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"Silly Season" - Abertura Oficial em Alcochete!

por Robinson Kanes, em 31.05.18

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Créditos: https://tnews.ir/news/bbc199478253.html

 

Um chapéu é apenas uma panqueca, posso ir comprá-lo ao Zimmermann, mas aquilo que se guarda debaixo do chapéu, isso já não se pode comprar.

Fiodor Dostoievski, in  "Crime e Castigo"

 

 

Tende a ser mais tardia a abertura de tão interessante época que todos os anos tem lugar mas...

 

... Em Alcochete este ano começou mais cedo! E nem falo dos ataques terroristas que alguns continuam a dizer que aí tiveram lugar, numa certa academia de desporto - os mesmos que diziam ser uma tolice considerar os incêndios, o crime organizado e outros acontecimentos bem mais dramáticos como terrorismo. A "silly season" está oficialmente aberta em Alcochete quando as filas para aceder à pacata vila já chegam à Ponte Vasco da Gama, ou pelo menos, à saída para Montijo e Alcochete. Mas...

 

...Vão todos saborear o que de bom se faz em Alcochete em termos de comida? Vão viver a vila e a suas gentes? Vão apreciar uma das mais belas zonas ribeirinhas do país? Não! Assim que passamos a segunda rotunda que nos abre a vila, tudo se dissipa pois o trânsito fica todo no Freeport!

 

Lembram-se daquele centro comercial construído em reserva natural e que deu tanto que falar na justiça e na praça pública? Aquele que foi criticado e envolveu alegadas situações de corrupção? Muitos dos seus criticos são os que entopem agora a entrada na vila para lá irem comprar roupa de refugo mas que tem uma marca! Tem defeito, está fora de moda? Que interessa, tem a marca! Ainda me recordo de uma personagem que conheci que dizia ter uma camisa de uma grande marca comprada nesse estabelecimento e que perante a minha afirmação de que era uma camisa branca normal me respondeu dizendo que tinha a marca e assim as pessoas viam que era uma camisa boa! 

 

Querem camisas boas? Vão a Pequim e é muito provável que no prédio ao lado do vosso exista uma fábrica que produz para uma grande marca e aí comprem camisas a 5 dólares e que por cá custam para cima de 200 euros e com melhor qualidade pois não são fabricadas para serem vendidas em outlet! Uma nota: afirmação baseada em factos reais!

 

Hoje, o habitante de Alcochete que veio de Lisboa ou até do Alentejo teve uma manhã muito difícil! O alcochetano de gema ou mero residente sentiu na pele como é entrar em Paris ou Londres de automóvel, porque a loucura das compras de Verão começou - o fim do mês e os feriados deram um empurrão e... Estamos em Portugal onde um par de cuecas de marca vale que coloquemos a viatura em cima de hortas e de terrenos privados! 

 

Mas tudo tem coisas boas e coisas más... Se por um lado esta multidão não invade Alcochete, não estragando também a vila, por outro nem sequer sabe que existe uma reserva natural cujo nome é Reserva Natural dos Estuário do Tejo, a mesma que, segundo uma empresa que realizou um estudo de impacto ambiental, pouco ou nada será afectada por um futuro aeroporto! Afinal, isto dos flamingos e outra "passarada" é bonito nos vestidos e na piroseira de Verão, mas na natureza quem é que quer saber disso?

 

Tenho a sensação de que hoje vou ter mesmo de fugir para Alpiarça ou Chamusca antes que esta febre me consuma... Entretanto passei por dois guarda-rios (as aves) que estavam a comentar que os seres-humanos eram um pouco parolos...

 

Bom feriado... Mesmo para aqueles que só sabem que é um dia em que alguns não trabalham ou recebem a dobrar... Afinal, nestes dias somos todos católicos apostólicos romanos mesmo que nunca tenhamos ido a uma eucaristia!

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Nunca Mais Acaba o Natal!

por Robinson Kanes, em 27.11.17

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Fonte da imagem:  https://s-media-cache-ak0.pinimg.com/236x/89/16/3f/89163f33a238b5e825a89d506be59013.jpg

 

(Original publicado a 30 de Novembro de 2016 e agora reeditado com outro sabor...)

 

Já estamos na época natalícia... O vizinho da frente já comprou um lote de luzes que dava para iluminar Amesterdão inteira, mesmo naqueles dias mais escuros. Obviamente que o vizinho do lado, não querendo ficar para trás na corrida energética, comprou um lote de luzes que obriga os aviões com destino a Schiphol a mudar de rota e a aterrar em Haia devido ao encandeamento provocado pela fortaleza de luzes capaz de fazer inveja a qualquer artilharia anti-aérea.

Não vou questionar a vertente comercial do Natal. É preciso vender e, em alguns casos, antecipadamente. Um exemplo? Os jantares de Natal das empresas, isso leva tempo e começar em Setembro pode ser um bom ponto de partida.

E quem não gosta de andar por Praga, Nuremberga, Dresden e outras cidades e sentir o espírito dos mercados de Natal? Quem não gosta do convívio, de um Glühwein ou de uma boa conversa embrulhado em cachecóis e casacos bem quentes? E a entrada é grátis!

Todavia, em alguns países (Portugal também), tenho a sensação de que quando chega o dia de Natal, para muito boa gente, é o dia em que finalmente chega a paz e o sossego! Acabou-se a injecção de anúncios, catálogos no correio, as músicas da Mariah Carey ou então “midis” com o “jingle bells”, crianças aos berros, os peditórios, os “emails” de boas festas formatados, as propagandas de Governos que fazem lembrar as ditaduras sul-americanas, e aquela correria de comprar coisas mais caras e que também existem a melhor preço noutras épocas do ano.

