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Faz-me "espéce"...

por Robinson Kanes, em 28.10.20

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Créditos:https://funnypicture.org/funny-fails-army-10-free-wallpaper.html#.X5lAnVP7RhE

 

Apenas os bárbaros entre nós, sabem o que são. Os civilizados têm consciência do que podem ser e são por isso incapazes de saber o que, para fins práticos e sociais, realmente são - esqueceram-se  de como extraem da sua experiência atómica total , uma personalidade.

Aldous Huxley, in "Sem Olhos em Gaza"

 

Recordo-me de Ana Bola, para também eu dizer que... "faz-me espéce"... Mas afinal o que é que me faz "espece"?

Faz-me "espéce" ouvir alguns indivíduos da nossa praça, apelidarem Rui Pinto de ladrão em plena audiência perante um juiz. Indivíduos, que defendem autênticos criminosos com trânsito em julgado, e passo a expressão, estão enterrados até às orelhas e também eles envolvidos em esquemas de lavagem de dinheiro, fraude e corrupção - os que se julgam intocáveis. Isto é mais ou menos o mesmo que termos o Alves dos Reis (e esse ainda tinha nível e graça) chamar ladrão e fazer-se de vítima ao indivíduo que roubou um bolo na "Sacolinha" em Oeiras. Oeiras e roubo é mau exemplo, eu sei... Juro que quando escrevi isto não pensei em Isaltino a roubar um palmier recheado enquanto fumava um charuto e transportava um copo de Rémy Martin. Até porque o letrado e desenvolvido povo eleitor de Oeiras aprovaria de imediato.

 

Faz-me "espéce", sempre que Marcelo tenta não deixar passar uma para aparecer e lhe corre mal, ofuscar-se durante uns dias. Do ponto de vista da comunicação é uma jogada de mestre, não pode é ser um hábito sob pena de até o mais incauto perceber a jogada. E quem diria que os mamilos mais conhecidos do país não seriam os da Érica Fontes ou da Joana Amaral Dias e muito menos os de Alberto João Jardim, mas os de Marcelo. Quando a história desmistificar um dos piores presidentes, a imagem que ficará, será sem dúvida a perna cruzada e o "olhar" matador para a câmera enquanto se administra uma vacina e claro... os calções azuis desbotados. Claro que Marcelo nem pensa nas câmeras, é mera coincidência.

 

Faz-me "espéce" também que Marcelo, a propósito da morte de Vicente Jorge Silva, tenha espaço de comentário num jornal, nomeadamente o "Público" e onde além da apologia a um grande amigo e de toda uma classe que o sustenta, ainda consegue transformar o jornal numa espécie de obra-prima da imprensa tais são os elogios rasgados ao mesmo. Vestir a pele de ardina-mor não lhe fica bem sendo Presidente (de papagaio-mor diz-se que...), mas todos sabemos como é dependente da comunicação social e da imprensa para existir. Uma mão cheia de nada, precisa sempre de muletas para sobreviver e até ser eleito presidente. E depois ainda menosprezam o Tino de Rans, o Trump e o Tiririca.

 

Faz-me "espéce" ver os arautos dos Direitos Humanos, da verdade e da mais alta moral, serem caras de organizações geridas por fundos estatais de países que desprezam completamente esses mesmos direitos e até têm, no seu território, campos de concentração. São esses estados que inclusive ignoram as atrocidades cometidas contra algumas das bandeiras desses indivíduos: homossexualidade, violência sobre as mulheres e indivíduos de outros credos e raças - a polícia matar um preto nos Estados Unidos é um crime hediondo, já noutras paragens será cultural? São também essas organizações que estão envolvidas em escândalos que não lembram a ninguém e têm prejudicado o erário público, ou seja, todos nós. Não que eu possa até ter algo contra as mesmas, mas... Querer algo e o seu contrário. Afinal em Portugal S.A., tudo se vende e tudo se compra.

 

Faz-me "espéce" ver o que o Bloco de Esquerda votou contra o Orçamento de Estado. Ver que as sondagens estão a atirar Marisa Matias para o fundo da tabela, por certo, terá tido influência. Ou então já a pensar numa próxima legislatura, o Bloco quer afastar-se para não sofrer as consequências. Faz-me "espece", mas não me espanta, afinal é o Bloco de Esquerda, o partido esganiçado que se cala e tudo consente quando se arranja um "tachito".

 

Faz-me "espéce" que o PCP (partido totalitarista e supostamente não admitido no seio da União Europeia) ainda controle as decisões neste país. Uma minoria, a par de muitos sindicatos, sobretudo ligados ao funcionalismo público, que é um autêntico cancro e tem atrasado o desenvolvimento do país. Espero que alguém aprenda alguma coisa com os Açores!

 

Faz-me "espéce" ver os deputados não-inscritos, independentes aprovarem (abstenção é consentir que) o Orçamento de Estado. Será que a senhora que ninguém conhece e ex-deputada do PAN e a senhora Katar Moreira já estão a apostar em serem candidatas "independentes" pelo PS num futuro próximo? Infelizmente, ao contrário do que aconteceu com o Ciudadanos em Espanha, os novos movimentos cheios de gente de boa vontade, acabam vendidos ao sistema vigente, o shake ao status quo rapidamente é abandonado. Que o diga Fernando Nobre e outros tantos...

 

Faz-me "espéce" que um indivíduo não possa estar num funeral de um ente querido que até era um tipo odiável e que só levaria 20 pessoas mas se for para ir ao Avante, à Fórmula 1 ou às festas do regime já possa conviver com mais de 10 000 pessoas. O vírus é chique e gosta de croquetes, show-off e desporto motorizado mas não gosta de jantares em família, funerais e casórios. Aliás, casórios até gosta se tiverem muita gente e forem de malta de bem na praça, um pouco como as festas de aniversário da Padeira de Aljubarrota (da Malveira?) em espaços públicos da Câmara Municipal de Lisboa.

 

Faz-me "espéce", num país tão pequeno, tanto ódio e interesse em Donald Trump mas ao mesmo tempo pactuar com atrocidades que não lembram a alguns dos piores ditadores do Mundo. Falar do Trump fica bem, mostra-se que se sabe (sabe?) muito da realidade norte-americana e não se perde o emprego nem os amigos.

