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EjkKZD9WoAA-Ci9.jpegCréditos: https://twitter.com/FAOYemen/status/1313092618126077954/photo/1

 

A 06 de Outubro, há pouco mais de um mês, recebia a notícia de que no Iémen a vacinação destinada a animais foi terminada devido à falta de financiamento por parte dos membros da Organização das Nações Unidas (ONU) e por privados. Os mais antropocentricos pensarão porque é que a vacinação de animais tem de ser uma prioridade, mas vejamos...

 

No Iémen, cerca de 3,2 milhões de indivíduos (215 mil famílias sensivelmente) vivem da pecuária, quer em termos alimentares quer em termos de geração de income. A existência de vacinas e consequentemente a vacinação dos animais elimina a montante muitos problemas cuja resolução poderá ser mais complexa...e cara - ainda hoje a ONU afirmou que vai disponibilizar 100 milhões para combater a fome em 7 países. O Iémen está incluído, país onde 24 milhões de pessoas dependem da assistência humanitária - 24 Milhões! A população total roça os 29 milhões.

 

Vacinar estes animais é dinamizar a economia, é alimentar seres-humanos, é permitir que muitos se possam ocupar com uma actividade, sustentar a família e acima de tudo é um alívio para o Estado e para os financiadores de um país completamente devastado por um guerra civil desde 2011 aquando dos ecos da Primavera Árabe que depôs Ali Abdullah Saleh e colocou no poder Abdrabbuh Mansour Hadi. 

 

Além da corrupção, da Al-Qaeda, da insegurança alimentar e de movimentos separatistas, a gota de água foi o movimento huti que, sendo xiita e defendendo  os xiitas zaidi procurou tomar o controlo da Província de Saada. O apoio, inesperadado, de muitos sunitas a Hadi, levou à escalada da violência, ao exílio deste e a uma das mais sangrentas guerras da década - ainda tenho na memória a emboscada a centenas de soldados sauditas decepados pelos rebeldes e que não terá passado em Portugal. A hipotética ameaça da influência do Irão (xiita) levou a que a Arábia Saudita se envolvesse directamente na guerra com mais oito países árabes e ainda com o apoio logístico de países como os Estados Unidos (O nobel da paz e presidente em 2015, Barack Obama autorizou o apoio e internamente foi acusado de participar na catástrofe), Reino Unido, o pacífico Canadá e França. A ira árabe que também afecta o último país tem muito que se lhe diga, embora nada justifique as atrocidades cometidas.

 

Agora, com o fim do apoio directo à população, sobretudo numa forma de empowerment - a melhor forma de combater a miséria sendo que a caridade só a fomenta - assitimos à escalada daquela que já é uma das maiores catástrofes humanitárias do século. Em termos de má-nutrição e a título de exemplo, a Food & Agriculture Organization of the United Nations (FAO), a 27 de Outubro deste ano, dava conta do maior número de casos de nutrição registados naquele país em crianças abaixo dos cinco anos... Um aumento de 10% em relação a 2019 o que equivale a cerca de 98 000 crianças em risco de morrerem devido à má-nutrição. Em termos de Má-nutrição Severa/Severe Acute Malnutrition (SAM), a percentagem aumentou em 15.5%. Em suma, uma em cada cinco crianças corre o risco de morrer por má nutrição, sendo que em algumas provincias o número pode ser duas e até três em cada cinco.

 

O Iémen, apesar do desinteresse de quase todos, é um país importante para a estabilidade regional (se tivermos em conta que a Síria é outro foco de tensão) e arrisca-se a ser um pólo logístico da Al-Qaeda e com alcance mundial. Também é pelo estreito de Bab al-Mandab que passam muitos dos navios petroleiros do Mundo, e isto também tem que se lhe diga.

 

Em relação às vacinas para o gado, o reinício do programa implicará agora um custo de 3 milhões de dólares. Se tivermos em conta que países como Portugal gastaram milhões na aquisição de medicamentos que não têm qualquer efeito (e foram alertados para isso) contra o SARS CoV-2, dará que pensar... 

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Por África no SardinhasSemLata...

por Robinson Kanes, em 17.11.20

aa15975145383_91e165d64f_k-768x539.jpgCréditos:https://thisisafrica.me/politics-and-society/7-civil-wars-africa-must-never-forget/

 

Hoje, como é habitual à terça-feira, estaremos no SardinhaSemLata a falar da África de hoje... Passem por lá, é só clicar aqui.

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A Sardinha é só minha...

por Robinson Kanes, em 03.11.20

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Créditos: https://www.coolpun.com/topic/safari

 

Hoje é terça-feira e estamos no SardinhaSemLata, mas não partilhamos a nossa sardinha. Saibam mais aqui.

