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Estado de Calamidade na Brasa...

por Robinson Kanes, em 25.08.20

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Créditos: https://www.huffingtonpost.fr/entry/scarface-va-avoir-droit-a-un-remake-signe-des-freres-coen_fr_5ebe6441c5b6500cdf6691f5

 

Hoje declarou-se o Estado de Calamidade no SardinhaSemLata. Podem acompanhar a nossa rubrica das terças-feiras. É já aqui.

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Não há festa como esta!

por Robinson Kanes, em 24.08.20

 

35583452_03048_oGOjESU_osCXP6o.jfifCréditos: https://www.dnoticias.pt/2020/8/20/71215-dgs-esta-a-pedir-mais-documentos-tecnicos-sobre-a-festa-do-avante/

 

Há várias instituições que organizam as suas iniciativas, e a avaliação sanitária há de valer da mesma maneira para todas as iniciativas (...) Não me parece que o vírus mude de natureza de acordo com a natureza das iniciativas.

Marcelo Rebelo de Sousa, 17 de Maio de 2020

 

 

Nunca fui a uma festa do Avante e nunca fui contra quem decide pactuar com o financiamento de um partido repudiado pela União Europeia - equiparado a um partido nazi. Mas ao contrário do que faria um partido comunista, a União Europeia, permite democráticamente que no seu seio, à semelhança de partidos declaradamente de extrema-direita, que também os partidos de ideologia comunista (ou extrema-esquerda que é praticamente o mesmo só muda o rosto) possam ter direito à palavra se essa for a escolha dos seus cidadãos. Admito que sempre achei estranho como é que partidos que defendem a destruição da União Europeia aceitam receber dinheiro dessa instituição e suplicam também por fundos e "bazucas" da mesma para os países onde estão, sobretudo se o cano da bazuca tiver muitos buracos. É como dizer que não se gosta de cerveja mas beber umas dez imperiais por dia e "nos entretantos" roubar os copos.

 

E como seria de esperar, depois de produtores de eventos, músicos, técnicos de audiovisuais e todo um mundo produtivo (e trabalhador - uns falam dos trabalhadores, os outros trabalham efectivamente) ter ficado parado, e assim continuar, desde Março até ao dia de hoje, eis que vamos fazer um mega-evento com 33 mil pessoas por dia. Uma espécie de repetição de grande evento do regime como aquele que teve lugar no Campo Pequeno e onde não faltaram as elites políticas da nação, mas desta feita, ainda mais grandioso e ao ar livre. Afinal, somos um país fantástico, organizamos eventos e é isso que agora nos faz promover internacionalmente... Sobretudo se em muitos oferecermos quase tudo, inclusive isenções de impostos. Por falar em isenções de impostos, é melhor não falarmos sobre isso quando o tema é Festa do Avante, mais uma daquelas coisas dignas de um país como a Bielorrúsia e com a conivência de todos os Governos ao longo da nossa história "democrática".

 

Existe, com efeito, uma pergunta que todos os portugueses deveriam colocar, ou aliás, várias... Porque é que não se puderam fazer arraiai, alguns com pouco mais 50 indivíduos e agora se podem fazer festas com 33 000? Porque é que aldeias, vilas e cidades se viram impedidas de realizar eventos com muito mais história que uma festa partidária e que serve para encher os cofres de um partido que odeia multinacionais mas factura tanto ou mais? Porque é que muitos dos nossos cidadãos, sobretudo fora das nossas metrópoles, se viram sem aquele momento do ano tão especial, aliás, para alguns o único e agora se pode fazer um evento deste calibre? E finalmente, porque é que muitas empresas pagadoras de impostos e cumpridoras da lei se viram impedidas de organizar nem que fosse um minúsculo jantar com 20 pessoas e agora faz-se uma festa gigante como esta e onde a questão fiscal é sempre um daquelas nuvens onde até o conceito de off-shore faz tremer alguns militantes... Piores nuvens só aquelas que surgem se decidirmos consultar os financiamentos que muitas instituições de solidariedade social, misericórdias e associações de tudo e de nada recebem, não raras vezes, sem sabermos para quê. Talvez seja o meu mau feitio, mas gastar um milhão para fazer um estudo para adjudicação de coisa nenhuma, também essa com o seu custo, é qualquer coisa.

