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Só eu Escapei porque o Mal não Existe...

por Robinson Kanes, em 19.12.20

so eu escapei.jpg

Imagem: Robinson Kanes

 

O homem não quer matar a sede. O homem quer é a sede. Por isso é que come tremoços quando bebe cerveja.

Vergílio Ferreira, in "Promessa"

 

 

Deixar passar a oportunidade de ver no mesmo palco, Lídia Franco, Márcia Breia, Maria Emília Correia e Catarina Avelar seria um ultraje. Foi por isso que voltei ao Teatro Aberto para assistir à peça "Só eu Escapei" de Caryl Churchill e encenada por João Lourenço. Não estamos perante uma peça para tempos de Natal, no entanto, a mesma, sendo escrita há cerca de 4 anos é mais actual que nunca - temo até que Caryl Churchill tenha um oráculo. O teatro tem a capacidade de nos colocar a pensar e a reflectir, de nos chocar até... E é nesse choque que abandonamos a sala com a sensação de que o Mundo não é aquilo que pensamos e de que caminhamos para um "fim" iminente, trágico até, em contraste com toda a inovação que temos. Fazendo até aqui uma ponte com o romance, somos em alguns momentos transportados para os admiráveis mundos de Huxley. 

 

A cultura faz bem, um jantar no "Pano de Boca", o restaurante do teatro que muito aprecio, faz maravilhas... Não me canso de repetir que os filetes de peixe-espada preto, com banana e milho, simplesmente geniais.

 

Um dos melhores filmes que vi este ano e vencedor do Urso de Ouro em Berlim, "O Mal não Existe". A minha admiração pelo cinema iraniano fica mais uma vez reforçada com este filme de Mohammad Rasoulof. Um filme que se foca na pena de morte e na luta que os indivíduos enfrentam na concretização ou não da mesma. É um filme extraordinário, com a sensibilidade que só os iranianos conseguem ter e que custou a liberdade (cerca de um ano) a Rasoulof por desafiar o regime. O filme é fantástico e penso que nos traz uma realidade que nos orgulhamos de já não ter de enfrentar e onde até fomos pioneiros no combate a... Admirável! Assisti nos cinemas UCI em Lisboa, mas vai andar pelo país...

Para terminar, não podia deixar de lado alguém de quem falei recentemente num artigo de memórias sobre Berlim: Severija - uma actriz lituana que deslumbra a cantar, sobretudo em alemão. Simplesmente adoro "Zu Asche, Zu Staube" e embora nunca tenha visto "Babylon Berlin", a banda sonora é qualquer coisa. Um timbre semelhante ao de Sónia Tavares, mas esta senhora é mais humilde e sabe cantar, além de que trabalhou a respiração.

Já agora, anda tudo doido ou a falta de trabalho (ou melhor, o emprego sem trabalho e com a real cunha) anda a deixar algumas pessoas completamente tontas? Até o anúncio da CNE para as eleições presidenciais gera revolta? Será que é desta que a estátua do Marquês vai abaixo? Como diz o outro, "olha, escuta... vai mas é trabalhar e fazer algo de útil pela sociedade".

 

Boas Festas...

 

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Félicitacions Boris Vian...Oh! C'est Divin...

por Robinson Kanes, em 07.11.20

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Créditos: https://beta.prx.org/stories/126076

 

Este Domingo, o CCB vai homenagear Boris Vian , um dos grandes mestres da literatura e da música que em Março faria 100 anos... Deste senhor, "Irei Cuspir-vos nos Túmulos", "A Espuma dos Dias" ou "As Formigas" estarão sempre cá guardados... E quando a prosa é boa e a música também, não haverá muito a dizer... Vamos apanhar uma valente bebedeira de "Bordeaux" no "Club Saint German des Prés" e celebrar até a malta cair ao Sena!

 

A mon "ami" Vian, Félicitacions! Pour vous "Le Déserteur", et on va écouter pour Jacques Canetti! 

J'suis snob... j'suis snob...Tous mes amis le sont...On est snob et c'est bon... Temos pena!

Bom Domingo!

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Les Divas du Taguerabt

por Robinson Kanes, em 22.10.20

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Créditos: https://mk2films.com/en/film/taguerabt-divas/

 

 

A sabedoria só nos chega quando não serve para nada.

