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E isto é o quê?

por Robinson Kanes, em 27.08.20

As sociedades modernas acreditam nos dogmas humanistas e socorrem-se da ciência para os confirmar e implementar e não para os questionar.

Yural Noah Harari, in ""Homo Deus"

 

Foi no dia 25 de Agosto, ou seja, anteontem... Onde estão as manifestações na rua? Onde estão os pedidos de justiça? É racismo? É violência contra idosos? Pode ser tudo, mas é um crime como muitos que temos visto, só que este precisa da CWB para se tornar conhecido e "por acaso" chegou à FOX. Vi tanta gente chocada com alguns vídeos por aí, até lamentando como era possível que outras pessoas não tivessem ficado em estado de choque, mesmo que no conforto do sofá. Dá que pensar...

 

Este foi em Janeiro deste ano...

Todas as vidas interessam, e independentemente de tudo o resto, temos que protestar é pelo cumprimento da lei... Porque segundo essa lei todos os cidadãos são iguais mesmo com as suas diferenças, sejam elas quais forem... O resto, além de "show off" e ignorância é dotado de "hypes" que só acentuam as diferenças e os extremismos.

 

 

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Caso Floyd: Onde andam agora os justiceiros?

por Robinson Kanes, em 01.06.20

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Créditos: https://newspushed.com/minneapolis-burns-as-rioters-loot-businesses/

 

A certeza com que agimos hoje pode parecer medonha não só para as gerações futuras, mas também para os nossos "eus" futuros.

Robert Sapolsky, in "Comportamento"

 

Onde andam aqueles que, sem uma investigação (inclusive sem uma autópsia), e baseados num vídeo incompleto partilhado pelas redes sociais e posteriormente em alguns meios de comunicação, rapidamente condenaram na praça pública um indivíduo pela morte de outro, colocando como principal convicção para tal acto as causas raciais? Perante o espectáculo assustador de pilhagens e mortes, onde andam?

 

Será que uma morte que é mediatizada tem mais valor que três ou mais mortes ocorridas devido à nossa interpretação dos factos ou sede em dar nas vistas? Porque é que imediatamente conotamos essa morte com racismo para ter mais valor? Será que é mais fashion ou as hashtags "pilhagem" ou "morte" não têm tanta saída? Não é que alguém se preocupe com a opinião da maioria de nós, mas...

 

Porque é que enterramos a cabeça na areia perante as imagens assustadoras de pilhagens, violência e morte, essas sim, bem demonstradoras da realidade? Porque é que permitimos que até as tão famosas "selfies" sejam a imagem de marca da pilhagem? Praticar actos de violência e "sacar" a foto da posteridade: olha para mim a fazer "justiça".

 

Façamos um exercício: face a um alegado crime cometido por um polícia no nosso bairro contra um indivíduo de uma minoria, rapidamente protestamos e exigimos a revolta porque também (somos nós forçados a acreditar) o foi por motivos raciais. O nosso comportamento de querer tomar parte na onda mediática provoca um sem número de actos de violência. O primeiro está relacionado com a pilhagem e consequente destruição da nossa empresa, continuamos calados? Não bastando, os negócios dos nossos vizinhos são também destruidos, continuamos calados e a achar que é normal? Dois dos nossos familiares e o proprietário do café onde vamos todos os dias acabam no Instituto de Medicina Legal dentro de um congelador, continuamos calados? Finalmente, instituições e património do Estado são pilhados e destruídos, mas a conta vem para casa e serão precisos os salários de 10 anos de trabalho para pagar o prejuízo. Provavelmente aí não continuaremos calados...

 

O show mediático e as redes sociais em si não são um perigo (bem pelo contrário), mas um destes dias ainda vão "desencadear uma guerra", ou melhor, nós é que a vamos provocar! Como é que podemos defender a condenação sumária de alguém com base no que vemos nas redes sociais e num ou outro canal de comunicação e depois enterramos a cabeça na areia quando os resultados desse nosso comportamento, directa ou indirectamente provocaram uma tragédia ainda maior.

