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Do Subnutrido Iémen...

por Robinson Kanes, em 18.02.21

 

Fechar os olhos não muda nada. As coisas não desaparecem pelo simples facto de não estares a ver. Pelo contrário. Da próxima vez que abrires os olhos, revelar-se-ão ainda piores (...) só os cobardes vivem de olhos. Fechá-los e tapar os ouvidos não faz passar o tempo.

Haruki Murakami, in "Kafka à Beira-Mar"

 

Nos anos 90, ainda muito pequeno, e com a visão mais apurada para a televisão que os outros sentidos, acabei por ficar marcado pelas imagens de crianças subnutridas em África. Já referi em tempos que os meus pais nunca me privaram de visualizar qualquer conteúdo mais horrendo... O Mundo é como é...

 

Qualquer criança ou adulto que tenha passado pelos anos 90 (e muito provavelmente nos anos 70 e 80) terá assistido a este triste espectáculo que marcou décadas e cujo esquecimento - e um certo sucesso no combate à fome - acabou por transformar esse passado em algumas piadas: as piadas são boas, além de nos permitirem desanuviar na desgraça, também podem demonstrar o distanciamento face a algo que deixou de existir.

 

Todavia, parece que o passado, e em alguns casos o apagar ideológico do mesmo, leva-nos a pactuar com o regresso de determinadas catástrofes. Não obstante, a diferença é que num Mundo pouco ligado a luta contra a injustiça tinha outra força, muito mais que num Mundo hoje ligado e onde, temas como a fome, só surgem quando alguém tem interesse em tirar uma fotografia junto dos pretos ou dos asiáticos para colocar na capa e um livro.

 

Desta vez volto ao Iémen, país que já abordei aqui, para chegar à conclusão que infalivelmente a História se repete. E a cada vez que se repete, a nossa ignorância e desprezo perante os factos é ainda maior. É perturbador como em países onde os bancos alimentares são verdadeiras indústrias e oligarquias de milhões de euros, se inventa fome que não se vê e quando ela existe, uns quilómetros mais à frente, fingimos nem ver... Ou mais grave que isso, não vemos...

 

Dispenso mais palavras, o vídeo que acompanha este artigo fala por si... Engoli em seco e tive vontade de bater em alguém, mais ainda quando recebia a notícia de que um carregamento de armas de fabrico chinês (alegadamente sem o envolvimento do Governo comunista daquele país) seguia clandestinamente em direcção a este país e foi capturado por uma fragata norte-americana. No meio disto tudo, existem uns olhos que não esquecerei tão depressa...

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Holocausto ou Holocaustos?

Onde a vítima se confunde com o agressor...

por Robinson Kanes, em 28.01.21

RTS1RIU6_IsraelPalestine_Nakba_protest_0.jpgCréditos: Mohamad Torokman/Reuters

 

Um cérebro pode servir para fins bastante diferentes e (a) conquista do mundo é mais desejável que a sua ordem.

André Malraux, in "A Tentação do Ocidente"

 

Causa-me alguma angústia pensar que muitos jovens não sabem o que foi o Holocausto nazi. Causa-me também igual angústia imaginar que um número ainda maior nem sabe o que foi a União Soviética, o que não é de estranhar tendo em conta os adeptos que esta ainda vai tendo, sobretudo em Portugal onde, neste campo, se tenta reescrever a História. Podemos desculpar os jovens, já não podemos desculpabilizar os adultos, os mesmos que fecham os olhos aos holocaustos presentes.

 

Esquecer o Holocausto é esquecer toda uma História que está para trás, aliás, os holocaustos até lá não foram uma novidade, todavia, a proximidade, o horror e uma máquina bem oleada de propaganda (é inegável) dão-nos a sensação de que foi caso único. Não foi! Mesmo depois da guerra, os holocaustos multiplicaram-se e de uma forma ou de outra, alguns ainda por aí existem... Passemos pela China, por alguns países do Sudoeste Asiático, por África e até por Israel.

 

Nada me move contra israelitas ou judeus, bem pelo contrário. Provavelmente terei influências judaicas também e tenho uma grande admiração por todos aqueles com quem tenho oportunidade de partilhar momentos da minha vida e onde os conflitos israelo-árabes são sempre tema de discussão. Todavia...

 

... Não deixa de ser caricato que o "estado do Holocausto", desde há muito, e também por causa das políticas de desenhar fronteiras a régua e esquadro das potências europeias, seja também aquele que tem mais guerras em pouco mais de meio século de História do que alguns com milénios. A Guerra dos Seis Dias, a Crise do Suez e tantas outras bravatas que inclusive culminaram com a anexação de territórios de outros países, veja-se o exemplo dos Montes Golan e dos denominados "territórios ocupados", tem lançado a região no caos.

 

Já passou tempo suficiente para "pagarmos" pelo Holocausto e começar a exigir que Israel (também conhecida pelo seu terrorismo de Estado) cumpra os Direitos Humanos e se abstenha de perpetrar um Holocausto contra o povo palestiniano, numa sede imensa de ampliar o seu território. A questão palestiniana é complexa, daria muitos artigos, até porque a dificuldade em encontrar quem tenha mais razão nesse conflito não é fácil e talvez por isso seja algo que até hoje ainda não foi resolvido - o estadista israelita que esteve mais perto de uma solução foi assassinado por um dos seus. 