Gabriel Garcia Marquéz, in "O Amor nos Tempos de Cólera"

 

Em Portugal, ficou famoso um indivíduo que deu a ópera como morta e constantemente faz questão de reforçar essa temática. Compreendo as palavras do mesmo, o Ser alpinista que bebendo da vontade das elites pseudo-intelectuais e que estranhamente ocupa o espaço radiofónico sem ter qualquer dicção poderá encontrar na realidade nacional um São Carlos deprimido sempre com os mesmos espectadores, uma maioria a convite ou que simplesmente não paga e uma outra que só vai à ópera porque sim.

 

Todavia, Portalegre e Lisboa não são o centro do mundo e a cultura não se adquire com uma viagem aqui ou acolá para preencher CV, pelo que, caminhemos até à terra que viu Camus nascer. Foi através da Ópera National de Paris que ficou famosa a construção de uma sala de ópera em Argel com capacidade para 1400 pessoas.Estamos a falar de Argel, capital de um país sem grande tradição operática mas de uma riqueza cultural imensa. Foi também neste contexto que no passado mês de Setembro saiu para a rua o pequeno documentário de Karim Moussaoui, "Les Divas du Taguerabt".

 

Moussaoui partiu em busca de uma espécie de ópera ancestral, das mulheres que cantam nas grutas melodias que encantam e seduzem todos aqueles que escutam estas vozes com atenção. E encontrou-as... Encontrou-as e descobriu um opíparo Património da Humanidade que, sem dúvida, também terá o seu lugar na nova sala de Argel.

 

Neste imenso país, de ancestrais tradições, de nascimento, passagem e queda de muitos impérios, Moussaoui deu a conhecer ao Mundo as vozes da terra, as vozes do Norte de África, um cântico feminino de valor incalculável e que pode ser apresentado lado-a-lado com qualquer ópera, com qualquer outro espectáculo até, prova de que, por muito que queiramos porque é "cool", existem coisas que não poderemos destruir, mesmo julgando-nos grandes (e só mesmo isso) no nosso pequeno rectângulo. É importante perceber que também todos os dias são compostas novas óperas, novas peças e não são somente as mais conhecidas que marcam a agenda que queremos destruir - argumentar contra isto, é seguir um discurso "ovelhoa" encomendado entre uma cerveja artesanal e um prato vegan em bares do Bairro Alto. 

 

Vejam o documentário, são só 15 minutos e está no Youtube e deixem-se encantar por estas Senhoras.

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A pensar Istambul...

por Robinson Kanes, em 08.09.20

istambul (1).jpgImagem: Robinson Kanes

 

Hoje é terça-feira, é dia de andarmos pelo SardinhaSemLata... Atravessamos o Bósforo e pensamos a cidade... Podem encontrar-nos aqui.

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Irão: Entre Pasargarde e Naqsh-e-Rustam...

por Robinson Kanes, em 11.12.19

fars_iran.jpgImagens: Robinson Kanes

 

Ainda andamos por Fars, o Irão é um país imenso e as distâncias são longas... Com o pó de Persepólis ainda a cobrir os nossos rostos, chegamos a Pasargarde. Este é um daqueles locais cujas poucas ruínas existentes não deixam de contar uma história. Sentimo-lo em Persepólis e ainda mais aqui. Um vestígio por muito simples que seja, o solo, o ar e a paisagem colocam uma imagem diante dos nossos olhos e transportam-nos para um passado bem longínquo, bem distante de tudo aquilo que conhecemos hoje.

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Pasargarde, mais uma das capitais do Império Aqueménida, a capital de Ciro II, que viria a morrer em combate e a deixar esta cidade sem o seu grande patrono. Hoje, este local que é Património Mundial da UNESCO -   conserva apenas o túmulo de Ciro, uma construção militar (Tall-e Takht) e vestigíos do palácio real e dos jardins. Uma nota para os vestígios dos jardins, os famosos "chahar bagh" persas e que, aparentemente aqui, encontram o seu testemunho mais antigo.

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O túmulo de Ciro é assim a grande atracção e aquela que mais visitantes atrai, sobretudo por ter sobrevivido às invasões de Alexandre, "o Grande" e dos Árabes. Aliás, perante a hipótese do túmulo ser de Ciro, os guardas deste convenceram os árabes (que queriam destruir o mesmo) que ali se encontrava a mãe do Rei Salomão. Aliás, ainda hoje este local é conhecido também por "Qabr-e Madar-e Sulaiman" ou túmulo da mãe do Rei Salomão.