 

São perguntas que podemos deixar na modesta sede do PCP em Lisboa, num modesto edifício na Avenida da Liberdade e que não é tão elegante como o "paupérrimo" palacete da CGTP - um dos seus tentáculos. Falamos de um modesto edifício com direito a vários lugares públicos em ocupação privada, na principal avenida da cidade e que até são gradeados sempre que uma viatura abandona o local, não vá algum incauto por aí estacionar. O mais provável é ser corrido pelos indivíduos que agora vendem bilhetes à porta e projectam música pela avenida, espero que paguem as licenças que existem para esse tipo de utilização do espaço público. Já bastam os recursos públicos da Câmara Municipal do Seixal ao serviço de um interesse partidário.

 

Talvez ande realmente deslocado e passe demasiado tempo lá fora, ou então, talvez me comece a sentir como a mulher do médico do "Ensaio Sobre a Cegueira"... Ou talvez o único cego seja eu. Talvez seja isso... Entretanto, na Moita, uma câmara municipal também comunista, não se irá abdicar das tradicionais festas em Setembro, depois de se ter conhecimento do que se iria passar no vizinho Seixal. É irresponsável? Pode ser, mas quem somos todos nós para falar depois do que está previsto para daqui a pouco mais de 10 dias. Pelo menos na Colômbia ainda se combatem as FARC e na Coreia do Norte existe uma corrente contra o "grande líder". 

 

Uma coisa é certa, não há festa como esta... 

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O que aprendi nos últimos seis meses...

Por Luísa de Sousa

por Robinson Kanes, em 14.08.20

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Créditos: Luísa de Sousa

 

O que aprendi nos últimos seis meses ….

 

Já conhecia esta rubrica do Robinson Kanes e quando recebi o seu convite para participar, que desde já agradeço imenso, fiquei sem saber o que escrever ….

Sim, porque, os meus dias foram sempre iguais, os mesmos de sempre, com as minhas rotinas de sempre ….

Ora vejamos:

Nunca deixei de trabalhar. Tenho funções numa Empresa Pública, considerada prioritária nos seus serviços, logo, nunca estivemos fechados. Todos os dias saía à mesma hora, contemplava o mesmo caminho, trabalhava com muita motivação e regressava à mesma hora …

Sempre fiz os meus treinos em casa desde que fui mãe, já lá vão uns 30 anos. Tenho um plano de treinos que sigo à risca, que vou ajustando conforme as necessidades e que me dá a força, motivação, energia e saúde que necessito para envelhecer bem.

Passei pela pandemia Covid 19, de mansinho, “bem ao lado”, ouvindo e lendo notícias aqui e ali, sem me preocupar em demasia (porque não tinha tempo para preocupações), sem me stressar (porque sou muito despreocupada), acreditando que não passaria de uma fase (porque sou muito otimista) e continuando com a “minha vida” que adoro e me faz muito feliz.

Nunca deixei de escrever nos meus blogs sobre a felicidade, o amor, a alegria, a paixão, a amizade, o otimismo, a motivação, a saúde e o bem-estar, porque são o meu “mantra” diário.

O pouco que aprendi, talvez muito, mas nada surpreendente, foi que, todos fomos postos à prova enquanto seres humanos, do quanto somos vulneráveis e frágeis psiquicamente, do que somos capazes de fazer (para o bem e para o mal) em situações de atípicas como a que estamos a viver, e que o Mundo não é o lugar seguro que pensávamos que era.