 

Numa base diária, Israel tem subjugado o povo palestiniano, tem-no morto e tem-lhe roubado território com uma passividade internacional gritante, direi até assustadora - um pouco à semelhança do que foi encetado pelos causadores do "Holocausto" nos primórdios da Segunda Guerra Mundial. Não é justificável e não deixa de ser um paradoxo ver a vítima a fazer exactamente o mesmo que o agressor. Imaginem estar na vossa casa, no vosso bairro e no vosso país e de repente terem um bulldozer e dezenas de soldados a expulsarem-vos de casa sem razão aparente e a destruir-vos o lar... Dizer que isto é algo normal é quase como negar o Holocausto - por menos começou uma guerra violentíssima na Síria. Neste campo, a loucura com o coronavirus, tem ajudado a que muitas destas acções praticamente nem sejam do conhecimento público - não se confinam só pessoas, confina-se o pensamento e a liberdade.

 

Na verdade, esta sensação de impunidade permitiu o desplante, e aliás o erro histórico de, nos mesmos dias em que se "celebrava" o aniversário do Holocausto, Israel ter feito um ultimato ameaçador aos Estados Unidos a propósito da aproximação ao Irão e inclusive deixar transparecer que planeia um ataque àquele país. Imaginem confortar um inocente que, enquanto recebe o vosso abraço, carrega a sua masada para matar ainda mais inocentes. O timing foi desastroso e o argumento ainda mais. Se a isto juntarmos também o facto de terem "passado ao lado" os alegados bombardeamentos israelitas em solo sírio, junto à fronteira com o Iraque da passada semana, temos um estranho cocktail de hipocrisia. 

 

Se tratar outro povo como bestas, retirando-lhe direitos, humilhando-os numa base diária, criando muros e invadindo as suas casas e dispondo das suas vidas rasgando toda e qualquer emanação da Carta dos Direitos Humanos é digno, pois bem, então não se admirem de que, mais do que um dia nos esquecermos do Holocausto, o aplaudirmos...

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Porque existem vírus bem mais perigosos...

por Robinson Kanes, em 26.01.21

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Créditos: https://imgflip.com/i/3u4tcj

 

Hoje estamos no SardinhaSemLata a falar de vírus muito perigosos, mas podem ficar mais calmos... O SARS-CoV 2 não é um deles... 

Passem por lá, é só clicar aqui.

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141984225_10158178486731867_4966213057139066488_o.Créditos: https://www.elmundo.es/ - @taverinez

 

 

A esperança nada mais é do que uma alegria inconstante que emerge da imagem de qualquer coisa futura ou passada, sobre a qual não é possível ter certezas.

António Damásio, in "Ao Encontro de Espinosa"

 

Parece que o Mundo nunca esteve tão mal... De facto, os tempos não são bons, mas não é pior momento da Humanidade e muito do caos não é obra do ocaso mas das nossas escolhas. O anunciado "fim dos tempos" com o SARS-CoV 2 leva ao pânico quase global. Estranhamente com tantas guerras, doenças e miséria que continuam e "sempre" estiveram aí não tenhamos entrado em pânico. Dá que pensar... Dá que pensar...

 

Mas enquanto a lógica vigente de que tudo é mau continua a ter lugar, existem os pessimistas optimistas que não perdem a esperança apesar de dispararem em todas as direcções. E é nesse optimismo que partilho algo que num país como Portugal importa pouco neste momento (triste sina) mas que é uma conquista única em termos de ciência! 

 

Foi na Ruhr-Universität de Bochum, Alemanha, que um conjunto de investigadores conseguiu um genial feito, e até hoje impossível em mamíferos, ao conseguirem que ratos com lesões ao nível da medula espinal voltassem a andar! Isto significa uma esperança enorme para tantos acidentados pelo mundo fora! 

 

Por intermédio da injecção de uma proteína no cérebro (hiprinterleucina-6), estes investigadores conseguiram provocar um estímulo nas células nervosas ao ponto destas se regenerar em. Está proteina espalha-se igualmente pelo cérebro conseguindo um efeito nunca alcançado até hoje. 

 

O passo seguinte serão os mamíferos de maior dimensão, todavia, e embora ainda possa levar décadas para termos resultados mais concretos, é uma conquista única para a Humanidade e sobretudo para os apaixonados das neurociências!

 

Neste mundo actual, onde após o "vai ficar tudo bem" parece ter dado lugar ao "vai ficar tudo péssimo" - como se palmas e clichés nos procurassem enganar e pensar que tudo passava em semanas - ainda vão existindo muitas coisas boas e muitas vidas a serem salvas, seja agora... Seja num futuro que parecemos não querer encarar e muito menos preservar.

 

É segunda-feira... E para os que se recusarem a estar em casa a ouvir, a ler e a visualizar uma quase lavagem cerebral (afinal, para muitos que pedem que fiquemos em casa no sofá não há nada melhor que um confinamento para aumentar audiências e likes) sempre existem boas notícias por esse mundo fora, ou até neste nosso pequeno bairro...

