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Dinheiro para o Atletismo? Não!

por Robinson Kanes, em 08.10.19

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Créditos: https://www.fpatletismo.pt/diário-de-doha’2019-–-nota-positiva-para-portugal

 

 

Não é com palavras que comunicamos o que em nós há de melhor.

Raul Brandão, in "A Farsa"

 

Os mundiais de Doha, no Qatar, terminaram com uma prestação modesta dos atletas portugueses. Não vou cair na tentação de dizer que tudo foi mau e que os nossos atletas pouco ou nada valem - somos um país pequeno e nunca poderemos chegar ao nível das grandes potências, quando muito, podemos potenciar o talento inegável de alguns atletas. Admito até que, para país pequeno, temos atletas fantásticos, embora, ao fim de alguns dias em Doha, o mínimo que dois deles deveriam saber é que estavam no Qatar e não no Dubai!

 

No entanto, uma das queixas mais comuns em relação ao atletismo, e também outros desportos, é de que o dinheiro é pouco, que os atletas vivem de forma muito modesta e que é um milagre conseguir levar os melhores lá fora. Para alguns é verdade, para outros, nem por isso, sobretudo se juntarmos um sem número de regalias entre as quais se enquadra o estatuto de atleta de alta competição e a permanência de alguns dinossauros que só abandonam os cargos quase com a morte, quais monarcas abençoados pela graça divina.

 

Contudo, a questão económica não parece ser preocupação para o Director Técnico da Federação Portuguesa de Atletismo e Seleccionador Nacional, José Santos, que, viajou em 1ª classe (não disse executiva, disse  1ª classe) num voo da Qatar Airways com a sua comitiva aquando do término dos Mundiais de Atletismo em Doha. Se por um lado sou adepto de que um "treinador" está sempre com os seus, também sou adepto do exemplo: na realidade, é que de uma forma ou de outra, também existe dinheiro de todos os portugueses para o Atletismo, e no mínimo, parece-me absurdo que um seleccionador nacional de atletismo viaje em primeira classe numa companhia aérea premium, longe dos seus e em condições das quais já nem as altas figuras do Estado usufruem! Infelizmente, estes tiques de provincianismo ainda vão permanecendo e é também por isso que, dinheiro público para o atletismo, não!

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Aprendam! Eles não duram sempre!

por Robinson Kanes, em 27.09.19

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Imagem: Petr David Josek / AP

 

Não é absolutamente necessário voar e entrar pelo sol adentro, basta rastejar até um lugarzinho limpo nesta terra onde de vez em quando o sol brilha e nós nos podemos aquecer.

Franz Kafka, in "Carta ao Pai".

 

Não resisti, por isso aprendam... Eles não duram sempre e mostram que ainda existem Homens com "H" grande...

 

Agora sim... Até breve!

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Créditos: https://rr.sapo.pt/noticia/56402/marcelo-e-costa-com-a-seleccao-com-moral-muito-elevado

 

O país não precisa de quem diga o que está errado; precisa de quem saiba o que está certo.

Agustina Bessa-Luís

 

 

“estabelece o regime fiscal aplicável às competições UEFA Nations League Finals 2019 e UEFA Super Cup Final 2020”, determinando que “são isentos de IRC e IRS os rendimentos relativos à organização e realização das provas”. Vide mais em Lei n.º 38/2019

 

E é assim que começa mais uma cuspidela e uma real risada na cara de todos os portugueses! Temos um Governo que utiliza a bancada parlamentar do PS para fazer sair mais um atentado à nação - vive impunemente o futebol que ainda, ao longo de tantos anos, não justificou se os investimentos (e corrupção) em torno do mesmo efectivamente valeram de alguma coisa ao país! Vejamos os beneficiários de mais um atentado a Portugal: "entidades organizadoras das finais, representantes e funcionários, bem como associações dos países e clubes de futebol, desportistas e equipas técnicas (treinadores, equipas médicas e de segurança privada e outro pessoal de apoio).

