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141984225_10158178486731867_4966213057139066488_o.Créditos: https://www.elmundo.es/ - @taverinez

 

 

A esperança nada mais é do que uma alegria inconstante que emerge da imagem de qualquer coisa futura ou passada, sobre a qual não é possível ter certezas.

António Damásio, in "Ao Encontro de Espinosa"

 

Parece que o Mundo nunca esteve tão mal... De facto, os tempos não são bons, mas não é pior momento da Humanidade e muito do caos não é obra do ocaso mas das nossas escolhas. O anunciado "fim dos tempos" com o SARS-CoV 2 leva ao pânico quase global. Estranhamente com tantas guerras, doenças e miséria que continuam e "sempre" estiveram aí não tenhamos entrado em pânico. Dá que pensar... Dá que pensar...

 

Mas enquanto a lógica vigente de que tudo é mau continua a ter lugar, existem os pessimistas optimistas que não perdem a esperança apesar de dispararem em todas as direcções. E é nesse optimismo que partilho algo que num país como Portugal importa pouco neste momento (triste sina) mas que é uma conquista única em termos de ciência! 

 

Foi na Ruhr-Universität de Bochum, Alemanha, que um conjunto de investigadores conseguiu um genial feito, e até hoje impossível em mamíferos, ao conseguirem que ratos com lesões ao nível da medula espinal voltassem a andar! Isto significa uma esperança enorme para tantos acidentados pelo mundo fora! 

 

Por intermédio da injecção de uma proteína no cérebro (hiprinterleucina-6), estes investigadores conseguiram provocar um estímulo nas células nervosas ao ponto destas se regenerar em. Está proteina espalha-se igualmente pelo cérebro conseguindo um efeito nunca alcançado até hoje. 

 

O passo seguinte serão os mamíferos de maior dimensão, todavia, e embora ainda possa levar décadas para termos resultados mais concretos, é uma conquista única para a Humanidade e sobretudo para os apaixonados das neurociências!

 

Neste mundo actual, onde após o "vai ficar tudo bem" parece ter dado lugar ao "vai ficar tudo péssimo" - como se palmas e clichés nos procurassem enganar e pensar que tudo passava em semanas - ainda vão existindo muitas coisas boas e muitas vidas a serem salvas, seja agora... Seja num futuro que parecemos não querer encarar e muito menos preservar.

 

É segunda-feira... E para os que se recusarem a estar em casa a ouvir, a ler e a visualizar uma quase lavagem cerebral (afinal, para muitos que pedem que fiquemos em casa no sofá não há nada melhor que um confinamento para aumentar audiências e likes) sempre existem boas notícias por esse mundo fora, ou até neste nosso pequeno bairro...

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A dokinni vai dar cabo disto tudo...

por Robinson Kanes, em 11.01.21

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Imagem: instagram

 

Este mundo precisa de tudo menos  de informação suplementar.

Michel Houellbecq, in " Extensão do Domínio da Luta"

 

Em Portugal começa a nascer uma nova trend: o "caronismo". Esta tendência é uma espécie de prática em que médicos com vontade de serem mais estrelas de televisão do que propriamente médicos (e que provocam em muitos profissionais da área estupefacção) se colocam como os profetas da desgraça. Vale tudo... Vídeos, livros e espaços de opiniões em telejornais que os colocam como peritos em várias especialidades médicas... Não fossem os canais informativos uma peça importante na transmissão de notícias, muito provavelmente nem nunca falaria sobre Ana Isabel Pedroso, médica no Hospital de Cascais. Os Médicos de Matosinhos e Cascais têm sempre outro... estão a ver? Também é importante que a TVI não se esqueça de mencionar a actividade no privado, afinal não é mal nenhum, bem pelo contrário, mas fica bem, mesmo que não agrade àqueles que só defendem SNS ou não vejam com bons olhos que um profissional de saúde trabalhe nos dois lados da barricada. 

 

Um destes dias, pois não tendo eu televisão, juro que ligo para a operadora para cortar alguns canais à minha mãe...