 

E para terminar, toda a minha consideração e respeito pelos agentes da autoridade que irão controlar as entradas e saídas dos concelhos durante os próximos dias. Com tanta excepção, tanta desinformação e afins, temo que não vá ser uma tarefa fácil. Ainda vamos ver fotografias/montagens como as que temos visto de médicos e enfermeiros, com agentes esgotados com a cabeça deitada no volante.

 

Faz-me "espéce", pronto...

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O virus é democrático mas parece ser o único...

por Robinson Kanes, em 23.10.20

235866_RGB-981x1024.jpgCréditos: Caglecartoons.com, The Netherlands, March 6, 2020 | By Joep Bertrams

 

 

A certeza com que agimos hoje pode parecer medonha não só para as gerações futuras, mas também para os nossos "eus" futuros.

Robert Sapolsky, in "Comportamento"

 

Até o dia dos mortos se finou... Não acredito que uma romaria aos cemitérios possa fazer grande diferença no facto de gostarmos de alguém, está morto e pronto, não obstante, reconheço quem tem nesta prática e nesta forma de lidar com a morte uma visão diferente da minha e que está tão enraizada na nossa sociedade e costumes e que vai muito para além da crença católica. Todavia, este constante ataque ao cidadão que faz por sobreviver e cumprir o pouco que ainda lhe resta de liberdade começa a ser assustador - e pensar que em tempos alguém foi tão criticado por "querer" congelar a Democracia por seis meses.

 

Vejamos, todos aqueles que nos cortam a vida social, humana, cultural e profissional, são os mesmos que no Verão não hesitaram em (e sempre com o jornalismo medíocre atrás) mostrar-se na praia, fins-de-semana seguidos e chamando todos para o ajuntamento parolo habitual do Verão. São os mesmos que não hesitaram em jantar nos restaurantes da praça para português pobre que come uma sopinha ver. São também os mesmos que permitiram ajuntamentos como o 1º de Maio, várias manifestações da direita à esquerda e o grande acontecimento de 2020 que foi a festa do Avante. Não paga impostos, utiliza o erário público, utiliza mão de obra a custo zero e ainda recebe este prémio, enquanto os outros encerram empresas. São os mesmos que se congratularam com a Fórmula 1 no Algarve e permitem uma multidão num fim-de-semana e proibem o cidadão comum de velar os mortos ou estar em família no outro. São os mesmos que encheram o campo pequeno mal o vírus saiu do confinamento e parece ter dito "bem, vou-me embora, vou partir naquela estrada". O vírus é democrático, mas começo a crer que Portugal não...

 

Começa também a ser em demasia o pânico que é gerado nas televisões e jornais - e já lá vão seis meses. Basta! Basta! Basta! As pessoas estão cansadas e assustadas e estou em crer que muitos dos media que embarcam nesta lógica perceberam que três meses de lockdown fazem maravilhas pelas audiências e também pela destruição da inteligência dos cidadãos. Basta de termos matemáticos; profissionais de saúde;  físicos; filósofos; "comentadeiros"; "viradores de frangos" e mais um sem número de indivíduos que procuram destaque a todo o custo e todos os dias nos apresentam modelos e teorias completamente descabidas de base cientifica ou assentes em modelos ultrapassados e que só aumentam o pânico, deixem de ser "wannabes" e concentrem-se no essencial. Isto não é uma guerra como nos querem fazer crer e muito menos o fim do Mundo. É, sem dúvida, um aviso à nossa sociedade, mas sobretudo pela forma como somos "geridos", "controlados" e claro, como nos comportamos. Existem muitas soluções, a economia não pode parar! Mas a Irlanda confinou! Sim, e vejam como economicamente e laboralmente se organizou. Vejam um website de ofertas de emprego naquele país ou tentem ver como se está a comportar o tecido empresarial e percebam que tem mais dinâmica e ofertas de emprego (com qualidade) que um Portugal em tempos áureos!

 

Começa também a ser cansativo ter uma Organização Mundial de Saúde (OMS) e por cá uma Direcção Geral da Saúde (DGS) que um dia nos dizem que a máscara é para utilizar e no outro já não! Que às nove da manhã nos dizem que o contágio não se dá por contacto com superfícies a à tarde já nos diz que afinal todo o cuidado é pouco. É uma OMS que privilegiou os confinamentos mas agora volta atrás... Para o caso de alguém se ter olvidado, a OMS, legalmente, não é uma organização cientifica e muito menos médica, é uma organização política, é essa a sua base!

 

Também não podemos ter confiança total do lado da saúde (não estou a afirmar que não devemos escutar e seguir os conselhos), pelo simples facto de não ter uma visão holística da sociedade, da economia e do Mundo, e é aí que o poder político e cívico tem de mostrar que pode ouvir, acatar, mas exercer uma espécie de gestão da situação do que lhe chega. Também não podemos ter sociedades médicas a afirmarem que os melhores não estão a ser ouvidos em detrimento de outros que provavelmente se movimentam melhor no plano mediático e político. Passámos demasiado tempo no Verão a apanhar sol na praia, sejamos consistentes nas mensagens e nos alertas.

 

Todos sabemos que os números estão a ser "martelados", não tenhamos ilusões, mas mesmo assim, não podemos deixar de viver, não podemos parar a economia e muito menos destruir o que temos de nosso, já nem como cidadãos mas como pessoas! Não façam isso e não deixem que isso vos seja feito.

 

O Mundo do pânico pandémico (e não escrevi da pandemia) está, entre as gotas da chuva a transformar-se. Existem conflitos a eclodir por todo o Mundo, muitos deles pela liberdade de países e povos outros somente a aproveitarem a baixa atenção mediática a outros temas. É terrorífico ver que por cá, inclusive em espaços de blogues e artigos de opinião ainda se defende, aproveitando a embalagem da pandemia, um regime maoista que desenvolve campos de concentração! Existem, como na Nigéria, Colômbia, Chile e outras nações, ataques coordenados a quem diz não: na Nigéria as autoridades antes de abaterem manifestantes pela Liberdade que só estavam concentrados pacificamente, tiveram o cuidado de preparar o terreno, afastando testemunhas com zonas de contenção, retirando câmeras e limpando a zona! Estes são os testemunhos mais violentos, mas também sabemos como Portugal é um país perfeito para "abater" quem diz não!