 

O termo cuspidela pode ser forte, mas porque é que, mais uma vez, um Governo (cujos membros também se vendem por bilhetes de futebol) e um Presidente (que hipócritamente justificou como sendo um compromisso internacional) cederam às tentações do futebol? Porque é que este tema tem sido tratado de forma tão recatada? E onde andam os humoristas - os tais que "não têm" filtros - e comentadores que habitualmente se sentam nos camarotes/bancadas VIP dos estádios? Basta ver muitas dessas cadeiras para ter uma real noção de como o futebol ainda dita as regras na política e não só!

 

Como é que um país pode aceitar a inútil justificação de que até pode existir dupla tributação? Que preocupação é esta do Governo (não só deste) e de políticos que há anos continuam a infringir as "directivas" de Bruxelas na dupla tributação relacionada, por exemplo, com o imposto automóvel, esse sim que prejudica a grande maioria dos portugueses?

 

Permitam-me perguntar porque é que os portugueses têm de ser verdadeiramente achincalhados por mais um pseudo-espectáculo futebolístico? E não me venham com prestígio! Prefiro ter o prestígio de ser um país industrializado, sério e justo ao invés de um país recheado de estrelas de futebol, muitas delas que fogem aos impostos e pagam a vítimas de violação para ficarem caladas (Já lhes tiraram as condecorações?).

 

Hoje "estaremos" alegremente a apoiar Portugal e o conluio futebolístico reinante! Alegremente estaremos num circo que, muito honestamente, temos todo o gosto em participar como autênticos palhaços. Se só cantamos o hino para o futebol, se também hoje o "fizermos", pensemos nas palavras do mesmo e pensemos no que é ser português... Talvez as bancadas fiquem vazias e as televisões e as rádios sem audiência... Ou talvez não, talvez não...

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Créditos: https://desporto.sapo.pt/modalidades/motores/artigos/africa-eco-race-elisabete-jacinto-vence-etapa-e-mantem-lideranca

 

Elisabete Jacinto é alguém que, com a companhia do marido, tem levado Portugal pelo mundo ao volante do seu camião. Elisabete Jacinto é alguém que chegou a ser alvo de muitas brincadeiras porque andava sempre pelo "Rally Dakar" com o patrocínio do "Trifene 200" e acabava sempre enterrada nas dunas e nem as provas terminava. Elisabete Jacinto é alguém que agora ganhou o "Africa Eco Race", a prova sucessora do Dakar!

 

O que Elisabete Jacinto não é? Não é jogadora de futebol, e mesmo que o fosse não era por aí, pois nesta moda da discussão das questões de género o futebol (como sempre) passa ao lado. Elisabete Jacinto também não investe em popularidade, prefere juntar o que ganha para procurar patrocínios e ir arranjando o seu camião. Foi talvez por isso que Elisabete Jacinto não recebeu um telefonema de Marcelo Rebelo de Sousa - talvez porque ninguém dos media lá estivesse. Talvez porque, uma mulher ao volante de um camião tenha feito aquilo que nenhum homem português fez até hoje! Talvez porque uma mulher ao volante de um camião, que humildemente até diz que gosta de de dar entrevistas - enquanto outros chamam os jornalistas e queixam-se de que é um enfando tal as solicitações que dizem ter - não é assim tão popular.

 

Não é tão popular que nem foi utilizada como bandeira pela metralhada da questão de género! Talvez porque se esteja a borrifar para isso, talvez porque o "hype" para aquelas bandas não traga visibilidade a ninguém, e portanto, não interesse exaltar a conquista de outrem se a "mim" não me traz popularidade.

 

Mas talvez seja melhor assim! Numa época em que as nulidades são exaltadas todos os dias, talvez seja bom passar ao lado de todo esse ruído - é cada vez mais o sinal de que os bons não precisam de chinfrim!

 

Parabéns Elisabete! Parabéns de quem, honestamente, nunca acreditou que chegarias onde chegaste! Talvez por isso, o orgulho em ti ainda seja maior! 