 

Luísa de Sousa

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Sardinha com Vírus!

por Robinson Kanes, em 04.08.20

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Peter Paul Rubens  - "A Queda dos Condenados" - Pormenor (Alte Pinakothek)

Imagem: Robinson Kanes

 

Hoje, na nossa presença habitual de terça-feira no SardinhasSemLata, falámos do quão boa a pandemia tem sido para todos nós! Pode parecer estranho, mas todos os males do Mundo acabaram e só ficou um, um vírus e alguns hypes para encher jornais e dar a ideia de que somos todos activistas e não inúteis que só trabalham e usufruem da vida. Passem por lá e comam uma sardinha contaminada, basta ir aqui!

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O que aprendi nos últimos seis meses...

Por Mami...

por Robinson Kanes, em 30.07.20

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Tiziano Vecellio - Retrato de Settimia Jacovacci (Szépművészeti Múzeum)

Imagem: Robinson Kanes  (imagem da exclusiva responsabilidade do autor do espaço)

 

Os meus últimos seis meses foram anómalos; foram-no para toda a humanidade, sei-o bem.

 

Quiçá esta é uma das poucas vezes em que, enquanto pessoas, num mesmo momento histórico, vivemos preocupações tão semelhantes.

 

Claro que uns somos mais próximos do que outros, quer pelas nossas condições económicas, quer pelas nossas convicções morais. este facto aproxima-nos ou distancia-nos na forma de viver esta nova realidade mundial.

 

O meu filho nasceu no início da pandemia. sai para a maternidade em “liberdade”, regressei a casa em confinamento. não vou fingir que foi um horror, não foi. estar em casa com os meus dois tesouros e com o meu companheiro – que habitualmente está fora em trabalho-, foi bom, foi reconfortante, foi até apaziguador nos tempo que vivíamos. não havia preocupações de emprego - temos uma situação estável e ele estava em teletrabalho. inquietava-nos o isolamento da família alargada, a vontade de estar “nos braços da minha mãe”, de lhe apresentar o neto, de ouvir a casa cheia com os meus sobrinhos e a minha princesa a correr por todo lado.

 

Havia e há uma preocupação latente por não saber o quanto tempo durará a situação.

 

Sai de casa pela primeira vez, para ir às compras, no início do mês de junho. senti-me como uma criança pequena abandonada no bosque. sentia perigo em todo lado, estava nervosa, sentia-me a sufocar. saí apressada, não comprei metade do que estava na lista e comprometi todo o processo de “higienização”. estava confinada, por opção, há demasiado tempo.

 

Começo a trabalhar dentro de quinze dias. daqui a trinta, o meu filho vai para a creche e a minha filha para o pré-escolar. e, se por um lado, sinto que temos de assumir a nova realidade em que vivemos, por outro, sinto-me num filme de ficção científica em que o que me apetece é ficar com a vida “adormecida” até esta invasão passar.

 

Regressando à questão que hoje me trouxe a este poiso “o que aprendi nos últimos seis meses” tenho de confessar que nada aprendi, desculpem a falta de poesia ou dramatismo. posso, com falsa modéstia, assumir que reiterei o que há muito descobri: não vale a pena planear muito a nossa vida, criar expectativas ou sofrer por antecipação. a vida surpreende-nos sempre!

 

Nota: lembrei-me agora, aprendi a fazer pão!

 

Mami

 

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Sardinha Queimada...

por Robinson Kanes, em 28.07.20

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Créditos: https://www.sabado.pt/portugal/detalhe/marcelo-diz-que-em-dia-de-s-joao-questoes-politicas-nao-interessam

 

Hoje o tema é uma fogueira gigante onde muitas sardinhas se podem assar... Não deixem de lá passar no habitual artigo que à terça-feira marca a minha passagem pelo SardinhaSemLata.

Marcelo Rebelo de Sousa anda por lá, até se queimou e disse que as sardinhas hoje eram melhores e mais baratas que as de Angra dos Reis, para essas era quase necessário pedir um empréstimo ao antigo BES para comprar um quilito...

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Fogareiro na Sérvia...

por Robinson Kanes, em 14.07.20

000_1UU6AD.jpgCréditos: Andrej Isakovic AFP 

 

Hoje, na minha habitual participação no "SardinhasSemlata", o melhor local para acender o fogareiro e assar umas sardinhas é mesmo na Sérvia e pela convulsão que se está a viver naquele importante país dos Balcãs...

