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Sindemia ou Pandemia?

por Robinson Kanes, em 15.10.20

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Créditos:https://www.nationalheraldindia.com/national/by-2021-as-many-as-150-mn-people-likely-to-be-in-extreme-poverty-due-to-covid-19-world-bank /

 

Over coming  weeks - yes. In the long-term, probably not permanently, but other epidemics are certainly possible.

Eli Fenichel,  PhD, Professor Knobloch Family de Economia dos Recursos Naturais na "Yale School of the Environment". 

 

 

Emantilhados num ruído em torno do SARS Covid-19, começamos a questionar tudo aquilo que nos chega ou simplesmente a ignorar.  No entanto, um artigo recente da publicação "The Lancet" e cujo conhecimento me chegou através da BBC, levantou-me alguma curiosidade acerca da forma como abordamos esta pandemia - mas será uma pandemia? 

 

Neste artigo, Richard Horton, que não é propriamente um Buescu, alicerçado em várias análises cientificas acaba por defender que mais do que analisarmos a pandemia à luz de modelos matemáticos com base em situações como a "gripe espanhola" ou focarmo-nos no corte das cadeias de transmissão e instrumentos "obsoletos" como as quarentenas, devemos encarar a actual realidade como uma sindemia. Aliás, Horton vai mais longe e alerta que uma potencial cura ou vacina pode não ser suficiente se não foram reunidos alguns pressupostos fundamentais.

 

Estes pressupostos passam, e começando na base, por abordar a pandemia como uma sindemia, ou seja, "deixamos de lado" o foco no corte das cadeias de transmissão e focamo-nos em algo mais global. Sindemia (sinergia + pandemia), e de forma simples, é a interacção de duas ou mais doenças que provocam danos ainda maiores do que a soma de ambas as doenças. Com isto, não quer dizer que uma das mais prestigiadas revistas de medicina do Mundo esteja a adoptar uma atitude negacionista face à pandemia, mas sim a desenvolver uma abordagem mais vasta (já com sucesso, nomeadamente em relação ao HIV e à obesidade) e que inclui além do factor biológico propriamente dito, as questões sociais, o meio-ambiente e a economia, por exemplo. Podemos perceber, por exemplo, porque é que Ayuso teve de proceder aos tão contestados confinamentos locais nos bairros mais pobres de Madrid. 

 

Na realidade, Horton não descobriu a pólvora ao afirmar que a incidência de óbitos ocorre em indivíduos em situação de fragilidade social, com parcos rendimentos, em territórios vulneráveis ou em ambientes poluídos. Acrescentaria também algumas patologias associadas a comportamentos mais comuns ao primero mundo, por exemplo, a diabetes. Isto é senso comum em relação a qualquer situação, mesmo apesar da doença e a morte serem as coisas mais democráticas que temos, como diria um conceituado professor do curso de Psicologia da Universidade de Coimbra.

 

O que me deixa intrigado com esta "não descoberta" (sem com isto lhe retirar importância, bem pelo contrário) é o facto de estarmos perante uma quimera, ou seja, a aposta na resolução de vários problemas de saúde e acesso à mesma no Mundo. A redução das desigualdades sociais, o acesso a cuidados de saúde básicos, o aumento do awareness em relação a determinados factores de risco, a redução dos níveis de poluição e tantas outras situações, são fundamentais para reduzir os óbitos por Covid-19.

 

Será que no meio da desgraça temos mais uma oportunidade de criar modelos que reduzam as desigualdades sociais? Será que a "não descoberta da pólvora" mostra-nos que vivemos num Mundo recheado de pandemias até mais graves do que aquela que enfrentamos?... Como se todas as outras tivessem entrado em hibernação... E será que num mundo mais egoísta saída da epidemia, haverá abertura para apoiar, nesta matéria, os países menos desenvolvidos?

 

Esta abordagem mais holística, poderá não ter efeitos imediatos, mas no futuro poderá ser um reforço importante em termos de combate a Covid-19 e a tantas outras doenças, todavia, entramos numa espécie de dilema, ao estilo "acabar com a fome no Mundo", e sabemos como isso é impossível. Todavia pode ser um passo importante, sobretudo se o pressuposto de que uma vacina pode não ser a solução final para este vírus.