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Quem é que se responsabiliza?

por Robinson Kanes, em 31.10.20

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Créditos: Leemage/Universal Images Group via Getty Images

 

Não, não venho falar de movimentos importados dos Estados Unidos e muito menos de eleições também naquele país. Torna-se complicado enterrar a cabeça na areia numa Europa onde tudo "arde" e onde ficar preocupado com o voto que é feito noutros países é a prioridade. Quando muito provavelmente por cá nem votamos ou quando votamos é porque o candidato nos pode trazer qualquer coisa.

 

No entanto, e nem tenho por hábito carregar no pedal ao fim-de-semana, existem coisas que me preocupam, e vejamos:

 

- Quem é que se responsabiliza por divulgar notícias falsas que podem ter consequências gravosas para os cidadãos? Ainda esta semana me chamaram mentiroso porque uma publicação que de repente surgiu a falar de todos os temas para os quais não foi criada e afirmava que as províncias de La Rioja, Navarra e País Basco já estavam confinadas desde o início do mês de Outubro. É falso! Nas três é falso e muitas outras tantas situações são falsas! O único confinamento com que me deparei foi numa pequeno pueblo, Carcastillo (Navarra), onde a Guardia Civil me "impediu" a entrada! Quem é que se responsabiliza?

 

- Quem é que se responsabiliza pela divulgação ao minuto de situações de pânico, com estudos encomendados que agora até afirmam que são os próprios portugueses que se auto-confinam num medo imenso da pandemia e que portanto, um futuro confinamento já não será tão doloroso porque praticamente toda a gente o faz? Quem se responsabiliza quando a fome e a penúria baterem à porta de tantas famílias? E não me venham com a conversa de que temos um sistema que apoia os mais carenciados! Sabemos que muitos políticos da nossa praça adoram o paternalismo e o assistencialismo, mas eu prefiro ver um povo "empoderado"! Há muitas formas de derrotar um indivíduo, e uma delas é colocá-lo propositadamente nessa posição! Quem é que se responsabiliza?

 

- Quem é que se reponsabiliza por potenciais manifestações na rua de gente ordeira e que rapidamente são aproveitadas por desordeiros e que sem qualquer conhecimento são conotados com a extrema-direita como se uma extrema-esquerda estivesse quieta? Quem se responsabiliza?

 

- Quem é que se responsabiliza por filtrar notícias e esconder a verdade dos factos, inclusive de só se passar a ideia de quem em Barcelona é que as coisas estão tensas (Barcelona com uma agenda política muito especial e não preciso de escrever mais nada)? Santander (a pacífica Santander), Burgos e outras localizações em Castilla y León, Madrid, Andaluzia e tantos outros locais que estão a ferro e fogo e contra as mal geridas medidas de confinamento! Quem se responsabiliza?

 

- Quem é que se responsabiliza por filtrar os tumultos que estão a ter lugar em Nápoles, Turim, Milão e tantas outras localizações em Itália? Quem se responsabiliza pelos tumultos em França e até na Alemanha? Lembrar que em alguns caso só existem porque se pede para fazer uma coisa enquanto se faz o seu contrário. Quem se responsabiliza?

 

- Quem é que se responsabiliza por termos um Governo que passa por cima da Constituição da República Portuguesa, decreta medidas anti-constitucionais e seguidamente temos um Presidente da República que desautoriza esse mesmo Governo numa perfeita sequela do cata-ventismo ao ataque: "pode... não deve... mas pode". Quem se responsabiliza?

 

- Quem se responsabiliza perante o facto das medidas anteriores "apenas" terem afectado quem ontem apenas queria regressar do trabalho? Pois os desocupados e outros que podem trabalhar em remote já teriam "fugido" no dia anterior. Quem se responsabiliza?

 

- Quem se responsabiliza por espalhar o medo invocando factos alegadamente concretos e até datados de que determinados picos ocorrerão naquele dia e quase àquela hora? É inútil! Quem se responsabiliza?

 

- Quem é que se responsabiliza pelo medo espalhado por um movimento partidário minoritário em Portugal que deu a entender que virá aí um possível confinamento geral nas primeiras semanas de Dezembro. Quem se responsabiliza?

 

- Quem é que se responsabiliza por não se terem acautelado todos os meios e formas de combater o vírus na época mais difícil além de que ninguém hesitou em andar aos mergulhos nas praias deste país? Quem se responsabiliza?

 

- Quem é que se responsabiliza por mais uma vez a corrupção (o verdadeiro vírus deste país), a reboque da pandemia, ter sido varrida para debaixo do tapete? Quem se responsabiliza?

 

- Quem é que se responsabiliza por termos uma Constituição com artigos intoleráveis em qualquer sistema democrático (basta perceber que cria portugueses de primeira e de segunda), totalmente pós-revolucionária e cujo interesse em rever a mesma é diminuto até ter chegado o momento em que para privar o cidadão da sua liberdade já se fala numa revisão à pressa (inclusive um inexistente Rui Rio que só surge quando o tema é castrar o cidadão comum)? Quem se responsabiliza?