Podem saber mais aqui.

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O que aprendi nos últimos seis meses...

Por MJP...

por Robinson Kanes, em 09.07.20

be68076629107c4fe0814e3187f3a227-1000.jpgCréditos: Amarjeet Kumar Singh/SOPA Images/Lightrocket via Getty Images - https://www.sciencemag.org/news/2020/05/doctors-race-understand-rare-inflammatory-condition-associated-coronavirus-young-people  (imagem da exclusiva responsabilidade do autor do espaço)

 

O que aprendi nos últimos seis meses…

Quando recebi o generoso convite do R., que muito me honra e agradeço, para reflectir sobre o que aprendi nos últimos seis meses, pensei que seria uma boa oportunidade de colocar em palavras escritas o que me vai no pensamento.

 

E, assim, de repente  (ou talvez não!), já passou metade de 2020... um ano diferente... arriscaria, mesmo, dizer que este será, muito provavelmente, o ano mais atípico que a maioria de nós já experienciou...

Fomos brindados com acontecimentos inesperados  (inimagináveis)  que abalaram, algumas das nossas certezas...

No início do ano, creio que poucos pensariam que este vírus chegaria à Europa... à medida que o tempo foi decorrendo e as imagens do desespero  (e da morte), que chegavam de Itália e de Espanha,  invadiam os nossos ecrãs, fomo-nos dando conta que isto era "real"... que o"nosso dia" haveria de chegar... era inevitável a chegada do vírus a Portugal... muitos de nós, conhecedores das fragilidades do nosso Serviço Nacional de Saúde (SNS) - onde eu me incluo - temeram o pior...

Entretanto, ocorreu o proclamado “milagre Português”, que redundou no cenário que, actualmente, experienciamos…

 

A verdade é que depois de muito pensar, não creio que tenha aprendido nada de novo nestes últimos seis meses (decorrente da Pandemia) … mas, a verdade é que, constatei muitas coisas que já sabia, nomeadamente:

 

- O Ser Humano é muito vulnerável e controla muito pouco (ou nada) à sua volta, ao contrário do que muitos pensam;

- O Bem comum deverá sobrepor-se à (minha) vontade individual, ainda que, signifique ter de abdicar da Minha Liberdade de circulação, que tanto prezo;

- Nada é garantido, de um momento para o outro tudo pode mudar “sem aviso prévio” e, por isso, devemos aproveitar o melhor possível o momento presente e não adiar aquilo que consideramos importante;

- O que se torna essencial, em momentos de crise, são as relações de qualidade que estabelecemos com as nossas pessoas e que se revelam à prova de qualquer distanciamento físico;

- A Saúde Mental (tão estigmatizada e desvalorizada) é muito mais frágil (e difícil de manter, sobretudo, em confinamento) do que a Saúde Física;

- As crises não tornam os indivíduos “melhores Pessoas”, apenas evidenciam as suas características mais marcantes, ou seja, tornam-nos mais refinados;

- O Mundo não é cor-de-rosa, não somos todos amigos e não vai ficar tudo bem para todos;

- O Mundo é um lugar repleto de desigualdades, que se evidenciam e acentuam em momentos de crise;

- Há sempre quem esteja pronto a lucrar com a tragédia alheia;

- A memória é curta e os erros cometidos são facilmente repetíveis;

- Há muita gente que não saber viver em sociedade, adoptando comportamentos de risco que fazem perigar a saúde alheia;

- Os profissionais de saúde apenas são reconhecidos e valorizados pelo seu trabalho quando uma crise sanitária se instala e ninguém deseja morrer por ausência de cuidados de saúde!!!  

MJP

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Estónia: estar à frente é isto...

por Robinson Kanes, em 08.07.20

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Créditos: https://pt.slideshare.net/MerlinLinde/educational-technology-in-estonia?smtNoRedir=1

 

Creating a new country from scratch has given Estonia the license to imagine what a country could be. 