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Nas redondezas do complexo, mais um pequeno aglomerado de habitações e de gentes que nos deram a provar o seu café e sobretudo o seu chá. Água aquecida em plena rua, em cima de meia dúzia de paus, e na verdade, não podia ter sabido melhor. Entre pequenas conversas e muitas viagens, através do olhar, pela dinâmica e pelos comportamentos, será mais uma experiência a registar para sempre.

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Reconfortados e depois de admirarmos as aves de presa e as montanhas ao longe, não nos perguntem porquê, foi o que nos fascinou mais, eis que temos de partir para Naqsh-e-Rustam.

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Voltamos para perto de Persepólis e admiramos então os túmulos dos reis aqueménidas esculpidos nas rochas e os relevos que nos fazem lembrar a passagem pela Jordânia. Em forma de cruz e com uma altura de 23 metros e 18 metros de largura, este túmulos além de serem um local de culto, são também umas das mais importantes memórias do Irão. O túmulo de Dario I, o único que tem a inscrição do seu "ocupante". Supõe-se, contudo, que lhe tivessem feito companhia nos demais túmulos, Xerxes I, Artaxerxes I e Dário II (Artaxexes II e Artaxerxes III escolheram como última morada, os túmulos de Persepólis).

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Os baixos-relevos da época sassânida são das coisas mais magnificas que aqui podemos observar e somos, enquanto nos deliciamos com tais obras humanas, levados para o culto zoroastra por causa da torre/relógio do sol. Não irei descrever cada um dos relevos, não falta matéria sobre isso e mais do que tudo, o importante é pensarmos quão rica é esta civilização. Literalmente, em cada pedra, descobrimos um Irão, uma Pérsia repleta de riquezas.

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Partimos, mais uma vez, muito mais ricos... O Irão tem essa capacidade, de cada dia nos enriquecer cada vez mais, com uma riqueza que, de tão valiosa que é, nenhum dinheiro consegue comprar.

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À data deste artigo, ainda existe alguma tensão em algumas das cidades da actual República Islâmica do Irão e que acredito fique sanada em breve. Os iranianos, os persas, aquele povo não precisa de mais violência, precisa sim, de mostrar o que tem de melhor e se isso acontecer, todo o mundo terá muito a ganhar! Independentemente de algumas práticas menos boas do regime, também as práticas menos boas de muitos países ocidentais não têm sido as melhores no sentido de trazer prosperidade a um território repleto de riquezas e onde se incluem as suas gentes, sem qualquer dúvida!

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Teerão: A Metrópole da Pérsia...

por Robinson Kanes, em 06.11.19

Teerão_grand_bazaar-2.jpgImagens: Robinson Kanes

 

 

Há que distinguir entre conhecer e experimentar. Verdade conhecida não é o mesmo que verdade experimentada. Devia haver duas palavras distintas.

Aldous Huxley, in "Sem Olhos em Gaza"

 

 

Teerão não é a cidade mais bonita do mundo, mas existe algo que a torna especial: as suas ruas sempre numa azáfama, a poluição e a aridez que não abonam a seu favor mas... mas as suas gentes são outra coisa. A ausência de qualquer conduta na condução é algo que nos obriga a esquecer que existe um código da estrada, atravessar passadeiras é outro dilema, sobretudo quando aprendemos a atravessar e a arriscar, "eles vão parar, quando nos virem no meio da estrada param". Muitas vezes não procuram parar e até nos fintam seja de mota ou de carro mas sentimos que é aí que "perigosamente" já estamos com o chip da cidade. Torna-se ainda pior quando damos connosco a resmungar duas ou três palavras em farsi - é preciso dar resposta às buzinadelas e às criticas que chegam de todos os lados nestas situações.

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Queremos conhecer mais do Irão e embora (injustamente na maioria dos casos) muita da história deste país e desta civilização se encontre em museus espalhados sobretudo pela Europa, é importante visitar o Museu Nacional. É atroz a forma como muitas das mais importantes relíquias de um povo se encontram em museus de outros países!