 

Fica aqui o artigo completo (pdf) onde também poderão encontrar uma definição mais aprofundada do termo desenvolvido por Merril Singer e informação mais pormenorizada.

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Sardinhada e uma Rapsódia...

por Robinson Kanes, em 21.07.20

h_54839816-800x450.jpgCréditos: https://www.euractiv.com/section/uk-europe/news/avoid-brexit-style-chaos-dutch-pm-tells-his-people/

 

Foi assim que Mark Rutter, o Primeiro-Ministro Holandês, ficou durante a reunião do Conselho Europeu, depois de ler o artigo de hoje no nosso habitual espaço à Terça-Feira no SardinhasSemLata. Aliás, até já comentou dizendo que está muito contente com o "Não é que Não Houvesse" e que se vai tornar leitor assíduo dos dois espaços. Quem quiser saber mais só precisa de clicar aqui.

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O que aprendi nos últimos seis meses...

Por Maria Araújo...

por Robinson Kanes, em 25.06.20

WhatsApp Image 2020-06-24 at 23.07.49.jpegCréditos: GC/ (imagem da exclusiva responsabilidade do autor do espaço)

 

Estávamos todos a par do que acontecia na República Popular da China, pensávamos que um desconhecido, perigoso e invisível vírus, que obrigou a que milhões de pessoas tivessem de ficar fechadas em casa, não chegaria à Europa, muito menos a um cantinho à beira-mar plantado: o nosso país.

Em Fevereiro, fui uns dias de férias para conhecer um pouco mais do Alentejo, dias estes muito bem passados, "que tranquilidade!", de regresso a casa, já se ouvia nas notícias que Itália era o foco de infecção, os media entravam casa adentro a toda a hora, o Coronavírus estava na Europa.


E de Itália a França e Espanha, Portugal começou a sentir o perigo, agiu o governo atempadamente, e, de uma forma inesperada, mudámos o nosso estilo de vida.


Somos um povo de afectos, estavam proibidos os beijos e os abraços, o alerta constante de evitar o contacto físico e manter o distanciamento desencadeou nas pessoas o medo de ser contaminado.


As cidades ficaram desertas.


Às crianças foi-lhes tirada a rotina das creches, da escola. Interromperam-se os afectos, as brincadeiras com os amiguinhos, os parques de rua para brincar. Estava nas mãos da família adaptarem-nas a uma nova rotina, árdua e exigente.


A nossa casa passou a ser o escritório, a escola, as consultas, as reuniões, a fé, a cultura, o ginásio, a loja que procurávamos para comprar alguma coisa que nos satisfizesse o ego de tão triste estávamos neste isolamento forçado.


Passados este seis meses ( comentando com um familiar, a quem foi muito difícil este tempo de confinamento, que, apesar de tudo, parece-nos que já foi há bastante tempo ), não tendo alterado o meu comportamento muito mais que anteriormente, aprendi algumas coisas que em situações normais certamente não pensaria nelas: 

aprendi que fiquei mais tolerante a pequenas coisinhas que me irritavam, sobretudo más interpretações ou juízos de valor que eu mesma fazia; 

aprendi que o medo faz (re)agir perante ocorrências inesperadas, "esquecer" o vírus e seguir em frente, há que proteger os seres mais frágeis; 

aprendi a controlar a minha ansiedade se me doesse um dedo, ou a ponta nariz, e,sim,tive dores no braço, e deixar de procurar o médico especialista disto e daquilo só porque queria ficar tranquila (não vou a uma consulta desde novembro do ano passado); 

aprendi, basta querer, que o tempo que tenho chega para tudo: ler, computar, tomar conta do sobrinho neto quando é preciso, cozinhar, fazer as tarefas da casa, passear, apoiar quem me pede ajuda;

aprendi que os nossos melhores momentos são aqueles que dedicamos a quem mais gostamos: um almoço e/ou jantar convívio via whatsapp;

aprendi que o progresso traz riscos, que a insegurança e a desigualdade social aumentam.

