeadamente de colegas de outras empresas ou das maçonarias que existem nas diferentes áreas profissionais e demora dias a responder a solicitações que surgem no seio da organização, nomeadamente de quem está abaixo.

 

Reuniões que nunca começam a horas e que duram e duram e duram... E no fim, maioria das vezes, não dão em nada. Almocinhos - e como o português gosta de almocinhos intermináveis nem que seja só para definir um ponto no início ou no fim da frase - e resulta, é mais fácil fechar um negócio carregado de vinho tinto numa taberna, do que numa sala de reunião com todos os detalhes à frente).

 

O colaborador que entrou às 08h:00m está a sair às 17h:00m! Mas que raio!!! Este tipo não trabalha, como é que tem a lata de sair a esta hora? Não faz nenhum, a secretária está limpa e passa o dia tranquilo! Pelas 17h:00m, quando não é mais tarde, chega a chefia - despeja mais uns temas e das duas uma: ou fica e retém toda a gente até altas horas ou sai e pede que as coisas estejam prontas amanhã de manhã! Entretanto, 10% esteve a trabalhar no duro e os outros 90% ficam mais umas horas para dar a sensação de que fizeram o mesmo que os demais 10%. Entretanto, os outros 10% já saíram para estar com a família e arriscam-se a perder o emprego em breve, esses preguiçosos que chega a hora e "toca a bazar".

 

No meio de todas estas horas, o habitual "estou cheio de trabalho" ou o "estão muitas coisas a acontecer". Sim, muitas notificações nas redes sociais, dois emails e pelo meio uns minutos de trabalho.

 

Dia seguinte, pela manhã, vários emails disparados, uns 100! Cerca de 80 não interessam e a maioria foi enviada durante a noite - gente que trabalha muito (ou então gente que não tem vida nem nada para fazer e a ainda acredita que enviar emails às tantas, quando podiam ter sido enviados durante o dia, lhe vai garantir o emprego).

 

Entretanto, algumas pessoas estão doentes mas não vão para casa - todos vão falar mal e não é bem visto! Outros até pensaram na questão de home-office e flexibilidade de horário! Mas quem é que eles pensam que são? Depois como é que se pode dizer que temos muitos trabalhadores e fazer gala de que somos uma empresa que recruta muita gente... Muitas vezes para não fazer nada... E flexibilidade? Eles querem é boa vida... Quando chegarem as avaliações importa é ver o "ponto" (uma das razões porque cerca de 95% dos profissionais de RH não passam da cepa torta, a fixação com o "ponto" - perdoem o ponto entre aspas, mas como estou a falar de algo do século XVIII).

 

Remunerações: há estagiários? De preferência curriculares, caso contrário falem com o IEFP. Não estamos a conseguir? Coloquem no "net-empregos" mas não revelem o range salarial. Não queremos séniores, queremos sim júniores com pouca ambição económica, de preferência com contas para pagar - limita-lhes o empowerment. E já nem falo de empresas que têm um ou dois colaboradores e estagiários que davam para encher um estádio de futebol.

 

Depois falem-me de produtividade...

 

Uma nota final: também existem aqueles que trabalham de sol a sol, ou de lua a lua! Esses trabalham verdadeiramente e são os que não têm voz! São os que não escrevem artigos, não estão em jantares e cafés de interesses e apesar de tudo, desdobram-se para conseguir uns minutos em família. Desses pouco se fala... Como também se fala pouco daqueles em que um faz o trabalho de dez.

 

 

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Créditos: https://medium.com/swlh/stop-working-start-thinking-e2a643c11b86

 

 

Recentemente o eco revelou um relatório da OIT que apontava para o facto de 36% dos trabalhadores a nível mundial trabalharem em excesso. Vejamos, estes relatórios são baseados nas informações que se conseguem, ou seja, trabalho legal, declarado e não escravo - podemos sempre imaginar o que estes relatórios não alcançam.

 

No caso português muito se tem falado - não faltam revistas, comentadores que cultivam o networking, gestores de recursos humanos e não só, que apregoam uma coisa e fazem outra ou então que assumem como obra sua copy-paste de directivas que são emanadas pelas multinacionais para as quais trabalham. Não são raras as situações em que essas directivas constam nos relatórios e nas visitas dos headquarters mas não no dia-a-dia dos demais trabalhadores. Se por um lado já temos muitos gestores que merecem tal designação, ainda temos muitos que vivem no tempo das Descobertas.

 

Fala-se bastante, os amigos distribuem prémios uns entre os outros (não existe só uma maçonaria),  mas os resultados não surgem e continuamos a trabalhar muito e a produzir pouco! Continuamos com a mentalidade de que, mais do que uma produção e organização dos recursos, importa o tempo e a presença. Em Portugal é mais fácil criar manobras de diversão para uma chefia (envio de emails sem interesse ou movimento de caos) do que propriamente convencer a mesma por intermédio dos bons resultados. Isto ainda acontece no Portugal moderno do século XXI. Depois temos outros factores que é a dificuldade em penalizar os maus colaboradores ou então em gerir as chamadas "cunhas", muitas vezes recrutadas por imposição de outrem ou pelo próprio e com as consequências que as mesmas têm. 