 

Confesso que Robinson Kanes tem muito que se lhe diga, mas se uma "dokinni" (nome pelo qual esta profissional é conhecida na rede social instagram) me vier dizer que o Mundo está a acabar e vamos todos morrer de SARS-Cov-2, admito que é possível que ao invés de fugir para a Marateca, muito provavelmente me vou meter no meio da Festa do Avante e sem máscara, especialmente durante aqueles concertos em que os pontapés e as orgias à belga são uma constante. Ana Isabel Pedroso (ou Dra. Ana Isabel Pedroso como se intitula ao mesmo tempo que diz ser a fofinha "dokinni") seguiu a linha que alguns profissionais de saúde tentaram seguir em Itália, aproveitando publicações do "La Repubblica" ou do "Corriere della Sera" para surgir num canal informativo (TVI 24) a anunciar o caos (actos isolados que em termos de comunicação dão sempre uma óptima imagem) e a mostrar o rosto com as marcas da doença, ou melhor com as marcas das horas dedicadas ao combate à doença. Este conceito já está esgotado em Itália... E até gerou alguma controvérsia face aos médicos superstar. Poderia ficar chocado, é um facto, mas afinal parece-me um rosto de "fim de festa" ou de quem tive mais um dia de trabalho... Anormal? Não.

 

A "dokinni", que como Carona se queixa das horas sem fim a trabalhar  mesmo sendo remunerada por isso, é a mesma, também como Carona, que sempre arranja tempo para a televisão e auto-promoção. Anunciar o fim do Mundo com um "A terceira vaga está a rebentar com isto tudo" assusta-me... Quando um médico vem para a televisão sem quaisquer dados fazer destas afirmações é uma espécie de antigo Ministro da Propaganda iraquiano invertido em que ao invés de manter a calma sai pela rua aos gritos com um "fuuuuujam". Depois de um meu familiar ter ouvido um colaborador de um hospital dizer que era "mais uma para morrer naquela sala", também já espero tudo.

 

Mas... Por falar em marcas, sugiro que a TVI 24 comece um novo programa que fale das marcas do trabalho dos portugueses, tem cerca de 10 milhões de candidatos... Bem, 10 milhões não, talvez seja em demasia, mas percebem o que eu quero dizer. Os candidatos poderão também contratar uma agência de comunicação ou perceberem se têm amigos produtores no Whatsapp.

 

E como não gosto de falar das pessoas sem dar uma vista de olhos por alguns aspectos da vida pública das mesmas, lá dei com uma "dokinni" que já é presença habitual nas televisões e também, pelo teor dos comentários, amiga de caras dessas mesmas televisões... Portanto, está explicado. O problema é que este tipo de favores, facultados em canais informativos, só reforça o discurso daqueles que têm os media como uma das maiores ameaças à estabilidade dos nossos tempos.

 

Finalmente, também é interessante ver a tristeza de uma médica que tira uma selfie com marcas da batalha, enquanto improvisa um bico de pato ao mesmo tempo que partilha publicações de quem está muito bem na vida e percorre o caminho daqueles que almejam ser estrelas com vídeos pseudo-educativos mas que colocam o interlocutor como um idiota ou discursos inspiradores dignos de um qualquer Gustavo Santos. Também sugiro à dokinni, que faz questão de mencionar que é a Dra. Ana Isabel Pedroso que apesar da profissão, não é "enxerto" que se escreve, mas sim "excerto". É que isto de ser Dr...

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Sardinhas Sem Interesse...

por Robinson Kanes, em 10.11.20

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Créditos: https://victawr.wordpress.com/tag/epic-fail-guy/

 

Fujam que hoje não vale a pena passar por aqui. É "whataboutism" e muitos outros temas que não têm grande interesse...

Uma lamentável terça-feira no SardinhaSemLata...

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Créditos: https://www.healtheuropa.eu/brits-demand-more-mental-health-services-after-covid-19/102922/

Quanto mais sabemos menos conseguimos prever.