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Irrepresentable...

por Robinson Kanes, em 22.01.21

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Imagem: GC e Robinson Kanes

 

Mon royame est de c'est monde.

Albert Camus, in "L'Envers et l'Endroit" (Amour de Vivre) - Camus cita os gregos contrariando o que Cristo respondeu a Pilates em João, XVIII, 36 

 

Não tento sobreviver ao vírus, tenho as minhas cautelas, os riscos existem, isso basta-me para me sentir bem - no que concerne à desgraça, lamento não dar para o peditório, usando as palavras de um dos visitantes deste espaço.

 

Procuro sobreviver ao agudizar da hipocrisia (agora as políticas governamentais já são más, mas há uns meses chamavam a quem tal afirmava de idiota) numa fase em que temos de garantir a paz e a calma, agora é tarde e também é cedo para apontar armas. Agora não é tempo de discursos da moral, das opiniões que mudam segundo as redes sociais, segundo a turba e as diferentes plataformas, noticiosas e não noticiosas. Como se muda de opinião de um minuto para o outro, hoje em dia... Ainda bem que tal, maioritariamente, só acontece a quem usa o teclado de forma pública... Ainda bem...

 

Tento sobreviver ao pânico e ao medo, não em mim, mas junto de alguns que me rodeiam, não é fácil quando tenho uns minutos face aos meses de invasão grosseira da mente que  tantos continuam a perpetrar a troco de leituras e audiências. Talvez agora me chamem de idiota, como "chamaram" há uns tempos... Mas perdoem-me não resistir ao mordaz e cínico: eu bem dizia! Leia-se eu como um grande "nós".

 

Não exploro esta situação como uma espécie de carona invertido, não me coloco como especialista em saúde, apenas alguém que diz umas coisas e que parece que ao invés de procurar holofotes, teima em disparar sobre qualquer luz que se acenda - uma busca por não sofrer por aquilo em que não acredito, pois isso faz-me não acreditar na vida e não a pretendo jogar à aventura, socorrendo-me aqui "Do Mundo Original" do grande VF . Talvez um dia me arrependa, quiçá... 

 

Nessa sobrevivência, e não sendo um homem que aprecie as quatro paredes de um escritório, por vezes é necessário uma retirada, não gosto da palavra meditação... Sair das gentes, pensar a sós, isolar-me desse mundo nem que o escritório mais formal dê lugar ao assento de um carro ou mesmo a um tijolo qualquer numa praia ou beira-rio desprezada e pejada de detritos. 

 

Retiro-me, não escuto o "Addio a Palermo", de Morricone e composto para o filme "Corleone", como por estes dias mencionei ao amigo João-Afonso. Procuro outras sonoridades, talvez me faça bem agora o "Vacío Sideral" de Miguel Ángel Delgado e do espectacular albúm "En Mundo en la Boca".

 

Deixo que o vento me misture os pensamentos, o meu reino é, de facto, deste mundo... De um mundo que desconheço e que rapidamente oscila entre o discurso mais terno e a mais ignóbil descarga de ódio. Um mundo de faz de conta ou talvez não... Talvez esse reino seja mesmo assim e os restos de acomisme sejam isso mesmo, detritos de uma esperança que nunca se concretizará - o melhor dos mundos poderia ser hoje e não é, porque terá de ser no futuro que se avizinha ainda mais desafiante e sedento de Homens sem conseguir livrar-se de wannabes. A Terra bem roda... Mas teima em não conseguir sacudi-los para fora da sua órbita ou sequer transformá-los em húmus transformando podres almas em saprófitas.

 

Acabo este texto a ouvir Davide Salvado, e o seu galego inconfundível... Talvez o "Aire" de um dos melhores músicos da Ibéria me possa inundar e me dar todas as forças para vencer mais um dia em que sei que tenho de estar bem para que outros também possam estar. Preciso dos ares de lá... Sufocam-me os ares de um rectângulo fechado sobre si próprio... Um rectângulo irrepresentable de García Lorca mas com uma náusea perpétua cujas metástases corrompem um dos solos mais ricos do Mundo.

 

São horas de levantar, aguardo mais uns minutos. Fecho um pouco os olhos e deixo que o Tejo se transforme na Avenida de la Constitución em Granada... Permito-me, eventualmente, a ter dois dedos de conversa com o poeta e com o dramaturgo acerca da revolução social antes de voltar ao reino.

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Discurso do Pânico... Continuem que vão bem...

por Robinson Kanes, em 21.01.21

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Capa da edição do histórico Diário de Notícias de 21/01/2021 - que para isto, não precisava de ter voltado.

Imagem: Diário de Notícias

 

 

E quando se deixa de acreditar nas pessoas, o que é que fica a um homem?!... Pouca coisa e nada de bom... Uma noite danada dentro da gente, uma grande vontade de morrer quando o coração amacia e uma grande vontade de matar quando se pensa que viver é bom e são os outros que não deixam.

Alves Redol, in "A Barca dos Sete Lemes"

 

 

O caronismo e o buescismo vieram para ficar. Já não basta a situação delicada e temos uma nova imposição do pânico e do medo. Parabéns, algumas pseudo-celebridades, médicos sem ética e alguns meios de comunicação conseguiram... "Estamos" cheios de medo.