 

 

 

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Na Rota do Trancão...

por Robinson Kanes, em 22.11.17

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Fonte das Imagens: Própria. 

 

O Rio Trancão é um dos rios mais conhecidos de Portugal, sobretudo por causa da poluição. É um rio que nasce na Póvoa da Galega (concelho de Mafra) e desagua em Sacavém (concelho de Loures).

 

O que talvez muitos de nós não saibamos é a importância história deste rio: foi nas margens deste que se deu a Batalha de Sacavém, o primeiro embate entre as tropas de D. Afonso Henriques e os Mouros aquando da conquista de Lisboa. Também foi por este rio que muitas materiais (sobretudo a pedra) foram transportados para as obras de construção do Convento de Mafra. Este foi também, até ao século XIX, a linha de abastecimento de Lisboa que assim recebia os produtos da zona saloia. Ainda hoje o imaginário desta época está presente nos grupos folclóricos saloios. Em qualquer festival de folclore saloio vão reparar que o rio estará sempre presente nas vestes (o pescador), nas danças e na própria música.

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Hoje, a Foz do Trancão, particularmente, é um espaço de lazer e desporto onde podemos praticar desporto ou simplesmente contemplar o Tejo. No entanto, uma das rotas mais interessantes do Trancão é aquela que liga Granja (freguesia de Vialonga, concelho de Vila Franca de Xira) a Sacavém, passando pelo bela lezíria de Loures com os seus campos agricolas muito férteis.

 

A bicicleta é sem dúvida o parceiro ideial, afinal o caminho é longo, todavia também pode ser feito a pé, aliás, uma parte desse caminho é "Caminho de Fátima" e "Caminho de Santiago". Lembro-me da primeira vez que fiz este percurso, ainda à descoberta e com uma bicicleta "amadora", a minha BERG. Talvez tenha sido, aliás, o meu primeiro percurso BTT a doer e onde fiquei a perceber que uma bicicleta cheia de lama é um transtorno.

 

Mas todo este percurso coloca-nos numa Lisboa onde é possível atravessar pequenos montes e vales junto ao curso de um rio observando campos agrícolas, pequenas quintas, e uma riqueza faunística singular, sobretudo dominada por aves de estuário, ou não fosse o Trancão um afluente do Tejo. Podemos também encontrar alguns equinos que deambulam pelas margens do Trancão enquanto dividem o seu espaço com as garças. 

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É difícil imaginar os barcos de mercadores a cruzarem este rio, sobretudo se nos sentarmos na relva junto ao chamado "Parque Tejo". O crescimento urbanístico torna difícil essa memória e a poluição não nos deixa perceber como foi um dia possível por ali tomar um banho. De facto, hoje o rio está mais limpo devido ao forte investimento feito na sua limpeza, sobretudo aquando da "EXPO 98", no entanto, o forte assoreamento também não ajuda.

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E na verdade, muitos de nós já atravessámos este rio, nomeadamente quando entramos em Lisboa pela A1 ou até mesmo pela estrada nacional 10 em Sacavém.

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Abençoado Agosto e Bendito Vento!

por Robinson Kanes, em 11.08.17

 

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  Fonte das Imagens: Própria.

 

O português tem um problema crónico: nunca, mas mesmo nunca, irá dizer... Estou bem! 

 

No Inverno é porque não chove! Vem a chuva... É porque não faz sol. É porque está calor e na sua senda consumista acredita que tem de vir o frio para se vestir de acordo com a estação. Vem o frio... É porque está frio! Por acaso, no Verão não se importa que o país seque. Desde que o calor esteja no pico, queremos lá saber que meio-mundo esteja a morrer à sede, que não faltem caipirinhas e água do mar na praia! E como é Verão e a silly season está aí a queimar muitas mentes o principal inimigo passou a ser... O fogo? Não, já ninguém quer ouvir falar de incêndios... Mas em Abrantes está o pânico! E? Espero que não morra ninguém, caso contrário ao invés de querermos inflacionar listas de mortos vamos querer é eliminar as mesmas só para não tirar o brilho às férias...