Yuval Noah Harari, in "Homo Deus"

 

A globalização, o progresso e até o conhecimento produzido, permitiu que pandemia de SARS-CoV-2 atingisse uma escala nunca antes vista na Humanidade. Todavia, o balanço ainda vai demorar muitos anos e (espero eu que não) talvez possamos chegar à inferência que fizemos uma gestão desastrosa da mesma, seja ao nível governamental seja ao nível de todos nós, cidadãos. 

 

Tentei evitar a partilha de alguns casos, mas o somatório de situações coloca-me perante uma situação mais complexa. Se por um lado a saúde mental dá uma oportunidade a quem nela trabalha nestes tempos (ou melhor, aos que colocam o paciente como prioritário e que não vendem banha da cobra, como diz o povo) por outro deixa-nos muitas questões por responder. A situação actual permitiu também perceber que no foro médico, a saúde mental não tem o valor que deveria ter e que uma Ordem dos Psicólogos Portugueses não é mais que um baile de máscaras e posições bem remuneradas - a existência da mesma chega a ser uma castração da própria saúde mental.

 

O primeiro caso que aqui trago é de uma professora que está perto dos 60 anos. Uma pessoa extremamente inteligente, viajada e com uma visão da realidade bastante apreciável. Até aqui nada de novo, apenas que, esta senhora, entrou numa espiral de medo em relação à pandemia que ninguém consegue explicar. O espoletar do pânico surgiu em Abril, durante o confinamento e, segundo o esposo, devido às horas fechada em casa com a televisão como companhia. Actualmente não sai de casa e só chamadas via Skype com os netos estão a atenuar a situação. Não a reconheço...

 

O segundo caso é similar em termos de formação profissional e humana, todavia ainda estamos a falar de alguém mais viajado e completamente fora do status quo. Esta é a mulher que se o marido não quer sair do país para viajar ela sai... É a mulher livre, que se cuida e vive toda a sua vida com uma postura, se me permitem, bastante para a frente. Só recentemente consegiu sair à rua e mesmo isso é uma tormenta para o marido pois, e a título de exemplo, nem sequer tem ajuda com os sacos do supermercado, não vá o vírus estar presente. Tudo o que é possível é congelado, tudo o que não é, é escaldado... O que não encaixa, não se consome. A senhora não coloca a mão numa maçaneta, seja em casa ou fora dela. Não é de televisões, mas de jornais... Atenta aos comentadores e às notícias destes. Não a reconheço, e aqui devo dizer que fiquei deveras surpreendido, podia cair uma bomba nuclear que esta senhora rapidamente levantaria a cabeça e socorreria os mortos.

 

O terceiro caso é um cavalheiro. Imaginem alguém com uma carreira política, conhecedor do mundo, empresário e uma daquelas pessoas que se lhe apetecer jantar  esta noite em Nova Iorque de tudo faz para que isso aconteça. Alguém também esclarecido, atento, com formação superior e que muito dificilmente embarca em situações de pânico, bem pelo contrário. Actualmente não sai de casa, vive fechado e culpando todos os outros que relativizam o que se passa na televisão (televisão essa que está sempre ligada à espera de desenvolvimentos acerca da pandemia), porque continuam com a sua vida. Ninguém fora do seio familiar entra em casa, nem para fazer reparações... Os negócios não são prioridade, controlo dos mesmos totalmente perdido.

 

Outros casos poderia juntar, pelo que, a minha questão é simples... Como é que estamos a lidar com estas situações? Como é que, em certa medida, não seremos também responsáveis por estar a destruir a vida de dezenas (e escrevo dezenas porque só me estou a cingir aos casos que conheço) de cidadãos com o actual estado de pânico e informação excessiva, não raras vezes, sem qualquer filtro ou aferição se a mesma é real. Em Espanha, dispararam ao pontos dos dentistas não terem mãos a medir, os casos de bruxismo que podem ter danos irreversíveis nas articulações temporomaxilares e causar um desgaste gigantesco nos dentes. Nos Estados Unidos a Kaiser Family Foundation (KFF) reportou que 53% dos norte-americanos reportou que a sua saúde mental tinha sido afectada (durante os primeiros tempos da pandemia eram 32%). Os números, até Julho, não pararam de subir como se pode aferir pelo gráfico abaixo. Se a isto juntarmos o consumo de fármacos, o aumento das taxas de alcoolismo e suicídios, temos um cocktail explosivo, além de que, não será novo dizer que este tipo de problemas não se resolve com vacinas de um dia para o outro.