 

Nos tempos que correm, temo que, mais do que termos medo dos criminosos, devemos ter medo daqueles que exigem justiça, sobretudo na praça pública, pois os actos de tirania e hipocrisia arriscam a ser mais nefastos e destruidores que os comportamentos dos primeiros. No fundo, não somos diferentes e com uma tremenda facilidade caímos no "shoot first, and ask questions later". Ao exigirmos justiça desta forma ou a hipocritamente andarmos ao sabor da onda, somos nós próprios que estamos a destruir a Justiça, a Liberdade e a Democracia.

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Prescrição Perpétua...

por Robinson Kanes, em 20.05.20

Antonio Allegri (Corregio) - _Descanso na fuga parAntonio Allegri (Corregio) - "Descanso na fuga para o Egipto com São Francisco" (Le Gallerie Degli Uffizi) 

Imagem: Robinson Kanes

 

 

A fatalidade faz-nos invisíveis.

Gabriel Garcia Márquez in "Crónica de uma Morte Anunciada"

 

Não há muito que elaborar neste artigo, basta colocar nos escaparates deste local pouco agradável a seguinte citação, depois da Comissão de Protecção de Crianças, Jovens e Pessoas Vulneráveis da Arquidiocese de Braga ter sido confrontada com a ocultação de dois casos (que se conheçam) de abuso sexual de menores por parte de sacerdotes: "canonicamente prescritos".

 

Depois de "Ballet Rose" continuar a ser um escândalo e continuar presentemente ocultado (e já dura há mais de meio século) porque altas figuras do regime de Salazar e depois da Democracia ainda se encontram vivas e outras, apesar de falecidas, não podem ver os nomes manchados... Depois do processo Casa Pia ter sido a pouca vergonha que foi com leis aprovadas na Assembleia da República à pressa para ilibar altas figuras do Estado (da época e de hoje), ler "canonicamente prescritos" não me deveria espantar. Mas espanta...

 

Chocados ficamos com as Valentinas, com os casos de abuso sexual de menores em meios vulneráveis (isto se forem notícia, caso contrário é tema pouco interessante) mas como cidadãos deixamos que o crime de abuso sexual de menores em Portugal continue a ser uma coisa ligeira, um crime de roubo de carteira por esticão e em alguns casos, até uma questão cultural. Até em meio prisional os reclusos têm mais sensibilidade para "castigar" estes criminosos do que propriamente a nossa política, a nossas instituições sociais e claro, nós cidadãos.

 

Canonicamente prescrito é a desculpa ideal para ocultar crimes de abuso sexual de menores (e continuo a repetir a expressão) sem que ninguém se preocupe muito com isso, porque a Igreja, sobretudo em Braga é uma real instituição que vai dispondo de alguns interesses da cidade como quer, e o beijo na cruz é transversal se queremos ter sucesso por lá. 

 

Para estar acima da lei num dos crimes mais hediondos que se podem cometer basta dizer que está "canonicamente prescrito"! Uns dizem que se estão a "cagar para o segredo de Justiça" (é ele sim, o Presidente da Assembleia da República), outros dizem que as leis dos homens não estão acima das leis de meia-dúzia de indivíduos que utilizam a ortodoxia em proveito próprio e continuam a não ter qualquer pejo em cometer crimes contra a Humanidade. 

 

Até lá,  vamos continuando intelectualmente e criticamente prescritos... Pelo menos até serem os nossos filhos a serem abusados pelas sotainas. Interessante a semelhança da palavra com Satanás.

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Orazio Borgianni -  "A Visão de São Jerónimo" (Musée du Louvre)

Imagem: Robinson Kanes

 

 

Whenever two people meet, there are really six people present. There is each man as he sees himself, each man as the other person sees him, and each man as he really is.