 

Mas o drama, o verdadeiro horror, a tragédia (gostaram do momento Artur Albarran?) dos herdeiros de Viriato é o vento! Maldito Éolo que ainda vives no Império Romano a atormentar estes lusitanos cuja principal preocupação são os teus ventos! 

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Adoro uma boa chuva de Verão e o vento, desde que não se ande sempre a dizer na comunicação social que vai continuar (os incendiários agradecem), também me é agradável. Além de que não é preciso ir para os trópicos ou até para o Algarve para assistir a profissionais de alto gabarito a fazerem acrobacias aproveitando aquele sobre o qual quase toda a gente, por estes dias, decidiu descarregar a sua frustração. Além disso... Sempre se partilham umas fotografias mal tiradas.

 

Posto isto, a minha sugestão para estes dias de fim de semana é simples: ponham-se ao vento e voem! Voar também faz bem!

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Até porque afinal, a verdade é esta: enquanto muitos de vós se refugiam no conforto de um espaço fechado com medo de uma brisa, ainda há quem aproveite, e bem, o Bóreas das nortadas!

 

Bom fim de semana...

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Uma Moca(ada) no João Quadros.

por Robinson Kanes, em 25.07.17

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Fonte da Imagem: https://static6.businessinsider.com/image/595bc1afd084cc817f8b6ac5-1454/snapshot20170704112537.jpg

Moca:

1. Cacete com uma maça na extremidade, clava, cacheira

2. Zombaria, mentirola, peta, coloquial tolice (Brasil)

3. Coloquia entorpecimento ou euforia induzida por drogas ou álcool, pedrada, ganza

4. Variedade arábica de café oriunda de Moca

5.Regionalismo estúpido, bruto (gosto desta)

6. De origem obscura.

moca in Dicionário infopédia da Língua Portuguesa com Acordo Ortográfico [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2017. [consult. 2017-07-24 17:41:28]. Disponível na Internet:

 

Confesso que escrevi este artigo sugestionado por um indivíduo que comentou o artigo de ontem e... Também porque me encontrava sem ideias, admito.

 

Um artigo recente de João Quadros fez um ataque cerrado ao ciclismo. Como não conheço o indivíduo em questão nem nunca li nada do mesmo, procurei saber algumas informações, pelo que os meus comentários cingir-se-ão ao artigo em si e não à pessoa, embora o mesmo o tenha feito em relação aos ciclistas. Também não vou fazer o discurso do "racismo", da "discriminação" e da "xenofobia" dizendo que toda uma classe se sente ofendida e repudia tais palavras.

 

Após ler o artigo, cheguei a pensar que o mesmo era humorístico, tendo em conta o passado do indivíduo que o escreveu. Contudo, comecei a perceber que de humorístico e sarcástico até tinha pouco e que exprimia um sentimento real. A ser humorístico, também é interessante perceber que até já no humor a ditadura do politicamente correcto impera e na incapacidade/medo para atacar desportos como o futebol, por exemplo,optou-se por atacar o ciclismo, que sempre é uma modalidade menos seguida e com adeptos mais contidos. Interessante para um ferrenho adepto de um clube de futebol (que até fez parte da comissão de honra de uma candidatura à presidência de um clube) e que um dia disse: " Prefiro destruir os poderosos do que pôr as pessoas a rirem-se da profunda tragédia dos outros". Falar dos podres futebolísticos em Portugal pode granjear-nos ódios que não queremos...