 

E quem é que não adora circular num hipermercado num ou num centro comercial, numa época tão bela e de paz, mas que se não toma cuidado ou é empurrado ou atropelado por um conjunto de gente com mau feitio e com o desejo de comprar qualquer coisa, qual leão atrás de uma palanca - eu acredito que não é fácil ter dinheiro na carteira e poder gastá-lo em tudo e mais alguma coisa, mas vejamos, nem todos podemos ter a sorte de viver na Síria, no Egipto, no Bangladesh ou na Venezuela! Não andem tristes nem se comportem como autênticos figurantes do videoclip do “Thriller” de Michael Jackson. Infelizmente, ter dinheiro para gastar e poder acumular dívidas tocou-nos e temos de viver com isso, por isso que o façamos com um sorriso e simpatia e respeito pelos outros... Eu sei que não é fácil, mas os outros também conseguem viver.

 

Depois temos as “Black Fridays”, que, num país com mais dias de promoções que habitantes faz claramente todo o sentido. Faz tanto sentido que alguns até vão mais longe e criam os “Black Weekends” ou as “Black Weeks” não vá escapar algo à nossa lista de desejos.



Acredito até, que o dia de Natal, ou mesmo a consoada, são uma tremenda ressaca e que o ar enfadado, na cara de muitos, prova isso mesmo. Lá se vai um subsídio para meia-dúzia de horas e ainda por cima para marcar no calendário esta comunhão. O dia de Natal em si, é feito sentado à mesa e numa apatia muitas vezes assustadora... É preciso comer e ficar com um aspecto anafado! Tenho aquela sensação de que alguns indivíduos "encharcam-se" tanto nesta época que indago se não temos qualquer relação com o urso, por exemplo, que precisa de uns bons quilos de salmão para aguentar o período de hibernação sem comer ( no caso dos humanos, esse período dura até à Páscoa e em alguns casos até às chamadas férias de Verão). Não esquecemos que a fauna portuguesa precisa de épocas impostas para festejar algo... Mesmo que acabe farta e cansada com uma expressão de cara de atum.

A vertente consumista (mesmo a dos peditórios) é tanta e tão mecanizada como a própria época que questiono se ainda existe Natal. E nem sou daqueles que vê o Natal com o menino Jesus nas palhas deitado (ou será nas palhas estendido?) ,mas sim o Natal como uma época que se sinta, que se viva, que se experimente com naturalidade e com a emoção devida, independentemente da religião ou qualquer outra convicção... Se tiverem oportunidade de partilhar e "ensinar" o espírito de Natal com indivíduos que não são crentes arriscam-se a ter um Natal mais cristão que os próprios cristãos...

Talvez seja uma visão romanceada... talvez seja até uma visão infantil, mas tal como Saint-Exupery, eu próprio possa ser levado a pensar se a infância em Saint-Maurice-de-Rémens não teria sido o corolário de uma vida e o que aí se seguiu uma luta pela verdade e pela realidade da mesma.

 

P.S: E porque já se fala de Natal, o meu desejo é  que ninguém se lembre de me proibir de sorrir ou cantar no carro... Se o ACP (Automóvel Clube de Portugal) e a LPCPBD (Liga Portuguesa Contra as Pessoas Bem Dipostas) começam a perceber que existem muitos indivíduos como eu, vão perserguir-nos como a qualquer fumador que puxe do seu cigarro dentro do veículo. Eu sei que é uma forma estúpida de conseguir financiamento para campanhas e para algumas carteiras... Mas isso não!

 

 

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Striezelmarkt Soa Mal, mas é Genuíno.

por Robinson Kanes, em 09.12.16

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Vamos recuperar a tradição dos mercados de Natal e fazer concorrência aos centros comerciais? E como é que fazemos para nos distinguir-mos da concorrência e sermos diferentes?

 

É simples, para sermos diferentes de um shopping center temos de começar pela designação – vamos dar um nome tradicional que nos remeta para as origens dos mesmos em Portugal - aí vão alguns exemplos: Mercado Crafts & Design, Pink Market, Urban Market, Christmas Market Fashion Outlet. Pelo menos já estamos a ser diferentes, digam lá que língua mais tradicional portuguesa que o... inglês? Ainda me lembro do meu trisavô contar como era belo e acolhedor o Sortelha Fashion Market ou o Freixo de Numão Christmas Market e isto ainda no século XIX!

 

Mas ainda não chega, é preciso ir mais longe e apostar em produtos típicos de Natal ou até abrir a porta a produtos natalícios de outros países. Portanto, vamos apostar em... produtos que existem todo o ano made in China e outras tantas origens sem esquecer que podemos encontrar as mesmíssimas coisas ao longo de todo o ano em qualquer grande superfície. Já viram aqueles mercados onde se vendem caveiras e pulseiras da felicidade?

 

E como é que podemos ser ainda mais inovadores? Vamos apostar no Pai Natal em exclusivo ou então, até criar uma reconstrução dos soldadinhos de chumbo, estes últimos muito tradicionais... só que na Alemanha e em outros países do centro da Europa.

 

É claro que temos bons exemplos, mesmo até boas práticas em alguns cuja base tradicional não é a melhor, mas... não estou a ver o Dresdner Striezelmarkt adoptar o nome de Dresden Amazing Christmas Market só porque... Dresdner Striezelmarkt não soa bem ao ouvido. Experimentem dizer Dresdner Striezelmarkt várias vezes seguidas... será por isso que deixariam de visitar o Dresdner Striezelmarkt?

 

Fonte da Imagem: Própria.

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