 

Em relação ao caronismo, faz-me espécie como é que um candidato a Dr. Oz português, que não olha a meios para alcançar o protagonismo, continua a ter destaque máximo nos meios de comunicação, mais do que outros médicos experientes e muito mais prudentes quando falam da situação actual. A apologia do medo e da desgraça, sobretudo vinda de um indivíduo que diz ter estado em cenários de guerra, faz-nos pensar se tal terá servido de alguma coisa: a última coisa que, num cenário de guerra ou de pandemia, devemos fazer é a apologia do pânico e do medo, pelo menos dentro das nossas fileiras... Alguém estudou mal a lição... A cegueira por meia dúzia de likes e futuras audiências não tem limites! Caronas e dokinnis deste país semeiam o pânico e o medo sem olhar às consequências do seu discurso. Também não entendo o que os chefes do serviço destes profissionais andam a fazer...

 

Homens, verdadeiros médicos como António Sarmento (apenas um exemplo), mostram que não devemos entrar neste estado de pânico, mesmo em entrevistas que, mais do que buscar informação, o jornalista (ou licenciado apenas em jornalismo e com faltas a todas as aulas) tenta por todos os meios fazer com que o especialista ceda ao discurso do pânico. Mesmo perante as investidas sem sucesso insiste em dramatizar uma situação que ainda não chegou a tal. Para isso, para o desastre, voltaram os matemáticos dos números lapalissados, a semear o terror ao anunciarem números como 16 000 casos numa semana quando na corrente já temos 12 000 e estamos numa curva ascendente. Brilhante, e pagamos milhões a indivíduos como estes para ensinarem...

 

Também não deixa de ser paradoxal ver o mundo das pseudo-celebridades a embarcarem no discurso do medo e a apregoar o internet shaming e o encerramento de todos em casa - não seria grave se isto não afectasse a saúde mental de muitos que lhes dão ouvidos. Estas estrelas cadentes são as mesmas que há uma semana contestavam o encerramento de espaços culturais mas devem ter chegado à conclusão que, na tentativa de aparecerem, nada como ter as pessoas fechadas em casa e adoptar o discurso do medo - assim não vão cair no esquecimento de facto, mesmo que um dia sejamos contra o panda do kung fu e no outro dia a favor, vive-se de likes e a realidade pouco importa. Ninguém é responsável, mesmo que tenham passado o verão em férias à grande (e não poucas vezes pagas por outrem) a ostentar o seu confinamento. Também ninguém é responsável por, aquando de um acidente de viação em período de proibição de circulação entre concelhos, que pelo que me vem à memória deve ter sido o único em Portugal nos últimos anos, muitos destes indivíduos terem tido vontade de tomar parte na desgraça e afinal se terem esquecido que em tempo de confinamento, a A1 era um desfile destas celebridades quando outros estavam fechados.

 

Voltámos também ao discurso da guerra. Só quem nunca esteve debaixo de fogo real em situação de conflito pode chamar a isto guerra. Não, isto não é uma guerra!  Mas pelo menos, já que andamos todos tão preocupados com a guerra e com a linha da frente, pode ser que seja desta que possamos dar valor aos ex-combatentes do ultramar que combateram numa guerra que nem sabiam muito bem para quê... Esses e os desertores que um certo Presidente da República que na altura já ambicionava estar à frente de uma ditadura, apelidou de cobardes e apátridas mas quando chegou a sua vez, como sempre enquanto era jovem, lá chorou junto do pai para fugir às picadas africanas... E é isto Presidente de uma Democracia... Ainda por estes dias alguém me dizia, vocês (europeus) não sabem aproveitar a paz, estiveram demasiado tempo sem guerra.

 

Sou critico do Governo de António Costa, mas é preciso muito para sentir que desta vez o nosso Primeiro-Ministro não é dos maiores culpados (sim, é o Robinson a escrever isto). Perante tantas decisões complexas, perante tantos especialistas que só querem dar nas vistas (não todos), perante um Presidente da República que se confunde com Primeiro-Ministro quando as coisas correm bem e cospe publicamente em António Costa quando as coisas correm mal, mesmo que tenha tomado parte (e influenciado até) nas decisões, é motivo para ter alguma compaixão. Pelo menos, com más decisões, não deixa de ser um estadista, já o outro... A história falará por si e de um dos maiores actores e youtubers (seja lá o que isso for) da sociedade portuguesa

 

Assassínios em massa? Alguém tem real noção do que significa (mesmo em termos legais) de acusar um Primeiro-Ministro deste tipo de crime? Será que, com todos os erros, ainda não percebemos que não é possível salvar toda a gente e os custos económicos e sociais de um confinamento geral serão fatais? Continuo a não defender confinamentos gerais, não pode ser... Porque é que muitos europeus, e sobretudo os portugueses não se convenceram que os riscos existem? Mas onde é que andaram com a cabeça, pelo menos alguns deles, para acreditar que a segurança é absoluta? É impossível salvar toda a gente se o vírus, seja ele qual for, atacar em força! Podemos mitigar, sim podemos mitigar, mas o risco existirá sempre... Em que raio de bolha andámos a viver estes anos todos? Em que raios de guerras andaram os caronas deste mundo, pois parece que andaram foi a jogar Risco ou a Operação e quando algo é a sério parecem tontos a correr de mãos no ar a gritar acudam!