 

Existem, contudo, questões que é preciso colocar e têm de ser estudadas por todos:

  • Porque é que trabalhamos tantas horas e produzimos tão pouco?
  • Porque é que não cultivamos uma cultura de mérito? Até porque muitas são as vezes em que produzimos mas não existe eco de achievement
  • Porque é que não criamos espaços de partilha? E quando os criamos rapidamente saímos da discussão, damos a volta por trás e fazemos "valer a nossa"? Ou então acabamos com a discussão e resolve-se autoritariamente.
  • Porque é que a culpa é sempre dos gestores? Mesmo em muitos outros colaboradores existe uma lógica de que ser bom passa por trabalhar horas e mais horas? Muitos são os motivos: insatisfação familiar (inclui marido e filhos), ausência de hobbies e de um sentido de vida, mentalidade tacanha e tantas outras...
  • Estamos dispostos a abdicar de muitos serviços que nos são oferecidos fora de horas e em dias de descanso para muitos dos cidadãos? Existem alguns que são de todo impossíveis, mas os demais?
  • Está o país preparado para proporcionar a mesma oferta a quem trabalha fora dos "picos" e a flexibilizar o trabalho? (um conselho, se forem a uma entrevista questionem sempre o recrutador acerca do que é flexibilidade). 
  • Estamos dispostos a pagar mais por um produto/serviço oferecido por uma organização que reconhece os seus trabalhadores, lhes dá condições e oferece qualidade final ao respectivo produto/serviço?

 

E tantas perguntas que podemos colocar, no entanto, deixei de ir a muitos encontros de recursos humanos em Portugal porque, a título de exemplo, em questões tão básicas como objectivos de produção a pergunta que atormentava muitos profissionais da área era a necessidade de perceber como é que se "picava o ponto" se as pessoas não tinham horário (sei do que falo, pois embora tendo também uma das vertentes da minha formação nessa área, não exerço como profissional da mesma).

 

Deste modo é complicado ir mais além, até porque, e já escrevi sobre isso, se uma coisa tão simples como um "obrigado" tende a ser algo muito difícil de dizer, não vá ser dado alguma espécie de poder a quem o ouve e isso ser uma ameaça a quem o diz. Quando os créditos, a competição (não saudável), a mentalidade mísera e provincina, a impunidade, a ausência de pensamento crítco por parte de outrem, e claro, uma mãozinha parental e estatal são sempre uma presença, é natural que a vontade de evoluir também seja pouco e assim o status quo permaneça inalterável.

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O Fim dos Anúncios de Emprego!

por Robinson Kanes, em 01.03.19

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Créditos: https://www.etcconsult.com/career-guidance/15-worrying-signs-that-youre-stuck-in-a-dead-end-job/

 

 

Admito! Tenho de me dar como derrotado... As últimas experiências demonstram que estava completamente enganado, afinal também tenho humildade para reconhecer quando falho. Não parece, mas é verdade... De facto, às vezes talvez não...

 

Sempre fui um acérrimo defensor do mérito e sempre acreditei que, embora com oscilações e "hypes" o envio de um CV ou até a resposta a um anúncio poderia trazer muitos frutos. Sempre acreditei que, como chefia, tinha de me rodear dos melhores e até catapultá-los para outros voos mais interessantes. Nunca censurei as referências honestas (as quais têm de ser filtradas) mas, por sua vez, sempre censurei o compadrio - e como isso me trouxe e tem trazido tanta discussão.

 

Todavia, se já tinha percebido que uma grande maioria dos anúncios de emprego só vem a público quando não existem "amigos" para o lugar, ou porque não há ninguém na lista que queira o trabalho, ou até porque se vai promover alguém mas as regras obrigam a que seja feito um concurso (perfeita perda de tempo e de recursos) começo a perceber algo ainda mais grave e essas são as experiências dos últimos tempos.

 

Já é um facto que em Portugal só são anunciados os empregos que ninguém quer, seja na base da pirâmide hierárquica seja no topo, até aqui, nada de novo. Pelo meio vão ficando outros bem mais interessantes que as maçonarias e determinados grupos de indivíduos vão partilhando entre si - é verdade, a Maçonaria em Portugal não tem grande visibilidade porque aquilo que não falta são cópias da mesma, a uma escala mas pequena mas que andam por aí como cogumelos - alguns até se reunem pontualmente em jantares para decidir quem é que vai daqui para acolá e não havendo interessados quem é que todos querem que seja - e no meio disto vão circulando também informações confidenciais das empresas onde cada um trabalha.

 

Todavia, e tentando não me perder, o que tenho sentido é que, se temos uma boa oferta de emprego e a publicamos, começa a ser muito complicado ter candidatos, e é isto que me assusta. Assusta-me pensar que os candidatos perderam a esperança neste meio, quer queiramos quer não, o mais imparcial e independente de todos. Não é fácil encontrar bons candidatos, ou até candidatos para boas posições. 

 

Foi por este motivo que fui tentar perceber o mercado. Não fiz um estudo exaustivo e também não fiz um estudo daqueles que algumas entidades fazem com 20 ou 30 testemunhos (e vendem como se fosse um grande estudo) que nem sempre são o alvo que queremos estudar. Falei com as pessoas... E ainda falei com algumas...