O homem é um ser vulnerável.

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Créditos: https://www.cm-mgrande.pt/pages/357?event_id=1319

 

Siga a dança e a sardinhada que hoje é terça-feira e nas SardinhasSemLata que monto o estaminé... Não são permitidas mais de 10 pessoas junto à grelha e só servimos vinho a martelo até às 20h:00m... Podem ler o artigo aqui.

 

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O que aprendi nos últimos seis meses...

Por GC...

por Robinson Kanes, em 18.06.20

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Peter Paul Rubens - "Retrato da Filha do Artista" (Scottish National Gallery) 

Imagem: Robinson Kanes

 

Quando penso nos últimos seis meses tenho a sensação de ter passado já muito tempo. Não por causa da pandemia e do consequente recolhimento forçado, que obriga a mais tempo de reflexão e contacto com a nossa mais íntima realidade, mas porque uma parte de mim parece ter ficado lá atrás - enquanto a minha essência mais profunda está a voltar e a caminhar em frente. Qualquer que seja a razão para isso ter acontecido, parece que devo ter motivos para ficar feliz.

 

Nos últimos seis meses aprendi que, embora seja por vezes doloroso, a escolha pelos nossos ideais e valores em detrimento de títulos (profissionais ou outros) vale sempre a pena. É um caminho solitário e muitas vezes incompreendido. Mas a coerência e consistência com o que temos de mais estrutural traz-nos uma tranquilidade impagável.

 

Aprendi, igualmente, que a minha ignorância é afinal bem maior do que julgava. Há tantos livros para ler, tantos cursos para fazer, tantos filmes e música e poesia para me emocionar, que a única hipótese viável é reservar uma parte do dia para me cultivar e tentar ser melhor a partir do conhecimento e da experiência dos outros.

 

Aprendi ainda que a vida pode ser tão simples para nós, humanos, como é para um cão. O meu Pastor Alemão descobre, à medida que vai ficando mais velho, muito mais sítios interessantes para farejar, brincadeiras muito mais divertidas para me pedir ou técnicas bem mais ardilosas para me obrigar a levá-lo a dar passeios mais longos pela natureza. Quando penso que poderia traduzir tudo isso para a minha própria experiência humana, chego à conclusão de que, tal como para ele, descobrir constantemente novos motivos para me fascinar perante o mundo poderá ser algo verdadeiramente espontâneo - basta estar atenta ao que me rodeia.

 

Aprendi também que, embora não se morra, literalmente, de saudades, é possível morrer metaforicamente. Porque é por dentro, no invisível traço que nos une a alguém, que a falta acontece sem pedir licença. Um dia disseram-me que não era de uma pessoa que sentíamos saudades mas do que ela nos fazia sentir. Talvez seja verdade. Ainda assim, há olhares, aromas, sorrisos, abraços e cumplicidade que não são repetíveis - por muito que outra ou outras pessoas cheguem entretanto à nossa vida. Aquela marca, aquela ausência, aquela memória pertencem unicamente a quem no-la gravou cá dentro.

 

Aprendi, finalmente, que não há nenhuma forma de saber o que cada dia nos reserva, por muito que gostemos de nos defender dessa certeza com falsas seguranças e vidas muito cronometradas. A inevitabilidade e o mistério do desconhecido parecem-nos longínquos quando estamos a viver em piloto automático. Mas o facto de não podermos controlar tudo pode trazer uma bênção impensada: a de sermos, finalmente, aquilo que somos, sem amarras, sem controlo de cada gesto, sem medo que a nossa essência transborde para lá do barco imenso da nossa plena existência.

 

GC

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Banhos, Ciência de Esquina e Banhadas...

por Robinson Kanes, em 30.05.20

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Imagem: Robinson Kanes

 

O homem precisa de ver mais as suas possibilidades que as suas prisões

Agustina Bessa-Luís, in "Ternos Guerreiros"

 

Ontem, violando os deveres do confinamento, sentei-me na esplanada do costume, não a "Taberna dos Cabrões", mas aquela que já deu azo a grandes artigos.  Foi por lá que se fizeram alguns balanços da semana entre choco frito, cerveja Sagres da "botella" (a imperial esgotou), martini, gin só com limão e sem água tónica, azeitonas, queijo de Azeitão e bochechas... Agora lembrei-me do...