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Por esse motivo este espaço museológico não é tão rico! No entanto, divididas entre duas áreas (O Museu do Antigo Irão e o Museu Islâmico) - a desculpa, dada a ocidente, de que o museu é pobre esconde uma vergonha em não assumir que não é propriamente por causa da divisão dos artefactos ou até a ausência de explicações mas sim pelo simples facto das principais peças estarem noutros lugares fora do país. Após a visita fica-nos não uma vontade de procurar as peças no exterior mas de conhecer Persepólis, um verdadeiro tesouro da Humanidade.

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Mas Teerão tem também o Palácio Golestan, uma jóia (extravagância?) dos Qajars. Deslumbramo-nos com o exterior do palácio, com a sala dos espelhos, com os azulejos e com toda a envolvência e simpatia daqueles que lá trabalham. A mim, perguntam-me se sou iraniano, algo que estranho - ao fim de alguns dias  deixarei de estranhar e até aproveito as deixas. 

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Este palácio, Património Mundial da Unesco, é uma jóia e onde as culturas ocidentais e persas se fundem numa forma única e se complementam num espectáculo de beleza singular - O "Khalvat-e Karim Khani", os tapetes, o "Emarat Badgir" e os azulejos são o nosso fascínio.

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E com tudo isto finda-se uma manhã bem no centro da cidade, entre quartéis, edifícios governamentais e claro, uma visita aos tesouros nacionais - não somos propriamente entusiastas, mas as pedras e metais preciosos que o Banco Nacional alberga são de deixar qualquer um de boca aberta. É hora de almoçar e no Irão, seja na rua, sentados num jardim ou efectivamente num restaurante, a oferta não falta e os pistácios crús não alimentam por aí além.

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Passamos ainda uma vez (e passaremos tantas mais) pelo Grand Bazaar e como esperávamos, esquecemo-nos de almoçar! Por incrível que pareça apenas compramos alguns frutos secos mas deliciamo-nos com as gentes, mais uma vez. Dizer que estes espaços são como na Turquia, é estar completamente fora do contexto. Queremos ver as gentes, apaixonam-nos os rostos, alguns tristes mas com uma vontade enorme de esboçar um sorriso - é algo que encontramos com abundância. Deambulamos, conhecemos, conversamos e vemos gente bonita e isso em Teerão não é nada difícil.

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Vamos almoçar, agora sim... 

 

- Amanhecer em Teerão

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Per Sempre Morricone...

por Robinson Kanes, em 07.05.19

IMG-20190507-WA0002.jpgImagens: GC

 

Sempre aplaudido de pé, Morricone acabou por encantar a Altice Arena, como seria de esperar... Passou por sucessos menos conhecidos pela maioria dos portugueses e não deixou passar os grandes temas "spaghetti western". O apogeu deu-se no final com a óbvia banda sonora de "Cinema Paradiso", sem esquecer a "Missão".

 

"Cinema Paradiso" arrebatou a plateia e as lágrimas foram uma presença ao longo de toda a interpretação, acabámos todos por fazer um pouco o papel de Salvatore quando, no final, coloca a fita que Alfredo lhe deixou e se desfaz em lágrimas - boas recordações e no turbilhão de emoções que as mesmas trazem. Senti-me, também, um Salvatore, por todas as razões e mais algumas. Quem escuta "Cinema Paradiso", "Once Upon a Time in America" ou até o tema de "Malena" ao vivo (os dois últimos desta vez não tiveram lugar), nunca mais vai esquecer!

 

Uma excelente orquestra, um excelente coro, um excelente maestro e compositor, e claro, uma excelente soprano - Susanna Rigacci - não poderiam ter tornado o espectáculo melhor. Ao contrário do que também alguma imprensa já hoje diz, Dulce Pontes não foi, embora tentasse, uma das estrelas da noite! Uma voz que deixa a desejar, um mau inglês que parecia búlgaro numa das interpretações, honestamente, não tem a mínima qualidade para estar naquele palco com tão grande compositor, tão grande soprano e com tantas vozes de qualidade no coro. O público percebeu isso e, se de facto, ouve menos exaltação nos aplausos foi quando Dulce Pontes cantou...

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Mas o espectáculo de Morricone, a sua presença em palco, fizeram-nos sonhar, e ao mesmo tempo, entristeceram-nos. Ver aquele senhor de 90 anos já algo debilitado fez-nos mesmos acreditar no "farewell". Tivemos, mais uma vez, a oportunidade de lhe dizer "grazie" e isso terá sido o mais importante. Nunca o esqueceremos e estará sempre junto de nós, sempre a recordar aquela forma própria de conduzir uma orquestra.