 

As respostas foram aquilo que esperava: para ter um emprego em Portugal é importante ter contactos, esta foi notória. Uma outra com bastante peso foi a de que responder a anúncios é pura perda de tempo e além disso ou são falsos ou então já é porque somos mais que décima escolha. A outra é de que, mais do que trabalhar é preciso trabalhar uma imagem, ou seja, mais que produtividade é preciso popularidade e se, estivermos numa posição de chefia, o ideal é tapar e aproveitar quem está abaixo. Ou seja, o ideal é assumirmos o papel daquela senhora que corre pela rua com as mamas à vista de todos e grita "look at me, look at me". 

 

Uma outra ainda, e que acaba por resumir tudo isto, é o "real compadrio". Andamos a falar em combater a injustiça e a corrupção quando praticamente todos... Deixo ao vosso critério o fim da frase...

 

Em suma, mais do que tudo o que está acima enumerado, assustou-me o facto da procura, ou uma grande parte dela, ter perdido a esperança, até porque ainda são muitos aqueles que, normalmente por motivos económicos e sociais não têm outro meio e, ou acabam por não sair de um poço sem fundo ou ficar dependentes de instituições "solidárias" que, em alguns casos, alimentam essa mesma dependência para sempre.

 

O resto são meios que já fazem parte do nosso quotidiano e cabe a cada um escolher o seu, no entanto, não era preciso termos chegado a tanto... Tenho, contudo, esperança no futuro... Um futuro em que o sobreaquecimento do mercado de trabalho vai dar lugar a um outro ciclo...

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Créditos: https://lengstorf.com/remote-work-everyone-wins/ 

 

 

Para algumas chefias, um empregado a trabalhar a partir de casa é um risco para a organização: é um preguiçoso que não quer vir trabalhar, um verdadeiro baldas. Mas também é um reflexo de uma certa tacanhez provinciana do "se eu cá estou tu também tens que estar".

 

De facto, não sou defensor do trabalho sempre a partir de casa, é fundamental criar uma interacção humana fundamental para o exercício de qualquer profissão e até para o bem-estar. Além disso, existindo (porque nem sempre existe), o espaço físico da organização acaba por ser uma parte da identidade e da cultura da mesma. 

 

No entanto, e é por aqui que me parece oportuno iniciar, surgem várias mais-valias quando é possível (e reforço, quando possível) estar em home-office ou até em remote. Extraordinariamente o espírito de equipa é mais desenvolvido e mais bem trabalhado. Estranho, não é? Afastamos as pessoas e elas começam a trabalhar melhor! Trabalham melhor a comunicação, sentem-se mais ligadas umas com as outras no sentido de alcançar um objectivo comum onde cada um desempenha um papel fundamental. Por incrível que pareça é mais fácil alguém em remote estar mais ligado aos seus pares do que se trabalhasse lado a lado com estes. Até as reuniões via "Skype" ou "WebEx" se tornam mais produtivas e muito mais reduzidas em tempo.

E convenhamos, acabam-se muitos problemas, nomeadamente o gossip, os ódios, a competição desmedida e que em nada abona o trabalho quando em equipa. É também claro que esta minha afirmação não se aplica a todos os contextos, aliás, quando acima mencionei a questão da identidade e cultura não foi por acaso. Existem ainda culturas onde o gossip é mal visto e por isso não se aplica essa variável - em culturas do sul da Europa além de ser tolerado é altamente alimentado por muitos quadros médios e respectivas chefias.

 

Outra questão que se coloca é a produtividade. Quando estamos sempre num local rodeados de pessoas e de elementos distractores a nossa produtividade tende a baixar - de repente somos atirados para reuniões com as quais não contávamos, temos de ajudar alguém (muitas vezes porque esse alguém não quer fazer o seu trabalho), temos de atender o telefone do colega, temos de ouvir o fim de semana banal do colega num Turismo Rural e um sem número de distracções que nos limitam. Poderia ir mais longe a ainda mencionar que não são raras as vezes em que muitos colaboradores apenas estão no local de trabalho e trabalham mais horas porque sim!

 

Também não são raras as situações em que assistimos a colaboradores que cumprem o horário mas com uma alta taxa de produtividade e que sofrem na pele o facto de não serem desleixados e não se comportarem como aqueles que saiem tarde (mas não chegam cedo) ou simplesmente fazem horas e mais horas sem ninguém entender bem o porquê! Recordo-me de, em tempos, e já com a madrugada a fazer-se anunciar, de estar a trabalhar com uma colega de uma outra empresa que recebeu via Wattsapp uma mensagem da chefia que partilhava com todos os colaboradores a seguinte mensagem: "é assim mesmo, tudo a bulir!". Segundo a mesma, era sempre assim e nunca com palavras de incentivo - denotem que essas equipas já estavam a trabalhar num rol de dias seguidos e nem com meia dúzia de horas de sono diárias. Perguntei-lhe porque é que não ía descansar, até porque tudo estava feito e era gente a mais para o que já havia a fazer, respondeu-me que não ficava bem!

 

Estranho pensarmos que a distância melhora a produtividade. Se por um lado é bom, pelo outro dá que pensar. Trabalho nos dois contextos e considero que o misto é fundamental.