 

O primeiro balanço saiu da boca de um marialva daqueles que não compreendia como é que se defende o confinamento e o distanciamento social e depois se disputa nas televisões palco mediático por idas à praia, ainda por cima antes da abertura oficial da época balnear e perto de bairros onde a bomba começa a explodir e só são importantes para a selfie popular (lembrei-me do funeral popular que se faz em Alcochete) ou para o Banco Alimentar Contra a Falta de Fome. Na ausência da bola, é preciso continuar na senda da popularidade com alguns relatos de autênticas "banhadas" que mais parecem um Benfica-Sporting. Não foi o marialva, fui eu, mas não convém sempre dizer que sou eu... 

 

Entretanto, uma das grandes figuras de Alcochete, toca noutro ponto: mas porque raio é que temos de andar a colocar sempre o nosso dinheiro nas mordomias da TAP? Porque é que a TAP interessa tanto? Além dos votos e dos conluios, anda toda uma súcia de desejosos em nacionalizar a mesma... Aprendam com a Lufthansa, a Alemanha não serve só para nos dar dinheiro. E mais não digo, antes que a música seja outra, como disse "em tempos" um dos patrocinados do regime e alguém que confunde a pasta de ministro com a de ditador, com todo o respeito pelos segundos que subiram, mal ou bem, a pulso.

 

E numa zona onde alguns comunistas abundam, especialmente os que são financiados pelo Orçamento de Estado, são muitos o que questionam porque é que um dos espectáculos mais duvidosos em termos legais e de pagamento de impostos vai ter uma cláusula especial lá para início de Setembro. Aqui a conclusão foi fácil: "vamos lá e rebentamos com aquilo tudo". Denotem que isto foi o proprietário de um pastor alemão que usa sapato de vela, veste camisa Ralph Lauren e usa calças de montar a proferir - após a décima segunda cerveja (e sempre são 33cl x 12).

 

Finalmente, e depois de ter recebido da Suiça um link com muitos smiles, link esse de uma publicação daquelas revistas de especialidade cujos artigos são sempre com os mesmos, ninguém conseguiu deixar de estar inquieto com Miguel Pina Martins - um senhor que aparecia muito, depois deixou de aparecer quando a fraca procura de acções em Bolsa se deu e agora volta em força como porta-voz de mais uma associação - um aparte: nunca vi um país tão pequeno com tantas associações, e olhem que sempre me ensinaram que menos é mais.

 

Este indivíduo, cujo mérito no desenvolvimento de um conceito de brinquedos é notório, uma ideia brilhante, aplica o discurso ameaçador do "ou nos dão aquilo que queremos ou fechamos", no habitual atirar de números para o ar e declarando guerra aos senhorios, particularmente aos proprietários de centros comerciais que, no entender deste, deveriam ser "penalizados" pois os custos são inferiores aos dos arrendatários. Para um gestor, o conceito de investimento e retorno do mesmo deveria ser mais claro, além de que, sendo moralmente condenável ou não, lá porque eu estou a sofrer, o do lado não tem que sofrer também - chama-se economia de mercado. Além disso, não basta criar conceitos e desenvolver produtos e ficar à espera que seja o mercado a vir ter connosco, até porque este n\ão é estanque, cada vez menos.

 

Pina Martins pede também ao Estado, os famosos empréstimos a fundo perdido e mais um sem número de privilégios para o retalho, dando a entender que o retalho são somente as lojas de centro comercial ou as mais conhecidas. Chego a ter dúvidas que muitas organizações empresariais ligadas ao retalho tenham esta visão. A repetição do discurso da crise, do dinheiro grátis e da chantagem está à vista, mas...