 

Também me quer parecer que um grande adepto do ciclismo não se cinge, nem procura cingir o escândalo do doping - que é passado - a Lance Armstrong. Armstrong foi sem dúvida um dos mais importantes, até pelos títulos que conquistou, mas admito que fiquei mais chocado com os testes positivos de Ivan Basso, Jan Ullrich, Vinokourov, Manuel Beltrán, Floyd Landis e de Alberto Contador! A par de José Azevedo eram as minhas estrelas! Lamento que alguém que se declarou um fervoroso adepto não tenha nomeado qualquer um destes. Até porque Armstrong sempre foi acusado de doping desde que ganhou o seu primeiro Tour, ou seja, já nem deveria ser novidade... Quem gosta de ciclismo e sempre foi adepto de Armstrong deveria saber...

 

Dizer que o doping trouxe um total descrédito ao ciclismo e que os ciclistas são um bando de drogados é no mínimo o ressentimento de alguém que nunca deve ter conseguido andar de bicicleta sem "rodinhas" (aqui sou eu a fazer humor). E os outros desportos, aqueles que o mesmo senhor tanto defende e tanto aprecia? Será até que João Quadros gosta de desporto? Pela imagem descontraída, demasiado descontraída (também podíamos fazer piadinhas de mau gosto), que apresenta no seu artigo de opinião acredito que goste, tem é um problema mal resolvido com o ciclismo. Sugiro a João Quadros que tome umas "drogas" como o mesmo lhe gosta de chamar e tente subir a Sra. da Graça, em Mondim de Basto ou o Alpe D'Huez - estranhei não ter mencionado esta subida quando tentou fazer a piada do triciclo para ursos. Será que João Quadros também sabe o ridículo que é utilizar animais num circo e que também são utilizadas "drogas"? Talvez não queira saber sob pena de se perderem alguns convites no Natal para ir ao circo no Parque das Nações.

 

Além disso, não sei que tipo de drogas conhece João Quadros, mas a utilização de drogas não passa somente pelo momento de pura explosão e loucura - a Eritropoietina (EPO) visa estimular o processo de Eritropoiese que não é mais que provocar o aumento de glóbulos vermelhos e com isso o rendimento do atleta. Não há "loucura"! Seria bom informar-se e perceber que também se pode apreciar a natureza sem estar drogado, sim é possível.

 

Uma outra nota, mas acerca de ciclismo:  esta modalidade vai para além das corridas de estrada, nem todos os ciclistas bebem muita água e não são só as farmacêuticas que produzem substâncias dopantes - que preconceito vindo de alguém tão esclarecido.

 

Também é interessante o foco do Sr. João Quadros no "Boom Festival" e o passar ao lado de outros festivais com "um festival de música", quando falou de consumo de drogas. Será que se referisse alguns festivais poderia ofender os patrocinadores, aqueles que lhe permitem trabalhar em media com dimensão nacional? Será que também o humor está "agarrado", entrando na linguagem cool do comentador, ao politicamente correcto, ao lobby e ao medo pouco rebelde de ser colocado na rua? Cada vez mais vejo que não é só a independência dos media que está em causa, mas também a do humor.

 

E porque ainda falamos de "drogas", porque foi interessante o modo como João Quadros ligou o doping ao estar "agarrado" à cocaina, que dizer de alguns mundos em que João Quadros se movimenta? Aliás, é o próprio que assume ter feito grandes negócios enquanto esteve na "tropa". Cinema, artes, cultura, televisão, futebol... São mundos isentos de drogas, eu vos garanto!

 

É interessante como hoje em dia somos politicamente correctos mas nos tentamos mostrar tão isentos e politicamente incorrectos que a maioria das pessoas até acredita que é verdade (uma das piores formas de manipulação)... Não podemos é cair no erro de procurar imediatamente a desonestidade que gerou um acto honesto, como diria Steinbeck. Por falar em desonestidade, esperava um artigo sobre a atitude de Peter Sagan para com Mark Cavendish - para alguém, como João Quadros, que passou pela área da gestão, mesmo que a correr, teria muito a dizer. Ainda por cima Cavendish de _ _ _ _ _ _ _ _ _ é a minha alcunha velocipédica...

 

Não é que João Quadros, tal como eu, tenha grande importância, mas quando as palavras fazem eco, temos de estar preparados para as consequências...