 

 

 

 

 

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Múmias nos Corredores das Empresas...

por Robinson Kanes, em 09.04.18

 

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Fonte da Imagem: http://www.businessinsider.com/recruiter-says-to-speak-up-if-a-hiring-company-ghosts-you-2017-8

 

 

Um destes dias tive oportunidade de visitar uma empresa portuguesa, uma daquelas organizações empresariais de topo, que todos admiram, que é um exemplo nas boas práticas. Estou a falar de uma daquelas organizações empresariais onde não faltam centenas de actividades de team-building, uma daquelas organizações empresariais onde muitas outras organizações e indivíduos fazem questão de dizer que fizeram consultoria mesmo que tenham realizado empreendimentos de... nada...

 

Espantou-me, com efeito, que ao chegar a essa organização e tendo passado por meia dúzia de pessoas, nem uma me tenha dito boa tarde! Aliás, pelo semblante que apresentavam, até tenho dúvidas se, entre colegas, o fariam. Como tive de esperar, porque cheguei cedo, pude assistir a um sem número de indivíduos mudos e “trombudos” - aqueles indivíduos que, pelo look, usam roupa moderna e cara, que apresentam aquele semblante do “yeah estou muito à frente”, que usam o smartphone mas, na realidade, a verdade é que podemos rechear alguém a ouro num minuto mas, trabalhar a mentalidade e a educação já pode demorar um milénio, e mesmo assim, o sucesso não é garantido. Lembrei-me logo de muitos empreendedores e gestores casual que o são no vestuário e na imagem, mas em termos de mentalidade não são diferentes do antigo merceeiro.

 

A verdade, é que estas personagens passavam por mim, umas atrás das outras e nem uma – foram umas 30 – conseguiu esboçar um sorriso ou, pelo menos, soltar aquele “boa tarde” arrancado a ferros e dito entre dentes.

 

Na verdade, se eu fosse alguém com responsabilidade naquela organização e soubesse que era esse o comportamento da minha equipa, podem ter a certeza que muitos dos que lá habitam não estariam lá por muito mais tempo! Uma organização que gasta milhares de euros em formação, programas de engagement e num sem número de actividades paralelas, em meu entender, não pode consentir que estas múmias andem pelos seus corredores – e não, não fui a uma entrevista de emprego, estive lá, mesmo como cliente.

 

Podemos sempre dizer, sobretudo os mais sindicalistas: “mas eles andam assim porque a organização não lhes dá condições!”. Podemos sempre dizer isso, mas porque é que eu tenho de deixar que uma organização empresarial com más profissionais me destrua e me transforme numa múmia? A tendência a que assisto é a de que ninguém se importa de ser esses zombies desde que, no fim do mês, o dinheiro possa cair na conta, mesmo que a felicidade não seja mais importante que uma ostentação balofa. E também friso... Uma organização são as pessoas, e nem sempre são os líderes que provocam este ambiente.

 

 

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Recursos Humanos: "Jobs for the Boys".

por Robinson Kanes, em 07.11.17

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Fonte da Imagem: http://www.npr.org/2016/11/15/502250244/to-make-the-godfather-his-way-francis-ford-coppola-waged-a-studio-battle

 

 

Deve ter cuidado. Ser um homem honesto é perigoso. 

Mario Puzo, in "O Padrinho"

 

 

Há muito tempo, remeti esta carta a um Director de Recursos Humanos para Portugal de uma multinacional:

 

Bom dia, Estimado C.,

 

Espero que este meu email o encontre bem, e escrevo em português porque sei que domina a língua como ninguém. Poderia fazê-lo em francês, mas porque não utilizar a língua do país em que está.

 

Este meu email,vem no seguimento de uma apresentação que vi sua onde mostrou a importância de detectar talento na "X" e a sua visão sobre essa área, gostei imenso da parte da "servidão" em relação à chefia, sobretudo porque sempre tive uma relação aberta com as minhas chefias e isso sempre foi interessante, não fossem muitas delas estrangeiras. Mas enfim, os portugueses gostam de servos e aí eu não me encaixo.

 

Espero também que o rigor de recrutamento da "X" seja esse que aponta. Sabe, não sou adepto do networking e muito menos do personal branding e se tenho LinkedIn foi porque começou como trabalho e lá foi ficando. Para mim não, mas entendo a importância que as redes sociais têm em termos de mercado, talvez por isso as trabalhe, mas não me deixe contagiar, sim não tenho uma vida propriamente feliz para lá expor. Digamos que networking em termos de RH é o novo nome para "cunha/compadrio" espero que perceba o que digo. Perdoe-me, mas sou daqueles que acredita no trabalho e mais do que em competências técnicas (muitas vezes empoladas), acredita nas competências "soft" ou se quiser "sociais".

 

Sim, também já me candidatei várias vezes à "X" via "black hole" dos HR, o recrutamento online por candidatura espontânea, ou seja, aquele em que acreditamos que um dia alguém vai olhar para a nossa candidatura mas... "nunca" olha.

 

A minha questão é simples: não sendo adepto de networking pessoal, nem de grandes favores deste e daquele, como é que é possível nos dias de hoje ser reconhecido no mercado de trabalho? Sobretudo porque já poderia ter um CV ainda melhor se tivesse cedido à tentação dos favores.