 

Respeitemos os outros, tenhamos todos os cuidados exigidos para não multiplicar a propagação do vírus, mas acima de tudo não deixemos de viver e não embarquemos numa espécie de suicídio colectivo. Mais do que morrer de medo e desprovido de qualquer personalidade, importa sim saber como reagir face à adversidade e apostar numa mudança que tem de acontecer, e nesse aspecto, o vírus é uma grande oportunidade de nos tornarmos melhores em muitos campos, embora, infelizmente, em muitos territórios, não seja uma prioridade.

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A Economia e o nosso cérebro não usam máscara...

por Robinson Kanes, em 14.10.20

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Créditos: Mauro Biani (http://maurobiani.it/), La Repubblica - (https://www.repubblica.it/)

 

A História encarregar-se-á de nos mostrar se de facto, no primeiro semestre de 2020, cometemos um erro ao fazer a experiência falhada de frozen-unfrozen da economia mediante uma hipotética doença mortal; se cometemos um erro ao acreditar na teoria do pós-furacão em que durante e logo a seguir à tempestade a economia cai a pique mas rapidamente recupera; se, simplesmente, fomos demasiado precipitados e cometemos o maior suicídio colectivo da História ou ainda se fomos invadidos de pânico e não soubemos reagir. Aparentemente, outro cataclismo se segue que é a aceleração das mudanças climáticas e que já representa milhões de mortes anuais.

 

No entanto, já vai sendo tempo para se fazerem os primeiros balanços e rapidamente chegamos à conclusão que nem a previsão de uma pandemia de "gripe espanhola" com um número de óbitos a rondar os 70 milhões, conseguiria fazer cair tão drásticamente o Produto Interno Bruto (PIB) como poderá provocar o SARS-CoV-2. Segundo as previsões do Fundo Monetário Internacional (FMI) seria de 5% para a primeira situação e é actualmente de 8% para a segunda. "Uma crise como nenhuma outra, uma recuperação incerta" como lhe chamou a instituição em Junho num dos seus habituais "World Economic Outlook Reports". Em Outubro, já temos um FMI a trilhar um caminho mais árduo que o esperado, não estivessem os casos de COVID-19 a aumentar e muitas economias ainda a adiar o seu arranque - excepto a China que está a crescer como ninguém. Será pela ausência de casos? Será pelo total desrespeito pelos Direitos Humanos (alegadamente até a utilização de campos de concentração e mão-de-obra escrava) e ausência de uma protecção social? Será um Estado a funcionar na sua perfeição?

 

Todavia, não sendo economista, preocupa-me ver (e eu que tantas vezes sou atacado por defender os ricos) que muitos chamados ricos, vão ficando cada vez mais ricos e muitos pobres vão ficando cada vez mais pobres. O vírus até pode ser democrático, tão democrático que, aparentemente, até foge dos países mais totalitários, não obstante, os seus efeitos já não são tão democráticos. O que é que está a "falhar", para que os 1% continuem cada vez mais ricos? Capacidade de superação, reinvenção? E para os pobres estarem cada vez mais pobres? Não, deixem-se de arco-iris, não está nada tudo bem e, atentando ao caso português, não é com o Estado como principal agente económico que vai ficar, mesmo sendo o tecido produtivo algo imperfeito na sua maioria - bazuca das políticas sociais (também ainda ninguém percebeu quais são) não vai chegar a todos. Infelizmente, a gestão do problema também não será fácil, pois um Estado usurpador face a um grupo grande de empresários sedentos de fundos tende sempre a não correr bem e já é um problema crónico na Lusitânia. E ainda temos a questão do endividamente público e privado, outra bomba que fará Beirute parecer um petardo.

 

Como nos diz um recente artigo publicado no "The Economist" ("The peril and the promise") a verdade é que o mundo não está parado, e que a economia não estando a crescer como o desejado, também não ficou estática e está a tentar sobreviver acelerando a mudança em áreas como o comércio, a tecnologia, a finança e a política económica. Acrescentaria também as mudanças sociais, algo que tende a escapar, por vezes, a estes publicações. Na verdade, vejamos como já estamos mais familiarizados as novas tecnologias mais básicas (o retalho que o diga) e como temos de nos adaptar a cada momento à mudança (entendo que repetir a palavra mudança em Portugal é criar o meu próprio suicídio profissional, mas...), a novas formas de trabalhar, e não é com a crescente tendência de títulos pomposos, com especialistas em LinkedIn e criação de autênticos silos no mercado de trabalho que conseguiremos resultados. É com a capacidade de nos reinventarmos, de acolhermos novas metodologias, de estarmos preparados para perceber que existiu o antes e estamos no agora (e como isto é difícil de entender) e que ainda virá o depois. É de nos retratarmos quando em tempos alguém falava em "remote" e todos desprezavam, especialmente os adeptos do presentismo (a expressão presenteísmo é infeliz) e é também de olharmos para aqueles que em tempos (e ainda hoje) se sentam à nossa frente para falar de sustentabilidade, novas formas de abordagem ao trabalho e à sociedade e reconhecermos que pelo menos alguma percentagem de razão teriam... Mas não, ao invés disso, achamos tudo o máximo e fazemos (algumas organizações e colaboradores) questão de "parolamente" promover como se tivessemos descoberto a América, práticas e processos já amplamente implementados há décadas.

 

Se não estivermos preparados alguém estará, e não tem de ser em amargo sofrimento, mas também não é com discursos motivacionais sem fundamento ou vídeos do Sinek (embora o midlle management adore) que abraçaremos essa mudança. Muitos poderão, sobretudo em Portugal, não o sentir, as bazucas vão acalmando as hostes, mas o Mundo mudou, para o bem (e já dei alguns exemplos acima), mas também para o mal: conflitos da América do Sul até ao Mar da China a acentuarem-se, a extrema-direita em ascensão na Europa face a um declinío das instituições democráticas, da social democracia, da esquerda moderada e de uma esquerda da paz e dos cidadãos que se revelou um autêntico desastre e deixou muitos sem esperança quais animais enclausurados numa quinta.