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Fonte: KFF, 2020

 

Em Wuhan, e segundo a Lancet, o alegado berço do vírus, profissionais de saúde tiveram um acompanhamento psicológico singular com duas equipas, uma equipa de resposta com a participação de directores e assessores de imprensa nos hospitais (geriu equipas e a comunicação) e uma outra equipa técnica que formulou instrumentos de intervenção, regras e providenciou pareceres técnicos supervisionando o processo. Uma terceira equipa composta por psiquiatras fez a intervenção no terreno e uma quarta participou numa espécie de hotline assistance dando formação em como lidar com o vírus e também como lidar com alguns problemas de saúde mental. Foi na China... Com tanta informação, tantas tendências importadas e neste campo estamos a ser tão tardios.

 

E como não poderia deixar de ser, os indivíduos mais vulneráveis, apesar de não representarem os casos que acima apresentei, serão os mais afectados que em termos de saúde mental e também em termos de salários e condições de vida. Se a isto juntarmos o aumento da workload e de traumas que os tornam mais susceptíveis a situações de stress, burnout, depressão e situações de stress pós-traumático, temos um futuro negro para muitos indivíduos.

 

Uma boa saúde mental, em circunstâncias normais é fundamental para uma sociedade funcionar bem, se tivermos em conta os números que não cessam de aumentar por causa da pandemia, vamos perceber que a reposta e a recuperação durante e após a pandemia será muito mais desafiante, além de que a saúde mental de um país não é conduzida por académicos nem pode viver apenas de palestras e artigos de opinião.

 

Virá um pós-covid, aliás para mim já é uma realidade, não consigo estar quieto, todavia ele virá e alguém terá de apanhar os cacos...

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Sindemia ou Pandemia?

por Robinson Kanes, em 15.10.20

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Créditos:https://www.nationalheraldindia.com/national/by-2021-as-many-as-150-mn-people-likely-to-be-in-extreme-poverty-due-to-covid-19-world-bank /

 

Over coming  weeks - yes. In the long-term, probably not permanently, but other epidemics are certainly possible.

Eli Fenichel,  PhD, Professor Knobloch Family de Economia dos Recursos Naturais na "Yale School of the Environment". 

 

 

Emantilhados num ruído em torno do SARS Covid-19, começamos a questionar tudo aquilo que nos chega ou simplesmente a ignorar.  No entanto, um artigo recente da publicação "The Lancet" e cujo conhecimento me chegou através da BBC, levantou-me alguma curiosidade acerca da forma como abordamos esta pandemia - mas será uma pandemia? 

 

Neste artigo, Richard Horton, que não é propriamente um Buescu, alicerçado em várias análises cientificas acaba por defender que mais do que analisarmos a pandemia à luz de modelos matemáticos com base em situações como a "gripe espanhola" ou focarmo-nos no corte das cadeias de transmissão e instrumentos "obsoletos" como as quarentenas, devemos encarar a actual realidade como uma sindemia. Aliás, Horton vai mais longe e alerta que uma potencial cura ou vacina pode não ser suficiente se não foram reunidos alguns pressupostos fundamentais.

 

Estes pressupostos passam, e começando na base, por abordar a pandemia como uma sindemia, ou seja, "deixamos de lado" o foco no corte das cadeias de transmissão e focamo-nos em algo mais global. Sindemia (sinergia + pandemia), e de forma simples, é a interacção de duas ou mais doenças que provocam danos ainda maiores do que a soma de ambas as doenças. Com isto, não quer dizer que uma das mais prestigiadas revistas de medicina do Mundo esteja a adoptar uma atitude negacionista face à pandemia, mas sim a desenvolver uma abordagem mais vasta (já com sucesso, nomeadamente em relação ao HIV e à obesidade) e que inclui além do factor biológico propriamente dito, as questões sociais, o meio-ambiente e a economia, por exemplo. Podemos perceber, por exemplo, porque é que Ayuso teve de proceder aos tão contestados confinamentos locais nos bairros mais pobres de Madrid. 