 

Espero também, que nessa sua leitura, os seus colaboradores também um dia possam olhar para o meu CV e dizer: "bem, este indivíduo merece pelo menos uma oportunidade".

 

Um Abraço,

 

"Robinson Kanes"

 

 

A verdade é que tive uma resposta bastanto positiva, pois o C. respondeu-me e pediu-me uma data e hora para agendarmos uma reunião. Todavia, o C. copiou o responsável de recrutamento daquela organização, a típica chefia intermédia portuguesa. A partir desse ponto as coisas alteraram-se, a resposta tardou e só foi obtida com o seguimento que fiz a posteriori. Dois dias depois, pelas 14h, recebo finalmente um email do responsável de recrutamento que me faculta um número de telemóvel e me pede para falarmos às 15h... Deduzi que a reunião presencial ficara sem efeito e que quem estava ao comando era agora o indivíduo que me contactava e assim com aquele espaço temporal, varria a situação para debaixo do tapete. Aliás, a forma como agendou o contacto era claramente para boicotar a reunião. Por sinal, acedi ao email antes das 15h. Vamos chamar-lhe E.

 

O E., estava no perfil de LinkedIn como se tendo formado numa área e ter começado a carreira pela porta grande numa outra totalmente diferente. Confesso que pensei de imediato que iria falar com a pessoa errada, e assim foi... Estas coisas cheiram-se.

 

Perante as minhas questões a resposta que obtive foi "oh Robinson desculpe, eu recebo muitos CV por dia, acho que tenho tempo para ler algum? Agora só referências ou contactos, não tenho tempo para ver CV e alguém com a experiência que você já tem se não o fizer ninguém o chama". Sempre pensei que o screening fosse uma das principais funções de um recrutador, mas pelos vistos não, as relações públicas (privadas?) são agora uma das suas mais extensas funções. Mas este indivíduo foi mais longe: "o mercado é assim, ou você se adapta ou já era, sem contactos que o coloquem aqui e acolá nunca vai arranjar emprego. Tem de pensar que os amigos são quem melhor o conhece e melhor o pode ajudar" ou então pode sempre abordar no LinkedIn e pedir-me! Muitos não fazem isso, mas eu faço muito, vejo os contactos que a pessoa tem também e nunca se sabe".

 

Finalmente, questionei: "então e as ofertas que colocam no V/site?". A resposta foi de que não havia tempo para olhar para as mesmas. Ainda pensei porque é que se faziam campanhas para atrair talento para aquela organização (até porque a mesma se gaba da transparência e por ser óptima a atrair talento), mas apercebi-me que estava a falar com um corrupto e não iria mudar a opinião do mesmo.

 

A conversa ficou por ali, até porque o E. já tinha em mente dar um salto para uma outra organização empresarial, algo que acabei por saber semanas depois. A verdade é que desisti daquela conversa, era uma luta que não faria sentido, pelo que, optei por boicotar as marcas vendidas pela organização. Vem este texto bem a propósito de mais uma recente notícia em que o interesse, neste caso do país, é posto em causa, quando os amigos são os preferidos para ocupar cargos de responsabilidade, e assim vai a ANPC (Autoridade Nacional de Protecção Civil).

 

Lembram-se da carta aberta que enviei a um director-geral de uma empresa de recursos humanos? Tive resposta. Uma resposta cordial, acompanhada com um pedido de desculpas (corporativo e pessoal) e com uma promessa do próprio em iniciar uma investigação interna para detectar estas más práticas que, segundo o mesmo, não vão de modo nenhum ao encontro do que é defendido na organização. Por motivos óbvios, não colocarei aqui a resposta completa sob pena de deixar transparecer a organização em causa.

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Hugues Merle, Uma Mendiga  - Musée d'Orsay

Fonte da Imagem: Própria

 

 

O contrário da justiça é a caridade.

Vergílio Ferreira, in "Conta Corrente V"

 

Muitos portugueses começam a perceber que um dos grandes colossos deste país, a área social, apresenta paradoxos tremendos. São muitas as instituições de solidariedade, e podemos incluir associações, Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS), outras Organizações Não-Governamentais (ONG), Misericórdias e outras tantas ligadas a sectores como a Igreja, mas não só. Muitos portugueses começam também a perceber que o conceito de "sem fins lucrativos" pode ser facilmente camuflado nos relatórios que muitas destas instituições apresentam.

 

A área social é uma verdadeira indústria e utilizando o ditado popular "só não vê quem não quer". Se de facto existem indivíduos e instituições que vão fazendo um excelente trabalho, uma larga maioria não o faz e, na verdade, se exercermos a nossa cidadania, mais de metade destas organizações torna-se inútil. 

 

Os recentes casos dos donativos para os incêndios e de instituições que direccionam os mesmos para outras origens que não a solidariedade repetem-se... Repetem-se e já são de longa data. Todavia, quando falamos de tratar estas instituições como empresas, nomeadamente "empresas sociais" este conceito e configuração legal provoca autênticos ataques de pânico na área. Contudo, muito do que se passa nestas organizações, não é diferente de uma organização empresarial, ou melhor não é diferente de uma organização empresarial na remuneração e acumulação de dividendos, o que não é mau se... Não utilizarmos a figura do social para camuflar um outro negócio.