 

Já se fazem contagens de mortos nos cantos dos ecrãs... Mas o que é isto? Já não há ética, já não há decoro e o jornalismo tende a ocupar mais campas que o SARS-CoV. Somos um Heinrich de Malraux a fazer render a situação, posto que a mesma já foi encontrada! Estamos a abrir precedentes perigosos...

 

E é nesse contexto que, mais do que a situação actual, dá-me medo o futuro neste país, porque isto é só o começo do que um futuro incerto nos reserva. E como diz o povo, continuem que vão bem...

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A Sardinha é só minha...

por Robinson Kanes, em 03.11.20

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Créditos: https://www.coolpun.com/topic/safari

 

Hoje é terça-feira e estamos no SardinhaSemLata, mas não partilhamos a nossa sardinha. Saibam mais aqui.

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Quem é que se responsabiliza?

por Robinson Kanes, em 31.10.20

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Créditos: Leemage/Universal Images Group via Getty Images

 

Não, não venho falar de movimentos importados dos Estados Unidos e muito menos de eleições também naquele país. Torna-se complicado enterrar a cabeça na areia numa Europa onde tudo "arde" e onde ficar preocupado com o voto que é feito noutros países é a prioridade. Quando muito provavelmente por cá nem votamos ou quando votamos é porque o candidato nos pode trazer qualquer coisa.

 

No entanto, e nem tenho por hábito carregar no pedal ao fim-de-semana, existem coisas que me preocupam, e vejamos:

 

- Quem é que se responsabiliza por divulgar notícias falsas que podem ter consequências gravosas para os cidadãos? Ainda esta semana me chamaram mentiroso porque uma publicação que de repente surgiu a falar de todos os temas para os quais não foi criada e afirmava que as províncias de La Rioja, Navarra e País Basco já estavam confinadas desde o início do mês de Outubro. É falso! Nas três é falso e muitas outras tantas situações são falsas! O único confinamento com que me deparei foi numa pequeno pueblo, Carcastillo (Navarra), onde a Guardia Civil me "impediu" a entrada! Quem é que se responsabiliza?

 

- Quem é que se responsabiliza pela divulgação ao minuto de situações de pânico, com estudos encomendados que agora até afirmam que são os próprios portugueses que se auto-confinam num medo imenso da pandemia e que portanto, um futuro confinamento já não será tão doloroso porque praticamente toda a gente o faz? Quem se responsabiliza quando a fome e a penúria baterem à porta de tantas famílias? E não me venham com a conversa de que temos um sistema que apoia os mais carenciados! Sabemos que muitos políticos da nossa praça adoram o paternalismo e o assistencialismo, mas eu prefiro ver um povo "empoderado"! Há muitas formas de derrotar um indivíduo, e uma delas é colocá-lo propositadamente nessa posição! Quem é que se responsabiliza?

 

- Quem é que se reponsabiliza por potenciais manifestações na rua de gente ordeira e que rapidamente são aproveitadas por desordeiros e que sem qualquer conhecimento são conotados com a extrema-direita como se uma extrema-esquerda estivesse quieta? Quem se responsabiliza?

 

- Quem é que se responsabiliza por filtrar notícias e esconder a verdade dos factos, inclusive de só se passar a ideia de quem em Barcelona é que as coisas estão tensas (Barcelona com uma agenda política muito especial e não preciso de escrever mais nada)? Santander (a pacífica Santander), Burgos e outras localizações em Castilla y León, Madrid, Andaluzia e tantos outros locais que estão a ferro e fogo e contra as mal geridas medidas de confinamento! Quem se responsabiliza?

 

- Quem é que se responsabiliza por filtrar os tumultos que estão a ter lugar em Nápoles, Turim, Milão e tantas outras localizações em Itália? Quem se responsabiliza pelos tumultos em França e até na Alemanha? Lembrar que em alguns caso só existem porque se pede para fazer uma coisa enquanto se faz o seu contrário. Quem se responsabiliza?

 

- Quem é que se responsabiliza por termos um Governo que passa por cima da Constituição da República Portuguesa, decreta medidas anti-constitucionais e seguidamente temos um Presidente da República que desautoriza esse mesmo Governo numa perfeita sequela do cata-ventismo ao ataque: "pode... não deve... mas pode". Quem se responsabiliza?

 

- Quem se responsabiliza perante o facto das medidas anteriores "apenas" terem afectado quem ontem apenas queria regressar do trabalho? Pois os desocupados e outros que podem trabalhar em remote já teriam "fugido" no dia anterior. Quem se responsabiliza?

 

- Quem se responsabiliza por espalhar o medo invocando factos alegadamente concretos e até datados de que determinados picos ocorrerão naquele dia e quase àquela hora? É inútil! Quem se responsabiliza?

 

- Quem é que se responsabiliza pelo medo espalhado por um movimento partidário minoritário em Portugal que deu a entender que virá aí um possível confinamento geral nas primeiras semanas de Dezembro. Quem se responsabiliza?