 

Este texto foi humorístico e politicamente correcto... Ou não... 

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O "Tour de France".

por Robinson Kanes, em 24.07.17

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Fonte da Imagem:  Tour de France 2017 - 19/07/2017 - Etape 17 - La Mure / Serre Chevalier (183 km) - France © ASO/Pauline BALLET

 

Como adepto incondicional de ciclismo, não podia deixar passar esta oportunidade de me focar na última etapa do Tour de France que não foi mais que a volta da consagração do suspeito do costume, o "queniano branco" como lhe chamam: Chris Froome.

 

O Tour, à semelhança do Giro e da Vuelta, são as corridas mais disputadas e mais importantes no círcuito mundial de ciclismo de estrada. Focando-me no Tour, é um verdadeiro espectáculo que ocorre em França e com uma comunicação e espírito que se estendem por todo o globo - li em tempos que o Tour é a prova desportiva com mais assistência do mundo! Do mundo, significa que tem mais assistência que o Mundial de Futebol ou até que os Jogos Olímpicos! Julho, em França, é conhecido como o mês do Tour!

 

Se por cá estas provas servem para ocupar um pequeno espaço nos media quando não existe mais nada para abordar, em França e em muitos outros países são um verdadeiro gáudio para aqueles que gostam de ciclismo e não só! Mesmo aqueles que não gostam não negam a satisfação de verem as belíssimas paisagens de França, alguns até seguem as etapas somente por isso.

 

Este ano o Tour deu-nos algumas lições, nomeadamente a que foi perpetrada pelo eslovaco Peter Sagan e que, com tanto pseudo-guru da gestão, da liderança e da motivação sempre interessados em forçar aquilo que não é possível e que chega a ser patético, quase ninguém a transportou para o que acontece no nosso dia-a-dia, profissional e não só. Mas disso voltarei a falar. 

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Fonte da Imagem: Tour de France 2017 - 23/07/2017 - Etape 21 - Montgeron / Paris Champs-Elysées (103 km) - France - Christopher FROOME (TEM SKY) © ASO/Alex BROADWAY 

 

Ao longo dos anos, o Tour também nos tem dado uma lição que em Portugal ainda não recebemos, ou preferimos não receber: é aquela que nos diz que não é só de futebol que vive um país, sobretudo na sua componente desportiva. Fora dessa componente, o Tour é uma autêntica campanha de promoção turística de França, como o é o Giro para Itália e a Vuelta para Espanha. Penso que, apesar da dimensão, Portugal podia aproveitar mais a sua "Volta", até porque a "Volta ao Algarve" é uma prova com cada vez mais reputação. E pode ser que possamos também aprender a lição de que não precisamos de ter nomes ou slogans noutras línguas para chegar ao sucesso... Tour, Vuelta e Giro disso são exemplos.

 

Parabéns Chris Froome e parabéns aos portugueses em prova: Tiago Machado pela Katusha-Alpecin (77º da geral) e José Azevedo, o Director-Geral da equipa com o mesmo nome.

 

Uma nota final para o aumento da pressão e das iniciativas tendo em vista a inclusão de mulheres no Tour e em outras provas do calendário internacional.

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 Fonte da Imagem: Tour de France 2017 - 23/07/2017 - Les Chmps pour elles - Paris Champs-Elysées © ASO/Thomas MAHEUX

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Da Bordeira ao Amado...

por Robinson Kanes, em 14.07.17

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 Fonte das Imagens: Própria

 

De volta à Costa Vicentina, imaginem deixar a Praia de Vale Figueiras e fazerem uns meros 16km para sul, pela EN268 e depois pela Estrada da Praia e chegarem à Praia da Bordeira, também conhecida como Praia da Carrapateira pela proximidade com a Carrapateira e por também ser aí a foz da Ribeira com o mesmo nome. Podem sempre fazer o percurso a pé ou de bicicleta que são apenas 11km.