William James in, "The Principles of Psychology"

 

 

Agora que já todos assassinámos os dois suspeitos pela morte de uma criança em Atouguia da Baleia. Agora que todos nós, que falamos de direitos e democracia como paladinos do bom comportamento, já enforcámos sumariamente no pelourinho dois suspeitos de um crime - suspeitos, importa reforçar - é importante perceber que talvez estejamos apenas a analisar e a adquirir opiniões emocionais e de revolta popular com base em apenas 1% do processo.

 

Enquanto somos rápidos a tecer julgamentos na praça pública (e ainda bem que existe a Justiça para não ceder às nossas emoções), não somos tão rápidos a perceber o que é que tantas vezes está à nossa volta. Não somos tão rápidos, a denunciar o crime de violência doméstica (e violência doméstica não é só o matulão a bater na mulher indefesa) que acontece mesmo ao nosso lado. Não somos tão rápidos a perceber as circunstâncias sociais que revestem este tipo de casos. Somos rápidos a defender o politicamente correcto e a cair rapidamente na onda mediática da espuma dos dias, acabando, por intermédio do nosso comportamento por tropeçar naquilo que repudiamos.

 

Na verdade, enquanto não largamos a onda geral e paramos para pensar de forma critica, não reparamos que estes episódios, salvo muito raras excepções, não se concretizam num dia - existe todo um historial por detrás e que, mais uma vez, é do conhecimento das instituições, das autoridades e inclusive dos vizinhos, os tais que não se inibem de opinar dizendo que "já sabiam que aquilo acontecia".

 

Na realidade, ao exigirmos a morte imediata de suspeitos, e volto a reforçar, suspeitos, estamos de uma forma ou de outra a procurar na morte de outrem, que também tem direitos consagrados na Constituição e em todas os códigos abaixo desta, a nossa forma de exclusão de responsabilidade.

 

É utópico pensar que salvaremos todas as crianças, todas as mulheres e todos os homens, pensar o contrário é tolo. No entanto, não é utópico estarmos mais atentos, ao nosso pequeno bairro, ao nosso pequeno mundo e acima de tudo às nossas instituições. É a elas que devemos exigir trabalho e competência, é a nós próprios que devemos exigir deveres (sim, deveres, palavra tão complexa) de cidadania. 

 

É necessária cautela, porque condenar alguém sem o devido processo judicial pode levar a erros gravosos, pode inclusive levar à "condenação" de inocentes. Não podemos defender um Estado de Direito uns dias, e defender milícias populares nos outros. Importa também, ter em conta que os resultados destes processos, devem servir para acautelar situações futuras. Tanto profissionais judiciais, como profissionais de saúde mental, profissionais de serviço social e nós cidadãos devemos acompanhar e analisar com toda a atenção, porque também nos cabe a nós garantir que este tipo de situações não atinge uma escalabilidade que acaba por se consumar em crimes hediondos.

 

E depois do show off mediático e do "eu também tenho opinião" (como se alguém se importasse com isso), quantos de nós nos debruçamos sobre o processo, sobre o desfecho e sobre as conclusões? Preferimos a poesia ou a revolta do momento...

 

Finalmente, uma nota, embora sem total conhecimento do processo: está aí mais um alerta para provar que a saúde mental não é o caixote do lixo do sistema de saúde. A saúde mental, não é nem pode ser um tema de lifestyle, um tema de programas de televisão em que o profissionalismo de alguns deixa a desejar, sem contar com aqueles que falam de saúde e bem-estar mental como se fosse uma trend new age ou porque lemos meia dúzia de coisas na internet e achamos que somos bons conselheiros.A saúde mental é um tema sério, e que tem de ser gerido com a devida honestidade e valor.

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Portugal: o País dos Alegremente Corruptos!

por Robinson Kanes, em 21.05.19

2016-corruption-perceptions-index-our-rotten-world

Créditos: https://newatlas.com/2016-corruption-perceptions-index-our-rotten-world/47566/

 

Pior do que Itália, Portugal é o país da alegre corrupção e real bandidagem - até porque em Itália a generalidade da população não gosta da máfia e só não faz mais contra esta porque tem medo. Portugal também não é só um barril de pólvora, como Itália e outros países, porque alegremente aceita coisas que nunca seriam toleradas por outras paragens.