 

Estamos perante guerras e conflitos que repentinamente "deixaram de existir" e tensões económicas e sociais que um mundo altamente globalizado não consegue controlar. Para o bem, temos know-how como nunca existiu na História, temos meios para enfrentar as dificuldades (se bem que o mundo não é nem nunca será perfeito), repetimos constantemente a palavra "solidariedade" (é só colocar a mesma em prática, e solidariedade não é esmola) e uma capacidade de escolher e tomarmos decisões em conjunto. O Mundo está a mudar e aqueles que ainda querem ficar à espera de uma vacina, como se isso fosse o antídoto para voltar ao antes, esses efectivamente que vão fazer turismo... Porque se a sua acção face às dificuldades é umas mais-valia, a sua inacção é um perigo que não devemos arriscar.

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Não Podemos Mais...

por Robinson Kanes, em 09.10.20

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Créditos: https://www.diarioprogresista.es/pablo-iglesias-contestan-misma-medicina-tic-tac/

 

En política no se pide perdón, en política se dimite.

Pablo Iglesias

 

Admito, com ligeira perplexidade, que nos preocupemos tanto com as idas à casa-de-banho de Bolsonaro e Donald Trump (e só destes dois... e sempre para o mal), do outro lado do Atlântico mas deixemos escapar, por exemplo, o que se passa em Espanha. O que se passa por cá, já não me espanta, o efeito avestruz elevado ao seu estado mais normal.

 

É neste contexto que o terramoto político e social que pode rebentar em Espanha também pode trazer consequências para o nosso país ou não fosse o epicentro localizado num dos partidos mais adorados em Portugal, o Unidas Podemos. A sede de poder de Pedro Sánchez levou, à semelhança do que acontece em Portugal, à aliança com a extrema-esquerda espanhola, sobretudo republicana e pouco moderada. Aquela esquerda dos cidadãos, do "Podemos" que vinha salvar o mundo como o fracassado Syriza na Grécia e o Bloco de Esquerda em Portugal.

 

Todavia, temos assistido a uma demonstração de ausência de ideias para o país (apenas o foco no discurso - e só no discurso - de ajudar os pobres, estar do lado dos criminosos "okupas", a independência da Catalunha e o fim da monarquia) e casos atrás de casos de corrupção e movimentações totalitárias dignas de uma URSS, bem como uma repetição à portuguesa da grande família: Iglesias e a mulher partilham a liderança de um partido e influenciam ambos as decisões governamentais.

 

Sob a égide de Pablo Iglesias, o "Podemos" tem sido alvo de vários escândalos de corrupção dos quais se destaca a famosa "Caja B", adjudicações fraudulentas, relações promíscuas com jornalistas, as movimentações de del Olmo, os famosos casos Calvente e Dina Bousselham, falsas denúncias para ter vantagem eleitoral e um sem número de "sacos azuis". A táctica, quando confrontado com a situação, também à semelhança do que acontece em Portugal, é desaparecer (Marcelo nisso é exímio quando o assunto não lhe é favorável) ou então atacar os adversários com um "vocês também fizeram" ou ainda "assunto encerrado" à boa maneira de António Costa e do Ministro da Propaganda, Augusto Santos Silva.  Em relação a falsas denúncias e com tantas similitudes no modus operandi, só me recordo de um caso de correspondência com ameaças e que até fizeram (mais uma vez sem qualquer sentido) que os mais altos cargos da nação viessem pressionar a Investigação e a Justiça - já existirão desenvolvimentos acerca de quem foi ou foram os autores dessa correspondência? Os resultados rápidos tardam em aparecer...

 

Não obstante, à semelhança de tantos outros casos na Península Ibérica, o líder do Podemos, foi o mesmo que em tempos (2016) dizia que perante as suspeitas de casos de corrupção ou similares no seu partido, a demissão seria a opção única! Hoje, diz-se vitíma daqueles que querem vingar os impetos da independência catalã e ostenta o total apoio que lhe é dado por Sánchez - o poder, custe o que custar, mesmo que no Senado espanhol já se grite (sim, grite) pela demissão de Iglesias. Isto aconteceu enquanto a senadora do PP, Elena Muñoz, anteontem, denunciava muitos destes casos e inclusive o desrespeito pelas mulheres - logo o partido que tanto apregoa a causa embora o seu porta-voz (Pablo Echenique) até já tenha sido condenado por fraude à Segurança Social! Estranhos tempos onde o algo e o seu contrário começam a ser a tónica dominante dos heróis... 

 

A História ensina-nos que nem sempre aqueles que inicialmente surgem como os grandes salvadores da Humanidade, os defensores de todos os direitos e das causas sociais, da justiça social (ainda ninguém sabe bem o que quer dizer este conceito, mas fica sempre bem utilizar) são aqueles que, tendo o mínimo acesso ao poder, normalmente do Estado (mas até em muitas organizações empresariais vemos isso), são os primeiros a fazerem um Nicolae Ceaușescu parecer um menino aos olhos dessa mesma História.

 

Unidas Podemos parece estar mais a desunir Espanha do que propriamente a unir, sobretudo numa altura em que o vírus que nos assola mata milhares de espanhóis e a própria economia. A ausência de debate e soluções sérias, o ataque constante à unidade de Espanha na pessoa do Rei, não auguram nada de bom para o futuro... Além de que, muitas destas cenas, também não são diferentes na antiga província espanhola, apenas mudam os actores.

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O Fim da Duralex...

por Robinson Kanes, em 26.09.20

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Créditos: https://www.pinterest.pt/pin/374502525257023726/

 

Foi por Espanha, nomeadamente pelo El País, que soube do fim anunciado da Duralex. Talvez muitos não o saibam, mas a Duralex era o fabricante da "inquebrável" louça de vidro, aquela de aspecto âmbar. Uma imagem de marca dos anos 60 e 70!