 

... em nenhuma linha vi Miguel Pina Martins tecer planos para o futuro, nomeadamente no médio-prazo. Também não vi Miguel Pina Martins focar-se nas novas formas de fazer chegar o produto ao consumidor final, acabando por defender (e colocando esse escolha no próprio consumidor - anda a falhar na análise) o tradicional comportamento retalhista da ida à loja. Existiu uma crise com proporções dantescas, mas falamos no regresso ao que era, do "vai ficar tudo igual"... É o mundo a mudar e "vai ficar tudo bem" não é o mesmo que dizer "mais do mesmo"! Se num país com economia dinâmica e sem esperar subsídios do Estado a toda a hora, esta visão arruina qualquer empresa. O comércio online, desafios logísticos, reconversão dos colaboradores, formas de investimento, estratégia nacional e internacional, desenvolvimentod e produtos, nada disso é falado, nada! Até o hype do "teletrabalho" é deixado de lado, para alguns, já coisa do passado. E de facto até é, pois nos últimos meses parece que descobrimos a pólvora, a verdade é que já tinha sido descoberta há décadas...

 

Pergunto, aliás, perguntamos todos a Miguel Pina Martins: fundo perdido? Em que mundo é que vive, Miguel? Pelo facto de sermos o país das borlas e do esmaga orçamentos (em tudo) é que também não evoluímos muito, mas permita-me dizer-lhe que não é motivo para trazer essa questão à praça. E olhe que vi empresas a encerrar nesta fase porque (até arrogantemente) se recusavam a ser financiadas pelos impostos de todos nós e a ouvir associações que só criam entropia e defendem interesses que vão muito além dos interesses de todos os associados. A nossa recomendação, Miguel, venha mais para a esplanada e passe menos tempo nos media. Venha discutir connosco e ensinar-nos qualquer coisa... Olhe que até nos enfrascamos de surface  e gráficos na mão, mas uma coisa é certa, nunca nos lembraríamos da dos fundos perdidos e do regresso ao que era.

 

P.S.: também falámos de coisas boas, sobretudo quando se chegou ao gin. Nasceu um burrito que está cada vez mais brincalhão e ainda ninguém conseguiu perceber como é que eu não sendo um aficionado, mas apaixonado pelos touros no campo, continuo a ter excelentes momentos com aquela malta... 

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Desacatos no Parque...

por Robinson Kanes, em 18.05.20

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Créditos: https://www.vieiradominho.tv/esquadra-da-policia-do-bairro-bela-vista-atacada-com-cocktails-molotov/

 

E dos desacatos do fim de semana na freguesia do Parque das Nações? Onde é que estão as associações de defesa dos cidadãos que foram atormentados com os mesmos? Onde andam as tulhas repletas de comentários e artigos de opinião?

 

E ser PSP em Portugal? Ser PSP em Portugal significa ter um coro de criticas quando se faz o trabalho em prol dos demais e cair no esquecimento quando sofre na pele à mão de muitos que impunemente continuam a dançar entre os pingos da chuva da Justiça.

 

Enquanto este silenciamento continuar e impavidamente ocultarmos este tipo de situações ou adoptarmos o discurso do politicamente correcto com toques de "caça-likes" e do "não vou falar contra a corrente", não vamos resolver o problema. Vamos, aliás, alimentar o discurso dos "Venturas" que tantos com espaço na praça procuram eliminar. Só estão a alimentar a máquina...

 

Finalmente, quem é que defende o cidadão trabalhador português? Quem é que defende o cidadão cumpridor da lei em Portugal? Quando um cão morde um homem devia ser notícia, mas em Portugal dá-se exactamente o contrário e a escalabilidade de algumas situações está aí.

 

Este tipo de questões não se resolve com selfies (ou na sua nova versão de papagaismo-mor selfies do vírus) mas sim com acções concretas e musculadas, num país onde além de existirem cidadãos de segunda e de terceira (consagrado em Constituição) ainda existem aqueles que têm mais diretos, mais impunidade e menos deveres que os demais. Isto não é Democracia, é, como alguém dizia, uma "piada de mau-gosto".

 

Uma Nota final:

E aos criticos da também "fraca" actuação da PSP, lembrem-se que não é fácil controlar uma multidão de 100 pessoas, algumas delas armadas e no seu território e além disso ainda terem de lidar com a pressão dos media e com um representante máximo da nação que as destrói num discurso hipócrita e de aproximação ao criminoso em detrimento da autoridade.