 

Uma nota particular também para o facto de uma orquestra maioritariamente "entradota", um maestro que é um verdadeiro dinossauro da música, sem esquecer o coro, mostrarem que a idade não importa quando se fala de ser ou não um bom profissional, de facto... Uma lição que todos também podemos tirar da noite passada!

 

Obrigado Ennio... 

 

(Também o SAPO aqui não esqueceu o Mestre)

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Dave Matthews Band Rebentou!

por Robinson Kanes, em 08.04.19

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Fotografia: Robinson Kanes

 

Existem coisas que já não nos deviam supreender... Uma delas é sair de um concerto de David Matthews Band e pensar que acabámos de assistir a uma qualidade que já não abunda no mundo musical.

No entanto, depois de no passado Sábado, em plena Altice Arena, ter voltado a ouvir estes senhores, não pude ficar indiferente, e mais uma vez, espantado com a categoria do Dave e de todos os seus músicos. "Graveddiger" nunca me soou tão bem como ontem, "Stay or Leave" voltou a ser outra daquelas coisas que só quem acompanha estes senhores há muito pode sentir.

 

Nem a ausência de "Space Between" ou "You & Me" causou qualquer tristeza, pois a interpretação de temas como "Sledgehammer" de Peter Gabriel (outro colosso), "Fly Like an Eagle"  da Steve Miller Band mas que muitos conhecem pela interpretação de Seal ou "All Along the Watchover" de Bod Dylan (cuja primeira versão que ouvi foi de Jimi Hendrix), fizeram esquecer esse "lapso"! Quem segue Dave Matthews Band sabe que o alinhamento é sempre variado e cada concerto é uma experiência única.

 

Banda e vocalista low profile, um palco sem uma produção de milhões, mostram como ainda é possível, existindo qualidade e trabalho, fazer melhor do que grandes produções cujas "luzes" são aos milhares mas o som dos instrumentos e das vozes deixa muito a desejar.

 

Deixo-vos com uma das que passou: "Ants Marching"... E que regressem em breve para voltar a ver aquela forma peculiar de caminhar pelo palco...

 

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Sobre "Vacation Shaming"...

por Robinson Kanes, em 18.02.19

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Créditos: https://www.businessinsider.com/vacation-shaming-millennials-2017-8/?IR=T

 

Recentemente fui confrontado com um artigo sobre a temática do "Vacation Shaming". No fundo, em bom português, uma espécie de "Vergonha por ir de férias". Imediatamente me revi em alguns ambientes onde já trabalhei e em outros que vou tomando conhecimento por intermédio de algumas conversas que vou tendo.

 

O "Vacation Shaming" é uma espécie de pressing no sentido de fazer com que um colaborador (ou até um colega) se sintam mal pelo simples facto de tirarem uns dias para descansar. Não são raros os casos de trabalhadores que são pressionados no sentido de não tirarem férias ou de não gozarem determinadas folgas. Também não são raros os casos em que a ausência durante uns dias permite que os colegas de trabalho possam ter terreno livre para perpetrar actos menos éticos contra quem não está. Neste âmbito, até vamos ao encontro daquilo que defendo, o mal raramente está em quem manda, está mais nos colegas.

 

Tudo isto pode transformar as férias num tempo onde os níveis de stress durante e após o período das mesmas ultrapassam o limite do razoável. Num dos artigos que consultei, é possível aferir de um desses exemplos pela mão de um dos mais conhecidos colunistas da Forbes, Victor Lipman. Num outro artigo, ficamos a perceber que muitas destas situações ocorrem em organizações que prometem um ambiente descontraído e onde o "tirar uns dias" é prática comum - no entanto, a realidade tende a ser bem diferente, e no caso dos Estados Unidos também está relacionado com outras questões, nomeadamente  legislação relativa a férias.

 

Todavia, a questão fundamental passa pela pressão e pelo stress que pode causar o "vacation shaming", sobretudo em culturas empresariais (e até culturais) onde o presentismo - perdoem não utilizar o termo mais aceite "presenteísmo" que julgo ser menos válido - e a avaliação pelo tempo no trabalho têm mais peso que a produtividade. 