 

Recordo-me de, em casa dos meus pais, existirem dois conjuntos: um que se utilizou e mais tarde se deu a uma família carenciada e o outro, intocado que, muito recentemente, me foi doado pela minha mãe - lembro-me dessa primeira doacção, parecia novo apesar do muito uso. Como me recordo, à semelhança de outros, de ouvir dizer "este conjunto que comprámos em Espanha". A Duralex era um ícone das louças mais comuns, em Espanha teve um tremendo sucesso, uma espécie de louça de Sacavém e até teve destaque no original da série "Conta-me como Foi", uma "cópia do original "Cuéntame". 

 

Ao longo dos anos assisti à morte de muitas louças caras, mas a Duralex sobreviveu ao passar dos anos e à minha capacidade de partir pratos e copos devido a umas mãos escorregadias para louças.

 

Dura lex, sed lex, seria a inspiração e slogan para o nome da marca, por incrível que pareça. Desenvolvida pelo actual gigante "Saint-Gobain", os franceses detentores da antiga COVINA em Portugal, e depois de vários investimentos, não resistiu à crise actual causada pela quebra no consumo e no fecho da economia e cedeu.

 

A louça utilitária (ainda me causa alguma impressão o conceito de "louça decorativa") que já era uma peça vintage, despede-se assim e encerra mais uma recordação de um velho/novo Mundo. Talvez agora, seja a oportunidade de sair das cozinhas e das salas dos menos abastados e ocupar a mesa dos mais ricos ou dos locais mais nobres, afinal, a morte transforma a miséria em nobreza.

 

Não estou presente na casa que agora está mais rica com estas peças, mas por certo, aquelas peças, daquele conjunto, terão ainda um maior valor afectivo, pois além da memória dos meus pais serão também a memória de uma época.

 

Duralex, eterna lutea...

 

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(Anti)Racismo (em)na Baixa...

por Robinson Kanes, em 29.07.20

iStock-1221333903.jpgCréditos: https://www.ies.be/content/covid-19-amplifier-racism-and-inequalities

 

Seriam cerca das quatro da tarde e eis que devorava o meu almoço, um belo prego e um sumo de laranja, coisa saudável e mesmo a condizer com a boa forma (não!)  e um dia de trabalho que teimava em não terminar.

 

Estando de pé, ladeava-me um casal de indivíduos de etnia cigana num habitual aparato onde o filho corria por todo o espaço (e sem máscara) e a gritaria era tal que intimidava todos os que se encontravam no espaço, quer a comer quer a trabalhar. Enquanto saboreava qualquer coisa, a esposa, grávida, pedia ao esposo que lhe fosse buscar um rissol. Carinhosamente, o marido, eis que foi pedir o dito rissol. Não! "Olha, vai lá buscar tu". Até tem outra  sonoridade quando dito sem máscara dentro de um espaço fechado. E assim foi, há que saber tratar uma mulher, então grávida, nada como um mimo - estranhamente os defensores das minorias só apontam as balas num sentido, esquecendo-se que dentro de algumas minorias existem coisas que... 

 

O lado bom da caricata situação é que permitiu à senhora que, de forma arrogante e sem qualquer respeito pela colaboradora do espaço exigisse que a tosta mista, entretanto terminada de confeccionar, fosse aparada. Há que manter os níveis no café low cost esquina que isto de vir o pão com pontas e a alface e o queijo de fora não condiz com nada.

 

E eis que, já com a senhora de volta à mesa e em pé, surge um indivíduo africano, com o aspecto de quem estava a trabalhar no duro numa obra perto. Pede o seu pão, está de máscara e até preserva algum distanciamento social. Eis que, com uma mão no nariz, a frágil senhora grávida, começa com a outra mão a fazer aquele gesto de  afastamento para o indivíduo negro, e com um também habitual "aiiiiii olha queres ver"... 

 

Estava ali uma bela história para o Robinson apreciar. Eis que, tomando as dores da esposa, aquela que mesmo grávida tem de se desenrascar, o esposo profere um "aiiiii queres ver que não ouves, levas já duas chapadas que te virooooo". Este é o momento em que o Robinson pensa... Bem, acho que vou ter de actuar, mas optei por ficar, além de que tinha uma camera mesmo apontada à minha pessoa e a mesma capta gestos mas não sons. Ainda era cedo para contribuir para a criação de um mártir.

 

Sai novamente um "olha queres ver... este filho da.... não sai daqui, levas duas bolachadas que te viro". O indivíduo negro que, provavelmente nem percebia português, dirigiu-se à caixa para pagar, e quando estava a sair ouviu novamente alguém chamar nomes à sua mãe e ainda levantar-lhe a mão ameaçando-o de pancada da grossa. Pousei o prego e dei dois passos, mas optei por seguir a actuação do indivíduo que ignorou totalmente o facto. Alguém tinha de trabalhar para pagar impostos e muito provavelmente enviar dinheiro para uma localização distante e perder tempo não fazia parte das suas prioridades. Os olhares de todos voltaram ao chão, sobretudo depois da minha pessoa ter "recuado". Respirava-se fundo, mas o medo era notório.

 

No espaço todos se sentiram intimidados e o silêncio reinou. Reinou até à saída vitoriosa daquele casal, ainda sem máscara, até ter entrado na viatura de aluguer estacionada na via pública, em zona proibida e debaixo dos olhos dos agentes da Polícia Municipal e da Polícia de Segurança Pública. Não costumam ser tão coniventes com os indivíduos da malta de cargas e descargas, mas esses não têm espaço mediático, são meros trabalhadores e também laboram meio ano só para pagarem impostos.

 

Será que a SOS Racismo aceita esta minha denúncia? Será que se o Robinson tivesse actuado de imediato não apareceria nas televisões com o rótulo de racista? Possivelmente... Não foi o medo que me levou a ficar quieto mas sim a atitude madura e inteligente da vítima e isso foi a maior lição que tive naquele dia. Todavia, a outra lição com que fico é que, independentemente da raça, cor, etnia, a intimidação continua a ter lugar e as baforadas excêntricas e sem qualquer sentido que encontram racismo em tudo, estão a anular a capacidade de encontrarmos e resolvermos as verdadeiras demonstrações desse mesmo racismo e até de violência. Tudo isto sem esquecer a revolta contida de muitos que, em períodos mais débeis, pode facilmente soltar-se... E o perigo está aí. Até porque os temas que estão a afundar o país continuam a ser abafados pela má exploração de tópicos como este e outros...