 

Nesta zona, depois de uma visita pelas localidades da Bordeira e da Carrapateira, nada como seguir em direcção à praia e a partir daí fazer o caminho da Estrada da Praia até à Praia do Amado. Deixem o carro e peguem na bicicleta ou vão a pé, pois serão dos 3,5km mais bonitos e pitorescos que algum dia farão! Recomendo vivamente e é não-negociável, além de que têm passadiços com miradouros que vos permitem ir descansando.

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É neste troço que começamos a sentir a Costa Vicentina verdadeiramente, onde rocha e mar tendem a ser mais austeros e a trazerem-nos já um pouco dos cheiros do Cabo de S. Vicente.

 

Após a Praia da Bordeira, surge-nos a Praia da Zimbreirinha, e é aqui que as portas se abrem para um mundo novo, para todo o expoente da Costa Vicentina e para um local encantadoramente inóspito. Ao longe ainda conseguimos observar a Arrifana, como se a paisagem insistisse em manter diante dos nossos olhos tão belo lugar. Infelizmente, já não é possível apreciar o Portinho da Zimbreirinha e o seu ancoradouro pelafita devido a uma derrocada.

 

Como é bom caminhar ou pedalar e observar as diferentes cores da rocha e do mar que alterna entre o verde água e o azul escuro das águas profundas. Como é bom sentir o vento do atlântico, suave mas ao mesmo tempo com força suficiente para nos fazer respeitar aquele mar donde outrora arriscamos sair em pequenas cascas de noz à conquista do Mundo! Lembro-me agora dos "Navegadores" de Sophia:

 

Esses que desenharam os mapas da surpresa

Contornando os cabos e dando nome às ilhas

E por entre brilhos espelhos e distâncias

Por entre aéreas brumas irisadas

Em extáticas manhãs solenes e paradas

No breve instante eterno surpreenderam

O arcaico sorrir do mar recém criado

Andresen, Sophia de Mello Breyner "Navegadores", Poemas Dispersos

 

De regresso a terra, voltar à caminhada ou sentir aquele vento enquanto nos deslocamos de bicicleta, é algo mágico mas também um verdadeiro postal. O difícil vai ser fazer o caminho sem parar de 50m em 50m.

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Um dos pontos altos deste passeio é a Praia do Portinho do Forno que, além de ser um pequeno porto e o mas antigo da Carrapateira, é também um ponto de encontro para os entusiastas do Todo-o-Terreno (TT), motorizado ou não. Não é incomum vermos pequenos grupos de praticantes de BTT, jipes ou motas de TT. Todavia, aqui podemos parar e contemplar a paisagem imaginando tempos passados em que os barcos atracavam e se carregavam os burros que deveriam levar o resultado da faina para a lota da Carrapateira. Também é aqui que o "puzzle" de diferentes tonalidades da água torna este lugar tão especial. Podem sempre aproveitar e beber um refresco ou até almoçar no restaurante que aí se encontra. 

IMG_3385.jpgE como o caminho se faz caminhando, nada como continuar um percurso que já não queremos que acabe, até porque já vemos a Praia do Amado ao fundo e ficamos com aquele misto de encanto e fadiga mas em que percebemos que afinal não estamos assim tão cansados e queremos que o momento não termine. Uma das formas de prolongar o mesmo será trazer um bom piquenique, ou como se utiliza no Brasil, um convescote. A oportunidade de apreciar uma refeição leve num local destes, nem em muitos dos melhores restaurantes do mundo! 

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Levantemo-nos pois e sigamos em direcção à riqueza geológica e faunística da Praia do Amado, sem esquecer a flora que a tornam num dos locais mais importantes ao nível da preservação de habitats! Um outro habitat muito importante é o dos surfistas, pois é considerada uma das melhores praias a nível europeu para a prática desta modalidade. Esta já é uma praia mais movimentada, pois é escolhida por muitos veraneantes e por empresas de animação turística.