 

A desculpa de que há países piores, e há, só resulta porque pactuamos com muitas situações e porque - permitam-me a provocação - talvez a larga maioria dos portugueses tenha o seu esquema que, só não é maior, porque não tem acesso a outros meios. Talvez uma larga maioria dos portugueses também tenha a sua agenda escondida, seja nas associações, no clube recreativo, no trabalho, no IRS e em tantas outras coisas que... Temos também aqueles que vivem apoquentados com a corrupção e a política em países como Angola e Brasil mas dentro de portas assobiam para o lado - ou usufruem do status quo, porque uma coisa é a corrupção e a ausência de ética e moral lá fora, cá dentro é diferente... Porque dá jeito e não é bem corrupção ou má prática, é cultural...

 

O paternalismo também pode ser uma justificação para um certo estado da arte - um Estado que se endivida largamente para manter alguns sectores mais calmos, mas também u,ma certa apatia e desinteresse da população que, muito provavelmente pela má educação pelos pais e pelas escolas a isso é levada. Por outro lado temos os mais velhos que ainda são produto dos "anos dourados", portanto conseguem uma estabilidade na vida que não os faz querer mudar muito o país actual, até porque muitos também acabam por usufruir de regalias com que os jovens já nem podem sonhar. 

 

Por outro lado, gerações que começam nos 25 e se estendem até aos 45 também não se preocupam - é importante passar a imagem de que tudo está bem (sobretudo perante amigos e redes sociais) e acima de tudo preservar a vida do casal feliz, com filhos e de bem na vida - suportado pelos pais, tantas e tantas vezes - arriscar perder o emprego ou a aceitação de outrem porque se disse "não" é incómodo e não causa boas impressões! Poder dizer "não" é uma das maiores liberdades que podemos ter... E até dizemos, entre um círculo fechado no café... Aí somos os maiores, não podemos é sair a porta.

 

As gerações abaixo, nem se fala... Ter e parecer, todos os meios justificam os fins, nem que para isso se torne algo censurável numa coisa "cool" - também aprenderam com os mais velhos.

 

Independentemente da idade, temos aqueles que sofrem da ausência do conceito de empowerment por terras lusas e que desistem de lutar ou nem o fazem sob pena das consequências nefastas que tal exercício de cidadania possa ter. Os culpados? Sobretudo os educadores e os políticos, desde o Presidente da República (e o caso actual então) até ao Presidente da Junta.

 

Temos também o mundo dos comentadores, dos media, das artes (os disruptivos que mudam o mundo e que só se revoltam quando o tema são subsídios), daquelas pessoas que podem colocar questões mas não as colocam... Até no humor e nos nossos humoristas ninguém quer correr o risco de pôr o dedo na ferida sob pena de perder o palco. Pontualmente, poucos são os que falam - são aqueles que realmente não estão dependentes do aparelho do Estado, dos partidos, das maçonarias, dos corporativismos e tantos outros poderes que por aí andam...  São aqueles que não temem perder a fortuna, o emprego (como se só houvesse uma oportunidade) ou os amigos.

 

Os exemplos dos últimos dias, mais um lote deles a juntar a tantos outros dão que pensar: o INEM, a deputada que recebe dinheiro de subsídios para construir algo que já o foi, a lei sobre a transparência em cargos políticos, Marques Mendes (o seguidor de Marcelo) que defende que se tirem condecorações a José Sócrates mas não a Mourinho ou Ronaldo e desconfio que até a Berardo - Berardo, outro caso, a diferença é que este tem mais sentido de humor do que aqueles que fizeram exactamente o mesmo. Estranho, e já alguém o disse, é que toda a gente censure Berardo mas continue a aplaudir um dos maiores cancros e centros de corrupção, violência e outros crimes neste país: o futebol! Aí tudo é permitido!