 

Enquanto andarmos entretidos com manifestações e petições (algumas delas, sobretudo as notícias em torno das mesmas, altamente manipuladoras) para solicitar subsídios vitalícios pelo "simples" facto de alguém ter perdido um ente querido num homicídio (o que é uma tragédia), e ainda não totalmente esclarecido, vamos esquecendo todos os outros e muitos deles que morreram a dar a vida por todos nós. Vamos deixando passar os buracos de milhões que esta crise está a gerar, a falta de dinheiro na segurança social para fazer face aos problemas da crise (existem cidadãos que não estão a receber aquilo a que têm direito por alegada falta de verbas) e os já habituais casos como o Novo Banco. Ainda hoje disse que Portugal parecia a Venezuela a um nacional desse país e a resposta desse foi: "Como a Venezuela? Ainda está é pior!".

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Sardinhada e uma Rapsódia...

por Robinson Kanes, em 21.07.20

h_54839816-800x450.jpgCréditos: https://www.euractiv.com/section/uk-europe/news/avoid-brexit-style-chaos-dutch-pm-tells-his-people/

 

Foi assim que Mark Rutter, o Primeiro-Ministro Holandês, ficou durante a reunião do Conselho Europeu, depois de ler o artigo de hoje no nosso habitual espaço à Terça-Feira no SardinhasSemLata. Aliás, até já comentou dizendo que está muito contente com o "Não é que Não Houvesse" e que se vai tornar leitor assíduo dos dois espaços. Quem quiser saber mais só precisa de clicar aqui.

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Estónia: estar à frente é isto...

por Robinson Kanes, em 08.07.20

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Créditos: https://pt.slideshare.net/MerlinLinde/educational-technology-in-estonia?smtNoRedir=1

 

Creating a new country from scratch has given Estonia the license to imagine what a country could be. 

Taavet Hinrikus, in "National borders - a thing of the past?"

 

 

No país onde ter um vasto conjunto de shared-services e call-centers é sinónimo de vanguarda tecnológica, temos de ter em conta que não é isso que, ao contrário do discurso, nos coloca nos primeiros lugares, ou pelo menos em lugares mais aprazíveis. Reconheço que, em comparação com países bem mais desenvolvidos que Portugal, não temos as facilidades tecnológicas do nosso país e também reconheço que shared-services e call-centers, não deixem de ser uma mais-valia desde que não assentes apenas em mão-de-obra barata e altamente qualificada.

 

Enquanto muitos só agora despertaram para a necessidade de olhar para o futuro e para os desafios que o mesmo nos coloca (uns despertaram, colocaram os habituais posts no LinkedIn e fizeram artigos de revista mas já se esqueceram) existem outros que, entrando na corrida do desenvolvimento de forma mais tardia, já dão passos de gigante e que inclusive lhes permitem suportar com maior presteza os desafios "impostos" pelo surto pandémico de COVID-19.

 

Na Estónia, encontramos uma total automatização (e que funciona, não é só ter) dos registos de saúde e a "e-prescrição" que em tempos de pandemia foi fundamental para o combate à mesma, sem esquecer de mencionar que a tecnologia Blockchain já é uma realidade, sobretudo nesta área. Destaco o "e-ambulance", um sistema que detecta a posição de uma chamada de emergência alocando a mesma para a ambulância mais próxima, isto enquanto o médico que aguarda no  hospital ou se dirige para o local da ocorrência pode ir consultando o tipo de sangue, alergias, tratamentos recentes, medicação e um sem outro número de informações pertinentes.

 

É na Estónia que também o "GoSwift", um sistema de gestão de transportes, do tráfego e de fronteiras, permite um enorme controlo de custos e poupança de tempo com reais impactos na vida das pessoas, nas deslocações para o trabalho e obviamente em toda a cadeia logística. 

 

A assinatura electrónica e os selos digitais são também uma realidade, aliás, este país foi pioneiro no uso da identidade digital. Também os chamados online meetings já eram uma realidade antes da pandemia e com a mesma não se assistiu a uma euforia de muitos indivíduos como se de crianças com novo brinquedo se tratassem. Enquanto uns cá se gabavam, sobretudo no Linkedin de estarem muito à frente, e passo a expressão, imagino que outros se ririam e muito de tal gabarolice.

 

Finalmente, e porque a lista seria longa (e a ela voltarei), destaco dois pontos que para mim são uma grande mais-valia quando queremos fazer as coisas e deixar a propaganda de lado:

 

- Durante o lockdown, o Governo da Estónia opromoveu um hackathon online para que qualquer indivíduo colocasse os seus problemas/desafios relacionados com a pandemia. Automaticamente, a plataforma fazia/dfaz o match com voluntários dispostos a ajudar e a encontrar uma solução. Porque é importante? É querer resolver os problemas, é querer criar empowerment na população, é desenvolver um espírito de inter-ajuda e de comunidade, é colocar as pessoas no centro da informação e torná-las também autónomas. É tirar o melhor partido de todos e com todos e não sonegar informação e competências que erradamente nos querem fazer pensar que só meia-dúzia de iluminados conseguem atingir.

 

- Deixo este mote que pode ser encontrado no portal e-Estonia: "o sonho estónio é ter o menos de Estado possível, contundo o Estado necessário". Em relação a isto, não preciso de escrever muito mais, por muito que choque os iluminados que falei acima e os acomodados.

 

Terminando, e segundo os dados do "World Economic Forum", Portugal não está na vanguarda em termos de empreendedorismo ao contrário do que, mais uma vez se tenta vender. Porque empreendedorismo não é só criar empresas porque sim ou sem qualquer viabilidade económica no longo prazo.