 

- Quem é que se responsabiliza por não se terem acautelado todos os meios e formas de combater o vírus na época mais difícil além de que ninguém hesitou em andar aos mergulhos nas praias deste país? Quem se responsabiliza?

 

- Quem é que se responsabiliza por mais uma vez a corrupção (o verdadeiro vírus deste país), a reboque da pandemia, ter sido varrida para debaixo do tapete? Quem se responsabiliza?

 

- Quem é que se responsabiliza por termos uma Constituição com artigos intoleráveis em qualquer sistema democrático (basta perceber que cria portugueses de primeira e de segunda), totalmente pós-revolucionária e cujo interesse em rever a mesma é diminuto até ter chegado o momento em que para privar o cidadão da sua liberdade já se fala numa revisão à pressa (inclusive um inexistente Rui Rio que só surge quando o tema é castrar o cidadão comum)? Quem se responsabiliza?

 

- Quem é que se responsabiliza por termos apelado a que tantas áreas de negócio (restauração, turismo, hotelaria e tantas outras) que dessem o seu melhor após Maio, que não deixassem de investir e agora lhes dizemos que afinal... Quem é que se responsabiliza?

 

- E finalmente deixo uma questão: para quando os resultados da investigação aos indivíduos, alegadamente de extrema-direita, que enviaram emails ameaçadores a alguns não menos ameaçadores indivíduos que circulam na nossa praça? E esperemos também que a investigação ao mais recente caso em escolas e universidades deste país seja breve, até porque é praticamente impossível que não tenham sido deixados vestígios e nenhuma câmara tenha captado alguns dos momentos - e convenhamos que o momento foi oportuno por diversos factores. É que se por um lado podemos estar perante um aumento exponencial da extrema-direita por outro podemos estar perante uma perigosa encenação de alguns indivíduos, o que até não me espanta, o Unidas Podemos em Espanha (escola de muitos políticos e associativistas portugueses) está a ser investigado por comportamento semelhante. E não, Portugal não é racista, todavia, é por isso que também é importante esclarecer os factos, pois podemos estar a caminhar para aí e a saturar alguns dos nossos cidadãos muito por culpa de uma propaganda sem mais-valia para o combate à causa. Isso sim, será grave, e um retrocesso no combate a essa também doença que é o racismo. Importa esclarecer estes factos de forma breve.

 

Tendo ou não razão naquilo que pergunto, são perguntas que deixo para quando passar a febre das eleições nos Estados Unidos, talvez porque pela primeira vez na História de um país, sem existir um feriado à sexta ou à segunda e também não existir uma ponte, se conseguiu criar um fim-de-semana prolongado e na Europa os tumultos não cessam enquanto os nossos principais concorrentes vão tranquilamente seguindo o seu curso, em paz e alegadamente com menos casos de coronavirus.

 

 

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Alterações Climáticas? That's a fact Jack!

por Robinson Kanes, em 26.10.20

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Créditos: Frédéric Noy - Panos Pictures

 

Não são as grandes ideias que os outros tiveram, mas as pequenas coisas que só a ti te ocorrem.

Haruki Murakami, in "Sputnik Meu Amor"

 

Uma das situações que fez parar as alterações climáticas foi a temática do SARS-CoV-2, pelo menos é a ideia com que ficamos e onde já nem o publicitário "how dare you" de uma jovem sueca tem eco. Previsível, numa campanha que teria os dias contados pelo simples facto de não ter um plano a longo-prazo e procurar apenas um rápido impacte. 

 

No entanto, a realidade nem sempre é a que encontramos nas notícias e na verdade, com o "apoio" do Fórum Económico Mundial (FEM) foi possível aferir que talvez o actual vírus seja o menor dos nossos problemas, e como dizem os americanos "that's a fact Jack", vejamos:

 

Em 2030 (daqui a 9 anos, portanto), o degelo contiuará de tal forma que o nível do mar irá subir cerca de 20cm (US Global Change Research Program - USGCRP). Todos sabemos as consequências deste facto, sobretudo para países com costa oceânica. No Golfo do México já são actualmente 60cm (Center for Science Education) e ao qual se juntam as tempestades cada vez mais severas, bem como no Noroeste dos Estados Unidos, onde estas (desde Janeiro de 2020) já são mais de 25 (USGCRP).

 

Todavia, não é preciso viajar 9 anos no tempo para chegar à conclusão que, e ainda falando em águas oceânicas, 90% dos recifes de coral estão ameaçados e 60% em estado de ameaça grave (National Oceanic and Atmospheric Administration).

 

Viajemos para terra e encaremos o facto de que a redução da área arável já atirou 100 milhões de pessoas para a pobreza extrema (Banco Mundial). 100 milhões de novos pobres, coloquemos as coisas desta forma. Em terra também chegámos à conclusão que as mortes devido às alterações climáticas aumentam por ano em 250 000 (Organização Mundial de Saúde - OMS). Não são 250 000 mortes, mas mais 250 000! A OMS é a mesma organização que nos quis ver todos fechados em casa por causa do Coronavírus e ainda as mortes estavam bem longe deste número.