 

Pelo menos para mim, quem pactua com corrupção (sabendo que ela existe) é corrupto e... talvez por isso sejamos um país de corruptos que alegremente não tardará a exacerbar tal comportamento no Facebook ou no LinkedIn com a designação "corrupto" ao invés de "trabalhador em". Mais do que ser integro, é bom que o perfil exponha o conceito de corrupto, mesmo que por outras palavras...

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Vistos Junk

por Robinson Kanes, em 27.02.19

junk.jpgCréditos: https://ama.com.au

 

Nem tudo o que brilha é ouro... O povo agarrou esta expressão e o povo raramente se engana... O povo e a Comissão Especial do Parlamente Europeu que analisou as políticas no âmbito da emissão de "vistos gold" praticadas em 20 países da União Europeia. Esta chega mesmo a mencionar que os mesmos apresentam um alto risco de segurança e fomentam crimes de branqueamento de capitais e evasão fiscal.

 

Em Portugal, o impacte destas medidas ainda é um tema que amedronta, sobretudo os suspeitos do costume que aqui, têm a sua origem no Governo de Passos Coelho e terminam no de António Costa. Nunca foram apresentados dados claros dos resultados destas iniciativas.

 

O que dirá agora Fernando Medina, o paladino da habitação e da Teixeira Duarte, quando recordar o facto de em Outubro do ano passado ter dito que  os "vistos gold" eram para manter e que deveriam ser flexíveis e adaptáveis às necessidades de cada região? Que dirá o deputado Carlos Peixoto? Que dirão o PSD, o PS e o CDS-PP, partidos que chumbaram a proposta de fim dos "vistos gold" apresentada pelo Bloco de Esquerda? Que dirão Filipe Neto Brandão do PS, e Telmo Correia do CDS-PP, que defenderam, em nome das suas bancadas e com unhas e dentes, que os "vistos gold" eram o "plano perfeito"? E que dirá o "Ministro da Propaganda Iraquiano" Augusto Santos Silva? Que defesa farão estes e tantos outros de quase todas as cores partidárias da falta de transparência e sustentação da criminalidade? 

E os resultados? Onde estão os biliões e a criação de emprego? Onde é que a nossa economia beneficiou de facto com estas iniciativas? Apresentem-nos resultados e como também diz o povo por outras paragens "cut the bullshit".

 

 

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Jamaica Beat...

por Robinson Kanes, em 24.01.19

1323428.jpgImagem: www.publico.pt

 

Lisboa e arredores puderam, nos últimos dias, ter uma amostra do que é viver em Kingston e até no resto da verdadeira Jamaica: os portugueses acordaram para o facto de, embora a uma pequena escala, se conseguir em horas mobilizar centenas de indivíduos de bairros algo distantes entre si tendo em vista a prática de crimes violentos. Os barris de pólvora por cá também existem e paióis abertos a todos não existem apenas em Tancos.

 

Os portugueses também ficaram a saber que um ataque contra uma academia de futebol é terrorismo mas o ataque a polícias e o incitamente à violência contra as forças de defesa do Estado por parte de indivíduos desocupados, partidos/ajuntamentos políticos (alguns até suportam o actual Governo) e associações "pacíficas" é apenas um delito menor. Como frisam o Presidente da República e o Ministro da Administração Interna, o povo português é sereno... Sereno como se pudesse aceitar tudo e mais alguma coisa, desde que não seja o futebol, tudo é permitido e... Sereno.

 

Quem está à frente de associações como a SOS Racismo e de partidos políticos como o Bloco de Esquerda, entre outros, tem de ter cautela com o que publica e com o que diz, caso contrário, faz-nos pensar se a diferença entre fascimo, populismo, comunismo e uma certa extrema esquerda não é de facto uma semelhança. O ataque gratuito às forças políciais tem sido uma constante, isto talvez porque muitos partidos políticos não tenham a sua própria força policial, uma espécie de Stasi ou Milítsia. Também fico algo pensativo quando escuto o discurso de que todos os extremos são maus, no entanto, alguns ditos moderados começam a assumir um papel demasiado extremista...