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O "top ten" é ocupado por vários outros países e onde, se ligarmos (e sou eu a afirmar, sem todos os dados na minha posse) o sucesso no combate à pandemia com a dinâmica empreendedora, tecnológica e de empowerment da sociedade, temos uma relação claramente vencedora. Temos aqui países saídos recentemente do bloco soviético e bem mais pequenos que Portugal, quase todos. É com estes que temos de nos comparar, mas preferimos falar e discursar para as televisões e ignorar estes actores por razões óbvias.

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Banhos, Ciência de Esquina e Banhadas...

por Robinson Kanes, em 30.05.20

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Imagem: Robinson Kanes

 

O homem precisa de ver mais as suas possibilidades que as suas prisões

Agustina Bessa-Luís, in "Ternos Guerreiros"

 

Ontem, violando os deveres do confinamento, sentei-me na esplanada do costume, não a "Taberna dos Cabrões", mas aquela que já deu azo a grandes artigos.  Foi por lá que se fizeram alguns balanços da semana entre choco frito, cerveja Sagres da "botella" (a imperial esgotou), martini, gin só com limão e sem água tónica, azeitonas, queijo de Azeitão e bochechas... Agora lembrei-me do...

 

O primeiro balanço saiu da boca de um marialva daqueles que não compreendia como é que se defende o confinamento e o distanciamento social e depois se disputa nas televisões palco mediático por idas à praia, ainda por cima antes da abertura oficial da época balnear e perto de bairros onde a bomba começa a explodir e só são importantes para a selfie popular (lembrei-me do funeral popular que se faz em Alcochete) ou para o Banco Alimentar Contra a Falta de Fome. Na ausência da bola, é preciso continuar na senda da popularidade com alguns relatos de autênticas "banhadas" que mais parecem um Benfica-Sporting. Não foi o marialva, fui eu, mas não convém sempre dizer que sou eu... 

 

Entretanto, uma das grandes figuras de Alcochete, toca noutro ponto: mas porque raio é que temos de andar a colocar sempre o nosso dinheiro nas mordomias da TAP? Porque é que a TAP interessa tanto? Além dos votos e dos conluios, anda toda uma súcia de desejosos em nacionalizar a mesma... Aprendam com a Lufthansa, a Alemanha não serve só para nos dar dinheiro. E mais não digo, antes que a música seja outra, como disse "em tempos" um dos patrocinados do regime e alguém que confunde a pasta de ministro com a de ditador, com todo o respeito pelos segundos que subiram, mal ou bem, a pulso.

 

E numa zona onde alguns comunistas abundam, especialmente os que são financiados pelo Orçamento de Estado, são muitos o que questionam porque é que um dos espectáculos mais duvidosos em termos legais e de pagamento de impostos vai ter uma cláusula especial lá para início de Setembro. Aqui a conclusão foi fácil: "vamos lá e rebentamos com aquilo tudo". Denotem que isto foi o proprietário de um pastor alemão que usa sapato de vela, veste camisa Ralph Lauren e usa calças de montar a proferir - após a décima segunda cerveja (e sempre são 33cl x 12).

 

Finalmente, e depois de ter recebido da Suiça um link com muitos smiles, link esse de uma publicação daquelas revistas de especialidade cujos artigos são sempre com os mesmos, ninguém conseguiu deixar de estar inquieto com Miguel Pina Martins - um senhor que aparecia muito, depois deixou de aparecer quando a fraca procura de acções em Bolsa se deu e agora volta em força como porta-voz de mais uma associação - um aparte: nunca vi um país tão pequeno com tantas associações, e olhem que sempre me ensinaram que menos é mais.

 

Este indivíduo, cujo mérito no desenvolvimento de um conceito de brinquedos é notório, uma ideia brilhante, aplica o discurso ameaçador do "ou nos dão aquilo que queremos ou fechamos", no habitual atirar de números para o ar e declarando guerra aos senhorios, particularmente aos proprietários de centros comerciais que, no entender deste, deveriam ser "penalizados" pois os custos são inferiores aos dos arrendatários. Para um gestor, o conceito de investimento e retorno do mesmo deveria ser mais claro, além de que, sendo moralmente condenável ou não, lá porque eu estou a sofrer, o do lado não tem que sofrer também - chama-se economia de mercado. Além disso, não basta criar conceitos e desenvolver produtos e ficar à espera que seja o mercado a vir ter connosco, até porque este n\ão é estanque, cada vez menos.

 

Pina Martins pede também ao Estado, os famosos empréstimos a fundo perdido e mais um sem número de privilégios para o retalho, dando a entender que o retalho são somente as lojas de centro comercial ou as mais conhecidas. Chego a ter dúvidas que muitas organizações empresariais ligadas ao retalho tenham esta visão. A repetição do discurso da crise, do dinheiro grátis e da chantagem está à vista, mas...

 

... em nenhuma linha vi Miguel Pina Martins tecer planos para o futuro, nomeadamente no médio-prazo. Também não vi Miguel Pina Martins focar-se nas novas formas de fazer chegar o produto ao consumidor final, acabando por defender (e colocando esse escolha no próprio consumidor - anda a falhar na análise) o tradicional comportamento retalhista da ida à loja. Existiu uma crise com proporções dantescas, mas falamos no regresso ao que era, do "vai ficar tudo igual"... É o mundo a mudar e "vai ficar tudo bem" não é o mesmo que dizer "mais do mesmo"! Se num país com economia dinâmica e sem esperar subsídios do Estado a toda a hora, esta visão arruina qualquer empresa. O comércio online, desafios logísticos, reconversão dos colaboradores, formas de investimento, estratégia nacional e internacional, desenvolvimentod e produtos, nada disso é falado, nada! Até o hype do "teletrabalho" é deixado de lado, para alguns, já coisa do passado. E de facto até é, pois nos últimos meses parece que descobrimos a pólvora, a verdade é que já tinha sido descoberta há décadas...

