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"My Hospi Friends"

por Robinson Kanes, em 05.06.17

network.jpg

Fonte da Imagem: https://myhospifriends.com/en/my-hospi-friends/the-social-network.html

 

Não sou contra redes sociais, mas também tal não me pode impedir de ver o que estas trazem de negativo. É como gostar de pessoas e não me ser possível criticar o que estas têm de mau.

 

No entanto, hoje, venho falar de uma ideia muito interessante e que se reveste também de rede social, nomeadamente a "My Hospi Friends". A "My Hospi Friends", que no fundo poder-se-ia traduzir por "Os Meus Amigos do Hospital", nasceu da vontade de Julien Artu que após um acidente de automóvel acabou num hospital. Sendo eu uma pessoa que também tenta ver algo de bom em tudo, mesmo tudo, depressa percebi que estar numa cama de hospital tem as suas vantagens: dá-nos tempo para pensar! Vão por mim.

 

Foi exactamente isso que Julien Artu fez! Julien pensou e desenvolveu uma plataforma que permite que vários hospitais criarem a sua própria rede social para os pacientes!

 

As vantagens são várias, pois permitem a comunicação de modo formal e informal entre as instituições e os pacientes, por exemplo, a organização de eventos, ementas e um sem número de utilidades. Permite também, e seguindo os exemplos anteriores, que se criem jogos e actividades "online". Mais que isso, permite que as pessoas comuniquem numa rede social e partilhem também as suas experiências, criem grupos e partilhem vários outros conteúdos.

 

Imaginem uma espécie de "Facebook", embora a "My Hospi Friends" até seja uma plataforma bem mais interessante, inclusive do ponto de vista gráfico, dedicado somente a um nicho e perfeitamente especializado na abordagem, não sendo generalista e consequentemente sendo isso mesmo: uma rede social sem interferências externas, o que não acontece propriamente no "facebook", por exemplo.

 

Para mim, sobretudo numa época em que a criação de coisas novas é uma cool trend (tendência "fixe"), mesmo que a utilidade seja igual a zero, acredito mais na reinvenção e a aprimoração do que já existe. Este é mais um interessante resultado.

 

E afinal, sobretudo quem já esteve algum tempo hospitalizado perceberá, quantas experiências interessantes já não partilhamos com alguém nesse ambiente e quando deixámos aquele espaço pura e simplesmente perdemos o contacto?

 

Mais informação disponível em https://myhospifriends.com/en/

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O Pai...

por Robinson Kanes, em 23.01.17

IMG_7055.JPG

 

Em finais de Dezembro, tive oportunidade de ir ao Teatro Aberto assistir à peça “O Pai” - foi uma das prendas que dei à “velha” – e se por um lado João Perry dispensa apresentações, confesso que, o facto deste contracenar com Ana Guiomar me deixou a pensar no fiasco que se avizinhava.

 

O facto não se consumou e Ana Guiomar esteve à altura dos acontecimentos. Fiquei surpreendido pela positiva, e muito. João Perry, com aquele seu ar de “acabado” e, uma experiência de anos no teatro, mostrou que era a pessoa certa para o papel. Mas, não me vou alongar com uma espécie de texto pseudointelectual e enfadonho sobre as interpretações deste ou daquele actor. Não me cabe a mim vender a peça...

 

"O Pai" é uma peça que apresenta, de uma forma clara e sem qualquer pudor, a demência de alguém que, chegado a determinada idade, é apanhado de tal forma numa teia de cenários que se torna impossível distinguir a própria realidade, ou melhor, várias realidades cujo afunilamento na realidade do mundo, na realidade dos outros... se torna impossível.

 

De facto, e no meio de alguns momentos de humor, dou comigo a pensar no primeiro dia (ainda puto) em que talvez tenha sido levado pela primeira grande avalancha da minha vida... o dia em que o meu pai não me conheceu, o dia em que a realidade deixou de ser perfeita.

 

“As coisas não estão como eram”... foram as palavras que, confesso, me deixaram pensativo enquanto o autocarro me levava para Lisboa logo após uma época de frequências... imaturidade minha, medo... cobardia... fizeram-me ignorar o lado negro daquele aviso. O Pai sempre me havia ido buscar ao terminal, mesmo quando um dos braços (devido à doença) já o atraiçoava. Naquele dia, foi a mana - “as coisas não estão como eram, o que vais ver não é o pai como o conheceste...”. Tais palavras, ditas com uma frieza clínica, mesmo assim, não me haviam demovido de ver aquele homem forte, aquele exemplo de luta ao longo de uma vida e sempre bem-disposto perante a adversidade. O homem tal como sempre o idolatrara.

 

O cheiro a sardinhas (prato tão acarinhado lá em casa) antevia mais um jantar em família com a alegria que, apesar de dois anos de derrotas, não havia esmorecido... não havia esmorecido até entrar pelo portão e vê-lo ali, distante... sem alegria no olhar, sem um sorriso no rosto e olhando para mim como se questionando quem era estranha personagem que lhe estendia a cara para um beijo.

 

“É o Robinson, pai”. É o Robinson pai... e o eco dessas palavras e as lágrimas contidas que deveriam ter corrido como cataratas mas ficaram presas numa angústia que me faria mais tarde fugir de tudo aquilo. Deveria ter chorado, deveria ter-me lembrado da lição de Faulkner e de que um cavalheiro também chora, mas com a diferença que, face aos demais, depois lava a cara.

 

“As coisas não estão como eram”... não estavam mesmo. As boas notícias, de três semanas de bom trabalho no primeiro ano de faculdade ficaram guardadas para mais tarde... a doença atacara agora a sua alma, mas mais que isso... a sua alegria de viver, a sua capacidade de sorrir, de contar piadas, em suma... de rir da morte.

 

O Pai, deixara de ser o Pai... e no fundo de mim, por mais que tentasse fugir (e fugi) saberia que nunca mais o teria de volta e a realidade não mais voltaria a ser o que havia sido até então.

 

Fonte da Imagem: Própria.

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