 

Neste contexto, países como o Bangladesh, Tailândia, Vietname e outros, continuam e continuarão a sofrer um aumento das tempestades e consequentes inundações que provocam migrações em massa (Climate Central). Todos sabemos como o aumento da capacidade de carga vai levar a que outros conflitos possam surgir, inclusive com países vizinhos. Se tivermos em conta que actualmente 140 milhões de pessoas já se encontram deslocadas devido à insegurança alimentar, falta de água e fenómenos extremos (Banco Mundial), podemos imaginar o futuro.

 

Também ainda não é necessário viajar mais uns anos para chegar à conclusão que 8% da população mundial sofreu no último ano uma redução na disponibilidade de água potável (Intergovernmental Panel on Climate Change - IPCC) e que o Ártico também já tira férias e no Verão fica sem gelo (Arctic Council) - o Ártico no Verão fica sem gelo, sublinho... Já falei em tempos da gravidade desta situação.

 

Mas viajemos agora 19 anos e vamos até 2040. 19 anos é já amanhã, pelo que é já amanhã também que o mundo irá superar o limite dos 1,5ºC de aumento de temperatura imposto pelo Acordo de Paris (IPCC). É uma espécie de diferença entre um bife mal passado e um bem passado. Mas podemos deixar a grelha e passar ao forno, pois em 2050 a previsão é de que 2000 milhões da população mundial sofra com temperaturas na ordem dos 60º durante mais de 10% do ano (The Future We Choose - Surviving the Climate Crisis por Christina Figueres e Tom Rivett-Carnac). Em suma, não iremos precisar de máscaras para nos proteger de vírus mas sim da poluição extrema.

 

Se uma das coisas que as previsões em relação às alterações climáticas nos têm mostrado é que muitas vezes falham... Falham porque o que está previsto para daqui a 100 anos pode acontecer já amanhã. E é por isso que as previsões para 2100 apontam já para uma subida da temperatura na ordem dos 4ºC, sobretudo nas latitudes mais a norte (IPCC). Não estamos a regular o esquentador, 4ºC é uma coisa demasiado séria e com consequências no nível do mar: só a título de exemplo, a Flórida passará a ser uma coisa do passado, os recifes de coral desaprecerão e as consequências ao nível da fauna e flora marinha serão mais que desastrosas (United Nations Educational, Scientific and Cultural Organization - UNESCO). No ar e em terra uma vasta maioria dos insectos terão desaparecido e além das consequências em vários outras áreas - também as colheitas sofrerão pela falta de polinização (Biological Conservation). Falar em cataclismo é pouco, deixemo-nos de palavras bonitas.

 

Palavras bonitas não poderão livrar ninguém da seca extrema que afectará 40% do planeta (Proceedings of the National Academy of Sciences - PNAS) e a título de exemplo significará que uma área equivalente ao Estado do Massachussets irá arder por ano nos Estados Unidos (United States Environmental Protection Agency - EPA) aliás, os recentes incêndios na Califórnia, no Colorado, na Autrália e na Sibéria já mostram essa triste realidade. E tão pouco se fala deles... Estranhamente.

 

E finalmente, porque até nos toca de forma séria, o sul de Portugal e Espanha estará transformado num autêntico deserto, provocando carências alimentares e falta de água de uma gravidade extrema (Science) e acrescento até as migrações que daí advirão. Mário Lino parecia estar certo quando nos dizia que bastava atravessar a ponte e chegar à margem sul para estar no deserto. Temo é que em pouco tempo baste atravessar o Mondego.

 

Mais do que estar fechados em casa, no shopping ou a pensarmos no nosso umbigo (com o coronavírus, o egoísmo tornou-se uma doença) é altura de pararmos para pensar,  de deixarmos de ser refractários à verdade e sensíveis apenas a estímulos artificiais sob pena de não nos sabermos governar, como escreveria Tagore. É tempo de termos ideias e acima de tudo exercermos a nossa cidadania.

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O virus é democrático mas parece ser o único...

por Robinson Kanes, em 23.10.20

235866_RGB-981x1024.jpgCréditos: Caglecartoons.com, The Netherlands, March 6, 2020 | By Joep Bertrams

 

 

A certeza com que agimos hoje pode parecer medonha não só para as gerações futuras, mas também para os nossos "eus" futuros.

Robert Sapolsky, in "Comportamento"

 

Até o dia dos mortos se finou... Não acredito que uma romaria aos cemitérios possa fazer grande diferença no facto de gostarmos de alguém, está morto e pronto, não obstante, reconheço quem tem nesta prática e nesta forma de lidar com a morte uma visão diferente da minha e que está tão enraizada na nossa sociedade e costumes e que vai muito para além da crença católica. Todavia, este constante ataque ao cidadão que faz por sobreviver e cumprir o pouco que ainda lhe resta de liberdade começa a ser assustador - e pensar que em tempos alguém foi tão criticado por "querer" congelar a Democracia por seis meses.