 

- Quem é que se responsabiliza por termos apelado a que tantas áreas de negócio (restauração, turismo, hotelaria e tantas outras) que dessem o seu melhor após Maio, que não deixassem de investir e agora lhes dizemos que afinal... Quem é que se responsabiliza?

 

- E finalmente deixo uma questão: para quando os resultados da investigação aos indivíduos, alegadamente de extrema-direita, que enviaram emails ameaçadores a alguns não menos ameaçadores indivíduos que circulam na nossa praça? E esperemos também que a investigação ao mais recente caso em escolas e universidades deste país seja breve, até porque é praticamente impossível que não tenham sido deixados vestígios e nenhuma câmara tenha captado alguns dos momentos - e convenhamos que o momento foi oportuno por diversos factores. É que se por um lado podemos estar perante um aumento exponencial da extrema-direita por outro podemos estar perante uma perigosa encenação de alguns indivíduos, o que até não me espanta, o Unidas Podemos em Espanha (escola de muitos políticos e associativistas portugueses) está a ser investigado por comportamento semelhante. E não, Portugal não é racista, todavia, é por isso que também é importante esclarecer os factos, pois podemos estar a caminhar para aí e a saturar alguns dos nossos cidadãos muito por culpa de uma propaganda sem mais-valia para o combate à causa. Isso sim, será grave, e um retrocesso no combate a essa também doença que é o racismo. Importa esclarecer estes factos de forma breve.

 

Tendo ou não razão naquilo que pergunto, são perguntas que deixo para quando passar a febre das eleições nos Estados Unidos, talvez porque pela primeira vez na História de um país, sem existir um feriado à sexta ou à segunda e também não existir uma ponte, se conseguiu criar um fim-de-semana prolongado e na Europa os tumultos não cessam enquanto os nossos principais concorrentes vão tranquilamente seguindo o seu curso, em paz e alegadamente com menos casos de coronavirus.

 

 

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Resposta a Gustavo Carona...

por Robinson Kanes, em 30.10.20

O pior das humilhações é que fazem quem as sofre sentir-se culpado

Javier Cercas, in "As Leis da Fronteira"

 

Caro Gustavo,

 

Não tenho dúvidas de que será um médico intensivista de topo e estou certo que se necessitasse dos seus cuidados estaria nas melhores mãos. No entanto, e talvez pela exposição pública que foi adquirindo, até porque escrever uns livros e tirar umas fotografias com uns pretinhos passa sempre a mensagem de que somos uns heróis, gente de bem e com talento, deve ter achado que poderia ser um embaixador da classe médica em Portugal, uma espécie de Buescu da medicina.

 

Não obstante, a última campanha mediática que tentou fazer passar, peca por ser tardia, nomeadamente em termos de impacte. Vir afirmar a sua exaustão, dizer às pessoas para ficarem em casa (só falta a fotografia deitado no teclado) já não tem o eco que teve em tempos. Se olhar para países como Itália, Espanha, Bélgica, Alemanha e França, essa partilha já tem mais consequências negativas que positivas - chegou tarde. Além disso, esse discurso (errado) passa a imagem de que até hoje a classe médica (e não só médica) levava uma vida tranquila, o que não é verdade e se quiser exemplos disso também lhos posso dar. Estar exausto é mais do que comum em tantas outras profissões onde não existem corporativismos, salários garantidos ao fim do mês e pagamento de horas extraordinárias ao fim de somente 35 horas de trabalho. Muitos gostariam de escrever livros e colocar licenças para tirar fotografias com os pretinhos, mas andam exaustos todos os dias do ano, todas as épocas, com ou sem vírus.

 

Também me espanta ver um médico a chamar imbecis e anormais a "negacionistas", "relativistas" e todos os outros que não colocam o SARS-CoV-2 como a doença que nos matará a todos. A título de exemplo, passar a mensagem de que o pneumologista descarrega toda a sua fúria no doente que fuma, parece-me contraproducente. Também para um médico, não me parece a melhor forma de criar empatia e abordar os potenciais pacientes. Eu entendo que explorar o mediatismo e entrar no rol dos grandes heróis nacionais contra o vírus pode levar a estes excessos, mas... Em suma, se alguma vez geriu uma equipa, sabe que não é a chamar imbecis e anormais aos seus que vai conseguir resultados, espero que não o faça quando anda por outras paragens em missões "humanitárias"... Lembre-se também que são esses imbecis e anormais que necessitam de cuidados médicos mas que por seu turno os pagam por intermédio dos seus impostos e do seu trabalho e são esses indivíduos que não são mais excepcionais que o resto de nós que fornecem exemplos impressionantes dos nossos momentos mais sublimes como seres humanos, como tão bem descreve Sapolsky. E, pela sua experiência, sabe que se não existir economia em funcionamento, também não existem impostos que paguem a um médico.