Taavet Hinrikus, in "National borders - a thing of the past?"

 

 

No país onde ter um vasto conjunto de shared-services e call-centers é sinónimo de vanguarda tecnológica, temos de ter em conta que não é isso que, ao contrário do discurso, nos coloca nos primeiros lugares, ou pelo menos em lugares mais aprazíveis. Reconheço que, em comparação com países bem mais desenvolvidos que Portugal, não temos as facilidades tecnológicas do nosso país e também reconheço que shared-services e call-centers, não deixem de ser uma mais-valia desde que não assentes apenas em mão-de-obra barata e altamente qualificada.

 

Enquanto muitos só agora despertaram para a necessidade de olhar para o futuro e para os desafios que o mesmo nos coloca (uns despertaram, colocaram os habituais posts no LinkedIn e fizeram artigos de revista mas já se esqueceram) existem outros que, entrando na corrida do desenvolvimento de forma mais tardia, já dão passos de gigante e que inclusive lhes permitem suportar com maior presteza os desafios "impostos" pelo surto pandémico de COVID-19.

 

Na Estónia, encontramos uma total automatização (e que funciona, não é só ter) dos registos de saúde e a "e-prescrição" que em tempos de pandemia foi fundamental para o combate à mesma, sem esquecer de mencionar que a tecnologia Blockchain já é uma realidade, sobretudo nesta área. Destaco o "e-ambulance", um sistema que detecta a posição de uma chamada de emergência alocando a mesma para a ambulância mais próxima, isto enquanto o médico que aguarda no  hospital ou se dirige para o local da ocorrência pode ir consultando o tipo de sangue, alergias, tratamentos recentes, medicação e um sem outro número de informações pertinentes.

 

É na Estónia que também o "GoSwift", um sistema de gestão de transportes, do tráfego e de fronteiras, permite um enorme controlo de custos e poupança de tempo com reais impactos na vida das pessoas, nas deslocações para o trabalho e obviamente em toda a cadeia logística. 

 

A assinatura electrónica e os selos digitais são também uma realidade, aliás, este país foi pioneiro no uso da identidade digital. Também os chamados online meetings já eram uma realidade antes da pandemia e com a mesma não se assistiu a uma euforia de muitos indivíduos como se de crianças com novo brinquedo se tratassem. Enquanto uns cá se gabavam, sobretudo no Linkedin de estarem muito à frente, e passo a expressão, imagino que outros se ririam e muito de tal gabarolice.

 

Finalmente, e porque a lista seria longa (e a ela voltarei), destaco dois pontos que para mim são uma grande mais-valia quando queremos fazer as coisas e deixar a propaganda de lado:

 

- Durante o lockdown, o Governo da Estónia opromoveu um hackathon online para que qualquer indivíduo colocasse os seus problemas/desafios relacionados com a pandemia. Automaticamente, a plataforma fazia/dfaz o match com voluntários dispostos a ajudar e a encontrar uma solução. Porque é importante? É querer resolver os problemas, é querer criar empowerment na população, é desenvolver um espírito de inter-ajuda e de comunidade, é colocar as pessoas no centro da informação e torná-las também autónomas. É tirar o melhor partido de todos e com todos e não sonegar informação e competências que erradamente nos querem fazer pensar que só meia-dúzia de iluminados conseguem atingir.

 

- Deixo este mote que pode ser encontrado no portal e-Estonia: "o sonho estónio é ter o menos de Estado possível, contundo o Estado necessário". Em relação a isto, não preciso de escrever muito mais, por muito que choque os iluminados que falei acima e os acomodados.

 

Terminando, e segundo os dados do "World Economic Forum", Portugal não está na vanguarda em termos de empreendedorismo ao contrário do que, mais uma vez se tenta vender. Porque empreendedorismo não é só criar empresas porque sim ou sem qualquer viabilidade económica no longo prazo.