 

Pergunto, aliás, perguntamos todos a Miguel Pina Martins: fundo perdido? Em que mundo é que vive, Miguel? Pelo facto de sermos o país das borlas e do esmaga orçamentos (em tudo) é que também não evoluímos muito, mas permita-me dizer-lhe que não é motivo para trazer essa questão à praça. E olhe que vi empresas a encerrar nesta fase porque (até arrogantemente) se recusavam a ser financiadas pelos impostos de todos nós e a ouvir associações que só criam entropia e defendem interesses que vão muito além dos interesses de todos os associados. A nossa recomendação, Miguel, venha mais para a esplanada e passe menos tempo nos media. Venha discutir connosco e ensinar-nos qualquer coisa... Olhe que até nos enfrascamos de surface  e gráficos na mão, mas uma coisa é certa, nunca nos lembraríamos da dos fundos perdidos e do regresso ao que era.

 

P.S.: também falámos de coisas boas, sobretudo quando se chegou ao gin. Nasceu um burrito que está cada vez mais brincalhão e ainda ninguém conseguiu perceber como é que eu não sendo um aficionado, mas apaixonado pelos touros no campo, continuo a ter excelentes momentos com aquela malta... 

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A crise que está a caminho...

por Robinson Kanes, em 27.08.19

What should startups do when they encounter a cris

Créditos: http://elitebusinessmagazine.co.uk/sales-marketing/item/what-should-startups-do-when-they-encounter-a-crisis

 

Andamos todos a gastar que nem doidos, pouco interessados (mais uma vez) na produtividade porque, mal ou bem, o consumo exagerado e o dinheiro que vai chegando da União Europeia e outros expedientes vão segurando a economia (os expedientes vão deturpando). Contudo, depois do efeito devastador da última crise a próxima pode ser ainda pior, sobretudo porque novos actores estão mais activos quer em termos políticos quer em termos ambientais e sociais.

 

O mundo de há 10 anos não estava tão ameaçado por guerras comerciais e bélicas e os problemas ambientais eram menores (embora a tendência fosse de aumento). Também a diplomacia estava menos tensa e os próprios media tinham menos poder de monopolização e distorção da informação: mais do que nunca, hoje é possível desencadear uma guerra só com uma ou duas "fake news". As massas nunca estiveram tão apáticas e a inteligência artificial (IA) ainda estava muito longe (pelo menos para o público em geral, porque a mesma já existe há muito, a capacidade de operar e monitorizar é que era muito fraca). Também a questão das migrações é um problema global que continua a não ser combatido na origem. Estamos perante um tema cuja defesa se dá sob a capa do politicamente correcto e a servir de palco para alguns actores mostrarem quão caridosos são.

 

Pelo mundo, a produção industrial está a abrandar, as trocas estão a cair e as maiores economias começam também a dar sinais de  abrandamento. As soluções de há 10 anos podem também não resultar, afinal as taxas de juro estão mais baixas que nunca e as divídas soberanas mais altas. Por cá, o normal, continuamos a gastar e António Costa até brinca quando se fala de divída externa - continuamos a gastar, e a esquecer que tudo se paga. A Moody's já avisou que a tendência de decrescimento vai ser o normal nos próximos três/quatro anos. A acompanhar este pessimismo temos também a OCDE e o FMI a reverem os números. Além disso também é importante termos em conta que a injecção de dinheiro fácil na União Europeia e Japão algum dia tem de terminar.

 

Juntem a tudo isto uma China a crescer menos, a crise com os impostos comerciais, o Brexit (que ninguém sabe como vai acabar/começar) e temos o caos montado, sobretudo com uma Europa que não cresce: vejam o primeiro semestre e uma Alemanha com fortes hipóteses de entrar em recessão - a crise dos motores a Diesel ainda está a provocar muitas baixas.

 

Outra realidade é o facto das empresas estarem a controlar investimentos (a guerra comercial assusta quando se fala de investimentos no exterior e a expectativa de uma crise também). Temos também o dilema de que a teoria do crescimento tem de sofrer uma nova abordagem na medida em que os recursos nunca foram tão escassos face às necessidades de um mundo que não quer parar de crescer e consumir, sobretudo nos países mais industrializados. Temos de repensar os pilares económicos, sociais, humanos e ambientais sob pena de estarmos a entrar em colapso iminente. É fundamental desenvolvermo-nos e garantir a sustentabilidade económica sem crescimento desenfreado.

 

É necessário que a comunidade como um todo se mobilize, a cidadania se mostre, se encontrem novas formas de governar - lá por fora já vai falando do localism , por cá, fala-se pouco e porque é um conceito giro. Não pensamos em como vamos gerir todos os desafios, pensamos no agora quando o amanhã é isso mesmo, já amanhã ou até daqui a umas horas.

 

Quero também deixar uma nota para a questão do emprego. Não sou um pessimista em relação a todo um mundo que é a IA, mas é importante estarmos preparados e começarmos a discutir tudo aquilo que aí vem. Por incrível que pareça, a chegada em força da IA vai-nos tornar mais humanos e provocar essa necessidade no mercado de trabalho, temos sim, de estar preparados para tal. Nos países onde a veia humana e a criatividade são combatidas, podemos ter um grande problema - Portugal é um deles.

 

Também por cá as coisas também não têm tudo para correr pelo melhor, nem sempre sabemos administrar os fundos, não nos desenvolvemos assim tão bem (estamos a reboque de outros actores) e continuamos a viver com meia-dúzia de empresas que vão suportando o tecido económico e empresarial e até aniquilindo demais concorrentes. Acreditamos no Turismo e com isso justificamos todos os atropelos e mais alguns - as consequências não tardarão. O Estado continua a gastar e a adiar a sua própria reforma a troco de votos dos funcionários públicos - por isso talvez nunca falte dinheiro para "luxos" mas falte para ambulâncias.

 

A cimeira do G7 em Biarritz e sobretudo aquela (menos badalada, mas quiça mais importante) que teve lugar no Wyoming não acontecem por acaso. E se existem muitas soluções que podem ser colocadas on track, o intuito deste texto é demonstrar que o diabo (como ficou convencionado chamar a estes acontecimentos) talvez não se tenha ido embora e ande por aí à procura de uma oportunidade - porque o diabo são todos aqueles que não aprendem com o passado e que não se preparam para o futuro. 

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