 

Vejamos, todos aqueles que nos cortam a vida social, humana, cultural e profissional, são os mesmos que no Verão não hesitaram em (e sempre com o jornalismo medíocre atrás) mostrar-se na praia, fins-de-semana seguidos e chamando todos para o ajuntamento parolo habitual do Verão. São os mesmos que não hesitaram em jantar nos restaurantes da praça para português pobre que come uma sopinha ver. São também os mesmos que permitiram ajuntamentos como o 1º de Maio, várias manifestações da direita à esquerda e o grande acontecimento de 2020 que foi a festa do Avante. Não paga impostos, utiliza o erário público, utiliza mão de obra a custo zero e ainda recebe este prémio, enquanto os outros encerram empresas. São os mesmos que se congratularam com a Fórmula 1 no Algarve e permitem uma multidão num fim-de-semana e proibem o cidadão comum de velar os mortos ou estar em família no outro. São os mesmos que encheram o campo pequeno mal o vírus saiu do confinamento e parece ter dito "bem, vou-me embora, vou partir naquela estrada". O vírus é democrático, mas começo a crer que Portugal não...

 

Começa também a ser em demasia o pânico que é gerado nas televisões e jornais - e já lá vão seis meses. Basta! Basta! Basta! As pessoas estão cansadas e assustadas e estou em crer que muitos dos media que embarcam nesta lógica perceberam que três meses de lockdown fazem maravilhas pelas audiências e também pela destruição da inteligência dos cidadãos. Basta de termos matemáticos; profissionais de saúde;  físicos; filósofos; "comentadeiros"; "viradores de frangos" e mais um sem número de indivíduos que procuram destaque a todo o custo e todos os dias nos apresentam modelos e teorias completamente descabidas de base cientifica ou assentes em modelos ultrapassados e que só aumentam o pânico, deixem de ser "wannabes" e concentrem-se no essencial. Isto não é uma guerra como nos querem fazer crer e muito menos o fim do Mundo. É, sem dúvida, um aviso à nossa sociedade, mas sobretudo pela forma como somos "geridos", "controlados" e claro, como nos comportamos. Existem muitas soluções, a economia não pode parar! Mas a Irlanda confinou! Sim, e vejam como economicamente e laboralmente se organizou. Vejam um website de ofertas de emprego naquele país ou tentem ver como se está a comportar o tecido empresarial e percebam que tem mais dinâmica e ofertas de emprego (com qualidade) que um Portugal em tempos áureos!

 

Começa também a ser cansativo ter uma Organização Mundial de Saúde (OMS) e por cá uma Direcção Geral da Saúde (DGS) que um dia nos dizem que a máscara é para utilizar e no outro já não! Que às nove da manhã nos dizem que o contágio não se dá por contacto com superfícies a à tarde já nos diz que afinal todo o cuidado é pouco. É uma OMS que privilegiou os confinamentos mas agora volta atrás... Para o caso de alguém se ter olvidado, a OMS, legalmente, não é uma organização cientifica e muito menos médica, é uma organização política, é essa a sua base!

 

Também não podemos ter confiança total do lado da saúde (não estou a afirmar que não devemos escutar e seguir os conselhos), pelo simples facto de não ter uma visão holística da sociedade, da economia e do Mundo, e é aí que o poder político e cívico tem de mostrar que pode ouvir, acatar, mas exercer uma espécie de gestão da situação do que lhe chega. Também não podemos ter sociedades médicas a afirmarem que os melhores não estão a ser ouvidos em detrimento de outros que provavelmente se movimentam melhor no plano mediático e político. Passámos demasiado tempo no Verão a apanhar sol na praia, sejamos consistentes nas mensagens e nos alertas.

 

Todos sabemos que os números estão a ser "martelados", não tenhamos ilusões, mas mesmo assim, não podemos deixar de viver, não podemos parar a economia e muito menos destruir o que temos de nosso, já nem como cidadãos mas como pessoas! Não façam isso e não deixem que isso vos seja feito.

 

O Mundo do pânico pandémico (e não escrevi da pandemia) está, entre as gotas da chuva a transformar-se. Existem conflitos a eclodir por todo o Mundo, muitos deles pela liberdade de países e povos outros somente a aproveitarem a baixa atenção mediática a outros temas. É terrorífico ver que por cá, inclusive em espaços de blogues e artigos de opinião ainda se defende, aproveitando a embalagem da pandemia, um regime maoista que desenvolve campos de concentração! Existem, como na Nigéria, Colômbia, Chile e outras nações, ataques coordenados a quem diz não: na Nigéria as autoridades antes de abaterem manifestantes pela Liberdade que só estavam concentrados pacificamente, tiveram o cuidado de preparar o terreno, afastando testemunhas com zonas de contenção, retirando câmeras e limpando a zona! Estes são os testemunhos mais violentos, mas também sabemos como Portugal é um país perfeito para "abater" quem diz não!

 

Respeitemos os outros, tenhamos todos os cuidados exigidos para não multiplicar a propagação do vírus, mas acima de tudo não deixemos de viver e não embarquemos numa espécie de suicídio colectivo. Mais do que morrer de medo e desprovido de qualquer personalidade, importa sim saber como reagir face à adversidade e apostar numa mudança que tem de acontecer, e nesse aspecto, o vírus é uma grande oportunidade de nos tornarmos melhores em muitos campos, embora, infelizmente, em muitos territórios, não seja uma prioridade.

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