 

Na realidade, Horton não descobriu a pólvora ao afirmar que a incidência de óbitos ocorre em indivíduos em situação de fragilidade social, com parcos rendimentos, em territórios vulneráveis ou em ambientes poluídos. Acrescentaria também algumas patologias associadas a comportamentos mais comuns ao primero mundo, por exemplo, a diabetes. Isto é senso comum em relação a qualquer situação, mesmo apesar da doença e a morte serem as coisas mais democráticas que temos, como diria um conceituado professor do curso de Psicologia da Universidade de Coimbra.

 

O que me deixa intrigado com esta "não descoberta" (sem com isto lhe retirar importância, bem pelo contrário) é o facto de estarmos perante uma quimera, ou seja, a aposta na resolução de vários problemas de saúde e acesso à mesma no Mundo. A redução das desigualdades sociais, o acesso a cuidados de saúde básicos, o aumento do awareness em relação a determinados factores de risco, a redução dos níveis de poluição e tantas outras situações, são fundamentais para reduzir os óbitos por Covid-19.

 

Será que no meio da desgraça temos mais uma oportunidade de criar modelos que reduzam as desigualdades sociais? Será que a "não descoberta da pólvora" mostra-nos que vivemos num Mundo recheado de pandemias até mais graves do que aquela que enfrentamos?... Como se todas as outras tivessem entrado em hibernação... E será que num mundo mais egoísta saída da epidemia, haverá abertura para apoiar, nesta matéria, os países menos desenvolvidos?

 

Esta abordagem mais holística, poderá não ter efeitos imediatos, mas no futuro poderá ser um reforço importante em termos de combate a Covid-19 e a tantas outras doenças, todavia, entramos numa espécie de dilema, ao estilo "acabar com a fome no Mundo", e sabemos como isso é impossível. Todavia pode ser um passo importante, sobretudo se o pressuposto de que uma vacina pode não ser a solução final para este vírus.

 

Fica aqui o artigo completo (pdf) onde também poderão encontrar uma definição mais aprofundada do termo desenvolvido por Merril Singer e informação mais pormenorizada.

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Sardinhada e uma Rapsódia...

por Robinson Kanes, em 21.07.20

h_54839816-800x450.jpgCréditos: https://www.euractiv.com/section/uk-europe/news/avoid-brexit-style-chaos-dutch-pm-tells-his-people/

 

Foi assim que Mark Rutter, o Primeiro-Ministro Holandês, ficou durante a reunião do Conselho Europeu, depois de ler o artigo de hoje no nosso habitual espaço à Terça-Feira no SardinhasSemLata. Aliás, até já comentou dizendo que está muito contente com o "Não é que Não Houvesse" e que se vai tornar leitor assíduo dos dois espaços. Quem quiser saber mais só precisa de clicar aqui.

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O que aprendi nos últimos seis meses...

Por Maria Araújo...

por Robinson Kanes, em 25.06.20

WhatsApp Image 2020-06-24 at 23.07.49.jpegCréditos: GC/ (imagem da exclusiva responsabilidade do autor do espaço)

 

Estávamos todos a par do que acontecia na República Popular da China, pensávamos que um desconhecido, perigoso e invisível vírus, que obrigou a que milhões de pessoas tivessem de ficar fechadas em casa, não chegaria à Europa, muito menos a um cantinho à beira-mar plantado: o nosso país.

Em Fevereiro, fui uns dias de férias para conhecer um pouco mais do Alentejo, dias estes muito bem passados, "que tranquilidade!", de regresso a casa, já se ouvia nas notícias que Itália era o foco de infecção, os media entravam casa adentro a toda a hora, o Coronavírus estava na Europa.


E de Itália a França e Espanha, Portugal começou a sentir o perigo, agiu o governo atempadamente, e, de uma forma inesperada, mudámos o nosso estilo de vida.