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Avante contra a Liberdade...

por Robinson Kanes, em 14.05.20

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Créditos: https://rdldn.co.uk/elgin-maida-vale/mao-communist-1024x586/

 

Lenine dizia que a Liberdade era um bem tão precioso que tinha de ser controlado... Será por isso que um dos últimos países onde um certo comunismo ainda dita as regras faz aplicar esta regra com total impunidade.

 

Depois do 1º de Maio e da cedência ao sindicalismo naftalinoso eis que chegamos ao Avante. O Partido Comunista Português (PCP) não abdica de fazer a festa, como não abdicou com os seus tentáculos de fazer o 1º de Maio, doa a quem doer, como dizia um Chefe de Estado no tempo dos fogos (até agora ainda ninguém sentiu dores...).

 

O que nos coloca a pensar é a inquietação provocada por uma minoria que consegue todos os anos realizar festas privadas/partidárias que alegadamente utilizam fundos e meios públicos, fogem aparentemente aos impostos e cujos promotores se dão luxo de contornar a lei em pleno Estado de Emergência contrariando tudo e todos e fazendo valer a sua vontade. Que poder é este para escarrar na cara de todos os portugueses que trabalham e cumprem a lei? Que poder é este que domina o Estado Democrático e o funcionalismo público? Questionamos tanto as opções e das ideias de André Ventura (que enfim...) mas continuamos há mais de 45 anos a suportar autênticas ditaduras de uma minoria poderosa que defende regimes sanguinários. Não hesitamos em citar Hitler (o mais popular, logo mais fácil para os mentecaptos) mas aplaudimos os servos de Kim Jong Un, Maduro, Estaline, Pol Pot e por aí adiante... Não é uma questão de esquerda e de direita, é de terror!

 

Continuamos também a permitir que os intentos de uma Constituição claramente comunista e com uma exagerada protecção da máquina do Estado e de todos aqueles que vivem na sua sombra, impedindo, não em raras ocasiões, o desenvolvimento do país e a reforma do Estado - a ausência de coragem para fazer esta reforma tem sido um dos nossos maiores atrasos crónicos - e assim promete continuar a ser, pelo menos tambem enquanto continuarmos numa dicotomia esquerda/direita.

 

Continuamos a deixar que tudo isto aconteça, mesmo que enquanto um grupo de gente de bem, democrática e que vive na miséria a ajudar o próximo (ou não) faça o que bem entende... Fazendo o que bem entende enquanto ficamos confinados nas nossas casas, enquanto não poderemos celebrar festas populares de cariz religioso e profano com origens em tempos que nem o comunismo sonhava existir. Teremos de ficar em casa, muitos de nós, durante as férias porque não podemos exercer a nossa liberdade e ajudar a economia em nome de um bem maior. Teremos de abdicar de produzir, de exercer muitas actividades... No fim, muitos de nós ainda irão perguntar porquê! Talvez poucos, talvez aqueles que estejam cansados de ver os seus impostos a fugir por túneis sem fim, talvez aqueles que preferem lutar a viver na sombra do paternalismo!

 

Porque é que continuamos a ficar parados e corroídos de ferrugem enquanto o mundo cresce? É a pergunta que se coloca, além de que não é de descartar que talvez gostemos e talvez o atraso civilizacional e económico crónico seja por vontade própria... Basta ver o nosso apetite insaciável por destruir que tem novas ideias para o país, seja a nível público seja a nível privado. 

 

Ainda dizem que o orgulhosamente sós era do tempo da outra senhora... O orgulhosamente sós continua na cabeça da maioria...

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Sem Lata, fala-se de Teletrabalho...

por Robinson Kanes, em 05.05.20

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Créditos: https://www.pinterest.es/pin/75435362493673702/

 

Estava a assar sardinhas.

Com o lume a arder.

Queimei a pilinha sem ninguém saber...

É parvo, eu sei...