 

Também é de estranhar que num país democrático, manifestações como as dos "coletes amarelos" sejam vistas como acontecimentos fascistas e populistas e este tipo de actos seja encarado como algo isolado e que não merecem tanta atenção. Se por um lado temos manifestações com um intuito claro de lutar contra um certo estado de coisas que nem sempre é o melhor, por outro temos violência gratuita. Mais grave é quando o mencionado Presidente da República, já em campanha eleitoral, adquire também a atitude de repudiar os primeiros e aceitar como normal os segundos. 

Também pergunto onde andavam os telemóveis dos membros de partidos do Partido Comunista e o Bloco quando a Polícia carrega sobre aqueles que defendem um país mais justo e menos corrupto? 

 

Mais uma vez, a polícia, em Portugal é um alvo a abater por determinados quadrantes políticos e sociais, a mesma polícia que nem sempre pode executar as suas funções porque presta serviço a esses mesmo quadrantes e aos "ópios" do povo - no entanto, pode ser que um dia a polícia seja tão pacífica e tão neutra que não actue sob pena de ser acusada de violência. Afinal, como refere  dirigente da SOS Racismo e assesor do Bloco de Esquerda, a Polícia é uma bosta... Que chatice zelar pelo bem público... A Polícia, essa sim, parece ser cada vez mais deixada à mercê de uma certa bandidagem e altamente solicitada quando alguém decide dizer que esta Democracia já teve (se é que alguma vez teve) dias melhores.

 

Cabe também apurar responsabilidades em termos sociais - afinal, que têm feito as instituições estatais, autárquicas e sociais no sentido de empoderar muitos dos habitantes destes bairros para que arranjem um emprego (muitos já o têm e são cidadãos exemplares) e possam comprar/arrendar as suas casas e assim acabar com estes guetos? Continua a preferir-se o assistencialismo e as recolhas dos bancos alimentares com direito a câmeras de televisão, permitindo assim que a taxa de empowerment seja maior - até porque cidadãos com mais empowerment questionam o status quo e exigem mais da política, algo mais que subsídios, exigem uma política séria.

 

No entanto, para mal de muitos, Portugal é um país que ainda respeita os seus polícias e não será uma minoria com assento parlamentar e uma ou outra instituição que conseguirá abalar este sentimento. Entretanto, os dias de violência continuam e o povo está sereno, isto até um polícia agredir um hooligan num estádio de futebol, aí é que vamos ter a revolta nacional ou bando de desocupados invadir um centro de treinos. 

 

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Tancos - Um Verdadeiro "Facepalm"!

por Robinson Kanes, em 25.09.18

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 E por agora, mais não digo... 

Créditos:http://lptpw.wikia.com/wiki/File:Triple_facepalm_by_pip3r_cz-d3e6t06.jpg

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Os Irritantes...

por Robinson Kanes, em 11.05.18

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Fonte da Imagem: https://pixabay.com 

 

O hipócrita é o espantoso hermafrodita do mal.

Victor Hugo

 

 

 

Quando chegamos a um patamar de desenvolvimento onde a teoria de Turing está prestes a chegar à luz do dia, percebemos que o desenvolvimento dos humanos não acompanha o desenvolvimento da robótica e consequentemente da inteligência artificial...

 

Muitos são aqueles que em Portugal respiram de alívio com os últimos desenvolvimentos do processo de Manuel Vicente, que em Angola seguirá agora outros trâmites que permitirão a indivíduos como Marcelo Rebelo de Sousa, António Costa e tantos outros fiquem bem na fotografia com Angola mas mal perante os portugueses. A questão aqui é que Angola não esquece e em Portugal amanhã já ninguém se lembra... O saldo final, neste campo, não poderia ser mais positivo para todos.