 

Cansados? Porque não voltar para trás e voltar a fazer o mesmo caminho? Eu fá-lo-ia, além de que o fim de semana, para quem o goza, está mesmo aí à porta! Não deixem de ir à Carrapateira e à Bordeira, são duas localidades fantásticas, de boas gentes e que vos proporcionam uma experiência singular onde o campo convive pacificamente e numa harmonia singular com o mar.

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Como estão no Parque Natural do Sudoeste Alenteja e Costa Vicentina, não se esqueçam do "Código de Conduta e Boas Práticas"pois estão num Parque Natural. Pode ser descarregado aqui.

 

Bom fim de semana. Voltarei na terça-feira!

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Cá em Casa Celebra-se o Giro com Risotto!

por Robinson Kanes, em 15.05.17

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 Fonte da Imagem: http://www.giroditalia.it

 

Tinha prometido a alguns leitores deste espaço que esta semana seria dedicada a dizer bem de Portugal, posto que, a minha paixão por Espanha era notória e seria necessário demonstrar a minha portugalidade. Todavia, não têm faltado indivíduos a dizer bem do nosso país, pelo menos até amanhã...

 

No entanto, guardei esta segunda-feira para ir a Itália. Parece-me estranho que, num país onde o uso da bicicleta sempre foi uma imagem de marca e onde cada vez mais se utiliza a bicicleta, o "Giro" de Itália seja algo perfeitamente desconhecido. Se, por um lado, o povo gosta é de bola e Fátima, também me parece que alguns meios não desejem que outras modalidades ganhem destaque.

 

Sou apaixonado por ciclismo de estrada, embora pratique BTT. Para mim, do ponto de vista da prática, poder sair de estrada é algo que me aproxima da natureza e de localizações que nunca conheceria de outra forma.

 

Mas o "Giro"! O "Giro" está hoje a descansar antes de amanhã se fazer à estrada! E quem ainda não se lembra do "pirata", Marco Pantani, a desfilar com o seu lenço na cabeça pelas paisagens de Itália?

 

Entretanto, já se fizeram milhares de quilómetros de Alghero até Blockhaus. Pelo caminho já ficaram locais magníficos como Tortolí, Cagliarí (sim a Sardenha), Cefalú, Etna, Messina (sim a Sicília), Reggio Calabria e Alberobello! É extraordinário como, muitos de nós, que gostamos de viajar, nem sequer percamos 5 minutos para ver estas belíssimas paisagens. Para mim, recordar algumas dessas zonas é um bálsamo de memórias e paixão. Até porque, as memórias são isso mesmo, memórias. As fotos de muitos desses lugares ficaram perdidas num disco rígido que nem um dos melhores técnicos informáticos conseguiu salvar. Só me resta apaixonar no site da corrida.

 

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Fonte da Imagem: http://www.giroditalia.it

 

E, importa lembrar, que se encontra um português, um daqueles que tende a passar ao lado dos holofotes, a competir para um bom lugar na geral, nomeadamente o Rui Costa que está agora na 17ª Posição... Nada mau, tendo em conta que estamos a falar de 191 corredores! Estão ainda em prova os portugueses José Mendes e José Gonçalves.

 

Por estes lados, o apoio recai em Rui Costa (está a 46 segundos do líder que é Bob Jungels), mas também vai ser interessante assistir a uma disputa entre Vicenzo Nibali e Nairo Quintana. Sigam aqui todas as emoções!

 

Foi por isso mesmo que, na sexta-feira, numa forma de juntar Itália a Portugal e torcer pelo Rui Costa, me dediquei a um Risotto de Maçã e Morcela com Cogumelos. Afinal, este prato da Lombardia (Norte de Itália), deve-se ao facto dos Sarracenos terem trazido o risotto da Sicília para aquela região.

 

Acho que o resultado não foi mau...

 

... Sobretudo porque, depois da refeição e de toda a gente ter dito que estava óptimo, reparei que a validade do arroz já tinha passado há mais de 7 meses! Ainda estamos vivos, não há sinal para alarme.

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