Somos um povo de afectos, estavam proibidos os beijos e os abraços, o alerta constante de evitar o contacto físico e manter o distanciamento desencadeou nas pessoas o medo de ser contaminado.


As cidades ficaram desertas.


Às crianças foi-lhes tirada a rotina das creches, da escola. Interromperam-se os afectos, as brincadeiras com os amiguinhos, os parques de rua para brincar. Estava nas mãos da família adaptarem-nas a uma nova rotina, árdua e exigente.


A nossa casa passou a ser o escritório, a escola, as consultas, as reuniões, a fé, a cultura, o ginásio, a loja que procurávamos para comprar alguma coisa que nos satisfizesse o ego de tão triste estávamos neste isolamento forçado.


Passados este seis meses ( comentando com um familiar, a quem foi muito difícil este tempo de confinamento, que, apesar de tudo, parece-nos que já foi há bastante tempo ), não tendo alterado o meu comportamento muito mais que anteriormente, aprendi algumas coisas que em situações normais certamente não pensaria nelas: 

aprendi que fiquei mais tolerante a pequenas coisinhas que me irritavam, sobretudo más interpretações ou juízos de valor que eu mesma fazia; 

aprendi que o medo faz (re)agir perante ocorrências inesperadas, "esquecer" o vírus e seguir em frente, há que proteger os seres mais frágeis; 

aprendi a controlar a minha ansiedade se me doesse um dedo, ou a ponta nariz, e,sim,tive dores no braço, e deixar de procurar o médico especialista disto e daquilo só porque queria ficar tranquila (não vou a uma consulta desde novembro do ano passado); 

aprendi, basta querer, que o tempo que tenho chega para tudo: ler, computar, tomar conta do sobrinho neto quando é preciso, cozinhar, fazer as tarefas da casa, passear, apoiar quem me pede ajuda;

aprendi que os nossos melhores momentos são aqueles que dedicamos a quem mais gostamos: um almoço e/ou jantar convívio via whatsapp;

aprendi que o progresso traz riscos, que a insegurança e a desigualdade social aumentam.

O homem é um ser vulnerável.

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Créditos: https://www.cm-mgrande.pt/pages/357?event_id=1319

 

Siga a dança e a sardinhada que hoje é terça-feira e nas SardinhasSemLata que monto o estaminé... Não são permitidas mais de 10 pessoas junto à grelha e só servimos vinho a martelo até às 20h:00m... Podem ler o artigo aqui.

 

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O que aprendi nos últimos seis meses...

Por GC...

por Robinson Kanes, em 18.06.20

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Peter Paul Rubens - "Retrato da Filha do Artista" (Scottish National Gallery) 

Imagem: Robinson Kanes

 

Quando penso nos últimos seis meses tenho a sensação de ter passado já muito tempo. Não por causa da pandemia e do consequente recolhimento forçado, que obriga a mais tempo de reflexão e contacto com a nossa mais íntima realidade, mas porque uma parte de mim parece ter ficado lá atrás - enquanto a minha essência mais profunda está a voltar e a caminhar em frente. Qualquer que seja a razão para isso ter acontecido, parece que devo ter motivos para ficar feliz.

 

Nos últimos seis meses aprendi que, embora seja por vezes doloroso, a escolha pelos nossos ideais e valores em detrimento de títulos (profissionais ou outros) vale sempre a pena. É um caminho solitário e muitas vezes incompreendido. Mas a coerência e consistência com o que temos de mais estrutural traz-nos uma tranquilidade impagável.

 

Aprendi, igualmente, que a minha ignorância é afinal bem maior do que julgava. Há tantos livros para ler, tantos cursos para fazer, tantos filmes e música e poesia para me emocionar, que a única hipótese viável é reservar uma parte do dia para me cultivar e tentar ser melhor a partir do conhecimento e da experiência dos outros.

 

Aprendi ainda que a vida pode ser tão simples para nós, humanos, como é para um cão. O meu Pastor Alemão descobre, à medida que vai ficando mais velho, muito mais sítios interessantes para farejar, brincadeiras muito mais divertidas para me pedir ou técnicas bem mais ardilosas para me obrigar a levá-lo a dar passeios mais longos pela natureza. Quando penso que poderia traduzir tudo isso para a minha própria experiência humana, chego à conclusão de que, tal como para ele, descobrir constantemente novos motivos para me fascinar perante o mundo poderá ser algo verdadeiramente espontâneo - basta estar atenta ao que me rodeia.