 

Dentro do clube dos irritantes, voltamos a encontrar um Marcelo que volta aos seus discursos de chantagem e a tantos anos das presidenciais já começou a preparar o terreno. O ano passado lançou a terraplanagem, agora começa a aplicar o cascalho. Fazer depender a sua decisão dos fogos é minimamente redutor. Penso que, Marcelo deveria fazer depender sim a sua futura candidatura da capacidade de alterar um status quo com o qual vai pactuando. Fala muito, diz muito pouco, e com um discurso balofo de quem sempre praticou mais a oratória do que a acção lá vai comprando os portugueses com a veia de inovador que deixa tudo na mesma.

 

Também é interessante que no clube dos irritantes, surja um Costa que pede aos portugueses que se têm problemas que consultem um advogado. Estará Costa a pensar em deixar a política e dedicar-se à advocacia novamente? Interessante é que Costa não tenha pedido às vítimas de Pedrogão, aos banqueiros, às empresas de helicópteros, aos administradores do BES e da TAP, a José Sócrates e a tantos outros para procurarem um advogado...

 

Também não sou daqueles que diz tudo o que Trump faz é mau, mas extinguir o Programa de Monitorização de Gases com Efeito de Estufa da NASA é, no mínimo, retroceder à Idade do Gelo e contribuir com mais uma forte pedra para a lápide que começa a formar-se à volta do planeta Terra. Os Estados Unidos não podem nem devem chegar a este ponto e retornar aos colonos estupidificantes da Guerra da Independência, até porque o processo de desenvolvimento do país após esse conflito foi moroso e levou muitos anos a tornar os Estados Unidos na potência que são hoje.

 

Finalmente, irritante é também muita da comunicação social portuguesa que insistentemente nos impige vozes que defendem a impunidade de Lula da Silva. Os defensores, sobretudo brasileiros, de Lula da Silva, encontram em Portugal o palco perfeito para a defesa de um corrupto. Talvez encontrem aqui o palco perfeito para puxar do conceito de fascismo aplicado a todos os que não pensam como eles. Aliás, actualmente, não pensar como muitos partidos de esquerda e extrema-esquerda é uma atítude fascista... Pelo menos na boca daqueles que o praticam, mas ao invés de ter uma origem na extrema-direita, tem na extrema-esquerda - por falar em extrema-esquerda, é interessante ver, sempre que pode, o Presidente da República Portuguesa negar a existência desta em Portugal! Será que Marcelo, como todos nós, sabe que é o defensor máximo de uma Constituição que aplaude a extrema-esquerda mas proibe a extrema-direita e procura varrer alguma poeira para debaixo do tapete?

 

E por falar em Constituição e Justiça, por mais quantos anos os Provedores de Justiça irão continuar a dizer à classe política que  estão a elaborar leis que criam uma autêntica partidocracia, aliás, iria mais longe e díria uma autêntica ditadura? O caso do financiamento das campanhas autárquicas é um deles, onde os partidos estão isentos de IVA mas os movimentos de cidadãos não... É isto a Democracia...

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 Édouard Manet, Almoço Sobre a Relva - Musée d'Orsay

Fonte da Imagem: Própria.

 

O objectivo do homem não é a verdade mas o êxito.

Rabindranath Tagore, in  "A Casa e o Mundo"

 

Vivemos numa época em que tudo é polémico, dizemos polémico para não utilizarmos o termo "moda" e assim condernarmos à estupidez os nossos conceitos morais e querermos acreditar que somos livres no pensamento, quando mal sabemos que só estamos a seguir a corrente deste ou daquele interesse... Basta ver que não ficamos chocados com algo que acontece à frente dos nossos olhos mas se sair na capa de um jornal...