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O "top ten" é ocupado por vários outros países e onde, se ligarmos (e sou eu a afirmar, sem todos os dados na minha posse) o sucesso no combate à pandemia com a dinâmica empreendedora, tecnológica e de empowerment da sociedade, temos uma relação claramente vencedora. Temos aqui países saídos recentemente do bloco soviético e bem mais pequenos que Portugal, quase todos. É com estes que temos de nos comparar, mas preferimos falar e discursar para as televisões e ignorar estes actores por razões óbvias.

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O que aprendi nos últimos seis meses...

Por menina-mulher.

por Robinson Kanes, em 02.07.20

be68076629107c4fe0814e3187f3a227-1000.jpgCréditos: https://www.wallpaperup.com/528753/mood_sensual_fashion_beauty_beautiful_girl_face_cute_attractive_lovely_woman_female_model.html ( (imagem da exclusiva responsabilidade do autor do espaço)

 

 

Começo com um paradoxo: tenho tentado não pensar demais, passando o dia a pensar – especialmente nos últimos seis meses. Por isso este convite foi um desafio, mas um dos bons, que como vão ver, a seguir, acabou a fazer-me sorrir.

 

Admito que desde dezembro (daí os seis meses) estava atenta às notícias do Oriente, mas, na minha inocência de pessoa pouco ligada às Ciências, acreditava que íamos passar “só” por uma “sequela” do SARS 1, ou seja, volta e meia ouvir falar da nova gripe nos noticiários, quase como um fait-divers, mas a achar que a sua representatividade no nosso “cantinho à beira mar plantado” ia ser mínima.

 

Chega março e percebi... pânico, particularmente em quem me rodeia, ou não seja eu irmã de uma pessoa em imunodepressão e que está dependente de medicações e tratamentos diários. No “nosso umbigo familiar”, o que primeiro percebemos é que a (agora nova) Covid-19 ia mudar os nossos dias e as prioridades do país e logo do curso dos tratamentos com que vivemos, todos os dias.

 

Seguiu-se a muito lenta alteração do espírito e atitudes dos lisboetas nos transportes públicos e nos restaurantes (os meus habitats mais naturais aqui na capital), tanto que, na noite anterior ao decretar do isolamento voluntário pela empresa onde trabalho, estive com amigos a jantar e a Covid não foi, de todo, o principal tema de conversa.

E plim! Na tarde seguinte, entrei em confinamento voluntário e por cá continuo quase 120 dias depois.

 

O que aprendi?

  • Que lido melhor com o confinamento do que esperava. Lido bem com o trabalhar de casa, com as reuniões com câmara e sem ela; que os meus gatos também têm horários e que conseguem ser companheiros de trabalho muito chatinhos...;
  • Que cozinhar me acalma e me dá um foco ao dia: o alimentar os outros, o encontrar novidades seguras, o ganhar coragem para experimentar, mesmo dentro das minhas “quatro paredes”;
  • Que morar numa casa não é o mesmo que viver numa casa, e que passar tanto tempo dentro de casa leva a um graaaande “síndroma de ninho;
  • Que “as dicas certas”, “a produtividade”, o “melhoramento pessoal” não funciona igual para todos, e pode bem até aumentar a ansiedade e o sentimento de alienação;
  • Que morar a 300 quilómetros da nossa família é difícil, mas agora experimentem viver com a regra “não podes sair de casa” e vão ver que centenas de quilómetros se transformam num continente com um oceano pelo meio;
  • Que descer as escadas para ir à mercearia ao lado da porta pode ser todo um programa, agora na companhia de máscara e luvas e um cronómetro.

 

Mas, acima de tudo, aprendi que vivemos num país que se entrega e se ouve quando o mal é comum, mas que se distrai facilmente quando os estímulos são muitos.

Aprendi que informação pode ser demais, mas que o “lava sempre bem as mãos”, o “mantém 2 metros de distância”, o “apoia os negócios locais” já não são informação, mas são sim formação da nossa personalidade no “novo normal”.

 

Venha o copo de vinho à 6ª feira, para brindar a mais uma semana (minimamente) sãos, e cá estaremos daqui a meio ano, para nos abraçarmos virtualmente, outra vez!

Blog da menina-Mulher

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