 

A área social em Portugal é um colosso porque ao longo de tantos anos não procurou criar empowerment naqueles que apoia. É uma coisa muita portuguesa, devemos assumir, pois dar poder às pessoas para viverem sem o nosso apoio é o mesmo que assinar por baixo a nossa extinção e a queda do nosso poder sobre as mesmas e os portugueses adoram exercer o seu poder sobre outrem... Há quem defenda que ser solidário e ver os outros mal é uma forma de mostrar que estamos por cima -  eu não iria tão longe, mas...

 

A verdade é que assistimos ao engalanar de que são doados muitos milhões daqui e dali, mas depois não assistimos a uma clara demonstração dos resultados. Não há um controlo efectivo destes donativos (monetários e não monetários), a própria ex-Ministra da Admninistração Interna assumiu claramente essa situação com um semblante de quem se encontrava desarmada... E eu até entendo, porque ao explorarmos bem - no nosso concelho, na nossa região, no nosso país - facilmente percebemos quem é que está sempre à frente destas instituições e quais são os interesses que se movem... Além disso, experimentem também criar um projecto social sem envolver o vosso municipio ou as associações do concelho. Eu próprio já vi um projecto cair por terra porque um Técnico Superior do "social" (e como estes senhores adoram dizer que são do "social") que ficou muito zangado por não terem falado com ele primeiro para colocar também o nome, boicotou o mesmo - o conteúdo desse email foi lido à minha frente (pois era eu o promotor) pelo Vereador que tinha essa pasta, mas que não teria "poder" sobre o técnico... 

 

Acabar com esta situação não é difícil, passa por exercermos a nossa cidadania, sermos nós os produtores e os intermediários, seja individualmente, seja em pequenos grupos que nascem, fazem o seu papel e morrem assim que o objectivo está atingido, podendo até renascer caso se justifiquem necessidades futuras. Não podemos é contratar um outsourcing que não nos dá garantias nenhumas de como são aplicados os nossos donativos. Ainda esta semana, uma associação bastante conhecida, foi colocada em causa por uma pessoa que conheço e me lê, pois ao participar numa corrida, esta entregou o donativo e qualquer pessoa recolhia o mesmo, e sem direito a recibo. Quem nos pode garantir que este dinheiro vai ser bem aplicado? Quem controla esse dinheiro logo na fonte? E as desculpas da falta de meios, aqui não se aplicam! Encontramos muitas iniciativas, espectáculos, figuras públicas que até fazem espectáculos solidários (mesmo quando já não são precisos mais donativos), mas ninguém faz espectáculo com relatórios estruturados com a correcta aplicação dos fundos!

 

Também podemos defender muitas destas organizações salientando que fizeram isto e aquilo, contudo, mal seria se não tivessem feito algo, mas... E o que poderiam fazer? Temos de ser também mais exigentes com estas organizações, até porque muitas são apoiadas com dinheiro dos nossos impostos e até concorrem a fundos europeus, constituidos pelos impostos de todos os cidadãos da União!

 

Neste contexto, são também muitas as organizações empresariais que deixam de trabalhar com estas instituições. Cada vez mais a Responsabilidade Social Corporativa tem de passar por acções internas e na sociedade mas com uma intervenção directa das próprias empresas - salvo algumas excepções, o delegar desse dever em outrem, pode não só constituir um prejuízo para as mesmas mas também, no longo prazo, criar um sentimento de desconfiança e que prejudicará sempre aqueles que efectivamente necessitam e a própria imagem das marcas no mercado.

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A Falta de Nível de um Consultor de RH...

por Robinson Kanes, em 13.07.17

 

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 Fonte da Imagem: https://onepeterfive.com/francis-references-the-dubia-some-see-only-black-white/ 

 

Ontem, enquanto celebrava o novo emprego de um amigo, eis que sou confrontado com a seguinte história e que dispensa quaisquer comentários da minha parte a não ser que existem pessoas que deveriam ser proíbidas de trabalhar com pessoas e, para além disso, o perigo que as "cunhas" e a falta de soft skills de um ou mais colaboradores podem ter numa organização e, sobretudo neste caso, nas organizações a quem prestam serviços.

 

Escritório de uma multinacional, o Frederico (nome fictício) recebe uma chamada:

 

-Estou, daqui é o Andrade da Mike & Recruitment (nome fictício, e os Andrades que não me levem a mal por ter escolhido este nome para tal personagem), queria falar consigo porque ainda não me pagou o valor da sua substituição.

 

Vejamos: o Frederico (que trabalha nas compras) foi contactado pelo consultor responsável pela sua contratação há oito meses. Esse mesmo consultor, que agora tem em mãos o recrutamento do novo indivíduo contacta a pessoa que vai ser substituída e solicita-lhe o pagamento de um serviço que ainda não foi concretizado. Começamos bem... 

 

O Frederico responde:

-Ouça lá Andrade, então mas você está-me a pedir o valor de um serviço que só é pago após a realização do mesmo? Além disso, dentro dos candidatos que você tem mandado nenhum se aproveita, alguns nem habiliações nem experiência têm e não foi isso que nós pedimos. Até já coloquei um anúncio num website de empregos e os candidatos são bem melhores.