 

Uma das questões a debate nos últimos tempos têm sido os casos de assédio sexual e até violação no seio de Hollywood. Harvey Weinstein surge como o principal actor de todas estas polémicas e, embora alguma imprensa por cá até faça eco do caso, o mesmo parece não ter o "aplauso" do público como tem por exemplo o de uma sentença de um juiz que escolheu mal (muito mal, por sinal) a fundamentação de um veredicto. Alguém me dizia um destes dias que se deve ao facto de existirem muitos telhados de vidro e de outros nem saberem o que é. De estranhar o facto de só se falar de Weinstein quando Polanski é aclamado na Europa e sobre Woody Allen ninguém procure saber o que realmente aconteceu. E estes são apenas dois exemplos em tantos outros.

 

Mas porque é que só ao fim de tantos anos é que surgem as queixas? Recordo-me de casos como os de Bill Cosby ou até do antigo director do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss-Kahn, que foram sanados com pagamentos milionários que limparam qualquer trauma que pudesse ter ficado. Será que quando a vida nos corre mal, nada como lançar cá para fora segredos do passado e lucrar com isso, como provavelmente lucrei naquela época com o meu silêncio e até cumplicidade em alguns casos - não estou com isto a defender o assédio sexual. Todavia, quando queremos justiça, não nos vendemos por dinheiro... Uma coisa é ser ressercido pelos danos causados, outra coisa são acordos para não levar avante os processos e consequentemente desistir das queixas.

 

Porque é que à época estas senhoras (muitas delas actrizes com carreira) não denunciaram o caso? Porque é que foi preciso uma delas ter "coragem" (está entre aspas não é por acaso) para o fazer e de repente descobrimos que praticamente mais de metade das senhoras de Hollywood passou pelo mesmo! Porque é que foi preciso esperar tanto tempo e porque é que, perdoem-me a frase mais popular, não se abandonou o barco? E porque é que só agora, quando o cinema está em crise e muitas desaas actrizes precisam de holofotes sob pena de terem de trocar a mansão de 7 milhões por uma de 2 milhões? 

 

À época até era conveniente e, agora que estamos num outro patamar e tememos perder o mesmo, nada como lançar cá para fora uma verdade que todos já conheciam e que provavelmente até terá custado a carreira a muita gente que, também à época, percebeu o que era assédio sexual e não prosseguiu pelo caminho errado... Muitas dessas pessoas, provavelmente até ameaçadas por aquelas que agora denunciam estes casos... A diferença é que essas mesmas pessoas, hoje, não são estrelas de cinema...

 

E porque é que estamos assim tão escandalizados? Existem várias áreas da sociedade em que tal é uma prática comum, a política, por exemplo é uma delas? Todos sabem, é preciso ser capa de jornal para haver indignação? Aliás, existem políticos no activo e a desempenharem altos cargos que nunca clarificaram bem a sua inocência em casos muito mais graves que assédio sexual. E os célebres casos de suites de hotéis em Lisboa que serviam de antro sexual, uma espécie de antecâmara para o estrelato? Acerca destas situações, não me recordo de ver os senhores e as senhoras do costume a condenar, sobretudo aquelas que têm tempo de antena e que vão desde a política, à televisão, sem esquecer a cultura e tantas outras áreas...

 

E no dia-a-dia? Quantas pessoas são alvo de assédio sexual e violação? Quantas pessoas são alvo de assédio moral, tão comum, inclusive em Portugal? Mas essas mulheres, e até homens, não surgem nos jornais e são, muitas vezes, até ostracizadas pela sociedade que não quer ver a vergonha que tem à frente dos olhos - ou prefere não ver porque também beneficia.

 

Não se pode, após ter beneficiado da prática de um crime e vir ao fim de tantos anos denunciar esse mesmo crime tirando, novamente, proveito da situação - para mim é ser cúmplice desse mesmo crime! Todavia, a verdade é que se esses actos fossem denunciados quando tinham que o ser, muito provavelmente estas senhoras não seriam actrizes e foi isso que as fez pactuar com a situação todo este tempo... Não utilizei o "estar remetidas ao silêncio" porque, na verdade nunca estiveram, apenas beneficiaram de uma situação enquanto lhes era satisfatório. A propósito desta "moda", Kevin Spacey foi a última vítima.

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