 

Aproveito também para o recordar, até porque também colabora(ou) com os Médicos sem Fronteiras, que a saúde-mental e o bem-estar também são saúde, algo que o Gustavo parece ignorar. Antes da especialidade, terá com toda a certeza abordado esta temática na sua formação, talvez uma reciclagem possa ajudar. Isso e gestão de pânico e catástrofes... Lembro-lhe que a política é importante, tem uma vísão holística que ouve todos os lados (ou deveria) e toma decisões de acordo. Por muito que não goste de como a política por vezes é gerida, esperemos que nunca a decisão e gestão perante uma catástrofe passe por uma única entidade/corporação, lamento desapontá-lo. Aliás, como eu, deve saber que a própria Organização Mundial de Saúde (OMS) é uma organização política e não médica que quer comparar a actuação contra o vírus na Europa e não só com a actuação localizada contra o ébola numa determinada região africana.

 

Deixe-me também dizer-lhe que me espanta, e até poderá ter as suas razões, que no dia 18 de Setembro de 2020, defenda eventos de massas como o Avante e outras manifestações similares e aponte que o risco maior se encontra nas pequenas reuniões familiares. Ainda hoje estamos à espera desses estudos. Espanta-me ainda mais que no dia de ontem, 29 de Outubro, surja de repente com um discurso ligeiramente diferente. Portanto, deixemos que as pessoas se juntem em eventos de massas mas ai daquele que ousar visitar a mãe! 

 

Lamento também desapontá-lo quando implicitamente nos diz que a ciência não se questiona e muito menos ela própria é aberta a toda e qualquer "novidade". Não sei em que meios se move, mas uma das coisas que faz a ciência avançar é a constante formulação de novas ideias e abanões ao status quo. Temo até que, se assim não fosse, a leucotomia pré-frontal, idealizada pelo seu colega Egas Moniz, ainda fosse uma prática corrente. A ciência é sempre aberta a novas ideias? Não precisarei de lhe responder... Até porque se assim fosse, não estávamos a confinar (pela primeira vez na História) pessoas saudáveis e a basear-nos em modelos aplicados no passado em contexto totalmente diferentes.

 

Utilizar um programa de televisão e o meio mediático que lhe permitiu ser mais conhecido do que propriamente a exercer o seu trabalho, não me parece de bom tom. É público que não nutro simpatia pela televisão em Portugal, mas adoptar um comportamento que até é cultural em Portugal de, e passo a expressão, de cuspir no prato onde se come é, no mínimo deselegante, sobretudo quando tornamos isso público, partilhamos os detalhes e utilizamos o acto como forma de auto-promoção. Tem passado demasiado tempo a fazer vídeos na internet, programas de rádio, artigos em todos os jornais e mais alguns, a aparecer na televisão e por certo menos tempo em contacto com pessoas. É feio e não lhe fica bem, e sim, com tudo isso para lá do trabalho que se exerce, acredito que fique exausto.

 

E como em tempo outro actor da saúde fez, Fernando Nobre, poupe-me o discurso da catástrofe lá fora, para defender as suas convicções. Não terei a sua experiência, mas também sei o que são pessoas a tombar sem assistência. Também sei o que é a fome, e também tenho fotografias ao lado dos pretinhos, ou melhor, tenho dos pretinhos apenas, os verdadeiros heróis no meio disto tudo. Sei, como não o faço em organizações onde a viagem, a comida e tudo o resto está incluído. Sai tudo do meu bolso, porque assim faço questão,inclusive quando estou longe e faço "donativos" pontuais. Com toda a certeza terá aproveitado o lucro das vendas dos seus livros para também o fazer...

 

Provavelmente este texto nunca lhe chegará, não sou propriamente conhecido na praça e no pouco que sou, e pelo que aqui escrevo, tenho mais inimigos que amigos além de que até o próprio texto vai contra o seu video que esta plataforma teve o gosto de partilhar. Também não chegará a todos aqueles que viram/leram o seu video "perturbador" e "catastrófico", mas espero sinceramente que outros cheguem para desmistificar este "show off".

 

Espero que cumpra bem o seu trabalho, exausto ou não e acima de tudo, sejamos positivos e tenhamos todos os cuidados sem parar o Mundo, isso é fundamental... O Gustavo, parece-me que está demasiado exaltado e em pânico e isso nunca é bom para gerir uma catástrofe.

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Faz-me "espéce"...

por Robinson Kanes, em 28.10.20

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Créditos:https://funnypicture.org/funny-fails-army-10-free-wallpaper.html#.X5lAnVP7RhE

 

Apenas os bárbaros entre nós, sabem o que são. Os civilizados têm consciência do que podem ser e são por isso incapazes de saber o que, para fins práticos e sociais, realmente são - esqueceram-se  de como extraem da sua experiência atómica total , uma personalidade.

Aldous Huxley, in "Sem Olhos em Gaza"

 

Recordo-me de Ana Bola, para também eu dizer que... "faz-me espéce"... Mas afinal o que é que me faz "espece"?