 

Aprendi também que, embora não se morra, literalmente, de saudades, é possível morrer metaforicamente. Porque é por dentro, no invisível traço que nos une a alguém, que a falta acontece sem pedir licença. Um dia disseram-me que não era de uma pessoa que sentíamos saudades mas do que ela nos fazia sentir. Talvez seja verdade. Ainda assim, há olhares, aromas, sorrisos, abraços e cumplicidade que não são repetíveis - por muito que outra ou outras pessoas cheguem entretanto à nossa vida. Aquela marca, aquela ausência, aquela memória pertencem unicamente a quem no-la gravou cá dentro.

 

Aprendi, finalmente, que não há nenhuma forma de saber o que cada dia nos reserva, por muito que gostemos de nos defender dessa certeza com falsas seguranças e vidas muito cronometradas. A inevitabilidade e o mistério do desconhecido parecem-nos longínquos quando estamos a viver em piloto automático. Mas o facto de não podermos controlar tudo pode trazer uma bênção impensada: a de sermos, finalmente, aquilo que somos, sem amarras, sem controlo de cada gesto, sem medo que a nossa essência transborde para lá do barco imenso da nossa plena existência.

 

GC

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Banhos, Ciência de Esquina e Banhadas...

por Robinson Kanes, em 30.05.20

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Imagem: Robinson Kanes

 

O homem precisa de ver mais as suas possibilidades que as suas prisões

Agustina Bessa-Luís, in "Ternos Guerreiros"

 

Ontem, violando os deveres do confinamento, sentei-me na esplanada do costume, não a "Taberna dos Cabrões", mas aquela que já deu azo a grandes artigos.  Foi por lá que se fizeram alguns balanços da semana entre choco frito, cerveja Sagres da "botella" (a imperial esgotou), martini, gin só com limão e sem água tónica, azeitonas, queijo de Azeitão e bochechas... Agora lembrei-me do...

 

O primeiro balanço saiu da boca de um marialva daqueles que não compreendia como é que se defende o confinamento e o distanciamento social e depois se disputa nas televisões palco mediático por idas à praia, ainda por cima antes da abertura oficial da época balnear e perto de bairros onde a bomba começa a explodir e só são importantes para a selfie popular (lembrei-me do funeral popular que se faz em Alcochete) ou para o Banco Alimentar Contra a Falta de Fome. Na ausência da bola, é preciso continuar na senda da popularidade com alguns relatos de autênticas "banhadas" que mais parecem um Benfica-Sporting. Não foi o marialva, fui eu, mas não convém sempre dizer que sou eu... 

 

Entretanto, uma das grandes figuras de Alcochete, toca noutro ponto: mas porque raio é que temos de andar a colocar sempre o nosso dinheiro nas mordomias da TAP? Porque é que a TAP interessa tanto? Além dos votos e dos conluios, anda toda uma súcia de desejosos em nacionalizar a mesma... Aprendam com a Lufthansa, a Alemanha não serve só para nos dar dinheiro. E mais não digo, antes que a música seja outra, como disse "em tempos" um dos patrocinados do regime e alguém que confunde a pasta de ministro com a de ditador, com todo o respeito pelos segundos que subiram, mal ou bem, a pulso.

 

E numa zona onde alguns comunistas abundam, especialmente os que são financiados pelo Orçamento de Estado, são muitos o que questionam porque é que um dos espectáculos mais duvidosos em termos legais e de pagamento de impostos vai ter uma cláusula especial lá para início de Setembro. Aqui a conclusão foi fácil: "vamos lá e rebentamos com aquilo tudo". Denotem que isto foi o proprietário de um pastor alemão que usa sapato de vela, veste camisa Ralph Lauren e usa calças de montar a proferir - após a décima segunda cerveja (e sempre são 33cl x 12).