 

O Andrade, um pouco atrapalhado mas sempre no estilo irritante-gingão muito característico de algumas personagens do corporate nacional, diz:

 

-Pois, tem razão. Pois é eh eh eh.... Olhe lá Frederico então e vai trabalhar para onde?

 

Vou trabalhar para a Carrega Paletes (nome fictício) - Responde o Frederico.

 

E num momento de magia, de toda e qualquer importância e... Ressabiamento, o Andrade atira com esta.

 

-Xiiiiii, epá para a Carrega Paletes? Eu sei que você vai para lá, mas aquilo é muito mau, eles são nossos clientes e não são nada bons pagadores. Xiiiiiiiii para onde você vai.

 

O resto da conversa pouco interessa, no entanto, penso que o Andrade ao invés de dar prioridade aos amigos no recrutamento, deveria ter em conta que NUNCA se diz mal de um cliente, sobretudo quando estamos perante dois clientes que talvez sejam dos que mais recrutam em Portugal (falta de nível, falta de profissionalismo ou falta de sentido de vendas?). Além disso, sendo que o Frederico trabalha e vai trabalhar na área das compras (como chefia), quer-me parecer que Mike & Recruitment vai ter um grande problema em voltar a ter a Carrega Paletes como cliente e, até com sorte, a actual organização do Frederico. Mas do Andrade existem mais histórias... Sobretudo no conluio que tem com um dos seus colegas de trabalho na contratação de uma rede de amigos que tem total prioridade, independentemente das habilitações e experiêcia, face a candidatos bem mais merecedores de uma oportunidade. Mas para isso estará lá o Frederico...

 

Boa sorte "Frederico" e obrigado pela permissão que me deste para partilhar esta história.

 

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As Férias de um Condenado….

por Robinson Kanes, em 05.07.17

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Andrea Mantegna - São Sebastião (Museu do Louvre)

Fonte da Imagem: Própria

 

Quem nunca reparou que na fauna lusitana, em certos territórios, sempre que alguém vai de férias é como se tivesse cometido um crime de lesa-pátria? Experimentem ir de férias fora dos meses de Julho e Agosto e preparem-se para sentirem na pele a dor e a ostracização laboral e agora social!

 

Independentemente da opinião que tenha do Primeiro Ministro de Portugal, esta abordagem não visa tecer juízos do mesmo, mas nomeadamente de uma situação em particular: as férias. Não vou também tecer comentários em relação ao timming em que as mesmas ocorreram mas sim à quase impossibilidade de muitos hoje tirarem férias sob pena de serem destruídos pelos colegas... Pelo menos até os colegas irem de férias... Será interessante perceber se, em Julho e Agosto, quando estivermos de papo para o ar a fritar e a tirar fotos aos pés com o mar em fundo( que é uma coisa sempre digna de ser ver) nos vamos lembrar que o Primeiro-Ministro vai estar a trabalhar...

 

Isto leva-me a muitas conversas que fui tendo com vários indivíduos, porque de facto, para muitos começa a tornar-se um pesadelo tirar férias! Para os outros, quando vamos de férias nunca é uma boa altura! Para alguns ir de férias é deixar o caminho aberto para que venha daí uma a duas semanas em que os colegas vão apontar as culpas de tudo o que possa correr mal ao ausente! Chegar das férias é outra tortura, pois temos que criar um processo defensivo de todos os ataques feitos naqueles dias. Confesso que nunca me deixei abalar por essa situação, no entanto, são cada vez mais os casos em que as pessoas se sentem culpadas por irem de férias!

 

Poderão existir várias explicações:

  • o nosso egoísmo e uma espécie de umbiguismo - "ai aquele malandro que foi de férias e agora tenho de levar com o trabalho dele" - no entanto, esquecemo-nos que também nós teremos de gozar férias e ao malandro calhará esse ónus.
  • a nossa herança de sermos "mulheres de soalheiro" - "aquele está sempre de férias, não faz nada todo o ano e nós ficamos aqui a trabalhar, mas deixa que eu digo-lhe, quando chegar que se amanhe".
  • a inveja - "olha agora, aquele vai de férias e eu aqui a trabalhar, não sei de onde é que vem o dinheiro".
  • maldade - "vai de férias e deixou tudo por fazer, deixa que quando o patrão souber. Olha diz ao X que ninguém sabe disso, liguem-lhe, está de férias que atenda".

Existem pessoas que entram em depressão por irem de férias! Honestamente, isso para mim de férias tem pouco. As férias fazem bem, ajudam-nos a desligar do trabalho de outras coisas que é necessário desligar! As férias promovem o convívio familiar, o tempo com amigos e além disso são (ou devem ser) uma fonte de bem estar e aprendizagem! A paragem faz falta e o retorno no bem-estar e na motivação é latente e consequentemente com impactes positivos no trabalho, sobretudo no trabalho em equipa... Em equipa...