Faz-me "espéce" ouvir alguns indivíduos da nossa praça, apelidarem Rui Pinto de ladrão em plena audiência perante um juiz. Indivíduos, que defendem autênticos criminosos com trânsito em julgado, e passo a expressão, estão enterrados até às orelhas e também eles envolvidos em esquemas de lavagem de dinheiro, fraude e corrupção - os que se julgam intocáveis. Isto é mais ou menos o mesmo que termos o Alves dos Reis (e esse ainda tinha nível e graça) chamar ladrão e fazer-se de vítima ao indivíduo que roubou um bolo na "Sacolinha" em Oeiras. Oeiras e roubo é mau exemplo, eu sei... Juro que quando escrevi isto não pensei em Isaltino a roubar um palmier recheado enquanto fumava um charuto e transportava um copo de Rémy Martin. Até porque o letrado e desenvolvido povo eleitor de Oeiras aprovaria de imediato.

 

Faz-me "espéce", sempre que Marcelo tenta não deixar passar uma para aparecer e lhe corre mal, ofuscar-se durante uns dias. Do ponto de vista da comunicação é uma jogada de mestre, não pode é ser um hábito sob pena de até o mais incauto perceber a jogada. E quem diria que os mamilos mais conhecidos do país não seriam os da Érica Fontes ou da Joana Amaral Dias e muito menos os de Alberto João Jardim, mas os de Marcelo. Quando a história desmistificar um dos piores presidentes, a imagem que ficará, será sem dúvida a perna cruzada e o "olhar" matador para a câmera enquanto se administra uma vacina e claro... os calções azuis desbotados. Claro que Marcelo nem pensa nas câmeras, é mera coincidência.

 

Faz-me "espéce" também que Marcelo, a propósito da morte de Vicente Jorge Silva, tenha espaço de comentário num jornal, nomeadamente o "Público" e onde além da apologia a um grande amigo e de toda uma classe que o sustenta, ainda consegue transformar o jornal numa espécie de obra-prima da imprensa tais são os elogios rasgados ao mesmo. Vestir a pele de ardina-mor não lhe fica bem sendo Presidente (de papagaio-mor diz-se que...), mas todos sabemos como é dependente da comunicação social e da imprensa para existir. Uma mão cheia de nada, precisa sempre de muletas para sobreviver e até ser eleito presidente. E depois ainda menosprezam o Tino de Rans, o Trump e o Tiririca.

 

Faz-me "espéce" ver os arautos dos Direitos Humanos, da verdade e da mais alta moral, serem caras de organizações geridas por fundos estatais de países que desprezam completamente esses mesmos direitos e até têm, no seu território, campos de concentração. São esses estados que inclusive ignoram as atrocidades cometidas contra algumas das bandeiras desses indivíduos: homossexualidade, violência sobre as mulheres e indivíduos de outros credos e raças - a polícia matar um preto nos Estados Unidos é um crime hediondo, já noutras paragens será cultural? São também essas organizações que estão envolvidas em escândalos que não lembram a ninguém e têm prejudicado o erário público, ou seja, todos nós. Não que eu possa até ter algo contra as mesmas, mas... Querer algo e o seu contrário. Afinal em Portugal S.A., tudo se vende e tudo se compra.

 

Faz-me "espéce" ver o que o Bloco de Esquerda votou contra o Orçamento de Estado. Ver que as sondagens estão a atirar Marisa Matias para o fundo da tabela, por certo, terá tido influência. Ou então já a pensar numa próxima legislatura, o Bloco quer afastar-se para não sofrer as consequências. Faz-me "espece", mas não me espanta, afinal é o Bloco de Esquerda, o partido esganiçado que se cala e tudo consente quando se arranja um "tachito".

 

Faz-me "espéce" que o PCP (partido totalitarista e supostamente não admitido no seio da União Europeia) ainda controle as decisões neste país. Uma minoria, a par de muitos sindicatos, sobretudo ligados ao funcionalismo público, que é um autêntico cancro e tem atrasado o desenvolvimento do país. Espero que alguém aprenda alguma coisa com os Açores!

 

Faz-me "espéce" ver os deputados não-inscritos, independentes aprovarem (abstenção é consentir que) o Orçamento de Estado. Será que a senhora que ninguém conhece e ex-deputada do PAN e a senhora Katar Moreira já estão a apostar em serem candidatas "independentes" pelo PS num futuro próximo? Infelizmente, ao contrário do que aconteceu com o Ciudadanos em Espanha, os novos movimentos cheios de gente de boa vontade, acabam vendidos ao sistema vigente, o shake ao status quo rapidamente é abandonado. Que o diga Fernando Nobre e outros tantos...

