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Marcelo e um Veto à Partidocracia...

por Robinson Kanes, em 04.01.18

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Fonte da Imagem:http://expresso.sapo.pt

 

Por aqui sou conhecido e ostracizado por nem sempre falar bem do Presidente da República. Todavia, também é hora de elogiar Marcelo Rebelo de Sousa pelo veto à lei do financiamento dos partidos. O mais alto magistrado da nação passa uma mensagem clara do que se quer para o futuro, e sobretudo, faz jus ao conceito que espera ver explorado neste ano de 2018: reinvenção.

 

Reinvenção passará por começar lentamente a passar a mensagem de que não se procurará cair nos mesmos erros de sempre, de que uma máfia partidária terá de ter os seus limites e de que basta de andar a enganar os portugueses... Embora a linha entre ser enganado e não se importar de o ser seja ténue. Esperemos que se operacionalize e se esclareça tamanho conceito...

 

Espera-se também que Marcelo, na sua postura de estar sempre de todos os lados de modo a que isso lhe garanta popularidade, não tenha cedido à tentação de vetar somente porque a pressão mediática foi intensa, esse seria o seu maior erro, pois continua também ele a ter o seu cartão de militante que retira do bolso quando lhe é conveniente e o esconde quando lhe pode trazer problemas – só por esse motivo fico com esta preocupação.

 

No entanto, vamos ver como vai acabar esta situação, porque com o veto presidencial, os holofotes vão procurar outros temas vendáveis e temo que o assunto possa cair no esquecimento. Se a lei for aprovada com a maioria de dois terços no parlamento, Marcelo praticamente será obrigado a assinar. Temo emo que a discussão pública se fique por aqui.

 

Este tema não pode cair no esquecimento e é de extrema importância que os portugueses não se esqueçam daquilo que lhes tentaram fazer. O veto da lei não apaga o comportamento vergonhoso, ou até criminoso, que os deputados e as máquinas partidárias tiveram, faça-se uma excepção ao CDS-PP e ao PAN, embora sejam coniventes com os moldes actuais no que toca ao financiamento destas instituições e que não ficam muito longe das leis que se pretendem aprovar.

 

Ficaremos a aguardar e que as luzes não se apaguem, sob pena de, mais uma vez, contribuirmos para a alimentação de grupos que nada têm feito pelo desenvolvimento do país. Num país onde a vergonha existe, esta discussão já nem voltaria a ser levada ao parlamento e muitos dos direitos/benefícios já vigentes seriam reavaliados.

 

E deixo finalmente uma inquietação: como é interessante ver os “partidos anti-práticas semelhantes” (sobretudo PCP e BE) a salivar para que a lei avance.

 

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Autor: Anónimo. 

Fonte da Imagem: Própria.

Já muito se havia falado, aquando dos incêndios, que o Estado havia falhado e que não poderia garantir um dos seus pilares fundamentais: a defesa do seu território e dos seus habitantes. No entanto, ainda podíamos falar de Estado.

 

Por estes dias, os portugueses descobriram que afinal o Estado não existe, perceberam que são meros animais de quinta governados por porcos. As leis de financiamento dos partidos, que já não são uma questão nova (não são, nada disto é novo), continuam a ser actualizadas e a não ser esquecidas numa gaveta, ao contrário do que acontece com temas que envolvem a defesa, a segurança, a saúde e um outro sem número de interesses bem mais importantes para um Estado Democrático.

 

Muitas vezes, recordo alguém que abandonou a vida de deputado e disse que se os portugueses soubessem o que se fazia naqueles corredores e naquele hemiciclo, subiam as escadarias e incendiavam aquele espaço com os respectivos frequentadores habituais lá dentro.

 

As várias leis de financiamento e "encobrimento" das actividades partidárias têm sido um dos maiores crimes que são cometidos em Portugal. O legislar à porta fechada - muito democrático - o retirar conteúdos de actas - muito democrático também - é uma das provas cabais da falta de transparência destes processos. Neste aspecto toda a representação parlamentar é criminosa e espanta-me que os auto-intitulados partidos do povo e das minorias como o Partido Comunista e o Bloco de Esquerda sejam sempre os primeiros a consentir e a legitimar estas mesmas leis. Será que o povo para estes partidos são aqueles que têm cartões de militante? Discutir esta situação seria desvendar um dos maiores embustes da actividade partidária nacional... Outro embuste é discordar de uma lei mas votar a favor, sobretudo quando nos beneficia: Catarina Martins, só assinou aquilo que toda a gente sabe mas ainda ninguém do Bloco de Esquerda tinha sido claro a afirmar:o Bloco de Esquerda não é uma alternativa a nada, bem pelo contrário!

 

Os partidos, os deputados e muitos governantes, mostraram aos portugueses que o Estado Democrático não existe e que no fundo, dar liberdade para se falar é indiferente quando aqueles que defendem a transparência e as instituições democráticas não são ouvidos... A diferença entre não ser ouvido ou ser poribido de falar é ténue... Aliás, a primeira é mais eficiente, pois quando somos proibidos de falar, tendemos a quebrar a regra ou a fugir para terras mais seguras e aí continuar a fazer ouvir a nossa voz... Já quando podemos exercer a nossa liberdade de expressão mas ninguém nos ouve é mais fácil silenciar um povo e a contestação. 

 

Portugal substituiu uma ditadura por outra e com o consentimento de todos os cidadãos! Nesse aspecto, foi um golpe de mestre, pois se antes tinhamos cidadãos oprimidos e cuja repressão aumentava o desejo de revolta, hoje temos cidadãos que tranquilmente seguem na dança da morte quais figuras da "Danse Macabre" que decoram a igreja de Saint Orien em Meslay-le-Grenet, França. Um pequeno apontamento: de facto o 25 de Abril nem foi feito pelo povo mas sim por militares do quadro que, perante a escassez de milicianos, não quiseram colocar os pés em África e entregar-se a uma possível morte.

 

Portugal é o país onde alguém que à frente de uma instituição de solidariedade é destruído na praça pública, mas que protela a resolução dos problemas estruturais ao mais alto nível da governação e que aplaude a compra de 10% dos activos de um banco por parte da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa num negócio pouco claro e cujo poder político teima em não abordar. É o mesmo país que censura as finanças em Espanha por quererem prender um jogador de futebol português - pensando que anda por terras lusas e ainda goza com a autoridade - porque fugiu aos seus deveres como cidadão. É um país que se ergue e não descansa enquanto não vê o sangue de alguém que escreveu meia dúzia de alarvidades num acórdão mas não critica a sentença em si, a consequência do processo! Todavia, é um povo que aceita a corrupção numa governação que, apesar do que tira, distribuiu pequenas migalhas e procura estar em tudo qual Estado paternalista. 

 

É o país que consente que o cartão partidário se alimente do seu suor e do seu esforço.

 

Em Portugal, 2017, deveria ter sido um ano de mudança, não só pelos escândalos e por todas as tragédias que tiveram lugar, no entanto, temo que 2017 venha a ser o ano em que Portugal chegou à conclusão que o Estado Democrático não existe e que já não é o país que não se governa e não se deixa governar, mas sim o país de casca polida mas podre por dentro que aguarda com rasgado sorriso pelo colapso. Por norma, nestes países de gingões cujo labreguismo é disfarçado pelo show-off, a longo-prazo, estas coisas pagam-se caro...

 

Espero que 2018, finalmente, traga cidadãos... É o que mais falta faz... Feliz Ano Novo...

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