 

Mais do que organizar os processos tendo em vista o aumento da produtividade, em algumas organizações (não sublinho somente as empresas, casos destes são imensos na área social e da solidariedade) parece ser mais fácil praticar a cultura do caos instalado, do presentismo e do micromanagement. Em relação à primeira, percebo que muitas chefias instem ao caos pois "tornam-se" indispensáveis, sobretudo quando já estão nas organizações há muitos anos. O segundo  e terceiros casos, acredito que seja mesmo cultural, numa quase aproximação a um conceito muito utilizado em Espanha, o "negrero".

 

Se efectivamente temos muitos colaboradores que são desleixados, podemos, com estas práticas, estar a promover um clima ainda maior de desleixo, e na maioria das situações, a deixar escapar os nossos melhores talentos.

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IMG_4430.jpgImagens: Robinson Kanes

 

Depois de duas tranquilas caminhadas em Bruges e Ghent segue-se uma cidade mais cosmopolita, mais conhecida, e muito provavelmente, menos apetecível: Bruxelas. 

 

Bruxelas não é a mais bela capital do mundo, mas é uma das mais cosmopolitas e com maior diversidade! Também não me irei debruçar a falar do "Atomium", além de que acho inconcebível pagar-se mais para conhecer este monumento do que para visitar alguns dos mais importantes museus do Mundo. Também não é a Bruxelas onde o chocolate belga e os mexilhões são mais caros que merece a minha atenção... Até porque, perdoem-me a costela mais provinciana, mexilhões é por terras lusas. Perdoem-me também que deixe de parte o "Manneken Pis", um dos locais mais overated do turismo europeu. Se tivesse que escolher, muito provavelmente, até optaria mais pelo "Het Zinneke", o famoso cão que não se inibe de urinar à vista de todos.

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Mas caminhemos pela "Grand Place", talvez a grande atracção da cidade, completamente cheia de turistas, muitas vezes em contraste com as ruas limítrofes. A beleza é de facto única, embora tenha sempre a sensação (e não foram poucas as vezes que andei por Bruxelas) que é mais pequena do que nas fotografias, um pouco como a Praça de São Pedro. Não é de todo aqui que se sente o pulsar da Europa, mas também não se pode dizer que não a uma cerveja ou aos waffles que em alguns recantos são bem agradáveis, aliás, por lá os meus favoritos são os gofres.

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No entanto, há dois pontos de Bruxelas que me encantam! Não são os edifícios das instituições europeias mas sim os vitrais da Catedral de Bruxelas (Cathédrale de Sts Michel et Gudule, ou em flamengo St-Michiels en St-Goedelekathedraal"), bem perto da "Grand Place" e cuja construção começou em 1226 e teve o seu "culminar" já no reinado de Carlos V.

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Além das estátuas dos apóstolos que se encontram nas colunas da nave central, nada como perceber alguma presença portuguesa nos vitrais - os mais bonitos e genuínos da catedral segundo uma das funcionárias do espaço. Podemos encontrar nestes vitrais a presença das armas portuguesas e a figura de D. João III e D. Catarina - a irmã de Carlos V.

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Na verdade, também Carlos V era casado com a irmã de um outro monarca, D. Isabel, irmã do já citado D. João III. D. Isabel era prima de Carlos V. Como o interesse nesta matéria foi grande, acabei por encontrar alguma bibliografia e alguns websites, pelo que, quem quiser começar pode sempre fazê-lo de uma forma mais leve com um "amador" no Crow Canion Journal - antes de entrar em pormenores cientificos, pode ser a leitura ideal.

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Outro apontamento menos conhecido de Bruxelas está também perto da "Grand Place", perdido perto da estação central e junto de um dos parques de estacionamento que rodeiam a mesma: falo da estátua de Béla Bartók... Béla Bartók, o compositor húngaro que faleceu em Nova Iorque e só anos mais tarde encontrou o descanso eterno ao lado da esposa, em Budapeste... A história de Bartók ainda hoje é das mais interessantes, sobretudo se tivermos em conta que em vida não foi assim tão reconhecido ao ponto de apenas ter 10 pessoas no seu funeral. Bartók, para os mais incautos, foi um dos responsáveis pelo estabelecimento da etnomusicologia, embora as origens da mesma já tenham sido anteriores a Bartók.

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Ablakomba... Ablakomba... E bom fim de semana...

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