 

Faz-me "espéce" que um indivíduo não possa estar num funeral de um ente querido que até era um tipo odiável e que só levaria 20 pessoas mas se for para ir ao Avante, à Fórmula 1 ou às festas do regime já possa conviver com mais de 10 000 pessoas. O vírus é chique e gosta de croquetes, show-off e desporto motorizado mas não gosta de jantares em família, funerais e casórios. Aliás, casórios até gosta se tiverem muita gente e forem de malta de bem na praça, um pouco como as festas de aniversário da Padeira de Aljubarrota (da Malveira?) em espaços públicos da Câmara Municipal de Lisboa.

 

Faz-me "espéce", num país tão pequeno, tanto ódio e interesse em Donald Trump mas ao mesmo tempo pactuar com atrocidades que não lembram a alguns dos piores ditadores do Mundo. Falar do Trump fica bem, mostra-se que se sabe (sabe?) muito da realidade norte-americana e não se perde o emprego nem os amigos.

 

E para terminar, toda a minha consideração e respeito pelos agentes da autoridade que irão controlar as entradas e saídas dos concelhos durante os próximos dias. Com tanta excepção, tanta desinformação e afins, temo que não vá ser uma tarefa fácil. Ainda vamos ver fotografias/montagens como as que temos visto de médicos e enfermeiros, com agentes esgotados com a cabeça deitada no volante.

 

Faz-me "espéce", pronto...

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Sardinhada com Giuseppe...

por Robinson Kanes, em 27.10.20

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Imagem: Robinson Kanes

 

Mais uma terça-feira, e mais uma passagem pelo SardinhaSemLata. Hoje vamos à península itálica, onde partilhamos duas histórias que mostram um outro lado da crise, talvez aquele que daqui a uns anos poderá ter tido mais óbitos que o vírus. É só irem por aqui.

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Alterações Climáticas? That's a fact Jack!

por Robinson Kanes, em 26.10.20

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Créditos: Frédéric Noy - Panos Pictures

 

Não são as grandes ideias que os outros tiveram, mas as pequenas coisas que só a ti te ocorrem.

Haruki Murakami, in "Sputnik Meu Amor"

 

Uma das situações que fez parar as alterações climáticas foi a temática do SARS-CoV-2, pelo menos é a ideia com que ficamos e onde já nem o publicitário "how dare you" de uma jovem sueca tem eco. Previsível, numa campanha que teria os dias contados pelo simples facto de não ter um plano a longo-prazo e procurar apenas um rápido impacte. 

 

No entanto, a realidade nem sempre é a que encontramos nas notícias e na verdade, com o "apoio" do Fórum Económico Mundial (FEM) foi possível aferir que talvez o actual vírus seja o menor dos nossos problemas, e como dizem os americanos "that's a fact Jack", vejamos:

 

Em 2030 (daqui a 9 anos, portanto), o degelo contiuará de tal forma que o nível do mar irá subir cerca de 20cm (US Global Change Research Program - USGCRP). Todos sabemos as consequências deste facto, sobretudo para países com costa oceânica. No Golfo do México já são actualmente 60cm (Center for Science Education) e ao qual se juntam as tempestades cada vez mais severas, bem como no Noroeste dos Estados Unidos, onde estas (desde Janeiro de 2020) já são mais de 25 (USGCRP).

 

Todavia, não é preciso viajar 9 anos no tempo para chegar à conclusão que, e ainda falando em águas oceânicas, 90% dos recifes de coral estão ameaçados e 60% em estado de ameaça grave (National Oceanic and Atmospheric Administration).

 

Viajemos para terra e encaremos o facto de que a redução da área arável já atirou 100 milhões de pessoas para a pobreza extrema (Banco Mundial). 100 milhões de novos pobres, coloquemos as coisas desta forma. Em terra também chegámos à conclusão que as mortes devido às alterações climáticas aumentam por ano em 250 000 (Organização Mundial de Saúde - OMS). Não são 250 000 mortes, mas mais 250 000! A OMS é a mesma organização que nos quis ver todos fechados em casa por causa do Coronavírus e ainda as mortes estavam bem longe deste número.

 

Neste contexto, países como o Bangladesh, Tailândia, Vietname e outros, continuam e continuarão a sofrer um aumento das tempestades e consequentes inundações que provocam migrações em massa (Climate Central). Todos sabemos como o aumento da capacidade de carga vai levar a que outros conflitos possam surgir, inclusive com países vizinhos. Se tivermos em conta que actualmente 140 milhões de pessoas já se encontram deslocadas devido à insegurança alimentar, falta de água e fenómenos extremos (Banco Mundial), podemos imaginar o futuro.

 

Também ainda não é necessário viajar mais uns anos para chegar à conclusão que 8% da população mundial sofreu no último ano uma redução na disponibilidade de água potável (Intergovernmental Panel on Climate Change - IPCC) e que o Ártico também já tira férias e no Verão fica sem gelo (Arctic Council) - o Ártico no Verão fica sem gelo, sublinho... Já falei em tempos da gravidade desta situação.