 

Finalmente, e depois de ter recebido da Suiça um link com muitos smiles, link esse de uma publicação daquelas revistas de especialidade cujos artigos são sempre com os mesmos, ninguém conseguiu deixar de estar inquieto com Miguel Pina Martins - um senhor que aparecia muito, depois deixou de aparecer quando a fraca procura de acções em Bolsa se deu e agora volta em força como porta-voz de mais uma associação - um aparte: nunca vi um país tão pequeno com tantas associações, e olhem que sempre me ensinaram que menos é mais.

 

Este indivíduo, cujo mérito no desenvolvimento de um conceito de brinquedos é notório, uma ideia brilhante, aplica o discurso ameaçador do "ou nos dão aquilo que queremos ou fechamos", no habitual atirar de números para o ar e declarando guerra aos senhorios, particularmente aos proprietários de centros comerciais que, no entender deste, deveriam ser "penalizados" pois os custos são inferiores aos dos arrendatários. Para um gestor, o conceito de investimento e retorno do mesmo deveria ser mais claro, além de que, sendo moralmente condenável ou não, lá porque eu estou a sofrer, o do lado não tem que sofrer também - chama-se economia de mercado. Além disso, não basta criar conceitos e desenvolver produtos e ficar à espera que seja o mercado a vir ter connosco, até porque este n\ão é estanque, cada vez menos.

 

Pina Martins pede também ao Estado, os famosos empréstimos a fundo perdido e mais um sem número de privilégios para o retalho, dando a entender que o retalho são somente as lojas de centro comercial ou as mais conhecidas. Chego a ter dúvidas que muitas organizações empresariais ligadas ao retalho tenham esta visão. A repetição do discurso da crise, do dinheiro grátis e da chantagem está à vista, mas...

 

... em nenhuma linha vi Miguel Pina Martins tecer planos para o futuro, nomeadamente no médio-prazo. Também não vi Miguel Pina Martins focar-se nas novas formas de fazer chegar o produto ao consumidor final, acabando por defender (e colocando esse escolha no próprio consumidor - anda a falhar na análise) o tradicional comportamento retalhista da ida à loja. Existiu uma crise com proporções dantescas, mas falamos no regresso ao que era, do "vai ficar tudo igual"... É o mundo a mudar e "vai ficar tudo bem" não é o mesmo que dizer "mais do mesmo"! Se num país com economia dinâmica e sem esperar subsídios do Estado a toda a hora, esta visão arruina qualquer empresa. O comércio online, desafios logísticos, reconversão dos colaboradores, formas de investimento, estratégia nacional e internacional, desenvolvimentod e produtos, nada disso é falado, nada! Até o hype do "teletrabalho" é deixado de lado, para alguns, já coisa do passado. E de facto até é, pois nos últimos meses parece que descobrimos a pólvora, a verdade é que já tinha sido descoberta há décadas...

 

Pergunto, aliás, perguntamos todos a Miguel Pina Martins: fundo perdido? Em que mundo é que vive, Miguel? Pelo facto de sermos o país das borlas e do esmaga orçamentos (em tudo) é que também não evoluímos muito, mas permita-me dizer-lhe que não é motivo para trazer essa questão à praça. E olhe que vi empresas a encerrar nesta fase porque (até arrogantemente) se recusavam a ser financiadas pelos impostos de todos nós e a ouvir associações que só criam entropia e defendem interesses que vão muito além dos interesses de todos os associados. A nossa recomendação, Miguel, venha mais para a esplanada e passe menos tempo nos media. Venha discutir connosco e ensinar-nos qualquer coisa... Olhe que até nos enfrascamos de surface  e gráficos na mão, mas uma coisa é certa, nunca nos lembraríamos da dos fundos perdidos e do regresso ao que era.

 

P.S.: também falámos de coisas boas, sobretudo quando se chegou ao gin. Nasceu um burrito que está cada vez mais brincalhão e ainda ninguém conseguiu perceber como é que eu não sendo um aficionado, mas apaixonado pelos touros no campo, continuo a ter excelentes momentos com aquela malta... 

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