 

 

E esta semana, depois da visita de ontem ao espaço da Alice, é hoje o dia do encontro semanal na lata de sardinhas... A época dela está quase aí e nada como umas sardinhas carregadas de microgotículas numa boa esplanada... Mas como dizia o outro, não foi isso que me trouxe aqui mas sim o tema do teletrabalho... Nada como passar por lá, comer uma sardinha, mesmo aqueles que irão ficar com vontade de me cuspirem as espinhas para a cara. A porta de entrada é aqui.

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COVID 19: A Pouca Vergonha Mediática

por Robinson Kanes, em 16.03.20

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Créditos: https://www.facebook.com/soundsofmediapanic/

 

Tenho andado ausente, tenho pensado em reter as palavras, sobretudo numa altura como esta. Tenho opiniões muito próprias acerca da forma como a crise do COVID 19 está a ser gerida, mas vou guardar para mim. Acredito que cada Governo está a fazer o que pode e entendo perfeitamente o não querer fechar fronteiras. Quem quiser uma União Europeia e uma Europa forte e unida vai perceber o porquê - se não perceber, umas aulas de história contemporânea e da própria União, não farão mal a ninguém.

 

Continuo a trabalhar, não me fecho em casa, além disso não posso deixar parceiros, clientes e as minhas equipas sem apoio. Não está fácil, e provavelmente todos sabemos qual o final, mas enquanto houver esperança, chorar e lamentar não é permitido, a orquestra irá continuar a tocar e os homens não abandonarão o leme, aliás, em muitos, apenas um o quis fazer e a opção foi respeitada. Enquanto existir um cliente a precisar de nós, lá estaremos, até ao último homem! Se o Governo precisar de nós e das nossas infraestruturas, lá estaremos!

 

Deixei de ler jornais e afins. Sigo as recomendações da Direcção Geral de Saúde (DGS) e recuso-me a pactuar com práticas que me deixam boquiaberto e me fazem pensar se o ideal, ao invés de fechar fronteiras, não é fechar jornais, algumas publicações online até televisivas.

 

Ver publicações de referência (será?) a partilharem testemunhos de indivíduos (amigos) que posam para o instagram enquanto criticam o Serviço Nacional de Saúde e passam a imagem de que é cool estar internado mesmo tendo arriscado sabendo que podia ser portador do vírus, deixa-me a pensar se a estupidificação colectiva atingiu o seu momento 2.0. Ter o vírus ou ter estado com alguém que, já me torna um especialista! Lamento, mas não, por isso, nestes tempos, o ideal é propagar as fotos pelo instagram e fechar a boca. O cunhismo e o compadrio também se perpetuam em tempos de crise, afinal muitos dos actores incompetentes são os mesmos que existiam antes desta crise!

 

Ver publicações de referência a partilharem testemunhos anónimos (sempre anónimos faz-me pensar se não serão epifanias de quem não tem nada que escrever) de que em Madrid, há duas semanas "parecia uma Guerra", estou a citar. Eu estive há duas semanas em Madrid (data da notícia) e a última coisa que se via era um clima de guerra, as prateleiras estavam cheias, as farmácias "vazias" e não havia caos nas ruas! Nem em Madrid nem nos arredores, e os arredores, no meu caso foram Getafe, Alcobendas e Alcalá de Hénares. Ainda esta semana saiu o relato do "inferno", estou a citar, na Noruega! Qual a publicação? Visão!

 

A semana passada, também lia numa publicação (Jornal I) que se focava no facto da baixa de Lisboa estar deserta e toda a gente andar de máscara! Falso! Só a partir de sexta-feira se sentiu uma quebra muito maior e mesmo no dia de hoje, são muitas as pessoas que andam sem máscara. O home office nas redacções deve estar a dar nisto! Se querem dar notícias verdadeiras, o melhor é saírem mesmo de casa, caso contrário, abstenham-se de falar do que não sabem.

 

Chega de instalar o medo! Basta! Liberdade de Imprensa não é o cultivo de ódios e do medo, e mesmo isso, deverá ser revisto no pós-crise COVID 19 - alguém tem de começar a ser punido! Não é com discursos destes que fazemos serviço público e muito menos estaremos do lado de quem nos quer proteger! 

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