 

E quem nunca foi de férias em Setembro e teve de ouvir o típico "outra vez", como se toda a gente fosse de férias em Julho e Agosto e aquele preguiçoso metesse mais uns dias em Setembro! Quem assim pensar, sugiro que procure um novo emprego, ou abra os olhos para o mundo. Tudo isto recorda-me aqueles indivíduos que não conseguem conceber que uma larga camada da população trabalha ao fim de semana e que o empregado de mesa (que lhes atura o mau feitio) ou o senhor do posto de combustível não estão ali por passatempo.

 

Bom trabalho, e se for caso disso, boas férias.

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A Cidalina Contra-Ataca!

por Robinson Kanes, em 28.06.17

 

jabba-the-hutt-portrait-tall.jpg

Fonte da Imagem: http://www.starwars.com/news/the-playlist-jabba-the-hutt

 

Quando menos esperávamos, Robinson Kanes trouxe-nos mais uma idílica  aventura de  A Entrevista de Emprego, Os Apoios e os Pretos de Angola.

Glória do Ribatejo Post

 

Cidalina, a imortal musa de Robinson Kanes, uma mulher para se amar.

Cedofeita Tribune

 

Cidalina, Cidalina, não sei se tu me amas, E pra quê tu me seduz

Tiririca, pior que está não fica.

 

 

 

Sugiro que acompanhem este artigo com a banda sonora que se encontra abaixo...

 

Quando pensava que a Cidalina era passado, que a "Death Star" de Oeiras tinha ficado perdida nos confins da galáxia, eis que no meu canto qual Jedi em repouso com o seu Mestre Yoda, sou despertado pela força!

 

Foi ontem! Estava eu na minha caixa de correio electrónico (email - realmente, escrever email é bem melhor que escrever caixa de correio electrónico) e de repente cai uma tremenda bomba. Era o Darth Vader? Era o Imperador? Era o Jabba? Pensando bem, este último... Adiante...

 

Era a Cidalina, a Cidalina no seu charme incontestável! O assunto do email mencionava um recrutamento de 2016! O tal que, em 2017,  a Cidalina insistia nunca ter sido feito - até a referência era a mesma. Desta vez, contudo, apercebi-me de uma novidade: a organização para a qual Cidalina trabalhava tinha recebido um prémio de excelência como a melhor empresa da área para determinado segmento de mercado! Há quem diga que ter amigos e pagar para, pode ter efeitos na atribuição destes prémios. Começo a acreditar que sim, pois leiam os episódios anteriores e verão (ligações abaixo).

 

Dizia o email da sedutora Cidalina (e como eu dava tudo para ter ouvido novamente a voz "Aldeia Velha" da Cidalina):

 

Bom dia 

Temos o seu contacto na nossa base de dados de XXXXX para os nossos clientes. 

Estamos numa fase de arrumação de base de dados, caso queira manter a sua candidatura registe-se na nossa plataforma: xxxxxxx e mantenha a sua candidatura connosco.

Melhores Cumprimentos

Cidalina (nome fictício)

 

"Bom dia, Estimado Robinson Kanes", não teria ficado mal, talvez seja defeito meu. Mas o que apreciei foi o facto de, na organização de Cidalina andarem em arrumações. Podemos estar no topo da tecnologia, mas as nossas cabeças ainda estão na Era da pedra lascada. No entanto, o que eu percebi é que não é a Cidalina e os colegas que andam a fazer as arrumações, mas sim os candidatos. Experimentem enviar aos vossos clientes o seguinte email e esperem uma base de dados vazia: "Quer ser nosso cliente? Até temos os seus dados mas não nos apetece muito inserir os mesmos no novo sistema, pode fazer isso por nós?", mais brilhante não poderia ser!

 

Mas o que eu ainda mais gostei foi o bullying camuflado, algo do género: "é que se não colocares os teus dados na base de dados, não sou eu que o vou fazer, logo... Ficas fora".

 

Há quem chame a isto "excelência" e do melhor, eu nem quero pensar no pior. Para mim, nestas organizações, cada candidato é um cliente e clientes insatisfeitos não voltam, pelo que seguiu, de imediato, um email a solicitar que todos os meus dados fossem apagados.

 

Como no fim de um amor, deveria ter fechado todas as portas da minha relação com Cidalina meses antes aquando de uma das entrevistas mais rocambulescas que tive. Qual Jedi que poupou a vida a Cidalina e mais tarde lá teve de ser confrontado com o seu regresso, voltaram-me à memória os bons tempos que vivi com Cidalina naquele romântico e cinzento edifício dos anos 70 em Oeiras.

 

Episódios Anteriores de "A Entrevista de Emprego, Apoios e os Pretos de Angola":

Capítulo 01: http://naoequenaohouvesse.blogs.sapo.pt/a-entrevista-de-emprego-apoios-e-os-37761

Capítulo 02: http://naoequenaohouvesse.blogs.sapo.pt/a-entrevista-de-emprego-apoios-e-os-38350

Capítulo 03: http://naoequenaohouvesse.blogs.sapo.pt/a-entrevista-de-emprego-apoios-e-os-38437

Capítulo 04: http://naoequenaohouvesse.blogs.sapo.pt/a-entrevista-de-emprego-apoios-e-os-38827

Último Capítulo: http://naoequenaohouvesse.blogs.sapo.pt/a-entrevista-de-emprego-apoios-e-os-39116

 

 

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