 

Mas viajemos agora 19 anos e vamos até 2040. 19 anos é já amanhã, pelo que é já amanhã também que o mundo irá superar o limite dos 1,5ºC de aumento de temperatura imposto pelo Acordo de Paris (IPCC). É uma espécie de diferença entre um bife mal passado e um bem passado. Mas podemos deixar a grelha e passar ao forno, pois em 2050 a previsão é de que 2000 milhões da população mundial sofra com temperaturas na ordem dos 60º durante mais de 10% do ano (The Future We Choose - Surviving the Climate Crisis por Christina Figueres e Tom Rivett-Carnac). Em suma, não iremos precisar de máscaras para nos proteger de vírus mas sim da poluição extrema.

 

Se uma das coisas que as previsões em relação às alterações climáticas nos têm mostrado é que muitas vezes falham... Falham porque o que está previsto para daqui a 100 anos pode acontecer já amanhã. E é por isso que as previsões para 2100 apontam já para uma subida da temperatura na ordem dos 4ºC, sobretudo nas latitudes mais a norte (IPCC). Não estamos a regular o esquentador, 4ºC é uma coisa demasiado séria e com consequências no nível do mar: só a título de exemplo, a Flórida passará a ser uma coisa do passado, os recifes de coral desaprecerão e as consequências ao nível da fauna e flora marinha serão mais que desastrosas (United Nations Educational, Scientific and Cultural Organization - UNESCO). No ar e em terra uma vasta maioria dos insectos terão desaparecido e além das consequências em vários outras áreas - também as colheitas sofrerão pela falta de polinização (Biological Conservation). Falar em cataclismo é pouco, deixemo-nos de palavras bonitas.

 

Palavras bonitas não poderão livrar ninguém da seca extrema que afectará 40% do planeta (Proceedings of the National Academy of Sciences - PNAS) e a título de exemplo significará que uma área equivalente ao Estado do Massachussets irá arder por ano nos Estados Unidos (United States Environmental Protection Agency - EPA) aliás, os recentes incêndios na Califórnia, no Colorado, na Autrália e na Sibéria já mostram essa triste realidade. E tão pouco se fala deles... Estranhamente.

 

E finalmente, porque até nos toca de forma séria, o sul de Portugal e Espanha estará transformado num autêntico deserto, provocando carências alimentares e falta de água de uma gravidade extrema (Science) e acrescento até as migrações que daí advirão. Mário Lino parecia estar certo quando nos dizia que bastava atravessar a ponte e chegar à margem sul para estar no deserto. Temo é que em pouco tempo baste atravessar o Mondego.

 

Mais do que estar fechados em casa, no shopping ou a pensarmos no nosso umbigo (com o coronavírus, o egoísmo tornou-se uma doença) é altura de pararmos para pensar,  de deixarmos de ser refractários à verdade e sensíveis apenas a estímulos artificiais sob pena de não nos sabermos governar, como escreveria Tagore. É tempo de termos ideias e acima de tudo exercermos a nossa cidadania.

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Velharia na Sardinhada...

por Robinson Kanes, em 20.10.20

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Créditos: https://www.pulse.ng/gist/bad-example-70-yr-old-man-ejected-from-nursing-home-for-hiding-prostitute/y175d1l

 

Hoje a sardinhada é com a velharia... Todas as terças lá estamos, mesmo quando a pesca da sardinha já está encerrada... Leiam-nos aqui.

 

P.S.: pode não parecer, mas não vão mais que 5 pessoas e a partir das oito da noite, já ninguém bebe mais... Pelo menos na rua.

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A Economia e o nosso cérebro não usam máscara...

por Robinson Kanes, em 14.10.20

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Créditos: Mauro Biani (http://maurobiani.it/), La Repubblica - (https://www.repubblica.it/)

 

A História encarregar-se-á de nos mostrar se de facto, no primeiro semestre de 2020, cometemos um erro ao fazer a experiência falhada de frozen-unfrozen da economia mediante uma hipotética doença mortal; se cometemos um erro ao acreditar na teoria do pós-furacão em que durante e logo a seguir à tempestade a economia cai a pique mas rapidamente recupera; se, simplesmente, fomos demasiado precipitados e cometemos o maior suicídio colectivo da História ou ainda se fomos invadidos de pânico e não soubemos reagir. Aparentemente, outro cataclismo se segue que é a aceleração das mudanças climáticas e que já representa milhões de mortes anuais.

 

No entanto, já vai sendo tempo para se fazerem os primeiros balanços e rapidamente chegamos à conclusão que nem a previsão de uma pandemia de "gripe espanhola" com um número de óbitos a rondar os 70 milhões, conseguiria fazer cair tão drásticamente o Produto Interno Bruto (PIB) como poderá provocar o SARS-CoV-2. Segundo as previsões do Fundo Monetário Internacional (FMI) seria de 5% para a primeira situação e é actualmente de 8% para a segunda. "Uma crise como nenhuma outra, uma recuperação incerta" como lhe chamou a instituição em Junho num dos seus habituais "World Economic Outlook Reports". Em Outubro, já temos um FMI a trilhar um caminho mais árduo que o esperado, não estivessem os casos de COVID-19 a aumentar e muitas economias ainda a adiar o seu arranque - excepto a China que está a crescer como ninguém. Será pela ausência de casos? Será pelo total desrespeito pelos Direitos Humanos (alegadamente até a utilização de campos de concentração e mão-de-obra escrava) e ausência de uma protecção social? Será um Estado a funcionar na sua perfeição?

 

Todavia, não sendo economista, preocupa-me ver (e eu que tantas vezes sou atacado por defender os ricos) que muitos chamados ricos, vão ficando cada vez mais ricos e muitos pobres vão ficando cada vez mais pobres. O vírus até pode ser democrático, tão democrático que, aparentemente, até foge dos países mais totalitários, não obstante, os seus efeitos já não são tão democráticos. O que é que está a "falhar", para que os 1% continuem cada vez mais ricos? Capacidade de superação, reinvenção? E para os pobres estarem cada vez mais pobres? Não, deixem-se de arco-iris, não está nada tudo bem e, atentando ao caso português, não é com o Estado como principal agente económico que vai ficar, mesmo sendo o tecido produtivo algo imperfeito na sua maioria - bazuca das políticas sociais (também ainda ninguém percebeu quais são) não vai chegar a todos. Infelizmente, a gestão do problema também não será fácil, pois um Estado usurpador face a um grupo grande de empresários sedentos de fundos tende sempre a não correr bem e já é um problema crónico na Lusitânia. E ainda temos a questão do endividamente público e privado, outra bomba que fará Beirute parecer um petardo.

 

Como nos diz um recente artigo publicado no "The Economist" ("The peril and the promise") a verdade é que o mundo não está parado, e que a economia não estando a crescer como o desejado, também não ficou estática e está a tentar sobreviver acelerando a mudança em áreas como o comércio, a tecnologia, a finança e a política económica. Acrescentaria também as mudanças sociais, algo que tende a escapar, por vezes, a estes publicações. Na verdade, vejamos como já estamos mais familiarizados as novas tecnologias mais básicas (o retalho que o diga) e como temos de nos adaptar a cada momento à mudança (entendo que repetir a palavra mudança em Portugal é criar o meu próprio suicídio profissional, mas...), a novas formas de trabalhar, e não é com a crescente tendência de títulos pomposos, com especialistas em LinkedIn e criação de autênticos silos no mercado de trabalho que conseguiremos resultados. É com a capacidade de nos reinventarmos, de acolhermos novas metodologias, de estarmos preparados para perceber que existiu o antes e estamos no agora (e como isto é difícil de entender) e que ainda virá o depois. É de nos retratarmos quando em tempos alguém falava em "remote" e todos desprezavam, especialmente os adeptos do presentismo (a expressão presenteísmo é infeliz) e é também de olharmos para aqueles que em tempos (e ainda hoje) se sentam à nossa frente para falar de sustentabilidade, novas formas de abordagem ao trabalho e à sociedade e reconhecermos que pelo menos alguma percentagem de razão teriam... Mas não, ao invés disso, achamos tudo o máximo e fazemos (algumas organizações e colaboradores) questão de "parolamente" promover como se tivessemos descoberto a América, práticas e processos já amplamente implementados há décadas.

 

Se não estivermos preparados alguém estará, e não tem de ser em amargo sofrimento, mas também não é com discursos motivacionais sem fundamento ou vídeos do Sinek (embora o midlle management adore) que abraçaremos essa mudança. Muitos poderão, sobretudo em Portugal, não o sentir, as bazucas vão acalmando as hostes, mas o Mundo mudou, para o bem (e já dei alguns exemplos acima), mas também para o mal: conflitos da América do Sul até ao Mar da China a acentuarem-se, a extrema-direita em ascensão na Europa face a um declinío das instituições democráticas, da social democracia, da esquerda moderada e de uma esquerda da paz e dos cidadãos que se revelou um autêntico desastre e deixou muitos sem esperança quais animais enclausurados numa quinta.

 

Estamos perante guerras e conflitos que repentinamente "deixaram de existir" e tensões económicas e sociais que um mundo altamente globalizado não consegue controlar. Para o bem, temos know-how como nunca existiu na História, temos meios para enfrentar as dificuldades (se bem que o mundo não é nem nunca será perfeito), repetimos constantemente a palavra "solidariedade" (é só colocar a mesma em prática, e solidariedade não é esmola) e uma capacidade de escolher e tomarmos decisões em conjunto. O Mundo está a mudar e aqueles que ainda querem ficar à espera de uma vacina, como se isso fosse o antídoto para voltar ao antes, esses efectivamente que vão fazer turismo... Porque se a sua acção face às dificuldades é umas mais-valia, a sua inacção é um perigo que não devemos arriscar.

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